Reflexão - A vida depois dos 60 - A Luta Contra o Etarismo, Forma Sutil de Exclusão
15/04/2025
1. Introdução: Quando a Experiência Encontra a Reflexão
O artigo "Etarismo: o preconceito invisível que marginaliza talentos experientes", de Luiz Porto, não é apenas uma reflexão necessária sobre os preconceitos de idade. É, antes, um gesto de coragem filosófica: o autor expõe a si mesmo, com vulnerabilidade e altivez, como exemplo vivo da realidade que denuncia. A generosidade com que Luiz compartilha sua experiência provoca não só empatia, mas também um chamado ao pensamento.
Em resposta a esse gesto, compartilho minha própria trajetória, dialogando com Luiz e propondo uma ampliação filosófica do tema.
A seguir, estabeleço uma troca entre os dois textos iniciais e, a partir deles, desenvolvo uma reflexão conjunta sobre o etarismo, o valor da experiência, o perigo da vitimização e a necessidade de restaurar o bom combate: o do pensamento, oportunizando ao leitor examinar no...
1. Introdução: Quando a Experiência Encontra a Reflexão
O artigo "Etarismo: o preconceito invisível que marginaliza talentos experientes", de Luiz Porto, não é apenas uma reflexão necessária sobre os preconceitos de idade. É, antes, um gesto de coragem filosófica: o autor expõe a si mesmo, com vulnerabilidade e altivez, como exemplo vivo da realidade que denuncia. A generosidade com que Luiz compartilha sua experiência provoca não só empatia, mas também um chamado ao pensamento.
Em resposta a esse gesto, compartilho minha própria trajetória, dialogando com Luiz e propondo uma ampliação filosófica do tema.
A seguir, estabeleço uma troca entre os dois textos iniciais e, a partir deles, desenvolvo uma reflexão conjunta sobre o etarismo, o valor da experiência, o perigo da vitimização e a necessidade de restaurar o bom combate: o do pensamento, oportunizando ao leitor examinar nossos pontos de vista sobre este relevante tema.
2. O Texto de Luiz Porto
"Etarismo: o preconceito invisível que marginaliza talentos experientes
Falar de etarismo é levantar uma questão incômoda, mas extremamente necessária. Especialmente quando ele se manifesta de forma silenciosa, nas entrelinhas dos processos seletivos, nas oportunidades que nunca chegam, nos currículos que sequer são lidos.
Aos mais de 60 anos, com décadas de dedicação, entrega, aprendizado e paixão pelo trabalho, enfrento a dificuldade de me recolocar profissionalmente. Meu currículo provavelmente não é mais lido, meu nome parece não despertar interesse. E o que me pergunto, todos os dias, é: por quê? E não tenho a resposta. Talvez não seja por falta de preparo, experiência ou disposição, mas, aparentemente, por algo que nenhum curso ou competência técnica pode mudar: a minha idade.
Sim, tenho mais de 60 anos. E, sim, também, continuo com a mesma vontade de contribuir, aprender, orientar e servir que tinha aos 22 anos, quando ingressei no meu primeiro emprego no Banco do Brasil. Ao longo da minha jornada, por necessidade de crescimento, mudei de estado, de vida, de rotina. Vivi e trabalhei em lugares incríveis — Bahia, Pará, Paraíba, Roraima — sempre motivado pela necessidade de crescimento e pelo compromisso com a excelência. Em cada novo começo, levei comigo o compromisso de entregar o meu melhor. E sempre o entreguei, deixando nesses locais o melhor de mim, do meu conhecimento, da minha energia e da minha ética profissional. Acreditei, sinceramente, que a experiência era um diferencial, mas, hoje, sinto que para muitas organizações ela parece ser um peso, como se tudo isso tivesse perdido o valor.
Existe uma dolorosa suspeita de que, para muitas empresas, quem passou dos 60 já não tem mais nada a oferecer. Como se a experiência não fosse mais um diferencial, ou como se o tempo vivido fosse um fardo, e não um tesouro. Como se a capacidade de inovar, liderar, ensinar ou aprender tivesse prazo de validade peremptório.
Mas, será mesmo que não temos mais valor? Será que, já tendo trilhado tantos caminhos, enfrentado crises, formado e orientado equipes, tomado decisões difíceis, e, mesmo assim, ainda querer fazer parte do presente e do futuro, não temos mais direito à escuta?
Quantas oportunidades de ouro não estão sendo desperdiçadas ao se ignorarem os mais experientes? Quantos jovens talentos deixariam, talvez, de errar se tivessem ao seu lado mentores maduros para orientá-los? Na cultura oriental, a experiência dos mais velhos é reverenciada como fonte de saber e equilíbrio. Aqui, muitas vezes, é descartada. Não por falta de competência, mas por puro preconceito.
O etarismo nos silencia, nos apaga e, pior, empobrece o mercado, que perde a chance de unir gerações, somar talentos e fortalecer a base das futuras lideranças. Então, é preciso, urgentemente, repensar esse modelo, a fim de valorizar o tempo vivido, integrar gerações, dar voz — e vez — a quem ainda tem muito a contribuir, apesar das “alvas cãs”, como dizia meu saudoso pai.
Que esse post possa abrir olhos, portas e mentes. Eu continuo pronto. Com energia, com amor pelo que faço e com muita vontade de seguir contribuindo. Só preciso de uma chance. Só preciso que olhem além da minha data de nascimento.
A mudança começa agora. Vamos juntos construir um mercado de trabalho mais justo, inclusivo e valorizador da experiência. Porque o futuro pertence a todos nós, independentemente da idade."
3. A Minha resposta
Caro Luiz Porto,
Teu artigo sobre o etarismo é mais do que pertinente — é necessário. Entretanto, o que mais me tocou foi a generosidade com que escolheste falar de ti mesmo, oferecendo tua própria trajetória como exemplo vivo de uma realidade que precisa ser vista com mais seriedade e sensibilidade.
Vejo na tua atitude algo raro: a coragem de unir experiência e vulnerabilidade sem perder a dignidade. E isso, a meu ver, já é uma forma de liderança silenciosa — daquelas que não se impõem, mas que despertam.
Permita-me compartilhar, com humildade, um pouco da minha vivência. Desde que iniciei na advocacia, sempre soube que essa seria minha identidade até o fim da vida. O título de advogado, para mim, é inalienável: não por orgulho, mas por consciência. Só eu mesmo poderia retirá-lo de mim — e bastaria, para mantê-lo, honrar não apenas o Código de Ética da profissão, mas algo que considero a base de tudo: o ethos humano.
Ainda jovem, afirmei com convicção que jamais voltaria a ser Procurador-Geral do Estado do Amazonas. Dizia: “Já fui, não preciso repetir.” Meu projeto era outro: ser Desembargador. Mas em 2019, aos 55 anos — um lustro antes dos 60 — lá estava eu novamente à frente da PGE. E vivi uma das experiências mais ricas da minha trajetória pública. Precisei “morder a língua”. Entendi que aquela era uma matéria da vida profissional que eu ainda não havia sido aprovado. Era preciso refazer. E fiz com gratidão, zelo, respeito e com muito amor. Hoje, não é algo que desejo, mas tampouco me incomodaria em refazer esse caminho — pois sei que seria, inevitavelmente, novo. Nem eu, nem a PGE, somos mais os mesmos...
Aliás, entrei na Procuradoria como o último colocado do meu concurso. E acabei por comandá-la em diversos momentos. Para mim, isso foi sempre uma mensagem de Deus: "os últimos serão os primeiros". Não como mérito individual, mas como sinal silencioso de uma pedagogia maior.
Curiosamente — e é aqui que tua reflexão me reencontra — vivi minha vida profissional orientado por um princípio que cito no artigo que te encaminho: a filosofia de Roberto Marinho. Quando jovem, busquei conviver com os mais velhos para aprender com eles. Hoje, mais velho, sigo aprendendo com os jovens. Isso se tornou um modo de ser. E talvez seja isso o que nos sustenta: a humildade filosófica de quem sabe que o verdadeiro saber é sempre inacabado.
Uma observação importante advinda de tua leitura: quando concorri, nas primeiras vezes, ao cargo de Desembargador, vivi algo que poderia ser chamado de etarismo às avessas. Vários Desembargadores me diziam com elegância: “Gostamos de você, mas você ainda é muito jovem.” Eu tinha 40 anos. Nunca vi nisso um preconceito, mas talvez uma forma polida de escolherem alguém mais próximo, ou mais preparado naquele momento — ou, quem sabe, mais influente politicamente. Nada contra. Isso faz parte do processo e da vida.
O caso do amazonense Mauro Campbell, atual Ministro do STJ, é emblemático. Foi Procurador-Geral de Justiça enquanto eu era PGE. Sempre ocupou funções de relevância desde jovem, com brilhantismo e eficiência. Tornou-se Ministro aos 45 anos. Mas antes disso, também foi recusado como Desembargador. Etarismo? Talvez. Ou apenas os tempos ainda não estavam maduros. Sua trajetória mostra que a vida é cheia de surpresas — e que não devemos desistir diante de uma dificuldade. Às vezes, os obstáculos são a exata lapidação de que precisamos para nos tornarmos maiores.
No meu caso, a cada embate saí mais forte. E percebi que o verdadeiro ganho não era ser Desembargador — era crescer por dentro. Hoje, mais experiente, sou provavelmente o candidato que mais vezes concorreu ao cargo. E sigo, não como quem repete um projeto, mas como quem trilha um caminho com mais serenidade, reverência e respeito pela vida e pelos projetos secretos da Providência. Aprenderei com todos — jovens e idosos — e sei que, no mínimo, sairei melhor do que entrei.
No fundo, querido Porto, reconheço a existência do etarismo, assim como de todos os preconceitos em geral — contra mulheres, negros, homossexuais, etc. Mas penso, sinceramente, que não os devemos temer. Porque, muitas vezes, eles são apenas uma desculpa. Muitos os temem como ameaça presente ou futura. Outros os invocam como escudo. A solução está em não cair na armadilha da vitimização — mas em transformar a dor em propósito. Fazer autorreflexão para compreender qual é a lição que a vida está querendo te ensinar quando essas coisas acontecem.
Mas, infelizmente, a vitimização é mais confortável. Vivemos no eterno jogo da vitimização: “Não fui eu.” Adão, no Paraíso, ao ser advertido por Deus, usou essa ferramenta: “Senhor, foi a mulher que tu me deste.” Lula, no Calvário da Lava-Jato: o tríplex foi coisa da Marisa Letícia...
Acredito que é tempo de restaurar a boa filosofia e trazer a humanidade para o bom combate — que, para mim, é: o bom debate.
Por isso, acredito que este seja teu tempo de te tornar farol — não apenas com palavras, mas com a firmeza do exemplo. Ao escrever como escreveste, deste um passo precioso nessa direção. Tens todo o meu respeito — e, se quiseres seguir esse caminho da entrega frutífera, conte comigo.
Se você me permitir, posso me valer do seu generoso artigo e escrever um diálogo a partir dele, com base nesta resposta e no meu próprio artigo sobre o etarismo. Mas só o farei se você concordar.
Com estima e admiração,
do amigo de sempre,
Jorge Pinho
4. Etarismo: Reflexão, Diagnóstico e Caminho Filosófico
O etarismo, como destaca Luiz, é uma forma sutil de exclusão. Não grita, mas segrega. Não ataca, mas silencia. E é justamente por sua natureza silenciosa que exige uma abordagem mais profunda. Aqui, o pensamento filosófico pode oferecer o que a indignação isolada não consegue: contexto, medida, e sobretudo, transcendência.
Aristóteles já nos ensinava que a virtude reside no meio, entre os excessos e as ausências. O combate ao etarismo não pode ser, portanto, mais uma trincheira identitária que separa velhos e jovens, mas uma ponte de reconhecimento mútuo.
No documentário sobre a vida de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, há uma fala emblemática de Roberto Marinho que ilustra com perfeição a filosofia que defendo: “Quando eu era jovem, me cercava dos mais velhos para aprender com eles. Hoje que sou velho, me cerco dos mais jovens para continuar aprendendo com eles.”
Essa frase sintetiza a sabedoria prática e filosófica que nos falta: a consciência de que o aprendizado é um fluxo contínuo, e que o valor do saber não está em quem o diz, mas no que se diz.
Tenho visto, com admiração, exemplos concretos desse reencontro entre tempo vivido e criatividade renovada. Aqui no Amazonas, o professor Oldeney Sá Valente, que tanto me ensinou na juventude, se reinventa na pintura com serenidade e beleza. Da mesma forma, o querido Félix Valois nos brinda com crônicas cada vez mais sábias, enxutas e comoventes — verdadeiros tesouros de lucidez.
Em Pernambuco, onde cultivo laços afetivos e culturais profundos, testemunhei com alegria a vitalidade intelectual do professor Lourival Holanda, Presidente da Academia Pernambucana de Letras e da jurista Margarida Cantarelli, que continuam contribuindo com vigor, leveza e um senso de missão que transcende o tempo cronológico.
São faróis que iluminam não apenas pelo que já fizeram, mas pelo que continuam a ser: presença viva, atuante e inspiradora.
Martin Buber diria que o verdadeiro encontro ocorre quando um "Eu" encontra um "Tu". O etarismo, ao transformar o outro em um "Ele" genérico e descartável, rompe com a relação dialógica essencial. Um idoso que não é mais ouvido é tratado como objeto, não como pessoa. Mas o mesmo se dá quando um jovem é rejeitado apenas por ser jovem. A verdadeira superação do etarismo exige reencontro, não antagonismo.
O estoicismo, por sua vez, lembra-nos que o valor da vida está naquilo que controlamos: nossas escolhas, nossa coragem, nossa resiliência. Marco Aurélio nos convida a aceitar o que não podemos mudar e agir com dignidade sobre o que nos cabe. O que fazemos diante do etarismo? Vitimização ou propósito? Denúncia estéril ou construção de alternativas?
Como lembrei na mensagem acima dirigida a Luiz Porto, há uma pedagogia silenciosa da vida. Ser recusado, não ouvido ou subestimado pode ser uma forma de afiação interior. Mas isso não significa aceitar injustiças com passividade. Significa respondê-las com altura. Como diz a Cabala Judaica: o que parece ruptura pode ser apenas o início do Tikun, da reparacão.
5. Etarismo: Entre Filosofia e Fragmentação
Vivemos hoje em uma sociedade marcada por bandeiras identitárias que, embora levantadas sob o pretexto da justiça, muitas vezes acabam por fragmentar o tecido social. Entre elas está o etarismo, que precisa ser reconhecido não como mais uma trincheira política, mas como um desafio ético e filosófico.
Entendo que o combate ao etarismo deve ser guiado por valores universais. Não devemos atribuir validade a uma ideia com base na idade de quem a propõe. O que importa é o mérito da ação, da reflexão, do gesto. Como dizia Sócrates, a verdade deve ser buscada pela coerência e pela razão, não pela origem de quem a formula.
Aristóteles complementa esse raciocínio ao afirmar que a virtude está no meio — e o meio, neste caso, é a convivência entre gerações, o reconhecimento mútuo das capacidades e limites de cada uma. Da mesma forma, os estoicos, como Marco Aurélio, insistiam que todos partilhamos uma natureza racional comum. Idade, gênero ou origem não devem ser barreiras ao valor das ideias.
6. O Risco da Vitimização e o Valor da Superação
A fragmentação identitária, quando mal conduzida, gera ressentimento e vitimização. Como escrevi em minha carta a Luiz, há sempre a tentação de transformar a dor em desculpa, e não em propósito. Daí a importância da autorreflexão: o que a vida está querendo nos ensinar quando a resposta não vem como esperávamos?
Esse movimento — entre o que se pede e o que se recebe — é também a dinâmica do amadurecimento. E talvez esteja aí o verdadeiro combate ao etarismo: não na denúncia isolada, mas na atitude filosófica que transforma rejeição em aprendizado e frustração em maturidade.
7. Entre a Dignidade e o Exemplo: O Farol Interior
Talvez a maior contribuição do texto de Luiz Porto esteja em sua disposição para continuar. Ele não se calou. Ele escreveu. E ao escrever, tornou-se farol. Porque todo aquele que transforma dor em linguagem, e linguagem em sentido, passa a iluminar os outros.
Por isso, esta reflexão conjunta não busca encerrar um tema, mas inaugurá-lo em novas camadas. Etarismo não se combate apenas com leis ou com slogans. Combate-se com convivência, com escuta, com exemplos vivos. E sobretudo, com aquela forma superior de maturidade que é capaz de olhar para o próprio caminho com gratidão, mesmo quando trilhado entre pedras.
8. Conclusão: O Tempo como Alquimia e a Filosofia como Ponte
O tempo não nos enfraquece. Ele nos depura. Aos que o acolhem com sabedoria, ele não cobra: ele revela. E talvez a filosofia não seja senão isso: a arte de continuar aprendendo com os que vieram antes e depois de nós. Um jovem que ouve um velho. Um velho que acolhe um jovem. Um humano que reencontra o outro como "Tu". Assim se constrói uma civilização digna do nome.
Luiz Porto me permitiu, neste artigo, não apenas o reencontro com um amigo, mas fundamentalmente a possibilidade de, na condição de amadurecidos, podermos oferecer aos nossos leitores algo cada vez mais raro: um testemunho compartilhado entre gerações. Que este diálogo inspire outras vozes a se erguerem, não para disputar espaço, mas para somar luzes.
A superação do etarismo — e de todo preconceito — não será feita por decretos nem por slogans. Será feita pela escuta, pelo reconhecimento mútuo, pelo exercício da razão e da virtude. A filosofia é, aqui, mais necessária do que nunca. Ela nos ensina que o verdadeiro humano se define não por sua idade, mas por sua capacidade de aprender, dialogar e se transformar.
Que este artigo seja, portanto, mais do que um diálogo entre dois amigos. Que seja um convite à escuta entre gerações, ao reencontro entre experiência e frescor, entre prudência e ousadia — porque só uma sociedade que respeita todas as fases da vida é digna do nome humano.
*Jorge Pinho é advogado, procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.
NR - O autor completa hoje 61 anos. Parabéns. Dia oportuno para a publicação deste ensaio.

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É Findi - Tributo a Jomard - Carlos Eduardo Amaral*
16/10/2026
Na mesma época, viria a deparar com ele no hall da agência do Banco do Brasil da Sete de Setembro, na Boa Vista, às voltas com os caixas eletrônicos: “Minha mãezinha do céu”, exclamava, perdido com não sei o quê. Também me vem à mente — na mesma agência, mas em outra ocasião — a imagem do professor Esman Dias, falecido em 2015.
A partir do ano 2000, quando eu estava com 19 para 20 anos de idade, passei a frequentar a casa-ateliê do artista plástico Raul Córdula e sua esposa Maria Amélia, na ladeira da Prefeitura de Olinda (R. Quinze de Novembro). Tal convívio nasceu por conta da minha recém-amizade com C...
Vi Jomard Muniz de Britto pela primeira ao adentrar aleatoriamente o auditório Evaldo Coutinho, no segundo andar do Centro de Comunicação e Artes da UFPE, em algum evento sobre Fernando Pessoa. Isso foi em 1998 ou 1999, não recordo mais. Fiquei impressionado pela declamação performática de um poema, com timbre de voz sério, dicção perfeita e entrega total.
Na mesma época, viria a deparar com ele no hall da agência do Banco do Brasil da Sete de Setembro, na Boa Vista, às voltas com os caixas eletrônicos: “Minha mãezinha do céu”, exclamava, perdido com não sei o quê. Também me vem à mente — na mesma agência, mas em outra ocasião — a imagem do professor Esman Dias, falecido em 2015.
A partir do ano 2000, quando eu estava com 19 para 20 anos de idade, passei a frequentar a casa-ateliê do artista plástico Raul Córdula e sua esposa Maria Amélia, na ladeira da Prefeitura de Olinda (R. Quinze de Novembro). Tal convívio nasceu por conta da minha recém-amizade com Cláudio, filho do casal.
Dentre outras tantas personalidades que frequentavam a casa, especialmente no período de Carnaval, e que conheci de relance, reencontrei aquela figura e lhe relatei que assistira à performance no CAC. Foi quando Jomard me disse que se tratava de um “atentado poético” e Raul me mostrou o CD Pop filosofia.
Em eventos diversos por aí, desde então, travei novamente contato com Jomard. Devo ter em meus arquivos dois ou três de seus “atentados poéticos” impressos, que agora passam a ser relíquia. Jomard até fez parte da plateia de uma palestra que dei em no Teatro Apolo, há mais de uma década e meia e cujo tema não recordo.
Lembro apenas que comentei algo sobre música armorial e ele fez uma pergunta, ao final das falas minhas e dos demais convidados. Respondi de forma natural e percebi que ele ficou pensativo, processando. Não sabia das querelas dele com Ariano e Gilberto. Hoje sei que algo o incomodava nessa propaganda construída em torno do Movimento Armorial, porém Jomard deve ter percebido que eu me preocupava, em primeiro lugar, com o objeto artístico, não com o discurso institucional.
Na segunda metade da década passada, causou frisson sua aparição no Instagram, embora eu duvidasse que fosse ele mesmo a gerenciar o perfil. Eu e um amigo jornalista, hoje residente em São Paulo, o encontramos na antiga Livraria Cultura do Recife Antigo e lhe lançamos a dúvida: eu apostando no “não” e Josias, meu amigo, no “sim”. Indagamos: “É você?”.
“Claro”, ele respondeu, para felicidade de Josias (“Olha aí!”). Não esbocei esgar de derrota e me voltei para Jomard, que retomou a palavra: “Claro que não!”. Ri por último e Jomard explicou que isso era coisa de Luci Alcântara, grande amiga dele e diretora do documentário JMB, o famigerado.
Hoje admiro Gilberto, Ariano e Jomard: um pela vivacidade da escrita; o segundo, pela competência literária; o último, pelo espírito anárquico autêntico. Cheguei a escrever meu próprio “atentado poético” em 2015, em homenagem a ele. Mantenho-o até o momento impublicado, porque destoa das minhas vozes líricas, por emular a dele, tão díspar das influências outras que recebi.
Finalizo meu tributo com um poema de Esman Dias, a quem mencionei mais acima, intitulado Acta est fabula:

Morre o poeta.
Morre, com ele, toda a luz do mundo:
o espaço do seu rosto, o mar profundo,
a aurora e um pôr-do-sol escandaloso.
Morre o poeta e morre o Ocidente.
E o Oriente. E os pontos cardeais.
Morrem as estrelas. Morre o firmamento.
Morrem as sombras do pântano e o arvoredo.
Todos os santos, todos os escribas,
os dias da semana, a quarta-feira.
E o próprio tempo, imóvel, que agoniza:
foi-se o olhar que no relógio via
a marcha, alegre e triste, dos ponteiros.
Morre o poeta.
Morre a alegria.
Morre tudo que flui: morre a poesia.
Morre o poeta.
E morre o mundo inteiro.
*Carlos Eduardo Amaral é jornalista, escritor e crítico musical
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É Findi - Ah! Os brinquedos... - Poema homenageando o Dia da Criança - Por Eduardo Albuquerque*
16/10/2026
sem brinquedos e tão ausente;
não me são, porém, indiferentes...
Ó tempos deveras imprevidentes!
Cadê os brinquedos da gente?
nunca os tivemos presentes;
apenas viviam na mente,
na criatividade, recorrentes.
O tempo se esvai, não sentes?
A vida é tal qual rio corrente,
sequer deixa singela semente.
Pobre menino, pingo de gente,
da Humanidade, indigente;
é-me tua dor assaz pungente.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
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Pobre menino, menino diferente,
sem brinquedos e tão ausente;
não me são, porém, indiferentes...
Ó tempos deveras imprevidentes!
Cadê os brinquedos da gente?
nunca os tivemos presentes;
apenas viviam na mente,
na criatividade, recorrentes.

O tempo se esvai, não sentes?
A vida é tal qual rio corrente,
sequer deixa singela semente.
Pobre menino, pingo de gente,
da Humanidade, indigente;
é-me tua dor assaz pungente.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
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É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a vitória não bastava - Por Alfredo Cabral de Melo*
16/10/2026
Recife continuava fortificado, abastecido pelo mar e protegido por uma estrutura militar que não poderia ser vencida apenas com novas vitórias em campo aberto. Os restauradores haviam demonstrado sua capacidade de combater e vencer, mas ainda precisavam encontrar uma maneira de transformar essas vitórias em domínio efetivo sobre a praça que sustentava a presença neerlandesa.
A guerra começava, assim, a exigir outros recursos. Em março daquele mesmo ano, foi criada a Companhia Geral do Comércio do Brasil, sob o governo de D. J...
A segunda batalha dos Guararapes, em fevereiro de 1649, deixou uma imagem difícil de ignorar. Pela segunda vez, as forças da Restauração haviam derrotado um grande contingente neerlandês. O domínio holandês sobre boa parte do interior de Pernambuco estava cada vez mais limitado, enquanto Recife permanecia como o principal núcleo de sua presença. Seria razoável imaginar que a guerra estivesse terminando. Mas não foi isso que aconteceu.
Recife continuava fortificado, abastecido pelo mar e protegido por uma estrutura militar que não poderia ser vencida apenas com novas vitórias em campo aberto. Os restauradores haviam demonstrado sua capacidade de combater e vencer, mas ainda precisavam encontrar uma maneira de transformar essas vitórias em domínio efetivo sobre a praça que sustentava a presença neerlandesa.
A guerra começava, assim, a exigir outros recursos. Em março daquele mesmo ano, foi criada a Companhia Geral do Comércio do Brasil, sob o governo de D. João IV. A nova companhia tinha interesses comerciais, mas também nasceu em uma conjuntura de guerra e de disputa pelo controle das rotas atlânticas. A organização do transporte e a proteção da navegação passaram a ter importância cada vez maior para a sustentação da luta.
Não era uma questão meramente econômica. Homens, armas, munições, alimentos e mercadorias precisavam circular, e a capacidade de manter essa circulação podia decidir o destino de uma praça sitiada. Recife ainda possuía uma vantagem fundamental: o mar. Enquanto os neerlandeses conseguissem manter comunicação com o exterior, a cidade continuaria tendo condições de resistir.
Por isso, depois de Guararapes, a guerra não se resumiu a uma sucessão de grandes batalhas. Continuaram as operações militares, as dificuldades de abastecimento e as disputas pelo controle das comunicações. O conflito permanecia vivo, mas começava a depender cada vez mais de fatores que não apareciam necessariamente no campo de batalha.
Evaldo Cabral de Mello ajuda a compreender essa mudança. Ao tratar da produção, do comércio e da navegação entre 1645 e 1654, ele mostra como a guerra afetou a circulação entre Pernambuco e o Reino e como a capacidade neerlandesa de receber socorro dependia das condições do Atlântico. A partir de 1652, a Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa passou a dificultar as comunicações marítimas das Províncias Unidas, criando circunstâncias mais favoráveis aos restauradores.
Isso ajuda a explicar por que a Restauração não pode ser entendida apenas a partir de Pernambuco. A reconquista de Luanda, em 1648, havia mostrado que portugueses e neerlandeses disputavam posições em diferentes pontos do Atlântico. Não se tratava de uma única campanha militar, conduzida de maneira uniforme em todos esses lugares, mas de conflitos que se relacionavam dentro de um espaço marítimo muito mais amplo.
Pernambuco estava inserido nesse mundo. O açúcar continuava sendo produzido e comercializado, os navios continuavam sendo necessários e os caminhos marítimos permaneciam fundamentais. A própria criação da Companhia Geral do Comércio revela a preocupação da Coroa em reorganizar o tráfego com o Brasil e protegê-lo em uma conjuntura marcada pela guerra e pelos riscos à navegação. Estudos posteriores mostram que, a partir de 1649, o sistema de comboios passou a ganhar importância na carreira do Brasil.
José Antônio Gonsalves de Mello e Evaldo Cabral de Mello permitem acompanhar essa transformação por perspectivas complementares. A documentação reunida por José Antônio revela a dimensão militar, administrativa e econômica do conflito. Evaldo amplia o campo de observação e mostra que a guerra não pode ser explicada apenas pela sucessão dos combates. Havia interesses econômicos, decisões tomadas em Lisboa, dificuldades de navegação e uma disputa internacional que continuava interferindo no destino de Pernambuco.
Isso também ajuda a entender por que a segunda vitória de Guararapes não produziu imediatamente a expulsão dos neerlandeses. Vencer um exército em campo aberto era uma coisa. Tomar uma cidade fortificada, cortar suas comunicações e impedir que recebesse auxílio era outra, muito mais complexa.
Aos poucos, portanto, as condições começaram a mudar. A guerra continuava, mas o equilíbrio já não era o mesmo de alguns anos antes. Os neerlandeses permaneciam no Recife, porém dependiam cada vez mais da capacidade de manter aberta uma ligação marítima com o exterior. Para os restauradores, a questão passou a ser como transformar a pressão acumulada durante anos em um cerco capaz de levar a cidade à rendição.
A Restauração havia chegado a um momento em que a vitória militar, sozinha, já não bastava. Era preciso controlar os caminhos por onde chegavam os recursos, limitar a capacidade de resistência do Recife e fazer com que o tempo passasse a trabalhar contra aqueles que ainda ocupavam a cidade.
A guerra, que começara nos engenhos e se espalhara pelos campos de Pernambuco, aproximava-se finalmente do lugar onde a presença neerlandesa ainda encontrava sua maior força: o Recife.
Bibliografia utilizada
FREITAS, Gustavo de. A Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649-1720). Revista de História, São Paulo, v. 2, n. 6, p. 307-328, 1951. DOI: 10.11606/issn.2316-9141.v2i6p307-328. Portal de Revistas da USP
MELLO, Evaldo Cabral de. Olinda restaurada: guerra e açúcar no Nordeste, 1630-1654. 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2007.
MELLO, Evaldo Cabral de. O negócio do Brasil: Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669. Rio de Janeiro: Topbooks, 1998.
MELLO, José Antônio Gonsalves de (org.). Fontes para a história do Brasil holandês. Recife: Parque Histórico Nacional dos Guararapes; MEC/SPHAN/Fundação Pró-Memória, 1981-1985. 2 v.
SILVA, José Justino de Andrade e. Collecção chronologica da legislação portugueza. Lisboa: Imprensa de F. X. de Souza, [s.d.], v. 7. A documentação relativa à instituição e ao decreto de aprovação da Companhia Geral do Comércio do Brasil é referenciada pela historiografia a partir desse conjunto legislativo.
BRASIL. Fundação Biblioteca Nacional. Países Baixos: fontes para a história do Brasil holandês nos arquivos neerlandeses (1623-1655). Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, [s.d.].
COSTA, Leonor Freire. O transporte no Atlântico e a Companhia Geral do Comércio do Brasil (1580-1663). Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2002. 2 v. A obra é indicada na bibliografia especializada sobre a Companhia e o transporte atlântico. SciELO
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo
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É Findi – Quem USA - Por Iraquitan Palmares*
16/10/2026
USA às Américas
USA o mundo
Como quintal
USA do mundo
O capital
Capital
Humano
Intelectual
USA sobretudo
O vil metal
USA governos
USA sociedades
USA guerras
Como brincadeiras
Jogos de xadrez
USA
E como USA
Rasga do peito
A porra dessa blusa
Arranca esse troço
D'alma!
Não vá
Na onda
Da mídia e tal
Sugiro-te
Com amor
Te lambuza
E dê um foda-se
Para tudo que
For te USA
Agora use
Tua inteligência
Tua raça
Tua crença
Teu pertencimento
Mira no
Teu futuro
E acredite:
Juntos somos
Mais que
Massa de manobra
Do contrário
Pede a benção
A quem te USA
*...
USA a África
USA às Américas
USA o mundo
Como quintal
USA do mundo
O capital
Capital
Humano
Intelectual
USA sobretudo
O vil metal
USA governos
USA sociedades
USA guerras
Como brincadeiras
Jogos de xadrez
USA
E como USA
Rasga do peito
A porra dessa blusa
Arranca esse troço
D'alma!
Não vá
Na onda
Da mídia e tal
Sugiro-te
Com amor
Te lambuza
E dê um foda-se
Para tudo que
For te USA
Agora use
Tua inteligência
Tua raça
Tua crença
Teu pertencimento
Mira no
Teu futuro
E acredite:
Juntos somos
Mais que
Massa de manobra
Do contrário
Pede a benção
A quem te USA
*Iraquitan Palmares, pernambucano de Palmares radicado na região metropolitana de Brasília-DF há 21 anos, poeta, teatrólogo atuando como ator e professor de teatro no Grupo Cultural Obará no DF, com oito livros publicados e com três no prelo para publicação. @iraquitanoliveirada
NR - Os poemas assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi - Recados das Urnas - Crônica - Por Malude Maciel*
16/10/2026
Há pouco tempo atrás e atualmente
Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores; uma vergonha! Agora, está havendo conscientização, apesar de que ainda fica muito a desejar para se ter uma verdadeira Democracia.
Urnas eletrônicas
Nesse último pleito vimos a olho nu, recado não impresso, mas teclado, como manda o figurino das urnas. Ou seja, o povo mostrou escancaradamente que não aceita certos tipos de candidatos nem partidos sem qualificação. Aliás, o número de siglas no Brasil é impressionante: partidos de mais, desnecessariamente; servem mais pra confundir do que para esclarecer o eleitor. Talvez por interesse na verba que cada um recebe, às nossas custas, para a campanha...
Basta sensibilidade e atenção políticas para compreender os recados das urnas eleitorais. Sim; os cidadãos estão fazendo o dever de casa exemplarmente, dando seu parecer da melhor forma, quando sabem que disso depende seu futuro.
Há pouco tempo atrás e atualmente
Antes, eram os votos de cabresto, em troca de dentaduras ou favores; uma vergonha! Agora, está havendo conscientização, apesar de que ainda fica muito a desejar para se ter uma verdadeira Democracia.
Urnas eletrônicas
Nesse último pleito vimos a olho nu, recado não impresso, mas teclado, como manda o figurino das urnas. Ou seja, o povo mostrou escancaradamente que não aceita certos tipos de candidatos nem partidos sem qualificação. Aliás, o número de siglas no Brasil é impressionante: partidos de mais, desnecessariamente; servem mais pra confundir do que para esclarecer o eleitor. Talvez por interesse na verba que cada um recebe, às nossas custas, para a campanha as filiações crescem assustadoramente e alguém está ganhando com isso, menos o eleitorado. Duas vertentes é o suficiente pra um pleito legítimo e consciente.
Tribunal eleitoral
A Legislação bem que poderia ajustar alguns pontos desatualizados e prejudiciais ao longo do tempo, porém essas providências são tão remotas que: "morrem os burros e quem os tangem". Nem por isso poderemos deixar de cobrar dos representantes do povo na Câmara e no Senado, pressões ao STF a fazer mudanças cabíveis, como a impressão dos votos para conferência, como manda nossa Constituição.
Dever cívico
O voto no Brasil é obrigatório por lei, mas na prática tornou-se facultativo pela facilidade de justificar a ausência do cidadão aos pontos de votação e uma multa insignificante quando não comparece. Mesmo com um resultado expressivo, muita gente se absteve dessa obrigação por inconformismo com os postulantes, desconfiança das urnas eletrônicas ou das apurações e do sistema ultrapassado. Assim, ainda houve grande registro de abstenção e isto constitui um sinal bem claro de que algo está precisando de ser ajustado, à maneira satisfatória do eleitor atento.
O povo cansou da mesmice, das mesmas caras e dos mesmos discursos e principalmente de promessas vãs.
Se o número de votos nulos ou brancos for maior do que os válidos, há necessidade de nova eleição, outras chapas e a Legislação vigente dando respaldo à essas possibilidades. Isto é importante pois, ninguém quer simplesmente eleger o menos ruim.
Outro questionamento
É o fato de que não existe critério para alguém postular um cargo eletivo, especialmente os mais relevantes do país, coisa que para se assumir quaisquer vagas em outras áreas é necessária triagem: provas de títulos, alfabetização, moral ilibada e até concurso. Se o candidato estiver com ficha suja, respondendo na Justiça, será logo descartado. Muito bem. Imagine para o Executivo e Legislativo, que conduzirão os destinos de toda uma Nação... No Judiciário também deveria ser apenas por concurso.
Mas, para que essas coisas aconteçam primeiramente haveria uma Lei especificando cada caso e, infelizmente não há interesse dos legisladores nem vontade política.
Também o caso de reeleição é outro ponto a ser considerado e tomadas posições. Da maneira que está, muitos se perpetuam nos cargos como se fossem seu dono, algo vitalício.
São muitas as sugestões
É isso. Surgem inúmeras opiniões de quem se preocupa com o aperfeiçoamento do sistema político e dos cargos políticos, pois a Política vive intrínseca ao nosso cotidiano. Não podemos simplesmente fechar os olhos em confirmação ou reclamar sobre o leite derramado, porque mesmo o que estiver bom poderá ficar melhor para nossa qualidade de vida.
Cada indivíduo deve opinar, criticar quando necessário, e dar seu palpite para que as coisas sejam melhoradas sempre. Isto se chama engajamento social próprio do nosso sistema de governo.
E votação outra vez
Melhor seria se tudo tivesse se resolvido no primeiro turno, todavia surge outro escrutínio no segundo turno e vamos nós, exercer nosso direito de votar , escolhendo nosso presidente da República, cargo máximo da federação.
O povo irá às urnas a fim de realizar sua vontade, como de direito.
Que sejamos abençoados por Deus para que tudo seja decidido dentro de um processo honesto e sério, como merecemos.
Cabe às autoridades constituídas primar pela correção deste sufrágio eleitoral.
Nessas particularidades, são conhecidos os grandes estadistas ou apenas os poderosos da vez.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina. @malude.maciel
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
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É Findi - Romero Falcão* chegando em Dose Dupla
16/10/2026
Entre dois turnos, o medo.
O voto é secreto,
mas o túmulo pode ser de Carrara.
Sei que você, homem comum ou artista,
tem receio de se manifestar:
família, amigos, patrocínio, seguidores
podem minguar.
Até ontem, tive medo de perder
meus quatro seguidores.
Mas hoje, no meu jardim, a flor da vergonha
me intimou a ler A Flor e a Náusea,
de Drummond.
A democracia rompeu a corrente
e, ainda assim, pode acorrentar o voto
e chamar isso de liberdade.
O voto é secreto, eu sei,
mas o túnel se estreita num aperto de mão.
E tudo o que se exige da gente, agora,
é a coragem de Guimarães Rosa
e o pendão de Lula à luz do sol.
Duas Estrelas Cintilando na Escuridão - Crônica
Papéis Principais
Nas nov...
A Flor da Vergonha - Crônica Poética
Entre dois turnos, o medo.
O voto é secreto,
mas o túmulo pode ser de Carrara.
Sei que você, homem comum ou artista,
tem receio de se manifestar:
família, amigos, patrocínio, seguidores
podem minguar.
Até ontem, tive medo de perder
meus quatro seguidores.
Mas hoje, no meu jardim, a flor da vergonha
me intimou a ler A Flor e a Náusea,
de Drummond.
A democracia rompeu a corrente
e, ainda assim, pode acorrentar o voto
e chamar isso de liberdade.
O voto é secreto, eu sei,
mas o túnel se estreita num aperto de mão.
E tudo o que se exige da gente, agora,
é a coragem de Guimarães Rosa
e o pendão de Lula à luz do sol.

Duas Estrelas Cintilando na Escuridão - Crônica
Papéis Principais
Nas novelas do século passado e da primeira década deste, os personagens negros se reduziam a escravos, motoristas, babás, empregados domésticos. Mas tais personagens foram pendurados no museu da televisão. Hoje, atores negros ocupam papéis principais e posições de destaque na telinha: galãs, empresários, médicos, autoridades. Axé!
Nos Altos Cargos da República
Nas instituições, porém, o buraco da agulha permanece estreito. Na história do STF, a toga de Joaquim Barbosa foi uma exceção a cobrir a pele negra. Nos tribunais, no Congresso, nos altos cargos da República, a presença negra ainda é mínima.
Visibilidade Nacional
Nestas eleições, dois jovens negros alcançaram votações surpreendentes. Perdoem minha ignorância: só agora tomei conhecimento das trajetórias de Jones Manoel, pernambucano, e Ana Elisa Santos Silva, mineira. Os dois ganharam visibilidade nacional no horário nobre da televisão.

Concha Convexa
A trajetória de Jones Manoel mostra o quanto a educação pode ser revolucionária. Negro, pobre, filho de empregada doméstica e de pai pedreiro, criado na favela da Borborema, no Recife, ele chega à concha convexa de Oscar Niemeyer. Escritor e formado em História, entra para a história. Que no rastro do pernambucano surjam muitos outros Jones!
Superação de Barreiras
Não entro na ideologia, na foice e no martelo do historiador. Celebro seu mérito: a superação de barreiras, preconceitos e dos percalços da pobreza mais dura.

Primeira Mulher Negra
Da mesma lavra de luz e luta, a mineira Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, estudante de Direito, pobre e filha de mãe solo, também faz história. Segundo declarou, é a primeira mulher negra de sua idade, em duzentos anos, a conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. Numa votação arrebatadora, recebeu mais de meio milhão de votos dos mineiros.
Cintilando Na Escuridão
Os dois ocupam as páginas dos jornais e as telas da televisão, sob os holofotes da imprensa de todo o país.
Duas estrelas cintilando na escuridão.
A essa altura, os celulares dos dois não param de tocar.
Mas lá nas alturas, Deus tá vendo. Castro Alves também.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi – A Dona do Sim - Croniqueta - Por Xico Bizerra*
16/10/2026
O sim era a única palavra que Estefânia aprendera a dizer quando lhe pediam algo. Desde a mais tenra idade, sempre sim, sempre assim. Foi criada consentindo e desconhecia a não-confirmação, fosse do que fosse: só existia essa palavra em seu parco dicionário. Em casa, na escola, em seus dias, tardes e noites.
Desde cedo, quando sua mãe lhe levava à igreja e ela, sem nenhuma vontade de ir, ia sempre. À contragosto, seguia com a mãe e até comungava, por exigência dela. Mocinha, mesmo sem querer, disse sim à proposta de namoro do filho do Coronel, que tinha as piores das intenções com aquele namoro concordado.
Tantos sins disse na vida sem nunca ter aprendido a dizer não que...
Dia desses Tico marcou encontro com Teco, esbarraram-se na sala do meu juízo. Foi quando resolvi escrever esta croniqueta. Desculpem vocês, a culpa é dos neurônios travessos que costumam brincar na parte superior do meu corpo, pouco abaixo dos meus embranquecidos cabelos.
O sim era a única palavra que Estefânia aprendera a dizer quando lhe pediam algo. Desde a mais tenra idade, sempre sim, sempre assim. Foi criada consentindo e desconhecia a não-confirmação, fosse do que fosse: só existia essa palavra em seu parco dicionário. Em casa, na escola, em seus dias, tardes e noites.
Desde cedo, quando sua mãe lhe levava à igreja e ela, sem nenhuma vontade de ir, ia sempre. À contragosto, seguia com a mãe e até comungava, por exigência dela. Mocinha, mesmo sem querer, disse sim à proposta de namoro do filho do Coronel, que tinha as piores das intenções com aquele namoro concordado.
Tantos sins disse na vida sem nunca ter aprendido a dizer não que se tornou escrava do consentimento. O do altar foi apenas um começo de vários outros que se seguiriam, atestado de conformismo firmado com a conveniência.
Quando aprendeu a dizer não já era tarde: o de acordo tantas vezes dito e repetido não lhe permitiu definir, a seu favor, os desejos e vontades no plebiscito do destino. Escrava da não identidade, da aceitação incondicional, Estefânia nunca foi feliz. Aceitou tudo e facilitou a vida de muitos, complicando a sua própria. E assim se foi, sem identidade, postura de aceitação incondicional, escrava do sim, tantas vezes desejosa do não. Pobre Estefânia.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi – Caboclo do Nordeste - Por Poeta Pica-Pau*
16/10/2026
Que se orgulha em ser um nordestino
É um forte guerreiro no destino
É um bravo arigó cabra da peste
Sendo ele do Sertão ou do Agreste greste
Da mata seja Sul ou seja Norte
Defende as raízes até a morte
Cultua com amor a natureza
Ama a cultura com grandeza
Permitindo que a arte lhe transporte
Permitindo que a arte lhe transporte
Ama a cultura com grandeza
Cultua com amor a natureza
Defende as raízes até a morte
Da mata seja Sul ou seja Norte
Sendo ele do Sertão ou do Agreste
É um bravo arigó cabra da peste
É um forte guerreiro no destino
Que se orgulha em ser um nordestino
O matuto caboclo do Nordeste
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acess...
O matuto caboclo do Nordeste
Que se orgulha em ser um nordestino
É um forte guerreiro no destino
É um bravo arigó cabra da peste
Sendo ele do Sertão ou do Agreste greste
Da mata seja Sul ou seja Norte
Defende as raízes até a morte
Cultua com amor a natureza
Ama a cultura com grandeza
Permitindo que a arte lhe transporte
Permitindo que a arte lhe transporte
Ama a cultura com grandeza
Cultua com amor a natureza
Defende as raízes até a morte
Da mata seja Sul ou seja Norte
Sendo ele do Sertão ou do Agreste
É um bravo arigó cabra da peste
É um forte guerreiro no destino
Que se orgulha em ser um nordestino
O matuto caboclo do Nordeste
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi - Dose Dupla de Josué Sena* para este Findi
16/10/2026
Afinal por que tanta pressa?
Meditem com prazer o passo.
Pois o mundo sempre recomeça
E o porvir nunca é escasso.
Devagar com a louça e o andor.
Devagar com o trem ou a caleça.
Conforme nosso segundo imperador,
Devagar é que se chega depressa.
No seguir, há viagens externas.
Viagem ao interior de si.
Exercitemos a mente e as pernas,
Da vida, pelos diferentes caminhos.
Depois, degustando de chegada os vinhos,
Digamos: amigos, o mundo eu conheci.
A palavra caleça, que significa um tipo de carruagem puxada por cavalos, pronuncia-se com o “ê” aberto? Na verdade, o som é parecido com ca-LÉ-ça, com a sílaba LÉ mais forte.
Verso feito de água
Meu poema é também feito de água,
Vezes límpida, vezes um tanto turva,
De trajetória reta, o...
Por que a pressa?
Afinal por que tanta pressa?
Meditem com prazer o passo.
Pois o mundo sempre recomeça
E o porvir nunca é escasso.
Devagar com a louça e o andor.
Devagar com o trem ou a caleça.
Conforme nosso segundo imperador,
Devagar é que se chega depressa.
No seguir, há viagens externas.
Viagem ao interior de si.
Exercitemos a mente e as pernas,
Da vida, pelos diferentes caminhos.
Depois, degustando de chegada os vinhos,
Digamos: amigos, o mundo eu conheci.
A palavra caleça, que significa um tipo de carruagem puxada por cavalos, pronuncia-se com o “ê” aberto? Na verdade, o som é parecido com ca-LÉ-ça, com a sílaba LÉ mais forte.

Verso feito de água
Meu poema é também feito de água,
Vezes límpida, vezes um tanto turva,
De trajetória reta, ou em curva.
Dele a escorrer riso, vezes mágoa.
Vezes tem um ar de douto.
Num viés de saudade e melancolia,
Imagético, vezes adota a ousadia
De interagir com metáforas de Mia Couto.
Meu texto, um tanto formal, estabelece elo,
Não raro, com moderno enredo.
Decerto anseia ir ao prelo,
Mas dele tem intenso medo,
Amargura-se, diz estar ainda cedo,
E sem refino parnasiano para ser belo.
*Josué Sena, poeta e desembargador do TJPE.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

Um abraço para Josafá, que enfrenta a maior dor do mundo
16/10/2026
Soube pelo blog do Magno, confirmei em belo post solidário de Mendonça Filho. O prefeito de São Caetano, PE, Josafá Almeida, passa neste momento, juntamente com a família, pela maior dor que o mundo colocou no caminho de um pai: perder um filho na flor, na exuberância, na beleza dos seus 19 anos. Golpe inesperado e profundo, com o viés doloroso de acidente automobilístico.
Relação respeitosa
Não posso me arvorar de amigo pessoal de Jeová. Acompanho de perto há tempo a trajetória da família. Participei de diversas jornadas eleitorais, sempre trabalhando para o lado divergente. No meio das diferenças de interesses, construímos uma relação formal, respeitosa, sempre com um toque de simpatia pessoal que Josafá exala. Talvez por isso, a dor do momento bata no meu peito como uma martelada. Josafá não merece. Nenhum pai merece passar por uma provação deste tamanho.
Força, muita força
Por José Nivaldo Junior
Soube pelo blog do Magno, confirmei em belo post solidário de Mendonça Filho. O prefeito de São Caetano, PE, Josafá Almeida, passa neste momento, juntamente com a família, pela maior dor que o mundo colocou no caminho de um pai: perder um filho na flor, na exuberância, na beleza dos seus 19 anos. Golpe inesperado e profundo, com o viés doloroso de acidente automobilístico.
Relação respeitosa
Não posso me arvorar de amigo pessoal de Jeová. Acompanho de perto há tempo a trajetória da família. Participei de diversas jornadas eleitorais, sempre trabalhando para o lado divergente. No meio das diferenças de interesses, construímos uma relação formal, respeitosa, sempre com um toque de simpatia pessoal que Josafá exala. Talvez por isso, a dor do momento bata no meu peito como uma martelada. Josafá não merece. Nenhum pai merece passar por uma provação deste tamanho.
Força, muita força
É só o que há para dizer nessas circunstâncias. Força para Josafá. Muita força para a família e os amigos. Se conheci Josafá Neto, não lembro. Dele fica a imagem de um presente que virou dor e um futuro que não aconteceu. E uma luz que vai brilhar para sempre, como estrela no firmamento.