Economia - Lançado por governo federal, crédito consignado CLT vai beneficiar mais de 47 milhões de trabalhadores
13/03/2025
Sistema
Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento no Palácio do Planalto, a Medida Provisória (MP) que cria o sistema de crédito foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Em até quatro meses, o texto precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para se transformar em lei federal e seguir valendo.
Os beneficiados
Ao todo, mais de 47 milhões de trabalhadores poderão ser beneficiados com o novo programa, que abrange empregados CLT em geral, incluindo empregados domésticos, trabalhadores rurais e contratados por microempreendedores individuais (MEIs), desde que formalizados.
Entra em vigor
Na prát...
Sistema
Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento no Palácio do Planalto, a Medida Provisória (MP) que cria o sistema de crédito foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Em até quatro meses, o texto precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para se transformar em lei federal e seguir valendo.
Os beneficiados
Ao todo, mais de 47 milhões de trabalhadores poderão ser beneficiados com o novo programa, que abrange empregados CLT em geral, incluindo empregados domésticos, trabalhadores rurais e contratados por microempreendedores individuais (MEIs), desde que formalizados.
Entra em vigor
Na prática, o novo consignado entra em vigor no próximo dia 21 de março, por meio da página da Carteira de Trabalho Digital na internet e em aplicativos de celulares. A seguir, confira os principais pontos do sistema de crédito, que deve reduzir pela metade os juros cobrados no crédito pessoal.
Como acessar o crédito
Na primeira fase do programa, que entrará em vigor no dia 21 de março, o empregado que tiver interesse em obter um empréstimo consignado deverá acessar a Carteira de Trabalho Digital. Nesta plataforma, ele vai solicitar ofertas de crédito, autorizando o compartilhamento dos dados do eSocial diretamente com instituições financeiras habilitadas pelo governo federal.
Os dados
Entre os dados que ficarão acessíveis aos bancos estão nome, CPF, margem do salário disponível para consignação e tempo de empresa, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A partir daí, o interessado receberá ofertas em até 24 horas, analisará a melhor opção e fará a contratação no canal do banco.
Portabilidade do crédito
A portabilidade de crédito entre os bancos, para os clientes que desejem migrar para empréstimos mais baratos, poderá ser realizada a partir de 6 de junho. Em até 120 dias, quem já tem um consignado ativo poderá fazer a migração para a nova linha de crédito na mesma instituição financeira.
Redução de juros
A previsão é que as taxas de juros de crédito aos trabalhadores caiam de cerca de 103% ao ano para 40% ao ano, menos da metade do que é cobrado hoje em dia, em média. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a estimativa é que, em até quatro anos, cerca de 19 milhões de celetistas optem pela consignação dos salários, o que pode representar mais de R$ 120 bilhões em empréstimos contratados.
Setor privado
Atualmente, o consignado do setor privado conta com cerca de 4,4 milhões de operações contratadas, somando mais de R$ 40,4 bilhões em recursos. É bem inferior aos mais de R$ 600 bilhões disponíveis a servidores públicos e aposentados e pensionistas do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS).

Leia outras informações
TCU vê irregularidade em 82% das Emendas Pix que foram auditadas
30/07/2026
TCU
O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 26.361.537,50. Pagamentos de despesas sem documentação jurídica ou fiscal adequada; gastos sem finalidade da t...
Auditoria do Tribunal de Contas da União, TCU, que analisou uma amostra de 100 transferências por emendas Pix, entre 2020 e 2024, identificou irregularidades em 82% dos repasses fiscalizados e 82,4% dos beneficiários. As emendas foram destinadas a 73 municípios e dois estados, Pará e São Paulo. O volume de recursos auditados soma R$ 198,11 milhões. Segundo os técnicos, o prejuízo total aos cofres públicos é estimado em R$ 49.074.851,75, o que representa 25% do total de recursos fiscalizados. Entre as principais irregularidades apontadas pelo TCU estão: as Falhas na transparência e na rastreabilidade dos recursos. Segundo o TCU, as irregularidades levaram à instauração de processos de tomada de contas especial para apurar responsabilidades e buscar o ressarcimento dos danos.

TCU
O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 26.361.537,50. Pagamentos de despesas sem documentação jurídica ou fiscal adequada; gastos sem finalidade da transferência especial; e pagamentos sem comprovação da quantidade ou da execução do objeto contratado; Nesses casos, o dano ao erário foi estimado em R$ 14.956.667,94. Fraudes em licitações e contratação de empresas declaradas inaptas; Nesses casos, o TCU informou que não foi possível estimar o valor do prejuízo. Inexecução total ou parcial das obras ou serviços e superfaturamento de preços, com prejuízo apurado de R$ 14.107.068,26. Seguem mais falhas: a auditoria também identificou fragilidades no módulo de transferências especiais do sistema Transferegov.br. Entre elas estão a aceitação de informações genéricas nos planos de trabalho, como a falta de detalhamento do objeto; a possibilidade de alterações irrestritas de objetos, valores e metas; inconsistências na apresentação dos saldos bancários, que podem induzir usuários ao erro. O TCU determinou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, MGI, atualize, em até 120 dias, os seus sistemas para impedir que os entes beneficiários alterem os dados dos planos de trabalho referentes às transferências realizadas entre 2020 e 2024 após o registro dessas informações.

Dino
A auditoria e o plano foram elaborados por determinação do ministro Flávio Dino, do STF. Dino é relator de ações na Corte que investigam suspeitas de irregularidades no repasse de emendas. O conteúdo será encaminhado para análise do magistrado. Ontem, 29/07, o ministro determinou que a Presidência da República e as cúpulas da Câmara e do Senado apresentem, em até 10 dias, uma proposta de "matriz de responsabilidades" para o controle das emendas parlamentares. ?A decisão foi tomada no âmbito da ação que questiona se é constitucional o atual regime das emendas impositivas (aquelas que parlamentares decidem para onde vai e o governo federal é obrigado a pagar).
Eleições 2026 - Lula e Flávio devem se enfrentar somente em dois debates na TV
30/07/2026
Lula
Por motivos de agenda, desgaste e estratégia eleitoral, a campanha de Lula avalia que o presidente não deve participar do debate da Band, marcado para o próximo dia 18/08. O petista também deve ficar de fora do debate promovido pelo SBT, previsto para 14/09. A estratégia da campanha de Lula é priorizar participações em podcasts. Hoje, quinta-feira, 30/07, por exemplo, o presidente participará do 'Inteligência Ltda', apresentado por Rogério Vilela. A avaliação da equipe é que esse formato permite a Lula tratar de temas que vão além da política, em conversas mais leves e descont...
Lula, PT, e Flávio Bolsonaro, PL, os dois principais nomes na disputa pela Presidência da República, devem se enfrentar em apenas dois debates de televisão durante a campanha eleitoral. A tendência é que os dois candidatos se enfrentem apenas nos debates promovidos pela Record, em 27/08, e pela Globo, em 01/10, dos quais Lula, a princípio, deve participar.

Lula
Por motivos de agenda, desgaste e estratégia eleitoral, a campanha de Lula avalia que o presidente não deve participar do debate da Band, marcado para o próximo dia 18/08. O petista também deve ficar de fora do debate promovido pelo SBT, previsto para 14/09. A estratégia da campanha de Lula é priorizar participações em podcasts. Hoje, quinta-feira, 30/07, por exemplo, o presidente participará do 'Inteligência Ltda', apresentado por Rogério Vilela. A avaliação da equipe é que esse formato permite a Lula tratar de temas que vão além da política, em conversas mais leves e descontraídas, aproximando o candidato do cotidiano da população.

Flávio
Do lado de Flávio Bolsonaro, integrantes da campanha afirmam que o senador só deverá participar dos debates caso Lula também esteja presente. A avaliação é de que não faz sentido expor o candidato em confrontos com adversários de menor competitividade eleitoral sem a presença do principal rival.
'Tarifaço' - Governo diz na OMC que EUA desrespeitam regras do comércio internacional
30/07/2026
O governo do presidente Lula disse na OMC, Organização Mundial do Comércio, que o novo tarifaço imposto por Donald Trump contra o Brasil desrespeita normas da entidade e anula princípios que devem ser aplicados a todos os países, segundo as regras internacionais do comércio. Dia 27/07, o Brasil voltou a acionar a OMC contra os Estados Unidos, desta vez por causa de sobretaxas de até 37,5% impostas com base em investigações comerciais conduzidas pelo USTR, Escritório do Representante de Comércio dos EUA. No ano passado, o país já havia apresentado as chamadas consultas na entidade contra um primeiro tarifaço de Trump — de até 50% —, que acabou sendo declarado ilegal pela Suprema Corte americana. Apesar da alta probabilidade de não produzir efeito prático, já que a consulta solicitada pelo Brasil precisa ser aceita pelos americanos e a última instância da OMC está paralisada, o movimento é visto no Palácio do Planalto como um gesto simbólico importante para marcar a posição do Brasil em defesa do sistema multilateral de solução de disputas comerciais.
Argumentação da reclamação
Por meio das consultas na OMC, quem apresenta uma reclamação solicita ao outro país informações sobre as práticas comerciais questionadas e requer a modificação das medidas. Os EUA, porém, precisam aceitar o pedido para o início das conversas. Na argumentação, tornada pública hoje, quinta-feira, 30/07, o governo Lula lista diferentes aspectos das novas sobretaxas que são incompatíveis com compromissos previstos no tratado constitutivo da OMC. Entre eles está o princípio da nação mais favorecida, pelo qual eventuais vantagens comerciais que um país confere a um sócio devem ser estendidas aos demais parceiros. O governo também afirma que, com o tarifaço, os EUA passam a aplicar aos produtos brasileiros medidas aduaneiras que ultrapassam as alíquotas que os americanos estão autorizados a praticar conforme as regras da organização. Em outro trecho, o Brasil diz que, ao aplicar sobretaxas de maneira unilateral, os EUA ignoram os mecanismos de solução de controvérsias da OMC, que estabelecem que eventuais desavenças devem ser resolvidas no âmbito da organização. "O Brasil considera que as medidas em questão, conforme descritas na Seção II deste pedido, anulam ou prejudicam, na acepção do artigo XXIII:1 do GATT 1994, os benefícios de que o Brasil usufrui ao amparo desse Acordo [da OMC]", conclui a manifestação brasileira.

OMC
Ainda pelas regras da OMC, se as consultas não resolverem a disputa em até 60 dias após o recebimento do pedido, o demandante pode requerer a instauração de uma segunda etapa: um painel. Os painéis são formados por três membros, escolhidos de comum acordo pelas partes. Os dois países apresentam petições escritas e participam de audiências. O painel emite um relatório sobre as medidas contestadas e sua compatibilidade com os acordos da OMC. O prazo teórico para a apresentação desse relatório é de até 6 meses, prorrogáveis por mais 3. Na prática, a fase de painel tem durado cerca de 12 meses — a não ser em casos de maior complexidade, que podem se arrastar por até 5 anos. O país derrotado no relatório do painel pode recorrer, dando início a uma 3a e última etapa: a apreciação do caso pelo Órgão de Apelação. O colegiado pode manter, modificar ou reverter as conclusões do painel, e sua decisão é de cumprimento obrigatório pelos países-membros, em razão dos compromissos assumidos com a OMC por meio de suas respectivas legislações. O problema é que essa última instância está paralisada desde 2019 por causa dos EUA.
Petistas Rabo de Cabra! - Por Marcelo Mário de Melo*
30/07/2026
Ora, o apoio à candidatura de João Campos, declaradamente de centro-esquerda, está vinculado a um acordo nacional com o PSB em torno da candidatura de Lula à presidência da república. Este é o ponto fundamental. E sempre que um petista pernambucano com projeção - como um deputado e um vereador - se declara a favor da candidatura governista, está também minando a mobilização pela reeleição de Lula.
Os representantes dessa banda podre...
Nestas disputas eleitorais de 2026, o PT pernambucano apresenta uma parcela podre nas suas fileiras, representada na câmara municipal e na assembleia legislativa por parlamentares que apoiam publicamente a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra, que tem no seu palanque o que existe de pior na extrema direita, que são os bolsonaristas, alinhados à candidatura de Flávio Bolsonaro. Segmento neofascista que já foi agraciado com dezenas de cargos comissionados no governo do estado, segundo publicações no Diário Oficial.
Ora, o apoio à candidatura de João Campos, declaradamente de centro-esquerda, está vinculado a um acordo nacional com o PSB em torno da candidatura de Lula à presidência da república. Este é o ponto fundamental. E sempre que um petista pernambucano com projeção - como um deputado e um vereador - se declara a favor da candidatura governista, está também minando a mobilização pela reeleição de Lula.
Os representantes dessa banda podre do PT pernambucano devem ser rejeitados nas urnas, quando se candidatarem, e expulsos do PT, se não possuírem a coerência de se desfiliarem e se alinharem noutras legendas que abriguem o seu oportunismo. A esquerda pernambucana dá as costas e revela o seu nojo ante esses petistas rabo de cabra.
*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
A Economia Espacial como Pilar da Soberania Estratégica das Nações - Por Amadeu Robalinho*
30/07/2026
Sob a perspectiva dos Estudos Estratégicos, os sistemas espaciais configuram infraestruturas críticas indispensáveis ao funcionamento das sociedades modernas. Satélites de comunicação, navegação, sensoriamento remoto, inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) sustentam operações militares, monitoramento de fronteiras, gestão de recursos naturais, proteção de infraestruturas estratégicas, resposta a desastres e o funcionamento dos mercados globais. Em consequência, o acesso autônomo ao espaço passou a integrar o conceito contemporâneo de soberania estr...
A Consolidação da Economia espacial representa uma das mais significativas transformações geopolíticas do presente século. O Domínio do ambiente orbital deixou de constituir exclusivamente um indicador de desenvolvimento científico para tornar-se elemento estruturante do Poder Nacional, influenciando diretamente a soberania dos Estados, a capacidade de defesa, a superioridade tecnológica e a competitividade econômica.
Sob a perspectiva dos Estudos Estratégicos, os sistemas espaciais configuram infraestruturas críticas indispensáveis ao funcionamento das sociedades modernas. Satélites de comunicação, navegação, sensoriamento remoto, inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) sustentam operações militares, monitoramento de fronteiras, gestão de recursos naturais, proteção de infraestruturas estratégicas, resposta a desastres e o funcionamento dos mercados globais. Em consequência, o acesso autônomo ao espaço passou a integrar o conceito contemporâneo de soberania estratégica.
Os Estados Unidos mantêm posição de liderança nesse domínio em razão da elevada integração entre pesquisa científica, inovação tecnológica, indústria aeroespacial, capacidade de lançamentos e investimentos privados. Em 2025, aproximadamente 60% dos investimentos privados destinados à indústria espacial concentraram-se no mercado norte-americano, enquanto o investimento global no setor alcançou o recorde de US$ 12,4 bilhões, representando crescimento de 48% em relação ao ano anterior. Esses indicadores demonstram que a economia espacial consolidou-se como instrumento de projeção de poder, fortalecimento da Base Industrial de Defesa e preservação da superioridade estratégica.
A República Popular da China adota uma abordagem distinta, baseada no planejamento estatal de longo prazo e na integração entre desenvolvimento tecnológico, segurança nacional e política industrial. A meta de colocar em operação aproximadamente 30 mil satélites de baixa órbita até 2030, correspondendo a cerca de 40% da capacidade global projetada, evidencia uma estratégia orientada para ampliar sua autonomia tecnológica, reduzir vulnerabilidades externas e expandir sua capacidade de comando, controle, comunicações, computação, inteligência, vigilância e reconhecimento, elementos essenciais à guerra contemporânea.
A Europa, por sua vez, desenvolve uma estratégia baseada na especialização tecnológica. Em vez de disputar exclusivamente a quantidade de ativos orbitais, concentra esforços no fortalecimento de sua capacidade de lançamentos, na produção de tecnologias críticas e na consolidação de segmentos de elevado valor agregado, preservando autonomia estratégica em setores considerados essenciais para sua segurança coletiva.
Esse cenário revela uma crescente concentração do poder espacial nas mãos de um número reduzido de atores estatais e corporativos, ampliando o risco de dependência tecnológica para países que não dominam capacidades próprias de acesso ao espaço. Tal dependência transcende o campo econômico, produzindo vulnerabilidades estratégicas capazes de comprometer a autonomia decisória, a segurança nacional e a liberdade de ação dos Estados em situações de crise.
Nesse contexto, o Brasil ocupa posição singular. A localização geográfica do Centro Espacial de Alcântara constitui uma vantagem geoestratégica de elevada relevância, reconhecida internacionalmente pela eficiência energética proporcionada por sua proximidade com a Linha do Equador. Entretanto, essa vantagem somente produzirá efeitos estruturantes caso seja integrada a uma política nacional de Estado voltada ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa, ao desenvolvimento científico, à inovação tecnológica e à formação de capacidades nacionais no setor aeroespacial.
A Experiência histórica demonstra que as grandes potências não alcançaram protagonismo espacial apenas por investimentos financeiros, mas pela articulação entre política industrial, ciência, tecnologia, defesa e planejamento estratégico de longo prazo. A capacidade espacial tornou-se componente indissociável da soberania nacional e da projeção internacional de poder.
Mais do que uma nova fronteira tecnológica, o espaço configura-se como um domínio estratégico de competição entre Estados. As nações que dominarem sua infraestrutura orbital controlarão fluxos globais de informação, comunicações, navegação, inteligência e comando, exercendo influência decisiva sobre os ambientes militar, econômico e diplomático. No século XXI, investir em capacidades espaciais deixou de representar uma opção de desenvolvimento para tornar-se um imperativo de soberania, defesa e estratégia nacional.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
A glória e o peso de ser humano - O grande teatro da inversão, por Zé da Flauta*
30/07/2026
Enquanto a mangueira do quintal vive em paz sendo apenas mangueira e o vira-lata da esquina cumpre sua nobre missão de latir para o vento sem desejar ser um leão, o ser humano entrou numa crise de identidade tão profunda que virou o mundo do avesso. Numa inversão de valores de fazer inveja a qualquer comédia de costumes, tem gente hoje que olha para a própria humanidade com desdém e resolve latir, miar ou pastar, garantindo com toda a convicção do mundo que nasceu na espécie errada.]
Fuga
O espetáculo seria até engraçado se não revelasse uma dor psicológica e social das mais profundas. Fomos educados pela cultura da performance e pela vitrine...
Se Albert Camus estivesse vivo para dar um passeio nas redes sociais hoje em dia, rasgaria seus livros e pediria desculpas por ter sido econômico. O homem sempre foi a única criatura do planeta a se recusar a ser o que é, mas o século XXI resolveu elevar essa recusa ao nível do delírio coletivo.
Enquanto a mangueira do quintal vive em paz sendo apenas mangueira e o vira-lata da esquina cumpre sua nobre missão de latir para o vento sem desejar ser um leão, o ser humano entrou numa crise de identidade tão profunda que virou o mundo do avesso. Numa inversão de valores de fazer inveja a qualquer comédia de costumes, tem gente hoje que olha para a própria humanidade com desdém e resolve latir, miar ou pastar, garantindo com toda a convicção do mundo que nasceu na espécie errada.]
Fuga
O espetáculo seria até engraçado se não revelasse uma dor psicológica e social das mais profundas. Fomos educados pela cultura da performance e pela vitrine das redes a odiar o "Eu Real", aquele sujeito comum, que acorda com a cara amassada, tem contas para pagar e fraquezas para carregar. Para fugir da angústia da liberdade e da responsabilidade de construir uma vida com propósito, o indivíduo moderno prefere vestir a fantasia de bicho, buscar a aprovação do algoritmo e fingir que não tem deveres.
Criamos uma sociedade que premia o absurdo e pune o bom senso, onde a busca pela autenticidade virou uma corrida maluca para ver quem inventa o personagem mais exótico para ganhar cinco minutos de aplauso de uma plateia de estranhos.
Sentido
Há uma ironia trágica e poética no meio de toda essa fantasia. O sujeito que finge ser animal para escapar das dores humanas esquece que a única coisa que realmente o separa dos bichos é justamente a sua capacidade de pensar, de criar e de dar sentido ao próprio sofrimento. Um cachorro é perfeito em sua simplicidade porque não tem escolha; o homem é grandioso justamente porque pode escolher ser melhor a cada dia.
Ao renegar a própria essência para virar bicho de imitação, o ser humano não está voltando à natureza ou encontrando sua liberdade: está apenas fugindo de si mesmo, abrindo mão do dom sagrado da consciência para virar mascote da própria solidão.
Coragem
É preciso ter um pouco de lucidez para entender essa comédia humana para não enlouquecer junto com a plateia. Quando você rolar a tela do celular hoje e cruzar com mais uma bizarrice da vida moderna na conversa do WhatsApp, vale a pena respirar fundo e lembrar da beleza que é carregar o peso e a glória de ser gente.
Não precisamos latir para o mundo para ser notados, nem mimetizar o pasto para ter paz. Basta a coragem de olhar no espelho sem máscara, aceitar as nossas imperfeições e entender que a aventura mais ousada que existe neste planeta ainda é a arte de ser, simplesmente, humano.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

Políticos caruaruenses foram cassados, presos e perseguidos durante a Ditadura Militar, por Tavares Neto*
30/07/2026
Primeiros nomes
Entre os primeiros nomes atingidos estava o deputado federal Lamartine Távora (PTB), que representava Caruaru no Congresso Nacional em 1964 e teve seu mandato cassado. Também foram punidos o vereador e vice-prefeito Severino Rodrigues Sobrinho, conhecido como Chico do Leite, além dos suplentes de vereador Manoel Messias e do jornalista Sousa Pepeu. Este último, que atuava na imprensa e na Rádio Cultura do Nordeste, deixou Caruaru e seguiu para o Rio de Janeiro para evitar a prisão.
Outro caruaruense
Em 1969, outro caruaruense foi alcançado pela repressão política. O advogado João Bosco Tenório, então vereador do Recife, teve o mandato cassado pel...
Com a implantação do regime militar após o golpe de 1964, diversos políticos, intelectuais, sindicalistas e lideranças de Caruaru sofreram perseguições políticas, prisões e cassações de mandatos por meio dos Atos Institucionais editados pelo novo governo.
Primeiros nomes
Entre os primeiros nomes atingidos estava o deputado federal Lamartine Távora (PTB), que representava Caruaru no Congresso Nacional em 1964 e teve seu mandato cassado. Também foram punidos o vereador e vice-prefeito Severino Rodrigues Sobrinho, conhecido como Chico do Leite, além dos suplentes de vereador Manoel Messias e do jornalista Sousa Pepeu. Este último, que atuava na imprensa e na Rádio Cultura do Nordeste, deixou Caruaru e seguiu para o Rio de Janeiro para evitar a prisão.
Outro caruaruense
Em 1969, outro caruaruense foi alcançado pela repressão política. O advogado João Bosco Tenório, então vereador do Recife, teve o mandato cassado pelos militares. Ele entrou para a história como o primeiro caruaruense eleito vereador da capital pernambucana.
As cassações
Além das cassações, dezenas de pessoas ligadas à vida política, cultural e intelectual de Caruaru foram presas ou obrigadas a deixar a cidade. Entre elas estavam Abdias Bastos Lé, presidente do Partido Comunista em Caruaru; os irmãos Manoel Messias e o compositor Carlos Fernando; o vendedor de livros Biu Moscozinho; o advogado Arsênio Martins Gomes; o cirurgião-dentista Fernando Soares, que também foi vereador de Caruaru e integrou o Movimento de Cultura Popular do governador Miguel Arraes; e o intelectual Francisco de Assis Claudino.
Repressão
A repressão também atingiu profissionais da comunicação e das artes. O locutor Aluízio Falcão, que trabalhou nas rádios Difusora de Caruaru e Tamandaré, deixou a cidade, seguindo inicialmente para o Rio de Janeiro e, posteriormente, para São Paulo. O pintor Romero Figueiredo também precisou fugir para a Região Sudeste, assim como o comerciante Ernesto do Colchão, que se estabeleceu em São Paulo.
Jornalista
Outro nome de destaque foi o jornalista, vereador e ex-candidato à Prefeitura de Caruaru Celso Rodrigues, derrotado por Drayton Nejaim nas eleições de 1963. Celso Rodrigues foi preso e submetido à tortura. Após o atentado a bomba no Aeroporto Internacional dos Guararapes, ocorrido em 25 de julho de 1966, que tinha como alvo o então ministro do Exército e candidato à Presidência da República, marechal Arthur da Costa e Silva, que acabou alterando sua rota de desembarque vindo de João Pessoa, e não foi atingido pela explosão, Celso Rodrigues voltou a ser preso pelos órgãos de repressão, mas acabou libertado por falta de provas.
*Tavares Neto é jornalista e radialista em Caruaru.

Desemprego no 2º trimestre é 5,4%, o menor já registrado no período; aponta IBGE
30/07/2026
O resultado
O resultado representa queda em relação ao primeiro trimestre do ano (6,1%) e na comparação com o mesmo período de 2025, quando estava em 5,8%. Os dados foram divulgados hoje, quinta-feira (30/07) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo trimestre
No segundo trimestre, o Brasil atingiu o número de 103,1 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 1,081 milhão a mais que no primeiro trimestre.
Já o número de desocupados era de 5,9 milhões, o que representa 10% (718 mil pessoas) a menos que no primeiro trimestre.
Comparação
Na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres, os grupamentos que se destacaram na criação de vagas foram:
A taxa de desemprego no segundo trimestre ficou em 5,4%, atingindo o menor nível já registrado desde 2012, quando começa a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
O resultado
O resultado representa queda em relação ao primeiro trimestre do ano (6,1%) e na comparação com o mesmo período de 2025, quando estava em 5,8%. Os dados foram divulgados hoje, quinta-feira (30/07) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo trimestre
No segundo trimestre, o Brasil atingiu o número de 103,1 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 1,081 milhão a mais que no primeiro trimestre.
Já o número de desocupados era de 5,9 milhões, o que representa 10% (718 mil pessoas) a menos que no primeiro trimestre.
Comparação
Na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres, os grupamentos que se destacaram na criação de vagas foram:
- Transporte, armazenagem e correio: +3,9% (mais 235 mil pessoas)
- Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: +2,6% (mais 489 mil pessoas)
Mostra
A Pnad mostra que no período de três meses de abril a junho, o país tinha 39,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada e 13,6 milhões sem carteira.
A taxa de informalidade - proporção de trabalhadores informais na população ocupada - foi de 37,4% no segundo trimestre.
Rendimento médio
O rendimento médio do trabalhador brasileiro ficou em R$ 3.738, o maior já registrado para um segundo trimestre. No entanto, fica abaixo do apurado no primeiro trimestre de 2026. (R$ 3.765).
Pnad
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.
Critérios
Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
Considera
O IBGE considera informais os empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, por exemplo. Essas pessoas não têm garantidas coberturas como seguro-desemprego, férias e 13º salário.
Menor desemprego
O menor desemprego já registrado pela Pnad foi 5,1%, no último trimestre de 2025. A maior taxa já constatada foi 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19.
Mercado formal
A Pnad é divulgada no dia seguinte a outro indicador de comportamento do mercado de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e que acompanha apenas o cenário de empregados com carteira assinada.
Saldo positivo
De acordo com o Caged, junho apresentou saldo positivo de quase 145,2 mil vagas formais. No acumulado de 2026, o balanço é de 921,7 mil de postos com carteira assinada criados.
André Gadelha em coletiva: com Ivonete, candidatura sai de 8 para 80
30/07/2026
Na entrevista, André posicionou sua candidatura diante dos concorrentes e defendeu o voto fechado na chapa do MDB.
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O ainda pré-candidato ao Senado, André Gadelha, na chapa com Cícero Lucena e Veneziano, concedeu entrevista coletiva em Campina Grande, comentando a sua candidatura após a escolha da vereadora Ivonete Ludgério como sua primeira- suplente. Ivonete era até ontem pré-candidata a deputada federal, pelo PSB.
Na entrevista, André posicionou sua candidatura diante dos concorrentes e defendeu o voto fechado na chapa do MDB.
Com Ivonete Ludugério como suplente André Gadelha entra de vez na disputa para o Senado
30/07/2026
Quando resolveu concorrer a uma das duas vagas para o Senado, o ex-prefeito de Sousa e deputado estadual André Gadelha sabia que não teria vida fácil. Embora tenha sido um dos últimos candidatos a entrar na disputa, André tinha vantagens a explorar.
A primeira era o partido, cuja memória dos grandes nomes que lideraram o MDB no estado — Humberto Lucena, Antônio Mariz, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão, Vitalzinho — ainda se mantém viva, tradição hoje reanimada pelos nomes de Cícero Lucena e Veneziano Vital, que são, descontado o peso das máquinas, as duas maiores lideranças políticas da Paraíba.
A segunda é a linhagem política e intelectual de Marcondes Gadelha, que André mantém viva e deixa isso claro a cada entrevista que concede, a cada pronunciamento que faz na Assembleia, onde é a voz da região de Sousa, cidade que governou, deixando um legado de obras e melhorias.
Ao lado de Veneziano e Cícero Lucena, An...
Por Flávio Lúcio*
Quando resolveu concorrer a uma das duas vagas para o Senado, o ex-prefeito de Sousa e deputado estadual André Gadelha sabia que não teria vida fácil. Embora tenha sido um dos últimos candidatos a entrar na disputa, André tinha vantagens a explorar.
A primeira era o partido, cuja memória dos grandes nomes que lideraram o MDB no estado — Humberto Lucena, Antônio Mariz, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão, Vitalzinho — ainda se mantém viva, tradição hoje reanimada pelos nomes de Cícero Lucena e Veneziano Vital, que são, descontado o peso das máquinas, as duas maiores lideranças políticas da Paraíba.
A segunda é a linhagem política e intelectual de Marcondes Gadelha, que André mantém viva e deixa isso claro a cada entrevista que concede, a cada pronunciamento que faz na Assembleia, onde é a voz da região de Sousa, cidade que governou, deixando um legado de obras e melhorias.
Ao lado de Veneziano e Cícero Lucena, André Gadelha compõe a chapa majoritária de oposição na eleição de 2026. Embora tenha partido com atraso, André já surpreendeu na primeira pesquisa em que seu nome foi testado, aparecendo com 8,6%, tecnicamente empatado com Nabor Wanderley (12,5%), pai de Hugo Motta, e Marcelo Queiroga (10,5%). O desempenho surpreendente de André Gadelha fez soar o alarme no governismo, que passou a trabalhar em dobro para impedir novos apoios ao ex-prefeito de Sousa, a ponto de um obscuro instituto de pesquisa, o Opindata, excluir seu nome da lista de candidatos ao Senado em um levantamento feito no início de julho.
A decisão da vereadora de Campina Grande, Ivonete Ludgério (PSD) de aceitar ser candidata à primeira suplência de André Gadelha é outro passo gigantesco para a consolidação de sua candidatura ao Senado. Importante liderança campinense, Ivonete — ao lado do marido, o deputado estadual Manuel Ludgério — era candidata à Câmara Federal. Com essa decisão, André Gadelha, que já contava com o apoio do grupo Cunha Lima, consolida sua entrada definitiva na disputa por uma das vagas ao Senado.
Se lembrarmos que as eleições na Paraíba, sobretudo de senador, são marcadas por surpresas, André está no páreo.
*Flávio Lúcio é cientista político. Professor de História da UFPB e doutor em Sociologia.