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Crime financeiro - Justiça condena três pessoas por envolvimento em esquema bilionário na Braiscompany

16/04/2025

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A Justiça condenou mais três envolvidos no caso Braiscompany, a penas que somam mais de 170 anos de prisão por crimes como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, operação irregular de instituição financeira e organização criminosa. Outras duas pessoas foram absolvidas por falta de provas.

Mercado de criptoativos

Com sede em Campina Grande, a empresa atuava no mercado de criptoativos e movimentou mais de R$ 1 bilhão em um esquema que prometia falsos retornos financeiros.

Provas

A Justiça considerou provas produzidas ao longo do processo, incluindo a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático, além da análise de materiais extraídos de dispositivos eletrônicos por meio de softwares forenses. (O Poder)

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A Justiça condenou mais três envolvidos no caso Braiscompany, a penas que somam mais de 170 anos de prisão por crimes como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, operação irregular de instituição financeira e organização criminosa. Outras duas pessoas foram absolvidas por falta de provas.

Mercado de criptoativos

Com sede em Campina Grande, a empresa atuava no mercado de criptoativos e movimentou mais de R$ 1 bilhão em um esquema que prometia falsos retornos financeiros.

Provas

A Justiça considerou provas produzidas ao longo do processo, incluindo a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático, além da análise de materiais extraídos de dispositivos eletrônicos por meio de softwares forenses. (O Poder)

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TCU dá exemplo também em comunicacão digital

09/05/2026

O Tribunal de Contas da União (TCU) foi um dos destaques do Prêmio Social Media Gov de Comunicação Pública, anunciado durante o encontro Redes Wegov, realizado em Florianópolis (SC). A premiação reconhece iniciativas que fortalecem a comunicação pública no Brasil e aproximam as instituições da população por meio de conteúdos relevantes, acessíveis e inovadores.

Em 2025

O TCU registrou 221.518 interações nas redes sociais e alcançou o maior índice de engajamento entre os tribunais de contas do país. O resultado reflete estratégia digital que vem apostando em novos formatos, linguagem mais simples e conteúdos pensados para dialogar com diferentes públicos.

A transformação

Ganhou força em março do ano passado, quando o tribunal estreou oficialmente no TikTok. Desde então, o TCU passou a investir em vídeos curtos, linguagem mais dinâmica e referências do universo digital para explicar temas complexos de forma mais a...

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O Tribunal de Contas da União (TCU) foi um dos destaques do Prêmio Social Media Gov de Comunicação Pública, anunciado durante o encontro Redes Wegov, realizado em Florianópolis (SC). A premiação reconhece iniciativas que fortalecem a comunicação pública no Brasil e aproximam as instituições da população por meio de conteúdos relevantes, acessíveis e inovadores.

Em 2025

O TCU registrou 221.518 interações nas redes sociais e alcançou o maior índice de engajamento entre os tribunais de contas do país. O resultado reflete estratégia digital que vem apostando em novos formatos, linguagem mais simples e conteúdos pensados para dialogar com diferentes públicos.

A transformação

Ganhou força em março do ano passado, quando o tribunal estreou oficialmente no TikTok. Desde então, o TCU passou a investir em vídeos curtos, linguagem mais dinâmica e referências do universo digital para explicar temas complexos de forma mais acessível, sem abrir mão do rigor técnico.

Instagram

O avanço da presença digital do Tribunal também aparece nos resultados alcançados no Instagram. Somente nos últimos 30 dias, o perfil do TCU ultrapassou 1,2 milhão de visualizações na plataforma. Em pouco mais de um ano, o número de seguidores cresceu 33,7%, chegando a 210 mil pessoas. Os dados refletem a expansão do alcance orgânico e a capacidade do Tribunal de dialogar com públicos cada vez mais amplos nas redes sociais.

Para o povo

Mais do que ampliar números, a estratégia digital do TCU tem buscado tornar temas técnicos mais acessíveis e próximos da população. A aposta em novos formatos, linguagem mais simples e conteúdos conectados ao ambiente digital ajudou a aproximar assuntos ligados ao controle e aos gastos públicos do cotidiano das pessoas. O reconhecimento no Social Media Gov reforça esse movimento de modernização da comunicação institucional.




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Câmara aprova PL que aumenta penas para estupro, assédio sexual, vídeos e fotos não autorizadas de mulheres

09/05/2026

Por Hylda Cavalcanti

O Projeto de Lei (PL) 3984/25, que aumenta as penas pelos crimes de estupro, assédio sexual e registro não autorizado da intimidade sexual, foi aprovado nesta quinta-feira (/05) pela Câmara dos Deputados. O texto, que segue agora para o Senado, também estabelece Também maior pena para os crimes relacionados a pedofilia no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

De autoria da deputada Delegada Katarina (PSD-SE), a matéria foi aprovada a partir de um substitutivo da relatora, deputada Delegada Ione (Avante-MG). Caso venha a ser aprovado em definitivo da forma como está, a pena por estupro aumenta de seis a 10 anos de reclusão para oito a 12 anos de reclusão.

Além disso, quando a conduta resultar lesão grave, a pena atual de oito a 12 anos ficará de 10 a 14 anos. E se resultar em morte da vítima, a reclusão de 12 a 30 anos passa a ser de 14 a 32 anos.

Casos de assédio sexual
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Por Hylda Cavalcanti

O Projeto de Lei (PL) 3984/25, que aumenta as penas pelos crimes de estupro, assédio sexual e registro não autorizado da intimidade sexual, foi aprovado nesta quinta-feira (/05) pela Câmara dos Deputados. O texto, que segue agora para o Senado, também estabelece Também maior pena para os crimes relacionados a pedofilia no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

De autoria da deputada Delegada Katarina (PSD-SE), a matéria foi aprovada a partir de um substitutivo da relatora, deputada Delegada Ione (Avante-MG). Caso venha a ser aprovado em definitivo da forma como está, a pena por estupro aumenta de seis a 10 anos de reclusão para oito a 12 anos de reclusão.

Além disso, quando a conduta resultar lesão grave, a pena atual de oito a 12 anos ficará de 10 a 14 anos. E se resultar em morte da vítima, a reclusão de 12 a 30 anos passa a ser de 14 a 32 anos.

Casos de assédio sexual

O assédio sexual, cuja pena atual é de detenção de um a dois anos, será punido com pena de detenção de dois a quatro anos. Já o registro não autorizado da intimidade sexual, atualmente punível com detenção de seis meses a um ano, passa para detenção de um a três anos.

O PL estabelece, ainda, aumento de 1/3 a 2/3 da pena se os crimes contra a dignidade sexual forem cometidos por razões da condição do sexo feminino; contra pessoa com deficiência ou maior de 60 anos. Ou nas dependências de instituição de ensino, instituição hospitalar ou de saúde, instituição de abrigamento, unidade policial ou prisional.

Relacionados a crianças e adolescentes

Já em relação ao ECA, o projeto aumenta as penas de reclusão para os seguintes crimes:
vender ou expor registro de pornografia envolvendo criança ou adolescente: de quatro a oito anos para seis a 10 anos; disseminar essa pornografia por qualquer meio que sobe de três a seis anos para cinco a oito anos; adquirir ou armazenar por qualquer meio esse tipo de pornografia, cujo aumento passa a ser de um a quatro anos para três a seis anos.

Outras mudanças são o aumento de penalidades para os delitos de simular participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornografia com montagem ou adulterações: de um a três anos para três a cinco anos; e aliciar por qualquer meio de comunicação criança ou adolescente com o fim de praticar com ela ato libidinoso: de um a três anos para três a cinco anos.

Crimes contra a dignidade sexual

Na Lei de Execução Penal (LEP), o texto proíbe condenados por estupro ou estupro de vulnerável de usufruírem de visitas íntimas no presídio. Por sua vez, no tocante à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o projeto determina que, ao lado do ensino de conteúdo sobre prevenção de todas as formas de violência contra a criança ou adolescente e a mulher, sejam trabalhados conteúdos sobre violência sexual, tratando da compreensão do consentimento e da difusão de canais de denúncia.

O PL ainda prevê, como efeito automático da condenação por crimes contra a dignidade sexual tipificados no Código Penal, a perda do poder familiar se o crime for cometido contra pessoa igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente, tutelado ou curatelado.

Perda de cargo ou função pública

Se a pena for superior a quatro anos de reclusão, haverá a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, se for o caso. Será proibida ainda a nomeação do condenado para qualquer cargo, função pública ou mandato eletivo entre o trânsito em julgado da condenação e o efetivo cumprimento da pena.

Conforme explicou a relatora, deputada Delegada Ione, o movimento de aumento de penas de uma classe de crimes deve ser alinhado com as outras repressões e evitar excessos, desproporções ou incoerência na resposta penal proposta para cada conduta criminosa. "Sugere-se nova gradação de penas aos referidos crimes para garantir a proporcionalidade e a harmonia necessárias à resposta penal", afirmou ela.

— Por HJur




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Sábado começa com sustos no setor aeronáutico: Em Salvador, avião sai da pista e em Denver (EUA), início de incêndio cancela voo

09/05/2026

O sábado (09/05) amanheceu com um grande susto no setor aeronáutico brasileiro e norte-americano. Aqui, em função de incidente de causas ainda não concluídas, um avião cargueiro da GOL que transportava produtos para a empresa Mercado Livre saiu da pista no início da manhã, pouco depois de pousar no aeroporto de Salvador (BA). Nos Estados Unidos, um voo foi cancelado em Denver, no Colorado, em função de incêndio no motor do avião durante a decolagem.

No caso do Brasil, o episódio, que tem menos de uma hora até a conclusão desta reportagem, ainda será investigado em sua totalidade, mas segundo informações da companhia aérea ao Portal G1, não havia passageiros a bordo e os tripulantes não ficaram feridos no incidente.

Boeing 737

De acordo com informações da Gol, o voo G-39618 partiu de uma aeronave modelo Boeing 737 de 2007. O avião saiu de Guarulhos (SP) com destino a Salvador (BA) e está na área de segurança do aeroporto.


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O sábado (09/05) amanheceu com um grande susto no setor aeronáutico brasileiro e norte-americano. Aqui, em função de incidente de causas ainda não concluídas, um avião cargueiro da GOL que transportava produtos para a empresa Mercado Livre saiu da pista no início da manhã, pouco depois de pousar no aeroporto de Salvador (BA). Nos Estados Unidos, um voo foi cancelado em Denver, no Colorado, em função de incêndio no motor do avião durante a decolagem.

No caso do Brasil, o episódio, que tem menos de uma hora até a conclusão desta reportagem, ainda será investigado em sua totalidade, mas segundo informações da companhia aérea ao Portal G1, não havia passageiros a bordo e os tripulantes não ficaram feridos no incidente.

Boeing 737

De acordo com informações da Gol, o voo G-39618 partiu de uma aeronave modelo Boeing 737 de 2007. O avião saiu de Guarulhos (SP) com destino a Salvador (BA) e está na área de segurança do aeroporto.

Técnicos da Infraero destacaram que incidentes como o observado esta manhã são conhecidos como “excursão na pista”, quando um avião não consegue parar a tempo. Ainda não foram divulgadas informações por parte da concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Salvador (SSA) sobre o caso.

Pedestre atropelado na pista

Nos EUA, o voo da companhia aérea Frontier Airlines foi cancelado após a aeronave atropelar um pedestre na pista no Aeroporto Internacional de Denver. O acidente ocorreu durante a decolagem do Airbus A321, do voo 4345, que se dirigia a Los Angeles. Até a última atualização da reportagem, não havia informações sobre a vítima.

Após o incidente, os pilotos relataram um incêndio no motor e fumaça dentro da aeronave. Os passageiros foram evacuados em segurança por meio de escorregadores como medida de precaução, conforme informou a Frontier Airlines à Reuters.

Em comunicado, o aeroporto afirmou que havia 231 pessoas a bordo. Todas foram transportadas de ônibus até o terminal e atendimento de emergência e a investigação continuam em andamento. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (sigla NTSB em inglês) foi notificado.

– Com informações do G1 e da Reuters



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O digital virou termômetro político em tempo real, por Alek Maracajá*

08/05/2026

Hoje tive a oportunidade de ver o levantamento da Ativaweb DataLab ser citado ao vivo no programa Estúdio i, com análise de Valdo Cruz sobre o impacto digital do caso Banco Master.

O estudo mostrou algo que venho defendendo há anos: em um Brasil hiperconectado, crises deixam de ser apenas jurídicas ou políticas. Elas se transformam rapidamente em batalhas de narrativa dentro das redes sociais.

Em apenas 8 horas - Ontem, a Ativaweb DataLab identificou mais de 3,4 milhões de comentários públicos em plataformas como Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube, utilizando coleta via APIs públicas, análise de sentimento e engenharia de interpretação algorítmica em tempo real.

O mais interessante não foi apenas o volume.

Foi perceber como o ambiente digital conectou imediatamente o caso a temas como eleição de 2026, direita, Centrão, STF, memes, ironia e disputa política.

A internet brasileira hoje reage, interpreta, cri...

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Hoje tive a oportunidade de ver o levantamento da Ativaweb DataLab ser citado ao vivo no programa Estúdio i, com análise de Valdo Cruz sobre o impacto digital do caso Banco Master.

O estudo mostrou algo que venho defendendo há anos: em um Brasil hiperconectado, crises deixam de ser apenas jurídicas ou políticas. Elas se transformam rapidamente em batalhas de narrativa dentro das redes sociais.

Em apenas 8 horas - Ontem, a Ativaweb DataLab identificou mais de 3,4 milhões de comentários públicos em plataformas como Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube, utilizando coleta via APIs públicas, análise de sentimento e engenharia de interpretação algorítmica em tempo real.

O mais interessante não foi apenas o volume.

Foi perceber como o ambiente digital conectou imediatamente o caso a temas como eleição de 2026, direita, Centrão, STF, memes, ironia e disputa política.

A internet brasileira hoje reage, interpreta, cria narrativas e pressiona instituições numa velocidade nunca vista.

O humor virou arma narrativa.
O meme virou linguagem política.
E os dados passaram a revelar comportamentos coletivos em tempo real.

Enquanto muitos ainda enxergam rede social como entretenimento, os dados mostram outra realidade:
o digital já é um dos principais campos de influência política e formação de percepção pública do país.

“Não estamos vivendo apenas a era da informação.
Estamos vivendo a era da interpretação algorítmica do comportamento social.”

*Alek Maracajá é diretor da Ativaweb Datalab.




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É Findi - Amor de Mãe - Poema Feito por IA em Homenagem ao Dia das Mães - Por Vida Hare, editoria de O Poder*

08/05/2026

É laço que não aperta, mas sustenta,

Um abraço que o mundo inteiro acalma.

No silêncio, sua voz me alimenta,

E o seu olhar lê os versos da minha alma.

Não há distância que o tempo desfaça,

Nem labirinto onde ela não seja o guia.

O amor de mãe é a mais pura graça:

Um sol que nasce dentro da gente todo dia.


*Vida Hare, editoria de O Poder, e a IA prepararam um poema que celebra o Dia das Mães.

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É laço que não aperta, mas sustenta,

Um abraço que o mundo inteiro acalma.

No silêncio, sua voz me alimenta,

E o seu olhar lê os versos da minha alma.

Não há distância que o tempo desfaça,

Nem labirinto onde ela não seja o guia.

O amor de mãe é a mais pura graça:

Um sol que nasce dentro da gente todo dia.


*Vida Hare, editoria de O Poder, e a IA prepararam um poema que celebra o Dia das Mães.




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É Findi - Questão de Gosto, por Marcelo Mário de Melo*

08/05/2026

O que se repete
não é minha especialidade.
Gosto de janela nova
abrir estrada
escalar mistério
descobrir tesouros escondidos
debaixo das saias da vida.

Gosto de procurar
chave de segredo
beleza na penumbra
verdade no escuro.

Gosto de escalar novidade
pular o muro
abrir a porteira
soltar os bichos
dar entrada às pessoas
distribuir
comida
bebida
armas e flores
para o amor
a batalha
e a festa.

É disso que eu gosto!


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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O que se repete
não é minha especialidade.
Gosto de janela nova
abrir estrada
escalar mistério
descobrir tesouros escondidos
debaixo das saias da vida.

Gosto de procurar
chave de segredo
beleza na penumbra
verdade no escuro.

Gosto de escalar novidade
pular o muro
abrir a porteira
soltar os bichos
dar entrada às pessoas
distribuir
comida
bebida
armas e flores
para o amor
a batalha
e a festa.

É disso que eu gosto!


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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É Findi - Adeus Morena do Cabelo Cacheado - Conto, por AJ Fontes*

08/05/2026

A cidade abarcou o rio que já não se incomoda com o alarido dos carros, ambulantes, o sapateado nas pedras engastadas no chão roubado dos manguezais.

Na margem direita, deixando os caranguejos na lama sob a ponte da Boa Vista, nasce uma via estreita. Primeiro, chamaram de Nova da Casa de Pólvora, tentaram outros nomes, mas vingou Nova. O sol das três alonga as sombras que apontam para o início da rua, para o lado da matriz de Santo Antônio.

Elias aparece na esquina. Esguio, vestido com um terno de cor bege, tecido leve que balança no caminhar sem pressa; rosto quase sem traços dos quarenta e tantos. Os brancos se misturam aos castanhos fartos, sob o chapéu de aba quebrada. Os olhos escuros brilham e o cigarro esconde o sorriso. Traz o perfume de Alzira nas roupas. Pena que não possa ficar o resto do dia. Afinal, ela precisa ensaiar para o show. A estreia no Marrocos é amanhã. Que voz! Não gosto dos marmanjos que arrastam asas para ela. Franze a testa.

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A cidade abarcou o rio que já não se incomoda com o alarido dos carros, ambulantes, o sapateado nas pedras engastadas no chão roubado dos manguezais.

Na margem direita, deixando os caranguejos na lama sob a ponte da Boa Vista, nasce uma via estreita. Primeiro, chamaram de Nova da Casa de Pólvora, tentaram outros nomes, mas vingou Nova. O sol das três alonga as sombras que apontam para o início da rua, para o lado da matriz de Santo Antônio.

Elias aparece na esquina. Esguio, vestido com um terno de cor bege, tecido leve que balança no caminhar sem pressa; rosto quase sem traços dos quarenta e tantos. Os brancos se misturam aos castanhos fartos, sob o chapéu de aba quebrada. Os olhos escuros brilham e o cigarro esconde o sorriso. Traz o perfume de Alzira nas roupas. Pena que não possa ficar o resto do dia. Afinal, ela precisa ensaiar para o show. A estreia no Marrocos é amanhã. Que voz! Não gosto dos marmanjos que arrastam asas para ela. Franze a testa.

Na vitrine da joalharia, vê o anel com brilhante que ela gosta. Suspira. Hoje, acerto com Aberlado o aluguel de uma casa no Pina. Perto do Bode é mais barato. Quero estar lá na próxima semana.

Entre passos descuidados, perambula o olhar pelos sobrados de paredes grossas. Guardiãs de ossos antigos. Encravadas nas fachadas, aqui e ali, caras de anjos e leões observam as gerações que atravessam a rua.
Desvia do grupo de jovens que sai da sapataria Inglesa. Luvas nas mãos, elas seguram pacotes e desfilam seus vestidos amplos, cintura fina e pouco abaixo dos joelhos. Sorriso róseos contornado por cabelos curtos e pequenos chapéus. Atravessa a rua atento aos automóveis no trânsito nervoso.

Procura os amigos na esquina da Sloper. Não chegaram. Encosta na coluna de mármore cinza, ao lado da vitrine. Uma moça se encanta com o brilho dourado do frasco de perfume francês. É surpreendida pela vendedora que apanha o pequeno vaso no outro lado da vitrine e sorri com lábios carmim que compõe a maquiagem. Afasta-se desfilando a farda justa no corpo jovem e sapatos de salto alto. Um senhor examina um relógio feminino de ouro encostado em um balcão, a colega mostra os talheres de prata dispostos em uma caixa de madeira trabalhada a um jovem casal. Ela põe o produto sobre uma bandeja. A senhora de rosto sisudo levanta as sobrancelhas e lê o rótulo em francês.

Um ônibus freia e desvia de uma menina que apanha uma boneca caída no calçamento, atravessa a rua, sobe a calçada. A moça corre para o lado, o coletivo arrasta Elias até a parede e invade a vitrine. O choque deixa o homem preso, o motorista desmaiado sobre o volante. Os passageiros, lançados contra bancos, janelas e piso, sangram e gemem sem entender o que aconteceu.

Na loja, vidros explodem e são lançados no salão. A copeira joga para o alto a bandeja com xícaras, corre junto com vendedoras e clientes. Escondem-se por trás dos balcões.

Na calçada, um homem se destaca da multidão formada e se aproxima.

— Chamem a ambulância! Ajudem!

Outros chegam, empurram o veículo. Dois entram e ajudam motorista e passageiros a descer. Sentam Elias e o encostam na parede. Na cabeça pendente, filetes de sangue escorrem pela testa, rosto e encharcam a camisa branca. Um jorro passa pelo rasgo da calça na coxa esquerda e empoça na calçada. O líquido vermelho escorre pelo meio-fio e desaparece na boca-de-lobo.

Verificam o pulso.

— Está vivo! A ambulância! Alguém conhece este homem?
— Acho que um parente dele trabalha no Largo do Livramento.
— Então, corre!

Elias entreabre os olhos, parece balbuciar. Mira o vazio. Vê-se menino brincando com um carrinho de madeira ao lado das irmãs que arrumam as bonecas no chão. A mãe sorri na cadeira de balanço olha para cada um e para o tecido que costura. O pai entra pela porta gritando com outro homem. As botas estrondam e lambuzam a madeira do assoalho com o excremento fresco de cavalo. O cheiro se mistura ao azedo da cana impregnado na calça branca e tudo fica preto.

— Acorda!

Ouviu e sentiu um tapa no rosto. Vê o rosto conhecido de José, seu cunhado.

— Vamos para o pronto-socorro.

A cabeça vagueia. Uma nesga de tecido preto na lapela, coração aos pulos, senta-se, observa as irmãs e o irmão. A mãe acomoda as malas acima das cabeças senta e aconchega a caçula no colo. Estica a cabeça pela janela quando ouve um sino. O condutor apita. Os ferros gritam e o trem caminha.

— Chegou o carro de aluguel!

Acomodam o corpo ensanguentado no banco de trás.

Elias balança e envereda na viagem entre as ondas verdes de caianas, roxas e fita. O gosto doce escorre da boca e surge o rosto da morena dos cabelos cacheados. O coração acelera, puxa um bocado de ar, arregala os olhos.

— Alzira!

José segura as mãos que alisam os cabelos invisíveis no ar.

— Calma, homem! Assim o sangue vai embora mais rápido.

Ele absorto no devaneio quer saber: Alzira, me diga se é verdade. Ela nega o que amigos e familiares dizem. Como se não bastasse, é negra! Ouviu de uma das irmãs.

Alheio aos movimentos da maca que o leva a sala de cirurgia, ouve eco de vozes em um túnel cuja escuridão mostra estrelas. Espiam homens que bebem sentados em tamboretes de um cabaré; cambaleiam por ruas, vielas e beiras do rio, comandados pelo corpanzil de terno branco esvoaçante, encimado por um Panamá de abas largas que solta a fumaça do charuto e espalha contra a barra do dia.

A voz retumba: Adeus morena do cabelo cacheado!

Puxa mais um bocado de ar pela boca, o peito aumenta, abre os olhos. Tudo está branco, muito branco. O sangue na perna não escorre mais. A enfermeira instala o tensiômetro. O médico se aproxima.

— O pulso não responde.

Adeus morena.


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - A Grandeza da Maternidade - Crônica em Homenagem às Mães - Por Maria Inês Machado*

08/05/2026

Olhos de ver, ouvidos de ouvir.

O universo canta e encanta com as belezas que transbordam na suavidade da vida.

Orvalhos banham as folhas na nudez silenciosa da noite. Os ventos colocam-se à disposição dos corpos cansados. A natureza inteira entoa sua canção: no murmúrio das águas, no gorjeio dos pássaros, na delicadeza da brisa, no verde inconfundível das matas, no colorido das flores, no perfume das rosas, no azul do céu, nas cores do arco-íris, na sonoridade dos mares e no mistério encantador das florestas.

Entre tantas belezas da criação, destaca-se a beleza da mãe.

Ser extraordinário, capaz de compreender as profundezas da natureza humana. Tesouro do rico e do pobre. Presença indispensável que ilumina os caminhos da existência.

Mãe é mulher de múltiplos papéis, moldada pelas circunstâncias e guiada pelo amor. Para ela, o dia parece perder-se na infinidade do tempo. São incontáveis as situações que lhe exige...

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Olhos de ver, ouvidos de ouvir.

O universo canta e encanta com as belezas que transbordam na suavidade da vida.

Orvalhos banham as folhas na nudez silenciosa da noite. Os ventos colocam-se à disposição dos corpos cansados. A natureza inteira entoa sua canção: no murmúrio das águas, no gorjeio dos pássaros, na delicadeza da brisa, no verde inconfundível das matas, no colorido das flores, no perfume das rosas, no azul do céu, nas cores do arco-íris, na sonoridade dos mares e no mistério encantador das florestas.

Entre tantas belezas da criação, destaca-se a beleza da mãe.

Ser extraordinário, capaz de compreender as profundezas da natureza humana. Tesouro do rico e do pobre. Presença indispensável que ilumina os caminhos da existência.

Mãe é mulher de múltiplos papéis, moldada pelas circunstâncias e guiada pelo amor. Para ela, o dia parece perder-se na infinidade do tempo. São incontáveis as situações que lhe exigem o gesto amigo, a palavra certa, o amparo silencioso.

Dotada de qualidades incontáveis, vivifica a caminhada daqueles que nasceram de sua alma.

É ela quem enxuga as lágrimas do filho que, mesmo adulto, ainda busca abrigo em seu coração. Na suavidade de suas palavras, com ternura quase musical, adormece o ser amado após um dia árduo de trabalho. E, com passos leves, vai ao encontro do outro filho que arde em febre e clama por cuidado e atenção.

Sem formação em psicologia, conhece a ciência da escuta. Acolhe confidências, ameniza conflitos e costura, com sabedoria e afeto, os delicados fios das relações familiares.

Nos lares marcados pela escassez, transforma-se em mãos que se multiplicam. Trabalha, luta, retorna com o pão e o reparte quase milagrosamente, fazendo com que nada falte.

Ah, as mães!

Negras, brancas, amarelas, indígenas, mestiças… estão por toda parte. Mudam de nome conforme a língua e o país, mas, em qualquer idioma, a sonoridade da palavra “mãe” ecoa sempre envolta em amor.

Existe um dia especial dedicado a elas: o segundo domingo de maio.

Dia em que somos convidados à comunhão dos pensamentos e dos sentimentos; dia de recordar aquelas que sofrem em silêncio a perda física do filho amado; as que suportam a ausência do filho encarcerado, pagando pelos erros cometidos; as que velam noites intermináveis junto ao leito dos hospitais, esperando pela cura que tarda a chegar; as que assistem, impotentes, seus filhos mergulharem nas substâncias que entorpecem os sentidos e os conduzem à decadência física, social e espiritual.

Recordemos também as mães que lutam diariamente para preservar sua dignidade diante de relações difíceis, não consentindo o engessamento imposto pela torpeza do machismo, da violência e de tudo aquilo que exala o odor da covardia.

Não se entregam à superficialidade. O engodo não lhes pertence. No mundo desigual, lutam, perseveram e vencem.

E talvez seja justamente aí que resida a grandeza da maternidade: na capacidade de permanecer de pé quando tudo parece ruir; de semear esperança em terrenos áridos; de fazer do amor força silenciosa, porém invencível.

As mães não sustentam apenas os lares. Sustentam a própria humanidade


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - 'Caruaru Antiga' e o 'Memorial da Saudade' - Artigo, por Valéria Barbalho*

08/05/2026

No próximo dia 18 de maio será o aniversário de Caruaru e da Academia Caruaruense de Cultura Ciências e Letras, ACACCIL. Como acontece há alguns anos, a ACACCIL, junto com o Instituto Histórico de Caruaru, IHC, comemoram as duas importantes datas fazendo uma Caminhada Cultural. Cada ano, escolhem um roteiro diferente pelos principais pontos históricos da Capital do Agreste. Este ano ainda não sei qual será o itinerário, mas, enxerida, quero sugerir para a turma que organiza a caminhada pesquisar alguns lugares de memória registrados pelo meu pai numa das das suas colunas, que ele manteve no jornal Vanguarda durante anos, chamada Memorial da Saudade. Essas colunas foram catalogadas e guardadas por ele, que pretendia lançá-las como livro, mas, infelizmente, ele partiu para o céu antes, deixando o rascunho organizado. Mais um inédito de Seu Nelson que pretendo publicar em breve.

Lembrei, então, de avisar aos organizadores da caminhada, que eles podem pesquisar as sugestões...

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No próximo dia 18 de maio será o aniversário de Caruaru e da Academia Caruaruense de Cultura Ciências e Letras, ACACCIL. Como acontece há alguns anos, a ACACCIL, junto com o Instituto Histórico de Caruaru, IHC, comemoram as duas importantes datas fazendo uma Caminhada Cultural. Cada ano, escolhem um roteiro diferente pelos principais pontos históricos da Capital do Agreste. Este ano ainda não sei qual será o itinerário, mas, enxerida, quero sugerir para a turma que organiza a caminhada pesquisar alguns lugares de memória registrados pelo meu pai numa das das suas colunas, que ele manteve no jornal Vanguarda durante anos, chamada Memorial da Saudade. Essas colunas foram catalogadas e guardadas por ele, que pretendia lançá-las como livro, mas, infelizmente, ele partiu para o céu antes, deixando o rascunho organizado. Mais um inédito de Seu Nelson que pretendo publicar em breve.

Lembrei, então, de avisar aos organizadores da caminhada, que eles podem pesquisar as sugestões de roteiros nas cópias que existem, em Caruaru, no acervo do IHC, com o confrade Hélio Florêncio e com o amigo da Confraria do Café, Luiz Teófilo (Lula). Além, claro, dos arquivos do Jornal Vanguarda



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Eu mesma entreguei as três cópias do livreto, para eles. São cerca de cem recortes dessas publicações. Para os que não conheceram a coluna Memorial, seguem alguns texto de “Sêo” Nelson sobre o porquê escreveu as referidas mini crônicas: “Saudade é a vontade de ver de novo. Como rever o que não mais existe, a não ser em nossa memória? Solução parcial para a questão vem fornecendo magnanimamente o Professor Mário Menezes (FAFICA), através dos álbuns fotográficos publicados sob o título “Caruaru Antiga”. Oxalá o empreendimento não fique apenas nos dois volumes já entregues ao público. A série “Caruaru Antiga”, merece vida longa, principalmente porque o material para fazê-la é abundante e de primeira ordem. O que há nos arquivos públicos e particulares é coisa para fábula, fotos raríssimas de uma Caruaru, já desaparecida na voragem do tempo. Não é possível que tudo isso fique eternamente sepultado no arquivo do esquecimento. Uma boa fotografia vale mais do que mil palavras, disse Mário. É isso mesmo: nenhum escritor, por melhor que saiba exercer o seu ofício, tem o poder de convencimento de uma foto bem revelada. A fotografia diz muito mais do que o escrito. Conjugados, fotos e texto tornam a coisa perfeita, se é que existe perfeição nesse velho mundo de Deus. Daí a necessidade de um texto explicativo. Fotos antigas, somente, não fazem história” Com essa introdução, semanalmente durante quase três anos, a coluna foi publicada.



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Quando entreguei a cópia do IHC, todos os presentes à reunião folhearam esse “livreto nelseano”. Agradou em cheio! Resultado, a turma me estimulou a publicar os textos e as fotos. Tenho ainda mais de quarenta livros inéditos do meu pai. Já publiquei alguns por conta própria e uns volumes da Cronologia Pernambucana pelo Centro de Estudos de História Municipal (CEHM). O Memorial está na fila, assim como um livro com as fotografias do “Caruaru Antiga”, de Mário Menezes, comentadas por meu pai no seu ”Memorial da Saudade”. Isso vai dar o que falar! Tomara que as autoridades da Capital do Agreste, leiam esse artigo, se sensibilizem e patrocinem a publicação dessa relíquia.


*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista. @valeria.barbalho.5


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Desencontro de Solidões – Croniqueta, por Xico Bizerra*

08/05/2026

Na encruzilhada de uma cidade grande todos os vícios que as grandes cidades têm marcam encontro no mesmo horário: stress, engarrafamento e uma neblina chata e incessante às 6 da tarde, sol já escondido. Na rua estreita, cruzamento com uma outra rua qualquer, destinos embaçados imiscuem-se num sinal vermelho. Entre os dois carros, lado a lado, além dos pingos da chuva miúda sentimentos parecidos, solidões semelhantes.

Não fosse o verde do sinal, ali ficariam naquela esquina debulhando sonhos e vontades iguais, um a pastorear o outro e sendo pastoreado numa reciprocidade necessária, repleta de cumplicidade. As buzinas não permitem que o arrepio evolua para um carinho ou um mero aceno, um alô, uma troca de números, quem sabe? Obedientes à lei e sem ter como competir com a impaciência dos outros motoristas que faziam fila na rua estreita, fizeram a curva para lados opostos, os dois carros, as duas vidas, as duas solidões.

Que bom se houvesse espaço no asfalt...

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Na encruzilhada de uma cidade grande todos os vícios que as grandes cidades têm marcam encontro no mesmo horário: stress, engarrafamento e uma neblina chata e incessante às 6 da tarde, sol já escondido. Na rua estreita, cruzamento com uma outra rua qualquer, destinos embaçados imiscuem-se num sinal vermelho. Entre os dois carros, lado a lado, além dos pingos da chuva miúda sentimentos parecidos, solidões semelhantes.

Não fosse o verde do sinal, ali ficariam naquela esquina debulhando sonhos e vontades iguais, um a pastorear o outro e sendo pastoreado numa reciprocidade necessária, repleta de cumplicidade. As buzinas não permitem que o arrepio evolua para um carinho ou um mero aceno, um alô, uma troca de números, quem sabe? Obedientes à lei e sem ter como competir com a impaciência dos outros motoristas que faziam fila na rua estreita, fizeram a curva para lados opostos, os dois carros, as duas vidas, as duas solidões.

Que bom se houvesse espaço no asfalto para se plantar uma flor, para que cada avenida se transforme num canteiro e para que cada viaduto fosse um jardim suspenso. Assim, todos os homens seriam jardineiros, andariam a pé, permitindo ao destino um esbarrão carinhoso, um sorriso, uma palavra, aprendendo, desde cedo, a plantar o amor. Que pena que o sinal esverdeou ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico



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