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Crônica satírica - Não chamem a USP para contar o público do São João...

07/04/2025 -

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Por Emanuel Silva*

Quando a velha imprensa queria confirmar ou refutar algo, metia um (apenas 01) especialista. Isso valia até para o cálculo das pessoas na saída do show do final do ano na praia. Segundo fulano de tal, a multidão na virada do milênio foi de “no máximo 125 mil, com margem de erro de um trio elétrico e meio”. Tudo isso com cara de quem tinha feito a conta em uma planilha Excel. A estratégia funcionava — ou pelo menos dava um verniz de ciência ao chute. Mas agora, como esse truque ficou mais gasto que bandeirinha de festa junina na chuva, inventaram outro: chama a USP!

A bronca de contar gente no Arrasta-Pé

Existe um grande perigo de trazer a universidade, símbolo do saber, para virar contadora de gente. Na disputa do São João de Caruaru e Campina Grande — que, como se sabe, rivalizam em xotes e baiões o título de “maior São João do mundo” cravar quem teve mais gente sempre é controvertido e divertido . Agora, no meio deste fuxico, da pamonha e da sanfona, colocar uma universidade como fiadora de quantas almas dançaram forró na véspera de São João e Sao Pedro...deverá ter um final inusitado. Imagine um cidadão dizer que no outro município vieram apenas 80 mil, enquanto no seu município foram 250 mil. E eis que surge a manchete da velha midia: “USP estima público do São João em 17.345, com base científica”. Ora, me poupe. A USP tem coisa mais importante para fazer (e faz), como criar tecnologia para a turma da mídia (ou suas empresas) fazerem o básico: contar sem brincar.

Drone conta manga, cabeças de carecas e talvez até paçoca

A turma da roça já resolveu o problema de contar. Pois é: os drones já estão fazendo "milagre", contando com precisão quantas mangas tem em cada um dos pés da plantação— e ainda dizer a coloração de cada uma. E olha que manga é danada de se esconder entre as folhas! Se a tecnologia é capaz disso, imagine contar quantos carecas foram ao São João, quantas tiaras de flores desfilaram ou quantos pares de chinelo pularam a fogueira. Mas não. Ao invés de contratar a empresa que conta manga com precisão suíça, a imprensa insiste em jogar a USP no meio do forrobodó.





Mangando da narrativa no meio do comício

Quando se trata de contar gente nos comícios políticos aí é uma celeuma ainda maior. Basta um palanque, um jingle e uma briga de torcida, que agora a velha mídia vem com uma manchete com a USP metida no meio da confusão. De repente, ela vira o juiz de ringue, tentando estimar quantas pessoas gritaram “mito” ou “fora”, sempre desagradando metade da arquibancada. Reduzem a universidade a uma senhora confusa tentando medir vaia com régua de professor primário.

Seria mais honesto para a turma do consórcio (e menos vergonhoso) contratar logo a empresa que conta as mangas na roça. Ela pelo menos entrega um laudo técnico dizendo com precisão quantas pessoas tem e se estão com o cabelo branco ou preto, com boné, com bandeiras, com faixas ou com batons. Ou não contratam pois estão com o caixa baixo ?





Bom Senso: Essa Ave Rara

Chega, minha gente. Tenham dó. O jornalismo pode errar, mas não precisa exagerar. As notícias podem ser checadas com mais clareza e rapidez que a duração do intervalo comercial de 15 segundos. Antes de escrever, encapar ou laquear a velha perua, seria interessante a turma da velha mídia lembrar: o Grok, o ChatGPT e até o aplicativo chinês (aquele que funciona, mas confunde protesto da Praça Celestial com atesto da Pátria Monumental) já estão de prontidão. E fazem tudo em instantes, descortinando as ideologias e outras coisas embutidas na pauta.
Por fim, no próximo São João, deixem a ciência descansar e a festa ser o que é: um monte de gente que busca um momento de felicidade — e não um boletim de guerra de narrativas. Balancê e avancê.



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