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É Findi – Cultura e Lazer – Amanheceu, 2025! Crônica, por Eduardo Albuquerque*

11/01/2025

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Olhar direcionado ao horizonte
Me posto, atento, desde às 4 horas
Ficarei de plantão, pois, agora
Me planejei para isso, desde ontem

Quero assim ver o Sol nascer
Acompanhar seu lépido crescer
Seus fúlgidos raios brilharem
E nas ondas do mar bailarem

São centelhas, deveras, faiscantes
Vistas, desmesuradas, oscilantes
Premiam os primevos caminhantes

Reflito sobre o futuro, pesaroso
Das mudanças climáticas, temeroso
Até quando o amanhecer tão airoso?




*Eduardo Albuquerque, natural de Pedro II - PI, poeta, cronista, escritor. Aposentado da CEF. Formado em Gestão Estratégica das Organizações na UNISUL/SC, Pós-graduado em Gestão Governamental e Responsabilidade Fiscal na UNISUL/SC, MBA em Finanças e Mercado de Capitais na IBMEC/SP. Cidadão Honorário de Olinda, reside no Recife, desde 1973.

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Olhar direcionado ao horizonte
Me posto, atento, desde às 4 horas
Ficarei de plantão, pois, agora
Me planejei para isso, desde ontem

Quero assim ver o Sol nascer
Acompanhar seu lépido crescer
Seus fúlgidos raios brilharem
E nas ondas do mar bailarem

São centelhas, deveras, faiscantes
Vistas, desmesuradas, oscilantes
Premiam os primevos caminhantes

Reflito sobre o futuro, pesaroso
Das mudanças climáticas, temeroso
Até quando o amanhecer tão airoso?

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*Eduardo Albuquerque, natural de Pedro II - PI, poeta, cronista, escritor. Aposentado da CEF. Formado em Gestão Estratégica das Organizações na UNISUL/SC, Pós-graduado em Gestão Governamental e Responsabilidade Fiscal na UNISUL/SC, MBA em Finanças e Mercado de Capitais na IBMEC/SP. Cidadão Honorário de Olinda, reside no Recife, desde 1973.

Leia outras informações

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Difusão Prateada - PF quer Daniel Vorcaro na lista da Interpol para rastrear bens no exterior

01/06/2026

A PF quer incluir o nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na Difusão Prateada. Diferente da vermelha, de foragidos internacionais, essa é para encontrar bens e imóveis de um investigado que estejam fora do Brasil e são frutos de crime, na avaliação de investigadores. A medida pode esclarecer quantos bens Vorcaro comprou fora do Brasil antes de sua prisão. A investigação já estuda pedir cooperação internacional nos EUA para rastrear valores e trusts em solo norte-americano.

Inclusão na lista

Para que seu nome seja incluído nessa lista, porém, é necessária uma análise da Interpol, a organização internacional de cooperação policial. O procedimento prevê que a Polícia Federal solicite a inclusão, cabendo à entidade avaliar se o pedido atende aos critérios para ser aceito. Se houver o aceite, as polícias de outros países compartilham informações de registros de imóveis, compra de quadros, joias, por exemplo. E endereços de onde os bens estão para posterior...

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A PF quer incluir o nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na Difusão Prateada. Diferente da vermelha, de foragidos internacionais, essa é para encontrar bens e imóveis de um investigado que estejam fora do Brasil e são frutos de crime, na avaliação de investigadores. A medida pode esclarecer quantos bens Vorcaro comprou fora do Brasil antes de sua prisão. A investigação já estuda pedir cooperação internacional nos EUA para rastrear valores e trusts em solo norte-americano.

Inclusão na lista

Para que seu nome seja incluído nessa lista, porém, é necessária uma análise da Interpol, a organização internacional de cooperação policial. O procedimento prevê que a Polícia Federal solicite a inclusão, cabendo à entidade avaliar se o pedido atende aos critérios para ser aceito. Se houver o aceite, as polícias de outros países compartilham informações de registros de imóveis, compra de quadros, joias, por exemplo. E endereços de onde os bens estão para posterior bloqueio judicial.



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Difusão Prateada

Quando a Difusão Prateada foi lançada, em janeiro do ano passado, Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol, afirmou: "Privar criminosos e suas redes dos lucros ilegais é uma das formas mais poderosas de combater o crime organizado transnacional, especialmente considerando que 99% dos bens criminais não são recuperados. Ao focar nos ganhos financeiros, a Interpol trabalha para desmantelar redes criminosas e reduzir seu impacto nas comunidades ao redor do mundo." Já houve, inclusive, conversas entre a Polícia Federal e Urquiza. (Com o Valor Econômico)




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O Guarda-Chuva Guarda História - Crônica - Por Romero Falcão*

01/06/2026

Dentro do ônibus, sacudo o guarda-chuva, retiro o excesso de água. Em vez de colocá-lo na mochila, como sempre faço, caio na burrice de encostá-lo nos pés. Foi tiro e queda — ou melhor, descer e deixá-lo. Já perdi um monte deles, dos invernos da adolescência às tempestades da velhice.

Centro do Recife

Não posso expor os pulmões às pancadas de chuva. Haja vista a onda de pneumonia. Então sigo para o centro do Recife em busca de um bom guarda-chuva.

Forte Pingo Colegial

Antes mesmo de subir no ônibus, ainda na parada, esta crônica ganha as primeiras gotas. O forte pingo colegial sobre a cabeça de um Recife transformado pelo tempo.

Sorvete era no Gêmba. Bolsa de madame na Sloper. Sapato fino na Sapataria Inglesa. Sandália feminina, artesanal, despojada, na Esquisita. Guarda-chuva na Tebas, Leite Bastos — é para lá que vamos, leitor.

Geração Z

Lembro do meu primeiro...

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Dentro do ônibus, sacudo o guarda-chuva, retiro o excesso de água. Em vez de colocá-lo na mochila, como sempre faço, caio na burrice de encostá-lo nos pés. Foi tiro e queda — ou melhor, descer e deixá-lo. Já perdi um monte deles, dos invernos da adolescência às tempestades da velhice.

Centro do Recife

Não posso expor os pulmões às pancadas de chuva. Haja vista a onda de pneumonia. Então sigo para o centro do Recife em busca de um bom guarda-chuva.

Forte Pingo Colegial

Antes mesmo de subir no ônibus, ainda na parada, esta crônica ganha as primeiras gotas. O forte pingo colegial sobre a cabeça de um Recife transformado pelo tempo.

Sorvete era no Gêmba. Bolsa de madame na Sloper. Sapato fino na Sapataria Inglesa. Sandália feminina, artesanal, despojada, na Esquisita. Guarda-chuva na Tebas, Leite Bastos — é para lá que vamos, leitor.

Geração Z

Lembro do meu primeiro guarda-chuva, quando comecei a pegar ônibus para o colégio. Era um preto que amparava minha carne magra de doze anos. Comprado na tradicional Leite Bastos, na Avenida Nossa Senhora do Carmo. Fui com meu pai. Entramos pela Rua Duque de Caxias. Ah, leitor da geração Z, você não imagina o quanto aquela rua vicejava nas décadas de 60, 70.

Camponesa de Vestido Rodado

Logo no início, as saudosas Casas Maias — lustres, material elétrico — e a Poveirinha, dona da melhor cartola do centro. Recordo, na entrada da lanchonete, uma camponesa de vestido rodado num painel de azulejos azuis e brancos.



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Cidade Pujante

O Recife pulsava num comércio radioso. Barbeiros, alfaiates, engraxates, estudantes. A gravata elegante dos bancários e os vestidos bem cortados das senhoras revelavam uma cidade pujante.



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Fantasmas me Encarando

Marcha claudicante, olhos entristecidos — assim caminho hoje pela Rua Duque de Caxias. Agora deserta, feia, esquecida, apagada. Lojas de portas cerradas. A pichação escreve abandono na sepultura. Algumas ainda resistem, exibem manequins nas calçadas — fantasmas me encarando.

Barato e Frágil

Testo um guarda-chuva do camelô. Abro, examino o cabo, a armação, o tecido, as hastes. Barato e frágil. Aguenta um inverno?

Com um em ponto de chuva, o vendedor garante a mercadoria e ainda diz que protege um casal.

— Se brincar, um filho também — tiro onda.

Leite Derramado

Procuro o guarda-chuva que conta história. O guarda-chuva da Leite Bastos. Leite derramado. Fabricado numa época em que as coisas eram feitas para durar.

Volto para casa de mãos vazias e a decadência pesando dentro dos olhos.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda



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Adeus, Edgar Morin! - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

01/06/2026

O filósofo, sociólogo, humanista,
do cotidiano, do complexo, exegeta,
inigualável nas reflexões do planeta,
o francês-caleidoscópico, universalista:

“Teoria da Complexidade”,
“Educação e Pensamento Complexo”,
“Sociologia, Cinema e Educação”,
“Memórias e Reflexões Finais”.



O cimo da montanha, qual águia, pousa:
analisa, amiúde, tanto o cotidiano difuso,
quanto o imperscrutável porvir, confuso;



o mundo viveu-o, em sua universalidade,
a vida, viveu-a, em sua complexidade,
sobremaneira, compreendeu a desumanidade!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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O filósofo, sociólogo, humanista,
do cotidiano, do complexo, exegeta,
inigualável nas reflexões do planeta,
o francês-caleidoscópico, universalista:

“Teoria da Complexidade”,
“Educação e Pensamento Complexo”,
“Sociologia, Cinema e Educação”,
“Memórias e Reflexões Finais”.



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O cimo da montanha, qual águia, pousa:
analisa, amiúde, tanto o cotidiano difuso,
quanto o imperscrutável porvir, confuso;



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o mundo viveu-o, em sua universalidade,
a vida, viveu-a, em sua complexidade,
sobremaneira, compreendeu a desumanidade!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Evolução ou Mutilação?- O deserto cultural da sociedade , por Zé da Flauta*

01/06/2026

Ver o ser humano moderno transformar a convivência em uma engrenagem burocrática nos força a encarar se estamos apenas evoluindo ou caminhando para o pior. Antigamente, os laços brotavam do nada: um papo furado no balcão do café ou um riso compartilhado na praça de forma espontânea. Hoje, nos isolamos com fones de ouvido e telas brilhantes, trocando o calor do imprevisto pela conveniência fria do controle tecnológico. Não se trata de uma mera transição de costumes, mas da perda da nossa própria humanidade, onde até universidades precisam ensinar adultos a conversar.

Mutilação

Essa escassez de conexões reais expõe uma fratura na existência, onde o esvaziamento dos espaços públicos é maquiado pelo eco estéril de curtidas virtuais. Substituímos a presença física pelo isolamento doméstico e pelo apego aos bichos, usando o afeto controlado para evitar o risco de sermos rejeitados por outra pessoa. O convívio deixou de ser a estrutura do cotidiano e virou...

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Ver o ser humano moderno transformar a convivência em uma engrenagem burocrática nos força a encarar se estamos apenas evoluindo ou caminhando para o pior. Antigamente, os laços brotavam do nada: um papo furado no balcão do café ou um riso compartilhado na praça de forma espontânea. Hoje, nos isolamos com fones de ouvido e telas brilhantes, trocando o calor do imprevisto pela conveniência fria do controle tecnológico. Não se trata de uma mera transição de costumes, mas da perda da nossa própria humanidade, onde até universidades precisam ensinar adultos a conversar.

Mutilação

Essa escassez de conexões reais expõe uma fratura na existência, onde o esvaziamento dos espaços públicos é maquiado pelo eco estéril de curtidas virtuais. Substituímos a presença física pelo isolamento doméstico e pelo apego aos bichos, usando o afeto controlado para evitar o risco de sermos rejeitados por outra pessoa. O convívio deixou de ser a estrutura do cotidiano e virou um artigo de luxo que só acontece se sobrar tempo na planilha de metas. Se o progresso nos afasta do abraço, ele deixa de ser evolução e passa a ser uma mutilação silenciosa da nossa alma.

Arrependimento

O silêncio que se instala nas mesas individuais esconde um peso devastador, uma dor que rói o peito e agride o corpo tanto quanto o vício de fumar quinze cigarros por dia. O eco mais pungente desse vazio surge no desabafo daqueles que chegam ao fim da jornada e choram, com os olhos marejados e o coração partido, pelo distanciamento dos velhos companheiros. É o arrependimento tardio de quem percebeu, tarde demais na penumbra de um quarto de hospital, que passou a vida acumulando cifrões, mas permitiu que o tempo engolisse os únicos braços que poderiam confortá-los na despedida.

Sentido

A felicidade duradoura não se constrói em gabinetes isolados; o segredo de uma vida saudável está na solidez dos relacionamentos próximos, no olho no olho que cura. A verdadeira amizade exige o sacrifício do cultivo diário: o perdão sincero, o telefonema inesperado na madrugada e a coragem de gastar o tempo sem pressa. No fim das contas, a jornada só ganha sentido quando temos com quem dividir o peso dos dias e a beleza do horizonte, mantendo acesos os laços que nos salvam de morrer sozinhos no deserto que nós mesmos criamos.

Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista



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A Camisa 10, por Roberto Vieira

01/06/2026

Neymar será pela quarta vez o camisa 10 da seleção igualando Pelé (58/62/66/70). Camisa com número em Copa só existe desde a Copa de 1950 quando Jair Rosa Pinto foi camisa 10 em todos os jogos menos um - Ademir Menezes vestiu esse número em um dos jogos. Tudo porque todo time ia do 1 ao 11. Fim de papo.

Pinga

O craque Pinga que era abstêmio, estou faltando sério, foi o 10 na Copa de 1954, quando a camisa 10 era de Puskas mas não queria dizer muita coisa.

Pelé

O Rei foi 10 em 58 por questão alfabética. Edson era o décimo em ordem alfabética na seleção. Porém, com Pelé, o 10 virou mitologia. Curiosamente, o mentor de Pelé no Santos era o velho Jair Rosa Pinto, o 10 de 50. Lembra?

Craque

A camisa 10 após 1958 virou coisa muito importante. O melhor do time era o 10. E foi assim com Rivelino e Zico. Depois com Rivaldo e Neymar. Apesar do 14 de Cruyff e do 5 de Beckenbauer. Talvez p...

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Neymar será pela quarta vez o camisa 10 da seleção igualando Pelé (58/62/66/70). Camisa com número em Copa só existe desde a Copa de 1950 quando Jair Rosa Pinto foi camisa 10 em todos os jogos menos um - Ademir Menezes vestiu esse número em um dos jogos. Tudo porque todo time ia do 1 ao 11. Fim de papo.

Pinga

O craque Pinga que era abstêmio, estou faltando sério, foi o 10 na Copa de 1954, quando a camisa 10 era de Puskas mas não queria dizer muita coisa.

Pelé

O Rei foi 10 em 58 por questão alfabética. Edson era o décimo em ordem alfabética na seleção. Porém, com Pelé, o 10 virou mitologia. Curiosamente, o mentor de Pelé no Santos era o velho Jair Rosa Pinto, o 10 de 50. Lembra?

Craque

A camisa 10 após 1958 virou coisa muito importante. O melhor do time era o 10. E foi assim com Rivelino e Zico. Depois com Rivaldo e Neymar. Apesar do 14 de Cruyff e do 5 de Beckenbauer. Talvez porque Maradona foi 10 também. E Messi.

Pernambuco

Pernambuco viu número em camisa pela primeira vez, contou-me Mestre Lucídio, na excursão do Vasco da Gama de Ademir e Heleno de Freitas ao Recife em 1949. Tem fotos nos jornais da época. Eram números mixurucas. Tentativa brasileira de se adequar aos ingleses que usavam número desde 1933, na final da Copa da Inglaterra. Ou desde os anos 1920, aleatoriamente, com Chelsea e Arsenal. Reza lenda, o América carioca usou mais cedo também, copiando os suditos britânicos.

Seven

Curiosamente, na velha Albion, bom mesmo era o 7. Tudo por causa do espetacular Stanley Matthews, do não menos genial George Best e do razoável Keegan. Além daquele rapaz simpático chamado David Beckham. Imaginem se Garrincha tivesse nascido em Liverpool... 7 ia ser colocado na Union Jack.

Roberto Vieira é médico e cronista



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Quando a soberania atravessa o oceano carregada de cocaína PCC, Comando Vermelho e o momento em que um problema nacional atravessa fronteiras; por Jorge Henrique de Freitas Pinho*

01/06/2026

A soberania permanece íntegra enquanto um país consegue administrar suas próprias consequências. Quando as consequências atravessam fronteiras, a soberania passa a ser disputada por quem sofre os efeitos.

Existe uma frase que marcou gerações de estudantes brasileiros nas antigas aulas de Moral e Cívica: o direito de um termina onde começa o direito do outro.

Embora simples, ela encerra uma das ideias mais profundas da vida em sociedade. Liberdade nunca significou ausência de limites. Significou responsabilidade pelos efeitos produzidos por nossas escolhas.

Enquanto as consequências permanecem sob nosso controle, a autonomia conserva sua legitimidade. No instante em que passam a atingir terceiros, surge inevitavelmente uma nova relação de direitos, deveres e responsabilidades.

O mesmo princípio que orienta a convivência entre indivíduos ajuda a compreender um dos dilemas centrais da geopolítica contemporânea.

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A soberania permanece íntegra enquanto um país consegue administrar suas próprias consequências. Quando as consequências atravessam fronteiras, a soberania passa a ser disputada por quem sofre os efeitos.

Existe uma frase que marcou gerações de estudantes brasileiros nas antigas aulas de Moral e Cívica: o direito de um termina onde começa o direito do outro.

Embora simples, ela encerra uma das ideias mais profundas da vida em sociedade. Liberdade nunca significou ausência de limites. Significou responsabilidade pelos efeitos produzidos por nossas escolhas.

Enquanto as consequências permanecem sob nosso controle, a autonomia conserva sua legitimidade. No instante em que passam a atingir terceiros, surge inevitavelmente uma nova relação de direitos, deveres e responsabilidades.

O mesmo princípio que orienta a convivência entre indivíduos ajuda a compreender um dos dilemas centrais da geopolítica contemporânea.


A soberania

A soberania dos Estados repousa sobre lógica semelhante. Ela permanece sólida enquanto um país consegue administrar as consequências produzidas dentro de suas próprias fronteiras.

O problema surge quando essas consequências atravessam oceanos, alcançam outras sociedades e passam a afetar interesses que já não pertencem apenas ao país de origem.

É sob essa perspectiva que a controvérsia envolvendo PCC, Comando Vermelho, Estados Unidos e Europa será examinada neste ensaio.

Quase uma tonelada de cocaína escondida em carregamentos de açúcar atravessa o Atlântico e é apreendida no Porto de Leixões, em Portugal.

À primeira vista, trata-se apenas de mais uma operação policial bem-sucedida. Uma notícia entre tantas outras que diariamente atravessam os noticiários internacionais.

Contudo, certos acontecimentos possuem uma capacidade singular: revelam muito mais do que aparentam. Funcionam como uma pequena fissura através da qual se torna possível enxergar a estrutura inteira.

O que desembarcou naquele porto português não foi apenas cocaína. O que chegou à Europa foi a demonstração concreta de uma capacidade logística sofisticada, capaz de integrar produtores, operadores financeiros, transportadores, empresas de fachada e distribuidores espalhados por diferentes continentes.

O que atravessou o oceano não foi simplesmente uma mercadoria ilícita. Foi a manifestação concreta de uma rede criminosa capaz de operar muito além das fronteiras nacionais.

Ao longo das últimas semanas, grande parte do debate público concentrou-se na reação americana. Discutiram-se as decisões de Washington, as declarações de Marco Rubio, as respostas diplomáticas de Brasília, os riscos à soberania nacional e as consequências jurídicas da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas globais.

Todas essas questões seriam efetivamente relevantes em outro cenário.

Entretanto, a centralidade conferida à reação acabou obscurecendo uma pergunta mais profunda: o que aconteceu para que organizações criminosas nascidas dentro do sistema prisional brasileiro passassem a ser percebidas por uma potência global como uma questão de segurança internacional?

Antes de discutir o que os Estados Unidos decidiram fazer, convém compreender o que aconteceu para que organizações criminosas nascidas dentro do sistema prisional brasileiro passassem a ser percebidas por uma potência global como uma questão de segurança internacional.

Essa pergunta nos conduz ao acontecimento histórico que está na origem da atual controvérsia.

Durante décadas, grande parte da sociedade brasileira acostumou-se a imaginar essas organizações como fenômenos essencialmente locais.

A imagem predominante era a do traficante armado ocupando uma favela, do líder encarcerado comandando atividades ilícitas a partir de um presídio ou de grupos disputando territórios específicos dentro das fronteiras nacionais.

Hoje, essa imagem já não corresponde à realidade. O PCC e o Comando Vermelho continuam utilizando violência, continuam recrutando soldados e continuam exercendo controle territorial. Contudo, sua importância estratégica deixou de residir apenas nesses elementos.

Ao longo dos anos, transformaram-se em estruturas capazes de operar cadeias logísticas internacionais, movimentar recursos por intermédio de mecanismos financeiros sofisticados e estabelecer conexões simultâneas em diferentes continentes.

A reação americana é consequência dessa transformação. A mutação do fenômeno é a causa.

A compreensão desse processo exige um retorno à própria natureza do conceito de soberania.

Desde a consolidação da ordem política moderna, especialmente após a Paz de Westfália, os Estados legitimaram sua existência mediante uma promessa fundamental.

Em troca da obediência às leis e da renúncia à violência privada, os cidadãos receberiam segurança, estabilidade e proteção.

Com isso o Estado torna-se o detentor legítimo da força porque assume a responsabilidade de impedir que outras forças ocupem esse espaço.

Por essa razão, soberania nunca foi apenas um conceito jurídico. Sempre foi uma realidade concreta sustentada pela capacidade efetiva de administrar as consequências produzidas dentro das próprias fronteiras.

Enquanto um Estado consegue controlar seus problemas, sua soberania raramente é questionada. O desafio surge quando esses problemas passam a produzir efeitos relevantes além do espaço nacional.

A partir desse instante ocorre uma mudança silenciosa, mas decisiva. O fenômeno continua nascendo dentro de determinadas fronteiras, porém suas consequências já não permanecem confinadas a elas.

Quando passam a afetar mercados, rotas comerciais, sistemas financeiros e estruturas de segurança de outras nações, a questão deixa de ser apenas doméstica. A geografia do problema se amplia e seu alcance político se transforma.

A discussão já não pertence exclusivamente ao país onde tudo começou, porque suas consequências passaram a integrar a realidade de terceiros.

É exatamente isso que estamos observando. O mundo contemporâneo tornou-se uma rede. A globalização reduziu distâncias, integrou mercados, conectou sistemas financeiros e criou cadeias logísticas de alcance planetário.

A mesma infraestrutura que transporta alimentos transporta drogas. Os mesmos mecanismos que permitem a circulação legítima de mercadorias podem ser utilizados para atividades ilícitas.

As organizações criminosas compreenderam rapidamente essa lógica. Perceberam que o verdadeiro poder não estava apenas no controle da produção ou da distribuição local, mas no domínio das conexões.

Nesse sentido, o Atlântico não desapareceu fisicamente, mas politicamente.

A distância entre Santos, Lisboa, Roterdã ou Miami já não pode ser medida apenas em quilômetros. Deve ser medida em conectividade logística. Quando uma organização criminosa alcança essa compreensão, deixa de ser um problema localizado e passa a integrar a própria dinâmica do sistema internacional.

É por essa razão que a apreensão ocorrida em Portugal possui significado muito maior do que uma simples operação policial. Ela representa a materialização de uma realidade que há muito vinha se formando silenciosamente.

Essa transformação ajuda a compreender a divergência entre Brasília e Washington. O governo brasileiro continua enquadrando o fenômeno prioritariamente dentro da esfera da segurança pública.

Sob essa perspectiva, trata-se de organizações criminosas que devem ser enfrentadas por polícias, sistemas penitenciários e instituições judiciais nacionais.

Os Estados Unidos observam a questão por outro ângulo. Mais do que a origem dessas organizações, interessa-lhes a extensão de seus efeitos. À medida que suas atividades passaram a conectar diferentes continentes e a produzir impactos que alcançam mercados, sistemas financeiros e estruturas de segurança fora do Brasil, a percepção do fenômeno também se transformou.

A própria justificativa apresentada por Washington parte exatamente desse raciocínio. A classificação anunciada por Marco Rubio não tem por base apenas a violência exercida dentro do território brasileiro. Apoia-se na avaliação de que as redes do PCC e do Comando Vermelho ultrapassaram as fronteiras nacionais e passaram a integrar circuitos internacionais de tráfico, lavagem de dinheiro e abastecimento de mercados ilícitos que alcançam diferentes regiões do mundo, inclusive os próprios Estados Unidos.

Quando uma potência passa a perceber que os efeitos de determinado fenômeno já chegam ao interior de sua própria esfera de segurança, a discussão deixa de ser apenas sobre a origem do problema. Passa a ser sobre suas consequências.

A partir desse raciocínio, a classificação como ameaça à segurança nacional americana torna-se compreensível, independentemente de concordarmos ou não com ela.

A discussão torna-se ainda mais interessante quando observamos os instrumentos efetivamente utilizados pelas grandes potências contemporâneas.

A imaginação popular continua associando poder internacional a porta-aviões, tropas e mísseis.

O século XXI funciona de maneira distinta. O poder mais eficaz tornou-se silencioso. Quando uma organização é enquadrada em determinadas categorias jurídicas internacionais, o primeiro impacto relevante não ocorre no campo militar.

O impacto ocorre nos fluxos financeiros. Contas passam a ser monitoradas, intermediários tornam-se vulneráveis, empresas reavaliam relações comerciais e instituições financeiras ampliam mecanismos de controle.

O objetivo não consiste em ocupar territórios, mas em aumentar os custos de funcionamento da rede.

Dinheiro é o oxigênio dessas estruturas.

Além disso, sem circulação segura de recursos, a mobilidade diminui, a influência enfraquece e a capacidade de expansão torna-se
mais limitada.

É justamente por isso que a reação brasileira não pode ser compreendida apenas como uma divergência jurídica.

Por outro lado, existe uma dimensão simbólica e política mais profunda. Quando uma potência afirma que determinadas organizações deixaram de representar apenas um problema doméstico e passaram a constituir uma ameaça internacional, ela está emitindo uma mensagem sobre a natureza do fenômeno.

Nenhum Estado erra por defender sua soberania. O erro ocorre quando a defesa da soberania se transforma em prioridade superior ao enfrentamento das estruturas que corroem, na prática, a própria soberania que se pretende proteger.

Ao acompanhar parte da cobertura jornalística sobre o tema, chamou-me a atenção outro aspecto da controvérsia.

Em muitos momentos, a discussão concentrou-se quase exclusivamente nos riscos produzidos pela reação americana. Debateram-se soberania, extraterritorialidade, ingerência externa e ampliação do poder de Washington. São temas legítimos. Merecem atenção. Entretanto, a hierarquia das preocupações também importa.

Em determinado momento discutia-se o risco de corrupção de militares que eventualmente viessem a participar mais intensamente do enfrentamento ao narcotráfico. Em outro, o aumento do preço da cocaína surgia como consequência digna de preocupação. Não me chamou a atenção o mérito dessas observações.

Chamou-me a atenção a direção para a qual apontavam. O foco parecia deslocar-se continuamente para os desconfortos produzidos pelo combate enquanto a expansão das próprias organizações criminosas permanecia em segundo plano.

A preocupação concentrava-se nos custos de enfrentar o problema quando o verdadeiro espanto deveria residir na dimensão alcançada pelo problema que passou a exigir enfrentamento.

Existe uma antiga sabedoria popular segundo a qual devemos colocar as barbas de molho quando a casa do vizinho pega fogo. A força dessa imagem não reside no medo. Reside na atenção. Reside na capacidade de reconhecer sinais antes que se transformem em crises irreversíveis.

Quando organizações criminosas brasileiras passam a operar em múltiplos continentes, quando governos estrangeiros mobilizam instrumentos extraordinários para enfrentá-las e quando o problema deixa de ser apenas brasileiro para ingressar definitivamente no campo da segurança internacional, a primeira pergunta não deveria ser apenas sobre a natureza da reação. Deveria ser também sobre a dimensão do fenômeno que tornou essa reação possível.

No final, toda discussão sobre soberania retorna à mesma questão que acompanha a humanidade desde as primeiras cidades e os primeiros impérios. Quem governa efetivamente a realidade? Os governos podem formular narrativas.

Os diplomatas podem redigir comunicados. As instituições podem reivindicar autoridade. Mas é sempre a realidade que produz o julgamento definitivo.

E a realidade parece estar dizendo algo que já não pode ser ignorado: quando as consequências atravessam o oceano, a soberania deixa de ser apenas um direito. Torna-se também uma responsabilidade. E toda responsabilidade, cedo ou tarde, acaba sendo medida pelos fatos.

(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas

NR - Os textos assinados expressam a opiniões dos seus autores. Pessoas ou instituições
Intuições citadas tem espaço garantido para suas versões.



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Livro do Nordeste II será lançado amanhã em Brasília

01/06/2026

O livro

Busca atualizar o histórico Livro do Nordeste, organizado por Gilberto Freyre, passando pelos 100 anos tratados no primeiro Livro, mas focando, especialmente, no período que vai de 1925 a 2025. Para isso, foram convidados intelectuais renomados não só de Pernambuco, mas também de outros estados do Brasil e de Portugal.

O Diário de Pernambuco

Completou 100 anos em novembro de 1925. Durante as comemorações, o sociólogo Gilberto Freyre organizou o Livro da Nordeste para marcar a data com uma obra inédita e referencial. O intuito era discutir histórica, antropológica e sociologicamente a cultura, geografia e economia da região.

Marco do regionalismo

Com textos feitos especialmente para o livro, como a Evocação do Recife, de Manuel Bandeira, a publicação passou a ser apontada por jornalistas e escritores, a exemplo de Mauro Mota, como um marco que funcionaria como um "manifesto a priori d...

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O livro

Busca atualizar o histórico Livro do Nordeste, organizado por Gilberto Freyre, passando pelos 100 anos tratados no primeiro Livro, mas focando, especialmente, no período que vai de 1925 a 2025. Para isso, foram convidados intelectuais renomados não só de Pernambuco, mas também de outros estados do Brasil e de Portugal.

O Diário de Pernambuco

Completou 100 anos em novembro de 1925. Durante as comemorações, o sociólogo Gilberto Freyre organizou o Livro da Nordeste para marcar a data com uma obra inédita e referencial. O intuito era discutir histórica, antropológica e sociologicamente a cultura, geografia e economia da região.

Marco do regionalismo

Com textos feitos especialmente para o livro, como a Evocação do Recife, de Manuel Bandeira, a publicação passou a ser apontada por jornalistas e escritores, a exemplo de Mauro Mota, como um marco que funcionaria como um "manifesto a priori do Movimento Regionalista".

Continuidade

Ideia tão boa quanto a primeira, foi essa, agora, de retomar e atualizar o projeto. Se a obra coordenada por Gilberto Freire oferecia uma retrospectiva dos primeiros cem anos do DP e plantou as sementes do futuro, agora esse titulo inspira o lançamento do Livro do Nordeste II, organizado pelo diplomata e historiador André Heráclio do Rêgo e pelo jornalista e arqueólogo Múcio Aguiar. Desta vez, o volume busca reconstituir a trajetória do Diário de Pernambuco nos seus 200 anos, transcorridos no último dia 7 de novembro, passado.

A nova obra

Busca atualizar o histórico Livro do Nordeste, organizado por Gilberto Freyre, passando pelos 100 anos tratados no primeiro Livro, mas focando, especialmente, no período que vai de 1925 a 2025. Para isso, foram convidados intelectuais renomados não só de Pernambuco, mas também de outros estados do Brasil e de Portugal.

Capítulos

O trabalho se inicia com o artigo 'O centenário de um diário americano', de Manuel de Oliveira Lima, publicado no jornal argentino La Prensa, em 28 fevereiro de 1926. Trata-se da resenha do próprio Livro, na forma de artigo laudatório, escrito pelo grande intelectual Oliveira Lima, comentando o livro. O restante dos textos são todos inéditos, assinados pelos próprios co-autores e por intelectuais renomados da atualidade da lusofonia. São eles Margarida Cantarelli e Maria Lecticia Monteiro Cavalcanti, respectivamente presidente e vice da Academia Pernambucana de Letras (APL), Gilberto Freyre Neto, Marcos Galindo, Mario Helio Gomes (integrante da APL) Marcus Prado, Lincoln de Abreu Penna, João Palmeiro, Carlos André Silva de Moura, Gustavo Maia Gomes, Bernardo Peixoto, Padre Marcelo Arruda Firmo, Paulo Roberto de Almeida, Paulo Henrique Fontes Cadena, José Nivaldo Junior (também da APL), Thales Castro e Maria Vitória Claudino, além dos próprios organizadores.




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Da série Presidentes da República - Gaspar Dutra, um governo “made in USA”

01/06/2026

Por Natanael Sarmento*

O General Eurico Gaspar Dutra nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, 1883. Foi presidente do Brasil entre 1946 e 1951. Ingressa na Escola Militar da Praia Vermelha em 1094. O Cadete participa do golpe liderado pelo senador Lauro Sodré contra o Presidente Rodrigues Alves e é expulso. Anistiado no ano seguinte volta ao colégio militar. Em 1930 recusou a Aliança Liberal e foi destacado pelo governo com o 15º Regimento de Cavalaria à região de Três Rios para combater as tropas rebeldes em Minas.

De novo, governo

A notícia da deposição de Washington Luís aborta sua missão que perdia o objeto antes de qualquer combate. Dutra não reage e abraça a nova legalidade dos “revolucionários de 30”. Participa das posições defensivas do Vale do Paraíba do Exército do Leste contra a Revolução Paulista de 1932, sob ordens do general Góis Monteiro, para impedir o avanço de tropas rebeladas para outros estados. Faz amizade e par...

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Por Natanael Sarmento*

O General Eurico Gaspar Dutra nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, 1883. Foi presidente do Brasil entre 1946 e 1951. Ingressa na Escola Militar da Praia Vermelha em 1094. O Cadete participa do golpe liderado pelo senador Lauro Sodré contra o Presidente Rodrigues Alves e é expulso. Anistiado no ano seguinte volta ao colégio militar. Em 1930 recusou a Aliança Liberal e foi destacado pelo governo com o 15º Regimento de Cavalaria à região de Três Rios para combater as tropas rebeldes em Minas.

De novo, governo

A notícia da deposição de Washington Luís aborta sua missão que perdia o objeto antes de qualquer combate. Dutra não reage e abraça a nova legalidade dos “revolucionários de 30”. Participa das posições defensivas do Vale do Paraíba do Exército do Leste contra a Revolução Paulista de 1932, sob ordens do general Góis Monteiro, para impedir o avanço de tropas rebeladas para outros estados. Faz amizade e parceria ideológica com o General fascista Góes Monteiro. Chega ao generalato. Juntos conspiram e participam dos golpes de 1937 e de 1945. Foi um dos conspiradores golpistas de 1964.



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Um plano das Arábias

O “Plano Cohen” foi a fraude preparatória do golpe de 1937, montada pelo Generais Góis Monteiro (chefe do Estado Maior) e Eurico Dutra (Ministro da Guerra) de Getúlio Vargas. O Plano dos golpistas foi apresentado oficialmente como documento da Internacional Comunista apreendido pelo Serviço Secreto do Exército. A grande fraude detalhava o “plano comunista” para assassinar autoridades, bombardear a sede do governo e tomar o poder. Vargas faz-se de vítima em apelo dramático na Voz do Brasil. Os jornais e emissoras radiofônicas alardeiam a falsificação com sinete oficial. Dutra, Ministro da Guerra apela ao Congresso a decretação do Estado de Guerra.

A farsa deu certo

Durante o periodo do Sítio, Getúlio bateu o prego: interrompeu a sucessão presidencial. E virou a ponta com o golpe da Ditadura do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937.



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“Perigo comunista”?

Em nome da “garantia da ordem nacional” face a “ameaça comunista” atropelava-se a frágil constitucionalidade burguesa e mergulhava-se a nação numa ditadura. Comandada por Getúlio com poderes de Consul romano respaldado pelas forças armadas. Fecha-se o Congresso, os partidos, censura-se a imprensa, persegue-se os opositores, cometem-se os mais atrozes crimes, torturas, assassinatos e banimentos do “Estado Novo”.



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Redemocratização?

A historiografia fantasia o período seguinte ao golpe militar de 1945 que derrubou Getúlio Vargas e marcou o fim do Estado Novo. Chamada de redemocratização, como se Getúlio fosse derrubado pelo fato de ser ditador e os anos seguintes tivessem sido o céu de brigadeiro da democracia. Nem uma coisa, nem outra. Getúlio foi deposto pela política econômica nacionalista de fortalecimento da indústria de base que contrariava os interesses dos monopólios estadunidenses. A conspiração da derrubada de Vargas passou pela embaixada dos EUA, Adolf Berle, entreguistas e golpistas da UDN e das forças armadas, Eduardo Gomes, Góes Monteiro, Eurico Dutra et caterva. Com os tanques cercando o Catete Góes Monteiro (chefe do Estado Maior) deu o ultimato da deposição. Obviamente, as massas exploradas e as vítimas do Estado Novo desconhecendo os bastidores das “forças ocultas”, celebraram o fim da ditadura e o advento da “nova era” democrática.

Eleições gerais

Convocam-se eleições presidencial e gerais, elege-se a Assembleia Constituinte com ampla liberdade partidária, inclusive dos comunistas. Como toda mentira, essa festa democrática teve vida curta, em menos de um ano a nova Carta de 1946 era violada “na forma da lei”.



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A virada Eleitoral

Eduardo Gomes (UDN) despontava como favorito. Dutra vira o jogo mediante o apoio de Vargas, dos queremistas e da coligação de novos partidos PSD/PTB/PR/PDC/PL. Obteve 55,18 % dos votos; o brigadeiro teve 34,66. Yedo Fiúza do Partido Comunista em terceiro com 10,19%. O PC elege numerosa bancada Constituinte - Prestes senador e 17 deputados federais, mais de 40 deputados estaduais e centenas de vereadores. As classes dominantes se assustam com tamanha aceitação das “ideias exóticas”. A Casa Branca tendo o Brasil como seu maior quintal da América Latina aciona seus esbirros.

O governo

A governança de Dutra é marcada pela subserviência aos
interesses da Casa Branca. Washington teve nele procurador fiel,
para a oposição, servil e entreguista.

A “Comissão Abbink”

Nome “Abbink” da comissão “técnica” de brasileiros e estadunidenses criada para elaborar o planejamento estratégico de desenvolvimento do Brasil fala por si. O relatório final, a “Abbink” concluiu que o melhor para o Brasil era deixar os investimentos da industrialização pesada de base - ferro, aço, energia - das estatais para particulares (leia-se, empresas monopolistas americanas). Calhava ao Tesouro Nacional investir recursos na “vocação agrária do país”, desenvolver a produção de bens primários – café, açúcar, algodão, couro, borracha, pecuária.

Plano Salte

Festejado como primeiro “planejamento estratégico governamental” o Salte – Saúde, Alimentação, Logística, Transporte e Energia – foi um fracasso administrativo e financeiro. O calhamaço praticamente não saiu do papel. Na real, o “Salte” foi um pulo para o nada. A desculpa pelos pífios resultados foi a “escassez de financiamentos”. Os pífios resultados são atribuídos à falta de investimentos. E as toneladas de ouro das reservas acumuladas durante a guerra?

Supérfluos

O governo esmerilou as fantásticas reservas de 708 milhões de dólares – 360 toneladas de ouro com importações de produtos supérfluos de consumo dos EUA – bugigangas de plástico, automóveis e eletrodomésticos.



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Política Externa

Na vassalagem aos EUA Dutra rompe as relações diplomáticas Brasil/URSS. Os suseranos estadunidenses cobram e o governo começa campanha na imprensa para mandar tropas do Brasil à Guerra imperialista estadunidense na Coreia: “dever moral de combater o perigo comunista globalmente, além de consolidar o papel do Brasil na primeira linha dos aliados das grandes potências ocidentais”.



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Nacionalismo à esquerda

Trava-se a batalha ideológica da direita entreguista e a esquerda nacional-desenvolvimentista. Destaca-se nessa luta a forte oposição dos comunistas atuando na clandestinidade, mas influenciando movimentos políticos e sociais, sindicatos, a UNE, unificam a palavra de ordem: “Nenhum soldado na Coréia”. Forma-se um forte sentimento contra o “derramar sangue de brasileiros na guerra da península asiática para defender interesses imperialistas norte-americanos”.

As táticas diferem

A direita atuava no Congresso, nos palácios e na imprensa. A esquerda ocupava às ruas, abria comitês populares pela paz, promovia manifestações massivas. Diante da rejeição e forte da pressão das ruas, Dutra recua do envio das tropas. Porém, nos bastidores, escancarava o território brasileiro à exploração das riquezas minerais estratégicas pelas potências estrangeiras, mormente os EUA, abolindo as leis limitadoras dessa exploração mineral.



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Política Interna

No leque das arbitrariedades e mudanças das regras do jogo, o governo recorreu às chicanas jurídicas para cassar o registro do PCB e mandatos obtidos pelo voto popular. A bancada comunista de Constituintes foi cassada. 17 deputados federais. 01 senador. 43 deputados estaduais. Centenas de vereadores: 18 da câmara do DF/RJ; 14 de Santos; 13 São Paulo Capital; 13 em Santo André; 12 da câmara de 25 vereadores do Recife.

Ofidário do fascismo

A Escola Superior de Guerra - ESG, foi fundada em 1949 a partir das “tratativas” do alto comando das forças armadas brasileira com os conselheiros militares do Pentágono. O objetivo declarado: “preparar militares e civis com funções de direção, planejamento e assessoramento superior no foco estratégico da segurança, defesa e desenvolvimento nacional”. O objetivo oculto e real: desenvolver e sedimentar uma cultura anticomunista nas elites brasileiras tornando-as alinhadas e confiáveis aos interesses dos EUA, no contexto da Guerra Fria. Os EUA patrocinaram a ESG e definiram a ideologia política de sua pedagogia seguindo o modelo doutrinal do NWC – National War College. Isso explica o General Juracy Magalhães em missão do governo brasileiro nos EUA declarar “patrioticamente”: “o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”.

Esbirros de 1964

A ESG, ofidário da Doutrina de Segurança Nacional, copiada da War Scholl, muda o foco das forças armadas da defesa da soberania para o “combate ao inimigo interno”. Na lavagem cerebral dos “ideólogos” golpistas de 1964, quais Golbery, Meira Matos et caterva.



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Quem são os Inimigos?

Comunistas defendem a soberania nacional, empresas estatais, exploração das riquezas nacionais do solo e do trabalho em favor do povo brasileiro. Os fascistas militares e civis são entreguistas, serviçais do imperialismo. Dissipadores das reservas financeiras e naturais da Nação. Fantoches dos capitalistas e da Casa Branca. Simples assim. Na história dos vencedores, por enquanto, os verdadeiros heróis do povo são tratados como vilões. E os vilões e traidores são festejados no Panteão dos heróis da pátria.

*Natanael Sarmento é professor e escritor. Do diretório Nacional do Partido Unidade Popular Pelo Socialismo - UP.



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Irã diz que cessar-fogo inclui Líbano e culpa EUA e Israel por violações

01/06/2026

O cessar-fogo já em vigor entre o Irã e os Estados Unidos é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, inclusive no Líbano, afirmou o principal diplomata iraniano hoje, segunda-feira (01/06), após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenar ataques aos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah.

"Uma violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis ??pelas consequências de qualquer violação", escreveu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em uma publicação no X.

Ordenou

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques contra os subúrbios do sul de Beirute, capital do Líbano, controlados pelo grupo Hezbollah, nesta segunda-feira (1º), sinalizando uma escalada ainda maior da guerra que tem complicado a mediação para a resolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irã.

O porta-voz
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O cessar-fogo já em vigor entre o Irã e os Estados Unidos é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, inclusive no Líbano, afirmou o principal diplomata iraniano hoje, segunda-feira (01/06), após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenar ataques aos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah.

"Uma violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis ??pelas consequências de qualquer violação", escreveu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, em uma publicação no X.

Ordenou

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques contra os subúrbios do sul de Beirute, capital do Líbano, controlados pelo grupo Hezbollah, nesta segunda-feira (1º), sinalizando uma escalada ainda maior da guerra que tem complicado a mediação para a resolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irã.

O porta-voz

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira que os ataques israelenses no Líbano estão entre os fatores que causam atraso no processo diplomático para o fim da guerra entre Teerã e Washington, reiterando que um cessar-fogo no Líbano é parte integrante de qualquer acordo.

A ordem


Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenaram que as forças armadas israelenses atacassem "alvos terroristas" nos subúrbios do sul de Beirute, conhecidos como Dahiyeh, após as "repetidas violações" do cessar-fogo pelo Hezbollah e os "ataques contra nossas cidades e cidadãos", segundo um comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelense.


Após ter bombardeado Dahiyeh nas primeiras semanas da guerra, Israel realizou apenas dois ataques na região desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo no Líbano em 16 de abril, mesmo com as hostilidades em curso no sul do país.

Israel captura castelo de 900 anos


A ordem surge após a intensificação das hostilidades no sul do país durante o fim de semana, com tropas israelenses capturando o Castelo de Beaufort, com 900 anos de história, e Netanyahu ordenando que as forças armadas expandissem as operações terrestres.

Afirmam

As autoridades libanesas afirmam que mais de 3.370 pessoas foram mortas no país em decorrência de ataques israelenses desde 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã, que estava sob ataque conjunto americano e israelense.
Israel afirma que 24 de seus soldados e quatro civis foram mortos no mesmo período.
Israel estabeleceu uma zona de segurança autodeclarada no sul do Líbano, onde vem arrasando aldeias, alegando que o objetivo é proteger o norte de Israel de militantes do Hezbollah infiltrados em áreas civis.

A guerra

A guerra no Líbano tem sido o desfecho mais sangrento do conflito dos EUA e de Israel contra o Irã, forçando mais de um milhão de pessoas a fugir de suas casas, segundo as autoridades libanesas.




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Operação mira Prefeitura de SP por elo com produtora de filme de Bolsonaro

01/06/2026

A Polícia Civil realizou na manhã de hoje, segunda-feira (01/06) a Operação Wi-Fi Livre por uma possível relação entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, que fez o filme "Dark Horse", do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A investigação

A investigação apura fraudes em licitação da prefeitura no valor de R$ 108 milhões. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital verifica eventuais irregularidades na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, no contexto do programa WiFi Livre SP.

Os crimes

A investigação apura "crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas", segundo nota da SSP (Secretaria de Segurança Públic...

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A Polícia Civil realizou na manhã de hoje, segunda-feira (01/06) a Operação Wi-Fi Livre por uma possível relação entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, que fez o filme "Dark Horse", do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A investigação

A investigação apura fraudes em licitação da prefeitura no valor de R$ 108 milhões. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital verifica eventuais irregularidades na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, no contexto do programa WiFi Livre SP.

Os crimes

A investigação apura "crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas", segundo nota da SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo, enviada à reportagem no último dia 19 de maio.

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