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Alemanha 1935: O incêndio da Reichstag, o ponta pé inicial da Ditadura nazista - Por Jarbas Beltrão*

10/03/2025 -

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A ditadura do III Reich, ganhou asas com o incêndio do Reichstag = Parlamento Alemão.

Hitler Chanceler

Em 30 de janeiro de 1933, ocorreu a nomeação de Adolf Hitler como Chanceler da Alemanha, o nomeado era lÍder do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). A frágil República de Weimar, surgida após da 1a. GM, era governada pelo Marechal de Campo Paul von Hindemburg. O velho militar carregava o peso da idade, já com 84 anos, velho combatente de guerras, admirado pelo povo alemão, verdadeiro mito da História germânica, descendente da nobreza nacional já em declínio, o seu nome trazia a marca de sua origem de sangue azul, "Von".

O velho militar recebeu inúmeras pressões para admitir e chegar à nomeação de Hitler, resistiu o quanto pôde, mas os nazistas, segunda força política no país, tendia a quebrar a resistência do velho estrategista de tantas vitórias militares. Além de tudo, havia um chanceler frouxo e fofoqueiro, político corrupto, fracassado, era Von Papen, contudo, conseguiu dobrar o velho militar.

Von Papen prepararia o poder da Chancelaria para o lÍder do Partido da Suástica, o "vagabundo de Viena", "o cabo mensageiro na 1a.GM"; o chanceler fofoqueiro fez a República acreditar que, no "vagabundo de Viena" estaria a solução para superação da crise nacional, cuja a República de Weimar, não conseguira, até então fazê-la

Crises políticas

O velho Marechal resistira as pressões vindas de todos os lados - exceto conservadores e do Exército - a Alemanha tinha tido no período vários Chanceleres (espécie de 1° Ministro) que não conseguiram trazer a superação das dificuldades econômicas e políticas do país. Eleições se sucediam em vários territórios germânicos e, sempre revelavam uma inabalável confiança popular em relação ao velho Marechal Von Hidemburg, além dos conservadores, que tinham algum apreço pelas oligarquias; naquela altura a nobreza já fora do poder ainda alimentava o retorno dos monarquistas ao Trono, caso da última das dinastias a Holhenzolern, que conseguirá ter influência em algum território do Antigo Império Germânico, mas nunca representaram esperanças nacionais para a combalida Alemanha pós-Versalhes, e trazê-la de volta ao cenário de prestígio europeu, anterior a 1a.GM.

O vagabundo de Viena

Aquele "vagabundo de Viena", de poucos amigos e antes frequentador de bibliotecas, das soparias para pobres, onde dividia colheradas das sopas de ervilhas com moradores de ruas e um "lumpem" social. As sopas de ervilhas, que Adolf, mesmo como comandante supremo do país, nunca deixou de apreciar aquele gosto, que gerava a formação de gases intestinais que durante toda a vida fazia-o liberar pelos "ares ambientais", embora não se fale do resultado daquela liberação de "bufas" no ambiente, quando o ex-vagabundo se fazia presente.





Nazistas e eleições

O "vagabundo vienense" tem sua responsabilidade na trajetória eleitoral de sucesso dos nazistas, que a partir dos anos 1930, experimentou uma escalada como um verdadeiro míssil, entretanto, num dado instante parou em torno dos limites de 40% ; em 1928 havia recebido 3% dos votos das eleições para o parlamento nacional, em 1930 já teria saltado para 18% e, em 1932, alcançaria 37%. A subida eleitoral abrirá o caminho para seguir em frente.

A morte de Hidenburg

Em agosto de 1934, veio a morte de Hindemburg, aos 87 anos, Hitler, já era o chanceler nazista; a morte do herói germânico permitiu o começo da trilha do caminho em direção à ditadura nazista, o "ex-cabo mensageiro" condecorado pela sua bravura no Conflito Mundial de 1914/1918 com a Cruz de Ferro, se autoproclamou Führer (“líder absoluto”), isso por aprovação em alguns núcleos eleitorais alemães; como Führer reunia a posição de Chanceler e Presidente da frágil República Alemã; mais adiante em 1935, o Reichstag (Parlamento) lhe deu, a partir das "Leis de Aurorização", plenos e absolutos poderes políticos.





O incêndio do Reichstag

Essa escalada de poder realizada em menos de dois anos, teve o "apoio de um incidente", muito bem explorado pelos nazistas: o "incêndio do Reichstag", - Parlamento Alemão - iniciado por volta das 21h do dia 27 de fevereiro de 1933, uma segunda-feira.

Fala-se que antecedeu ao incêndio que foi criminoso, alguns homens derramavam líquido incendiário, e depois um homem de fora do grupo teria ateado o fogo, o Reichstag foi então dominado pelo fogaréu, e aquele histórico edifício em pouco tempo seria consumido pelo fogo.

Goering e Goebbels

Distante dali, mas que dava, perfeitamente, para assistir ao ato, estavam dois grandes nomes do Ministério Hitlerista, eram eles Herman Goering, então ainda ministro sem pasta, mas de grande influência, e Joseph Goebbels, ministro do Interior e Propaganda, admirador do projeto do ditador.

Dos dois ministros, um muito magro se deslocou até o local com facilidade, era Goebbels, o outro muito gordo Goering, se mobilizava com lentidão no deslocamento até o edifício incendiado. O segundo chanceler, o 'gordo", chegando ao local, diagnosticou as raízes do acontecimento, sem pestanejar largou a acusação: "é coisa de comunista". Estava selada a sorte da frágil democracia de Weimar, dos políticos de oposição, comunistas e social-democratas.

Ao mesmo tempo, ampliava-se o caminho para a Ditadura do III Reich.

Os comunistas

Os comunistas formavam uma facção política que tinha, em alguns aspectos, agenda com pontos semelhantes aos nazistas, mas seu internacionalismo será um atrapalho para o nacional-socialismo. O socialismo nazista tinha como fundamento, o socialismo nacional. A luta de classes defendida pelos comunistas dividia a nação alemã, a experiência do governo bolchevista na Baviera (1919) que resultou em perseguições e mortes faziam parte de um elenco de fatos que os nazistas rejeitavam, os nacional-socialistas de Hitler buscavam a harmonia, então era de conveniência política separação entre, nazismo e comunismo.

O argumento para a ditadura

Com o incêndio do Parlamento e, sem perda de tempo, o regime entrou numa "investigação" apressada sobre o crime, porém diculgada como minuciosa e sem provas pelas autoridades nazistas, e logo veio a "descoberta" criminosa, com grande velocidade revelou-se o criminoso, tendo recaído num comunista holandês com vasta folha corrida de mania de incendiário, era ele Marins van Der Lubbe.

O ocorrido no Parlamento, era o que a tirania nazista precisava, foi sucedido por um aprofundamento da repressão aos opositores e atingiram até os dissidentes dentro do cercado nazista, conforme se comprovaria, mais adiante, com a "noite das longas facas", que eliminou as lideranças dos Bandos das SA, os camisas marrons, que se constituíam numa força paramilitar de mais de dois milhões de militantes. O chefe das SA, Ernest Röhm, a "bichona," foi assassinado (a).





Conclusão

A partir de então Hitler deu prosseguimento à sua loucura, recebendo autorização, para anos depois incorporar e invadir territórios na Europa, era a 2a. GM; autorizado a comandar o Exército Formal que já tava enchertado de ex-membros das SS e SA, o caminho de Hitler compreendeu a ocupação dos Sudetos da Renánia, Tcheco-eslováquia, Áustria, países nórdicos, e finalmente a Polônia que praticamente teve autorização com o Pacto de Paz e Amizade de Munich com a União Soviética (Pacto Ribentrop - Molotov), que oficializou o início da 2a.GM dividindo a Polônia entre as duas ditaduras, a Nazista e a Soviética.
As forças militares nazistas, praticamente no último ano da guerra enfrentava três frentes: Normandia, Oeste da Polônia e Rússia, está última desde a "operação Barbarrossa" (invasão do território soviético) que desfez o antigo Tratado de Munich em 1939.
O incêndio do Reichstag, foi o acontecimento que a tirania nazista necessitava para arquitetura do Estado totalitário e posterior alavancagem para alavancar o caminho dos Planos do III Reich.


Tenho dito.
De meu Buncker em Gravatá


*Jarbas Beltrão, Ms., é historiador, professor de História da UPE


**Os artigos assinados expressam a opinia?o dos seus autores e na?o refletem necessariamente a linha editorial de O Poder.
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