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10/01/2025

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Venezuela: Maduro deve tomar posse hoje para 3o mandato em meio à contestação

A Venezuela deverá empossar um chefe de Estado hoje, 10/01, mas ainda há 2 homens que afirmam ser o presidente. O atual presidente Nicolás Maduro deve participar de uma cerimônia de tomada de posse para iniciar o seu 3o mandato, apesar de muitos países contestarem a reivindicação dele ter vencido as eleições presidenciais de julho de 2024. Maduro e Edmundo González, o candidato da oposição, reivindicaram vitória nas eleições presidenciais realizadas em 28/07. O CNE da Venezuela, um órgão apoiado pelo chavismo, declarou formalmente Maduro o vencedor sem fornecer a contagem dos votos. A oposição contestou e divulgou resultados recolhidos em todo o país, dizendo que provavam que González venceu por uma vitória esmagadora. Observadores independentes concluíram que as contagens publicadas pela oposição são provavelmente válidas, e vários países, incluindo os EUA, reconheceram Gonzalez como pr...

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Venezuela: Maduro deve tomar posse hoje para 3o mandato em meio à contestação

A Venezuela deverá empossar um chefe de Estado hoje, 10/01, mas ainda há 2 homens que afirmam ser o presidente. O atual presidente Nicolás Maduro deve participar de uma cerimônia de tomada de posse para iniciar o seu 3o mandato, apesar de muitos países contestarem a reivindicação dele ter vencido as eleições presidenciais de julho de 2024. Maduro e Edmundo González, o candidato da oposição, reivindicaram vitória nas eleições presidenciais realizadas em 28/07. O CNE da Venezuela, um órgão apoiado pelo chavismo, declarou formalmente Maduro o vencedor sem fornecer a contagem dos votos. A oposição contestou e divulgou resultados recolhidos em todo o país, dizendo que provavam que González venceu por uma vitória esmagadora. Observadores independentes concluíram que as contagens publicadas pela oposição são provavelmente válidas, e vários países, incluindo os EUA, reconheceram Gonzalez como presidente eleito nos últimos meses. Milhares de venezuelanos protestaram contra os resultados logo após a votação, exigindo transparência. O Brasil confirmou embaixadora Glivânia Oliveira em posse, após dúvidas.

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STF determina realização de mutirões para garantir prisão domiciliar de mães de crianças menores de 12 anos

O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que o Conselho Nacional de Justiça, CNJ, realize mutirões carcerários para aplicar a decisão da 2a Turma da Corte que substitui a prisão preventiva por domiciliar para mães de crianças menores de 12 anos. Os mutirões carcerários são ações organizadas pelo Poder Judiciário para fiscalizar e garantir o cumprimento da lei nas prisões. A determinação aconteceu ontem, 09/01. “O objetivo da medida proposta é a revisão das prisões, a apuração das circunstâncias de encarceramento e a promoção de ações de cidadania e de iniciativas para ressocialização dessas mulheres”, afirmou Gilmar Mendes. O objetivo de defender os direitos das crianças “que podem ser impactadas pela ausência da mãe”. “Por meio da medida, a ré permanece presa cautelarmente, mas passa a cumprir a segregação em seu domicílio, de modo a oferecer cuidados aos filhos menores”, complementa o ministro. A regra pode ser ajustada conforme cada caso.

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'Saidinha de Natal': 14 estados e o DF concederam benefício. Mais de 2 mil presos não voltaram para as cadeias

Mais de 2 mil presos que tiveram direito à saidinha de Natal entre o fim de 2024 e o início de 2025 não retornaram aos presídios brasileiros. No total, 48.372 presos de 15 estados, tiveram direito ao benefício. Desses, 2.042 não retornaram, o equivalente a 4,3%. Proporcionalmente, o RJ foi o estado que registrou a maior taxa de detentos que não retornaram. Dos 1.494 beneficiados, 260, cerca de 14%, estão foragidos. Já em números absolutos, SP lidera o ranking, com 1.292 “fujões”. 6 estados, como: AC, AM, GO, MG, PE e TO, informaram que não concederam a saída temporária. Outros 4, como: AL, BA, RN e RO, não responderam e MG informou não ter compilado os dados ainda. A 'saidinha' é concedida apenas a detentos que estejam no regime semiaberto, que possuam bom comportamento e que tenham cumprido parte da pena. Também não podem ter praticado faltas graves no último ano. A decisão é tomada pela Justiça, e o direito está previsto em Lei. Quando o preso não retorna à unidade prisional após a saída temporária, ele é considerado foragido. Ao ser recapturado, portanto, volta ao regime fechado. Essa mudança de regime é determinada pela Justiça.

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Revolta e decepção: 'As mães do Zika' não terão direito à pensão com veto de Lula

O presidente Lula optou por vetar integralmente o PL que previa pensão vitalícia às pessoas com deficiência permanente causada pela síndrome decorrente da infecção pelo ‘zika vírus’ na gestação. A condição mais conhecida da síndrome é a microcefalia. Mas ela é apenas a ponta do iceberg de lesões associadas à exposição ao ‘zika’ na gestação. O vírus pode causar também outras alterações neurológicas, problemas osteomusculares, auditivos e visuais. O veto, publicado no DO, foi justificado "por contrariedade ao interesse público e por inconstitucionalidade". Em agosto de 2024, o Plenário do Senado chegou a aprovar o PL. O relator ressaltou que o projeto mudaria a vida de muitas pessoas, pois poderia alcançar cerca de 1,8 mil famílias afetadas pela síndrome congênita do ‘zika’. A medida provisória autoriza o pagamento, por parte do governo federal, de indenização no valor de R$ 60 mil para as famílias dessas crianças. A vice-presidente do 'UniZika Brasil', Germana Soares, destaca que, com o veto, o governo federal traz "frustração e decepção para mães e familiares", pois dá "invisibilidade a 1.589 famílias que sobrevivem na miserabilidade".

Meta: versão em português da 'nova política' para o Brasil foi atualizada ontem

A Meta publicou ontem uma atualização em português de sua política de "Conduta de ódio". As diretrizes agora permitem, entre outros pontos, a associação de termos relacionados a doenças mentais a gênero ou orientação sexual. As regras se aplicam ao ‘Facebook’, ‘Instagram’ e ‘Threads’. Inicialmente, a atualização ocorreu para locais como EUA e Reino Unido. A nova versão abre espaço para que usuários utilizem discursos com “linguagem insultuosa no contexto de discussão de tópicos políticos ou religiosos, como ao discutir direitos transgêneros, imigração ou homossexualidade”. Ao mesmo tempo, a Meta retirou algumas restrições da política de uso das plataformas. Uma delas, por exemplo, proibia explicitamente a “autoadmissão de intolerância com base em características protegidas de discriminação, incluindo, mas não se limitando a homofóbica, islamofóbica, racista”. Em um trecho que foi mantido, as diretrizes da Meta continuam barrando conteúdos que ataquem “conceitos, instituições, ideias, práticas ou crenças associadas a características protegidas, que provavelmente contribuirão para danos físicos iminentes, intimidação ou discriminação contra as pessoas associadas a essa característica protegida”.

Agenda do Presidente:

10h00 - Reunião

15h30 - Ministro da Educação, Camilo Santana, e Sidônio Palmeira

Manchetes da manhã:

- Califórnia: sobe para 10 o número de mortos nos incêndios. Mais de 5 mil casas e prédios foram destruídos

- EUA: Trump pode ser sentenciado hoje em caso de suborno após decisão da Suprema Corte

- Meta: Governos europeus, do Canadá e da Austrália mostram preocupação após Zuckerberg eliminar checagem

- Meta: União Europeia, Austrália, Canadá e até papa Francisco reagiram à decisão anunciada por Zuckerberg

- China: autoridades detectam nova variante da 'Mpox'

- Venezuela: com aval de militares, Brasil vendeu spray de pimenta às vésperas de eleição contestada

- Venezuela: Trump, Milei e outros líderes criticam a prisão de María Corina

- Argentina quita US$ 4,3 bi em dívidas com estrangeiros, maior pagamento em 5 anos

- ‘Australian Open’: João Fonseca, 18 anos, vence e vai à chave principal de 'Grand Slam' de Tênis

- Lula se preocupa com o preço dos alimentos no supermercado. Presidente se reuniu com o ministro da Agricultura para tratar do assunto

- Hoje: Lula se reúne com ministros para discutir diretrizes da Meta

- Brasil fará o necessário para que Meta cumpra leis, diz Rui Costa

- Reforma ministerial de Lula deve abranger no mínimo 10 pastas

- Senado elege seu novo presidente em 1o de fevereiro

- Emendas: governo inicia pagamento em 2025 e libera R$ 205,8 milhões

- BC: fonte de pressão para o governo, inflação periga estourar teto da meta. Até novembro, está em 4,29%

- Haddad nega criação de impostos sobre Pix e pets: “É mentira”. “Única coisa verdadeira” é taxação de casas de apostas

- Haddad deu 40 entrevistas em 2 anos como ministro da Fazenda. Em maio de 2024 para falar sobre a taxa de juros

- Secom: TCU libera licitação de R$ 200 mi para publicidade. Concorrência havia sido suspensa em julho

- 13/01 a Caixa fará leilão com 572 imóveis e preços a partir de R$ 51 mil. Imóveis distribuídos entre 21 estados

- Anielle reage após vice-presidente do PT posar com família dos Brazão e defender inocência dos irmãos: “Repugnante”. Janja também critica

- Pesquisa mostra que brasileiros estão cada vez mais afastados da leitura. 11 milhões de pessoas tomaram distância da leitura na última década

- PR: RF apreende mais de 20 toneladas de alho contrabandeado. Carga tem indícios de origem argentina

- PE: marqueteiro de João Campos deve ajudar ‘nova Secom’ de Lula. Rafael Marroquim ajudará informalmente

- PE: Governo Federal anuncia Centro de Operações de Emergência para monitorar arboviroses. Para conter avanços

- ‘IPVA 2025’ em PE: Contribuintes com placas final 1 e 2 começam a pagar em 05/02

- ‘Lei Seca’ em PE: 19 pessoas foram flagradas por dia dirigindo sob efeito de álcool

- As calçadas e praças viram 'casa'. Crise social se agrava e mais de 5 mil vivem nas ruas de Pernambuco: O número de pessoas em situação de rua aumentou 25% em todo o Brasil. No final de 2024, o número chegou a 327.925 pessoas, que se concentram, principalmente, nas regiões Sudeste, 63% e Nordeste, 14%. Os dados são da UFMG. O estudo tem base no 'CadÚnico', que reúne os beneficiários de políticas sociais, como o 'Bolsa Família' e o 'BPC', e é um indicativo das populações em vulnerabilidade e dos repasses do governo federal aos municípios. Em Pernambuco, o número de pessoas em situação de rua supera a marca dos 5 mil. De acordo com a pesquisa, a maior parte delas está concentrada no Recife, que conta com 2.697 pessoas nessas condições. Em áreas como o Centro da cidade e o bairro de Boa Viagem, na Zona Sul, esse número fica evidente. Nas calçadas e praças, essas pessoas convivem com a falta de políticas públicas integradas, que envolvam não apenas a assistência social, como também educação, saúde, segurança, infraestrutura e lazer. As privações vivenciadas pela população em situação de rua é a de moradia, mas não é a única

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17 vereadores das bases de prefeitos de Raquel anunciam apoio e reforçam mais João Campos na RMR

05/06/2026

A adesão de 17 vereadores que integravam as bases políticas de prefeitos aliados da governadora Raquel Teixeira Lyra (PSD) em Jaboatão dos Guararapes e Paulista reforça um movimento que amplia a presença e o alcance político de João Campos (PSB) na Região Metropolitana do Recife, onde está concentrada a maior parcela do eleitorado pernambucano.

Jaboatão e Paulista

Nos dois municípios, considerados estratégicos para qualquer projeto de governo em Pernambuco, grupos expressivos de parlamentares municipais decidiram migrar para o palanque liderado pelo ex-prefeito do Recife. Apenas em Jaboatão dos Guararapes, segundo maior colégio eleitoral do estado, dez vereadores anunciaram apoio e acompanharam João Campos durante agenda realizada no Mercado das Mangueiras, em Prazeres. Os parlamentares integravam a base do prefeito Mano Medeiros, um dos principais aliados políticos da governadora na Região Metropolitana. Em Paulista, outro importante polo eleitoral...

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A adesão de 17 vereadores que integravam as bases políticas de prefeitos aliados da governadora Raquel Teixeira Lyra (PSD) em Jaboatão dos Guararapes e Paulista reforça um movimento que amplia a presença e o alcance político de João Campos (PSB) na Região Metropolitana do Recife, onde está concentrada a maior parcela do eleitorado pernambucano.

Jaboatão e Paulista

Nos dois municípios, considerados estratégicos para qualquer projeto de governo em Pernambuco, grupos expressivos de parlamentares municipais decidiram migrar para o palanque liderado pelo ex-prefeito do Recife. Apenas em Jaboatão dos Guararapes, segundo maior colégio eleitoral do estado, dez vereadores anunciaram apoio e acompanharam João Campos durante agenda realizada no Mercado das Mangueiras, em Prazeres. Os parlamentares integravam a base do prefeito Mano Medeiros, um dos principais aliados políticos da governadora na Região Metropolitana. Em Paulista, outro importante polo eleitoral do estado, sete vereadores da base do prefeito Ramos, também alinhado ao grupo político de Raquel Lyra, já haviam declarado apoio ao projeto liderado pelo socialista.

O que representa o apoio

Mais do que números, as adesões representam um significativo capital político. Somadas, as votações obtidas por esses 17 vereadores superam, com ampla margem, o eleitorado de diversos municípios pernambucanos. Trata-se de lideranças com forte inserção territorial, presença cotidiana nos bairros e capacidade de mobilização eleitoral, atributos que costumam ter peso relevante nas disputas estaduais.

O movimento

Ganha ainda mais relevância por envolver parlamentares que pertenciam a grupos políticos vinculados a prefeitos alinhados à governadora. Nos bastidores da política pernambucana, as migrações são interpretadas como um indicativo da crescente atração exercida pelo projeto liderado por João Campos, especialmente nos municípios metropolitanos, onde o socialista consolidou forte presença política ao longo dos anos em que comandou a Prefeitura do Recife.

Participação da RMR

A Região Metropolitana tem papel decisivo nas eleições estaduais. Além de concentrar mais de 40% dos eleitores pernambucanos, reúne alguns dos maiores colégios eleitorais do estado, como Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista. Historicamente, o desempenho dos candidatos nessa região costuma ser determinante para o resultado final das disputas pelo Palácio do Campo das Princesas.

Densidade eleitoral

Nesse contexto, a atração de vereadores ligados às bases dos prefeitos aliados de Raquel Lyra reforça a capacidade de expansão política de João Campos justamente na região onde seu projeto apresenta maior densidade eleitoral e onde se concentram os maiores colégios eleitorais de Pernambuco.




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Veneziano: “Caminhos para a Paraíba”, constrói proposta para o MDB nas eleições 2026

05/06/2026

A Fundação Ulysses Guimarães (FUG) da Paraíba realizou hoje sexta-feira (05/06), em João Pessoa , o evento “Caminhos para a Paraíba”, iniciativa voltada à construção coletiva de ideias, propostas e soluções para contribuir com o desenvolvimento do Estado. O evento representa mais uma etapa de um amplo processo de diálogo com diversos segmentos da sociedade paraibana, reunindo lideranças políticas, representantes da sociedade civil, especialistas e cidadãos interessados em contribuir com a formulação de propostas para o futuro do Estado.



A iniciativa

Tem como inspiração a publicação “Caminhos para o Brasil”, obra desenvolvida pela Fundação Ulysses Guimarães que reúne contribuições voltadas ao fortalecimento da democracia, da cidadania e das políticas públicas em âmbito nacional. Agora, a proposta ganha uma versão estadual, adaptada à realidade e aos desafios da Paraíba.



Contribuição importante

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A Fundação Ulysses Guimarães (FUG) da Paraíba realizou hoje sexta-feira (05/06), em João Pessoa , o evento “Caminhos para a Paraíba”, iniciativa voltada à construção coletiva de ideias, propostas e soluções para contribuir com o desenvolvimento do Estado. O evento representa mais uma etapa de um amplo processo de diálogo com diversos segmentos da sociedade paraibana, reunindo lideranças políticas, representantes da sociedade civil, especialistas e cidadãos interessados em contribuir com a formulação de propostas para o futuro do Estado.



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A iniciativa

Tem como inspiração a publicação “Caminhos para o Brasil”, obra desenvolvida pela Fundação Ulysses Guimarães que reúne contribuições voltadas ao fortalecimento da democracia, da cidadania e das políticas públicas em âmbito nacional. Agora, a proposta ganha uma versão estadual, adaptada à realidade e aos desafios da Paraíba.



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Contribuição importante

De acordo com o Senador e Presidente do MDB na Paraíba, Veneziano Vital do Rêgo, trata-se de uma valiosa contribuição para a proposta de desenvolvimento que o partido apresentará nas eleições deste ano aos paraibanos. “Essa proposta tem sido formulada pelo MDB Nacional, junto com nossa instância estadual, dentro daquilo que nós temos dito, que a Paraíba pode mais, pode ganhar um ritmo de gestão mais célere, mais sério, mais amplo, no qual as pessoas, de todas as regiões, possam se sentir integradas. Nós somos muito agradecidos à Fundação Ulysses Guimarães por essa colaboração, que se soma ao que temos colhido, eu, Cícero e André, nas visitas, nos debates e oportunidades outras que temos tido por toda a Paraíba”, afirmou Veneziano.



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É Findi - Modos de Amor - Por Marcelo Mário de Melo*

05/06/2026

Há amor
de alto e baixo risco
estranhezas
e indumentárias várias.

Amor andando
em corda de equilibrista
beira de abismo
campo minado
guerra declarada
tratado de armistício
jogo de cartas marcadas
aposta em loteria
roldana de rotina.

Amor-cabra-cega
amor de portas abertas
amor caixa-forte
amor que dança
seguro por uma fita
cada ponta presa aos dentes
bastando abrir-se uma boca
para ser desfeito.

Melhor o amor
sem esses riscos e poréns.

Um amor que dispense
passaporte
carteira de habilitação
folha de antecedentes
declaração registrada em cartório
com duas testemunhas
certidão negativa do Serasa amoroso
previsão de indenização e fiança
certificado de garantia estendida
com prazo de validade.

Um amor que seja
simpl...

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Há amor
de alto e baixo risco
estranhezas
e indumentárias várias.

Amor andando
em corda de equilibrista
beira de abismo
campo minado
guerra declarada
tratado de armistício
jogo de cartas marcadas
aposta em loteria
roldana de rotina.

Amor-cabra-cega
amor de portas abertas
amor caixa-forte
amor que dança
seguro por uma fita
cada ponta presa aos dentes
bastando abrir-se uma boca
para ser desfeito.

Melhor o amor
sem esses riscos e poréns.

Um amor que dispense
passaporte
carteira de habilitação
folha de antecedentes
declaração registrada em cartório
com duas testemunhas
certidão negativa do Serasa amoroso
previsão de indenização e fiança
certificado de garantia estendida
com prazo de validade.

Um amor que seja
simplesmente
uma dança
de confiança.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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É Findi - Chamas da Memória Junina - Crônica - Por Maria Inês Machado*

05/06/2026

São João, no meu sertão, era mais do que festa. Tempo de encontro, de esperança e de lembrar que a vida, mesmo dura, também sorria.

O arrasta-pé acontecia no alpendre da casa grande, enfeitado de bandeirinhas coloridas. As grandes mesas de madeira, espalhadas pelo terreiro, carregadas de quitutes faziam a fama da festa. Nos alguidares de barro fumegavam pamonhas, canjicas, munguzá, milho verde cozido, cocadas e puxa-puxa. O bolo de mandioca de dona Francisca era presença certa, mas havia quem jurasse que nada superava o pé de moleque de tia Corina. O bolo de batata-doce de dona Jovem também era disputado. Já o bolo de macaxeira trazia a marca de dona Zuleide.
— E a coalhada? Tem disso não no São João! — dizia alguém, arrancando risadas.

Foi então que Amélia, dona da casa e hospedeira de todos, perguntou:

— Ih! Tu não conheces seu Jacinto?

Quem não conhecia? Era homem de gosto apurado. Se chegasse e não encontrasse a t...

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São João, no meu sertão, era mais do que festa. Tempo de encontro, de esperança e de lembrar que a vida, mesmo dura, também sorria.

O arrasta-pé acontecia no alpendre da casa grande, enfeitado de bandeirinhas coloridas. As grandes mesas de madeira, espalhadas pelo terreiro, carregadas de quitutes faziam a fama da festa. Nos alguidares de barro fumegavam pamonhas, canjicas, munguzá, milho verde cozido, cocadas e puxa-puxa. O bolo de mandioca de dona Francisca era presença certa, mas havia quem jurasse que nada superava o pé de moleque de tia Corina. O bolo de batata-doce de dona Jovem também era disputado. Já o bolo de macaxeira trazia a marca de dona Zuleide.
— E a coalhada? Tem disso não no São João! — dizia alguém, arrancando risadas.

Foi então que Amélia, dona da casa e hospedeira de todos, perguntou:

— Ih! Tu não conheces seu Jacinto?

Quem não conhecia? Era homem de gosto apurado. Se chegasse e não encontrasse a tigela da comida de seu agrado, era capaz de virar a sela do cavalo e voltar para casa.

Enquanto o povo chegava, as moças se ocupavam das simpatias. Debaixo do pé de bananeira, enterravam os nomes dos pretendentes. No pequeno altar de dona Almira, erguido para pagar a promessa feita a Santo Antônio quando o enlace com seu Zacarias andava emperrado, reuniam-se as moças casamenteiras. E a fila era grande.

São João e São Pedro pareciam olhar com graça para Santo Antônio colocado de cabeça para baixo. Já devia estar com torcicolo.

Eita vexame bom.

São João de gente bonita, reunida para celebrar a colheita e fortalecer os laços de amizade. Nascer no sertão era rezar e fazer promessa no dia de São José, trazendo no coração a esperança das chuvas de junho. Percorrer os roçados simples e acompanhar o crescimento do milho, do feijão, da mandioca, do jerimum, da batata-doce, do maxixe e do quiabo.

As conversas voavam alto.

— O casamento vai ser marcado. Santo Antônio me prometeu.

Do outro lado, alguém implicava com Cacilda:

— Eita, Cacilda! Bota pó e tira pó. Moça velha não sai mais do caritó!

As gargalhadas corriam soltas.

— E tu, Margarida, ainda não saiu?
— E quem foi que me tirou?

Todo ano era a mesma promessa, a mesma fé depositada no santo casamenteiro.

As conversas cresciam noite adentro. As crianças faziam fila ao redor da fogueira. O milho assado de seu Onolino não tinha igual, e o cozinhado de tia Flora era disputado até a última espiga.

A noite parecia curta para tantos festejos. Entre um forró e outro, os olhos das moças encontravam os dos rapazes. Muitos casamentos já tinham começado assim, ao som de sanfona chorosa e de coração apaixonado.
Não era preciso riqueza para impressionar. Raimunda, por exemplo, tinha a casa sempre arrumada. O paneleiro brilhava com as panelas de alumínio bem areadas. Os panos de prato da semana eram bordados por dona Chica. As toalhas de mesa e as colchas de rechiliê, engomadas com esmero, levavam a marca das mãos talentosas de dona Ivete. No canto da cozinha, o ferro de passar chiava sobre as brasas.

Diziam até que o pote de aluá servido na festa tinha sido preparado por ela. Promessa paga por casamento alcançado.

Ah, sertão bom!

Sertão com cheiro de terra molhada. Do leite mungido , ainda quente da ordenha. Sertão das noites iluminadas por vaga-lumes, das histórias de Trancoso contadas por avó Belinda e pela ama de leite. Sertão dos candeeiros acesos clareando os serões. Da torra do café com rapadura.

Sertão da casa de farinha, dos quintais sombreados por árvores antigas que sustentavam o balanço feito por seu Inácio. Dos poleiros cheios de galinhas, do canto dos galos anunciando o dia, dos mugidos dos bois, dos berros dos bodes e das ovelhas.

— Peneira o xerém, Chicota!
— Vai no canteiro buscar cebolinha e coentro para o feijão-de-corda!
— Eita, Carmélia! Tu ainda não catou esse arroz? Cuidado para não deixar escolha. Joãozinho faz uma careta danada quando encontra uma casquinha.

Era assim a vida. Simples e inteira.

E a festa da padroeira? Essa nem se conta. Tem que ver com os próprios olhos.

Mas vá com respeito. Não fique atravessando o olhar para as moças dos outros.

Porque, em terra de sertanejo, desde os tempos antigos, honra era coisa séria. E certas pelejas, quando aconteciam, ainda se resolviam na ponta da faca.

Mesmo assim, quem conheceu aquele sertão guarda saudades até hoje. Saudades de um tempo em que a pobreza dividia a mesa com a fartura do coração. E que o São João não era apenas uma festa. Representava a força da amizade.

Eita São João danado de bom. Acende a fogueira da resistência cultural no coração dos nordestinos.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi



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É Findi - Recado - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

05/06/2026

Diz aí, Poetinha:
uma frase longa,
duas curtas, soma;
ensina o caminho.



Sê Graciliano,
o alagoano:
reto, sucinto,
perfeito, distinto.

Sem tretas,
frases curtas,
mui enxutas.



O leitor frisa:
Poeta preciso,
escritor conciso.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Diz aí, Poetinha:
uma frase longa,
duas curtas, soma;
ensina o caminho.



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Sê Graciliano,
o alagoano:
reto, sucinto,
perfeito, distinto.

Sem tretas,
frases curtas,
mui enxutas.



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O leitor frisa:
Poeta preciso,
escritor conciso.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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É Findi - Festejos Juninos - Crônica Longa - Victória Moura*

05/06/2026

Chegou o mês de Junho, o melhor mês do ano para o pernambucano.

Historicamente o mês da colheita do milho passou a ser o mês mais produtivo de renda por suas festas e comércio.

Para o povo em geral é o mês da alegria, da cultura, das tradições, das férias escolares, do clima mais ameno e das reuniões familiares.

Como sou de uma geração "raiz" do interior, me atrevi a escrever um relato, sob minha ótica o que mudou nas últimas 5 décadas. Não se trata de estabelecer um julgamento pragmático, mas muitos acharão interessante a lembrança de fatos passados.

Era assim:

Nas noites de Junho: 12 São Antônio, 23 São João e 28 São Pedro, em frente a cada casa se fazia uma fogueira de mais de 1 metro de altura, que queimava do anoitecer até a manhã do outro dia... milho verde assando no braseiro, conversa solta ao calor proporcionado; ruas enfeitadas, palhoções pela cidade, forró autêntico pé de serra nas radiolas ou nos tr...

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Chegou o mês de Junho, o melhor mês do ano para o pernambucano.

Historicamente o mês da colheita do milho passou a ser o mês mais produtivo de renda por suas festas e comércio.

Para o povo em geral é o mês da alegria, da cultura, das tradições, das férias escolares, do clima mais ameno e das reuniões familiares.

Como sou de uma geração "raiz" do interior, me atrevi a escrever um relato, sob minha ótica o que mudou nas últimas 5 décadas. Não se trata de estabelecer um julgamento pragmático, mas muitos acharão interessante a lembrança de fatos passados.

Era assim:

Nas noites de Junho: 12 São Antônio, 23 São João e 28 São Pedro, em frente a cada casa se fazia uma fogueira de mais de 1 metro de altura, que queimava do anoitecer até a manhã do outro dia... milho verde assando no braseiro, conversa solta ao calor proporcionado; ruas enfeitadas, palhoções pela cidade, forró autêntico pé de serra nas radiolas ou nos trios (sanfona, zabumba e triângulo)que se multiplicavam como eco.



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Balões coloridos como tochas acesas no céu; na terra mesas cheias de delícias(canjica, pamonha, munguzá, bolos de milho, engorda marido, pé de moleque, milho assado e cozido, queijo assado, cocada, paçoca, tapioca doce, arroz doce entre outros). As moças faziam adivinhações em torno à fogueira( água na bacia, gotas de vela, faca na bananeira, anel no cordão) tudo pra ver se o sonho de casar aconteceria. Fogos na rua, de todos os tipos a qualquer hora, sem limites, com estalos, luzes e explosões ( foguetões, pistolas, guerra de busca-pés, estrelinhas, chuvinhas, vulcões, traques e rojões) faziam a brincadeira das crianças e dos jovens.

As roupas de xadrez e chita colorida, chapéu de palha, sandálias de couro, tranças e batom vermelho vestiam as matutas caprichadas e os matutos desastrados e divertidos.

As danças (forró, côco, xote e baião) além das quadrilhas ensaiadas ou improvisadas, enchendo as noites de Anavatuns E Anarriês/ Rosa linda e linda rosa/ Grande Roda e Passeio à Direita/ Damas e Cavalheiros Balancê, arrastavam as pessoas a dançar sabendo ou não, na ousadia e liberdade.

Não havia brigas, não havia drogas, não havia assaltos ou violência, nem medo. No máximo alguém queimava a mão ou a barra da roupa e continuava a brincadeira até o fogo apagar, a banda cansar ou o sono chegar. Difícil era ir pra cama cheirando à fumaça e o coração batendo que nem a zabumba.

Agora é assim no politicamente correto:

Fogueiras? Não é ecológico. No máximo uma fogueirinha no sítios ou nos bairros afastados ou das cidades do interior, onde aida moram matutos de verdade. Nos clubes ou arraiais criaram fogueiras cênicas que simulam queimar, mas são luzes em papel celofane. Balões? proibidos mesmo se pequenos e sem potencial risco inflamável.

As músicas sempre em locais fechados, quase sempre pagos e bem vigiados, são tocadas por bandas estilizadas, sertanejas de outros sertões, com vozes e melodias sempre iguais. Só mudam os nomes e os rostos. Caixas de som que arrebentam os tímpanos e ninguém pode conversar. As danças tb mudaram: as quadrilhas são apresentações de grupos com nomes, roupas padronizadas coreografia e enredo, como das escolas de samba cariocas. Ninguém sabe se são damas ou cavalheiros, são personagens. Não se divertem, se apresentam, concorrem a prêmios e o público assiste, não participa. Os pátios de festas ocuparam os palhoções e ruas enfeitadas. Os casais se exibem com passos treinados e programados, não usam tanto os pés, como os braços e o tronco e rodopiam quase como num tango. Quem não frequentou as aulas da escola de dança se limita a olhar a performance.

As roupas das jovens que vão aos pátios, não são mais as coloridas e floridas, nem rodadas as saias. Agora predominam os jeans e os sintéticos, muito justos, curtos e transparentes, mesmo se não se adequam ao clima frio e chuvoso da região nessa época. Aquilo que era regional e tradição mudou para importado e sensual.
Os fogos não podem mais ter estampidos porque afetam os pets e também com os preços x salários não é inteligente " queimar dinheiro".

As mesas também seguem outras regras:

Nada feito com açúcar, leite, trigo e côco porque elevariam o colesterol e a glicose pelo ano todo. Então o cardápio fica por conta das castanhas, pipocas, amendoim, milho cozido, bolo, churrasco, queijos e bebidas alcoólicas. Essas ganharam força. Não é possível festa sem cerveja ou vinho. As latinhas fazem parte do visual, do look.

Conclusão: nem só elogios a um modelo, nem só críticas ao outro. Mas é impossível não comparar e não observar as mudanças, algumas foram perdas de fato.



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Talvez em algum reduto afastado, bem no interior, os costumes ainda persistam, mas onde chegarem as redes sociais eles tenderão a mudar.

Os festejos eram feitos pelas famílias, cada membro fazia algo, na cozinha, som, decoração ou fogueira e fogos. As famílias curtiam juntas e vom os vizinhos. Agora os jovens vão para os pátios, os adultos e idosos para a TV e as crianças para os games.



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Curioso é que quando proporcionamos a festa junina no modelo antigo todas as gerações curtem e se divertem.
Não tenho saudades das festas de São João nos grandes pátios ou casas de show com grandes artistas, mas daqueles folguedos simples que vivi na inocência, criatividade e alegria genuína...

Ah! Desses tenho uma saudade danada de boa


*Victória Moura, médica pediatra.



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É Findi - Veneno da Saudade, por Adeildo Nunes*

05/06/2026

O cansaço da vida me atormenta
O silêncio da noite me apavora
A zoada do vento me acalenta
No milagre do sonho que demora

A saudade que nunca foi embora
Me desperta no passado que alimenta
Sua imagem me aconchega brusca e lenta
Nos instantes de soluço que me aflora

O tempo, inimigo da bondade
Faz um antro de refúgio no meu peito
Sufocando minha antiga mocidade

O veneno que bem vive satisfeito
Se debruça na penumbra do meu leito
Sem saber que tou morrendo de saudade


*Adeildo Nunes, juiz de direito aposentado, articulista e poeta, professor e autor de livros jurídicos. @adeildonunesadv



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O cansaço da vida me atormenta
O silêncio da noite me apavora
A zoada do vento me acalenta
No milagre do sonho que demora

A saudade que nunca foi embora
Me desperta no passado que alimenta
Sua imagem me aconchega brusca e lenta
Nos instantes de soluço que me aflora

O tempo, inimigo da bondade
Faz um antro de refúgio no meu peito
Sufocando minha antiga mocidade

O veneno que bem vive satisfeito
Se debruça na penumbra do meu leito
Sem saber que tou morrendo de saudade


*Adeildo Nunes, juiz de direito aposentado, articulista e poeta, professor e autor de livros jurídicos. @adeildonunesadv



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É Findi - O Luxo do Lixo - Crônica - Por AJ Fontes*

05/06/2026

Já se foram trinta anos, eu me interessava por questões de resíduos sólidos urbanos: coleta seletiva, reciclagem, destinação final e coisas do gênero.

Busquei informações onde me fosse possível e, das poucas conseguidas, surgiu uma palestra promovida pelo professor João Paulo, já aposentado. Foi meu professor de química analítica no curso de Engenharia Química da UFPE.

Um estudioso estadunidense explicou a utilização dos resíduos sólidos de uma determinada cidade do seu país na geração de energia a partir da queima de papelão, plásticos e outros materiais combustíveis provenientes do lixo.

Mostrou fotos das usinas e planilhas indicavam a composição do material e mais de sessenta por cento eram papeis e plásticos.

Na minha cabeça ficou uma ideia: lá não se descasca e sim se desenlata, desempacota e desenvidra a fruta. Claro, a tecnologia da produção de alimentos por aquelas bandas já era mais sofisticada que do lado de baixo do...

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Já se foram trinta anos, eu me interessava por questões de resíduos sólidos urbanos: coleta seletiva, reciclagem, destinação final e coisas do gênero.

Busquei informações onde me fosse possível e, das poucas conseguidas, surgiu uma palestra promovida pelo professor João Paulo, já aposentado. Foi meu professor de química analítica no curso de Engenharia Química da UFPE.

Um estudioso estadunidense explicou a utilização dos resíduos sólidos de uma determinada cidade do seu país na geração de energia a partir da queima de papelão, plásticos e outros materiais combustíveis provenientes do lixo.

Mostrou fotos das usinas e planilhas indicavam a composição do material e mais de sessenta por cento eram papeis e plásticos.

Na minha cabeça ficou uma ideia: lá não se descasca e sim se desenlata, desempacota e desenvidra a fruta. Claro, a tecnologia da produção de alimentos por aquelas bandas já era mais sofisticada que do lado de baixo do equador.

Assisti as folhinhas do calendário virando, enquanto os jornais da TV mostravam os corpos se avolumando nas ruas de Manhattan e se transformando em números nas estatísticas de indivíduos com sobrepeso. Nas tabelas seguintes surgiram novas colunas com a expressão obesidade, depois obesidade mórbida.

A culpa é dos alimentos superprocessados, dizem as autoridades. Os produtores retrucam e, com outras tabelas, demonstram a necessidade de vender mais para gerar mais empregos, tão necessários a nação. A saúde deve ser tratada pelos remédios comprados com o salário. O importante é o dinheiro girar, repetem os empresários deitados em lençóis de seda.

Não é que esse abjeto costume chegou ao lado de cá?

É uma infame afirmação: o que é bom para países poderosos é bom para os de menor força, e a gente reverbera a isso como a síndrome do vira-lata. Danado é que terminam empurrando para nós inclusive o imprestável.
Nessa cadência de fazer aqui o que se faz lá, seguimos nas filas dos supermercados. Dia desses entrei em um substituto daquele que dizia ter orgulho de ser nordestino. Na fila do caixa, esperei o atendimento de uma família de pais gordos e filhos gordinhos empurrando o carro abarrotado de sacos onde lemos nomes de frutas, de carnes, peixes, farináceos, sucos e petiscos produzidos não nos pomares, fazendas, rios ou mares, mas em galpões.

Ainda não conseguimos regular a destinação dos resíduos, frutos do consumo desregrado em qualidade e quantidade. Os lixões continuam e poucos recebem o pomposo nome de aterros controlados, de onde conseguimos extrair algo de bom, como o gás metano utilizado para gerar energia, adubo orgânico e o húmus.

Geralmente o prefeito mantem um programa para atender meia dúzia de veículos e uma pequena horta no Colégio Municipal.

Enquanto isso, nos mares do planeta água, nossa casa, ilhas de plásticos que um dia foram embalagens de amburgueres, cremes faciais e coisas tais, se formam e servem de pouso aos pássaros migrantes e alimento aos peixes. Aqueles mesmos que nos enchem os olhos no almoço.

É verdade, o papel passa, mas o plástico fica. Eu me pergunto:

De que somos feitos: de luxo ou de lixo?


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes



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É Findi - Tubarão e Pitbull - Crônica - Por Romero Falcão*

05/06/2026

Junho se inicia com mais dois ataques de tubarão na capital pernambucana. As mordidas do predador e as vítimas amputadas — inclusive uma criança — espalham-se pelos canais de televisão e pela forte correnteza das redes sociais. Uma moça de 19 anos e uma criança de 11. Meu corpo se encolheu de horror só de pensar na agonia dos dois - o bote brutal, o sangue na água, o choque da hemorragia. Depois de sedados num sono profundo, acordar sem a perna. Oh, Deus!

O Padre Perdeu a Perna

O local do incidente com o menino — próximo à Igreja de Piedade — trouxe-me à memória uma história que mamãe contava: por volta das décadas de 40 e 50, um padre teria perdido a perna banhando-se no mesmo trecho de mar, diante da igreja. Não sei se o fato é verídico, já que tais ocorrências passaram a ser registradas oficialmente apenas a partir de 1992.



Investidas do Bicho

Não sou biólogo, muito menos estudioso de tubarões...

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Junho se inicia com mais dois ataques de tubarão na capital pernambucana. As mordidas do predador e as vítimas amputadas — inclusive uma criança — espalham-se pelos canais de televisão e pela forte correnteza das redes sociais. Uma moça de 19 anos e uma criança de 11. Meu corpo se encolheu de horror só de pensar na agonia dos dois - o bote brutal, o sangue na água, o choque da hemorragia. Depois de sedados num sono profundo, acordar sem a perna. Oh, Deus!

O Padre Perdeu a Perna

O local do incidente com o menino — próximo à Igreja de Piedade — trouxe-me à memória uma história que mamãe contava: por volta das décadas de 40 e 50, um padre teria perdido a perna banhando-se no mesmo trecho de mar, diante da igreja. Não sei se o fato é verídico, já que tais ocorrências passaram a ser registradas oficialmente apenas a partir de 1992.



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Investidas do Bicho

Não sou biólogo, muito menos estudioso de tubarões — as redes sociais já estão cheias de especialistas. Mas não seria razoável adotar medidas mais duras, pelo menos no inverno, quando se tornam mais propícias as investidas do bicho?

Radical Nessas Horas

Por exemplo: proibir o banho nas áreas mais críticas. Ser radical nessas horas vale mais do que deixar o banhista entregue à interpretação de uma placa: “Cuidado, tubarão”. E às subentendidas variáveis: água turva, maré alta, noite de lua cheia.



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Perda Irreparável

Lembro que certa vez foi ventilado o uso de redes de proteção. Salvo engano, o custo seria alto demais para a extensão das praias. Li também que essas redes acabam ferindo golfinhos e tartarugas — contraindicação importante.

Recordo ainda a perda irreparável, na covid, do especialista da Universidade Rural de Pernambuco, Fábio Hazin, pesquisador e professor dedicado ao estudo e monitoramento dos tubarões com o barco Sinuelo. Faz muita falta numa hora dessas.

Poderosa Mandíbula

No lado oposto ao mar, também há uma fera. É tubarão no mar e pitbull na terra.

Já escrevi neste jornal sobre um desses animais soltos na rua que avançou contra mim durante uma caminhada. Escapei por pouco; as criaturas lá de cima botaram a mão.

Quase toda semana o noticiário se repete pelo país: alguém mordido pela poderosa mandíbula do cão.

Cara de Massaranduba

Alguns ficam com sequelas severas, como a escritora Roseana Murray, que perdeu um braço. Em determinadas regiões, é obrigatório o uso de focinheira nessa raça. Mas quem cumpre? Quem fiscaliza o brasileiro? Autêntico infrator cara de Massaranduba.

Semana passada vi um senhor de mais de setenta anos — físico frágil — conduzindo o animal de cara limpa, preso a uma guia precária.

Lei da Selva

O mundo está ficando mais difícil. A lei da selva cada vez mais selva no dia a dia.

Antes de sair de casa, peço aos céus: livrai-me dos maus motoqueiros, dos carros, dos golpistas, da bala perdida, dos pitbulls e das caixinhas de “música” dentro dos ônibus, cuja delicadeza sonora faz inveja a Villa-Lobos.

No mais, é rezar para que o tigre e o cabeça-chata convençam o cabeça-dura de que a melhor prevenção continua sendo não entrar no mar.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda



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É Findi – Um Quase Poeta – Croni-poema, por Xico Bizerra*

05/06/2026

No álbum que estou gravando - MEU SAMBA É ASSIM, sob a regência e direção musical do mestre Jorge Simas (já gravou com Chico Buarque, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Agepê, Clara Nunes, dentre outros menos votados) uma das letras que mais gosto é esta, quando me reconheço na posição de mero aprendiz, um pretenso Poeta e exalto a excelência dos grandes vates. Poderia falar de muitos outros, tão geniais e imensos quanto: MANOEL DE BARROS, PINTO DE MONTEIRO, LOURO DO PAJEÚ e outros tantos ... São do mesmo quilate. Sintam-se homenageados, pois, todos os Poetas.
Digo assim:

o olhar dela, tão singelo,
puro e belo, é tudo de bom,
eu, vate inventado,
tudo a dizer, nada a falar,
calo e foge-me o som:
sou muito menor que qualquer DRUMOND ...

atrevo-me a fazer verso,
é a inspiração passageira ...
tão ambicioso,
tudo a dizer, nada a falar,
e só bobageio asneira:
dista...

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No álbum que estou gravando - MEU SAMBA É ASSIM, sob a regência e direção musical do mestre Jorge Simas (já gravou com Chico Buarque, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Agepê, Clara Nunes, dentre outros menos votados) uma das letras que mais gosto é esta, quando me reconheço na posição de mero aprendiz, um pretenso Poeta e exalto a excelência dos grandes vates. Poderia falar de muitos outros, tão geniais e imensos quanto: MANOEL DE BARROS, PINTO DE MONTEIRO, LOURO DO PAJEÚ e outros tantos ... São do mesmo quilate. Sintam-se homenageados, pois, todos os Poetas.
Digo assim:

o olhar dela, tão singelo,
puro e belo, é tudo de bom,
eu, vate inventado,
tudo a dizer, nada a falar,
calo e foge-me o som:
sou muito menor que qualquer DRUMOND ...

atrevo-me a fazer verso,
é a inspiração passageira ...
tão ambicioso,
tudo a dizer, nada a falar,
e só bobageio asneira:
distante de todo e qualquer BANDEIRA ...

tento juntar as palavras
transformá-las em canções
é só um desejo!
tudo a dizer, nada a falar,
muitos e tantos senões
e longe de todo e qualquer CAMÕES

e há tão pouca rima em minha não-poesia
que ao pretenso esteta que há em mim
resta a certeza, aí sim, de ser nenhum poeta,
tudo a dizer, nada a falar.
meu grito preso não ecoa,
é voz calada em cena muda
muito apartado de qualquer NERUDA,
sou falso bardo, um nunca PESSOA,
fingidor poeta de versos à toa ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico



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