Mano Medeiros : servidores do Jaboatão dos Guararapes terão aumento acima da inflação
09/05/2025
Esse percentual
Ficou bem acima da tabela do IPCA, que foi de 4,56%. O acordo foi fechado com o Sindicato dos Servidores Municipais de Jaboatão dos Guararapes - SINSMUJG. O reajuste será feito em duas parcelas. A partir de maio, será aplicado o percentual de 4,56%. E, em outubro deste ano, a diferença percentual será implementada na folha de pagamento.
O aumento
Vai repercutir financeiramente com uma despesa anual no valor de R$ 313.153.832,45. As 12 categorias beneficiadas abrangem um universo de 3.090 servidores lotados em todos os setores da Prefeitura do Jaboatão dos G...
Esse percentual
Ficou bem acima da tabela do IPCA, que foi de 4,56%. O acordo foi fechado com o Sindicato dos Servidores Municipais de Jaboatão dos Guararapes - SINSMUJG. O reajuste será feito em duas parcelas. A partir de maio, será aplicado o percentual de 4,56%. E, em outubro deste ano, a diferença percentual será implementada na folha de pagamento.
O aumento
Vai repercutir financeiramente com uma despesa anual no valor de R$ 313.153.832,45. As 12 categorias beneficiadas abrangem um universo de 3.090 servidores lotados em todos os setores da Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes.
O prefeito
Mano Medeiros assinou mais esse acordo e reafirmou o compromisso do Governo Municipal em valorizar todas as categorias de trabalhadores. "Essa semana já fechamos um acordo com o pessoal da Educação. Agora, mais uma etapa vencida, que vai beneficiar milhares de trabalhadores do Jaboatão. Como sempre, resultado de um esforço orçamentário e financeiro, garantindo melhorias salariais para todos", disse Mano.
Leia outras informações
Ex-prefeito de São Francisco, João Bosco Filho anuncia apoio à reeleição de Veneziano ao Senado
25/07/2026
“Dr. Joãozinho é uma figura que eu quero muito bem. Esta parceria, antes de ser uma parceria política, é uma parceria de amigos, de uma amizade que nós construímos nos últimos anos; e receber esse gesto, pra mim, é muito importante”, afirmou o Senador.
“Veneziano, no que eu puder ajudar neste projeto, estou à disposição. Conte comigo. Vamos trabalhar”, ressaltou o ex-prefeito João Bosco Filho.
Assessoria de Imprensa
Senador Veneziano Vital do Rêgo - MDB-PB
Pré-candidato à reeleição no Senado Federal
O ex-prefeito da cidade de São Francisco, João Bosco Filho, anunciou neste sábado (25) apoio à pré-campanha de reeleição do Senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Foi durante encontro ocorrido na cidade de Sousa, no sertão paraibano, onde Veneziano se encontra desde a sexta-feira para reuniões e contatos políticos.
“Dr. Joãozinho é uma figura que eu quero muito bem. Esta parceria, antes de ser uma parceria política, é uma parceria de amigos, de uma amizade que nós construímos nos últimos anos; e receber esse gesto, pra mim, é muito importante”, afirmou o Senador.
“Veneziano, no que eu puder ajudar neste projeto, estou à disposição. Conte comigo. Vamos trabalhar”, ressaltou o ex-prefeito João Bosco Filho.
Assessoria de Imprensa
Senador Veneziano Vital do Rêgo - MDB-PB
Pré-candidato à reeleição no Senado Federal
Xico Bizerra volta a reclamar xexo do governo Raquel
25/07/2026
Os artistas locais sofrem
O grande compositor Xico Bizerra cedeu uma de suas músicas maravilhosas para ser usada como trilha sonora pelo Governo. Só que Xico nunca viu a cor do pequeno cachê. Cansado de esperar, considerando o descaso um desaforo, emitiu mais uma nota de cobrança pública. Registre-se: Xico Bizerra não é o único ser vivente nesse Estado que pode encher a boca e chamar Raquel de xexeira.
A nota
O Governo do Estado - Empetur me deve, há mais de um ano, uma 'mixaria' referente a direito autoral de uma música minha que toca num ambiente do Museu Cais do Ser...
Dinheiro para pagar, adiantado, os artistas "nacionais" que cobram cachês milionários, não falta. O governo de Raquel Teixeira Lyra ganhou o campeonato brasileiro da primeira divisão de gastos em shows e eventos. Com recursos bem direcionados e os palcos usados como verdadeiros showmícios, burlando descaradamente a legislação eleitoral. Porém...
Os artistas locais sofrem
O grande compositor Xico Bizerra cedeu uma de suas músicas maravilhosas para ser usada como trilha sonora pelo Governo. Só que Xico nunca viu a cor do pequeno cachê. Cansado de esperar, considerando o descaso um desaforo, emitiu mais uma nota de cobrança pública. Registre-se: Xico Bizerra não é o único ser vivente nesse Estado que pode encher a boca e chamar Raquel de xexeira.
A nota
O Governo do Estado - Empetur me deve, há mais de um ano, uma 'mixaria' referente a direito autoral de uma música minha que toca num ambiente do Museu Cais do Sertão. Esta grana não me faz falta (graças a Deus) mas reclamo por achar um absurdo o que acontece, um desrespeito com a cultura pernambucana. Fosse eu um Wesley Safadão já teria recebido. Ou se meu pai tivesse uma empresa de ônibus em Caruaru ou meu cônjuge um hospital em Garanhuns ... Desculpe o desabafo, mas não resisti a fazê-lo. Abraço, Xico Bizerra.

É Findi - Silvio Amorim* nos Apresenta a Série Prédios Ícones de Pernambuco - Theatro Cinema Guarany, em Triunfo/PE - Por Wanessa Campos*
25/07/2026
construído em estilo neoclássico com mão-de-obra local, seguindo a planta original que veio da França em 1919. Os trabalhos foram iniciados no mesmo ano, mas se passaram mais três para o serviço ser concluído.
O Empreendedor
A ideia foi do próspero comerciante e industrial Carolino de Arruda Campos, que bancou toda a obra, e ainda priorizou os trabalhadores da cidade numa tentativa de impedir o êxodo para outros lugares, diante da grave seca que castigava o Sertão. Deu certo.
Hoje, aos 104 anos, o Guarany, como é chamado na cidade, continua imponente testemunhando os acontecimentos da bela Triunfo, e servindo de espaço para festivais de cinema, teatro, encontros e eventos espe...
Impossível o visitante chegar à cidade de Triunfo e olhar apenas uma vez para o imponente prédio localizado em um ponto estratégico na principal praça da cidade, a Praça Carolino Campos. É o charmoso Theatro Cinema Guarany, inaugurado em 1922 em clima festivo,
construído em estilo neoclássico com mão-de-obra local, seguindo a planta original que veio da França em 1919. Os trabalhos foram iniciados no mesmo ano, mas se passaram mais três para o serviço ser concluído.
O Empreendedor
A ideia foi do próspero comerciante e industrial Carolino de Arruda Campos, que bancou toda a obra, e ainda priorizou os trabalhadores da cidade numa tentativa de impedir o êxodo para outros lugares, diante da grave seca que castigava o Sertão. Deu certo.
Hoje, aos 104 anos, o Guarany, como é chamado na cidade, continua imponente testemunhando os acontecimentos da bela Triunfo, e servindo de espaço para festivais de cinema, teatro, encontros e eventos especiais.
Sobrevivência
No entanto, o Guarany enfrentou tempos difíceis após Carolino se ver obrigado a vender o prédio por não ter mais condições de administrá-lo, à Companhia de Melhoramentos Sertão de Pernambuco S/A, em 1937, por 10 contos de réis, moeda da época. Quinze anos depois, o Guarany tinha nova dona: a Província Franciscana Santo Antonio Norte do Brasil. O prédio entou em uma fase conturbada ao ser alugado para finalidades diversas, até enfrentar a decadência, provocando tristeza para os triunfenses, sendo pichado, e conseguindo até ficar feio. O prédio permaneceu praticamente abandonado durante mais de dez anos, até o então prefeito José Rodrigues de Souza pedir o seu tombamento em 1984, à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - Fundarpe.
Novos tempos
No ano seguinte, a fundação deferiu o pedido e seguiram-se os trâmites legais, ou seja, pareceres técnicos de arquitetos, do Conselho de Cultura, etc., durante o Governo Roberto Magalhães.
Em 1988 o prédio foi tombado, quatro anos após o pedido, pelo Conselho Estadual de Cultura, por meio do Processo 18/07/1988.
Coube à Fundarpe elaborar o projeto de restauração. Arquitetos especializados cuidaram dessa tarefa. Durante o governo Arraes, o Guarany foi desapropriado por 3 milhões de cruzados, moeda da época, ao então proprietário, o frade franciscano alemão, Afonso Schomake.
Restauração
O teatro entra em uma nova fase, a da restauração, que levou três anos para ser concluída. As novas cores - da terracota ao verde coral - fizeram o prédio ficar bonito outra vez. E o Guarany rejuvenesceu. O governo estadual investiu um milhão e duzentos mil, segundo o Diario Oficial do Estado em 13.4.1922, envolvendo várias empresas.
Reinauguração
A sua “inauguração” aconteceu em 1991 no Governo Jarbas Vasconcelos com aplausos dos triunfenses.
O Guarany e eu
Sou de Triunfo e Carolino Campos era irmão da minha avô materna, Belisa, portanto, sou sobrinha neta do criador do Cine Theatro Guarany. Ainda bem pequena, o teatro já me impressionava, não só pela imponência merecedora, mas pelo índio que existe lá em cima na parte frontal. Não sei explicar o porquê, mas aquele índio me fascinava... ficava muito tempo olhando para ele sem encontrar explicação. E me perguntava: por que o índio, se em Triunfo não existe nenhuma tribo indígena?
Naquele espaço cultural peças eram encenadas por estudantes dos colégios, e eu tinha vontade de subir também naquele palco… mas era muito pequena. Enfim, o tempo passou e eu vim morar no Recife com toda a família , ainda cursando o Primário. Quando ia visitar minha cidade, corria para ver se o índio ainda estava lá.
Destino
O mundo gira e, por um desses acasos que a vida nos traz, estava como assessora jurídica da Fundarpe, e o processo de tombamento veio para mim em 1984. Fiquei duplamente feliz e dei prosseguimento ao processo. O nome Guarany se deve à paixão de Carolino Campos pela Ópera Guarany, de Carlos Gomes.
Dois anos antes do seu centenário, ou seja, em 2020, comuniquei ao prefeito da época, João Batista Rodrigues, que iria contar a história daquele belo local. Escrevi um livro contando toda a história do teatro, e o lançamento não poderia ter sido em um espaço mais simbólico do que o próprio Theatro Cinema Guarany. Tive meu sonho realizado: subir ao palco, não como artista, mas como autora do livro que traz a complexa trajetória quase lendária do Guarany que continua lá, belo e imponente, testemunhando os acontecimentos da cidade há 104 anos.
*Silvio Amorim, foi Diretor da Rede Federal de Educação Tecnológica do MEC. É membro do IAHGP. Foi subchefe da Casa Civil do governador Marco Maciel e secretário de Educação do prefeito Roberto Magalhães. @silvio.amorim.pe
*Wanessa Campos é advogada e jornalista.
NR - Os artigos assinados refletem a opinião dos seus autores.

É Findi - Ina Melo* nos Presenteia com Dose Dupla
25/07/2026
Amiga querida.
Sei que hoje estás curtindo a nossa velha e amada Paris, como sempre fazias nas festas do “14 Juillet”. Agora, melhor ainda, pois não precisas te arriscar a subir e descer dos bancos ao largo do desfile, onde jovens soldados franceses faziam bater o teu velho coração. Lembro-me de ti, com uma máquina fotográfica nas mãos, correndo como uma adolescente, sem se dar conta do perigo e do cansaço, pois eras quase uma octogenária.
Lembro-me que, sendo uma fiel amiga, seguia os teus passos, mesmo sabendo que terias problemas! Foi uma bela e cansativa manhã, mesclada de “bleu, blanc, rouge “, tanto na terra como no céu! Lágrimas corriam pela tuas faces, de felicidade e de emoção. A nossa paixão pela “Doce France” era algo de anormal. Paris, para nós, representava tudo de bom que a vida poderia nos ofertar. Perdi as contas das vezes que, sem qualquer pretexto, arrumávamos as malas e íam...
O Nosso Coração é Francês
Amiga querida.
Sei que hoje estás curtindo a nossa velha e amada Paris, como sempre fazias nas festas do “14 Juillet”. Agora, melhor ainda, pois não precisas te arriscar a subir e descer dos bancos ao largo do desfile, onde jovens soldados franceses faziam bater o teu velho coração. Lembro-me de ti, com uma máquina fotográfica nas mãos, correndo como uma adolescente, sem se dar conta do perigo e do cansaço, pois eras quase uma octogenária.

Lembro-me que, sendo uma fiel amiga, seguia os teus passos, mesmo sabendo que terias problemas! Foi uma bela e cansativa manhã, mesclada de “bleu, blanc, rouge “, tanto na terra como no céu! Lágrimas corriam pela tuas faces, de felicidade e de emoção. A nossa paixão pela “Doce France” era algo de anormal. Paris, para nós, representava tudo de bom que a vida poderia nos ofertar. Perdi as contas das vezes que, sem qualquer pretexto, arrumávamos as malas e íamos flanar por suas ruas e avenidas. A amizade tem dessas coisas. Éramos totalmente diferentes uma da outra, não só pela idade, como pela maneira de pensar e encarar a vida. Muitas vezes pensei que eu era a mulher que desejavas ser, mas não tinhas coragem. Para mim, só importava o momento, enquanto tu vivias numa couraça de deveres e moralidade, mesmo que não tivesses de dar satisfação da tua vida para ninguém. Eras livre de grilhões e dona do teu nariz, apesar de seres presa às convenções sociais. Por isso, Paris era o teu “Sanghri-la”, onde podias respirar o ar da liberdade. Apesar de tudo, quem te policiava era tu mesma, pois nunca saísses do teu padrão de vida, mesma estando aqui. Sei que vias em mim a jovem e irreverente mulher, aquela outra face da moeda que gostarias de ser. Quantas e quantas vezes, sentadas nos Cafés, rindo e conversando em torno de uma borbulhante taça de champanhe, tu te levantavas e dizia. Vamos embora. Autoritária como um general, te fazias obedecer. Por mim, pouco me importava, pois a cidade era nossa, fosse em que lugar estivéssemos. Mas voltemos ao dia hoje, razão pela qual te escrevo. Entrando no túnel do tempo, nos vemos sentada no “La Coupolle”, fervilhante de franceses, barulhentos e alegres, bem diferentes daqueles circunspectos cidadãos do dia a dia. A nossa frente um “Plateau des Uitres” e uma garrafa de vinho Sancerre, o meu preferido. As nossas conversas não tinham pé e nem cabeça. Tanto falávamos do ontem, por conta das histórias ali vividas, como da irreverência do mundo atual, quando discordávamos politicamente de todo o sistema, comigo sempre na contramão. Parece incrível, como cabeças tão diferentes tivessem almas tão apaixonadas por Paris! Essa cidade, foi o elo que nos uniu desde a primeira vez que nos conhecemos. A partir daí, vivíamos de e para ela. Das viagens que fizemos juntas, foi essa do 14 Juillet, a que mais nos marcou. Parecias que estavas te despedindo de Paris. Querias participar de tudo. Implorei que do restaurante fôssemos para o Hotel, ali pertinho, onde poderias descansar um pouco. Claro. Recusaste e lá fomos nós para a Bastille, onde uma multidão dançava de mãos dadas, todos alegres e felizes! Tu, com as faces coradas, olhos brilhantes, passavas dos braços de um para o outro. Eu observava e não eras a circunspecta senhora, que estava ali rodopiando a minha frente e sim uma jovem feliz! Ainda lembrando daquele dia, jantamos num pequeno Bristo, perto da grande dama de ferro e lá ficamos a esperar pelo magnífico espetáculo dos fogos de artifício. Que noite memorável! Pena, que tenha terminado no Hospital de Cochon, onde tive que te levar, pois o teu velho coração não suportou a avalanche de emoções! Graças a Deus, foi só um susto! No outro dia, estávamos a rir das nossas loucuras parisienses, nos prometendo que, bem velhinhas, num Dia Nacional da França, estaríamos sentadas, bebendo o doce néctar dos deuses e brindando pela nossa irrefreável paixão por essa cidade de sonhos e ilusões.

Claudine e o “14 Juillet”
Entrei no túnel do tempo e fui rever a minha tresloucada amiga Claudine, justamente na mais alegre festa dos franceses, quando eles comemoram a “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Nesse dia, a cidade de Paris se transforma num grande palco! Em todos os lugares, vemos bandeiras “bleu, blanc, rouge” colorindo as praças e avenidas. A euforia popular é grande! Parece até que eles se transmudam em borboletas coloridas alegres e pululantes. Depois de perambular pela Champs Elysees, entrei num Bistrô para tomar uma taça de vinho. Eu, a mulher moderna de hoje, despertei alguns olhares curiosos nos cavalheiros de fraque e cartola e nas jovens melindrosas, com vestes esvoaçantes e muitos colares no pescoço. Esperei um pouco e nada de encontrar a velha companheira! Foi então que resolvi ir até a Praça da Bastilha, onde o povo se misturava com os visitantes e de mãos dadas, formavam uma só Nação! As orquestras tocavam em vários pontos as músicas do momento. De repente, fui enlaçada por um respeitável senhor, de longos cabelos brancos presos num discreto coque. Pelo seu rosto crestado pelo sol, vi logo que não era parisiense. As longas e belas mãos eram jovens e firmes e os olhos, azuis iguais ao céu do verão que nos iluminava. Ele, também me pareceu, vinha do mesmo lugar que eu.

Rodopiamos por algum tempo no meio da euforia que tomou conta de nós! Eu tinha certeza que encontraria Claudine a qualquer momento e não sabia como explicar ao desconhecido. Assim, sugeri que fôssemos a um Bistrô perto da Torre para aguardar a queima dos fogos de artifício. Quando chegamos, tudo era uma festa. Logo reconheci entre as animadas melindrosas a esfuziante mulher dançando sozinha, enquanto os demais a aplaudiam freneticamente. Claro que chamávamos a atenção pela sobriedade das nossas vestes! Ele, usando uma camisa preta de mangas compridas e calças da mesma cor o que realçava mais ainda a sua cabeleireira branca. Quando a música parou e ela me viu, correu para me abraçar. Rodopiamos como duas crianças e ela sapecou um beijo na minha boca. Todos aplaudiram. Fez o mesmo com o desconhecido que me acompanhava, abraçando-o pelo pescoço e beijando-o longamente. A partir daquele instante vivenciamos uma grande e animada noite regada a vinhos, música e carícias. Entre nós, não havia aquela possessividade tão comum aos casais. Ali, ninguém era de ninguém e eu, me acostumei a ficar na retarguarda sempre que estava com Claudine. Com as taças de champanhe nas mãos brindamos a grande data nacional francesa com a mesma euforia da passagem do ano, tudo sem grandes esperanças no futuro, pois a guerra estava cada vez mais próxima e a meta de todos, era viver o instante, o momento. Esquecíamos o ontem e não pensávamos no amanhã. Saímos os três abraçados margeando o Sena. Beijos e afagos foram trocados entre nós. As últimas gotas de luz caiam sobre as plácidas águas do rio e dos nossos olhos lágrimas de felicidade. Chegamos ao Hotel e sorridente, Claudine nos abraçou dizendo que tivéssemos uma grande e inesquecível noite de amor! Saltitante disse sorrindo. Amanhã espero vocês no La Coupolle para continuar curtindo a vida. “Vive la France”
*Ina Melo, é jornalista. Publicou poemas, contos e crônicas na Revista de Cultura do Estado do Ceará e em diversas antologias como "Crônicas e contos inesquecíveis" e "Contistas do Terceiro Milênio". Graduada pela UFPE, com especialização em Antropologia Cultural, faz parte da Academia Internacional de Literatura e Artes. É autora dos livros: "Simone de Beauvoir - Mulher lúcida e livre", "Sonhos em dueto" e, pela Confraria do Vento, "Cartas de Paris". @inamelo2016

É Findi - Adeus, Renato Machado! - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
25/07/2026
audaz em inúmeras entrevistas;
destacou-se no Brasil e exterior,
de muitos louvores, merecedor.
Completastes com brio a missão,
na tua trajetória, as tuas paixões:
música clássica, vinhos, profissão,
elegância, discrição, educação.
Fostes testemunha da História:
Malvinas, Chernobil, Charlie Hebdo;
fizeram parte de tuas memórias.
Agora vais deveras descansar:
estarás em Paz no teu novo Lar,
saudades, Renato Machado!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
Quatro décadas de jornalista,
audaz em inúmeras entrevistas;
destacou-se no Brasil e exterior,
de muitos louvores, merecedor.
Completastes com brio a missão,
na tua trajetória, as tuas paixões:
música clássica, vinhos, profissão,
elegância, discrição, educação.

Fostes testemunha da História:
Malvinas, Chernobil, Charlie Hebdo;
fizeram parte de tuas memórias.
Agora vais deveras descansar:
estarás em Paz no teu novo Lar,
saudades, Renato Machado!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99

É Findi - No Beco dos Cachorros - Fábula - Por Romero Falcão*
25/07/2026
Um reduto de cães de rua rebeldes que se nega a virar pets. Os animais levantam a bandeira do cão raiz, enfrentando as dificuldades de viver sem teto nem comida certa: catando lixo, debaixo de chuva e sol, escapando dos carros nas movimentadas avenidas.
— Se os humanos conseguem viver feito bicho pelas ruas, por que nós não conseguimos? Se o homem não tem piedade do homem, por que devemos aceitar seu amor em troca da nossa humanização? — late alto o líder da cachorrada, Bala Ferro, perante ouvidos e faros atentos no Beco dos Cachorros.
— Mas, Bala Ferro, não seja radical. Há humanos de coração bom. Se são cruéis com eles mesmos e amorosos conosco, que seja assim. Quem sabe o Deus deles faça de nós instrumentos para tentar modificá-los? — questiona a cachorra Piaba.
...
O guabiru passeia rente aos pés de um mendigo enrolado num pano imundo. Um cão cor de mostarda observa a cena. A lua cheia clareia a madrugada no Beco dos Cachorros.
Um reduto de cães de rua rebeldes que se nega a virar pets. Os animais levantam a bandeira do cão raiz, enfrentando as dificuldades de viver sem teto nem comida certa: catando lixo, debaixo de chuva e sol, escapando dos carros nas movimentadas avenidas.
— Se os humanos conseguem viver feito bicho pelas ruas, por que nós não conseguimos? Se o homem não tem piedade do homem, por que devemos aceitar seu amor em troca da nossa humanização? — late alto o líder da cachorrada, Bala Ferro, perante ouvidos e faros atentos no Beco dos Cachorros.
— Mas, Bala Ferro, não seja radical. Há humanos de coração bom. Se são cruéis com eles mesmos e amorosos conosco, que seja assim. Quem sabe o Deus deles faça de nós instrumentos para tentar modificá-los? — questiona a cachorra Piaba.
— Chega de filosofar, Piaba. Daqui a pouco você vai querer mudar de nome, transformar-se em Patrícia e, mais adiante, em Patricinha. É assim que a metamorfose começa, e ninguém sabe como termina — diz Bala Ferro, de cara feia.
Na reunião daquela noite de vento quente, Querosene pede a palavra.
— Eu sempre concordei com o nosso guia, Bala Ferro, mas acho que está na hora de sermos mais inteligentes. Não permitir que os humanos tirem tudo de nós, mas também tirar uma casquinha do conforto de uma cobertura. Já que agora os vira-latas têm vez no mundo carente das madames.
— O que custa fazer companhia a uma vovozinha esquecida por filhos e netos ou ajudar no tratamento da moça de dezoito anos que só vive trancada dentro do quarto, desde que nos ofereçam do bom e do melhor? Deixar uma socialite nos vestir de grife, presentear-nos com uma coleira de ouro. Qual o sacrifício nisso? Afinal, depois que aquilo virar um tédio insuportável, a gente cai fora.
Um dos participantes, após levantar a pata para uma mijada, pergunta:
— Querosene, cadê a fidelidade canina? Lembre-se de que as madames cobram até as últimas consequências. E não é fácil fugir do décimo quinto andar. Uma prisão, ainda que de luxo, pode custar um preço alto. Outro dia ouvi no rádio de Louro da Barraca: um cão cometeu suicídio. Jogou-se de uma torre num bairro chique.
Querosene sacode o rabo, abre a boca, mostra a língua. Aproveita a chegada de um carrapato para encher de sangue a cabeça do medo.
No calor dos focinhos, a comunidade está dividida: uns do lado de Bala Ferro; outros entre Piaba e Querosene. Chegou a hora da eleição. Cada qual mostrará seu programa de governo.
Bala Ferro endurece. Os bichos ficam de orelha em pé.
— Quem votar em mim, fique certo de que modificarei o Código Animal:
O cão que habitar um prédio e receber nome de gente será banido do Beco dos Cachorros.
O cão que usar roupa, deitar em cama ou calçar sapato terá uma pata amputada. A pena será agravada se as vestes forem de marca. Nesse caso, duas patas serão arrancadas.
O cão que frequentar shopping, festa de aniversário, comer à mesa ou dormir na cama entre um casal de humanos será condenado à pena de morte.
Nesse instante, alvoroço, uma tropa de cães late feroz e eufórica. Bate palmas, grita:
— Esse me representa!
— Muito bem! É assim que se faz com cachorro vagabundo que quer virar gente! — berra Carabina, um cão velho e doente.
Então é a vez de Piaba propor sua agenda de governo.
— Cachorros e cachorras deste sagrado Beco, todas e todos sabem do meu instinto conciliador. Manter uma boa convivência com o animal humano é ganho para os dois lados. Isso não mata um cão de raiva. O que mata é mordida por mordida, rosnado por rosnado. Além do mais, cães de fé, o Deus dos homens nos delegou uma missão: resgatar a humanidade perdida do homem pelo homem. Sabem o que é isso?

A turma de Bala Ferro começa a vaiar.
— Tira essa cadela daí! — rosna Carabina.
Os simpatizantes de Piaba rebatem:
— Respeitem uma fêmea e o Deus dos humanos, bando de cachorros!
É a vez de Querosene expor suas ideias.
— Dona Piaba falou bonito, mas esqueceu de dizer que o Deus dos homens quer ver a gente bem: livre de pulgas e carrapatos, tomando banho com xampu e sabonete antissarna. E, se merecermos de verdade, num carrão com motorista. Não seria justo darmos os nervos, a saúde psíquica, para o melhoramento da natureza humana e continuarmos de patas vazias.
Um dos correligionários encosta a boca na orelha de Querosene e cochicha:
— E cachorro tem fé?
— Em época de eleição, Deus é cão. E fecha essa boca, porra! — diz Querosene, quase mordendo.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

É Findi – Apreciaremos a Dose Dupla de Xico Bizerra*
25/07/2026
O dia estrebuchando e Zeca de Dôra a enfiar bufa em saco de feira, com toda a displicência que a tarefa exige. Do franzido da testa aos alicerces do calcanhar, uma fome danada e seu pensamento só se endereçando para o bode posto à mesa, prontinho para matar quem estava lhe matando. Língua chocalhando no céu da boca sem ter com quem conversar. Era um Julho em agonia, já quase virando Agosto.
Eis que chega a visita da amiga Maria José Bezerra Carneiro Leão, Mariinha de Zé Camelo (seu nome mais parecia um jardim zoológico), exímia na arte do nada fazer e também enfiadora de bufa, aposentada como Zeca. Resolveram espalhar a perna e dar uma andada pelo sítio.
E foram, andando e jogando conversa fora. Afinal de contas era um tempo em que as ventosidades caladas, também conhecidas por peidos silenciosos, podiam ser tranquilamente expelidas e enfiadas num saco de feira sem o risco de um assaltante q...
Ensacadores de Bufas - Croniconto
O dia estrebuchando e Zeca de Dôra a enfiar bufa em saco de feira, com toda a displicência que a tarefa exige. Do franzido da testa aos alicerces do calcanhar, uma fome danada e seu pensamento só se endereçando para o bode posto à mesa, prontinho para matar quem estava lhe matando. Língua chocalhando no céu da boca sem ter com quem conversar. Era um Julho em agonia, já quase virando Agosto.
Eis que chega a visita da amiga Maria José Bezerra Carneiro Leão, Mariinha de Zé Camelo (seu nome mais parecia um jardim zoológico), exímia na arte do nada fazer e também enfiadora de bufa, aposentada como Zeca. Resolveram espalhar a perna e dar uma andada pelo sítio.
E foram, andando e jogando conversa fora. Afinal de contas era um tempo em que as ventosidades caladas, também conhecidas por peidos silenciosos, podiam ser tranquilamente expelidas e enfiadas num saco de feira sem o risco de um assaltante que as levasse. Sim, porque hoje em dia até isto se rouba na falta de um celular ou de uma carteira recheada de cédulas e cartões. Ladrões de bufas é o que são.
E aí, tão boa a conversa virou que a lua, descompromissada com as nuvens, deu-lhes a dica de que o ponteiro do relógio já cortejava as 11 horas da noite.
- E o bode?, pergunta Mariinha.
- Isso lá é hora de comer bode, sô! Amanhã nóis come – combinou Zeca.
De barrigas ocas foram dormir com seus sacos de feira repletos de bufas.

O Pavão e o Espanador - Croniqueta
O espanador estava ali, jogado a um canto, empoeirado. Cumprira sua missão diária de espanar o pó, a poeira, o sujo. Ninguém sequer olhava para ele. Antes, enquanto penas do pavão bonito, a ave imodesta julgava-se a maior e tratava mal as outras aves, por não serem tão belas quanto. Não imaginava, em seus desvarios, que também a beleza pode ser passageira, que a boniteza das cores pode ser efêmera se não tratada com a dignidade e com o respeito que merecem seus pares.
Depreciou o galo, por não ter toda a sua boniteza colorida. Achava que o capote, em seu branco e preto nada colorido, só agradava a meia dúzia de outros capotes que lhe cercavam e lhe dedicavam amizade. Fazia-se belo para o mundo esquecendo sua origem humilde e tratava com arrogância quem dele discordasse. Pobre pavão. Hoje é apenas um espanador, sujo, que se limita a tentar limpar a sujeira por ele mesmo deixada.
O capote, em preto e branco, continua no terreiro, alegrando os companheiros do sem-cor. E o galo canta todas as manhãs.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico

É Findi - Premissas do Amor - Conto - Por Maria Inês Machado*
25/07/2026
Foi então que Malu ouviu a voz da mãe.
— Filha, venha aqui um instante.
Ao entrar na sala, encontrou dona Luiza séria, embora afetuosa.
— Vamos arrumar a mala. Seu pai já está esperando na garagem. Você vai estudar em colégio interno.
Malu arregalou os olhos.
— Mãe... assim, de repente? O que aconteceu?
Com calma, dona Luiza explicou os motivos da decisão. A menina ouviu tudo em silêncio. Não discutiu. Apenas aceitou. Tinha apenas doze anos e aprendera, desde cedo, que obedecer aos pais fazia parte da vida.
O colégio ficava em cidade serrana.
Durante...
Anos 60. A alegria do carnaval pulsava pelas ruas. O terraço da casa de Malu tornava-se pequeno para acomodar todos os que buscavam o melhor lugar para assistir ao desfile dos maracatus. Serpentinas coloriam o ar e o lança-perfume, que ainda não era proibido, chegava aos espectadores em meio aos risos e às brincadeiras respeitosas dos passistas.
Foi então que Malu ouviu a voz da mãe.
— Filha, venha aqui um instante.
Ao entrar na sala, encontrou dona Luiza séria, embora afetuosa.
— Vamos arrumar a mala. Seu pai já está esperando na garagem. Você vai estudar em colégio interno.
Malu arregalou os olhos.
— Mãe... assim, de repente? O que aconteceu?
Com calma, dona Luiza explicou os motivos da decisão. A menina ouviu tudo em silêncio. Não discutiu. Apenas aceitou. Tinha apenas doze anos e aprendera, desde cedo, que obedecer aos pais fazia parte da vida.
O colégio ficava em cidade serrana.
Durante a viagem, seu Pedro procurava amenizar a tristeza da filha. Apontava a vegetação, as montanhas cobertas de verde, as flores às margens da estrada. Tentava transformar a despedida em passeio.
Mas havia paisagens que Malu já não conseguia enxergar.
Ao chegarem, foram recebidos pela irmã Zenaide, responsável pelas atividades diárias.
As lágrimas insistiam em não cair. Permaneciam presas no coração.
Enquanto acompanhava a freira pelas amplas dependências do internato, seu Pedro mostrava entusiasmo.
— Veja o clima é agradável... Olhe esses jardins... Aqui você vai ficar muito bem.
Malu apenas observava, indiferente.
Na memória ainda desfilavam os maracatus, as serpentinas e os abraços apressados das amigas, despedidas sem tempo para perguntas.
Antes de partir, o pai a abraçou demoradamente.
— Filha, fomos informados de que as saídas acontecem apenas uma vez por semestre. Mas haverá dias de visita para a família. Este lugar é um pedacinho do céu. Repare nas flores, nas árvores... Tudo aqui inspira paz.
Dona Luiza completou:
— Está vendo aquela imagem de Nossa Senhora da Conceição, no fim do corredor? Sempre que sentir saudade, lembre-se dos nossos terços em família.
As palavras dos pais eram carregadas de carinho.
Mas a saudade já havia chegado antes delas.
Aos doze anos, o mundo de Malu ainda era feito de sonhos, brincadeiras e liberdade. No íntimo, seu coração escrevia uma história diferente daquela que os adultos imaginavam.
Suas tias também haviam estudado naquele internato. Para a família, era uma tradição. Para Malu, recomeço inesperado.
A irmã Zenaide explicou a rotina:
— As demais alunas chegarão na próxima semana. Enquanto isso, seu horário flexível. As primeiras orações acontecem cedo, ao toque da sirene. Depois teremos a missa com o capelão. Em seguida, café da manhã, estudos, biblioteca, almoço, recreação, terço na capela às cinco da tarde e recolhimento às oito da noite.
Também mostrou a piscina, os banheiros, o refeitório, a biblioteca, os jardins e cada dependência do colégio.
Era uma escola grande, mas acolhedora.
Existem dores que nenhuma palavra consegue traduzir.
Parece que o vocabulário humano, por mais rico que seja, nunca alcança certos sentimentos.
Há tristezas que apenas o coração registra.
Dias depois, o internato ganhou vida com a chegada das novas alunas.
As aulas começaram.
Na primeira reunião, todas foram organizadas em filas para ouvir a madre superiora.
Após as boas-vindas, veio a leitura do regimento interno.
As regras eram rígidas.
Três advertências significavam a suspensão das visitas familiares. Qualquer ato de indisciplina, individual ou coletivo, resultaria em castigos proporcionais à falta cometida.
Na convivência em grupo, aprenderam rapidamente que assumir erro era também gesto de respeito para com todas as colegas.
Foi nesse ambiente que nasceu uma amizade inseparável.
Malu, Joana e Cíntia.
Amigas. Confidentes. Cúmplices.
Joana tinha quinze anos e carregava uma história diferente.
Era a única filha mulher entre quatro irmãos. Seu pai, fazendeiro viúvo, a havia colocado no internato para afastá-la de Manoel.
Castigo pelo namoro proibido, idas à fazenda foram suspensas.
Recebia apenas as visitas do pai.
Certo dia, aproximou-se das amigas segurando um envelope cuidadosamente dobrado.
— Malu, preciso da sua ajuda. Vou lhe dar o endereço da loja de Manoel. Leve esta carta para ele.
Sem fazer perguntas, Malu aceitou a missão.
Dias depois, retornou das férias trazendo a resposta.
Assim que reconheceu a letra no envelope, Joana sentiu o coração acelerar.
Leu cada palavra lentamente.
Depois reuniu as amigas.
— Manoel quer me encontrar. Não vou perder essa oportunidade. Marieta, minha amiga externa, que mora na cidade, colocará minha carta no correio. Agora preciso da ajuda de vocês.
Com serenidade, explicou o plano.
Malu e Cíntia permaneceriam próximas à entrada interna do auditório, observando qualquer movimentação das freiras.
Se alguém se aproximasse, bastava um sinal.
As portas do auditório davam acesso ao jardim externo.
Seria ali, protegido pela sombra das árvores e pelo silêncio da tarde, que Manoel aguardaria.
Naquele internato, as sirenes marcavam o início das orações, das aulas, das refeições e do recolhimento.
Mas existia outra sirene.
Aquela que ninguém conseguia calar.
A sirene do amor que acorda o coração e vence o medo.
E ela falava mais alto do que qualquer regra.
A coragem de Malu e Cíntia transformou amizade em lealdade.
Graças às duas, outros encontros aconteceram.
Breves. Discretos. Porém suficientes para fortalecerem sentimentos que a distância, os muros do internato e a vigilância constante conseguiram apagar.
O tempo, realizou aquilo que a imposição jamais conseguiu.
O fazendeiro compreendeu que não existia muro alto o bastante para separar dois corações apaixonados.
Resistir tornou-se inútil.
Restou-lhe aceitar o que amor já havia decidido.
Os anos passaram.
A notícia espalhou-se rapidamente pela cidade.
Joana e Manoel iriam se casar.
A cerimônia foi celebrada com toda a imponência das tradicionais famílias de fazendeiros da época.
A igreja Ornamentada. Belos arranjos florais.
Parentes, amigos e autoridades prestigiaram a celebração.
A festa atravessou a madrugada entre música, fartura e alegria.
Entre os convidados estavam Malu e Cíntia.
Quando viram os noivos diante do altar, trocaram sorrisos silenciosos.
Sabiam que, muito antes das assinaturas no livro de registro do casamento, aquela união já havia sido registrada nas páginas do coração pela coragem, amizade e fidelidade de três jovens que acreditaram no amor.
Porque, quando o amor é verdadeiro, sempre encontra caminhos férteis para florescer.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Angústia - Poema - Por Ana Pottes*
25/07/2026
Todas as portas
Janelas...
Todas as frestas.
Nada de luz
Brilho
Matiz
Ou cores que alegrem.
Quero o breu.
O negrume
Do vazio
Da angústia...
Desejo a escuridão.
O frio
Da solidão.
O nada.
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes
Que se fechem
Todas as portas
Janelas...
Todas as frestas.
Nada de luz
Brilho
Matiz
Ou cores que alegrem.
Quero o breu.
O negrume
Do vazio
Da angústia...
Desejo a escuridão.
O frio
Da solidão.
O nada.
*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem! @ana_pottes

É Findi - Felipe Bezerra* vem trazendo Dois Poemas
25/07/2026
Na sela, sobre o dorso
do meu cavalo de raça,
com a rédea, eu domo o tempo,
transitando do passo para a marcha,
avanço no perfeito compasso
de tríplice apoio, encantador.
O tempo é potro que não se amansa
com ansiedade e violência,
mas com alívio e pressão na dose exata,
para não desequilibrar a sua dança,
na velocidade rápida e intensa,
da cavalgada sobre a existência.
Seguimos a dissociação do universo,
sangrando a velha estrada da Via Láctea,
onde a poeira estelar deixa seu rastro,
de magia, encanto e esplendor,
sabendo que é mais leve nossa jornada
na sela do mangalarga marchador.
É certo que ao final da cavalgada,
a onça castanha nunca se atrasa,
traz consigo a inevitável sentença,
sem distinção de raça ou cor,
seja em palácio, casebre ou praça,
a...
A Viagem - Poema
Na sela, sobre o dorso
do meu cavalo de raça,
com a rédea, eu domo o tempo,
transitando do passo para a marcha,
avanço no perfeito compasso
de tríplice apoio, encantador.
O tempo é potro que não se amansa
com ansiedade e violência,
mas com alívio e pressão na dose exata,
para não desequilibrar a sua dança,
na velocidade rápida e intensa,
da cavalgada sobre a existência.
Seguimos a dissociação do universo,
sangrando a velha estrada da Via Láctea,
onde a poeira estelar deixa seu rastro,
de magia, encanto e esplendor,
sabendo que é mais leve nossa jornada
na sela do mangalarga marchador.
É certo que ao final da cavalgada,
a onça castanha nunca se atrasa,
traz consigo a inevitável sentença,
sem distinção de raça ou cor,
seja em palácio, casebre ou praça,
a vida é passeio, que acaba em dor.
Aos que permanecem, é seguir a marcha,
respeitando exemplo de quem já foi,
pois, nessa viagem, é tudo rápido,
não se deixa nada para depois,
com a certeza que não existe acaso:
tudo é propósito de nosso Senhor!
O Mundo e o Verso - Poema
A Pedro e Bruno Pragana
Tenho sempre esquecido
de largar as áridas correntes,
às margens do rio da vida.
Nos ombros, o peso e o brilho,
para que não seja esquecida
a chama d'Arte, pedra divina.
A luminosidade do fogo
ressoará sobre o tempo,
tornando-o inútil tentativa.
*Felipe Bezerra, advogado e poeta. @felipebezerradesouza
