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Termine o dia bem informado

10/01/2025

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Meta: AGU dá 72h para esclarecimentos sobre as mudanças na moderação de conteúdos nas redes sociais

A Advocacia-Geral da União vai notificar extrajudicialmente hoje, 10/01, a Meta, responsável pelo 'Instagram', 'Threads', 'Facebook' e 'WhatsApp'. A empresa terá um prazo de 72 horas para apresentar respostas sobre o alcance e o impacto no Brasil após as mudanças na moderação de conteúdo das redes sociais, como o fim do serviço profissional de checagem de dados. O anúncio foi feito pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, após reunião com o presidente Lula e outros ministros para tratar do assunto. Um grupo de trabalho interministerial será criado para debater a questão da regulamentação das redes sociais.



Venezuela: Maduro toma posse para o 3o mandato

Nicolás Maduro tomou posse hoje em uma sessão solene na sede da Assembleia Nacional em Caracas. A cerimônia, presidida pelo chavista Jorge Rodríguez, encerra um...

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Meta: AGU dá 72h para esclarecimentos sobre as mudanças na moderação de conteúdos nas redes sociais

A Advocacia-Geral da União vai notificar extrajudicialmente hoje, 10/01, a Meta, responsável pelo 'Instagram', 'Threads', 'Facebook' e 'WhatsApp'. A empresa terá um prazo de 72 horas para apresentar respostas sobre o alcance e o impacto no Brasil após as mudanças na moderação de conteúdo das redes sociais, como o fim do serviço profissional de checagem de dados. O anúncio foi feito pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, após reunião com o presidente Lula e outros ministros para tratar do assunto. Um grupo de trabalho interministerial será criado para debater a questão da regulamentação das redes sociais.

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Venezuela: Maduro toma posse para o 3o mandato

Nicolás Maduro tomou posse hoje em uma sessão solene na sede da Assembleia Nacional em Caracas. A cerimônia, presidida pelo chavista Jorge Rodríguez, encerra um processo eleitoral marcado pela falta de transparência, autoritarismo e violência extrema contra qualquer pessoa que ousou se opor ao atual regime. Maduro não apresentou provas de que venceu o pleito, ao contrário da oposição, que realizou uma contagem paralela das atas eleitorais, reivindicando a vitória para o opositor Edmundo González Urrutia. Maduro antecipou em algumas horas a cerimônia. Maduro em seu discurso disse, “Garantiremos paz e soberania nacional”. Os presidentes de Cuba e Nicarágua, foram os únicos líderes da América Latina que compareceram à posse. O Brasil decidiu enviar um representante, a embaixadora em Caracas, Gilvânia Maria de Oliveira. Representantes da Rússia, Irã e China também estiveram presentes.

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Hoje: Lula e Macron conversam sobre decisão da Meta

O presidente Lula, e o presidente Macron, conversaram hoje, para tratar de temas que envolvem não só a agenda bilateral, mas também a global. A chamada durou cerca de 30 minutos, e comentaram a recente decisão de Zuckerberg, CEO da Meta, de suspender as agências de checagem nas redes sociais da empresa. Os líderes políticos “concordaram que liberdade de expressão não significa liberdade de espalhar mentiras, preconceitos e ofensas”. Ambos ainda consideram positivo que Brasil e Europa “sigam trabalhando juntos para impedir que a disseminação de ‘fake news’ coloque em risco a soberania dos países, a democracia e os direitos fundamentais de seus cidadãos”. Na conversa de hoje, Macron reforçou a Lula o convite para uma visita de Estado à França, em junho, para comparecer à Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos. O governo brasileiro questionará extrajudicialmente a Meta, para que explique a nova política de moderação de conteúdo em até 72h.

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EUA: Trump é condenado à dispensa incondicional por fraudar pagamentos à ex-atriz pornô

Donald Trump, foi condenado hoje a uma dispensa incondicional por ocultar pagamentos feitos à ex-atriz pornô Stormy Daniels. O anúncio da pena do republicano, abrandada por sua vitória na eleição, ocorreu a 10 dias da posse para um 2o mandato. Trump não foi condenado à prisão, nem a liberdade condicional e nem pagará multa por sua condenação criminal, mas a sentença registrará um julgamento de culpa em seu histórico permanente. A sentença foi dada de um tribunal de Nova York, e o juiz já havia afirmado que não daria tempo de prisão para Trump para não influenciar nem atrapalhar o 2o mandato do republicano como presidente dos EUA. Trump participou da audiência virtualmente e já havia dito que recorrerá da sentença. O presidente eleito disse que o julgamento foi "uma experiência terrível" e "um enorme retrocesso" para o sistema judiciário de NY. "Fui tratado de forma muito, muito injusta", afirmou.

EUA aumentam recompensa por informações para prisão de Maduro para US$ 25 milhões

Os EUA impuseram sanções a 8 autoridades venezuelanas e aumentaram para 25 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à prisão do presidente Nicolás Maduro, que tomou posse para seu 3o mandato hoje. Foi a mais recente de uma série de medidas punitivas do governo Biden, em seus últimos dias, contra o governo de Maduro após a votação de julho, que tanto o seu partido como a oposição afirmam ter vencido. Os novos funcionários sancionados incluem o recentemente nomeado chefe da empresa petrolífera estatal venezuelana PDVSA, Hector Obregon, e o ministro dos Transportes da Venezuela, Ramon Velasquez. A medida dos EUA coincidiu com as sanções à Venezuela anunciadas pelo Reino Unido e pela União Europeia.

França: corpo de fotógrafo brasileiro é encontrado no Rio Sena

A polícia francesa confirmou a morte do fotógrafo mineiro Flávio de Castro Sousa, de 36 anos. A informação foi recebida pelo consulado em Paris, de acordo com o Itamaraty. O corpo foi encontrado no Rio Sena. Flávio desapareceu desde 26/11, dia que pegaria o voo de volta para o Brasil. Rafael Basso, amigo do fotógrafo, disse que as informações recebidas são de que o corpo foi encontrado numa cidade distante de Paris e que a identificação foi feita por exame de DNA. A causa da morte é afogamento. “O corpo foi encontrado no Rio Sena, que é um rio muito grande, que vai desaguar no mar. A polícia tinha avisado que, dados às condições meteorológicas, o corpo poderia ser encontrado em até 6 meses. Apareceu em estado de decomposição avançada e foi reconhecido pelo DNA. Outras análises estão em curso. A polícia descarta violência”, explicou. Segundo parentes, ele chegou a fazer check-in num voo da Latam, mas não embarcou. “O Itamaraty, por meio do Consulado em Paris, está em contato com os familiares e permanece à disposição para prestar assistência consular”, afirmou o ministério em nota.

Manchetes da noite:

- “Ainda não é hora de González entrar na Venezuela”, diz María Corina. Ele tomará posse na Venezuela quando possível

- Reino Unido impõe sanções a autoridades da Venezuela no dia da posse de Maduro

- União Europeia amplia sanções contra autoridades da Venezuela

- EUA: Donald Trump será o 1o presidente 'ficha-suja' da história, após ser sentenciado hoje

- EUA: Trump quer se reunir com Putin para dar fim à guerra. Ele já prometeu negociar o fim também com a Ucrânia

- Alckmin sobre posse de Maduro: “Lamentável”. "Democracia é civilizatória e precisa ser fortalecida, as ditaduras suprimem a liberdade"

- Lira critica posse de Maduro: “Democracia exige eleições limpas”

- "Posse de Maduro é um desrespeito à democracia", diz ministro Renan Filho

- Hoje, dia da posse de Maduro, Militares da Venezuela fecham fronteira com Brasil

- IPCA: preços sobem 0,52% em dezembro e têm alta de 4,83% em 2024, diz IBGE. Destaque para o grupo de alimentação e bebidas

- O observatório 'Copernicus' confirmou hoje que 2024 foi o ano mais quente já registrado e o 1o a exceder 1,5°C

- INSS: aposentadorias acima do mínimo terão reajuste de 4,77% e teto será de R$ 8.157,40 em 2025

- IR: sem aprovação de lei, tabela fica congelada em 2025. Quem ganha mais de R$ 2.824 pagará imposto

- 'Plano de Golpe: após irmã tentar entrar com fone escondido, “kid preto” preso pede retorno de visitas

- Brasil: venda de petróleo e gás bate recorde e arrecada R$ 10,32 bilhões. Aumento de 71% em relação a 2023

- 70% dos brasileiros são a favor de regulamentar as redes, diz pesquisa de órgão da AGU em parceria com o Ipespe

- 'Enem 2024': Resultado será divulgado na segunda-feira, 13/01

- 'AtlasIntel': aprovação de Lula atinge pior nível desde o início do mandato. Desaprovação chega em 49,8%

- 'AtlasIntel': João Campos desponta como líder da esquerda, atrás de Lula

- PE: 'Fenahall 2025' começa hoje e deve movimentar cerca de R$ 6 milhões, entre vendas diretas e indiretas

- Ceará registra recorde de transplantes de órgãos e alcança maior marca em 26 anos

- RS: suspeita de fazer bolo envenenado cometeu homicídios em série por muito tempo: “Postura fria”, diz delegado

- DF: Secretaria de Estado de Educação indicará leitura de 'Ainda Estou Aqui' e avalia compra. Importante ferramente de debate

- EUA: a revista 'Variety' aposta em Fernanda Torres como indicada ao Oscar de Melhor Atriz após vitória no Globo de Ouro: "Impulso crucial"

- Novas moradias do 'Minha Casa, Minha Vida' vão atender a capital e mais 2 municípios em Pernambuco: A capital Recife e os municípios de Cabo de Santo Agostinho e São Benedito do Sul, em Pernambuco, serão contemplados com a construção de 934 novas moradias do 'Minha Casa, Minha Vida'. O investimento do Ministério das Cidades, realizado com o Fundo de Arrendamento Residencial, é de R$ 153,1 milhões. O valor será distribuído entre 7 conjuntos habitacionais. Vila Aeronáutica I, no bairro de Boa Viagem, em Recife; Residencial Ponte Dos Carvalhos I, Residencial Ponte Dos Carvalhos II e Residencial Ponte Dos Carvalhos III, no bairro Ponte dos Carvalhos, em Cabo de Santo Agostinho; e Residencial São Benedito do Sul Mod I, Residencial São Benedito do Sul Mod III e Residencial São Benedito do Sul Mod IV, no Centro de São Benedito do Sul. A expectativa é de que aproximadamente 3,7 mil pessoas realizem o sonho da casa própria. Todas as casas e apartamentos a serem construídos estarão localizados em áreas urbanas consolidadas ou em expansão. Além disso, eles deverão ter acesso à rede elétrica, saneamento, educação, saúde, comércios e transporte público coletivo. O Ministério das Cidades autorizou, ao todo, a construção de 4.063 novas unidades habitacionais em 23 municípios, de 12 estados. O investimento total é de R$ 646,1 milhões. Serão beneficiados mais de 16 mil brasileiros pelas cinco regiões do país

Leia outras informações

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Arte Na Política, Tempos Bons - Por Walmir Chagas*

21/08/2026

Havia um tempo em que política vinha com trombone, confete e promessa de cotidiano. O comício não era só discurso; era espetáculo, e aquele espetáculo tinha elenco. Tinha o Véio Mangaba, com seu andar de quem conhecia a cidade inteira pelo som da sandália; tinha o Mané da China, figura torta e direta, capaz de desmontar vernáculos eleitorais com uma só careta; e tinha o tal do Reginaldo Rossi — que, quando pegava o microfone, transformava debate em refrão e prometia até eleição no ritmo do brega. A praça virava novela com intervalo comercial de saudade.



Agora tudo virou folder. A propaganda oficial entrou no ar como se fosse receita de bolo: foto do candidato, logo, slogan pronto pra mastigar. Nas ruas, santinhos: montanhas de papel que mais lembram lixo do que lembrança. Bandeira? Só se for de algum time de amigo invisível. O que antes era conversa acesa, cheia de riso e puxão de orelha, hoje é mensagem engessada — igual a remédio sem bula que ninguém to...

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Havia um tempo em que política vinha com trombone, confete e promessa de cotidiano. O comício não era só discurso; era espetáculo, e aquele espetáculo tinha elenco. Tinha o Véio Mangaba, com seu andar de quem conhecia a cidade inteira pelo som da sandália; tinha o Mané da China, figura torta e direta, capaz de desmontar vernáculos eleitorais com uma só careta; e tinha o tal do Reginaldo Rossi — que, quando pegava o microfone, transformava debate em refrão e prometia até eleição no ritmo do brega. A praça virava novela com intervalo comercial de saudade.



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Agora tudo virou folder. A propaganda oficial entrou no ar como se fosse receita de bolo: foto do candidato, logo, slogan pronto pra mastigar. Nas ruas, santinhos: montanhas de papel que mais lembram lixo do que lembrança. Bandeira? Só se for de algum time de amigo invisível. O que antes era conversa acesa, cheia de riso e puxão de orelha, hoje é mensagem engessada — igual a remédio sem bula que ninguém toma.

O engraçado é que a proibição de artista em palanque, ou a burocracia que transforma criatividade em papel timbrado, não resolveu nada; só tirou do povo o remédio que ele sabia melhor digerir. Quando o Véio Mangaba subia na caixa d’água improvisada e começava a falar, o candidato não podia escapar: as verdades vinham com piada, e a piada vinha com memória. Mané da China, com seu "ôxe" torto e olhar de quem já tinha comido muita lorota, fazia o cidadão rir e, no riso, entender. Reginaldo? Ah, o cara fazia até promessa virar samba-enredo — e quando a gente cantava, começava a acreditar, ou pelo menos a discutir entre os vizinhos sobre qual verso era mais furado.

Dizem que showmício era teatro demais. Dizem que o artista vendia a palavra. Mentira. O que se vendia era atenção. O artista dava corpo à ideia; transformava abstrato em cena. Enquanto o candidato falava "programa de governo", o Véio Mangaba mostrava uma fila no posto de saúde, com uma avó segurando receita rasgada. A política deixava de ser estatística e virava assunto de mesa-de-bar. E nisso havia cuidado: a sátira ensinava, a caricatura denunciava, a canção punha no ouvido. Não era mercadoria — era pedagogia de rua.

Hoje, em vez de personagem, tem bandeira sem sentido. Bandeiras com letras que parecem ter sido feitas por quem nunca viu uma tipografia decente, cores que brigam entre si, imagens que não dizem nada. A cidade vira tapete de papel, as calçadas se entopem, e o eleitor passa batido, pé no chão, pensando em outra coisa: "Quem é esse mesmo?" Ninguém lê; ninguém retém; só se faz limpa na praça depois, quando o caminhão de lixo coleta a vergonha impressa.

E o que dizer da proibição de atores? Um absurdo típico de quem pensa política como controle de catálogo.



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Trancam o artista fora do palanque e chamam isso de ordem. Só que, na prática, o que se perde é linguagem. A arte dialoga com as falhas do poder com linguagem popular: trocadilho, graça, exagero. Tirar o palco é tirar o manual de instruções que o povo entende. Resultado: sobram boletins frios e faltam rostos que expliquem como as coisas batem no bolso.

Não estou pedindo que voltem os palhaços com patacoadas. Nem quero bandeira em cada poste. O recado é outro: a política precisa de personagens. Um personagem bem feito — não atorismo barato, mas construção de sentido — põe uma política na boca do povo. A sátira desmonta promessa vazia; a farsa aponta contradição; a conversa dramática mostra o problema sem precisar de jargões. E quando a cidade canta junto, quando a praça ri junto, a memória se forma; e memória é o que faz a gente lembrar na hora de votar.

Tem também o lado comercial — óbvio — de quem transformou showmício em mercadão de votos. Bandas que vinham por cachê, fogueira de brindes, candidato em cima do trio com o dedo em riste. Isso tinha excesso, claro; a linha que separa ato cultural de mercado é fina. Mas trocar o palco pelo panfleto é pior: o panfleto não discute, só exige. Nenhuma anedota, nenhum refrão, nenhuma pergunta que faça o sujeito voltar pra casa e contar a história pro vizinho. O panfleto se joga no chão e vira lixeira que nomeia a própria política: descartável.

Lembro de uma eleição que eu acompanhei — eu, atento como se fosse público de teatro — em que o Véio Mangaba, com um lenço no bolso e uma denúncia na ponta da língua, conseguiu desarmar um candidato que vinha com discurso pronto. O homem riu, o candidato se atrapalhou, e a promessa foi revista. No outro dia, a feira inteira falava nisso. Isso é educação política: a arte vira pergunta pública. Não é espetáculo vazio; é escola de rua.

Por isso proponho um pouco de insolência criativa: que se abra espaço, com regras claras, para quadros que ensinem e provoquem. Que se pague direito aos artistas locais, que se financiem roteiros curtos que expliquem propostas com humor e com peito. Que se troque parte do santinho por rádio de bairro, por microprograma que conte caso. E, por favor, menos bandeira, mais personagem. Menos lixo na calçada, mais história na cabeça.

No fim das contas, pode ser que a política precise mesmo de artista. Não para embelezar mentira, nem para fazer espetáculo vazio. Mas porque o artista tem o dom de transformar promessa em história — e história, meu amigo, é o que gruda na memória. A cidade precisa disso. Ou queremos que nossos filhos aprendam democracia lendo santinho no chão?



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Se os velhos palcos voltarem, que voltem com sabedoria. E se o Véio Mangaba aparecer, que ochemos primeiro, porque o velho não conta história à toa. Ele conta voto, e às vezes, com um punhado de risada e um refrão do Reginaldo, a gente aprende o preço do que promete.


*Walmir Chagas, é multiartista e livre pensador.



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NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




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É Findi - O Fauno Dançante! - Por Ina Melo*

21/08/2026

É sempre nesse Jardim, entre flores e Deuses do Olimpo, que eu gosto de descansar das longas caminhadas que faço nesse cidade da minha paixão! Em todas as épocas que por aqui passei o encantamento continua. A primeira vez, foi numa manhã de Primavera quando a vida me sorria. Embriagada de Paris, deixei o pequeno Hotel da Rue des Ecoles e, leve como uma pluma levada pelo vento, fui parar nos Jardins de Luxemburgo. Indiferente aos passantes nas suas caminhadas matinais, flanava sem rumo e a sensação que tive foi de estar no Olimpo, pois a minha volta, moldados no frio mármore, estavam vários deuses meus conhecidos. Mas, um em especial, despertou a minha atenção naquela manhã primaveril. Era um jovem magro empunhando uma flauta e, não sei se alucinação ou não, ouvi uma música suave e fui ao seu encontro naquele pedestal! Logo estávamos dançando ao som de Vivaldi, numa consagração a Primavera! Desde então, costumo ir visita-lo, pois só assim retorno a um tempo perdido chamado juventude....

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É sempre nesse Jardim, entre flores e Deuses do Olimpo, que eu gosto de descansar das longas caminhadas que faço nesse cidade da minha paixão! Em todas as épocas que por aqui passei o encantamento continua. A primeira vez, foi numa manhã de Primavera quando a vida me sorria. Embriagada de Paris, deixei o pequeno Hotel da Rue des Ecoles e, leve como uma pluma levada pelo vento, fui parar nos Jardins de Luxemburgo. Indiferente aos passantes nas suas caminhadas matinais, flanava sem rumo e a sensação que tive foi de estar no Olimpo, pois a minha volta, moldados no frio mármore, estavam vários deuses meus conhecidos. Mas, um em especial, despertou a minha atenção naquela manhã primaveril. Era um jovem magro empunhando uma flauta e, não sei se alucinação ou não, ouvi uma música suave e fui ao seu encontro naquele pedestal! Logo estávamos dançando ao som de Vivaldi, numa consagração a Primavera! Desde então, costumo ir visita-lo, pois só assim retorno a um tempo perdido chamado juventude. Hoje, atravessando o outono invernoso da vida, entre folhas mortas e brumas, vejo-me saindo de uma tela de Monet, para ir ao encontro do Fauno Dançante!


*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016



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É Findi - Foice e Martelo - Por Marcelo Mário de Melo*

21/08/2026

Faço da foice e martelo
interrogações que exclamam
exclamações que interrogam
cicatrizes que declamam.

Queimo cartilhas mofadas
clareio temor e espanto
recolho frutos saudáveis
e os envolvo num manto.

Ponho no arquivo morto
todo o caldo transitório
datado e localizado
repelente e inglório.

Passando o pente fino
que predomine o presente
em ciranda e mutirão
numa espiral crescente.

Que a foice e o martelo
exclamando e interrogando
lavrem em novas colheitas
semeando agora o quando.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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Faço da foice e martelo
interrogações que exclamam
exclamações que interrogam
cicatrizes que declamam.

Queimo cartilhas mofadas
clareio temor e espanto
recolho frutos saudáveis
e os envolvo num manto.

Ponho no arquivo morto
todo o caldo transitório
datado e localizado
repelente e inglório.

Passando o pente fino
que predomine o presente
em ciranda e mutirão
numa espiral crescente.

Que a foice e o martelo
exclamando e interrogando
lavrem em novas colheitas
semeando agora o quando.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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É Findi - Catarse - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

21/08/2026

Poesia, poesias!
Sois fantasias!?
Fantasmagorias?
Sossegas, me alivia!

Oh! mente vazia:
dual dicotomia,
sofro afasias,
melancolias...



Ah! o dia a dia!
a sós, bizarrias,
dores, arrepios.

Sem azo, apropio,
Exangue, frio,
Desfio, desfio!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Poesia, poesias!
Sois fantasias!?
Fantasmagorias?
Sossegas, me alivia!

Oh! mente vazia:
dual dicotomia,
sofro afasias,
melancolias...



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Ah! o dia a dia!
a sós, bizarrias,
dores, arrepios.

Sem azo, apropio,
Exangue, frio,
Desfio, desfio!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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É Findi - Série História de Pernambuco - O Brasil Holandês era maior que Pernambuco? - Por Alfredo Cabral de Melo*

21/08/2026

Enquanto Recife se transformava sob Nassau, a Companhia das Índias Ocidentais controlava territórios muito diferentes entre si. Olhar para além de Pernambuco ajuda a compreender a dimensão, e os limites, daquela conquista.

Quando se fala no Brasil Holandês, é quase inevitável pensar em Pernambuco. Foi aqui que a Companhia das Índias Ocidentais encontrou uma de suas principais bases de atuação, em uma região onde a produção de açúcar tinha enorme importância econômica e onde, durante o governo de Maurício de Nassau, Recife passou por transformações que marcariam a história da cidade.

Mas o domínio neerlandês não terminava em Pernambuco.

A partir da conquista iniciada em 1630, os holandeses avançaram sobre outros territórios do Norte. Paraíba, Rio Grande do Norte, Itamaracá e, posteriormente, áreas mais ao sul e ao norte passaram, em diferentes momentos, a fazer parte da área de atuação da Companhia. O Maranhão foi ocupado em 1641, embora sua...

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Enquanto Recife se transformava sob Nassau, a Companhia das Índias Ocidentais controlava territórios muito diferentes entre si. Olhar para além de Pernambuco ajuda a compreender a dimensão, e os limites, daquela conquista.

Quando se fala no Brasil Holandês, é quase inevitável pensar em Pernambuco. Foi aqui que a Companhia das Índias Ocidentais encontrou uma de suas principais bases de atuação, em uma região onde a produção de açúcar tinha enorme importância econômica e onde, durante o governo de Maurício de Nassau, Recife passou por transformações que marcariam a história da cidade.

Mas o domínio neerlandês não terminava em Pernambuco.

A partir da conquista iniciada em 1630, os holandeses avançaram sobre outros territórios do Norte. Paraíba, Rio Grande do Norte, Itamaracá e, posteriormente, áreas mais ao sul e ao norte passaram, em diferentes momentos, a fazer parte da área de atuação da Companhia. O Maranhão foi ocupado em 1641, embora sua experiência sob domínio neerlandês tenha sido breve.

Isso significa que não existiu uma única experiência chamada simplesmente de “Brasil Holandês”. Havia territórios com economias, populações, condições militares e importância estratégica diferentes. A historiografia mais recente tem ampliado justamente o estudo das chamadas Capitanias do Norte, mostrando que a compreensão desse período não pode permanecer restrita ao Recife, mas tendo Pernambuco ao centro.

A importância de Pernambuco não foi casual. A região reunia uma expressiva produção açucareira, engenhos, portos e uma estrutura econômica que interessava diretamente à Companhia.

Depois da conquista, os neerlandeses concentraram sua presença no Recife, que oferecia melhores condições de defesa e acesso ao porto. A produção dos engenhos, entretanto, permanecia espalhada pelo território e dependia do controle de uma área muito mais ampla.

A conquista, portanto, não podia significar apenas ocupar uma cidade. Era necessário controlar caminhos, rios, áreas produtoras, pontos de defesa e populações espalhadas pelo território. Foi nesse processo que outras capitanias passaram a ter importância.

Paraíba: mais que uma extensão de Pernambuco

A Paraíba estava próxima do núcleo pernambucano e possuía uma economia vinculada à produção açucareira. Sua conquista fez parte da expansão territorial neerlandesa nos primeiros anos da ocupação. Ocorre que a experiência paraibana não foi simplesmente uma repetição da pernambucana.

A ocupação de um território não significava automaticamente o controle completo de sua população e de seus espaços rurais. A guerra, as alianças e as resistências continuavam presentes, enquanto a Companhia precisava distribuir homens e recursos por uma área cada vez maior. Assim, novo território significava, portanto, novas necessidades de defesa, abastecimento e administração.

Rio Grande: quando o território também importava

No Rio Grande do Norte, encontramos uma realidade que ajuda a perceber essa diversidade.

Ali, a presença neerlandesa não pode ser compreendida apenas pela lógica dos engenhos. A posição territorial, as comunicações, a circulação e as possibilidades de abastecimento também tinham importância. É justamente essa diversidade que pode desaparecer quando toda a história é contada a partir do Recife.

O Brasil Holandês era uma conquista extensa, mas extensão territorial não significava ocupação homogênea. Ademais, controlar uma fortificação, uma cidade ou um ponto estratégico era diferente de exercer controle efetivo sobre todo o território ao redor e essa diferença seria importante nos anos seguintes.

E o Maranhão? O avanço para o norte mostra até onde chegou à expansão da Companhia.

Em 1641, os neerlandeses ocuparam São Luís, no Maranhão. A presença, porém, foi breve, e os portugueses retomaram a região em 1644, no mesmo ano em que Nassau deixou o governo do Brasil Holandês. Tendo este episódio revelado uma característica importante daquela expansão: conquistar novos territórios significava também assumir novas necessidades de defesa, abastecimento e administração, ou seja, quanto mais extensa era a área alcançada, mais complexa se tornava sua manutenção.


*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo



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É Findi - Depois - Crônica - Por Ana Pottes*

21/08/2026

Impossível resistir à verdade de que nossa única certeza chega devagar. Ela não avisa nem manda recados. Somos pegos por um tênue fio de cabelo no momento do nosso surgir. No trajeto da vida ele vai se alongando e esticando até onde der. Quando toca no limite, retesa forte e, sem qualquer elasticidade ou sustentação, arrebenta. Se parte. Curioso é que, desse jeito, a gente nem se dá conta do tamanho do tempo. No mais das vezes, jogamos fora doces e sagrados minutos por medo, por pura ignorância ou mesmo por vaidades tolas.
O imponderável é o caminho deles a se esvair por entre os nossos dedos. Lembra da ampulheta? Aquele objeto antigo, tal o sinal do infinito que quase nos faz acreditar em nosso poder de recuperar os grãos de areia e, da mesma maneira, o próprio tempo. Afinal, basta virar para se encher novamente. A realidade é diferente, pois os grãos vão se soltando, de pouquinho, e a gente se perde neles, olhando para eles, e os tempos se vão.

É um tanto malu...

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Impossível resistir à verdade de que nossa única certeza chega devagar. Ela não avisa nem manda recados. Somos pegos por um tênue fio de cabelo no momento do nosso surgir. No trajeto da vida ele vai se alongando e esticando até onde der. Quando toca no limite, retesa forte e, sem qualquer elasticidade ou sustentação, arrebenta. Se parte. Curioso é que, desse jeito, a gente nem se dá conta do tamanho do tempo. No mais das vezes, jogamos fora doces e sagrados minutos por medo, por pura ignorância ou mesmo por vaidades tolas.
O imponderável é o caminho deles a se esvair por entre os nossos dedos. Lembra da ampulheta? Aquele objeto antigo, tal o sinal do infinito que quase nos faz acreditar em nosso poder de recuperar os grãos de areia e, da mesma maneira, o próprio tempo. Afinal, basta virar para se encher novamente. A realidade é diferente, pois os grãos vão se soltando, de pouquinho, e a gente se perde neles, olhando para eles, e os tempos se vão.

É um tanto maluco esse pensar!

Essa levada temporal implacável me fez lembrar de pessoas amigas com quem não falo há tempos, sem ter porquês. As ligações foram escasseando, os chamados para um programa desaparecendo. Antes, eram presenças constantes e, aos pouquinhos, foram se tornando ausências. Quase a ponto de a memória esquecer os jeitos e trejeitos delas, perdidos lá no fundo do baú das recordações.

Indago: isso é a ausência de amizade? Falta de gostar? Penso que não. Continuo amiga, nutro a mesma admiração de antes, e, às vezes, sinto falta daquele passeio, daquele final de tarde num café, das risadas soltas sobre um fato ou um acontecido, das conversas sobre o dia a dia, da ligação só para saber como as coisas estão. É uma saudade miúda chovendo sobre mim. Mas o rodopio da vida traçou outras trilhas para os nossos pés.

Assim refletindo, eis que surge outra dúvida. E se acontecer de dona Parca chamar para seguir com ela naquele caminho? Aquele do qual nada sabemos tampouco queremos saber. Se o chamado for bem no meio do despencar lentificado da ampulheta, cujo nome é agora, qual lembrança ficará marcada? Qual palavra não falada, presa na garganta? Que abraço e carinho terão permanecido suspensos no ar?

Tanta coisa deixamos em estado de suspensão pelo hábito simples de dizer: “Depois a gente fala”.

Depois?


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes



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É Findi – Meu Amigo Jardineiro - Croniqueta - Por Xico Bizerra*

21/08/2026

Tenho uma pata-de-elefante enfeitando a entrada de minha casinha em Gravatá. Foi presente do meu jardineiro preferido. Ele, agrônomo por formação, gosta de plantas e de música. Cuidou de alguns jardins até se dedicar a sua segunda paixão, montando uma loja de discos que só vendia disco bom. Não adiantava procurar CDs de forrozeiros plastificados ou de sertanejos de araque: na loja do meu amigo não tinha esse tipo de lixo. Samba travestido de pagode, também não. Preconceito? Não sei. Acho que era apenas questão de bom gosto musical. Foi lá onde lancei quase todos os meus discos e livros, encontrando amigos para jogar conversa alma adentro.

Além das plantas e da boa música meu amigo jardineiro também gosta de Poesia. Aliás, com certo orgulho e vaidade, confidenciou-me ser sobrinho-neto de João Cabral de Melo Neto. Como não gostar de Poesia tendo nas veias a correr sangue de tão ilustre Poeta? Mas voltando ao assunto: com a virtualidade do sistema e o surgimento das plataf...

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Tenho uma pata-de-elefante enfeitando a entrada de minha casinha em Gravatá. Foi presente do meu jardineiro preferido. Ele, agrônomo por formação, gosta de plantas e de música. Cuidou de alguns jardins até se dedicar a sua segunda paixão, montando uma loja de discos que só vendia disco bom. Não adiantava procurar CDs de forrozeiros plastificados ou de sertanejos de araque: na loja do meu amigo não tinha esse tipo de lixo. Samba travestido de pagode, também não. Preconceito? Não sei. Acho que era apenas questão de bom gosto musical. Foi lá onde lancei quase todos os meus discos e livros, encontrando amigos para jogar conversa alma adentro.

Além das plantas e da boa música meu amigo jardineiro também gosta de Poesia. Aliás, com certo orgulho e vaidade, confidenciou-me ser sobrinho-neto de João Cabral de Melo Neto. Como não gostar de Poesia tendo nas veias a correr sangue de tão ilustre Poeta? Mas voltando ao assunto: com a virtualidade do sistema e o surgimento das plataformas meu amigo viu-se obrigado a fechar sua loja e ir viver dedicado às plantas e ao sossego em meio às orquídeas, jasmins, bromélias e helicônias que com ele e a mulher habitam o apartamento no Espinheiro (até o bairro em que mora faz menção às coisas da natureza).

Música, já não existe no formato antigo. Uma pena! Conforta saber que ainda há pessoas sensíveis, que, sem CDs para tocar, se deixam tocar pelos perfumes e cores do verde. Jardineiros que resistem à frieza do asfalto e do cimento, da internets e afins. É a forma que meu amigo jardineiro encontrou para fazer brotar poesia da terra.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico



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É Findi - Romero Falcão* chegando em Dose Dupla

21/08/2026

Frida Faz Cinco Anos - Poema


Hoje, Frida faz cinco anos.
Não haverá bolo de aniversário,
minha cadela não vestirá saiote,
nem tampouco lacinhos, fitas,
para sair numa ridícula foto.

Hoje, Frida faz cinco anos,
criada feito os cães das antigas
livre das neuroses humanas,
longe das suas feridas.

Hoje, Frida faz cinco anos,
sem a corrente do amor dos homens
que aperta, exige, cobra,
carente com todas as sobras.

Hoje, Frida faz cinco anos,
com seu olhar sempre aceso,
altivo, verde, cortante, de vidro,
caçando lagartixas no quintal,
forçando a borboleta a se esquivar
do seu bote fatal.

Hoje, Frida faz cinco anos,
preservada no seu instinto animal,
pupila intacta de um lobo que me olha
com sua beleza primitiva, ancestral.

Hoje, Frida faz cinco anos.
Não a q...

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Frida Faz Cinco Anos - Poema


Hoje, Frida faz cinco anos.
Não haverá bolo de aniversário,
minha cadela não vestirá saiote,
nem tampouco lacinhos, fitas,
para sair numa ridícula foto.

Hoje, Frida faz cinco anos,
criada feito os cães das antigas
livre das neuroses humanas,
longe das suas feridas.

Hoje, Frida faz cinco anos,
sem a corrente do amor dos homens
que aperta, exige, cobra,
carente com todas as sobras.

Hoje, Frida faz cinco anos,
com seu olhar sempre aceso,
altivo, verde, cortante, de vidro,
caçando lagartixas no quintal,
forçando a borboleta a se esquivar
do seu bote fatal.

Hoje, Frida faz cinco anos,
preservada no seu instinto animal,
pupila intacta de um lobo que me olha
com sua beleza primitiva, ancestral.

Hoje, Frida faz cinco anos.
Não a quero pelúcia,
adorno na sala de estar.
Frida, tu és força translúcida,
jamais irei te deformar.

Hoje, Frida faz cinco anos.
Ela não é minha filha,
é meu bicho de estimação.
Jamais irei humanizá-la.
Quero amá-la com toda
a natureza de cão.



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Essa Mudança me Atordoa - Crônica


Li um artigo na Folha de S.Paulo: “Os gatos estão ficando mais mansos ou são as pessoas que estão mudando?”. O questionamento me lembrou uma conversa que tive com uma veterinária. Na época, eu perguntava: será que vão conseguir fazer com os gatos o que estão fazendo com os cães?

Bate Três Vezes na Madeira

Por exemplo: dar-lhes um banho de loja, vesti-los com todas as mazelas e vaidades humanas? Enchê-los de bugigangas que o mercado oferece ao mundo pet? A veterinária bateu três vezes na madeira e disse:

— Deus, tomara que não.

Criador Deslocado

Sempre criei cachorro, desde a infância. Hoje, porém, sou um criador deslocado, talvez até malvisto pela indústria e pelo marketing que alçaram nossos companheiros ao consumismo de luxo. Criam-se “necessidades” — com muitas aspas — para os pets, ou melhor, para os pais dos bichos.



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Vazio Emocional

Não tenho psicologia para criar gato. Mas admiro sua essência, ainda intocada. Não sei até quando resistirão. Eles são confundidos com individualistas, interesseiros, indiferentes, porque não cedem aos seus cuidadores — ou, para usar o politicamente correto, aos seus tutores. Não admitem ser tratados como bebês. Muito menos parecem dispostos a fazer das tripas o coração para tapar o vazio emocional da madame, como fazem os cachorros.

“Milhões de Seguidores”

O artigo citado no primeiro parágrafo diz: “Há cerca de 15 anos, criei uma página no Facebook para minha gata, Sandi. Meus amigos acharam isso estranho. Hoje, contas de redes sociais dedicadas a gatos atraem milhões de seguidores, gatos viajam em mochilas e carrinhos de bebê, e pesquisas mostram consistentemente que a esmagadora maioria dos donos considera seus animais de estimação como parte da família.”

Engajamento nas Redes

Claro que o capitalismo farejou a oportunidade. Salvo engano, existe até carro com a cor do cão caramelo.

É comum, nas novelas, um cachorro passar de braço em braço em várias cenas. Cai muito bem, para efeito de emocionar os convidados, um cãozinho no colo do autor na noite de autógrafos. O livro pode ser ruim, mas a presença do cão é ótima para o merchandising e o engajamento nas redes. Já um gato é bem capaz de se recusar a participar de tal teatro.

“Menos Filhos”

Retiro outro trecho da referida matéria: “Ao longo do último século, o modo de vida de muitas pessoas mudou significativamente. Em grande parte do mundo, as taxas de fertilidade caíram drasticamente, de quase cinco filhos por mulher em 1950 para pouco mais de dois atualmente. As pessoas estão tendo menos filhos, adiando a maternidade e a paternidade, vivendo sozinhas por mais tempo e contando cada vez mais com animais de companhia para suprir necessidades emocionais que antes eram atendidas por relações familiares próximas.”

Visita de Médico

Isso é claramente perceptível. Converso com pessoas que tiveram um ou dois filhos, que já partiram de casa para fazer suas próprias vidas. Cada vez têm menos tempo para visitar os pais. Por sua vez, os netos, quando arrumam um tempinho, fazem visita de médico.

Boia de Salvação

Quem supre o apartamento vazio? Um cachorrinho, um gato. Uma boia de salvação para a solidão.

E, quando morrem, ouve-se:

— Não perdi minha gata. Perdi uma filha.

Perplexo

Soube que já se constroem apartamentos com quarto para o pet, destinados a recém-casados que optaram, em vez de ter uma criança, por ser pais de pet.

A explicação de um jovem chinês, lá na China, deixou-me perplexo:

“Os filhos crescem e depois vão embora, deixam os pais. Já os cães são diferentes: eles ficam com você até a morte.”

Nessa história toda, o que me deixa intrigado é que, cada vez mais, estamos humanizando os animais e desumanizando os homens.

Essa mudança me atordoa.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda



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É Findi – O Piqui da Mangaeira - Por Pica-Pau*

21/08/2026

Eu fui na feira
Comprar umas bujinganga
Comprei umbú comprei manga
Jabuticaba e caquí

Fui procurando e ao chegar no fim da feira
Comprei a uma mangaeira uma duzia de piquí

Era uns piquí tão grande,os piquí da mangaeira

Eu perguntei de onde veio esses piquí
Q’eu nunca vi por aqui
Uns piquí tao grande assim

Eita! qui piquí tão grande, veja qui piquí tão grande

Olha qui piquí tão grande
O piqui da mangaeira


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau



O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

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Eu fui na feira
Comprar umas bujinganga
Comprei umbú comprei manga
Jabuticaba e caquí

Fui procurando e ao chegar no fim da feira
Comprei a uma mangaeira uma duzia de piquí

Era uns piquí tão grande,os piquí da mangaeira

Eu perguntei de onde veio esses piquí
Q’eu nunca vi por aqui
Uns piquí tao grande assim

Eita! qui piquí tão grande, veja qui piquí tão grande

Olha qui piquí tão grande
O piqui da mangaeira


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau



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É Findi - O CEHM - Crônica - Por Valéria Barbalho*

21/08/2026

A trajetória do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM) tem origem no ideal visionário de Luiz Maria de Souza Delgado, cuja dedicação às causas municipais e à valorização da história local lançou as bases de uma iniciativa pioneira em Pernambuco. Após sua atuação inicial, foi seu filho, José Luiz Marques Delgado, quem deu continuidade ao projeto, transformando um sonho em realidade concreta.

Em 1961, no Instituto Histórico de Olinda, Luiz Delgado propôs a criação de uma Associação Intermunicipal de História, com o objetivo de reunir estudiosos e pesquisadores do passado pernambucano residentes em cidades que não possuíam institutos históricos ou entidades semelhantes. Embora a proposta não tenha sido concretizada à época, representou a primeira semente do que viria a ser o CEHM.

Anos depois, em 1968, durante a 41ª reunião do Conselho Estadual de Cultura, foi sugerida a criação de uma Comissão de História Local. Instituída ainda naquele ano, a comiss...

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A trajetória do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM) tem origem no ideal visionário de Luiz Maria de Souza Delgado, cuja dedicação às causas municipais e à valorização da história local lançou as bases de uma iniciativa pioneira em Pernambuco. Após sua atuação inicial, foi seu filho, José Luiz Marques Delgado, quem deu continuidade ao projeto, transformando um sonho em realidade concreta.

Em 1961, no Instituto Histórico de Olinda, Luiz Delgado propôs a criação de uma Associação Intermunicipal de História, com o objetivo de reunir estudiosos e pesquisadores do passado pernambucano residentes em cidades que não possuíam institutos históricos ou entidades semelhantes. Embora a proposta não tenha sido concretizada à época, representou a primeira semente do que viria a ser o CEHM.

Anos depois, em 1968, durante a 41ª reunião do Conselho Estadual de Cultura, foi sugerida a criação de uma Comissão de História Local. Instituída ainda naquele ano, a comissão passou a se reunir regularmente, promovendo a produção e divulgação de estudos históricos municipais, inclusive por meio da publicação dos “Cadernos de História Local”. Essa iniciativa consolidou o interesse pela historiografia municipal e evidenciou a necessidade de um organismo permanente voltado a essa finalidade.

Com o falecimento de Luiz Maria de Souza Delgado, em 1974, coube a José Luiz Marques Delgado, com apoio de gestores públicos e instituições culturais, dar continuidade ao projeto. Assim, em 14 de agosto de 1976, foi oficialmente criado o Centro de Estudos de História Municipal, vinculado à Fundação Instituto de Administração Municipal (FIAM), com o propósito de apoiar, articular e valorizar os historiadores e cronistas dos municípios pernambucanos.

Desde sua criação, o CEHM assumiu uma missão singular: preservar, sistematizar e divulgar a história municipal, reconhecendo que é nos municípios que se constrói a base da identidade histórica e cultural do Estado. Mais do que um centro de pesquisa, o CEHM tornou-se um elo entre estudiosos locais, promovendo encontros, debates, publicações e ações voltadas à valorização da memória local.

Ao longo de sua trajetória, o Centro desenvolveu diversas atividades, entre as quais se destacam a realização de reuniões periódicas, a promoção de palestras, o apoio a entidades preservacionistas, a participação em eventos culturais e a organização de encontros de historiadores municipais. Também estruturou um relevante acervo documental e incentivou a criação de uma biblioteca especializada, contribuindo significativamente para a pesquisa histórica em Pernambuco.

No campo editorial, o CEHM desempenhou papel fundamental, destacando-se a publicação da Revista de História Municipal, iniciada em 1977, além de coleções como a Biblioteca Pernambucana de História Municipal, Tempo Municipal, Documentos Históricos Municipais, Cronologia Pernambucana e História da Imprensa de Pernambuco. Essas iniciativas permitiram registrar e disseminar informações essenciais sobre diversos municípios, evitando a perda de um patrimônio histórico que, de outra forma, poderia desaparecer.

Apesar de sua relevância e de cinco décadas de atuação contínua, o CEHM enfrentou — e ainda enfrenta — sérias dificuldades estruturais, especialmente relacionadas à escassez de recursos financeiros e à ausência de políticas públicas permanentes de incentivo. Diversos projetos deixaram de ser executados, e iniciativas importantes foram interrompidas ou limitadas por falta de apoio institucional adequado.

Nesse contexto, torna-se imprescindível destacar a insuficiente colaboração do Estado e de outros órgãos públicos para a manutenção e fortalecimento do Centro. É paradoxal que uma instituição única no Brasil, dedicada à preservação da história municipal e à valorização da identidade cultural pernambucana, não receba o reconhecimento e o suporte compatíveis com sua importância.

A ausência de investimentos contínuos compromete não apenas a expansão das atividades do CEHM, mas também coloca em risco a preservação de um vasto patrimônio imaterial. A história dos municípios — base da formação histórica do próprio Estado — depende diretamente de iniciativas como esta, que atuam de forma descentralizada e próxima às comunidades.



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Valorizar o CEHM é reconhecer que a construção da história de Pernambuco não se dá apenas nos grandes centros, mas sobretudo nas pequenas cidades, nas memórias locais e nos registros produzidos por aqueles que vivenciam o cotidiano de suas comunidades. Ignorar ou negligenciar esse trabalho significa permitir o apagamento progressivo de identidades culturais fundamentais.

Atualmente, o CEHM integra a estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de Pernambuco, estando vinculado à Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (CONDEPE/FIDEM). Ainda assim, mesmo inserido formalmente na estrutura estatal, o Centro carece de maior visibilidade, reconhecimento e suporte efetivo para cumprir plenamente sua missão.

Diante disso, impõe-se a necessidade urgente de fortalecimento institucional do CEHM, por meio de políticas públicas consistentes, financiamento adequado e valorização de seu papel estratégico. Preservar a história municipal é preservar a própria essência de Pernambuco.

O CEHM não é apenas um centro de estudos: é um guardião da memória, um articulador de saberes e um instrumento fundamental para a construção da identidade cultural do Estado. Seu fortalecimento não deve ser visto como opção, mas como compromisso com a história, a cultura e o futuro de Pernambuco.



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Foto: José Ernani Souto Andrade (Mestrinho), professor Aragão, Napoleão Barroso Braga, Nelson Barbalho, Eleny e Amaury de Barros Correia.


*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista. @valeria.barbalho.5



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