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04/02/2025
No 'Dia Mundial do Câncer', celebrado hoje, 04/02, pesquisadores do 'Inca' alertam para o grande fluxo de desinformações sobre a doença que circulam nas redes. Um artigo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia mostra os riscos de uma 'infodemia' do câncer, ou seja, a circulação rápida e ampla de informações falsas sobre a enfermidade. As redes sociais não facilitam a distinção entre informação, baseadas em evidências científicas, e desinformação. “Isso pode atrapalhar as tomadas de decisão do indivíduo sobre o seu próprio cuidado e acabar, ou atrasando tratamentos ou atrasando diagnósticos, e complicando os próprios casos”. O artigo destaca que a 'infodemia' do câncer abrange desde mitos sobre as causas da doença até a promoção de medidas preventivas e tratamentos não comprovados. Essas informações podem incentivar ações sem base em evidências. 'Infodemia é um conceito c...
No 'Dia Mundial do Câncer', celebrado hoje, 04/02, pesquisadores do 'Inca' alertam para o grande fluxo de desinformações sobre a doença que circulam nas redes. Um artigo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia mostra os riscos de uma 'infodemia' do câncer, ou seja, a circulação rápida e ampla de informações falsas sobre a enfermidade. As redes sociais não facilitam a distinção entre informação, baseadas em evidências científicas, e desinformação. “Isso pode atrapalhar as tomadas de decisão do indivíduo sobre o seu próprio cuidado e acabar, ou atrasando tratamentos ou atrasando diagnósticos, e complicando os próprios casos”. O artigo destaca que a 'infodemia' do câncer abrange desde mitos sobre as causas da doença até a promoção de medidas preventivas e tratamentos não comprovados. Essas informações podem incentivar ações sem base em evidências. 'Infodemia é um conceito criado por especialistas internacionalmente, validado pela OMS, que ganhou muita força durante a pandemia de 'Covid-19', e inclui mitos sobre causas e tratamentos sem comprovação. A cada minuto, 40 pessoas são diagnosticadas com a doença, é a informação da OMS ao lembrar hoje o 'Dia Mundial do Câncer'.

STJ decide que não há injúria racial contra brancos: nada de “racismo reverso”
A 6a Turma do STJ rejeitou, por unanimidade, ação de um homem branco contra um homem negro sob a alegação de ter sofrido “racismo reverso“. Os ministros analisaram se houve injúria racial quando um deles foi chamado de “escravista cabeça branca europeia” por meio de mensagens enviadas por aplicativo de comunicação. Os ministros entenderam que não cabe injúria racial contra pessoa branca, mas sim a análise de ação por injúria simples. Ou seja, o caso não pode ser considerado, se a vítima for branca, somente pela cor de sua pele. “O conceito de racismo reverso é rejeitado, pois o racismo é um fenômeno estrutural que historicamente afeta grupos minoritários, não se aplicando a grupos majoritários em posições de poder. A interpretação das normas deve considerar a realidade concreta e a proteção de grupos minoritários, conforme diretrizes do Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial do Conselho Nacional de Justiça”, diz decisão da 6a Turma.

Estudar música na infância: estudo aponta que melhora desempenho acadêmico
Uma pesquisa recente da Universidade de Amsterdam, na Holanda, publicada no periódico 'Frontiers in Neuroscience', revela que o estudo da música tem um impacto positivo no desenvolvimento cognitivo de crianças, contribuindo para o aprimoramento de habilidades essenciais ao desempenho acadêmico. De acordo com o estudo, as aulas de música melhoram o raciocínio linguístico, a memória a longo prazo, o planejamento e a capacidade de desinibição das crianças. O estudo também destaca que as aulas de artes visuais têm um papel importante no desenvolvimento da memória visual e espacial. A música se apresenta como um instrumento crucial para integrar crianças, principalmente no contexto escolar. Ela facilita a comunicação, promove o trabalho em equipe e ensina o respeito pela diversidade.

STF: Dino marcou "sabatina" para Hugo e Alcolumbre sobre emendas
No dia 27/02, o ministro Flávio Dino, STF, marcou audiência de contextualização e de conciliação para tratar das decisões envolvendo as emendas parlamentares. Foram convidados os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Também devem participar representantes da AGU, da PGR e do autor da ação. O objetivo da audiência é acompanhar a execução das medidas determinadas; compreender o planejamento de ações futuras, pelo Executivo e Legislativo, para o integral cumprimento das decisões do STF; e esclarecer questionamentos acerca das providências adotadas e seus efeitos. Dino antecipou algumas perguntas que serão feitas ao Poder Executivo e ao Legislativo sobre o cumprimento das decisões já proferidas. O ministro já havia adiantado que convocaria uma reunião para tratar do tema assim que fossem eleitos os novos presidentes. Por parte do STF há o entendimento de que os parlamentares precisam cumprir os requisitos impostos por Dino. Caso contrário o bloqueio vai permanecer. Na audiência, o ministro deve colocar Hugo e Alcolumbre a par das decisões e facilitar um canal mais direito entre o relator desses processos Motta e Alcolumbre.
Fala Hugo Motta: "não há crescimento do país com caos econômico”
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, disse que tem “muita preocupação” em embarcar no assunto da reforma de renda, proposta pelo governo Lula. “Vejo com muita preocupação entrarmos no assunto como esse sem antes saber a compensação. Nós temos que ter a responsabilidade fiscal e essa é uma prioridade que nós não abriremos mão”, afirmou. “É preciso que o governo seja muito específico sobre onde estará essa compensação, para que o efeito que nós tivemos no final do ano, quando o pacote de corte de gastos foi anunciado, junto com essa medida, e o pacote acabou sendo aprovado e não trouxe efeito positivo algum”, seguiu. Segundo Motta, é “obrigação” serem mais “eficientes” com o cenário internacional mais difícil no âmbito da economia. “O governo erra quando se distancia dessa agenda, o governo precisa ter isso como pilar, porque não há crescimento do país com caos econômico”, criticou.
Manchetes da noite:
- EUA: seguindo plano de Musk, mais de 20 mil funcionários federais assinam acordo de demissão
- Suécia: ataque a tiros deixa “cerca de 10 pessoas” mortas, diz polícia. Suspeito estaria morto, segundo autoridades
- EUA: Trump prepara decreto para eliminar Departamento de Educação. Planeja aprovar medida no Congresso
- Grécia: milhares de pessoas fogem de ilha atingida por mais de 500 terremotos. Afetando Santorini e ilhas próximas
- Novo México: cérebro humano registrou 50% mais nanoplásticos em 8 anos, diz estudo
- Lula posa com boné “O Brasil é dos Brasileiros”. Marca oposição do governo ao slogan que Trump usou: “make America great again”
- Lula reduz número de alimentos ultraprocessados nas merendas escolares. cairá de 20% para 15%
- Governo brasileiro se reúne com diplomata de Trump no Planalto. Foi abertura oficial de diálogo de Lula e Trump
- Hugo: Câmara estará de pé para reagir a qualquer interferência
- Medidas de cortes de gastos somarão R$ 30 bilhões em 2025, diz Haddad. E defendeu a harmonia entre as políticas monetária e fiscal
- BC diz que deve descumprir meta de inflação em junho
- 'Voa Brasil' vende só 0,95% das 3 milhões de passagens liberadas. Programa tem 28.500 bilhetes emitidos em 6 meses
- PB: Giorggio Abrantes, ex-alcoólatra, gari constrói máquina de reciclar garrafas pet e fatura mais de R$ 7 mil por mês
- MG: médico é preso suspeito de estuprar paciente com câncer durante consulta em hospital de Itabira
- PE: 'Anac' confirma fim de obra no eixo central da pista do aeroporto de Fernando de Noronha
- Recife, Sport x Fortaleza: "Preocupação muito grande com atos de retaliação", afirma secretário Alessandro Carvalho
- O português Cristiano Ronaldo se define como o melhor jogador da história: "Sou o mais completo que já existiu"
- Um neurocientista brasileiro da China! Honraria, medalha e jantar com autoridades: Miguel Nicolelis recebeu o 'Prêmio da Amizade' do governo da China, saiba mais
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis recebeu o 'Prêmio da Amizade' do governo da China, a maior honraria entregue a um especialista estrangeiro, pela implementação do projeto 'Andar de Novo' no Hospital XuanWu, um dos maiores centros especializados no cérebro no país. Nicolelis participou de uma cerimônia para receber a medalha, tendo comparecido também a um jantar com autoridades do país. O brasileiro ficou sentado entre o primeiro-ministro Li Qiang e o chanceler Wang Yi. Nicolelis destacou que os resultados conquistados na China foram “espetaculares” e devem ser publicados nos próximos meses. Ele contou que pacientes com paralisia total evoluíram para paralisia parcial, e alguns conseguiram andar sem exoesqueletos, apenas com pequenos apoios. “Isso mostra que, como a gente tinha previsto 2014, as interfaces cérebro-máquinas não invasivas, que não requerem implantes neurocirúrgicos, funcionam muito bem e permitem a reabilitação de um número muito grande de pacientes”, comemorou. O médico conversou com o premiê e o chanceler da China por cerca de uma hora. Revelou que eles consideram a área de interface “cérebro-máquina” estratégica para o país, tendo demonstrado profundo conhecimento sobre ela. “Foi uma conversa surpreendente. Eu nunca tive uma conversa tão profunda sobre neurociência com políticos, em lugar nenhum do mundo”, avaliou. Ainda sobre ter recebido a honraria, o neurocientista relatou que foi uma grande emoção e que nunca havia participado de uma cerimônia do tipo. Segundo explicou, esse é um grande evento no calendário pré-ano novo chinês. “Realmente demonstrou um apreço não só comigo, mas com todos os outros cientistas que foram premiados, que eu nunca tinha visto. Então foi uma emoção muito grande e, como brasileiro, me senti de certa maneira representando a ciência brasileira”, celebra. Miguel também revelou que presenciou o interesse do governo da China em estabelecer uma série de parcerias com o Brasil
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É Findi - É Assim Que Ela Nasce! Respondendo a Uma Leitora - Crônica - Por, Romero Falcão*
14/03/2026
— Como surge o tema? Já tem na cabeça o início e o fim?
— Me explique, por favor.
Companheiros de Mato
Depois do diálogo pelo zap, vou molhar as plantas. Aponto o jato d'água para a raiz. Planta não bebe água pela folha, planta mata a sede pelo pé. O pé de araçá é de enxerto, tão pequeno e carregado. Na minha infância, meus companheiros de mato. Hoje, quem vê araçá no supermercado?
A Pele é Finíssima
As bananeiras pedem água, quebram o sol e dão deliciosas bananas-maçã. A mangueira é velha, borracha ressecada, preciso desfazer a dobra. O fluxo volta ao normal. Não tenho mãos de jardineiro — a pele é finíssima, macia, faz inveja às mais bem cuidadas dondocas e aos mais caros hidratantes.
Adeus Banana
Agora é a vez da acerola, enfeitada de vermelho. A boca da mangueira na bas...
Uma leitora me pergunta como faço crônica:
— Como surge o tema? Já tem na cabeça o início e o fim?
— Me explique, por favor.

Companheiros de Mato
Depois do diálogo pelo zap, vou molhar as plantas. Aponto o jato d'água para a raiz. Planta não bebe água pela folha, planta mata a sede pelo pé. O pé de araçá é de enxerto, tão pequeno e carregado. Na minha infância, meus companheiros de mato. Hoje, quem vê araçá no supermercado?

A Pele é Finíssima
As bananeiras pedem água, quebram o sol e dão deliciosas bananas-maçã. A mangueira é velha, borracha ressecada, preciso desfazer a dobra. O fluxo volta ao normal. Não tenho mãos de jardineiro — a pele é finíssima, macia, faz inveja às mais bem cuidadas dondocas e aos mais caros hidratantes.
Adeus Banana
Agora é a vez da acerola, enfeitada de vermelho. A boca da mangueira na base do tronco, água à vontade, porque é água de poço. Se fosse esperar pela torneira, adeus banana, araçá, acerola, pitanga e as plantas. Umas simples, outras raras, exóticas.

Não há Comprovação Científica
O pé de capim-santo perfuma o quintal. O finado pé de jasmim era o número um na escala dos perfumes. Mas coitadinho, foi assassinado pelo olho gordo, pois ficava logo na entrada, junto ao portão. Um dia, amanheceu lindo e cheiroso, depois de receber umas visitas, definhou, secou terrivelmente em poucas horas.Não há comprovação científica de que o olho humano — o tal "cega-pimenta" — mata planta e adoece gente. O mal da moça é de olhado.
Merecia Estudo Aprofundado
Meu pai contava uma história de uma vizinha que pedia para que ninguém mostrasse planta. Ela tinha consciência do olhar venenoso. Bastava olhar, e a planta caía fedendo. Certa vez ceifou a vida de três orquídeas numa única tarde. Meu pai dizia que a vista daquela mulher merecia estudo aprofundado.

É Calmante e Ensina a Fazer Crônica
Mas o capim-santo resiste, bonito, viçoso — não porque leva santo no nome, e sim por morar no fundo da casa, escondido dos olhares de faca. O chá gelado é saboroso. É calmante e ensina a fazer crônica. É assim que ela nasce, é assim, estimada leitora. É assim.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Almas Gêmeas - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*
14/03/2026
No jardim excelso, exuberante
A vida, a guardiã transcendente
Sempre demonstra, veemente:
A mulher ao homem acresce
Tudo que ele é, ou há de ser
Faça-o, ou não, por merecer
Seu esteio, espelho, sem viés
Lhe aponta, planta, semeia, o conduz
A caminhos que, por si só, seria a cruz
Eis que, ela, mulher, é a parte que lhe foi tomada
Ele, o homem, inteiro, só com ela retornada
Se anela, fecha o ciclo, vida integrada
Assim segue firme, o casal enamorado
Em síntese, a história do homem relatada
As almas gêmeas, unas, enfim, irmanadas.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
Como a bela rosa que floresce
No jardim excelso, exuberante
A vida, a guardiã transcendente
Sempre demonstra, veemente:

A mulher ao homem acresce
Tudo que ele é, ou há de ser
Faça-o, ou não, por merecer
Seu esteio, espelho, sem viés

Lhe aponta, planta, semeia, o conduz
A caminhos que, por si só, seria a cruz
Eis que, ela, mulher, é a parte que lhe foi tomada
Ele, o homem, inteiro, só com ela retornada

Se anela, fecha o ciclo, vida integrada
Assim segue firme, o casal enamorado
Em síntese, a história do homem relatada
As almas gêmeas, unas, enfim, irmanadas.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.

É Findi – Oh Linda, Mulher! - por Carlos Marinho*
14/03/2026
Das ladeiras, das calçadas,
Da Igreja da Sé.
Olinda dos botecos,
Dos artistas, dos letristas,
Dos amantes da vida,
Tu és Olinda Mulher.
*Carlos Marinho, é Médico e Poeta.
Olinda do Bonfim,
Das ladeiras, das calçadas,
Da Igreja da Sé.

Olinda dos botecos,
Dos artistas, dos letristas,
Dos amantes da vida,
Tu és Olinda Mulher.
*Carlos Marinho, é Médico e Poeta.

É Findi - “Oxe, Boy, it's Nordeste!". Traduzindo Nordestinidades - Artigo, por Valéria Barbalho*
14/03/2026
Ôxe, Boy, it's Nordeste!
Ao remexer os recortes de jornais antigos guardados pelo meu pai, Nelson Barbalho, encontrei um artigo publicado em 1º de maio de 1968, na coluna “Ôxe, Boy, it's Nordeste!”, que ele assinou durante anos no jornal Vanguarda, de Caruaru. Apaixonado pela nossa cultura, naquela seção semanal ele falava sobre causos e coisas nordestinas. Na introdução do texto ele e...
Conversando sobre o filme “O Agente Secreto” com a minha amiga e professora de crochê, Cacau, ela me falou que leu um artigo sobre as dificuldades que os tradutores tiveram para legendar o filme em inglês, para que os gringos entendessem. A tradução de expressões como "raparigueiro”, "mambembe", "dor de corno" ou "pirraça” deu um trabalho arretado! Foi aí que lembrei de um artigo escrito pelo meu pai, no final dos anos 60, cheio desses regionalismos. Pensei em enviar o texto para ver se o pessoal é também capaz de traduzir essas nordestinidades todas. Desafio lançado!
Ôxe, Boy, it's Nordeste!
Ao remexer os recortes de jornais antigos guardados pelo meu pai, Nelson Barbalho, encontrei um artigo publicado em 1º de maio de 1968, na coluna “Ôxe, Boy, it's Nordeste!”, que ele assinou durante anos no jornal Vanguarda, de Caruaru. Apaixonado pela nossa cultura, naquela seção semanal ele falava sobre causos e coisas nordestinas. Na introdução do texto ele explica que na Capital do Agreste e em toda cidade do interior nordestino que se preza, existem palavras e expressões típicas “com muito ranço de nordestinidade e pouco, ou nada, entendida pelos pracianos do Sul, que conhecem e valorizam mais o idioma dos estranjas que o nosso”.
Ele exemplifica vários destes termos, dos quais selecionei os seguintes: “ Quando uma mulher dá a luz a uma criança, o marido afirma: a patroa descansou, a mulher se aliviou, lá em casa vai ter cachimbo / Se o sujeito morre, diz-se que ele zuzou, encostou o cardan na cerca, afulerou-se, lascou-se, tá com Jeso, bateu a caçuleta / Quem se casa, se enforca, se amarra, foi pro rol dos homens sérios, vai saber o preço da feira, atolou o carro, fez gosto à moça / Quem é posudo, tem um rei na barriga, é um besta chato; pensa que não morre ou engoliu um cabo de vassoura / Quem é glutão: é um esmeril, um garfo e tanto, um cavalo na mesa / Bêbado é cobra de farmácia, irmão de copo, pé de cana, touceira, seu cachacinha, destilaria ambulante / Polícia é meganha ou a justa / Soldado é louro, praça, milico, macaco / Cadeia é a 108, a gaiola do sol quadrado ou, em Caruaru, o palácio do pé do monte / Motorista burro é munheca de pau / Rua de brabo é cemitério / Coisa excelente é a gota de boa / Deus é o mais maior, o lá de riba ou o pai de nos todos / São Pedro é o homem da chuva ou o chaveiro do céu / Mulher que trai o marido: rapa a canela do trouxa, enfeita a testa do ota com biliro de vaca, costura pra fora ou acha coisa na feira / Filme de far-west é fita de cobói, documentário é natural e filme de amor é drama / Tórax é caixa dos peitos / Nuca é toitiço / Pulmão é bofe / Cabeça é quengo / Gogó é o pomo de adão / Joelho é a bolacha da perna / Doença é malina / Remédio é meizinha ou um preparado / Tuberculoso é doente do bofe, tubebe, tísico, fraco do peito / Mau hálito é bafo de onça / Dança vagabunda é rala bucho, fuá, forró / Conversa mole é breboto ou miolo de pote / Muito barulho é zuadeira ou furdunço / Repreensão é rela, carão, esbregue / Homem sem inteligência é jumento, broco, tapado / Mulher feia é canhão ou bofe / Mulher bonita é pitéu / Donzela é moça / Moça velha é caritó, barricão, vitalina / Moça jovem, é malassombro (assim, junto) / Moça precavida é sonsa, misteriosa / Quando um negócio rende, dá pra Biu e quando acaba, deu pro mundo”.
O artigo agradou tanto aos leitores que, a pedidos, seu Nelson, escreveu outras vezes sobre o mesmo tema, citando mais expressões. Foram tantos registros que, pacientemente, ele datilografou tudo com a sua Remington, organizando assim, o Dicionário de Nordestinidades, um volumoso livro ainda inédito. Pretendo publicá-lo para que todos, conhecendo esta nossa maneira inusitada de falar, também possam exclamar com orgulho: “Oxe, Boy, it's Nordeste!".
*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Do Sítio Para O Mundo, Crônica, por AJ Fontes*
14/03/2026
Foi assim que, durante uma conversa noturna via WhatsApp, com minha mulher, ouvi um miado fino vindo da varanda. Encontrei uma miniatura de tigre embaixo da janela.
Apenas abri a porta e ele já entrou, farejou os móveis da sala, utensílios da cozinha, roupas no quarto e banheiro. Sentado dentro do box do banheiro, olhou para mim. Entendi e atendi o pedido de um pires de leite que foi consumido com avidez. Saciado, sentou e se lambeu ao tempo que buscava algo em torno. Às pressas provi o lugar com uma tampa de caixa recheada da mistura de farinha e fubá de cuscuz. O instinto entendeu. Depois, dormiu.
Na manhã seguinte, fomos ao veterinário. Confirmado se tratar de um macho, batizei: Jung. Lembrei do antagonista peludo que vive no apartamento do Recife.
No ambiente de liberdade contida e...
Aqui no sítio, a gente ouve, com facilidade, o zumbido de uma abelha ou o bater das asas de um beija-flor a qualquer hora do dia ou da noite.
Foi assim que, durante uma conversa noturna via WhatsApp, com minha mulher, ouvi um miado fino vindo da varanda. Encontrei uma miniatura de tigre embaixo da janela.
Apenas abri a porta e ele já entrou, farejou os móveis da sala, utensílios da cozinha, roupas no quarto e banheiro. Sentado dentro do box do banheiro, olhou para mim. Entendi e atendi o pedido de um pires de leite que foi consumido com avidez. Saciado, sentou e se lambeu ao tempo que buscava algo em torno. Às pressas provi o lugar com uma tampa de caixa recheada da mistura de farinha e fubá de cuscuz. O instinto entendeu. Depois, dormiu.
Na manhã seguinte, fomos ao veterinário. Confirmado se tratar de um macho, batizei: Jung. Lembrei do antagonista peludo que vive no apartamento do Recife.
No ambiente de liberdade contida e vigiada do quintal se deu o encontro com os demais habitantes da casa. Algumas patadas para cá e latidos para lá, cheiros e lambidas ajudaram no reconhecimento. A aproximação se deu ao longo desses mais de dois anos de convivência.
Vemos que o mesmo não ocorre com os da mesma espécie.
Embora Freud e Félix tenham sido encontrados também no sítio, estão desde pequenos na cidade e, creio que por falta de habilidade dos tutores, as visitas ao sítio ganharam mais um componente negativo para a dupla. Pois é, o pequenino Jung não conseguiu, de imediato, a amizade dos irmãos de espécie.
Fico imaginando quais os motivos que levaram a essa situação. Seria por falta de contato físico ou por não comungarem dos mesmos hábitos diários? Tento me afastar dos sentimentos xenofóbicos ou de posse.
Mas ao observar as tentativas de aproximação, mesmo atrapalhadas, de Jung quando dá patadas ou dentadas em Félix que se afasta sob o olhar superior de Freud, ressoa na minha cabeça frases: o que estou fazendo nesse lugar? Quem esse pirralho pensa que é? Esse povo vem, não sei de onde e nem quer brincar. Quem eles pensam que são?
Essas observações inevitavelmente me fazem pensar no comportamento humano. Alguns subjugam multidões e as fazem seguir seu pensamento, mesmo que contrário a tudo o que compõe suas próprias vidas. Acontecimentos de nossa história mostram que essa maneira enviesada não se sustenta. Ao contrário, Constantino conseguiu unir um reino, fazendo com que todos se ouvissem.
Após muitas guerras, conseguimos organizar um lugar onde todos os povos que vivem no planeta possam ser ouvidos. Depois de décadas de atuação, a Organização das Nações Unidas se mantém apesar do uso de algumas no sentido de submeter outras aos seus interesses explícitos ou não. Um lugar onde um pode falar e ser ouvido por todos; onde as diferenças de como viver podem ser discutidas.
Nosso planeta está cheio de necessidades e excessos e temos um lugar onde podemos nos sentar, conversar e decidir a melhor maneira de equilibrá-los. Onde não houver alimento que outros saciem; onde não houver saúde que outros sanem. Nós podemos tudo, em todos os lugares e a todos os tempos. Basta conversar: falar e ouvir.
Após tantos embates, de tantos altos e baixos é de se pensar que já somos capazes de evitar os desatinos de alguns indivíduos, eternos adolescentes. Certo é que assim levaremos a humanidade ao patamar seguinte de nossa evolução.
Dois anos depois, na última visita dos felinos recifenses, Freud e Jung estavam curtindo um fim de tarde no jardim. Deitados lado a lado no gramado, sentiam a brisa nas carinhas sorridentes.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.

É Findi – Religioso Sem Religião, Crônica, por Xico Bizerra*
14/03/2026
Sua Fé é muito mais intensa: é íntima, é uma parceria com a natureza e com os valores do bem, é o perseguir a filosofia e os ensinamentos de Francisco, aquele de Assis, um Santo de e da Verdade que pregava a caridade como obrigação humana. É o fazer o bem sem olhar a quem e nunca desejar o mal ao semelhante.
A religião desse cara se sustenta em três pilares: a importância da família, a serenidade da música e a liturgia da palavra....
Conheço um cara de origem extremamente católica, criado dentro dos mais rigorosos preceitos da Igreja Católica Apostólica Romana, de família totalmente dedicada aos princípios religiosos. Criança, não perdia uma missa aos domingos. Foi coroinha e depois, para satisfazer a vontade da mãe que queria vê-lo Padre, ingressou no seminário. Nas duas atividades permaneceu por apenas 6 meses. Isso tudo juntado talvez seja o responsável por ele hoje detestar as igrejas, todas elas, não importa, evitando até botar os pés em suas calçadas.
Sua Fé é muito mais intensa: é íntima, é uma parceria com a natureza e com os valores do bem, é o perseguir a filosofia e os ensinamentos de Francisco, aquele de Assis, um Santo de e da Verdade que pregava a caridade como obrigação humana. É o fazer o bem sem olhar a quem e nunca desejar o mal ao semelhante.
A religião desse cara se sustenta em três pilares: a importância da família, a serenidade da música e a liturgia da palavra. E assim tem sido ao longo de sua vida. Nunca sentiu falta de altares e de estátuas, de homilias e de religiosos, de dogmas e outras enganações. Santos, estão lá por merecimento, não para atender ou intermediar pedidos de nós, terrenos errantes. Por isso, não lhes ‘enche o saco’. Sacerdotes, alguns ele até admira, como João Paulo II e um ou outro Lancelotti dos tempos atuais, bem diferentes dos Padres e Freis cantores.
E assim segue, religioso a seu modo, temente a um ser superior, um Deus em que acredita, e fazendo o que acha que deve ser feito, respeitando o próximo, em primeiro lugar. Esse é um cara do bem. Modéstia à parte, dá para desconfiar de quem estou falando?
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.

É Findi – Rua da Concórdia - por Carlos Bezerra Cavalcanti*
14/03/2026
Localizada no Bairro de São José, sua denominação primitiva era Rua do Fernandes, em homenagem ao ourives José Fernandes, que construiu o primeiro arruado, depois, o carpinteiro Manoel José ali edificou novas residências e sentiu-se com o direito de ter o seu nome na rua. Houve uma querela que se refletiu na Câmara Municipal, de onde veio a solução conciliatória: Rua da Concórdia.
Centro Da Alegria Nos Folguedos Populares
No Carnaval era a rua mais alegre do Recife, por onde passavam os principais blocos, com belas fantasias e suas excelentes orquestras (Bloco das Flores, Vassourinhas, Pás Douradas e, o mais festejado: Batutas de São José). Nas festas juninas, todas as casas tinham fogueiras em sua frente e, em muitas delas, se dançavam “quadrilhas”. Nas noites de Lua, costumeiramente, tínhamos serenatas... flertes... namoros... o prestígio da Rua da Concórdia começou a cair quando deixou de ser...
O Nome Surgiu de Uma Discórdia
Localizada no Bairro de São José, sua denominação primitiva era Rua do Fernandes, em homenagem ao ourives José Fernandes, que construiu o primeiro arruado, depois, o carpinteiro Manoel José ali edificou novas residências e sentiu-se com o direito de ter o seu nome na rua. Houve uma querela que se refletiu na Câmara Municipal, de onde veio a solução conciliatória: Rua da Concórdia.
Centro Da Alegria Nos Folguedos Populares
No Carnaval era a rua mais alegre do Recife, por onde passavam os principais blocos, com belas fantasias e suas excelentes orquestras (Bloco das Flores, Vassourinhas, Pás Douradas e, o mais festejado: Batutas de São José). Nas festas juninas, todas as casas tinham fogueiras em sua frente e, em muitas delas, se dançavam “quadrilhas”. Nas noites de Lua, costumeiramente, tínhamos serenatas... flertes... namoros... o prestígio da Rua da Concórdia começou a cair quando deixou de ser residencial. O comércio descaracterizou-a, expulsando seus velhos moradores. O “tiro de misericórdia" veio com a reforma urbana do bairro.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras

É Findi – Faça Melhor Que O Meu - Por Poeta Pica-Pau*
14/03/2026
No mundo da poesia
Faz tudo e até cria
O orvalho da manhã
É veneno do Butantã
É poeta que venceu
Até para zebedeu
Maior campeão da praça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu
Você conhece a métrica
Só falta desenvolver
Abbaaccddc
Para a rima poética
É só seguir a estética
Ajustando o que perdeu
Pra o mote que já nasceu
ser espalhado na praça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu
Eu sei brincar com a rima
Jogando na linha certa
Para não deixar deserta
Vou embaixo vou encima
Mudo o tempo mudo o clima
Boto sol onde choveu
Dou vida a quem perdeu
A fé a crença e a graça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.
Você diz ser bam, bam, bam
No mundo da poesia
Faz tudo e até cria
O orvalho da manhã
É veneno do Butantã
É poeta que venceu
Até para zebedeu
Maior campeão da praça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu
Você conhece a métrica
Só falta desenvolver
Abbaaccddc
Para a rima poética
É só seguir a estética
Ajustando o que perdeu
Pra o mote que já nasceu
ser espalhado na praça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu
Eu sei brincar com a rima
Jogando na linha certa
Para não deixar deserta
Vou embaixo vou encima
Mudo o tempo mudo o clima
Boto sol onde choveu
Dou vida a quem perdeu
A fé a crença e a graça
Só quero que você faça
Verso melhor que o meu
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.

É Findi - Malude Maciel* Mais Uma Vez Dando Salto Triplo
14/03/2026
Mulher, mãe, esposa, irmã, companheira,
Sua imagem nos leva pela vida inteira
Desde o nascimento,
Até a hora derradeira.
Ser forte e seguro o homem quer,
Mas, diz o ditado popular:
"Ao lado de um grande homem,
há sempre uma grande mulher".
Uma mulher, fiel e amiga,
É uma flor singela,
Feliz quem encontra
Essa deusa bela.
As marisqueiras - Crônica
Para nós que gostamos de escrever, é sempre um prazer registrar as ocorrências cotidianas, mesmo que estejamos em férias. Há uma saudável mania de anotações pra nossas crônicas com vontade de compartilhar o que nossos olhos vêem e os sentimentos acham interessante. Se uma só pessoa aproveitar as transmissões, já valeu bastante a pena.
D. Pedro II
Outro dia, terminei a leitura do diário imperi...
Mulher Múltiplas Facetas - Poema
Mulher, mãe, esposa, irmã, companheira,
Sua imagem nos leva pela vida inteira
Desde o nascimento,
Até a hora derradeira.
Ser forte e seguro o homem quer,
Mas, diz o ditado popular:
"Ao lado de um grande homem,
há sempre uma grande mulher".
Uma mulher, fiel e amiga,
É uma flor singela,
Feliz quem encontra
Essa deusa bela.

As marisqueiras - Crônica
Para nós que gostamos de escrever, é sempre um prazer registrar as ocorrências cotidianas, mesmo que estejamos em férias. Há uma saudável mania de anotações pra nossas crônicas com vontade de compartilhar o que nossos olhos vêem e os sentimentos acham interessante. Se uma só pessoa aproveitar as transmissões, já valeu bastante a pena.
D. Pedro II
Outro dia, terminei a leitura do diário imperial do nosso imperador Dom Pedro II que possuía o dom da escrita em alto estilo e por isso deixou-nos sua marca, e maneira de viver. É uma preciosidade observar as coisas pelo olhar de outrem.
Sem fazer comparações, conhecemos muitas pessoas que têm o hábito de guardar memórias e até mesmo contar oralmente suas histórias que são apreciadas, constituindo uma mão dupla em satisfação.
Férias
Estivemos gozando as maravilhas das lindas praias no nosso litoral, usufruindo das benesses de um mar de águas claras e tranquilas que podem servir até de remédio para nosso organismo, física e mentalmente. E, o Nordeste é repleto de excelentes praias com o sol todo dia, sendo local preferido por turistas de mundo todo (vimos gente da Argentina, Alemanha, do Sul do Brasil, Minas, etc. Mas, ninguém da nossa cor, a não ser funcionários. Um ponto pra refletir, num país tão miscigenado como este).
Maragogi
Tem as mais belas praias mundiais, como: Peroba; Ponta de Mangue; Xaréu; Barra Grande; Antunes; Burgalhau; Camacho; Maragogi; Dourado e São Bento. Todas com solo calcário que purifica as águas mornas e límpidas, constando uma extensa barreira de corais, onde a visitação é permitida apenas em alguns pontos e em número limitado de pessoas, por dia. Sendo preciso observar os horários e a movimentação da maré para fazer os passeios de barco ou catamarã, com segurança, às piscinas naturais.
Pontos turísticos
Alguns pontos turísticos mais apreciados pelos visitantes: piscinas naturais; caminho de Moisés; santuário do peixe-boi; mosteiro de São Bento (ruínas); várzea do Una e Praia grande, já em São José da Coroa Grande, PE. como também o Zoológico Ecopark, em Barra Grande.
Nesse local está a maior unidade de conservação costeira do país, desde Tamandaré, no litoral Sul pernambucano até Maceió, capital do Estado de Alagoas, sendo área de preservação ambiental, respeitando a cultura local e estimulando o turismo consciente e sustentável.
Sem dúvidas, é um pedaço do paraíso terrestre, com pé na areia, sol na pele e cheiro bom de água salgada.
As marisqueiras
Sabemos que devido às fases da lua, o mar fica variável, com maré alta ou baixa. Nessas ocasiões surgem as "marisqueiras" que são mulheres pescadoras ou seja, catam mariscos na areia fofa, com as próprias mãos. Esses mariscos são conhecidos como: sururu, caramujos, búzios ou caracóis e são utilizados na culinária praieira, com muito sucesso, pois são muito saborosos ao molho de cocos que também são encontrados fartamente na região.
É isso aí. Como diz a canção na voz da divina Clara Nunes: " É água do mar... é maré cheia...na areia, a areia... é água do mar".

Ilhas Virgens do Caribe - Poema
Mares lindos,
Águas mornas, espumantes,
Movimentos rituais,
Leva e traz,
Energia.
Oceano verde ou,
Azul turqueza,
Alegria.
Cores caribenhas,
Sons e cheiro das ondas,
Poesia.
Pela mão do vento,
Surge paraíso terrestre,
Tropical.
Pura natureza,
Labirinto de corais,
Marinhos animais,
Espírito latino.
Brisa, sol, areia,
Fina e branca,
Exemplar.
Imensa beleza de
Céu e mar.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Pernambuco no Mapa de Napoleão - A França e o açúcar, por Zé da Flauta
13/03/2026
Mapas
Dizem que oficiais franceses estudaram as rotas do litoral brasileiro com atenção quase científica. Correntes marítimas, ventos, fortificações portuguesas e movimento dos navios eram analisados como quem prepara uma jogada de xadrez. Pernambuco surgia nos papéis como um porto ideal para apoiar operações no Atlântico Sul. Não era exatamente um plano imediato de invasão, mas era uma ideia que circulava nas conv...
No começo do século XIX, enquanto a Europa ardia nas guerras do imperador Napoleão Bonaparte, Pernambuco parecia longe demais para entrar naquele tabuleiro. Mas os estrategistas franceses tinham olhos grandes para o mundo, e os mapas do Atlântico estavam sempre abertos sobre as mesas de guerra. Açúcar, portos profundos, posição estratégica no oceano, tudo isso fazia de Pernambuco uma joia distante no mapa das ambições europeias. O Recife ainda era uma cidade colonial, mas para quem olhava de Paris ele aparecia como uma chave do Atlântico.
Mapas
Dizem que oficiais franceses estudaram as rotas do litoral brasileiro com atenção quase científica. Correntes marítimas, ventos, fortificações portuguesas e movimento dos navios eram analisados como quem prepara uma jogada de xadrez. Pernambuco surgia nos papéis como um porto ideal para apoiar operações no Atlântico Sul. Não era exatamente um plano imediato de invasão, mas era uma ideia que circulava nas conversas militares, aquela espécie de possibilidade que fica guardada na gaveta do futuro.
Destino
O curioso é imaginar como a história poderia ter tomado outro rumo. Se os ventos da política europeia tivessem soprado diferente, talvez navios franceses tivessem aparecido no horizonte do Recife trazendo soldados, bandeiras e novos decretos imperiais. A cidade que já tinha sido portuguesa e holandesa poderia, por alguns anos, ter ouvido o idioma francês ecoando nas ruas do porto.
Imaginação
Mas, nada disso aconteceu, o plano ficou apenas nos mapas e nos pensamentos estratégicos de um imperador que queria redesenhar o mundo. Mas essa pequena sombra de possibilidade nos lembra uma coisa curiosa sobre a história, ela é feita tanto do que aconteceu quanto do que quase aconteceu. E às vezes o destino de uma cidade inteira depende apenas de uma decisão tomada numa mesa distante, diante de um mapa aberto sobre o mar.
Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista
