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Internacional - Na Rússia, Lula celebra 80 anos da vitória contra o nazismo

09/05/2025

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, hoje, sexta-feira (09/05), em Moscou, na Rússia, da parada cívico-militar que celebra os 80 anos de vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

A rendição
 
Nesta data, em 1945, o Exército Vermelho anunciou a rendição incondicional dos alemães, pondo fim ao conflito que devastou a Europa ocidental e matou dezenas de milhões de pessoas por mais de meia década (1939-1945).
 
Dia da Vitória

Na Rússia, a data é conhecida como Dia da Vitória e é marcada por uma grande celebração nacional. Lula está no país desde quarta-feira (7), a convite de Vladimir Putin, com quem manterá reunião bilateral ao longo do dia.
 
Cerimônia
 
De acordo com a agenda oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula inicia a programação às 10h, horário local (4h pelo horário de Brasília) com a participação na cerimô...

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, hoje, sexta-feira (09/05), em Moscou, na Rússia, da parada cívico-militar que celebra os 80 anos de vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

A rendição
 
Nesta data, em 1945, o Exército Vermelho anunciou a rendição incondicional dos alemães, pondo fim ao conflito que devastou a Europa ocidental e matou dezenas de milhões de pessoas por mais de meia década (1939-1945).
 
Dia da Vitória

Na Rússia, a data é conhecida como Dia da Vitória e é marcada por uma grande celebração nacional. Lula está no país desde quarta-feira (7), a convite de Vladimir Putin, com quem manterá reunião bilateral ao longo do dia.
 
Cerimônia
 
De acordo com a agenda oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula inicia a programação às 10h, horário local (4h pelo horário de Brasília) com a participação na cerimônia principal, na Praça Vermelha, centro da capital russa. Em seguida, o presidente participa da cerimônia de oferenda floral no túmulo do soldado desconhecido.
 
A agenda
 
A agenda prossegue com um almoço oferecido por Putin no Palácio do Kremlin, sede do governo russo. Na parte da tarde, ainda pela manhã no Brasil, Lula e Putin se reúnem em agenda bilateral. Estão previstos anúncios de parcerias comerciais e a assinatura de acordos na área de ciência e tecnologia.
 
Reunião bilateral

Ainda nesta sexta, Lula manterá uma reunião bilateral com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, e terminará o dia de compromissos com um jantar oferecido pela Embaixada do Brasil em Moscou. Lula está acompanhado da primeira-dama Janja da Silva e por uma comitiva de ministros e autoridades da República, incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
 
Pequim
 
De Moscou, Lula e comitiva embarcam no dia seguinte para Pequim, na China, onde participam da cúpula entre o gigante asiático e países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nos dias 12 e 13 de maio, além de fazer uma visita de Estado, com a assinatura de, pelo menos, 16 atos bilaterais.

Foto: Ricardo Stuckert

Leia outras informações

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Amanhã tem festival no parque de mamulengos gigantes, em Surubim

06/06/2026

Com Fernando Guerra e o Correio do Agreste

O projeto Memorial dos Severinos promoverá amanhã, domingo (07/06), o 1º Arraial Mamulengá Surubim. O evento acontecerá das 16h às 20h no Parque dos Mamulengos Gigantes, localizado no bairro Lagoa Nova.

A programação

Terá início com apresentações infantil e adulta da quadrilha junina Chamas do Agreste, da comunidade de Lério de Cima. O encerramento ficará por conta dos shows das bandas Forró Autoral, de Surubim, e Forró de Rabeca de Tito Mendes, de Olinda.

Outras atrações

Além das apresentações culturais e musicais, o evento contará com fogueira, exposição de arte e comercialização de comidas típicas e bebidas não alcoólicas.

A entrada

É gratuita. O acesso ao local será realizado pelo Portal Pindorama, situado na Rua Lagoa Nova, nº 502, no bairro Lagoa Nova.



Serviço
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Com Fernando Guerra e o Correio do Agreste

O projeto Memorial dos Severinos promoverá amanhã, domingo (07/06), o 1º Arraial Mamulengá Surubim. O evento acontecerá das 16h às 20h no Parque dos Mamulengos Gigantes, localizado no bairro Lagoa Nova.

A programação

Terá início com apresentações infantil e adulta da quadrilha junina Chamas do Agreste, da comunidade de Lério de Cima. O encerramento ficará por conta dos shows das bandas Forró Autoral, de Surubim, e Forró de Rabeca de Tito Mendes, de Olinda.

Outras atrações

Além das apresentações culturais e musicais, o evento contará com fogueira, exposição de arte e comercialização de comidas típicas e bebidas não alcoólicas.

A entrada

É gratuita. O acesso ao local será realizado pelo Portal Pindorama, situado na Rua Lagoa Nova, nº 502, no bairro Lagoa Nova.



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Serviço

Evento: 1º Arraial Mamulengá Surubim
Data: Domingo, 7 de junho de 2026
Horário: Das 16h às 20h
Local: Parque dos Mamulengos Gigantes, Lagoa Nova, Surubim (PE)
Entrada: Gratuita
Acesso: Portal Pindorama, Rua Lagoa Nova, nº 502, bairro Lagoa Nova.



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Ponte que desabou no Acre tinha sido concluída no início de 2024 e custou R$ 36 milhões aos cofres públicos

06/06/2026

Hylda Cavalcanti

Repercute em todo o país neste sábado (06/06) o desabamento de uma ponte no interior do Acre, na noite de ontem. Apesar da seriedade do caso do ponto de vista de isolamento da área para acesso a muitos municípios, chama a atenção, principalmente, a situação da ponte, cuja estrutura é muito nova. Foi inaugurada há dois anos e meio e custou R$ 36 milhões aos cofres públicos.

No desabamento, quatro vítimas foram hospitalizadas e uma está em estado grave, mas não foram registrados óbitos até agora. A Ponte é a Frei Paolino Baldassari, localizada no município de Sena Madureira.

Ajuda de moradores

Os feridos foram encaminhados para o Hospital do João Câncio Fernandes com ajuda de moradores, bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O estado mais grave é de um homem que teve traumatismo craniano, além de trauma interno abdominal e renal.

Pessoas que estavam no C...

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Hylda Cavalcanti

Repercute em todo o país neste sábado (06/06) o desabamento de uma ponte no interior do Acre, na noite de ontem. Apesar da seriedade do caso do ponto de vista de isolamento da área para acesso a muitos municípios, chama a atenção, principalmente, a situação da ponte, cuja estrutura é muito nova. Foi inaugurada há dois anos e meio e custou R$ 36 milhões aos cofres públicos.

No desabamento, quatro vítimas foram hospitalizadas e uma está em estado grave, mas não foram registrados óbitos até agora. A Ponte é a Frei Paolino Baldassari, localizada no município de Sena Madureira.

Ajuda de moradores

Os feridos foram encaminhados para o Hospital do João Câncio Fernandes com ajuda de moradores, bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O estado mais grave é de um homem que teve traumatismo craniano, além de trauma interno abdominal e renal.

Pessoas que estavam no Centro de Sena Madureira, onde o trecho da ponte desabou disseram que ouviram um estrondo como se fosse um tremor de terra no momento do acidente. A ponte tinha sido interditada um dia antes, devido ao risco de desabamento, às margens do Rio Iaco. Em nota, o governo do Acre destacou que enviou equipes da Secretaria de Estado de Assistência Social (SEASDH) para apoio aos feridos e à comunidade de Sena Madureira.

— Com Agências de Notícias




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17 vereadores das bases de prefeitos de Raquel anunciam apoio e reforçam mais João Campos na RMR

05/06/2026

A adesão de 17 vereadores que integravam as bases políticas de prefeitos aliados da governadora Raquel Teixeira Lyra (PSD) em Jaboatão dos Guararapes e Paulista reforça um movimento que amplia a presença e o alcance político de João Campos (PSB) na Região Metropolitana do Recife, onde está concentrada a maior parcela do eleitorado pernambucano.

Jaboatão e Paulista

Nos dois municípios, considerados estratégicos para qualquer projeto de governo em Pernambuco, grupos expressivos de parlamentares municipais decidiram migrar para o palanque liderado pelo ex-prefeito do Recife. Apenas em Jaboatão dos Guararapes, segundo maior colégio eleitoral do estado, dez vereadores anunciaram apoio e acompanharam João Campos durante agenda realizada no Mercado das Mangueiras, em Prazeres. Os parlamentares integravam a base do prefeito Mano Medeiros, um dos principais aliados políticos da governadora na Região Metropolitana. Em Paulista, outro importante polo eleitoral...

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A adesão de 17 vereadores que integravam as bases políticas de prefeitos aliados da governadora Raquel Teixeira Lyra (PSD) em Jaboatão dos Guararapes e Paulista reforça um movimento que amplia a presença e o alcance político de João Campos (PSB) na Região Metropolitana do Recife, onde está concentrada a maior parcela do eleitorado pernambucano.

Jaboatão e Paulista

Nos dois municípios, considerados estratégicos para qualquer projeto de governo em Pernambuco, grupos expressivos de parlamentares municipais decidiram migrar para o palanque liderado pelo ex-prefeito do Recife. Apenas em Jaboatão dos Guararapes, segundo maior colégio eleitoral do estado, dez vereadores anunciaram apoio e acompanharam João Campos durante agenda realizada no Mercado das Mangueiras, em Prazeres. Os parlamentares integravam a base do prefeito Mano Medeiros, um dos principais aliados políticos da governadora na Região Metropolitana. Em Paulista, outro importante polo eleitoral do estado, sete vereadores da base do prefeito Ramos, também alinhado ao grupo político de Raquel Lyra, já haviam declarado apoio ao projeto liderado pelo socialista.

O que representa o apoio

Mais do que números, as adesões representam um significativo capital político. Somadas, as votações obtidas por esses 17 vereadores superam, com ampla margem, o eleitorado de diversos municípios pernambucanos. Trata-se de lideranças com forte inserção territorial, presença cotidiana nos bairros e capacidade de mobilização eleitoral, atributos que costumam ter peso relevante nas disputas estaduais.

O movimento

Ganha ainda mais relevância por envolver parlamentares que pertenciam a grupos políticos vinculados a prefeitos alinhados à governadora. Nos bastidores da política pernambucana, as migrações são interpretadas como um indicativo da crescente atração exercida pelo projeto liderado por João Campos, especialmente nos municípios metropolitanos, onde o socialista consolidou forte presença política ao longo dos anos em que comandou a Prefeitura do Recife.

Participação da RMR

A Região Metropolitana tem papel decisivo nas eleições estaduais. Além de concentrar mais de 40% dos eleitores pernambucanos, reúne alguns dos maiores colégios eleitorais do estado, como Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista. Historicamente, o desempenho dos candidatos nessa região costuma ser determinante para o resultado final das disputas pelo Palácio do Campo das Princesas.

Densidade eleitoral

Nesse contexto, a atração de vereadores ligados às bases dos prefeitos aliados de Raquel Lyra reforça a capacidade de expansão política de João Campos justamente na região onde seu projeto apresenta maior densidade eleitoral e onde se concentram os maiores colégios eleitorais de Pernambuco.




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Veneziano: “Caminhos para a Paraíba”, constrói proposta para o MDB nas eleições 2026

05/06/2026

A Fundação Ulysses Guimarães (FUG) da Paraíba realizou hoje sexta-feira (05/06), em João Pessoa , o evento “Caminhos para a Paraíba”, iniciativa voltada à construção coletiva de ideias, propostas e soluções para contribuir com o desenvolvimento do Estado. O evento representa mais uma etapa de um amplo processo de diálogo com diversos segmentos da sociedade paraibana, reunindo lideranças políticas, representantes da sociedade civil, especialistas e cidadãos interessados em contribuir com a formulação de propostas para o futuro do Estado.



A iniciativa

Tem como inspiração a publicação “Caminhos para o Brasil”, obra desenvolvida pela Fundação Ulysses Guimarães que reúne contribuições voltadas ao fortalecimento da democracia, da cidadania e das políticas públicas em âmbito nacional. Agora, a proposta ganha uma versão estadual, adaptada à realidade e aos desafios da Paraíba.



Contribuição importante

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A Fundação Ulysses Guimarães (FUG) da Paraíba realizou hoje sexta-feira (05/06), em João Pessoa , o evento “Caminhos para a Paraíba”, iniciativa voltada à construção coletiva de ideias, propostas e soluções para contribuir com o desenvolvimento do Estado. O evento representa mais uma etapa de um amplo processo de diálogo com diversos segmentos da sociedade paraibana, reunindo lideranças políticas, representantes da sociedade civil, especialistas e cidadãos interessados em contribuir com a formulação de propostas para o futuro do Estado.



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A iniciativa

Tem como inspiração a publicação “Caminhos para o Brasil”, obra desenvolvida pela Fundação Ulysses Guimarães que reúne contribuições voltadas ao fortalecimento da democracia, da cidadania e das políticas públicas em âmbito nacional. Agora, a proposta ganha uma versão estadual, adaptada à realidade e aos desafios da Paraíba.



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Contribuição importante

De acordo com o Senador e Presidente do MDB na Paraíba, Veneziano Vital do Rêgo, trata-se de uma valiosa contribuição para a proposta de desenvolvimento que o partido apresentará nas eleições deste ano aos paraibanos. “Essa proposta tem sido formulada pelo MDB Nacional, junto com nossa instância estadual, dentro daquilo que nós temos dito, que a Paraíba pode mais, pode ganhar um ritmo de gestão mais célere, mais sério, mais amplo, no qual as pessoas, de todas as regiões, possam se sentir integradas. Nós somos muito agradecidos à Fundação Ulysses Guimarães por essa colaboração, que se soma ao que temos colhido, eu, Cícero e André, nas visitas, nos debates e oportunidades outras que temos tido por toda a Paraíba”, afirmou Veneziano.



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É Findi - Modos de Amor - Por Marcelo Mário de Melo*

05/06/2026

Existe amor
de alto e baixo risco
estranhezas
e indumentárias várias.

Amor andando
em corda de equilibrista
beira de abismo
campo minado
guerra declarada
tratado de armistício
jogo de cartas marcadas
aposta em loteria
roldana de rotina.

Amor-cabra-cega
amor de portas abertas
amor caixa-forte
amor que dança
seguro por uma fita
cada ponta presa aos dentes
bastando abrir-se uma boca
para ser desfeito.

Melhor o amor
sem esses riscos e poréns.

Um amor que dispense
passaporte
carteira de habilitação
folha de antecedentes
declaração registrada em cartório
com duas testemunhas
certidão negativa do Serasa amoroso
previsão de indenização e fiança
certificado de garantia estendida
com prazo de validade.

Um amor que seja
s...

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Existe amor
de alto e baixo risco
estranhezas
e indumentárias várias.

Amor andando
em corda de equilibrista
beira de abismo
campo minado
guerra declarada
tratado de armistício
jogo de cartas marcadas
aposta em loteria
roldana de rotina.

Amor-cabra-cega
amor de portas abertas
amor caixa-forte
amor que dança
seguro por uma fita
cada ponta presa aos dentes
bastando abrir-se uma boca
para ser desfeito.

Melhor o amor
sem esses riscos e poréns.

Um amor que dispense
passaporte
carteira de habilitação
folha de antecedentes
declaração registrada em cartório
com duas testemunhas
certidão negativa do Serasa amoroso
previsão de indenização e fiança
certificado de garantia estendida
com prazo de validade.

Um amor que seja
simplesmente
uma dança
de confiança.


*Marcelo Mário de Melo, ex-preso político, jornalista e poeta. Seu lema é: "Só ultrapasse pela esquerda". @marcelommm



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É Findi - Chamas da Memória Junina - Crônica - Por Maria Inês Machado*

05/06/2026

São João, no meu sertão, era mais do que festa. Tempo de encontro, de esperança e de lembrar que a vida, mesmo dura, também sorria.

O arrasta-pé acontecia no alpendre da casa grande, enfeitado de bandeirinhas coloridas. As grandes mesas de madeira, espalhadas pelo terreiro, carregadas de quitutes faziam a fama da festa. Nos alguidares de barro fumegavam pamonhas, canjicas, munguzá, milho verde cozido, cocadas e puxa-puxa. O bolo de mandioca de dona Francisca era presença certa, mas havia quem jurasse que nada superava o pé de moleque de tia Corina. O bolo de batata-doce de dona Jovem também era disputado. Já o bolo de macaxeira trazia a marca de dona Zuleide.
— E a coalhada? Tem disso não no São João! — dizia alguém, arrancando risadas.

Foi então que Amélia, dona da casa e hospedeira de todos, perguntou:

— Ih! Tu não conheces seu Jacinto?

Quem não conhecia? Era homem de gosto apurado. Se chegasse e não encontrasse a t...

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São João, no meu sertão, era mais do que festa. Tempo de encontro, de esperança e de lembrar que a vida, mesmo dura, também sorria.

O arrasta-pé acontecia no alpendre da casa grande, enfeitado de bandeirinhas coloridas. As grandes mesas de madeira, espalhadas pelo terreiro, carregadas de quitutes faziam a fama da festa. Nos alguidares de barro fumegavam pamonhas, canjicas, munguzá, milho verde cozido, cocadas e puxa-puxa. O bolo de mandioca de dona Francisca era presença certa, mas havia quem jurasse que nada superava o pé de moleque de tia Corina. O bolo de batata-doce de dona Jovem também era disputado. Já o bolo de macaxeira trazia a marca de dona Zuleide.
— E a coalhada? Tem disso não no São João! — dizia alguém, arrancando risadas.

Foi então que Amélia, dona da casa e hospedeira de todos, perguntou:

— Ih! Tu não conheces seu Jacinto?

Quem não conhecia? Era homem de gosto apurado. Se chegasse e não encontrasse a tigela da comida de seu agrado, era capaz de virar a sela do cavalo e voltar para casa.

Enquanto o povo chegava, as moças se ocupavam das simpatias. Debaixo do pé de bananeira, enterravam os nomes dos pretendentes. No pequeno altar de dona Almira, erguido para pagar a promessa feita a Santo Antônio quando o enlace com seu Zacarias andava emperrado, reuniam-se as moças casamenteiras. E a fila era grande.

São João e São Pedro pareciam olhar com graça para Santo Antônio colocado de cabeça para baixo. Já devia estar com torcicolo.

Eita vexame bom.

São João de gente bonita, reunida para celebrar a colheita e fortalecer os laços de amizade. Nascer no sertão era rezar e fazer promessa no dia de São José, trazendo no coração a esperança das chuvas de junho. Percorrer os roçados simples e acompanhar o crescimento do milho, do feijão, da mandioca, do jerimum, da batata-doce, do maxixe e do quiabo.

As conversas voavam alto.

— O casamento vai ser marcado. Santo Antônio me prometeu.

Do outro lado, alguém implicava com Cacilda:

— Eita, Cacilda! Bota pó e tira pó. Moça velha não sai mais do caritó!

As gargalhadas corriam soltas.

— E tu, Margarida, ainda não saiu?
— E quem foi que me tirou?

Todo ano era a mesma promessa, a mesma fé depositada no santo casamenteiro.

As conversas cresciam noite adentro. As crianças faziam fila ao redor da fogueira. O milho assado de seu Onolino não tinha igual, e o cozinhado de tia Flora era disputado até a última espiga.

A noite parecia curta para tantos festejos. Entre um forró e outro, os olhos das moças encontravam os dos rapazes. Muitos casamentos já tinham começado assim, ao som de sanfona chorosa e de coração apaixonado.
Não era preciso riqueza para impressionar. Raimunda, por exemplo, tinha a casa sempre arrumada. O paneleiro brilhava com as panelas de alumínio bem areadas. Os panos de prato da semana eram bordados por dona Chica. As toalhas de mesa e as colchas de rechiliê, engomadas com esmero, levavam a marca das mãos talentosas de dona Ivete. No canto da cozinha, o ferro de passar chiava sobre as brasas.

Diziam até que o pote de aluá servido na festa tinha sido preparado por ela. Promessa paga por casamento alcançado.

Ah, sertão bom!

Sertão com cheiro de terra molhada. Do leite mungido , ainda quente da ordenha. Sertão das noites iluminadas por vaga-lumes, das histórias de Trancoso contadas por avó Belinda e pela ama de leite. Sertão dos candeeiros acesos clareando os serões. Da torra do café com rapadura.

Sertão da casa de farinha, dos quintais sombreados por árvores antigas que sustentavam o balanço feito por seu Inácio. Dos poleiros cheios de galinhas, do canto dos galos anunciando o dia, dos mugidos dos bois, dos berros dos bodes e das ovelhas.

— Peneira o xerém, Chicota!
— Vai no canteiro buscar cebolinha e coentro para o feijão-de-corda!
— Eita, Carmélia! Tu ainda não catou esse arroz? Cuidado para não deixar escolha. Joãozinho faz uma careta danada quando encontra uma casquinha.

Era assim a vida. Simples e inteira.

E a festa da padroeira? Essa nem se conta. Tem que ver com os próprios olhos.

Mas vá com respeito. Não fique atravessando o olhar para as moças dos outros.

Porque, em terra de sertanejo, desde os tempos antigos, honra era coisa séria. E certas pelejas, quando aconteciam, ainda se resolviam na ponta da faca.

Mesmo assim, quem conheceu aquele sertão guarda saudades até hoje. Saudades de um tempo em que a pobreza dividia a mesa com a fartura do coração. E que o São João não era apenas uma festa. Representava a força da amizade.

Eita São João danado de bom. Acende a fogueira da resistência cultural no coração dos nordestinos.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi



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É Findi - Recado - Poema - Por Eduardo Albuquerque*

05/06/2026

Diz aí, Poetinha:
uma frase longa,
duas curtas, soma;
ensina o caminho.



Sê Graciliano,
o alagoano:
reto, sucinto,
perfeito, distinto.

Sem tretas,
frases curtas,
mui enxutas.



O leitor frisa:
Poeta preciso,
escritor conciso.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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Diz aí, Poetinha:
uma frase longa,
duas curtas, soma;
ensina o caminho.



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Sê Graciliano,
o alagoano:
reto, sucinto,
perfeito, distinto.

Sem tretas,
frases curtas,
mui enxutas.



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O leitor frisa:
Poeta preciso,
escritor conciso.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99



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É Findi - Festejos Juninos - Crônica Longa - Victória Moura*

05/06/2026

Chegou o mês de Junho, o melhor mês do ano para o pernambucano.

Historicamente o mês da colheita do milho passou a ser o mês mais produtivo de renda por suas festas e comércio.

Para o povo em geral é o mês da alegria, da cultura, das tradições, das férias escolares, do clima mais ameno e das reuniões familiares.

Como sou de uma geração "raiz" do interior, me atrevi a escrever um relato, sob minha ótica o que mudou nas últimas 5 décadas. Não se trata de estabelecer um julgamento pragmático, mas muitos acharão interessante a lembrança de fatos passados.

Era assim:

Nas noites de Junho: 12 São Antônio, 23 São João e 28 São Pedro, em frente a cada casa se fazia uma fogueira de mais de 1 metro de altura, que queimava do anoitecer até a manhã do outro dia... milho verde assando no braseiro, conversa solta ao calor proporcionado; ruas enfeitadas, palhoções pela cidade, forró autêntico pé de serra nas radiolas ou nos tr...

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Chegou o mês de Junho, o melhor mês do ano para o pernambucano.

Historicamente o mês da colheita do milho passou a ser o mês mais produtivo de renda por suas festas e comércio.

Para o povo em geral é o mês da alegria, da cultura, das tradições, das férias escolares, do clima mais ameno e das reuniões familiares.

Como sou de uma geração "raiz" do interior, me atrevi a escrever um relato, sob minha ótica o que mudou nas últimas 5 décadas. Não se trata de estabelecer um julgamento pragmático, mas muitos acharão interessante a lembrança de fatos passados.

Era assim:

Nas noites de Junho: 12 São Antônio, 23 São João e 28 São Pedro, em frente a cada casa se fazia uma fogueira de mais de 1 metro de altura, que queimava do anoitecer até a manhã do outro dia... milho verde assando no braseiro, conversa solta ao calor proporcionado; ruas enfeitadas, palhoções pela cidade, forró autêntico pé de serra nas radiolas ou nos trios (sanfona, zabumba e triângulo)que se multiplicavam como eco.



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Balões coloridos como tochas acesas no céu; na terra mesas cheias de delícias(canjica, pamonha, munguzá, bolos de milho, engorda marido, pé de moleque, milho assado e cozido, queijo assado, cocada, paçoca, tapioca doce, arroz doce entre outros). As moças faziam adivinhações em torno à fogueira( água na bacia, gotas de vela, faca na bananeira, anel no cordão) tudo pra ver se o sonho de casar aconteceria. Fogos na rua, de todos os tipos a qualquer hora, sem limites, com estalos, luzes e explosões ( foguetões, pistolas, guerra de busca-pés, estrelinhas, chuvinhas, vulcões, traques e rojões) faziam a brincadeira das crianças e dos jovens.

As roupas de xadrez e chita colorida, chapéu de palha, sandálias de couro, tranças e batom vermelho vestiam as matutas caprichadas e os matutos desastrados e divertidos.

As danças (forró, côco, xote e baião) além das quadrilhas ensaiadas ou improvisadas, enchendo as noites de Anavatuns E Anarriês/ Rosa linda e linda rosa/ Grande Roda e Passeio à Direita/ Damas e Cavalheiros Balancê, arrastavam as pessoas a dançar sabendo ou não, na ousadia e liberdade.

Não havia brigas, não havia drogas, não havia assaltos ou violência, nem medo. No máximo alguém queimava a mão ou a barra da roupa e continuava a brincadeira até o fogo apagar, a banda cansar ou o sono chegar. Difícil era ir pra cama cheirando à fumaça e o coração batendo que nem a zabumba.

Agora é assim no politicamente correto:

Fogueiras? Não é ecológico. No máximo uma fogueirinha no sítios ou nos bairros afastados ou das cidades do interior, onde aida moram matutos de verdade. Nos clubes ou arraiais criaram fogueiras cênicas que simulam queimar, mas são luzes em papel celofane. Balões? proibidos mesmo se pequenos e sem potencial risco inflamável.

As músicas sempre em locais fechados, quase sempre pagos e bem vigiados, são tocadas por bandas estilizadas, sertanejas de outros sertões, com vozes e melodias sempre iguais. Só mudam os nomes e os rostos. Caixas de som que arrebentam os tímpanos e ninguém pode conversar. As danças tb mudaram: as quadrilhas são apresentações de grupos com nomes, roupas padronizadas coreografia e enredo, como das escolas de samba cariocas. Ninguém sabe se são damas ou cavalheiros, são personagens. Não se divertem, se apresentam, concorrem a prêmios e o público assiste, não participa. Os pátios de festas ocuparam os palhoções e ruas enfeitadas. Os casais se exibem com passos treinados e programados, não usam tanto os pés, como os braços e o tronco e rodopiam quase como num tango. Quem não frequentou as aulas da escola de dança se limita a olhar a performance.

As roupas das jovens que vão aos pátios, não são mais as coloridas e floridas, nem rodadas as saias. Agora predominam os jeans e os sintéticos, muito justos, curtos e transparentes, mesmo se não se adequam ao clima frio e chuvoso da região nessa época. Aquilo que era regional e tradição mudou para importado e sensual.
Os fogos não podem mais ter estampidos porque afetam os pets e também com os preços x salários não é inteligente " queimar dinheiro".

As mesas também seguem outras regras:

Nada feito com açúcar, leite, trigo e côco porque elevariam o colesterol e a glicose pelo ano todo. Então o cardápio fica por conta das castanhas, pipocas, amendoim, milho cozido, bolo, churrasco, queijos e bebidas alcoólicas. Essas ganharam força. Não é possível festa sem cerveja ou vinho. As latinhas fazem parte do visual, do look.

Conclusão: nem só elogios a um modelo, nem só críticas ao outro. Mas é impossível não comparar e não observar as mudanças, algumas foram perdas de fato.



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Talvez em algum reduto afastado, bem no interior, os costumes ainda persistam, mas onde chegarem as redes sociais eles tenderão a mudar.

Os festejos eram feitos pelas famílias, cada membro fazia algo, na cozinha, som, decoração ou fogueira e fogos. As famílias curtiam juntas e vom os vizinhos. Agora os jovens vão para os pátios, os adultos e idosos para a TV e as crianças para os games.



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Curioso é que quando proporcionamos a festa junina no modelo antigo todas as gerações curtem e se divertem.
Não tenho saudades das festas de São João nos grandes pátios ou casas de show com grandes artistas, mas daqueles folguedos simples que vivi na inocência, criatividade e alegria genuína...

Ah! Desses tenho uma saudade danada de boa


*Victória Moura, médica pediatra.



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É Findi - Veneno da Saudade, por Adeildo Nunes*

05/06/2026

O cansaço da vida me atormenta
O silêncio da noite me apavora
A zoada do vento me acalenta
No milagre do sonho que demora

A saudade que nunca foi embora
Me desperta no passado que alimenta
Sua imagem me aconchega brusca e lenta
Nos instantes de soluço que me aflora

O tempo, inimigo da bondade
Faz um antro de refúgio no meu peito
Sufocando minha antiga mocidade

O veneno que bem vive satisfeito
Se debruça na penumbra do meu leito
Sem saber que tou morrendo de saudade


*Adeildo Nunes, juiz de direito aposentado, articulista e poeta, professor e autor de livros jurídicos. @adeildonunesadv



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O cansaço da vida me atormenta
O silêncio da noite me apavora
A zoada do vento me acalenta
No milagre do sonho que demora

A saudade que nunca foi embora
Me desperta no passado que alimenta
Sua imagem me aconchega brusca e lenta
Nos instantes de soluço que me aflora

O tempo, inimigo da bondade
Faz um antro de refúgio no meu peito
Sufocando minha antiga mocidade

O veneno que bem vive satisfeito
Se debruça na penumbra do meu leito
Sem saber que tou morrendo de saudade


*Adeildo Nunes, juiz de direito aposentado, articulista e poeta, professor e autor de livros jurídicos. @adeildonunesadv



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É Findi - O Luxo do Lixo - Crônica - Por AJ Fontes*

05/06/2026

Já se foram trinta anos, eu me interessava por questões de resíduos sólidos urbanos: coleta seletiva, reciclagem, destinação final e coisas do gênero.

Busquei informações onde me fosse possível e, das poucas conseguidas, surgiu uma palestra promovida pelo professor João Paulo, já aposentado. Foi meu professor de química analítica no curso de Engenharia Química da UFPE.

Um estudioso estadunidense explicou a utilização dos resíduos sólidos de uma determinada cidade do seu país na geração de energia a partir da queima de papelão, plásticos e outros materiais combustíveis provenientes do lixo.

Mostrou fotos das usinas e planilhas indicavam a composição do material e mais de sessenta por cento eram papeis e plásticos.

Na minha cabeça ficou uma ideia: lá não se descasca e sim se desenlata, desempacota e desenvidra a fruta. Claro, a tecnologia da produção de alimentos por aquelas bandas já era mais sofisticada que do lado de baixo do...

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Já se foram trinta anos, eu me interessava por questões de resíduos sólidos urbanos: coleta seletiva, reciclagem, destinação final e coisas do gênero.

Busquei informações onde me fosse possível e, das poucas conseguidas, surgiu uma palestra promovida pelo professor João Paulo, já aposentado. Foi meu professor de química analítica no curso de Engenharia Química da UFPE.

Um estudioso estadunidense explicou a utilização dos resíduos sólidos de uma determinada cidade do seu país na geração de energia a partir da queima de papelão, plásticos e outros materiais combustíveis provenientes do lixo.

Mostrou fotos das usinas e planilhas indicavam a composição do material e mais de sessenta por cento eram papeis e plásticos.

Na minha cabeça ficou uma ideia: lá não se descasca e sim se desenlata, desempacota e desenvidra a fruta. Claro, a tecnologia da produção de alimentos por aquelas bandas já era mais sofisticada que do lado de baixo do equador.

Assisti as folhinhas do calendário virando, enquanto os jornais da TV mostravam os corpos se avolumando nas ruas de Manhattan e se transformando em números nas estatísticas de indivíduos com sobrepeso. Nas tabelas seguintes surgiram novas colunas com a expressão obesidade, depois obesidade mórbida.

A culpa é dos alimentos superprocessados, dizem as autoridades. Os produtores retrucam e, com outras tabelas, demonstram a necessidade de vender mais para gerar mais empregos, tão necessários a nação. A saúde deve ser tratada pelos remédios comprados com o salário. O importante é o dinheiro girar, repetem os empresários deitados em lençóis de seda.

Não é que esse abjeto costume chegou ao lado de cá?

É uma infame afirmação: o que é bom para países poderosos é bom para os de menor força, e a gente reverbera a isso como a síndrome do vira-lata. Danado é que terminam empurrando para nós inclusive o imprestável.
Nessa cadência de fazer aqui o que se faz lá, seguimos nas filas dos supermercados. Dia desses entrei em um substituto daquele que dizia ter orgulho de ser nordestino. Na fila do caixa, esperei o atendimento de uma família de pais gordos e filhos gordinhos empurrando o carro abarrotado de sacos onde lemos nomes de frutas, de carnes, peixes, farináceos, sucos e petiscos produzidos não nos pomares, fazendas, rios ou mares, mas em galpões.

Ainda não conseguimos regular a destinação dos resíduos, frutos do consumo desregrado em qualidade e quantidade. Os lixões continuam e poucos recebem o pomposo nome de aterros controlados, de onde conseguimos extrair algo de bom, como o gás metano utilizado para gerar energia, adubo orgânico e o húmus.

Geralmente o prefeito mantem um programa para atender meia dúzia de veículos e uma pequena horta no Colégio Municipal.

Enquanto isso, nos mares do planeta água, nossa casa, ilhas de plásticos que um dia foram embalagens de amburgueres, cremes faciais e coisas tais, se formam e servem de pouso aos pássaros migrantes e alimento aos peixes. Aqueles mesmos que nos enchem os olhos no almoço.

É verdade, o papel passa, mas o plástico fica. Eu me pergunto:

De que somos feitos: de luxo ou de lixo?


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes



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