Câmara aprova pena maior para injúria racial contra mulheres e idosos
16/04/2025
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“Proibição das bets é uma vitória dos brasileiros”, afirma advogado Antônio Campos
26/09/2026
Assinada na noite de ontem, a MP impede a realização apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.
Hora das ações indenizatórias
Segundo afirmou Campos, a medida “é uma vitória dos brasileiros”. Segundo o advogado, ‘chegou a hora das ações indenizatórias e similares para devolver os valores aos prejudicados”.
“Desde o início, estive na luta contra as bets e os tigrinhos, que destruíram a vida de muitos brasileiros e brasileiras e p...
O advogado e escritor Antônio Campos, que sempre se manifestou contrário às apostas e jogos online no Brasil, as famosas “bets”, comemorou a assinatura, nesta sexta-feira (25/09), pelo presidente Lula, da Medida Provisória (MP) que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas apostas no país.
Assinada na noite de ontem, a MP impede a realização apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.
Hora das ações indenizatórias
Segundo afirmou Campos, a medida “é uma vitória dos brasileiros”. Segundo o advogado, ‘chegou a hora das ações indenizatórias e similares para devolver os valores aos prejudicados”.
“Desde o início, estive na luta contra as bets e os tigrinhos, que destruíram a vida de muitos brasileiros e brasileiras e prejudicaram muitas famílias”, declarou.
Ação popular preventa
Sou autor da ação popular preventa , ou seja, pioneira, que pedia a proibição das bets ou a equiparação da publicidade, similar à legislação contra o fumo, que tramita na Justiça Federal de Brasília”, informou ainda Campos.
O advogado ressaltou também que tais apostas online consistem em “um jogo ilusório em que o jogador não tinha qualquer chance de ganhar”. “Agora chegou o momento de pedir a restituição dos valores e a indenização dos prejudicados”, frisou. “Não às bets. Não aos tigrinhos. Viva os brasileiros”, acrescentou ele.
Porque o Brasil precisa rever o negócio das bets, sem considerá-las contribuintes ou agente econômico, mas como elemento de saúde pública nacional
26/09/2026
O presidente Lula voltou de Nova Iorque, onde participou da abertura da Assembleia Geral da ONU, com a agenda de seu gabinete para tratar da questão das bets. Demorou. Lula da Silva deveria ter definido uma nova posição de seu governo em junho, quando a questão escalou como problema de saúde pública. Mas, certamente, não quis enfrentar a questão quando as bets se apresentaram com as grandes patrocinadoras da Copa do Mundo de 2026.
De fato, talvez não fosse adequado partir para o enfrentamento — que deve partir na penúltima semana da campanha eleitoral — devido à pressão dos diversos grupos de interessados que, agora, se sabe, vão desde deputados e senadores até clubes de futebol, onde as bets já patrocinaram 15 das 20 participantes da Série A, embora não sejam as maiores responsáveis pelas verbas arrecadadas pelos participantes.
Tomar uma decisão
Mas o presidente não tem como fu...
Por Fernando Castilho*
O presidente Lula voltou de Nova Iorque, onde participou da abertura da Assembleia Geral da ONU, com a agenda de seu gabinete para tratar da questão das bets. Demorou. Lula da Silva deveria ter definido uma nova posição de seu governo em junho, quando a questão escalou como problema de saúde pública. Mas, certamente, não quis enfrentar a questão quando as bets se apresentaram com as grandes patrocinadoras da Copa do Mundo de 2026.
De fato, talvez não fosse adequado partir para o enfrentamento — que deve partir na penúltima semana da campanha eleitoral — devido à pressão dos diversos grupos de interessados que, agora, se sabe, vão desde deputados e senadores até clubes de futebol, onde as bets já patrocinaram 15 das 20 participantes da Série A, embora não sejam as maiores responsáveis pelas verbas arrecadadas pelos participantes.
Tomar uma decisão
Mas o presidente não tem como fugir de uma decisão. Lula assinou uma MP que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional, tanto em meios físicos quanto virtuais. A regra alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive plataformas sediadas no exterior que atendam a apostadores no Brasil.
Embora o faça como ato de campanha eleitoral, a pressão social chegou a um ponto em que o Estado brasileiro precisa rever a legislação aprovada em 2023 e que, como se constatou, abriu completamente o mercado sem qualquer salvaguarda.
Na verdade, a lei nº 14.790/2023 é um exemplo internacional de como um país não abordar a questão das apostas esportivas, por não abranger proteções mínimas. Isso vai desde a publicidade sem restrições até a falta de proteção ao acesso dos apostadores, e só recentemente o próprio Ministério da Fazenda introduziu advertências nas telas sobre os riscos de jogar nas plataformas.
MP corretiva
O governo sabe que uma Medida Provisória, embora possa ter aplicação imediata, não terá tramitação tranqüila no Congresso, especialmente no final de uma legislatura. Mas poderá ser um gesto importante.
É uma forma do próprio governo Lula tentar corrigir o equívoco na proposta de aprovação de uma legislação que, sabe-se agora, não previu eleitos na sociedade brasileira a despeito de farta literatura internacional. O governo sabe agora que deu ouvidos aos empresários que valorizam a tributação sem considerar o deslocamento de recursos dentro da economia e os riscos junto à população de baixa renda, embora a classe média também aposte.
Liberou geral
É importante observar na questão das bets como o setor teve autorização para operar legalmente sem qualquer restrição. O caso brasileiro é um modelo de como não fazer porque o governo (sem conhecer o assunto profundamente e muito menos os impactos na população de outros países) se comportou de forma ingênua e irresponsável socialmente.
A Lei das Bets nº 14.790 foi sancionada pelo presidente Lula em 29 de dezembro de 2023. Durante todo o ano de 2024, as empresas se regularizaram e começaram uma ocupação de espaço publicitário que simplesmente eliminou todo o conjunto de patrocinadores tradicionais. E virou instrumento de disputa de cidades para abrigar bets, como foi o caso do Recife, que reduziu a tributação das empresas de 5% para 2% e, em 2025, recebeu de ISS R$ 74,6 milhões, devendo receber em 2026 o mesmo valor. Ou seja, quase 150 milhões em dois anos.
Arrecadação
Segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), em 2025 o governo arrecadou R$ 9,95 bilhões com as casas de apostas, sobre uma alíquota de 12% sobre a receita bruta de jogos, a GGR (Gross Gaming Revenue), além do pagamento do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins.
O potencial contributivo, porém, está a bilhões de reais da transferência de recursos da economia. Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio apresentado ao próprio Lula, de janeiro de 2023 a março de 2026, os gastos chegaram perto de R$ 700 bilhões, sendo que no ano passado esses gastos foram de R$ 320 bilhões.
Risco à saúde
Mas nenhum desses números tem maior impacto do que os efeitos da ludopatia nas famílias. E as mulheres são as que estão sofrendo mais, pois são atraídas pelos jogos e sofrem o impacto da perda de renda de seus maridos quando eles perdem o controle sobre o jogo.
Segundo a pesquisa “Mulheres & Bets”, 42% das entrevistadas afirmam que apostam ou já apostaram em plataformas online, enquanto outras 12% não apostam, mas têm alguém da família que aposta.
Ataque às mulheres
O impacto pode ser ainda mais relevante porque, entre as mulheres que apostam, 21,5% apontam a busca por renda extra como principal motivação, enquanto 19% dizem apostar pela expectativa de ganhar dinheiro rapidamente. O levantamento também mostra que 72% dos apostadores têm filhos.
Os números do CNC e de pesquisas como as “Mulheres & Bets” ajudaram o governo a mudar sua posição. Não é mais uma questão de arrecadação. As bets se tornaram um problema social e público.
*Fernando Castilho é jornalista, colunista econômico do JC, onde este artigo foi originalmente publicado no dia 23/09.
NR - O texto foi atualizado apenas no trecho referente à publicação da MP, que foi assinada nesta sexta-feira (25/09).

Trabalhadores portuários declaram apoio à reeleição de Silvio Costa Filho
26/09/2026
O encontro aconteceu nesta sexta-feira (25/09), quando o presidente do Sindicato dos Estivadores de Pernambuco (Sindestiva-PE), Josias Martins, um dos representantes do grupo afirmou que são muitas coisas para agradecer ao ex-ministro.
“Um dos exemplos é a criação do Fórum Nacional dos Trabalhadores Portuários, que abriu o diálogo entre o governo e os trabalhadores, assim como a construção do substitutivo negociado para buscar um entendimento em torno do Projeto de Lei 733/2025 [referen...
O ex-ministro de Portos e Aeroportos de Lula e deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos), candidato à reeleição, recebeu um importante gesto nesta reta final de campanha. Em reconhecimento ao trabalho desenvolvido em favor do setor portuário brasileiro, sobretudo dos trabalhadores, durante sua passagem pelo ministério Silvio foi homenageado e teve confirmado o apoio dos sindicatos dos Conferentes de Carga e Descarga de Pernambuco e dos Estivadores à sua reeleição.
O encontro aconteceu nesta sexta-feira (25/09), quando o presidente do Sindicato dos Estivadores de Pernambuco (Sindestiva-PE), Josias Martins, um dos representantes do grupo afirmou que são muitas coisas para agradecer ao ex-ministro.
“Um dos exemplos é a criação do Fórum Nacional dos Trabalhadores Portuários, que abriu o diálogo entre o governo e os trabalhadores, assim como a construção do substitutivo negociado para buscar um entendimento em torno do Projeto de Lei 733/2025 [referente ao novo marco trabalhista dos portos]”, destacou.
Luta por investimentos para o Estado
Martins disse que eles fizeram questão de ir até o deputado para agradecer pessoalmente “por tudo o que ele fez e dizer que vamos apoiá-lo na reeleição”.
“Silvio é uma pessoa que lutou pelo estado. Muitos investimentos para o Porto do Recife e Suape vieram por conta do ministro. Ele atuou para construir um substitutivo ao PL 733/2025. E para que a proposta avance na Câmara, precisamos elegê-lo deputado outra vez”, complementou, também, o presidente do Sindicato dos Conferentes, Fernando Marcelo.
Criação de fórum permanente
Durante sua passagem pelo Ministério de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho se destacou por ter atuado para fortalecer o setor portuário brasileiro, buscando promover o desenvolvimento sem deixar ninguém de lado. Para isso, abriu de forma inédita o diálogo com os trabalhadores ao criar o Fórum Permanente dos Trabalhadores Portuários, com o objetivo de discutir políticas para o fortalecimento do setor e da categoria.
Ainda no ministério, ele articulou reuniões entre as federações de trabalhadores e entidades patronais para avançar na construção do substitutivo ao PL 733/2025, que trata do novo marco trabalhista dos portos.
Regras de negociação coletiva
Na ocasião, foi construído um memorando de entendimento entre as partes, envolvendo certificação profissional, critérios para contratação, definição das atividades portuárias e regras de negociação coletiva. Atualmente, o projeto está em apreciação na Câmara dos Deputados.
“Quero parabenizar o trabalho de todos vocês em favor dos trabalhadores e trabalhadoras do setor portuário de Pernambuco. Dizer da alegria de podermos estar juntos nessa caminhada. Ao lado do futuro governador João Campos e do presidente Lula, esperamos que possamos trabalhar muito nos próximos anos pelo fortalecimento do setor, que é fundamental para o desenvolvimento econômico e social de Pernambuco e do Brasil”, agradeceu Silvio.
— Foto de Wesley D'Almeida
Presidenciáveis participam de atividades de campanha em cinco estados neste fim de semana
26/09/2026
Faltando poucos dias para o primeiro turno das eleições, os candidatos à Presidência da República têm agendas neste fim de semana que incluem caminhadas, comícios, entrevistas e encontros com apoiadores em diferentes cidades. As atividades de campanha estão previstas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná.
O presidente Lula (PT) participa de uma caminhada, durante a manhã deste sádo (26/09), intitulada ‘Brasil Pronto pra Mais’, em São Miguel, na zona leste de São Paulo (SP). Depois, Lula tem reunião com assessores e, neste domingo (27/09), ele pretende participar da gravação de vídeos e descansar um pouco, sem agenda pública prevista.
Moto-carreatas e entrevistas
O senador Flávio Bolsonaro (PL) estará em duas moto-carreatas no Rio de Janeiro (RJ). A primeira, pela manhã, em São João de Meriti. O trajeto inclui passagem pela Praça da Matriz e termina no bairro Vila Tira...
Da Redação
Faltando poucos dias para o primeiro turno das eleições, os candidatos à Presidência da República têm agendas neste fim de semana que incluem caminhadas, comícios, entrevistas e encontros com apoiadores em diferentes cidades. As atividades de campanha estão previstas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná.
O presidente Lula (PT) participa de uma caminhada, durante a manhã deste sádo (26/09), intitulada ‘Brasil Pronto pra Mais’, em São Miguel, na zona leste de São Paulo (SP). Depois, Lula tem reunião com assessores e, neste domingo (27/09), ele pretende participar da gravação de vídeos e descansar um pouco, sem agenda pública prevista.
Moto-carreatas e entrevistas
O senador Flávio Bolsonaro (PL) estará em duas moto-carreatas no Rio de Janeiro (RJ). A primeira, pela manhã, em São João de Meriti. O trajeto inclui passagem pela Praça da Matriz e termina no bairro Vila Tiradentes. A segunda, terá inicio a partir das 15h, e está programada para se realizar em Jacarepaguá, na capital fluminense.
Romeu Zema (Novo) confirmou presença em atos de campanha em cidades do Sul de Minas. Pela manhã de hoje, ele concede entrevista para o portal Terra do Mandu em Pouso Alegre e depois se encontra com apoiadores na cidade. Às 12h, Zema faz caminhada nos comércios de Varginha e almoça com apoiadores. No início da tarde concede entrevista ao vivo para a rádio Itatiaia de Varginha.
Ronaldo Caiado (PSD) sai, durante a manhã, em carreata no percurso entre as cidades de Luziânia e Cristalina. Às 13h30, ele participa de caminhada em Valparaíso de Goiás e às 18h30 se encontra com lideranças e apoiadores em Águas Lindas de Goiás, município no entorno do Distrito Federal.
Encontros com apoiadores e debates
Augusto Cury (Avante) cumpre hoje agenda de campanha em Salvador (BA), das 10h às 13h. Ele articipa de caminhada pela pacificação pelo Pelourinho e pela Feira do Empreendedor. Às 16h30, inicia agenda de campanha em Caeté (MG). De lá, participa de caminhada pela pacificação até a Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso. Não há previsão de agenda pública do candidato no domingo.
Renan Santos (Missão), terá hoje No sábado, encontros com apoiadores em Minas Gerais. em Divinópolis e em Belo Horizonte. E neste domingo, participa de encontro com apoiadores em Salvador (BA), às 16h.
Por sua vez, Hertz Dias (PSTU) participa, às 18h, de debate presidencial, transmitido ao vivo pelos podcasts Kritikê e Três Irmãos, além da rádio My News. No domingo, às 18h30, ele participa do lançamento do livro Programa Revolucionário para o Brasil & Análise do Brasil Contemporâneo, em Brasília (DF).
Programas de TV e comícios
Rui Costa Pimenta (PCO) estará durante a manhã no programa Análise Política da Semana, transmitido pela Causa Operária TV, com análise da conjuntura nacional e internacional e perguntas do público. Já às 18h participa de debate presidencial, transmitido ao vivo pelos podcasts Kritikê e Três Irmãos, além da rádio My News. No domingo, às 11h, o candidato participa de ato de encerramento de campanha em São Paulo (SP).
Samara Martins (UP) estará em comício no Centro de São Paulo (SP) durante toda a manhã, na Estação da Luz. Às 18h participa de debate presidencial, transmitido ao vivo pelos podcasts Kritikê e Três Irmãos, além da rádio My News. Não há agenda pública da sua campanha divulgada para o domingo.
Wilson Grassi (Democrata) concede entrevista às 12h aos canais SBT e SBT News. Às 18h, participa do debate com candidatos à presidência da República promovido pelos podcasts Kritikê e 3 Irmãos, além do canal My News.
Panfletagem e confraternização
Clariana Barão (DC) também confirmou presença em debate, neste sábado, com candidatos à Presidência da República, às 18h, promovido pelos podcasts Kritikê, Três irmãos e MyNews. Edmilson Costa (PCB) dedicará a manhã de hoje a panfletagem no Centro de Curitiba (PR), com início previsto para as 10h30. Ao meio-dia, ele almoça com a militância. Às 14h30, participa de roda de conversa na Livraria Vertov, no bairro Mercês.
Às 17h, participa de atividade de imprensa e produção de materiais. Às 18h, confirmou presença em confraternização do Bloco Vermelho, na Escadaria das Ruínas de São Francisco. E neste domingo (27/09), estará, às 19h, em debate sobre soberania nacional e luta anti-imperialista, a ser realizado em Maringá (PR).
Resumo do dia: quem vota em Lula vota em João
25/09/2026
Força popular
As imagens são impressionantes.
Foi um retrato da diversidade e da força política de um povo que se fez presente em peso, ocupando cada trecho do percurso entre o Cais de Santa Rita e o Marco Zero.
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva caminhou e esteve no carro ao lado de João Campos durante todo o trajeto, em meio ao povo, sem qualquer distância protocolar. A caminhada reuniu, ao redor dos dois, uma quantidade de pessoas impossível de mensurar, e que testemunhas descrevem como a maior concentração popular já vista durante disputa ele...
Pernambuco viveu nesta sexta-feira (25/09) um dos dias mais marcantes da história das campanhas eleitorais. O Centro do Recife recebeu uma multidão incalculável, formada por gente vinda de todos os cantos do estado, do Sertão ao litoral, passando pelo Agreste, pela Mata Norte, pela Mata Sul e pela Região Metropolitana, além da própria capital.
Força popular
As imagens são impressionantes.
Foi um retrato da diversidade e da força política de um povo que se fez presente em peso, ocupando cada trecho do percurso entre o Cais de Santa Rita e o Marco Zero.

O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva caminhou e esteve no carro ao lado de João Campos durante todo o trajeto, em meio ao povo, sem qualquer distância protocolar. A caminhada reuniu, ao redor dos dois, uma quantidade de pessoas impossível de mensurar, e que testemunhas descrevem como a maior concentração popular já vista durante disputa eleitoral em Pernambuco.
Chapa completa. E fechada
Ao lado da dupla, também esteve presente a chapa completa, tanto majoritária quanto proporcional, reforçando o tamanho e a organização do grupo político que sustenta a candidatura. A presença conjunta de todos os nomes da chapa em um mesmo ato demonstrou coesão e alinhamento em torno de um projeto único para o estado.

João é Lula, Lula é João
Mais do que um ato de campanha, o dia de hoje consolidou uma mensagem clara para o eleitorado pernambucano: quem vota em Lula vota em João. A imagem dos dois lado a lado, cercados por uma multidão de todas as regiões do estado, tornou essa associação concreta, visível e difícil de ser ignorada. Em um momento especial, Lula falou que João seria eleito com o voto das mulheres de Pernambuco e as mulheres responderam cantando seu nome.
Fica registrado
Que Pernambuco testemunhou hoje um marco desta eleição, um dia em que a união entre o presidente da República e o candidato ao governo do estado ganhou forma nas ruas, diante de um público incalculável. Lula e João em Pernambuco, são um só.

Morreu o Luquel
Quem esta com Lula e Raquel, sofreu a maior derrota. Todos desautorizado pela voz de Lula, na rua, a usarem seu nome fora do projeto Lula/João. Quem tá nessa linha e tentou se infiltrar, foi escorraçado pela massa. Venceu a coerência e a unidade. Quem não entender a mensagem, bom, não entendeu. Fazer o que, nesses casos?
Por TonyLucas, chefe de reportagem de O Poder.
É Findi - A barreira invisível. - Crônica - Por AJ Fontes*
25/09/2026
O torpor não me deixou entender de imediato, mas peguei no tranco e percebi o som frenético e surdo de asas.
Era um beija-flor.
Ele acertou na única porta aberta no momento, atravessou a sala e bateu no janelão alto da cozinha.
Àquela hora ele buscava o néctar das flores a fim de saciar a necessidade de acumular energia para voar e voar para buscar mais néctar.
Nada diferente de outros animais. Por exemplo, Jung.
O gato, só gato, não o estudioso de mentes e almas. Embora dormisse no escritório, colocou-se na posição que lhe cabia. Não importava se já tinha saciado a fome com boa ração oferecida em um recipiente lavado diariamente e de uso exclusivo. Não importava se tinha um lugar c...
Depois das quatro da tarde, bate um friozinho gostoso no sítio. O sol ainda clareia, mas a gente sente que árvores e bichos começam a se aconchegarem. Tudo fica mais lento e bate uma leseira. É o início do fim do dia.
O torpor não me deixou entender de imediato, mas peguei no tranco e percebi o som frenético e surdo de asas.
Era um beija-flor.
Ele acertou na única porta aberta no momento, atravessou a sala e bateu no janelão alto da cozinha.
Àquela hora ele buscava o néctar das flores a fim de saciar a necessidade de acumular energia para voar e voar para buscar mais néctar.
Nada diferente de outros animais. Por exemplo, Jung.
O gato, só gato, não o estudioso de mentes e almas. Embora dormisse no escritório, colocou-se na posição que lhe cabia. Não importava se já tinha saciado a fome com boa ração oferecida em um recipiente lavado diariamente e de uso exclusivo. Não importava se tinha um lugar confortável e seguro e um humano com quem brincava e satisfazia suas vontades.
Com sofreguidão, o pequeno batia no vidro, atravessava o vão até o janelão da sala e repetia o processo. As árvores e tudo que conhecia estavam lá. Ele via, mas a barreira invisível não deixava sair.
O caçador pulava para cima da geladeira, dos móveis. Pulava no ar com as garras prontas enquanto eu afastava a presa jogando a toalha de enxugar pratos, a camisa ou qualquer pano que estivesse ao meu alcance.
Sai Jung! Não Jung!
Ele voava para um lado, o gato corria e eu atrás. Ficamos nesse vai e vem até que resolvi trancar o bichano no banheiro.
Sem a ameaça imediata, abri janelas e portas, acendi as luzes da varanda e enxotei o pássaro na tentativa de levá-lo para fora. Creio que cansado do esforço, pousou em uma linha de madeira da coberta. O miado desesperado vindo da prisão temporária, levou o estressado a retomar as tentativas de atravessar uma das janelas.
O sol já avermelhava os contornos dos morros e todos nós estávamos calados e quietos, a ponto de pensar que o pequeno conseguira encontrar a saída. Resolvi abrir a porta do banheiro e me encaminhei para o sofá, cansado.
Foi quando ouvi um guincho estridente.
Jung, solta!
O gato estava agarrado ao beiral do janelão com o beija-flor na boca. Corri, subi em um banco segurei o predador e levei para o chão. Não me atrevi a tirar da boca a presa que guinchava desesperada, apenas ordenei: solte, solte!
Ao invés disso, seguiu para o jardim. Ele caminhava agachado, procurando um lugar seguro para consumar o mando instintivo. Segui e o segurei pelo couro da “nuca”. Balancei e repeti a ordem. Atendeu ou não suportou o movimento, não sei. O certo foi ver o pequeno voar e desaparecer rapidamente.
Acalentei o amigo que ficou sem entender, buscando no ar pelo regalo gastronômico. Afaguei sua cabeça e o convidei a comer alguma coisa.
Ele me seguiu até o comedor onde renovei a ração escolhida por mim e aprovada por ele. Parecia deliciosa.
Fui para o sofá onde me deixei relaxar.
A luz da lua já se anunciava quando me peguei pensando.
Estou pronto para suceder o Secretário-Geral da ONU.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes

O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi - Os ventos fortes de agosto em Atenas, capital de todos os Deuses - Por Ina Melo*
25/09/2026
Os ventos fortes de agosto rugiam e derrubavam tudo o que encontravam pela frente. Chuvas desciam como lágrimas de dor pelas vidraças, deixando a noite fria e triste. No apartamento silencioso, um homem fumava placidamente um cigarro. Vestia um robe de chambre azul marinho. De pé junto à janela via a chuva cair e, como num espelho, dos seus olhos gotas d’água escorriam pela face. Ele não sabia porque chorava. Talvez o silêncio da madrugada o tornasse melancólico. No escuro da sala, com o rosto colado à vidraça, presenciava o espetáculo da natureza. O mar furioso batia nos arrecifes, espalhando nuvens brancas de espuma na areia da praia. Sob a luz bruxuleante, as águas tornavam-se amarelas. As estrelas tinham se recolhido, cobertas pelo manto escuro da noite. A rua vazia e os prédios com alguns pontos de luz nas janelas não sentiam a presença da tempestade. Nenhum ruído a não ser o barulho dos ventos perturbando o silêncio da noite. Ainda assim, ele não podia dormir e começou a lembrar da última vez que enfrentrara uma tempestade.
Estava numa viagem de negócios a Europa e aproveitou o fim de semana para visitar Atenas, capital de todos os Deuses. Quando chegou deixou seus pertences no Hotel e fez o que todo turista faz. Tomou um táxi e foi ao Parthernon render homenagem aos poderosos habitantes do Olimpo. Ao chegar ao pé da famosa montanha, viu pessoas descendo apressadas. Não se importou. Começou a subida. Um vento forte fustigava o seu rosto. Lá em cima sentiu-se pequeno ante a grandeza do templo. O mar de um azul forte contrastava com o céu escuro, prenunciando uma forte tempestade. Respirava o ar com força, como se quisesse retornar a um mundo mágico e distante. De repente ouviu o ribombar de um trovão e viu ao longe raios romperem-se sobre o mar. Foi então que se deu conta da tempestade. Logo mais ela chegaria. Fechou o sobretudo e apressou-se a descer as legendarias escadarias. Os trovões bramiam e uma chuva grossa começou a cair.
Pensou: acho que os deuses não gostaram da minha visita. Falava em voz alta que sumia ante os estampidos da natureza. O mundo escureceu. Não via nem o céu e nem o mar. Estava mergulhado nas trevas. Desceu correndo perseguido pelas pesadas chuvas. Foi assim que, aos pés do monte sagrado, encontrou a sua deusa. Ela também tinha escolhido aquela manhã para visitar o Templo e fora apanhada pela fúria dos seus antecessores. Foi um encontro diferente de todos os outros que tivera até então. Eles se chocaram, pois caminhavam com as mãos na testa, protegendo o rosto da chuva. Segurando-a pelo braço, evitou que caíssem num monte de pedras e ervas daninhas. Enormes olhos verdes molhados pela chuva deixaram-no atordoado. A fragilidade do corpo, os lábios trêmulos e os cabelos em desalinho, fizeram a mulher parecer uma pequena Circe. No seu pensamento ela não podia ser real. Abraçados foram se refugiar num dos pequenos restaurantes que circundavam o famoso Monte. Ali chegando, tomaram uma bebida forte e pediram um táxi. Segurando-lhe as mãos, apertou-as fortemente, como se assim lhe prometesse proteção contra a fúria dos deuses. Foram mais de três horas de fortes trovoadas. Ate hoje ele não sabe como conseguiram chegar ao Hotel. A cidade estava inundada e as águas corriam barrentas pelas ruas de Atenas. Agora, vendo pela vidraça a chuva caindo, sentiu saudades de um corpo sob os lençóis. Dormindo, ela parecia um ser irreal, no entanto, quando fizeram amor, transformou-se numa fúria ávida de prazer e luxúria. Amaram-se intensamente nos dias que passaram na Grécia. Passearam, visitaram Museus, renderam culto ao deus Eros e a Vênus e navegaram se amando pelos mares azuis cheios de lendas. Depois disso, ele e sua deusa nunca mais se encontraram. Passados tantos anos, agora o seu coração batia forte e lágrimas corriam dos seus olhos. Voltou para a cama e foi ao encontro da saudade! Julho/2004
*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016

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É Findi - Série História de Pernambuco - Quando a Guerra Ganhou Reforços - Por Alfredo Cabral de Melo*
25/09/2026
Enquanto João Fernandes Vieira permanecia à frente das tropas que haviam combatido em Tabocas, outro movimento já acontecia no sul da capitania. André Vidal de Negreiros e Martim Soares Moreno haviam desembarcado em Tamandaré no final de julho, vindos da Bahia com homens, armas e munições. Não se tratava, portanto, de uma força que chegava depois da batalha de Tabocas. Ela já estava em Pernambuco quando o combate aconteceu e começava a atuar em outra frente.
A presença dessas tropas fazia parte das articulações que vinham sendo conduzidas entre a Bahia e Pernambuco. Vidal não era um recém-chegado àquele conflito. Tinha experiência militar desde os primeiros ano...
A vitória do Monte das Tabocas, havia mostrado que a insurreição pernambucana podia enfrentar as tropas da Companhia das Índias Ocidentais. Mas os homens que haviam vencido aquela batalha ainda necessitavam de armas, munições, soldados e de uma estrutura capaz de sustentar a campanha por mais tempo.
Enquanto João Fernandes Vieira permanecia à frente das tropas que haviam combatido em Tabocas, outro movimento já acontecia no sul da capitania. André Vidal de Negreiros e Martim Soares Moreno haviam desembarcado em Tamandaré no final de julho, vindos da Bahia com homens, armas e munições. Não se tratava, portanto, de uma força que chegava depois da batalha de Tabocas. Ela já estava em Pernambuco quando o combate aconteceu e começava a atuar em outra frente.
A presença dessas tropas fazia parte das articulações que vinham sendo conduzidas entre a Bahia e Pernambuco. Vidal não era um recém-chegado àquele conflito. Tinha experiência militar desde os primeiros anos da ocupação neerlandesa e já participara da resistência anterior. Agora retornava à capitania à frente do seu próprio terço, acompanhado por Martim Soares Moreno, trazendo homens que poderiam dar à revolta uma capacidade militar maior do que aquela existente nos primeiros meses do levante.
A primeira movimentação importante ocorreu em direção a Sirinhaém. Vidal e Moreno cercaram a praça e, depois de várias negociações, conseguiram sua rendição em agosto. A conquista ampliava o espaço controlado pelas forças da restauração e criava possibilidades para as operações no sul. Documentos preservados nos arquivos da antiga Companhia das Índias Ocidentais registram a correspondência trocada por Vidal, Moreno e os comandantes neerlandeses durante aqueles dias.
Enquanto isso, no Recife e em seus arredores, as tropas neerlandesas procuravam reorganizar-se depois da derrota de Tabocas. O coronel Hendrick Van Haus reuniu seus homens e recuou em direção à região da Várzea. O engenho Casa Forte, então ligado à propriedade de Anna Paes e situado às margens do Capibaribe, acabou servindo de ponto de concentração para essas tropas.
A permanência naquele local, entretanto, deixava a tropa exposta à aproximação dos revoltosos. Ao mesmo tempo, a movimentação de Vidal e Moreno pelo sul aproximava forças que até então atuavam em frentes diferentes. Foi nesse momento que a situação começou a mudar.
Depois de Tabocas, os homens da restauração já não se limitavam a resistir às tropas que saíam do Recife. Começavam a ocupar posições, tomar fortificações e procurar caminhos para enfraquecer o domínio neerlandês sobre o interior. A presença de Vidal acrescentava a esse movimento uma força militar mais organizada e experiente.
Nos dias que antecederam o combate de Casa Forte, as tropas de Vidal e Vieira acabaram se aproximando. Na noite de 16 de agosto, Vidal decidiu marchar em direção às tropas de Van Haus. Nas proximidades da Várzea, chegou a notícia de que o comandante neerlandês estava instalado no engenho Casa Forte.
Pouco antes do amanhecer, a marcha foi retomada. Depois de atravessar o Capibaribe, os homens encontraram a tropa neerlandesa, que teve tempo para recolher-se à casa do engenho. O combate começou ali e durou algumas horas. A resistência terminou quando os neerlandeses perceberam que a posição poderia ser incendiada.
A batalha de 17 de agosto não teve as mesmas características de Tabocas. No Monte das Tabocas, o terreno havia sido utilizado para preparar emboscadas e surpreender uma tropa em movimento. Em Casa Forte, os neerlandeses estavam concentrados dentro da casa do engenho, enquanto as tropas da restauração cercavam a posição.
Entre os homens que participaram do combate estavam João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Filipe Camarão. A documentação e as narrativas posteriores registram também a presença de Antônio Dias Cardoso, cuja experiência militar havia sido importante em Tabocas. A composição dessas tropas mostra novamente que a revolta reunia homens de diferentes origens e trajetórias.
A rendição trouxe um resultado importante. Centenas de homens da tropa neerlandesa foram feitos prisioneiros, entre eles o próprio Van Haus. O número exato dos combatentes e das baixas varia conforme as fontes utilizadas, razão pela qual é mais coerente não os assegurar. O que não oferece dúvida é que a derrota foi significativa e que a posição neerlandesa no interior ficou ainda mais enfraquecida.
Casa Forte também teve uma dimensão humana que não pode ser ignorada. Antes do combate, soldados neerlandeses haviam prendido mulheres ligadas a famílias dos principais líderes da revolta e as levado para o engenho. Entre elas estava Ana Bezerra, sogra de João Fernandes Vieira. A notícia da prisão chegou às tropas da restauração e aparece nas narrativas da batalha relacionada ao avanço sobre o engenho.
É importante, entretanto, não reduzir o combate a um episódio de resgate. Casa Forte ocorreu dentro de uma movimentação militar mais ampla. A tomada de Sirinhaém, a presença das tropas vindas da Bahia, a derrota de Tabocas e a marcha em direção ao Recife faziam parte de uma transformação que já estava em curso. A revolta começava a deixar de ser uma ação localizada e adquiria capacidade para atuar em diferentes pontos do território.
Depois da vitória, essa mudança ficou ainda mais evidente. Vieira permaneceu nas proximidades do Recife, mantendo a pressão sobre a praça, enquanto Vidal seguiu para o sul com parte de suas tropas. A guerra começava a se dividir em diferentes frentes, e o domínio neerlandês sobre o interior de Pernambuco sofria novos abalos.
É nesse ponto que a narrativa de Francisco Manuel de Melo ganha interesse. Escrita poucos anos depois dos acontecimentos, sua Epanáfora Triunfante, que pertence a uma tradição narrativa que procurava registrar os sucessos da restauração portuguesa. Seu relato não deve ser lido como testemunho de quem esteve presente nos combates, mas ajuda a perceber como aquela guerra começou a ser apresentada muito cedo como uma sequência de vitórias das armas portuguesas.
Quando confrontada com a documentação e com a análise posterior de historiadores como Evaldo Cabral de Mello e José Antônio Gonsalves de Mello, a obra se torna ainda mais útil. Ela permite observar não apenas os acontecimentos, mas também a maneira como eles começaram a ser narrados poucos anos depois de terem ocorrido.
Tabocas havia mostrado que os homens da revolta podiam vencer. Casa Forte revelou que essa capacidade podia ser acompanhada por uma movimentação militar mais ampla, envolvendo tropas vindas da Bahia, forças locais e diferentes comandantes. O Recife continuava nas mãos dos neerlandeses, mas o espaço que o cercava começava a mudar.
A guerra, porém, ainda estava longe de terminar. Depois de duas grandes e importantes vitórias, surgia uma nova questão. Como manter a pressão sobre o Recife e transformar o controle progressivo do interior em uma ameaça real ao principal centro do poder neerlandês?
*Alfredo Cabral de Melo, é Advogado, Historiador, Jornalista, e Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e do Instituto Histórico do Maranhão (IHGM). @alfredo.cabral.de.melo

O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi - Adeus, Zuenir Ventura! - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
25/09/2026
Encantou-se o Mestre Zu!
Ensombrou-se o céu azul,
esmaeceu o brilho da luz...
agora só tristeza, tudo nu.
A Vida perdeu Zuenir!
Dela zarpou sem desnir,
o mineiro de espírito carioca:
cordial, generoso a toda hora.
Seus livros são memórias,
retratos vivos da História:
Chico Mendes: crime e castigo,
1968: o Ano Que Não Terminou,
sua Magnum Opus nos fincou...
dor e saudade do velho amigo!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
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Nossa homenagem ao escritor Zuenir Ventura
Encantou-se o Mestre Zu!
Ensombrou-se o céu azul,
esmaeceu o brilho da luz...
agora só tristeza, tudo nu.
A Vida perdeu Zuenir!
Dela zarpou sem desnir,
o mineiro de espírito carioca:
cordial, generoso a toda hora.

Seus livros são memórias,
retratos vivos da História:
Chico Mendes: crime e castigo,
1968: o Ano Que Não Terminou,
sua Magnum Opus nos fincou...
dor e saudade do velho amigo!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

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É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Teatro de Santa Isabel - Carlos Eduardo Amaral*
25/09/2026
É preciso fazer uma introdução mínima sobre o edifício inicialmente denominado Teatro de Pernambuco, erigido no então Campo do Erário, hoje Praça da República. Foi um ex-governador de nossa província, Honório Hermeto Carneiro Leão, o Marquês do Paraná (1801-1856), que decidiu homenagear sua alteza imperial a princesa Isabel de Bragança (1846-1921).
Ele deixaria o governo dez dias antes da inauguração do edifício, a 18 de maio de 1850, tendo permanecido pouco mais de dez meses no cargo. Ela completaria quatro anos de idade no dia 29 de julho seguinte. Honório garantiu seu nome na história por esse feito, esse agrado ao imperador D. Pedro II (1825-1891), por meio do onomástico da filha (fico devendo qual deles: a parenta de Nossa Senhora, a rainha da Hungria ou a rainha de Portugal).
Contudo, vale ressaltar, foi um de seus antecessores, Fernando de Rego Barros, o conde da Boa Vista (1802-1870), que em 1839 assinou a lei autoriz...
O Teatro
É preciso fazer uma introdução mínima sobre o edifício inicialmente denominado Teatro de Pernambuco, erigido no então Campo do Erário, hoje Praça da República. Foi um ex-governador de nossa província, Honório Hermeto Carneiro Leão, o Marquês do Paraná (1801-1856), que decidiu homenagear sua alteza imperial a princesa Isabel de Bragança (1846-1921).
Ele deixaria o governo dez dias antes da inauguração do edifício, a 18 de maio de 1850, tendo permanecido pouco mais de dez meses no cargo. Ela completaria quatro anos de idade no dia 29 de julho seguinte. Honório garantiu seu nome na história por esse feito, esse agrado ao imperador D. Pedro II (1825-1891), por meio do onomástico da filha (fico devendo qual deles: a parenta de Nossa Senhora, a rainha da Hungria ou a rainha de Portugal).
Contudo, vale ressaltar, foi um de seus antecessores, Fernando de Rego Barros, o conde da Boa Vista (1802-1870), que em 1839 assinou a lei autorizando a construção do Teatro de Pernambuco.
O engenheiro escolhido para elaborar o projeto arquitetônico e conduzir a equipe de trabalho, o francês Louis Vauthier (1815-1901), chegou ao Recife em setembro de 1840, mas teve de esperar até abril do ano seguinte a fim de instalar o campo de obras, porque o primeiro orçamento que apresentara havia sido rejeitado pelo Poder Público.
Vauthier não suportou a campanha difamatória da qual foi vítima por tabela, por causa dos ataques a Rego Barros, deposto em 1844. O projetista do Teatro de Pernambuco voltou à França em 1846, onde iniciou carreira política e chegou a ser preso em 1849. Porém manteve laços tão frutíferos no Recife que retornou para cuidar da finalização do já rebatizado Santa Isabel (bem como da reconstrução após o incêndio de 1869).
Ele igualmente deixou legado em outras edificações recifenses que por demais conhecemos, a exemplo do Mercado de São José, ou do solar do barão João José Rodrigues Mendes (1827-1893), sede da Academia Pernambucana de Letras desde 1966. Menciono ainda o casarão onde residiu o ex-prefeito de Olinda Eufrásio Barbosa, hoje morada de Tânia Carneiro Leão, viúva de Carlos Pena Filho (1929-1960) e querida amiga.
Sobre este último marco, quando você passar novamente pela Rua Prudente de Morais, no trecho entre a praça João Alfredo (a da Igreja de São Pedro Mártir de Verona) e os Quatro Cantos, siga pela calçada esquerda e repare na casa logo antes da Estação da Luz, vizinha parede com parede a esta. Nela há um brasão da República Oriental do Uruguai na fachada, porque também funciona como sede do consulado-geral daquele país em Pernambuco.
Palco de concertos e óperas
A introdução, que prometeu ser mínima, passou do ponto porque um pernambucano não consegue falar de um símbolo de sua terra sem o associar a outro e a outro e a outro... Mas está para se dar o mesmo com esta série de O Poder, “É Findi”: Sílvio Amorim pensou em 60 pontos históricos e já me disse que cogita ampliá-los para 100. Estou indulgenciado, portanto.
O Teatro de Santa Isabel, voltemos, é indissoluvelmente ligado à história de nosso estado — não apenas no campo das artes. Preciso recorrer à Wikipédia para lembrar que nosso teatro-mor recebeu D. Pedro II e testemunhou discursos a favor da abolição da escravatura proferidos por Joaquim Nabuco (1849-1910).
Mas sei muito bem da importância dele na trajetória de Euclides Fonseca (1853-1929), que ali regeu Leonor, sua primeira ópera, em 1883. Leonor havia sido escrita por incentivo do confrade de ofício Carlos Gomes (1836-1896) e teve como spalla da estreia um aluno vindo do Ceará: Alberto Nepomuceno (1864-1920), que se juntaria aos dois primeiros no panteão dos grandes mestres da música sinfônica nacional.
Sei também da Sociedade de Concertos Populares, entidade da qual nasceu a Orquestra Sinfônica do Recife e responsável por trazer alguns dos maiores cantores e instrumentistas do mundo ao Santa Isabel enquanto esteve ativa. E saberia dizer uma infinidade de grandes nomes locais que ali brilhou: Valdemar de Oliveira, Cussy de Almeida, Elyanna Caldas, Josefina Aguiar, Marlos Nobre (todos in memoriam) e um gigantesco et cetera.
Notem o quanto de eventos ocorrem no Santa Isabel mês a mês, a contar a divulgação oficial feita via Instagram: do Janeiro de Grandes Espetáculos aos concertos de Natal. Assim vem sendo desde o século XIX: concertos, peças, premiações, conferências... Mas delimito meu recorte à música de concerto e à ópera, meus campos de atuação.
No presente século, podemos pinçar os festivais e instituições que mais acorreram àquela casa. Virtuosi, Mimo, Conservatório Pernambucano de Música, Departamento de Música da UFPE, Orquestra Criança Cidadã (dentre outros projetos sociais de ensino musical), Festival de Ópera de Pernambuco (e montagens avulsas que vêm aumentando ano após ano nesta década) e, claro, a Orquestra Sinfônica do Recife.
Minha relação com o teatro
Hoje, entro com a mesma satisfação tanto pelo hall principal quanto pela porta dos fundos. Coxia, palco, plateia; café, camarins, salão nobre; jardins, frisas e fosso: circulo com igual naturalidade por todos os ambientes, transformando cada ida ao Santa Isabel em um programa social completo, não somente de apreciação artística.
Admiro a presença constante de Romildo Moreira, cuidadoso e receptivo como a saudosa Lêda Alves; o pessoal de apoio, que se desdobra, nos bastidores, para auxiliar os profissionais de produção de cada evento; os funcionários de recepção, que indicam o lugar de cada espectador.
Quantas obras não tive a emoção de escutar pela primeira vez ali (e que eu só conhecia em CD)? Quantas não vi serem estreadas (algumas, de amigos meus)? Quantas vezes não apostei nos aplausos inadvertidos, entre movimentos de uma sinfonia ou concerto, ou puxei os de cenas emocionantes em óperas? E quantas mais me abusei, pelos celulares satânicos soando no silêncio de um solo (sem falar nos cochichos, muxoxos, achaques e queixas de quem pouco se lixa pra arte)?
Melhores assentos
Com o passar dos anos, meu particular desafio foi analisar os melhores lugares para se apreciar um concerto no Santa Isabel. E a resposta varia. No geral, considero as primeiras filas da plateia (A a C) como ruins, porque você fica abaixo da linha dos músicos, isto é, olhando-os de baixo para cima.
Quando se trata de uma orquestra, perde-se completamente a visão de dois terços dela, ou seja, você fica alheio à atuação de madeiras, metais, percussão, piano, harpa e parte das cordas. Com grupos de câmara, essa limitação pode ser atenuada até por completo.
As filas de J em diante (busquem o mapa do Santa Isabel via Google) são mais amigáveis para orquestras. Ajuda quando os naipes estão separados por praticáveis de altura gradual. Pelo sim, pelo não, prefira frisas e camarotes (em particular, as cinco cabines mais centrais para cada lado, pois as mais laterais fazem o espectador perder o contato visual com o lado oposto do fundo do palco).
Mesmo assim, aquela sentença sobre as primeiras filas não é taxativa: elas são ideais para quem quer ver solistas de perto, apreciando dedilhados e sonoridades sutis, ou acompanhar a atuação da orquestra no fosso, no caso das óperas.
Quando o solista é um pianista e você quer acompanhar ou contemplar o desempenho dele ao teclado, convém realmente estar mais distante, e em uma cadeira entre o centro e o lado esquerdo (de numeração par, nos ingressos). Se for para escolher uma frisa, foque nas cabines de 22 a 08 ou nos Camarotes A de 40 a 26.
Por fim, as últimas cadeiras das cabines laterais dos Camarotes B são os piores lugares. Prepare-se para assistir a tudo de pé ou negociar um arranjo de assentos ingrato e desconfortável. Mas não maldigam nosso templo artístico mais eminente por conta disso. Toda casa operística tem suas peculiaridades: já sofri no Colón, em Buenos Aires, e no Champs Elysées, em Paris.
Ao contrário, aproveitem os gabaritos de quem ama e vive o Santa Isabel e agradeçam a Louis Vauthier e ao conde da Boa Vista por essa herança da qual desfrutamos.
*Carlos Eduardo Amaral é jornalista, compositor e crítico de música clássica; colaborador da revista Continente desde 2006 e autor do catálogo da Cepe Editora

(Crédito foto: Gleyson Ramos/Divulgação)
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