Internacional - Na Rússia, Lula celebra 80 anos da vitória contra o nazismo
09/05/2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, hoje, sexta-feira (09/05), em Moscou, na Rússia, da parada cívico-militar que celebra os 80 anos de vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.
A rendição
Nesta data, em 1945, o Exército Vermelho anunciou a rendição incondicional dos alemães, pondo fim ao conflito que devastou a Europa ocidental e matou dezenas de milhões de pessoas por mais de meia década (1939-1945).
Dia da Vitória
Na Rússia, a data é conhecida como Dia da Vitória e é marcada por uma grande celebração nacional. Lula está no país desde quarta-feira (7), a convite de Vladimir Putin, com quem manterá reunião bilateral ao longo do dia.
Cerimônia
De acordo com a agenda oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula inicia a programação às 10h, horário local (4h pelo horário de Brasília) com a participação na cerimô...
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, hoje, sexta-feira (09/05), em Moscou, na Rússia, da parada cívico-militar que celebra os 80 anos de vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.
A rendição
Nesta data, em 1945, o Exército Vermelho anunciou a rendição incondicional dos alemães, pondo fim ao conflito que devastou a Europa ocidental e matou dezenas de milhões de pessoas por mais de meia década (1939-1945).
Dia da Vitória
Na Rússia, a data é conhecida como Dia da Vitória e é marcada por uma grande celebração nacional. Lula está no país desde quarta-feira (7), a convite de Vladimir Putin, com quem manterá reunião bilateral ao longo do dia.
Cerimônia
De acordo com a agenda oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula inicia a programação às 10h, horário local (4h pelo horário de Brasília) com a participação na cerimônia principal, na Praça Vermelha, centro da capital russa. Em seguida, o presidente participa da cerimônia de oferenda floral no túmulo do soldado desconhecido.
A agenda
A agenda prossegue com um almoço oferecido por Putin no Palácio do Kremlin, sede do governo russo. Na parte da tarde, ainda pela manhã no Brasil, Lula e Putin se reúnem em agenda bilateral. Estão previstos anúncios de parcerias comerciais e a assinatura de acordos na área de ciência e tecnologia.
Reunião bilateral
Ainda nesta sexta, Lula manterá uma reunião bilateral com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, e terminará o dia de compromissos com um jantar oferecido pela Embaixada do Brasil em Moscou. Lula está acompanhado da primeira-dama Janja da Silva e por uma comitiva de ministros e autoridades da República, incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Pequim
De Moscou, Lula e comitiva embarcam no dia seguinte para Pequim, na China, onde participam da cúpula entre o gigante asiático e países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nos dias 12 e 13 de maio, além de fazer uma visita de Estado, com a assinatura de, pelo menos, 16 atos bilaterais.
Foto: Ricardo Stuckert
Leia outras informações
Convenção de Raquel Lyra será realizada no Parador, no Recife Antigo
02/08/2026
Lideranças
No encontro, devem estar presentes lideranças políticas, prefeitos, parlamentares, candidatos proporcionais e aliados da base governista para a homologação da chapa majoritária e das candidaturas do grupo político que apoia a governadora.
Os partidos
A convenção também deve reunir representantes dos partidos que integram a coligação e servirá como cenário para os discursos que darão o tom da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Quem é Raquel Lyra
Raquel Lyra nasceu em Recife, em 1978, e cresceu em Caruaru. Raquel é filha do ex-prefeito de Caruaru e ex-governador de Pernambuco, João Lyra Neto. Seu avô, João Lyra Filho, também foi prefeito do município. Fernand...
O PSD oficializará a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra ao Governo de Pernambuco, hoje, domingo (02/08). O Parador, localizado no Recife Antigo, será o palco do evento, a partir das 9h.
Lideranças
No encontro, devem estar presentes lideranças políticas, prefeitos, parlamentares, candidatos proporcionais e aliados da base governista para a homologação da chapa majoritária e das candidaturas do grupo político que apoia a governadora.
Os partidos
A convenção também deve reunir representantes dos partidos que integram a coligação e servirá como cenário para os discursos que darão o tom da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Quem é Raquel Lyra
Raquel Lyra nasceu em Recife, em 1978, e cresceu em Caruaru. Raquel é filha do ex-prefeito de Caruaru e ex-governador de Pernambuco, João Lyra Neto. Seu avô, João Lyra Filho, também foi prefeito do município. Fernando Lyra, tio de Raquel, foi ministro da Justiça no início do governo de José Sarney.
Formada em Direito
Antes de ingressar na política, a governadora eleita se formou em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e atuou como delegada da Polícia Federal. Também foi procuradora-geral do Estado e chefe da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do Governo de Pernambuco, entre 2007 e 2010.
Mãe
Mãe de dois meninos, a governadora era casada com o empresário Fernando Lucena – que faleceu vítima de um mal súbito em 2 de outubro, dia do primeiro turno das eleições de 2022.
Deputada
Antes de seus mandatos à frente da prefeitura de Caruaru, Raquel foi eleita deputada estadual em 2010 e 2014. Na primeira disputa, elegeu-se como a mulher mais bem votada de Pernambuco. Nas duas ocasiões, a candidata era filiada ao PSB.
O Poder
PT abre mão de candidaturas próprias para governador em 14 estados para fortalecer alianças
02/08/2026
Disputarão
Em outras 12 disputas locais, os petistas disputarão o governo estadual como principais candidatos, enquanto os aliados ocupam as vagas de vice-governador e a disputa pelo Senado. Ainda não há definição em Roraima, com convenção local marcada para o dia 4 de agosto.
Selou acordos
Em troca de ceder o candidato ao governo, o PT selou acordos em que pode ter a escolha do vice-governador, pode definir um dos nomes indicados pela chapa ao Senado ou, então, não recebeu contrapartidas e optou apenas por estar em um palanque mais forte.
Mudança de estratégia
Um exemplo da mudança de estratégia é o Rio Gran...
O PT adotou a estratégia de abrir mão de candidaturas próprias aos governos dos estados em 2026 para fortalecer as alianças com nomes que entram mais fortes nas disputas locais. São ao menos 14 estados em que o partido deixou de lado a cabeça de chapa para apoiar aliados.
Disputarão
Em outras 12 disputas locais, os petistas disputarão o governo estadual como principais candidatos, enquanto os aliados ocupam as vagas de vice-governador e a disputa pelo Senado. Ainda não há definição em Roraima, com convenção local marcada para o dia 4 de agosto.
Selou acordos
Em troca de ceder o candidato ao governo, o PT selou acordos em que pode ter a escolha do vice-governador, pode definir um dos nomes indicados pela chapa ao Senado ou, então, não recebeu contrapartidas e optou apenas por estar em um palanque mais forte.
Mudança de estratégia
Um exemplo da mudança de estratégia é o Rio Grande do Sul: esta será a primeira eleição desde a redemocratização em que o PT deixa de lançar candidatura própria para apoiar uma aliada -- a primeira disputa a governador ocorreu em 1990.
Apoiará
O PT apoiará aliados no Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.
Cabeças de chapa
O partido terá cabeças de chapa na Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo.

Pernambuco
Em Pernambuco, João Campos, presidente nacional do PSB, pretende reeditar a aliança política construída entre seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, e o presidente Lula (PT) para conquistar o Governo de Pernambuco em 2026.
Na convenção, realizada ontem, sábado (01/08), e que homologou a candidatura de João Campos ao governo de Pernambuco, ele disse estar ao lado do presidente Lula (PT) e agradeceu a presença, na convenção, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
No Rio
No Rio de Janeiro, o PT se aliou ao prefeito da capital, Eduardo Paes, líder em todos os cenários de 1º e 2º turno ao governo fluminense, segundo pesquisa Quaest mais recente. Em troca, o partido terá a deputada federal Benedita da Silva como uma concorrente ao Senado pela chapa.
O Poder
Lançado oficialmente candidato ao governo de Pernambuco, João Campos reafirma parceria com presidente Lula
02/08/2026
Ao lado
Durante a convenção, João Campos disse estar ao lado do presidente Lula (PT) e agradeceu a presença, na convenção, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Ele também pediu aos apoiadores que só parem de trabalhar agora no dia da votação.
O lançamento
O PSB lançou a candidatura do ex-prefeito do Recife João Campos ao governo de Pernambuco, em convenção partidária realizada no Clube Internacional, no bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife.
Deixou a prefeitura
João Campos deixou a prefeitura do Recife neste ano para disputar o governo estadual pela primeira vez. Ele tenta suceder a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição e sua p...
Homologado como candidato ao governo de Pernambuco pelo PSB, em convenção realizada ontem, sábado (01/08), o ex-prefeito do Recife, reafirmou o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará a sua quarta eleição.
Ao lado
Durante a convenção, João Campos disse estar ao lado do presidente Lula (PT) e agradeceu a presença, na convenção, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Ele também pediu aos apoiadores que só parem de trabalhar agora no dia da votação.
O lançamento
O PSB lançou a candidatura do ex-prefeito do Recife João Campos ao governo de Pernambuco, em convenção partidária realizada no Clube Internacional, no bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife.
Deixou a prefeitura
João Campos deixou a prefeitura do Recife neste ano para disputar o governo estadual pela primeira vez. Ele tenta suceder a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição e sua principal adversária na disputa.
Lançada
Na convenção da Frente Popular de Pernambuco, encabeçada pelo PSB, também foi lançada a candidatura ao Senado da ex-deputada federal Marília Arraes (PDT), prima de João Campos.

A chapa
Integram ainda a chapa o advogado e economista Carlos Costa (Republicanos), candidato a vice-governador; e o senador Humberto Costa (PT), que tenta a reeleição. Neste sábado foram ainda lançados 45 candidatos a deputado estadual e 26 a deputado federal.
Quem é João Campos
Engenheiro civil de formação, ele é filho do ex-governador Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em 2014, e começou a carreira política como chefe de gabinete de Paulo Câmara, governador que sucedeu seu pai. Depois, em 2018, se candidatou a deputado federal e bateu recorde de votação no estado, com 460.387 votos.
Prefeito mais jovem
Deixou o cargo dois anos depois, em 2020, ao ser eleito o mais jovem prefeito do Recife, aos 27 anos.
Reeleito
Ele foi reeleito em primeiro turno em 2024, com 78,11% dos votos, e renunciou ao cargo em abril deste ano. Seu amigo de faculdade e chefe de gabinete, Victor Marques (PCdoB), havia sido eleito vice-prefeito e ficou à frente da prefeitura após a renúncia.
SL
O Poder
Foto: Pedro Alves/g1PE
Lula busca segunda reeleição com mote da soberania nacional contra tarifaço
02/08/2026
O vice
O petista terá confirmada sua candidatura à reeleição, novamente ao lado do atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Até o momento, é a única chapa presidencial oficialmente formada por uma aliança entre partidos.
Consolidou
Geraldo Alckmin consolidou sua posição no governo e manteve uma relação de proximidade com Lula, apesar do antigo histórico de disputa em eleições presidenciais, quando o paulista era do PSDB.
Chefiou
Além da vice-presidência, Alckmin também chefiou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, fazendo a ponte entre o atual governo e o setor do empresariado.
O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializa hoje, domingo (02/08), em convenção partidária na zona norte de São Paulo, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua segunda reeleição. Será a sétima vez que o petista disputará o Palácio do Planalto.
O vice
O petista terá confirmada sua candidatura à reeleição, novamente ao lado do atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Até o momento, é a única chapa presidencial oficialmente formada por uma aliança entre partidos.
Consolidou
Geraldo Alckmin consolidou sua posição no governo e manteve uma relação de proximidade com Lula, apesar do antigo histórico de disputa em eleições presidenciais, quando o paulista era do PSDB.
Chefiou
Além da vice-presidência, Alckmin também chefiou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, fazendo a ponte entre o atual governo e o setor do empresariado.
A coligação
Em busca de seu quarto mandato, Lula terá em sua coligação, além da Federação PT/PV/PCdoB, PSB, PDT e a Federação PSOL/Rede. O mandatário lidera as intenções de voto para o primeiro turno das eleições nas principais pesquisas, seguido pelo senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Motes
Lula adotou como um dos principais motes de sua campanha para 2026 a defesa da soberania nacional, em meio ao tarifaço dos Estados Unidos. O entorno do presidente avalia que respostas duras ao governo Donald Trump — e mesmo o acirramento das tensões - contribuem com a popularidade do petista.
Apostar
Baseado em pesquisas internas, o PT passou a apostar no discurso de que a família Bolsonaro teria sido provocadora do tarifaço. Um dos principais argumentos é a menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na carta em que Trump anunciou taxas contra o Brasil no ano passado.
Quarto mandato como presidente
Lula tentará o quarto mandato como presidente: eleito pela primeira vez em 2002, o petista foi reeleito em 2006 e venceu novamente uma eleição presidencial em 2022, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lula e a sétima eleição
Sindicalista, Lula foi um dos criadores do PT em 1980. Ele foi eleito deputado federal em 1986 e fez parte da Assembleia Nacional Constituinte de 1987.
Lula disputou sua primeira eleição presidencial em 1989, quando foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor de Mello (do então PRN). O petista também se candidatou em 1994 e 1998 — mas em ambos Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu em primeiro turno.
Convenções partidárias
As convenções partidárias estão liberadas desde 20 de julho e devem ocorrer até 5 de agosto. Depois, as candidaturas devem ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
O Poder
Um mar de gente. Convenção de João Campos mostra força popular, unidade política e alinhamento nacional
01/08/2026
Os senadores
Humberto Costa, do PT, é antigo aliado e escudeiro de Lula. Marília Arraes, uma guerreira, que carrega tradição familiar mas construiu seus próprios caminhos. Têm perfis diferentes mas olham na mesma direção política e se completam.
O alinhamento
Lula não veio mas enviou o seu vice, Geraldo Alckmin, para não deixar dúvi...
Foi um dia glorioso para João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes. A convenção, realizada hoje, sábado, 1o de agosto de 2026, revelou muita coisa além da festa. Em primeiro lugar, a Frente Popular, unidade construída desde os anos 1960 pelo bisavô de João Campos, Miguel Arraes, continua firme, forte e moderna. Sobreviveu à ditadura e a muitas adversidades. Construiu uma história, que tem como ícone Eduardo Campos, pai de João. A Frente Popular continua na vanguarda da politica pernambucana. Representa o novo, não apenas na idade, mas principalmente nos propósitos e compromissos.
Os senadores
Humberto Costa, do PT, é antigo aliado e escudeiro de Lula. Marília Arraes, uma guerreira, que carrega tradição familiar mas construiu seus próprios caminhos. Têm perfis diferentes mas olham na mesma direção política e se completam.
O alinhamento
Lula não veio mas enviou o seu vice, Geraldo Alckmin, para não deixar dúvidas de que a chapa de João tem rumo e sintonia. Desautorizado qualquer maluco desavisado a falar em Lula para tentar confundir no palanque de Raquel, amanhã.
João
Chegou e saiu nos braços do povo. Fez um discurso forte. Disse, metaforicamente, que vai derrubar as grades que separam o Palácio do povo. Assumiu compromissos claros, viáveis, factíveis. Estabeleceu contrastes claros com a sua competidora e saiu aclamado.
A platéia
A disputa, todo mundo sabe, está equilibrada no momento. Quem foi ou acompanhou a convenção, saiu energizado e confiante em uma vitória consagradora.
É Findi - Os Engenhos que os Holandeses Encontraram em Pernambuco - Alfredo Cabral de Melo*
01/08/2026
Quando os holandeses chegaram a Pernambuco, em 1630, encontraram muito mais do que uma terra fértil e uma posição estratégica no Atlântico. Encontraram uma economia açucareira já estruturada, com engenhos, canaviais, escravizados, proprietários, comerciantes, crédito e uma rede de circulação que ligava o interior ao Recife e, dali, aos mercados internacionais.
Esse detalhe é fundamental para entender o chamado Brasil holandês.
O engenho não era simplesmente uma propriedade rural. Era, ao mesmo tempo, unidade de produção, patrimônio, fonte de renda, objeto de crédito e centro de relações sociais. Em torno dele se organizava boa parte da vida econômica pernambucana.
É essa estrutura que permite compreender por que Pernambuco despertava tanto interesse dos neerlandeses.
A Companhia das Índias Oci...
Antes de Nassau, já havia aqui uma poderosa economia do açúcar, e foi justamente ela que tornou Pernambuco tão cobiçado.
Quando os holandeses chegaram a Pernambuco, em 1630, encontraram muito mais do que uma terra fértil e uma posição estratégica no Atlântico. Encontraram uma economia açucareira já estruturada, com engenhos, canaviais, escravizados, proprietários, comerciantes, crédito e uma rede de circulação que ligava o interior ao Recife e, dali, aos mercados internacionais.
Esse detalhe é fundamental para entender o chamado Brasil holandês.
O engenho não era simplesmente uma propriedade rural. Era, ao mesmo tempo, unidade de produção, patrimônio, fonte de renda, objeto de crédito e centro de relações sociais. Em torno dele se organizava boa parte da vida econômica pernambucana.
É essa estrutura que permite compreender por que Pernambuco despertava tanto interesse dos neerlandeses.
A Companhia das Índias Ocidentais não atravessou o Atlântico em busca apenas de território. O açúcar estava entre as razões essenciais da conquista. E havia uma contradição desde o início: os holandeses precisavam controlar uma economia que a própria guerra havia ajudado a desorganizar.
A conquista provocou destruição, deslocamentos e abandono de propriedades. Engenhos foram atingidos e a produção sofreu. José Antônio Gonsalves de Mello, em Tempo dos Flamengos, mostra como os primeiros anos da ocupação alteraram profundamente a vida colonial e atingiram diretamente o trabalho nos engenhos. A desorganização também favoreceu fugas de escravizados e o crescimento de quilombos.
O problema, portanto, não era apenas conquistar Pernambuco. Era fazê-lo voltar a produzir.
Para que um engenho funcionasse, não bastava plantar cana, era necessário dispor de terras, mão de obra, animais, equipamentos, crédito, transporte e mercado. O açúcar precisava ser fabricado e levado até o porto. O Recife, por sua vez, precisava dessa produção para sustentar sua função comercial.
O engenho estava no centro dessa engrenagem.
E havia uma realidade que não pode ser esquecida: a riqueza açucareira estava assentada sobre a escravidão. A produção dependia do trabalho de homens e mulheres submetidos à escravização, e a guerra alterava também essa relação de poder.
Para o proprietário, a destruição de um engenho significava perda de patrimônio e de renda. Para quem financiava a produção, podia significar o comprometimento de um crédito. Para os escravizados, a desorganização da guerra podia abrir oportunidades de fuga e resistência.
A mesma guerra, portanto, tinha significados muito diferentes para os diversos grupos que viviam naquele Pernambuco.
- Nassau e a reconstrução
É nesse cenário que Maurício de Nassau assume o governo.
A imagem de Nassau costuma estar associada às transformações urbanas do Recife, às artes, à ciência e à tolerância religiosa. Tudo isso faz parte da história. Mas havia uma questão ainda mais urgente: recuperar a economia que sustentava a ocupação.
Os engenhos precisavam voltar a produzir e com isso exigia reconstrução, mão de obra, crédito e estabilidade.
A administração neerlandesa, portanto, precisou lidar com proprietários e comerciantes, credores e devedores, interesses econômicos que nem sempre coincidiam. O engenho tornou-se também uma questão financeira.
E aqui a pesquisa de Evaldo Cabral de Mello é especialmente esclarecedora.
Em O Bagaço da Cana, o historiador examina os engenhos do período e demonstra que a recuperação ocorrida durante o governo de Nassau não significou o retorno da produção açucareira ao nível existente antes da invasão. Mesmo em seu momento de maior expansão, a atividade não alcançou o patamar anterior a 1630.
Isso ajuda a colocar o período em perspectiva, pois, Houve reconstrução, crescimento e uma notável transformação do Recife.
Mas Pernambuco continuava carregando as marcas de uma guerra que havia atingido a base de sua riqueza.
E é justamente nesse ponto que a história dos engenhos começa a se transformar em uma história de dívidas, patrimônio, interesses políticos e guerra.
Na próxima semana: como a crise dos engenhos se relacionou com a Restauração Pernambucana e por que a expulsão dos holandeses não pode ser compreendida apenas pelas batalhas.
Referências:
MELLO, José Antônio Gonsalves - Tempo dos Flamengos / José Antônio Gonsalves de Mello - São Paulo: Topbooks, 2002.
MELLO, Evaldo Cabral de – O Bagaço da Cana / Evaldo Cabral de Mello - São Paulo: Penguin, 2022.
*Alfredo Cabral de Melo, Advogado, Parecerista, Especialista em Direito de Família e Sucessões, Direito Civil e Processo Civil, Membro da ISFL - International Society of Family Law, Membro da Comissão de Direito Eleitoral - OAB/PE, Membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/PE, Criador e apresentador do Podcast Jurídico - "Cláusula Aberta" pelo YouTube (Link: http://www.youtube.com/@clausulaaberta). @alfredo.cabral.de.melo

É Findi - Guaxinins - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
01/08/2026
a família de guaxinins:
pai, mãe, três filhotes
divertem-se ... que sorte!
Ter um parque só p’ra si,
brincar e se divertir,
sem riscos de predador,
seu inimigo assustador.
Correm p’ra lá e p’ra cá,
sob o vigilante olhar,
de seus pais, a lhes criar.
E ainda têm alimentos,
em quaisquer momentos,
p’ra seu contentamento.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
Uma festa no jardim,
a família de guaxinins:
pai, mãe, três filhotes
divertem-se ... que sorte!
Ter um parque só p’ra si,
brincar e se divertir,
sem riscos de predador,
seu inimigo assustador.

Correm p’ra lá e p’ra cá,
sob o vigilante olhar,
de seus pais, a lhes criar.
E ainda têm alimentos,
em quaisquer momentos,
p’ra seu contentamento.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Edifício Duarte Coelho: Um Transatlântico Ancorado no Rio Capibaribe - Por Paulo Cunha*
01/08/2026
O edifício Duarte Coelho, “o maior do Norte do País” — era assim que diziam os anúncios do em...
É nas horas escuras da madrugada, quando o trânsito praticamente estancou e os únicos movimentos parecem se reduzir aos homens de farda laranja que jogam sacos negros no caminhão de coleta de lixo, e quando os sem-teto já dormem enrolados em caixas de papelão nas calçadas, que o Edifício Duarte Coelho recupera seu aspecto de bela, fantasmagórica e impenetrável melancolia. Que seja observado do outro lado do rio Capibaribe, desde a rua do Sol, ou da sua própria calçada da rua da Aurora, o prédio fascina pela massa compacta que ocupa um quarteirão inteiro do bairro da Boa Vista. Dá para imaginar que, de tão sólida, a construção resistiria até a um improvável terremoto que destruísse o Recife. No térreo, sobrevivendo ao tempo e às crises, o Cinema São Luiz igualmente resiste, ainda projetando filmes numa cidade que abandonou progressivamente a necessidade de cuidar do seu centro.
O edifício Duarte Coelho, “o maior do Norte do País” — era assim que diziam os anúncios do empreendimento publicados nos jornais do Recife —, teve sua pedra fundamental lançada na tarde do sábado 16 de fevereiro de 1946. Um acontecimento tão importante que contou com a participação do Interventor Federal em Pernambuco, José Domingues e do Prefeito do Recife, Pelópidas da Silveira. Projetado desde 1943, ocupou o terreno da antiga Igrejinha dos Ingleses, construída em 1838 e demolida justamente para dar lugar ao prédio. A Imobiliária Recife Ltda. e a Sociedade Construtora Jogentil prometeram entregar o prédio no prazo de dois anos: três blocos, cada um deles com catorze pavimentos de uso misto (lojas no térreo e apartamentos residenciais nos pisos superiores), incluindo “um luxuoso e moderno cinema da Empresa Luiz Severiano Ribeiro”. O projeto foi coordenado pelo engenheiro-arquiteto Américo Campelo, com a colaboração de Maurício Coutinho e Pedro Correia de Araújo, para ser um ícone das modernidade cultural e urbanística do Recife. Mesmo transcorrendo sem grandes interrupções, o prazo da construção se estendeu por seis anos, até 1952, e era acompanhada com atenção pelos jornalistas. Em 30 de agosto de 1951, a coluna Coisas da Cidade, no Diario de Pernambuco, já dava conta dos trabalhos finais do acabamento:
“Lula Cardoso Aires está acabando a decoração do Cinema São Luiz. Vimo-lo ontem, tal e qual simples operário, agarrado com os pinceis, lambuzado de tinta, comendo ali mesmo no trabalho, como se fosse um pintor de paredes. […] O belo painel que projetou à entrada do cinema reflete num panorama a vida do Recife; evoca o seu passado, com as torres de suas igrejas, as cumeeiras de seus velhos sobrados, os seus maracatus, os seus frevos, as suas cenas de carnaval.”
O cinema consolidou o impacto do Edifício Duarte Coelho e surgiu na expansão da cadeia de Luiz Severiano Ribeiro, cuja estratégia era precisamente a abertura de cinemas monumentais (como o São Luiz no Recife e o São Luiz do Largo do Machado, no Rio de Janeiro); a expansão para bairros populosos e zonas residenciais de classe média, garantindo a proximidade com o público; a integração com a Atlântida Cinematográfica e suas incríveis chanchadas e a formação de um cartel com a empresa exibidora de Lívio Bruni, que permitiu negociar melhores condições, taxas e exclusividade na exibição de grandes produções.
A primeira sessão do Cinema São Luiz, exclusiva para convidados, autoridades civis e militares, clero e intelectuais, aconteceu no dia 31 de agosto de 1952. A Atlântida Cinematográfica registrou tudo num curta ainda hoje disponível. A abertura ao público, com exibição do já manjado O Falcão dos Mares (The Sea Hawk), de Raoul Walsh, lançado em 1940 e estrelado por Errol Flynn, foi um dos maiores acontecimentos culturais dos anos 1950 no Recife, com as plateias se espantando com o luxo arquitetônico, o mural de Lula Cardoso Aires, a exibição em Technicolor, o fosso para eventuais apresentação com orquestra e os belíssimos vitrais laterais da tela, que iluminavam o início de cada sessão (criação da vitralista recifense Aurora de Lima). Tudo pensado pelo decorador Pedro Correia de Araújo, que, a pedido de Severiano Ribeiro, homenageou a corte do rei francês Luís IX, com adornos e relevos com o símbolo da flor de lis. Nos anos seguintes, para frequentar o São Luiz, manteve-se a exigência de terno e gravata para os homens e trajes finos para as mulheres.
O novo edifício Duarte Coelho e seu famoso cinema vieram consolidar o processo de modernização do bairro da Boa Vista, numa transformação que durou duas décadas. O centro do Recife adotou as ideias do “urbanismo higienista”, desde o plano do arquiteto Nestor de Figueiredo, no final da década de 1920: a cidade deveria “superar” suas formas coloniais ao criar um “eixo retilíneo” largo e moderno. Começou com a abertura da Avenida Guararapes (1937-1940), com financiamento direto do Estado Novo de Getúlio Vargas: dezoito quarteirões de sobrados coloniais dos séculos XVII e XVIII foram completamente destruídos, assim como a Igreja do Paraíso e o Hospital São João de Deus. Antes conhecida como Rua Formosa, um corredor de casarões, surge em 1946 a Avenida Conde da Boa Vista, estabelecendo uma via contínua para conectar o centro histórico às zonas Norte e Oeste do Recife. A velha rua Formosa — assim denominada por conta da beleza de suas residências — mudou de nome para homenagear Francisco do Rego Barros, o Conde de Boa Vista, presidente da província de Pernambuco, que em 1840 aterrou o mangue existente no local para expandir o centro da cidade.
Ao longo de mais de oito décadas de história, o Edifício Duarte Coelho e o Cinema São Luiz foram palco de muitas histórias. Noites de gala e de estreia de filmes americanos; as matinês de Bossa Jovem aos sábados, com centenas de secundaristas urrando na plateia; a estreias de Baile Perfumado de 1996, celebrando a retomada do cinema pernambucano; as filas gigantescas dos longas dos Trapalhões ou de Tubarão; o entorno do prédio como cenário de O Agente Secreto; e até um assasinado político chocante em frente ao cinema na noite de estreia do filme O Canto do Mar, de Alberto Cavalcanti, em outubro de 1953. Nos apartamentos, vivendo histórias que não couberam em filmes, famílias construíram suas trajetórias observando das janelas o movimento de O Cão sem Plumas.
As décadas também testemunharam a decadência da Boa Vista. As grandes empresas (bancos, magazines, restaurantes) abandonaram o bairro em busca das novas centralidades urbanas, sobretudo a Zona Sul e alguns trechos privilegiados da Zona Oeste. O transporte público degradou-se. O ambiente tornou-se hostil, inseguro, reativo aos caminhantes. Agora a vida urbana só acontece com deslocamentos em automóveis. Sem segurança, com poucos estacionamentos e iluminação inadequada, quase ninguém se arrisca a passear à noite. O footing terminou, levando parte das memórias. Como guerrilheiros, alguns ciclistas ainda lutam contra o descaso. Dezenas de cinemas do antigo centro fecharam ou se trancaram nos Shopping Centers — menos o belo São Luiz, com suas 992 poltronas (eram 1260 na inauguração), que teima em abrilhantar a fachada degradada do Edifício Duarte Coelho.
*Paulo Cunha é jornalista e professor titular aposentado da UFPE.
Apresentado por:
*Silvio Amorim, foi Diretor da Rede Federal de Educação Tecnológica do MEC. É membro do IAHGP. Foi subchefe da Casa Civil do governador Marco Maciel e secretário de Educação do prefeito Roberto Magalhães. @silvio.amorim.pe
NR - Os artigos assinados refletem a opinião dos seus autores.

É Findi - To Be Or Not To Me? - Por Felipe Bezerra*
01/08/2026
A pergunta infinita,
é quem mais habita
as estradas e os becos
de dentro de mim.
É preciso perceber
quando o mal se agita,
quando avança o medo,
para domá-los a tempo
de não se permitir.
A mente é labirinto,
com desvios e recomeços.
Nas encruzilhadas da vida,
a melhor saída
é não travar e agir.
*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
- Quem está ai?
A pergunta infinita,
é quem mais habita
as estradas e os becos
de dentro de mim.
É preciso perceber
quando o mal se agita,
quando avança o medo,
para domá-los a tempo
de não se permitir.
A mente é labirinto,
com desvios e recomeços.
Nas encruzilhadas da vida,
a melhor saída
é não travar e agir.
*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Sonhos Felinos - Por AJ Fontes*
01/08/2026
O focinho apontava para um canto do chão. Voltei uns passos, procurei e encontrei, no meio da folhagem encharcada, encolhido, um pequeno graveto peludo, branco com manchas alaranjadas; tremia e tinha os olhos esbodegados fixos em nada.
Segurei, com as pontas dos dedos, pelo pescoço e levei para casa.
Três anos a diante, tomo meu café da manhã e observo Félix deitado na cadeira ao lado: sete quilos, a cabeça tem o tamanho do próprio naquela época e o corpo mal cabe no assento.
Treme uma pata traseira. Será que sonha? A IA logo respondeu que a evidência científica sugere fortemente que sim, embora não saibamos como o quê. Creem, os estudiosos, que revivem perseguições a uma presa, interação com o tutor ou com outr...
Um estalo sob os pés me fez retornar do silêncio. Parei e procurei Paçoca, minha companheira de caminhadas. Estava com as quatro patas enfiadas na lama da estrada chovida entre os sítios e fazendas da Serra das Russas.
O focinho apontava para um canto do chão. Voltei uns passos, procurei e encontrei, no meio da folhagem encharcada, encolhido, um pequeno graveto peludo, branco com manchas alaranjadas; tremia e tinha os olhos esbodegados fixos em nada.
Segurei, com as pontas dos dedos, pelo pescoço e levei para casa.
Três anos a diante, tomo meu café da manhã e observo Félix deitado na cadeira ao lado: sete quilos, a cabeça tem o tamanho do próprio naquela época e o corpo mal cabe no assento.
Treme uma pata traseira. Será que sonha? A IA logo respondeu que a evidência científica sugere fortemente que sim, embora não saibamos como o quê. Creem, os estudiosos, que revivem perseguições a uma presa, interação com o tutor ou com outros felinos. Pessoalmente não acredito em uma memória elástica suficiente para estar novamente na frente de bichos enormes e estranhos como eu e Paçoca no meio do mato.
Nós também sonhamos; e nem precisamos estar dormindo.
Passando os olhos nas janelas e varandas dos edifícios em torno percebo um jovem vindo para a pequena varanda. Acende um cigarro e mergulha na fumaça em busca da moça bela que habita seus libidinosos instantes e o fazem atravessar mais um dia entre tantas outras provas de pertencer e estar nas altas esferas do grupo ao qual pertence.
Alguns passos e percebo, por trás de um filó esvoaçante, o contorno bem delineado de uma mãe quase composta sobre a cama, sem os filhos, sem o marido. Esperando. Dá para ver o sorriso enquanto alisa os cabelos no travesseiro. As ondas que vem e vão, Trazem e levam imagens, formas, cheiros e arrepios, mas só até o choro do caçula a alcançar.
Quase não vejo um senhor de tão encolhido em uma cadeira de balanço, na réstia de luz que resta no quarto penumbrado. Para ele não importa se claro ou escuro, se frio ou quente, perfumado ou azedo. Não há sonhos, porque não há pensamentos, apenas um respiro curto, um olhar perdido em um eterno nada.
Félix ronrona nos meus pés e espano essas visões com a cabeça. Compreendo, surpreso, que implanto sonhos em gente desconhecida. Desconfortável, olho para os lados, procurando por espiões de meus pensamentos. Vou à cozinha, tomo um pouco de água, respiro e bisbilhoto os labirintos dos meus miolos em busca da razão dos meus devaneios.
Encontrei!
Buscava histórias para contar.
*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’. @aj.fontes
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
