Economia - A força algodão colorido para mudar conceitos e gerar novas oportunidades na indústria da moda
28/01/2025
Definitivamente o algodão colorido plantado e cultivado na Paraíba, ofereceu um novo conceito à indústria da moda e impulsionou o desenvolvimento regional. O algodão produzido com o emprego de tecnologia e manejo adequado, surge da terra com fibras cada vez mais resistentes para atender a demanda do mercado.
Na indústria da moda
O produto que já nasce ecologicamente correto, e pronto para se transformar em pluma, a principal matéria usada para produzir vestuários e acessórios do mundo da moda, ganha destaque nas passarelas e vitrines de renomadas grifes do Brasil e do exterior.
Atraído
Com forte apelo ecológico, a variedade de algodão colorido desenvolvida há 24 anos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem atraído os olhares dos empreendedores e artesãos por suas vantagens do uso desse tipo de tecido, que não rec...
Definitivamente o algodão colorido plantado e cultivado na Paraíba, ofereceu um novo conceito à indústria da moda e impulsionou o desenvolvimento regional. O algodão produzido com o emprego de tecnologia e manejo adequado, surge da terra com fibras cada vez mais resistentes para atender a demanda do mercado.

Na indústria da moda
O produto que já nasce ecologicamente correto, e pronto para se transformar em pluma, a principal matéria usada para produzir vestuários e acessórios do mundo da moda, ganha destaque nas passarelas e vitrines de renomadas grifes do Brasil e do exterior.
Atraído
Com forte apelo ecológico, a variedade de algodão colorido desenvolvida há 24 anos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem atraído os olhares dos empreendedores e artesãos por suas vantagens do uso desse tipo de tecido, que não recebe qualquer corante, indicado até para as pessoas alérgicas às tintas aplicadas aos tecidos convencionais.
A pluma
A pluma resultante do processo de beneficiamento apresenta alto valor de comercialização. O algodão que já foi considerado como novo ouro branco da região, e que impulsionou toda uma cadeia produtiva, antes de ser dizimado pelo bicudo, já nasce colorido.
A indústria
O Poder percorreu parte da rota do algodão colorido orgânico na Paraíba, e viu como a indústria da moda tem sido beneficiada com essa cultura que realiza sonhos, muda realidades e gera emprego e renda.

Novos negócios
Na Paraíba, o algodão colorido virou patrimônio imaterial, e o seu cultivo tem contribuído para incentivar o surgimento de pequenos negócios e transformar realidades locais. As sementes lançadas do solo viram uma espécie de “joia” lapidada por diversas mãos, que movimenta toda uma engrenagem, eleva o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e faz a economia girar, favorecendo principalmente as comunidades rurais dos mais longínquos lugares.
As empresas
Atualmente o estado tem pelo menos 38 empresas têxtil que trabalham com o algodão colorido orgânico, boa parte delas criadas nos últimos cinco anos. São quatro empresas grandes, quatro médias, oito pequenas e vinte e duas micros empresas, conforme os dados da Federação da Indústria do Estado da Paraíba (FIEP) e da Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Emprego. Os pequenos negócios dominam o setor e são eles os responsáveis pelas maiores mudanças no campo.
Empregam
Juntas elas empregam mais de 2 mil pessoas e uma infinidade de oportunidades no interior e nos mais longínquos locais do estado.
Uma das maiores
Uma das empresas que tem contribuído para alavancar a economia estadual é a Texpar que faz parte do grupo das três empresas que em 2011, recuperaram a cadeia produtiva do algodão colorido da Paraíba.
Natural Cotton Color
A Natural Cotton Color, entrou com a articulação com os agricultores no campo, com contratos de garantia de compra, a Rede Santa Luzia entrou com capital e a Unitextil e Texpar com a fiação, visto que na época ainda não tinha a fiação no Senai.
“A diferença é que hoje nós temos certificado de orgânico de validade internacional, estamos juntamente com o Sebrae, Texpar e as empresas de Santa Catariana e Minas Gerais, em busca do selo GOTS- Global Organic Têxtil Standard, onde já foi investido mais de 120 mil reais e agora na reta final é a Texpar que está investindo para que possamos vencer todas as não conformidades e a Paraíba ser detentora do primeiro Selo Gots do Brasil do algodão orgânico e colorido”, destacou o empresário Roberto Soares, proprietário da Unitextil.

Responsável
A Texpar, segundo ele, é a responsável por abastecer as empresas pequenas, os artesãos, para que ninguém seja excluído da cadeia produtiva, visto que o projeto é para fomentar a agricultura familiar. Hoje a Texpar é a maior compradora de algodão colorido, seguida de Redes Santa Luzia. O diferencial é que a empresa tem certificado internacional.
As cidades
De olho nas mudanças de atitude no consumo do mercado da moda sustentável, essas empresas ficam localizadas em Itaporanga, São Bento, Campina Grande e João Pessoa. Um trabalho sustentável com alfaiataria de luxo que supera outros setores e coloca a Paraíba numa posição de destaque em relação a outros estados.
80 países
Com certificação de produto orgânico aceito em mais de 80 países, o algodão colorido da Paraíba alavanca a economia e movimenta toda uma cadeia produtiva, tendo se tornado fonte de renda para produtores, agricultores, mulheres rendeiras, empreendedores, estilistas, desenhistas, comerciários e outros profissionais.
Peças de luxo
O produto alcançou o status de peças de luxo em feiras internacionais e se tornou uma espécie de mola propulsora do desenvolvimento regional. As coleções Made in Paraíba são exportadas para a França, Itália, Espanha, Alemanha, Japão, Estados Unidos e outros países e exibidas em desfiles de marcas conceituadas do mundo da moda.
Duas gigantes
A retomada do algodão como produção industrial se deu graças a empresas como a Natural Cotton Color e Santa Luzia Rede Decorações que tem puxado a onda do desenvolvimento e movimentando toda uma cadeia produtiva. A Natural Cotton Color, criada em 1995 pela empresária Francisca Gomes Vieira, trabalha desde 2004 exclusivamente com o algodão naturalmente colorido 100% orgânico certificado pela Ecocert. A empresa nasceu pequena, mas graças a força do algodão agroecológico se transformou em uma “gigante” do setor.
A conversa
O Poder conversou com a empresária Francisca Gomes Vieira, que deu detalhes do empreendimento e como o algodão foi essencial para a expansão da empresa e disseminação da moda sustentável.
Contou
Ela contou que quando ainda era MEI – Micro Empreendedor Individual – , chegou a plantar o produto numa área contratada de cerca de 40 hectares, nos municípios de Juarez Távora e Salgado de São Félix, e na Associação dos Produtores do Assentamento Queimadas, no município de Remígio. A desconfiança com o negócio era visível, mas a decisão foi o primeiro passo para mudar a mentalidade dos produtores e atrair outros investidores.
Compra
Atualmente a empresa compra algodão cultivado em mais de 15 municípios, via Associação Brasileira da Indústria da Moda Sustentável, direto dos produtores que se organizam em cooperativas, principalmente do Ingá, do Salgado de São Félix e do Assentamento Margarida Alves na cidade de Juarez Távora.
Sertaneja
Sertaneja da cidade de Itaporanga-PB, filha de plantador de algodão, a psicóloga Industrial com pós-graduação em Engenharia de Produção, Francisca Gomes Vieira explicou que o cultivo do algodão colorido orgânico é feito por contrato de compra garantida para que seja economicamente viável para o agricultor.
“Pagamos o melhor preço do país por um quilo de pluma”, relata ela.
As peças
Na composição das peças criadas pela Natural Cotton Color, as rendas, bordados e crochê, entre outras técnicas artesanais, são tingidas com corantes vegetais extraídas da flora local como cajueiro, urucum, açafrão da terra, barbatimão, entre outras. Os detalhes manuais são realizados por mulheres na zona rural, também na região do semiárido, onde as oportunidades de trabalho são mínimas.
A expansão
Francisca ressaltou que a Natural Cotton Color se expandiu no mercado com o propósito de oferecer moda a partir de uma cadeia produtiva baseada no tripé da sustentabilidade ambiental, econômica e social. A abordagem é garantir um produto atemporal de design global, mas com a inserção do artesanato, para a preservação da cultura local.
Nas passarelas de Milão
Na efervescente capital mundial da moda e do luxo, um toque de inovação e criatividade mostrou para o mundo a beleza e riqueza do algodão colorido da Paraíba. Desfilar em Milão, cidade italiana que é símbolo de luxo e vanguarda, pareceu um sonho. A Natural Cotton Color transpôs as fronteiras paraibanas e ousadamente colocou seus modelos e marcas nas passarelas de um dos desfiles mais concorridos do mundo.
A coleção
A empresa que nasceu pequena e cresceu graças a produção do algodão colorido orgânico da Paraíba, expôs parte da coleção “Ipês do Brasil”, idealizada por Francisca Vieira, que também é estilista. O ensaio do desfile foi feito na cidade de Ingá, visto que todas as peças foram feitas com algodão cultivado por agricultores da região.
Os fios de esperança que transformam sonhos
Os fios de esperança tecem história, mantêm a tradição, geram negócios, transformam realidades e realizam sonhos. Em torno da Santa Luzia Redes e Decoração, um mundo gira. Localizada em São Bento, no Sertão paraibano, a Santa Luzia Redes e Decoração cultiva desde 2006 o algodão colorido natural e orgânico certificado.
O nascimento
A empresa nasceu pequena, mas desde que passou a usar o algodão colorido orgânico cresceu numa velocidade impressionante e se tornou uma das gigantes da Paraíba na indústria têxtil.
A palavra do diretor
O diretor da Santa Luzia, Armando Dantas, garantiu ao O Poder, que uma das decisões mais acertadas da empresa foi investir no cultivo do produto, visto que descobriu um horizonte de oportunidades que pode impactar positivamente na vida de muitos agricultores.
Declarou
O executivo declarou que a empresa sempre procurou aliar a sustentabilidade ambiental e social com inovação por meio de suas produções baseadas em fios de algodão reciclados e na cultura do algodão colorido para abastecer o mercado nacional e internacional. A matéria-prima alimenta a fábrica que produz artigos têxteis de decoração como redes de descanso, mantas, entre outros, para abastecer o mercado nacional e internacional.
Fonte de renda
Hoje a indústria têxtil Santa Luzia Redes e Decoração gera trabalho como fonte de renda para 120 colaboradores na indústria e para 400 parceiros como artesãos e produtores da agricultura familiar, com previsão de aumento devido a expansão do plantio do algodão.
Fatores
Entre os fatores do aumento da demanda global por algodão orgânico está a adesão de empresas transnacionais ao acordo Desafio do Algodão Sustentável de 2025, proposta alinhada com a Organização das Nações Unidas e o Acordo de Paris. O pacto levou empresas transnacionais a se comprometeram a desenvolver produtos com algodão 100% sustentável.
A produção
A produção de algodão orgânico do grupo Santa Luzia se concentra nos municípios de Itabaiana, Brejo do Cruz, Belém do Brejo do Cruz, São Bento, Catolé do Rocha, e São José do Brejo do Cruz, cultivados em sua maioria por comunidades quilombolas, em sistema de agricultura familiar, com uma produtividade média de 1.200 quilos de algodão por hectare.
Exporta
A Santa Luzia Redes e Decoração exporta para cerca de 23 países de todos os continentes. De acordo com Armando Dantas, o Sebrae na Paraíba esteve presente na ajuda dessa evolução e até hoje proporciona esse relacionamento internacional com a participação em eventos pelo mundo todo.
Agregar valores
Armando Dantas enfatizou que a Santa Luzia tem tido toda uma preocupação em agregar valores e melhorar a vida dos produtores, gerando uma revolução no campo.
Uma experiência transformadora
Quem vê as roupas penduradas nos cabides das lojas ou expostas nas vitrines de shoppings não tem noção do trabalho que dá para produzi-las. O mercado da moda não só acompanha e dita tendências culturais e sociais, como também engloba diversos modelos de negócios, movimentando economicamente uma vasta e diversa cadeia produtiva. Que o diga a empresária e designer de moda, Gecilda Pereira de Souza.
O Poder visitou a empresária na Vila do Artesão em Campina Grande para conhecer essa receita de sucesso.
Lidera
Gecilda Pereira lidera o Grupo Via Terra Natural, de Campina Grande, que também trabalha com o algodão colorido. Faz toda a produção desde a plantação até o produto final. A empresa de pequeno porte é outro exemplo de como o algodão colorido proporcionou novas oportunidades. A Via Terra Natural surgiu há 15 anos, e há três, atraído pela moda sustentável, Gecilda Pereira resolveu apostar no cultivo do algodão colorido.
Movimenta
O projeto movimenta toda uma cadeia desde o plantio do algodão no campo, passando pela produção dos tecidos na pequena fábrica de tecelagem da empresa, até a venda de roupas e acessórios.
“Eu estou há 15 anos no mercado do algodão colorido. A gente começou com algumas peças e há três anos, sentimos a necessidade de fazer a plantação. Hoje estamos com esse trabalho de plantar, colher, fazer o tecido a malha e o produto final” explicou.
Famílias
O projeto contempla famílias agricultoras dos municípios de Gurjão, Juazeirinho, Parari, Olivedos e Santo André, no Cariri Seridó paraibano.
O começo
A empresa começou com a fabricação de sandálias ecológicas, e depois com a chegada do algodão colorido ampliou a produção, e hoje fabrica mais de 30 itens, desde camisetas, vestidos e toda linha infantil e adulto.
A loja
A loja, instalada na Vila do Artesão em Campina Grande, é referência na venda de produtos que remetem à expressão da cultura nordestina enraizada com os costumes e tradições regionais.
Mudou a vida
Com orgulho indisfarçável Gecilda Pereira de Souza disse que o algodão colorido mudou a sua vida e a de muitos agricultores do projeto, visto que ajudou a realizar sonhos. Muitos deles, segundo ela, compraram casas, móveis e eletrodomésticos com o dinheiro oriundo da venda do produto.
“Foi uma revolução na vida de muitas pessoas. Eu mesma vivo do algodão colorido e da moda sustentável que é a minha principal fonte de renda”, enfatizou.
O cultivo
O cultivo do algodão colorido começou de forma experimental na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Algodão na cidade de Campina Grande. A Embrapa desenvolveu a primeira cultivar de algodão com o objetivo de oferecer alternativas de renda para os agricultores do Semiárido, além de contribuir para a preservação ambiental e impulsionar a indústria têxtil.
Qualidade
Com a qualidade e singularidade dessa nova matéria prima, surgiu uma grande oportunidade de mercado para artesãos e trabalhadores manuais já que os resultados teriam produtos com valor agregado. Um horizonte de possibilidades se descortinou quando os empresários perceberam o forte apelo ecológico do algodão, produzido sem agrotóxicos, e que já nasce com uma cor natural, sem necessidade de acrescentar produtos químicos e tintas para seu tingimento.
Severino Lopes é editor regional do O Poder
Essa matéria faz parte da série “Algodão colorido; 25 anos gerando riquezas e impulsionando desenvolvimento sustentável”
Leia outras informações
É Findi - É São João! - Crônica - Por AJ Fontes*
19/06/2026
Mais uma semana e a mágica se completa. Uma mesa onde estão, junto das comidas já faladas, o pé-de-moleque, a cerveja, a cachaça e outras bebidas enxeridas, metidas a besta, mas que estão, por convite ou conveniência. Essa é uma parte importante da festa, embora as demais não se escondam, ao contrário se exibem.
A música sai de um canto do alpendre para o trio não parar, no caso de chover. O sanfoneiro puxa o fole e entoa o hino: “A fogueira está queimando em homenagem a São João”. Zabumba e triângulo acompanham. Seguem tocando forró, baião e, lá pelas tantas, quando o suor escorrer pelos rostos, ensopando as camisas e vestidos que envolvem os corações aos pulos, um xote.
Eita! É tudo junto e mis...
O milho ainda está no pé. Mais uns dias e o povo do sítio irá quebrar as espigas que serão transformadas em pamonha, canjica; e, basta apenas a água fervente com um tantinho de sal, ela cozinha; ou, deixa sobre uma grelha acima de um braseiro, assa.
Mais uma semana e a mágica se completa. Uma mesa onde estão, junto das comidas já faladas, o pé-de-moleque, a cerveja, a cachaça e outras bebidas enxeridas, metidas a besta, mas que estão, por convite ou conveniência. Essa é uma parte importante da festa, embora as demais não se escondam, ao contrário se exibem.
A música sai de um canto do alpendre para o trio não parar, no caso de chover. O sanfoneiro puxa o fole e entoa o hino: “A fogueira está queimando em homenagem a São João”. Zabumba e triângulo acompanham. Seguem tocando forró, baião e, lá pelas tantas, quando o suor escorrer pelos rostos, ensopando as camisas e vestidos que envolvem os corações aos pulos, um xote.
Eita! É tudo junto e misturado.
Não deu para separar as partes da festa. Você viu que falei da fogueira. O dono da casa, de olho no céu, com cara de quem pergunta a São Pedro se vai abrir a torneira, segura um pedaço de bucha, uma garrafa de querosene e uma fosforeira, prestes a queimar os gravetos sobre a lenha seca, guardada há dias. Ele consegue as primeiras línguas de fogo quando os convidados começam a chegar.
Tem o pau-de-sebo em um canto, lambuzado de gordura de porco e enfeitado com bandeirolas de tudo que é cor. Elas passam pela varanda à frente da casa, enrolam as colunas que seguram a coberta, fazem a volta no juazeiro depois da fogueira e arrodeiam o terreiro de chão batido, onde a matutada dança. Aqui e ali um balão pendurado no meio delas. Deram um trabalho danado à patroa, às filhas e aos pirralhos da casa. Desde antes de ontem cuidam de fazer os enfeites além das comidas.
Trabalho nada!
Eles fazem isso tudo, todos os anos e com muito gosto, no meio de conversas sem fim, ajuntadas às risadas e arengas. Tudo para receber os moradores dos sítios vizinhos, também os da cidade, difícil de aparecer por essas bandas.
O frege se estica até Deus ter dó dos pés e do fígado dos presentes.
No dia seguinte, a casa acorda tarde. Os corpos ainda dançam e ouvem as músicas, gritos, risos e fogos que explodiram horas antes. A fogueira é só brasa e fumaça; as bandeiras, parte delas, espalhadas no chão de barro molhado, marcado de chinelas e botas.
A moça mais nova suspira e nem precisa dizer o porquê do sorriso, pois todos viram que dançou a noite toda com o rapazinho de uma família da rua enquanto a mais velha, arrastando o chinelo, ajuda a mãe no feitio do café para o povo todo da casa.
O pai, aprumado que só uma vara, embora nos costados já lhe batam mais de sessenta dessas festas, resolve se assentar no banco de tronco embaixo do juazeiro. Por conta do ressonado dos acordes da sanfona, das batidas da zabumba e do tililingue do triângulo na cabeça; da mistura de cheiros: fumaça, milho assado, cachaça, perfume e mais coisa que nem é bom saber; não dá conta do amigo de longas datas passando no lombo do burrinho.
— Ôpa! Festa boa danada, essa, num foi mermo?
De começo, ele balança a cabeça, levanta o queixo perguntando “o quê?” O amigo repete. Espertando daquele torpor, ele levanta o dedo, procura no vento uma resposta, encara o amigo e diz.
— Seu João...
É São João!
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes

É Findi - São João - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
19/06/2026
com as bandeirolas em trinca:
azuis, verdes, vermelhas, lindas,
se assemelham, bem-vindas;
Enfeitam o salão festeiro,
partes das brincadeiras,
do São João, o padroeiro,
que se engalana, faceiro.
Que festa mais arretada:
a sanfona abre-e-fecha,
nas mãos do sanfoneiro,
o fole se abre por inteiro.
E o triângulo diz: pois sim!
acompanhando até o fim,
a zabumba em seu desfecho.
Eu, a noite, a sós, encantados!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
Brinca, ô meu Santo, brinca,
com as bandeirolas em trinca:
azuis, verdes, vermelhas, lindas,
se assemelham, bem-vindas;

Enfeitam o salão festeiro,
partes das brincadeiras,
do São João, o padroeiro,
que se engalana, faceiro.
Que festa mais arretada:
a sanfona abre-e-fecha,
nas mãos do sanfoneiro,
o fole se abre por inteiro.

E o triângulo diz: pois sim!
acompanhando até o fim,
a zabumba em seu desfecho.
Eu, a noite, a sós, encantados!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

É Findi – Série: Boêmios que Marcaram Época no Recife Noturno - Antônio Maria - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
19/06/2026
Outro grande personagem da boemia recifense e posteriormente, do Rio de Janeiro, foi Antônio Maria, classificado por algumas mulheres da época como um jovem galã, culto, educado e atencioso.
Segundo matéria publicada no Jornal do Commercio de 15 de outubro de 1994: “Nasceu no Recife em 17 de março de 1921, filho do usineiro Inocêncio Ferreira de Morais e Diva Araújo de Morais. Já em 1938, com apenas 17 anos dá início à sua brilhante carreira no rádio-jornalismo ao ingressar na famosa PRA-8, Rádio Clube de Pernambuco.
Inteligente e irreverente, como seus companheiros de boemia recifense Ascenso Ferreira e Coimbra Júnior, Antônio Maria, já em 1948, era diretor de produção da Radio Tupi do Rio e cronist...
Nos próximos É FINDIs pretendo publicar considerações sobre cinco boêmios que marcaram época no Recife noturno: Ascenso Ferreira, Antônio Maria, Hugo da Peixa, Valdemar Marinheiro e Eugênio Coimbra. Hoje falaremos sobre Antônio Maria.
Outro grande personagem da boemia recifense e posteriormente, do Rio de Janeiro, foi Antônio Maria, classificado por algumas mulheres da época como um jovem galã, culto, educado e atencioso.
Segundo matéria publicada no Jornal do Commercio de 15 de outubro de 1994: “Nasceu no Recife em 17 de março de 1921, filho do usineiro Inocêncio Ferreira de Morais e Diva Araújo de Morais. Já em 1938, com apenas 17 anos dá início à sua brilhante carreira no rádio-jornalismo ao ingressar na famosa PRA-8, Rádio Clube de Pernambuco.
Inteligente e irreverente, como seus companheiros de boemia recifense Ascenso Ferreira e Coimbra Júnior, Antônio Maria, já em 1948, era diretor de produção da Radio Tupi do Rio e cronista de “O Jornal”.
Em 1951, compõe a primeira letra de música “Frevo No 1 do Recife”, gravada por Luiz Bandeira. Logo em seguida grava com Araci de Almeida, o samba “Querer Bem”. Depois assina o maior contrato de rádio brasileira na época: 50 contos de réis, por mês.
Em 1952, lança a cantora Nora Ney, que grava “Menino Grande”. A RCA Vítor lança “Ninguém me Ama”. Continua escrevendo belas composições, principalmente com Dolores Duran e Luiz Bonfá ( Manhã de Carnaval).
Em 1964, na madrugada de 15 de outubro, Antônio Maria dava adeus, precocemente, à vida e à boemia.
Alguns meses antes de seu desaparecimento deu as seguintes informações sobre ele próprio:
“Brasileiro, Cansado, 43 anos, Cardisplicente ( isto é: homem que desdenha do próprio coração) Profissão: esperança. Outros dados pessoais- Epítetos: Tombinha. Tomba e o Gordo. Traços marcante: feiúra ( só soube quando amou pela primeira vez) obesidade, ver auto-retrato) e preguiça ( apesar de confessá-la e de professá-la, trabalhava como um cão).
Ocupação, radialista, cronista, produtor de jingles, redator de programas de televisão, compositor. Hábitos: noitevagos: boemia e solidão. Locais que freqüenta: no Recife-Cassino Imperial e Restaurante Gambrinus. No Rio de Janeiro: Boates de Copacabana, todas. Endereço fixo: Le Rond Point (à noite), restaurante Os Pescadores (de madrugada).
Companhias habituais: mulheres- todas, qualquer uma. Cantoras, dançarinas, socialites, não importando classe social mas o apetite sexual., nomes para verificação: Danusa Leão, Nora Ney, Maysa, Dolores Duran. Homens- companheiros de profissão e de fé no amor e na boemia e tipos populares. Nomes par verificação: Vinícius, Zé Aparecido, Di, Caymme, Ivan Lessa, Murilo de Almeida, Niemeyer, entre tantos e tantos outros quanto grande for a noite em que viveu.

Um aviso: “se me encontrar dormindo, deixe. Morto, acorde-me.
Antecedente criminais: amor demais a tudo e a todos. Causa da morte: amor demais.
Provando seu amor pela cidade onde nasceu e vivenciou belos dias, noitadas e madrugadas, fez várias composições para o Recife e, em uma delas disse:
“Sou do Recife com orgulho e com saudade
Sou do Recife com vontade de chorar
O rio passa levando barcaça pro alto do mar
E em mim não passa essa vontade de voltar
Recife mandou me chamar
Capiba e Zumba essa hora onde é que estão
Inês e Rosa em que reinado reinarão
Ascenso disse me mande um cartãoRua antiga da Harmonia
Da Amizade, da Saudade da União
São lembranças noite e dia
Nelson Ferreira toque aquela introdução. Conta-se que uma certa vez, em sua fase áurea, na radio carioca, ele foi procurado por uma fã que só o conhecia por sua, nesse dia, ele não se encontrava na Emissora, um colega então se fez passar por ele.e saiu com a garota, posteriormente, Antônio Maria soube e foi falar com o cara que lhe disse:
É, realmente eu saí com a garota, agora tem um detalhe, VOCÊ BROXOU...
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.

É Findi – Gordinhos e Felizes – Croniqueta, por Xico Bizerra*
19/06/2026
E vamos, nós, camaleões humanos, nos empanturrando de verduras, nos enchendo do verde, de nutrientes essenciais (carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais). ‘Alimentos in natura, frutas, vegetais, legumes e grãos integrais são bons’, dizem os entendidos. E o paladar reclamando de sua não satisfação. Nada de açúca...
Para justificar o mau hábito alimentar próprio das crianças de minha época – doces, chocolates e afins, dizíamos, em alto e bom som, que ‘o que não mata, engorda’. Hoje, conscientes de que a alimentação saudável é responsável pelo ‘esticamento’ da vida, uma ‘garantia estendida’ do bom viver, dizemos o contrário: ‘o que engorda, mata’. E haja regimes, caminhadas, academias, remédios e renúncias alimentares. Uma dobradinha ou uma picanha das boas são sinônimos de veneno. A endocrinologista é como uma delegada da Polícia Federal investigando deslizes alimentares para nos condenar à distância das mesas fartas e saborosas, usando tornozeleira estomacal.
E vamos, nós, camaleões humanos, nos empanturrando de verduras, nos enchendo do verde, de nutrientes essenciais (carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais). ‘Alimentos in natura, frutas, vegetais, legumes e grãos integrais são bons’, dizem os entendidos. E o paladar reclamando de sua não satisfação. Nada de açúcar ou sal. Bebida, nem pensar. Em compensação, a diabetes e a obesidades demorarão alguns dias, apenas alguns dias, até nos fazer a visita inescapável e indesejada.
Eu mando às favas os conselhos médicos, à merda os compêndios tratando do assunto. Agora mesmo vou ali na feijoada de Candeias, tomar minha cervejinha e saborear a feijoada bem temperada. Com muito bacon, por favor. Depois, a madorna tradicional, também condenada por especialistas, todos escravos do peso exato das balanças, mas infelizes por completo. Pode ser coincidência, mas eu percebo dificuldade dos magrinhos para sorrir. Nunca vejo um magrinho sorridente, ao contrário dos gordinhos, sempre alegres, sorridentes e felizes. Coincidência ou não, prefiro ser feliz.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico

É Findi - Malude Maciel* Chega em Clima de São João em Dose Dupla
19/06/2026
A "noite dos fogueteiros" fez parte da programação das festas juninas do maior e melhor São João do mundo, em Caruaru, porém há anos os caruaruenses e toda uma gama de turistas que aqui circulam, não vêem o belíssimo show pirotécnico, infelizmente. Também foi extinto o animado passeio do trem do forró, que tanto alegrou o povo desta cidade há alguns anos e sentimos muita falta.
Um lindo espetáculo
Houve um tempo que a Associação dos Fogueteiros do Nordeste, apoiada pelo governo do Estado, pela Secretaria do Turismo, Fundação de Cultura da Prefeitura Municipal de Caruaru e indústrias de fogos de todo o país reuniram as forças e mostraram do que são capazes, trazendo ao campo do Central Sport Clube, com entrada franca, mais uma das atrações juninas da Capital do Agreste.
Com a participação de diversas cidades, como: Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Limoeiro, Chá Grande, etc. além de outras d...
Festival dos Fogueteiros - Crônica
A "noite dos fogueteiros" fez parte da programação das festas juninas do maior e melhor São João do mundo, em Caruaru, porém há anos os caruaruenses e toda uma gama de turistas que aqui circulam, não vêem o belíssimo show pirotécnico, infelizmente. Também foi extinto o animado passeio do trem do forró, que tanto alegrou o povo desta cidade há alguns anos e sentimos muita falta.
Um lindo espetáculo
Houve um tempo que a Associação dos Fogueteiros do Nordeste, apoiada pelo governo do Estado, pela Secretaria do Turismo, Fundação de Cultura da Prefeitura Municipal de Caruaru e indústrias de fogos de todo o país reuniram as forças e mostraram do que são capazes, trazendo ao campo do Central Sport Clube, com entrada franca, mais uma das atrações juninas da Capital do Agreste.
Com a participação de diversas cidades, como: Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Limoeiro, Chá Grande, etc. além de outras de São Paulo e Minas, mostraram ao público um dos mais belos espetáculos de luzes e cores em fogos artesanais.
Multidão
O Estádio Lacerdão ficou repleto e as pessoas alegres aplaudindo cada número que se exibia com detalhes harmoniosos e impressionantes no céu acinzentado, onde até a chuva dava passagem à tão linda fantasia colorida. Ultrapassava de uma hora o tempo total da apresentação mas, era uma pena que cada cena durasse apenas poucos minutos de euforia e se extinguisse no ar de fumaça.
Magia
São aqueles momentos mágicos que, se muito, podem ser gravados nas filmagens e nas lembranças inesquecíveis, tanto dos adultos como das crianças que ali se concentravam ávidos por mais uma demonstração de fogos pipocando e desenhando no alto, figuras geométricas e raras em diversas nuances. Coisas que valem a pena e ficam gravadas nas memórias e nos corações de quem teve o privilégio de presenciar, sendo testemunha da História dos acontecimentos marcantes da cultura de um povo.
Finalmente
Quando todos os grupos mostraram seus belos trabalhos, ainda saía o lindo desfile dos "bacamarteiros", como símbolo tipicamente regional, pelo gramado do glorioso Central, a Patativa do Agreste, enquanto do morro do Bom Jesus, surgiam girândolas fabulosamente deslumbrantes clareando ainda mais o ambiente já tão iluminado e colorido e aí, os olhares se direcionavam para o cume do monte, logo atrás do estádio, como pano de fundo de um cenário resplandecente e calorosamente aquecido pelo fogo e pelo calor humano das palmas e vivas.
As faíscas reluzentes cortavam a atmosfera e a plateia vibrava envolvida pela nuvem prateada de um sonho encantador que, num piscar de olhos, já se foi, num rápido e raro instante, como tudo na vida.
Recordações
Certamente cada alma privilegiada que vivenciou o Festival dos Fogueteiros, saiu satisfeita, sentindo o clarão das luzes e envolvida pela energia contagiante oriunda das também tradicionais fogueiras das festas juninas tão cantadas e proclamadas em nossa terra natal.
Nossas mentes guardarão as imagens das: "estrelinhas" e "lágrimas" junto com a vontade de repetir a dose, como se o tempo já catalogasse novo show como algo certo no amanhã.
Agradeçamos pois, ao bom Deus por esse momento tão especial.

Forró Dog
Acredito que muitas pessoas lembrarão dos fatos que terei o prazer de recordar e que, de uma forma ou de outra, marcaram períodos vivenciados na Capital do Agreste. Senão, vamos ao relato dos acontecimentos.
Em junho de 2001, em plena festa de São João em Caruaru, aconteceu a apresentação do desfile da única quadrilha junina de cães em todo o mundo.
Uma multidão
Mais de trezentos cães vestindo roupas matutas eram as estrelas da sexta edição do chamado: "ForróDog" que animava as ruas da cidade num lindo desfile, com sucesso total, ao som do trio elétrico Cheiro Baiano, tendo como destaque o cantor e compositor Jailson Rosset que esteve acompanhado da Banda: " Os Compadecidos". Era uma apresentação diferente que atraia muita gente curiosa para aplaudir a elite da cachorrada que tomava conta da Av. Agamenon Magalhães com um desfile sui gêneres dos fofinhos forrozeiros, numa avalanche de latidos eufóricos.
Parecendo gente
Três carros alegóricos chamavam a atenção do público em geral, especialmente da criançada tão ávida pelos cãezinhos todos enfeitados a caráter. Muito interessante!
Naturalmente, em meio a tanta algazarra, alguns deles estranhavam e latiam desesperadamente, mas isso também fazia parte do show.
Assistência
Havia uma tenda da Secretaria de Saúde do município, onde uma equipe formada por médicos veterinários e voluntários, realizava consultas grátis e dava toda assistência necessária como também orientava os criadores como ter um pet bonito e saudável.
Ponto máximo
Porém, a apoteose do evento aconteceu quando os participantes chegaram ao Parque de Eventos Luiz Lua Gonzaga e a coordenação da festa sorteou brindes doados pelos estabelecimentos comerciais com o público, todos queriam ser contemplados. Daquela ocasião, o diretor-presidente da Ebecal, José Rodrigues Filho, à época, distribuiu duzentos quilos de ração da marca Guabi. Uma sensação!
Fotografias
Inúmeras fotos registraram o tal acontecimento e os jornais publicaram as notícias da ocorrência, dando ênfase às belas fantasias ostentadas pelos caninos, tendo seus donos os mais orgulhos.
Como se sabe, tem crescido o interesse na criação de animais nas famílias que, na verdade, são muito cativantes e, muitas coisas que antes eram apenas para humanos, atualmente vão se adaptando na inclusão dos mascotes. É o caso do desfile junino que acabo de relatar.
Uma gracinha!
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel

É Findi – Né Não? - Por Poeta Pica-Pau*
19/06/2026
Veio a mim e perguntou
O que é que você acha
Me responda Por favor
Do homem que casado é
E troca sua mulher
Por outra que arranjou?
Eu respondi esse cabra
é um grande irresponsável
Não tem moral nem caráter
um imbecil imprestável
Merece vagar nas ruas
Sentindo frio e fome
Porque o homem que é homem
Não troca, fica cas duas
Né não?
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau
Um caboclo certo dia
Veio a mim e perguntou
O que é que você acha
Me responda Por favor
Do homem que casado é
E troca sua mulher
Por outra que arranjou?
Eu respondi esse cabra
é um grande irresponsável
Não tem moral nem caráter
um imbecil imprestável
Merece vagar nas ruas
Sentindo frio e fome
Porque o homem que é homem
Não troca, fica cas duas
Né não?
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau

É Findi - São João Sem João - Crônica-poema - Por Romero Falcão*
19/06/2026
Já não sei acender fogueira
O fogo fugiu minha gente
Até os fogos calaram na escuridão
O colorido mudo é mais bonito?
Sei lá
Só sei que ficou esquisito o meu São João
Ainda pode assar milho?
Fazer Pé de Moleque de rapadura?
Ou será que a espiga virou ativista
e o moleque mirando a judicatura?
O ponto da canjica
pode ser problemático
ofender o caroço do angu
eis o junino buruçu burocrático
A rainha do milho também protestou
por que não rainha da palha?
Tudo ralha o que mamãe deixou
O que prestou não é coisa que o valha
E balão bailando no céu
bola de incendiar
Ah, mundo cruel
mundo pinel
mundo de matar
Caro leitor, não repare a asa quebrada
Não sei se é da idade ou falta de inspiração
quem sabe um prego torto num...
Tudo apagou de repente
Já não sei acender fogueira
O fogo fugiu minha gente
Até os fogos calaram na escuridão
O colorido mudo é mais bonito?
Sei lá
Só sei que ficou esquisito o meu São João
Ainda pode assar milho?
Fazer Pé de Moleque de rapadura?
Ou será que a espiga virou ativista
e o moleque mirando a judicatura?
O ponto da canjica
pode ser problemático
ofender o caroço do angu
eis o junino buruçu burocrático
A rainha do milho também protestou
por que não rainha da palha?
Tudo ralha o que mamãe deixou
O que prestou não é coisa que o valha
E balão bailando no céu
bola de incendiar
Ah, mundo cruel
mundo pinel
mundo de matar
Caro leitor, não repare a asa quebrada
Não sei se é da idade ou falta de inspiração
quem sabe um prego torto num canto
esperando a prometida navalha
Sei que meu texto é chinfrim
não causa beleza nem espanto
Gonzaga só pra mim
nenhum trago pro santo
Vem o som forasteiro
invade a festa de Antônio, João e Pedro
Não há sanfona nem pandeiro
Batida que não bate com João
mas faz ouro da diversa distração
e faz coro com o alegre cidadão
Mas trago o meu Recife
Embora comece com re
É fogueira de sol
Um rio sustenido
querido amigo si bemol
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

É Findi - Em homenagem ao São João, Ina Melo* chega em Dose Dupla
19/06/2026
É natural aos bem vividos, que em determinadas épocas do ano, no silêncio aconchegante do seu refúgio, abrir o baú das saudades e reviver, através de fotos as lembranças da juventude. Ah! O meu primeiro São João! Não aquele da festa no quintal da casa em torno da fogueira, ouvindo a música melosa das sanfonas e soltando inocentes estrelinhas e traques de massa! Mas o do primeiro encontro social, num
Clube repleto de jovens de todas as idades. Como uma flor que se abre para abraçar a Primavera, vejo-me no auge dos meus dezoito anos, usando uma roupa matuta de bolinhas coloridas, tranças naturais envoltas em laços de fitas vermelhas e o rosto pintado com sinais. Diante do espelho, eu não era eu, e sim uma caricatura das alegres e sorridentes meninas da roça! O primeiro baile a gente nunca esquece, principalmente quando nos acompanha o tal do Príncipe Encantado, também vestido á caráter e não como nos contos de fadas....
Lembranças das noites de São João
É natural aos bem vividos, que em determinadas épocas do ano, no silêncio aconchegante do seu refúgio, abrir o baú das saudades e reviver, através de fotos as lembranças da juventude. Ah! O meu primeiro São João! Não aquele da festa no quintal da casa em torno da fogueira, ouvindo a música melosa das sanfonas e soltando inocentes estrelinhas e traques de massa! Mas o do primeiro encontro social, num
Clube repleto de jovens de todas as idades. Como uma flor que se abre para abraçar a Primavera, vejo-me no auge dos meus dezoito anos, usando uma roupa matuta de bolinhas coloridas, tranças naturais envoltas em laços de fitas vermelhas e o rosto pintado com sinais. Diante do espelho, eu não era eu, e sim uma caricatura das alegres e sorridentes meninas da roça! O primeiro baile a gente nunca esquece, principalmente quando nos acompanha o tal do Príncipe Encantado, também vestido á caráter e não como nos contos de fadas. Vejo-me num grande salão cheio de balões coloridos, bandeirinhas e alegres grupos de sanfoneiros a tocar e cantar. A noite de céu límpido e estrelado e no
imenso pateo, a fogueira queimando em brasas, numa magia nunca imaginada. Foi assim, rodopiando nos asas do sonho que ouvia a canção vinda de longe que dizia… “olha pro céu meu amor, vê como ele está lindo/olha pra aquele balão multicor que lá no céu vai subindo/foi numa noite igual a essa que tu me deste o teu coração o céu estava assim em festa, pois era noite de São João/Havia balões no ar Xote e baião no salão
e no terreiro, o teu olhar
Que incendiou meu coração… Quantos e quantos São Joãos festejamos nessa longa vida! Uma coisa que nunca entendi. Por que não tínhamos bailes de Santo Antônio, justamente aquele que nos prometia o amor? Agora, somos apenas um amontoado de lembranças felizes! Viva Santo Antônio, viva o São João! Viva São Pedro!

O atribulado São João dos felinos!
Na Mansão dos Gatos Felizes, os festejos juninos causaram o maior reboliço, com a turma dorminhoca a correr e se esconder por todos os cantos da casa, por conta do ribombar dos fogos lá fora em volta da fogueira. Que tumulto os bichanos causaram, a pular e correr, cada um procurando um buraco para fugir do barulho das bombas! A mãe humana deles todos, junto com as outras pessoas da casa, pegava um, que escorregava das suas mãos e até Lulu a Matriarca, sempre doce e tranquila, fugia correndo indo se entocar em qualquer esconderijo em que pudesse meter a cabeça. E assim foram os outros, até mesmo os dois senhores Simba e Freddie, na sua eterna maciez, se agitaram com o alvoroço felino da alegre e festiva noite de São João. O mais preocupante foi a chegada dos caçulas Lampião e Caju, jovens fujões que entraram como furacões, causando a maior zueira entre as meninas Manu, Sprite, Chiara e até a pobre cegueta Ninon, que ouvindo o pipocar dos fogos, juntou-se a deficiente Sukita e ficaram as duas sem saber o que se passava, mas solidárias com os colegas. Enquanto rolava a confusão com correrias e pula pula, a Tom Tom, agarrou-se com Lampião, seu xodó, dizendo que até lágrimas ele estava derramando de medo. Bem, quando deu meia-noite o tiroteio acabou e todos exaustos, dormiram, “como gatos na goteira”. (Para Tonha, a mais amorosa mãe da Gatolandia aldeiense.)
*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016

Veneziano destaca emoção ao ver avanço do VLT em Campina Grande - Uma das marcas de sua vida pública
19/06/2026
Quando ainda era prefeito
Durante entrevista, Veneziano lembrou que a implantação do VLT é uma pauta que acompanha sua trajetória desde 2011, quando esteve à frente da Prefeitura de Campina Grande, e afirmou que o projeto sempre foi considerado viável, apesar dos períodos de interrupção ao longo dos anos. “Eu ainda tô aqui naquele grau de ansiedade, porque vem desde 2011. Não é brincadeira, né? A gente sustentou essa obra, sempre se mostrou viável. Aí houve esse interregno que não pôde ser sequenciado. Houve essa retomada agora”, afirmou.
Avanços importantes
O senador demonstrou otimismo com o ritmo atual dos trabalhos e projetou avanços...
O senador Veneziano Vital do Rêgo voltou a comentar o avanço das obras do Veículo Leve sobre Trilhos , VLT, em Campina Grande e destacou o sentimento de expectativa ao ver o projeto, idealizado ainda em sua gestão como prefeito, finalmente sair do papel após mais de uma década.
Quando ainda era prefeito
Durante entrevista, Veneziano lembrou que a implantação do VLT é uma pauta que acompanha sua trajetória desde 2011, quando esteve à frente da Prefeitura de Campina Grande, e afirmou que o projeto sempre foi considerado viável, apesar dos períodos de interrupção ao longo dos anos. “Eu ainda tô aqui naquele grau de ansiedade, porque vem desde 2011. Não é brincadeira, né? A gente sustentou essa obra, sempre se mostrou viável. Aí houve esse interregno que não pôde ser sequenciado. Houve essa retomada agora”, afirmou.
Avanços importantes
O senador demonstrou otimismo com o ritmo atual dos trabalhos e projetou avanços importantes nos próximos meses. Segundo ele, a parte estrutural da obra pode ser concluída até o fim de novembro, enquanto outras etapas seguem em paralelo. “É muito provável que a parte estrutural seja entregue até o final do mês de novembro. Existem outras duas ações que correm paralelas: a construção das estações e a aquisição dos elementos rodantes, que são os trens”, explicou.
Antigo sonho realizado
Para Veneziano, a chegada do VLT representa a concretização de um antigo sonho para a mobilidade urbana de Campina Grande, somando-se a outras obras estruturantes em andamento na região. Ele também citou projetos como a duplicação da BR-230 e iniciativas em áreas sociais e de saúde, como o Hospital de Amor, destacando o conjunto de ações como parte de sua atuação política. “Vai ser um sonho, assim, indescritível. Junto à obra da BR-230 e sua duplicação, eu não quero esquecer das outras ações que nós desenvolvemos”, afirmou.
Marca da sua vida pública
O parlamentar ainda reforçou que o VLT simboliza uma das principais marcas de sua participação na vida pública, especialmente no que diz respeito a investimentos estruturantes para Campina Grande e o desenvolvimento regional.
ABRAVA alerta para que aumento de gripes e resfriados em crianças nas férias deixe de ser tratado como “rotina”
19/06/2026
Representantes da entidade, como o presidente, engenheiro Leonardo Cozak, alertam que ambientes educacionais fechados, mal ventilados ou com sistemas de climatização sem manutenção adequada podem favorecer a transmissão de vírus e agravar quadros respiratórios em alunos, professores e funcionários.
Ambientes sensíveis
Cozak ressaltou pesquisas nacionais e internacionais que apontam a escola como um dos ambientes mais sensíveis para a circulação de agentes respiratórios. As crianças passam horas em salas apertadas, em contato próximo e f...
O aumento de gripes, resfriados, crises de rinite, asma e outras infecções respiratórias entre crianças no inverno costuma ser tratado como parte inevitável da rotina escolar. Não deveria. O alerta é feito por especialistas diversos em saúde, engenharia e qualidade do ar interior, principalmente os integrantes da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA).
Representantes da entidade, como o presidente, engenheiro Leonardo Cozak, alertam que ambientes educacionais fechados, mal ventilados ou com sistemas de climatização sem manutenção adequada podem favorecer a transmissão de vírus e agravar quadros respiratórios em alunos, professores e funcionários.
Ambientes sensíveis
Cozak ressaltou pesquisas nacionais e internacionais que apontam a escola como um dos ambientes mais sensíveis para a circulação de agentes respiratórios. As crianças passam horas em salas apertadas, em contato próximo e frequente com diferentes grupos. No frio, portas e janelas tendem a ficar fechadas, reduzindo a renovação do ar.
O engenheiro destacou que exemplo disso é a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, a PeNSE, divulgada em sua 5ª edição este ano, pelo IBGE, em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação. O trabalho mostrou que uma parcela relevante dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos avalia a própria saúde como ruim ou muito ruim.
Os maiores percentuais aparecem no Rio Grande do Norte, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Acre e Alagoas.
Qualidade do ar interior
Embora o Brasil ainda não tenha dados detalhados por estado que relacionem diretamente adoecimento escolar e qualidade do ar interior, os estudos disponíveis reforçam a necessidade de tratar o tema como política de prevenção.
Outros exemplos levantados por Cozac são estudos da Unicamp, da USP, da Fiocruz e de periódicos internacionais, segundo os quais há uma ligação entre ambiente fechado, circulação viral, poluentes, baixa ventilação e aumento de doenças respiratórias.
Para o presidente da ABRAVA não basta avaliar se a sala tem ar-condicionado, ventilador ou janelas. “É preciso observar se há renovação do ar, filtragem adequada, manutenção periódica dos equipamentos e cumprimento de normas técnicas”, frisou ele.
Sem renovação adequada
O professor Antonio Luís de Campos Mariani, da Escola Politécnica da USP, afirma que muitos ambientes climatizados, especialmente os que utilizam aparelhos do tipo split, não contam com renovação adequada do ar interior. Segundo ele, a boa qualidade do ambiente interno depende da combinação entre filtragem eficiente e entrada controlada de ar externo.
A questão tem impacto direto sobre saúde e aprendizagem. Ambientes com baixa qualidade do ar podem contribuir para mal-estar, sintomas respiratórios, crises alérgicas e maior transmissão de doenças dentro das instituições de ensino.
Falsa normalidade
Médicos também chamam a atenção para a falsa sensação de normalidade em torno da criança que volta para as aulas ainda sintomática. O uso de medicamentos pode mascarar febre e outros sinais, mas não significa que o aluno tenha deixado de transmitir vírus ou que esteja totalmente recuperado.
A prevenção passa por medidas conhecidas, mas ainda pouco sistemáticas: manter crianças sintomáticas em casa, reforçar a vacinação, higienizar mãos e superfícies, evitar salas fechadas por longos períodos e garantir ventilação adequada. Quando houver ar-condicionado, a recomendação é que o equipamento tenha manutenção regular e seja associado à renovação do ar.
No Brasil, o tema também se conecta à sazonalidade. Dados recentes do boletim InfoGripe, da Fiocruz, apontaram crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em diferentes regiões ainda nos primeiros meses de 2026. Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis, tanto pelo sistema imunológico em desenvolvimento quanto pela exposição prolongada em escolas e creches.
