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Câmara aprova pena maior para injúria racial contra mulheres e idosos

16/04/2025

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A Câmara dos Deputados aprovou ontem, 15/04, em votação simbólica, um projeto que aumenta a pena para o crime de injúria racial se praticado contra mulheres e idosos. O texto segue agora para análise pelo Senado. Atualmente, a Lei do Racismo fixa pena de 2 a 5 anos e multa. A proposta acrescenta um dispositivo à lei para prever que essa pena aumenta de um terço a dois terços se o crime for praticado contra mulher ou pessoa idosa. Segundo a norma, a pena é aplicada por “injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional”. A autora do PL: “casos de injúrias raciais são cometidos persistentemente no Brasil e, as vítimas mais frequentes dessa prática criminosa são pessoas negras, com especial foco nas mulheres e em pessoas idosas”. “Isso tem uma relevância muito grande pelo contexto da nossa sociedade, que tem o racismo como uma prática, e também se tratando de pessoas idosas”, afirmou a relatora.

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A Câmara dos Deputados aprovou ontem, 15/04, em votação simbólica, um projeto que aumenta a pena para o crime de injúria racial se praticado contra mulheres e idosos. O texto segue agora para análise pelo Senado. Atualmente, a Lei do Racismo fixa pena de 2 a 5 anos e multa. A proposta acrescenta um dispositivo à lei para prever que essa pena aumenta de um terço a dois terços se o crime for praticado contra mulher ou pessoa idosa. Segundo a norma, a pena é aplicada por “injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional”. A autora do PL: “casos de injúrias raciais são cometidos persistentemente no Brasil e, as vítimas mais frequentes dessa prática criminosa são pessoas negras, com especial foco nas mulheres e em pessoas idosas”. “Isso tem uma relevância muito grande pelo contexto da nossa sociedade, que tem o racismo como uma prática, e também se tratando de pessoas idosas”, afirmou a relatora.

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Caso Master: Esquenta nervosismo entre autoridades com decisão do STF por manter PHC preso e proximidade da temporada de delações

25/04/2026

O Supremo Tribunal Federal (STF), acreditem, encerrou por volta das 22h desta sexta-feira (24/04), o julgamento que decidiu pela manutenção da prisão provisória do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, conhecido por PHC, e de um dos principais assessores de Daniel Vorcaro, o advogado Daniel Monteiro.

Os dois estão envolvidos no escândalo de irregularidades e fraudes cometidas no âmbito do Banco Master, considerado o maior escândalo do mercado financeiro do País.

Tensão no STF

Apesar do julgamento ter acontecido de forma virtual, a correria para que fosse encerrado ontem mostra bem o ambiente de tensão observado entre os ministros do STF sobre o tema. Principalmente, diante de menções feitas pelo dono do Master, o empresário Daniel Vorcaro (preso na sede da Polícia Federal, em Brasília) de que mantinha contatos com os integrantes da Corte Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Os dois mi...

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O Supremo Tribunal Federal (STF), acreditem, encerrou por volta das 22h desta sexta-feira (24/04), o julgamento que decidiu pela manutenção da prisão provisória do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, conhecido por PHC, e de um dos principais assessores de Daniel Vorcaro, o advogado Daniel Monteiro.

Os dois estão envolvidos no escândalo de irregularidades e fraudes cometidas no âmbito do Banco Master, considerado o maior escândalo do mercado financeiro do País.

Tensão no STF

Apesar do julgamento ter acontecido de forma virtual, a correria para que fosse encerrado ontem mostra bem o ambiente de tensão observado entre os ministros do STF sobre o tema. Principalmente, diante de menções feitas pelo dono do Master, o empresário Daniel Vorcaro (preso na sede da Polícia Federal, em Brasília) de que mantinha contatos com os integrantes da Corte Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Os dois ministros negam, mas o fato é que Toffoli foi sócio em um resort que recebeu parceria do Banco Master. E a mulher de Moraes teve seu escritório de advocacia contratado pelo Master. Os dois casos e o real envolvimento dos magistrados com o empresário ainda estão sendo apurados.

Toffoli impedido

O resultado do julgamento de ontem se deu por meio da 2ª Turma do Tribunal, com a inserção do último voto que faltava, do decano do STF, ministro Gilmar Mendes.

Todos votaram conforme o voto do relator, ministro André Mendonça, para manter tanto Costa quanto Monteiro presos. Fazem parte da turma que analisou o processo os ministros Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes.

O outro integrante da Turma, ministro Dias Toffoli, declarou-se impedido de votar no caso.

A única divergência foi a sugestão feita no voto de Gilmar Mendes para que, no caso do advogado Daniel Monteiro, a prisão preventiva dele fosse transformada em prisão domiciliar, mas prevaleceu a prisão dos dois em complexo penitenciário.

Delações premiadas

Advogados de Paulo Henrique Costa já deixaram claro que vão solicitar, a qualquer momento, a transferência dele para a Superintendência da PF como uma das condições do acordo de colaboração premiada que ele já deixou claro querer fazer. Vorcaro também já aceitou fazer delação.

Medo geral

A expectativa de delações de PHC e Vorcaro têm fragilizado e colocado medo em autoridades diversas do cenário empresarial e político do Distrito Federal e do Brasil como um todo. Isto, em função das pessoas que podem ser citadas por eles em meio aos subornos e envolvimento em operações ilegais.

A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, apontou a existência de um esquema estruturado para viabilizar a cessão de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fictícias do Master ao BRB.

Linha de produção

De acordo com as investigações da PF, o sistema consistia em uma verdadeira "linha de produção" de ativos sem lastro, em que os documentos eram produzidos em larga escala, com o uso de planilhas, contratos antedatados e procurações assinadas por funcionários do banco em vez dos supostos tomadores de crédito.

Apesar de alertas internos emitidos por pareceres jurídicos e pela Diretoria de Riscos do Banco Central desde abril de 2025, Costa teria acelerado as aquisições desses ativos para garantir liquidez ao Master, ignorando os controles prudenciais da instituição pública que presidia, de acordo com as apurações.

Operador jurídico

Já o papel do advogado Daniel Monteiro é descrito "como central e estruturante", sendo o operador jurídico do esquema. Ele teria montado uma malha societária composta por empresas de fachada e fundos de investimento geridos pela Reag para blindar a titularidade real dos bens de Costa.

A defesa nega que ele seja líder do esquema, mas também avalia um acordo de delação premiada.

— Com informações do STF e agências de notícias




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Mesmo com prorrogação de cessar-fogo, Israel ataca o sul do Líbano

25/04/2026

O governo de Israel retomou ataques militares no sul do Líbano nesta sexta-feira (24/04) — ao longo do dia e também à noite — poucas horas após o anúncio da prorrogação do cessar-fogo por mais três semanas. O governo israelense afirmou que a operação foi uma resposta a ataques realizados pelo Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã, e que não tem relação com o conflito entre Israel e EUA contra o Irã.

Foram confirmadas a morte de seis combatentes israelenses e ao menos dois libaneses. Os ataques ocorreram na cidade de Nabatieh, localizada no sul do Líbano, que concentra um dos cenários mais críticos de destruição.

Profissionais de saúde mortos

A localidade tem sido alvo de bombardeios contínuos, mesmo durante o período de trégua. A infraestrutura urbana foi severamente comprometida, atingindo estabelecimentos comerciais históricos e unidades de resgate.

Um dos pontos de maior tensão dos conflitos entre Israel e Líbano...

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O governo de Israel retomou ataques militares no sul do Líbano nesta sexta-feira (24/04) — ao longo do dia e também à noite — poucas horas após o anúncio da prorrogação do cessar-fogo por mais três semanas. O governo israelense afirmou que a operação foi uma resposta a ataques realizados pelo Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã, e que não tem relação com o conflito entre Israel e EUA contra o Irã.

Foram confirmadas a morte de seis combatentes israelenses e ao menos dois libaneses. Os ataques ocorreram na cidade de Nabatieh, localizada no sul do Líbano, que concentra um dos cenários mais críticos de destruição.

Profissionais de saúde mortos

A localidade tem sido alvo de bombardeios contínuos, mesmo durante o período de trégua. A infraestrutura urbana foi severamente comprometida, atingindo estabelecimentos comerciais históricos e unidades de resgate.

Um dos pontos de maior tensão dos conflitos entre Israel e Líbano envolve o ataque a equipes de emergência. Dados locais indicam que mais de 100 profissionais de saúde, entre médicos e paramédicos, morreram desde o início das hostilidades.

Impacto forte na economia

Mohamed Suleiman, chefe do departamento de emergência de Nabatieh, ressaltou que esta é a primeira vez que a equipe perde membros em serviço, reforçando que o trabalho do grupo é restrito ao socorro e resgate de vítimas.

Além das perdas humanas, a economia local tenta resistir em meio aos escombros. Comerciantes relatam prejuízos em lojas que operavam há décadas na região. Muitos moradores aproveitam os breves intervalos nos bombardeios para limpar destroços e tentar retomar atividades básicas, apesar da precariedade das condições de segurança.

2.500 óbitos até agora

Conforme informações de entidades de Direitos Humanos, o conflito no Líbano, intensificado desde março, já deixou um saldo de 2.500 mortos. O cenário diplomático permanece travado por exigências opostas entre as partes envolvidas.

Israel condiciona a interrupção definitiva das operações ao desarmamento total do Hezbollah. Em contrapartida, o governo libanês exige a retirada imediata das tropas israelenses que ocupam porções do território no sul do país.

— Com agências internacionais de notícias




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É Findi - Intocável, poema, por Felipe Bezerra*

24/04/2026

Eu devia falar de saudade,
quiçá, talvez, de amor.
Que a vida exige coragem,
para vencer e suportar a dor.

Só que na terra da impunidade,
onde o Supremo se degenerou,
o poeta não perde a vontade
de versar a denunciar o horror.

Quando vivem na ilegalidade
os intocáveis, sem qualquer destemor,
já não há Constituição de verdade,
só simulacro do que Congresso aprovou.

Imagem feita com IA


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Eu devia falar de saudade,
quiçá, talvez, de amor.
Que a vida exige coragem,
para vencer e suportar a dor.

Só que na terra da impunidade,
onde o Supremo se degenerou,
o poeta não perde a vontade
de versar a denunciar o horror.

Quando vivem na ilegalidade
os intocáveis, sem qualquer destemor,
já não há Constituição de verdade,
só simulacro do que Congresso aprovou.

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*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Adeus, Oscar Schmidt! - Poema em Homenagem ao Nosso 'Mão Santa' - Por, Eduardo Albuquerque*

24/04/2026

Chora o Rio Grande do Norte,
como o mundo, chora sua morte,
sua potiguar terra, Natal:
perdemos o ídolo icônico, global.



Quanta alegria doou à sua gente:
sua magia, as jogadas inteligentes.
Lenda do basquete, fama mundial;
da seleção brasileira, defensor inigual.



Quisera descrevê-lo completo, a odisseia:
seus míticos lances, à perfeição,
o ser humano, transbordo imenso.



Recusa o “Mão Santa”, a modéstia:
dizia ser unicamente plena dedicação,
trabalho árduo, esforço intenso.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Chora o Rio Grande do Norte,
como o mundo, chora sua morte,
sua potiguar terra, Natal:
perdemos o ídolo icônico, global.



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Quanta alegria doou à sua gente:
sua magia, as jogadas inteligentes.
Lenda do basquete, fama mundial;
da seleção brasileira, defensor inigual.



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Quisera descrevê-lo completo, a odisseia:
seus míticos lances, à perfeição,
o ser humano, transbordo imenso.



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Recusa o “Mão Santa”, a modéstia:
dizia ser unicamente plena dedicação,
trabalho árduo, esforço intenso.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Além do Som: O Poder das Libras - Conto em Homenagem ao Dia Nacional da Libras, por Maria Inês Machado*

24/04/2026

Os olhos são o espelho da alma. Isso parece algo simples; todavia, há olhares que dizem mais do que palavras. Há olhos que escutam.

O professor Antônio aprendeu isso.

Joaquim, seu filho mais velho, nascera surdo. No início, o silêncio pareceu um abismo. Vieram perguntas sem resposta, noites inquietas e uma sensação de estar diante de um mundo desconhecido. Mas, pouco a pouco, Ele percebeu que o silêncio de Joaquim não era vazio. Era apenas outra forma de linguagem, ainda não decifrada por ele.
Na Escola Florescer, onde gerações haviam sido formadas sob métodos tradicionais, o professor Antônio decidiu inovar. Tornar a instituição inclusiva.

Propôs ao professor Batista, seu sócio, a criação de um espaço para crianças e adolescentes surdos. Encontrou resistência.

A escola era tradicional, sólida, respeitada. Incluir alunos surdos parecia um risco desnecessário.
Mas Antônio não recuou.

Havia nos olhos...

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Os olhos são o espelho da alma. Isso parece algo simples; todavia, há olhares que dizem mais do que palavras. Há olhos que escutam.

O professor Antônio aprendeu isso.

Joaquim, seu filho mais velho, nascera surdo. No início, o silêncio pareceu um abismo. Vieram perguntas sem resposta, noites inquietas e uma sensação de estar diante de um mundo desconhecido. Mas, pouco a pouco, Ele percebeu que o silêncio de Joaquim não era vazio. Era apenas outra forma de linguagem, ainda não decifrada por ele.
Na Escola Florescer, onde gerações haviam sido formadas sob métodos tradicionais, o professor Antônio decidiu inovar. Tornar a instituição inclusiva.

Propôs ao professor Batista, seu sócio, a criação de um espaço para crianças e adolescentes surdos. Encontrou resistência.

A escola era tradicional, sólida, respeitada. Incluir alunos surdos parecia um risco desnecessário.
Mas Antônio não recuou.

Havia nos olhos dele algo que já não cabia em palavras. Um propósito silencioso, firme. Ele desenhou projetos, buscou formação, mergulhou na Língua Brasileira de Sinais. E, com paciência, começou a ensinar à equipe de professores aquilo que estava aprendendo: que a linguagem não mora apenas na voz.

No início, tudo era estranho.

As mãos pareciam desajeitadas, os movimentos incertos. Os professores se sentiam como crianças reaprendendo a se comunicar. Sem a fala, restava o olhar. E foi no olhar que começaram a se encontrar.

As primeiras crianças e adolescentes chegaram com desconfiança. Carregavam nos gestos contidos a marca de quem sempre esteve à margem. Haviam aprendido cedo que o conhecimento passava pelos sons, e estes não lhes pertenciam.
Então, em um dia que parecia comum, algo aconteceu.



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Durante uma atividade, uma menina ergueu as mãos. Seus movimentos eram firmes, delicados, carregados de intenção. Ela contava uma história. Não com voz, mas com o corpo inteiro. Seus olhos brilhavam. Suas mãos desenhavam no ar sentimentos que, até então, pareciam invisíveis.

E todos entenderam.

Naquele instante, o silêncio deixou de ser ausência. Tornou-se presença. Tornou-se linguagem.

Aos poucos, a escola se transformou. As mãos passaram a narrar alegrias, dores, sonhos. Os corredores ganharam novos sentidos. O que antes era dúvida tornou-se descoberta. O que era resistência tornou-se aprendizado.

Até o professor Batista, antes contrário, rendeu-se ao que via. Não foi convencido por discursos, mas pela evidência viva da mudança. Preparou salas, reorganizou espaços, abriu caminhos.

E a Escola Florescer fez jus ao nome.

Ali, o conhecimento deixou de ser apenas som. Tornou-se gesto, expressão, movimento. Tornou-se encontro.

O professor Antônio, agora, já não buscava respostas no silêncio. Ele as via. Estavam nos olhos atentos, nas mãos em movimento, na confiança que crescia onde antes havia medo.

Porque aprender não é apenas ouvir.
É, sobretudo, saber enxergar.
E há quem escute o mundo inteiro… apenas abrindo os olhos.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Faz de Conta que Caça - Crônica - Por, Romero Falcão*

24/04/2026

Embora o gato tenha sete vidas, preciso escrever com cuidado para não magoar a pele sensível dos gateiros.

Certa vez ouvi de um veterinário a seguinte tragédia: uma mulher viu, na rede social, um gato de coleira, passeando feito cachorro, guiado por outra mulher. Ficou fascinada: quer dizer que eu posso fazer o mesmo com o meu?



Não Aceitava Virar Cachorro

No dia seguinte, comprou uma guia. Dentro do apartamento, fez de tudo para colocá-la no animal.O bicho pulava, se esquivava, recusava o pescoço. Não aceitava virar cachorro.

Preparou os Punhais

Mas ela tanto insistiu que conseguiu. O felino cedeu. Saíram, passearam, na maior curtição. O celular, certamente, entupido de fotos.

Na volta, veio o terrível anzol. Quando a madame tirou a coleira, já dentro do apartamento, o gato preparou os punhais — as garras.

Uma Papa de Sangue

Parti...

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Embora o gato tenha sete vidas, preciso escrever com cuidado para não magoar a pele sensível dos gateiros.

Certa vez ouvi de um veterinário a seguinte tragédia: uma mulher viu, na rede social, um gato de coleira, passeando feito cachorro, guiado por outra mulher. Ficou fascinada: quer dizer que eu posso fazer o mesmo com o meu?



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Não Aceitava Virar Cachorro

No dia seguinte, comprou uma guia. Dentro do apartamento, fez de tudo para colocá-la no animal.O bicho pulava, se esquivava, recusava o pescoço. Não aceitava virar cachorro.

Preparou os Punhais

Mas ela tanto insistiu que conseguiu. O felino cedeu. Saíram, passearam, na maior curtição. O celular, certamente, entupido de fotos.

Na volta, veio o terrível anzol. Quando a madame tirou a coleira, já dentro do apartamento, o gato preparou os punhais — as garras.

Uma Papa de Sangue

Partiu para cima. Rasgou-lhe o corpo todo. O rosto uma papa de sangue. A mulher gritava, pedia socorro. Os vizinhos conseguiram salvá-la. Levaram-na ao hospital.

Linguagem do Corpo

Não crie gato com a lógica de criar cachorro. São naturezas distintas.
Nunca criei gato, não entendo sua psicologia. Ainda assim, admiro quem convive com esse animal misterioso, hermético, que fala pela linguagem do corpo.

Não é para qualquer um compreender a natureza de um gato: aceitar sua independência, sua vontade própria, inegociável.

Não Adianta Insistir

Quando o gato não quer, não quer — e ponto. Mas avisa: no rabo que balança, na orelha que se inclina, no miado curto ou longo. Não adianta insistir. Melhor estudá-lo do que desafiá-lo.

Sacrifica o Lobo Interior

O cão se submete a todo tipo de arranjo. Calçar sapato, vestir roupa, usar joia, perfume. Ser conduzido num carrinho de bebê. O capitalismo festeja. E o cão, pelo homem, sacrifica o lobo interior. O gato, não.

O grande escritor e cronista Artur da Távola, que não conheceu o mundo pet como hoje, ainda assim o antecipou. Escreveu uma crônica genial: "Ode ao Gato". Num trecho, diz:

"Relação de Independência"

"O homem quer o bicho submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis. Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não. Até o elefante dança no circo. O cachorro compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. Leões e tigres se apequenam na jaula. Gato, não. Só aceita relação de independência e afeto. E, como não cede ao homem — mesmo dependente dele —, recebe rótulos: traiçoeiro, egoísta, falso. 'Falso', porque não aceita a nossa falsidade. Só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta por necessidade. Gosta por escolha."



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Surgiu Uma Lagartixa

Hoje, parei diante de uma cena: uma moça desceu do apartamento com o gato no colo. De repente, soltou o bicho numa área de terra.
Surgiu uma lagartixa.

Irreconhecível no Reino Animal

Fiquei esperando o sagrado instinto de caça. Para minha decepção, o gato se atrapalhou. Tentava, sem jeito, tocar a presa com uma pata apática. A lagartixa parecia se divertir com aquele felino bobo, irreconhecível no reino animal.

Passarinho de Borracha

Meu Deus — perdeu a prática? Ou arrancaram dele?



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O que escreveria Artur da Távola de um gato que virou pet de apartamento, que escala pedacinhos de madeira no décimo andar e faz de conta que caça um passarinho de borracha?


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Pés no Chão - Por, Poeta Pica-Pau*

24/04/2026

Sou cria do mato
Caboclo da roça
Na minha palhoça
Sou muito feliz
Da terra eu tiro
O sustento diário
E no meu calendário
Sou matuto raiz

Não troco o sossego
Por prata nem ouro
Porque meu tesouro
É disso pra lá
É o ar que respiro
Sem poluição
E o cheiro do chão
Quando quer trovoar

Do romper do dia
Ao sol se acalmar
Eu planto semente
Pra vê-la brotar
Não tenho ambição
Me contento com pouco
E assim o caboclo
Vive a gargalhar

O mundo da roça
É bem diferente
De toda essa gente
Que quer ser feliz
E não parou pra pensar
Que a felicidade está
No seu consciente

Caboclo não sente
Falta de riqueza
Que a natureza
Lhe dá a semente
E a colheita sadia
Assim todo dia
O caboclo é con...

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Sou cria do mato
Caboclo da roça
Na minha palhoça
Sou muito feliz
Da terra eu tiro
O sustento diário
E no meu calendário
Sou matuto raiz

Não troco o sossego
Por prata nem ouro
Porque meu tesouro
É disso pra lá
É o ar que respiro
Sem poluição
E o cheiro do chão
Quando quer trovoar

Do romper do dia
Ao sol se acalmar
Eu planto semente
Pra vê-la brotar
Não tenho ambição
Me contento com pouco
E assim o caboclo
Vive a gargalhar

O mundo da roça
É bem diferente
De toda essa gente
Que quer ser feliz
E não parou pra pensar
Que a felicidade está
No seu consciente

Caboclo não sente
Falta de riqueza
Que a natureza
Lhe dá a semente
E a colheita sadia
Assim todo dia
O caboclo é contente

Vou dá um conselho
Pra quem é apressado
E está afastado
Do seu bom viver
Venha conlhecer
A beleza da roça
E um sossego que possa
Lhe dá mais prazer


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


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É Findi – O Bichinho Sorridente e o Político Indecente – Croniqueta, por Xico Bizerra*

24/04/2026

Que me perdoe Pitágoras, mas mais um dia que se vai e eu não precisei usar o cateto da hipotenusa para absolutamente nada. Em contrapartida, tive a grata satisfação de, através do excelente 'Crônicas Pandêmicas', de Zé Teles, tomar conhecimento do sorridente Quokka'.

Que diabo é Quokka e de que ele ri?

Calma! Não enfiem o dedo e rasguem a boca em X se classificando ignorantes antes que lhes esclareça: trata-se de um pequeno marsupial que vive na Austrália, primo legítimo dos cangurus, de tamanho similar a um gato doméstico e que vive permanentemente a sorrir. E eu que pensava que no reino dos bichos, além dos humanos, apenas a hiena era um animal que sabia rir. Ledo engano! Achei tão interessante a existência desse tal de 'Quokka' que, deliberadamente, assumi correr o risco de ser acusado de ter plagiado Teles ao abordar o simpático animalzinho nesta croniqueta. Não foi minha intenção. Resta a primária questão: ele ri de felicidade ou por outro qua...

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Que me perdoe Pitágoras, mas mais um dia que se vai e eu não precisei usar o cateto da hipotenusa para absolutamente nada. Em contrapartida, tive a grata satisfação de, através do excelente 'Crônicas Pandêmicas', de Zé Teles, tomar conhecimento do sorridente Quokka'.

Que diabo é Quokka e de que ele ri?

Calma! Não enfiem o dedo e rasguem a boca em X se classificando ignorantes antes que lhes esclareça: trata-se de um pequeno marsupial que vive na Austrália, primo legítimo dos cangurus, de tamanho similar a um gato doméstico e que vive permanentemente a sorrir. E eu que pensava que no reino dos bichos, além dos humanos, apenas a hiena era um animal que sabia rir. Ledo engano! Achei tão interessante a existência desse tal de 'Quokka' que, deliberadamente, assumi correr o risco de ser acusado de ter plagiado Teles ao abordar o simpático animalzinho nesta croniqueta. Não foi minha intenção. Resta a primária questão: ele ri de felicidade ou por outro qualquer motivo? Não creio que nele resida o riso do cinismo e desfaçatez tão comuns a alguns políticos em período eleitoral, época de caça aos votos.

Para não deixar pela metade o compêndio de cultura inútil, informo que os 'Quokka' são herbívoros, de hábitos noturnos e possuem uma bolsa na barriga onde as fêmeas carregam e amamentam seus filhotes. Se quiserem conhecê-los melhor e tiverem preguiça de consultar o Google é só comprar uma passagem para a Ilha Rottnest, lá pras bandas da Oceania, mas já sabendo que o bichinho é considerado uma espécie vulnerável, protegida pelas leis australianas, sendo proibido tocá-lo ou alimentá-lo. Distância deles, pois. Dos homens que riem por cinismo, também. Estes, ao contrário daqueles, são nocivos à boa alma.


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Soneto Biocadaveral, Mais um Poema do Poeta Tony Antunes de Palmares* na linha de Augusto dos Anjos. Lê quem gosta de Escatologia

24/04/2026

(Ao Poeta Augusto dos Anjos)

No abismo necroideante da alma vã, Fermentam vermes — átomos da dor — Que em pútrida e infinita decomposição Devastam mil universos num só horror.

Na carne bacteriófaga do existir,
Pululam vírus — espectros da agonia — Num caos que excede o próprio ruir,
E explode em dor maior que a eternidade fria.

Ó mente cadaverizante, abismo em febre, Onde a morte é química em combustão, Mais vasta que o cosmo em sua treva lúgubre.

E em tua orgânica e eterna putrefação, Há um grito — hipermorbígeno — que verte Mil sóis de dor na mínima fração da morte.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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(Ao Poeta Augusto dos Anjos)

No abismo necroideante da alma vã, Fermentam vermes — átomos da dor — Que em pútrida e infinita decomposição Devastam mil universos num só horror.

Na carne bacteriófaga do existir,
Pululam vírus — espectros da agonia — Num caos que excede o próprio ruir,
E explode em dor maior que a eternidade fria.

Ó mente cadaverizante, abismo em febre, Onde a morte é química em combustão, Mais vasta que o cosmo em sua treva lúgubre.

E em tua orgânica e eterna putrefação, Há um grito — hipermorbígeno — que verte Mil sóis de dor na mínima fração da morte.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Basílica da Penha - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*

24/04/2026

Construída num terreno doado, em 1656, por Melchior Álvares e sua esposa Joana Bezerra, graças ao esforço e dedicação dos frades capuchinhos franceses e à generosidade da população do Recife, através de donativos, o que proporcionou a construção, não apenas da igreja como do convento dos frades, anexo. Suas linhas arquitetônicas fogem totalmente, aos demais templos católicos do Recife, justamente por seguir, em parte, o estilo da ordem artística coríntia.
Sua configuração é de uma cruz latina, contendo três na-ves, com um suntuoso zimbório, tendo no alto uma elegante clarabóia, bonitos altares e painéis pontificais muito antigos em edição de luxo de Viseu.

Segundo o Pe. Antônio Barbosa, “ Relíquias de Pernambuco”, págs. 55 e 56: “...Questões políticas entre Portugal e França provocaram a expulsão dos frades franceses, nos primórdios do século XVIII, o que implicou nos abandono da igreja e de sua obra. Nos idos de 1709, a coroa portuguesa autorizou a volta dos c...

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Construída num terreno doado, em 1656, por Melchior Álvares e sua esposa Joana Bezerra, graças ao esforço e dedicação dos frades capuchinhos franceses e à generosidade da população do Recife, através de donativos, o que proporcionou a construção, não apenas da igreja como do convento dos frades, anexo. Suas linhas arquitetônicas fogem totalmente, aos demais templos católicos do Recife, justamente por seguir, em parte, o estilo da ordem artística coríntia.
Sua configuração é de uma cruz latina, contendo três na-ves, com um suntuoso zimbório, tendo no alto uma elegante clarabóia, bonitos altares e painéis pontificais muito antigos em edição de luxo de Viseu.

Segundo o Pe. Antônio Barbosa, “ Relíquias de Pernambuco”, págs. 55 e 56: “...Questões políticas entre Portugal e França provocaram a expulsão dos frades franceses, nos primórdios do século XVIII, o que implicou nos abandono da igreja e de sua obra. Nos idos de 1709, a coroa portuguesa autorizou a volta dos capuchinhos, desta feita, oriundos da Itália, para reassumirem as suas obras.

A igreja era dotada de grande simplicidade, portanto, destituída dos requintes barrocos.
A primeira imagem, sendo de pequenas dimensões, foi substituída por outra de tamanho natural, que ainda hoje se encontra no altar-mor.



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Com o fortalecimento da devoção da virgem da Penha, os frades sentiram a necessidade de aumentar o templo, e o fizeram com ares basílicas, à semelhança da basílica de Santa Maria Maior de Roma, e em estilo coríntio, único exemplar no Recife. O arquiteto foi frei Vicente de Vienzio, e a conclusão das obras se deu aos 22 de janeiro de 1882, quando foi solenemente inaugurada.

Seu interior, imponente, é de grande esplendor, encimado por uma grande cúpula. Entre as arcadas que a rodeiam, estão as pinturas dos quatro evangelistas, de autoria de Murilo La Greca. Há vários altares de grande valor estético, destacando-se aquele onde se acha o mausoléu de Dom. Vital, o qual soube defender a fé e a sagrada doutrina em obediência ao Papa Pio IX, na famosa “Questão Religiosa” da Igreja contra a maçonaria. A construção de seu túmulo contou com desenho artístico do arquiteto Giacomo Palumbo e execução de João Barete de Carrara, e a sua inauguração ocorreu aos 4 de julho de 1887...”



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Nesta basílica foi velado, em 1997, o corpo do Frei Damião de Bozzano, um dos religiosos mais adorados da Região Nordestina, juntamente com o Padre Cícero. Nela foi sepultado o corpo do irreverente poeta baiano Gregório de Matos. Numa sala ao lado direito do templo, funciona o Museu D. Vital, com várias peças de vestimentas e de uso generalizado do religioso.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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