Mano Medeiros : servidores do Jaboatão dos Guararapes terão aumento acima da inflação
09/05/2025
Esse percentual
Ficou bem acima da tabela do IPCA, que foi de 4,56%. O acordo foi fechado com o Sindicato dos Servidores Municipais de Jaboatão dos Guararapes - SINSMUJG. O reajuste será feito em duas parcelas. A partir de maio, será aplicado o percentual de 4,56%. E, em outubro deste ano, a diferença percentual será implementada na folha de pagamento.
O aumento
Vai repercutir financeiramente com uma despesa anual no valor de R$ 313.153.832,45. As 12 categorias beneficiadas abrangem um universo de 3.090 servidores lotados em todos os setores da Prefeitura do Jaboatão dos G...
Esse percentual
Ficou bem acima da tabela do IPCA, que foi de 4,56%. O acordo foi fechado com o Sindicato dos Servidores Municipais de Jaboatão dos Guararapes - SINSMUJG. O reajuste será feito em duas parcelas. A partir de maio, será aplicado o percentual de 4,56%. E, em outubro deste ano, a diferença percentual será implementada na folha de pagamento.
O aumento
Vai repercutir financeiramente com uma despesa anual no valor de R$ 313.153.832,45. As 12 categorias beneficiadas abrangem um universo de 3.090 servidores lotados em todos os setores da Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes.
O prefeito
Mano Medeiros assinou mais esse acordo e reafirmou o compromisso do Governo Municipal em valorizar todas as categorias de trabalhadores. "Essa semana já fechamos um acordo com o pessoal da Educação. Agora, mais uma etapa vencida, que vai beneficiar milhares de trabalhadores do Jaboatão. Como sempre, resultado de um esforço orçamentário e financeiro, garantindo melhorias salariais para todos", disse Mano.
Leia outras informações
Abertura de sigilo dos dois candidatos sobe no telhado: MP eleitoral pede extinção do processo
24/10/2026
Isto porque os dois candidatos se enroscaram em polêmicas com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao fazerem a exigência de que gostariam de uma autoridade que funcionasse como espécie de mediador, para fazer a checagem sobre a veracidade e correição dos documentos apresentados. Para completar, neste sábado (24/10) o Ministério Público (MP) Eleitoral defendeu a extinção do processo.
Desafio dos sigilos
O chamado “desafio dos sigilos” foi proposto pelo candidato do PT, durante o debate da TV Bandeirantes, no último domingo (17/10). A manifestação ocorreu após Lula ter enviado ao TSE um requerimento autorizando o levantamento de seus sigilos e dos de se...
Faltando menos de 24 horas para o início da abertura das urnas para o segundo turno das eleições, tudo indica que subiu no telhado a questão da abertura dos sigilos fiscais, bancários, telefônicos e telemáticos dos presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Isto porque os dois candidatos se enroscaram em polêmicas com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao fazerem a exigência de que gostariam de uma autoridade que funcionasse como espécie de mediador, para fazer a checagem sobre a veracidade e correição dos documentos apresentados. Para completar, neste sábado (24/10) o Ministério Público (MP) Eleitoral defendeu a extinção do processo.
Desafio dos sigilos
O chamado “desafio dos sigilos” foi proposto pelo candidato do PT, durante o debate da TV Bandeirantes, no último domingo (17/10). A manifestação ocorreu após Lula ter enviado ao TSE um requerimento autorizando o levantamento de seus sigilos e dos de seus familiares, incluindo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na ocasião, o presidente desafiou Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo.
No dia seguinte, Flávio enviou à Corte Eleitoral uma autorização para o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, condicionada à ampliação do alcance das medidas por Lula.
Entre as exigências, estavam a divulgação de dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente, dos registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto e dos sigilos de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula.
Logo depois, a coordenação da campanha de Lula afirmou que o candidato havia aceitado as condições do adversário.
Sem intervenção da Justiça eleitoral
No parecer deste sábado, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, argumentou que “não há, na ação, elementos que justifiquem a intervenção da Justiça Eleitoral, sobretudo porque não há matéria estritamente eleitoral a ser equacionada”.
O documento destacou que “o sigilo dos dados é garantido pela Constituição, em decorrência do direito à intimidade e à privacidade”. Também ressaltou que a legislação busca proteger o cidadão da “indevida devassa de terceiros em relação a dados bancários, fiscais ou telefônicos que se inserem como expressão do direito de personalidade”.
Titulares podem fazer abertura voluntária
O MP Eleitoral acentuou, ainda, que não há impedimento para que o titular divulgue suas informações de forma voluntária. A manifestação está alinhada à decisão do ministro André Mendonça, do TSE, que afirmou que os candidatos podem divulgar seus dados sem precisarem do aval da Justiça.
“Em síntese, a inexistência de pretensão resistida traduz a ausência de interesse jurídico de buscar a tutela jurisdicional. Como bem apontado pelo ministro relator, ‘não cabe à Justiça Eleitoral definir o que cada candidato quer ou não divulgar. O que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor’”, enfatizou Espinoza. Ele pediu a extinção do processo sem resolução do mérito.
— Com Agências de Notícias
Saiba quais serão os últimos atos de campanha dos candidatos à Presidência
24/10/2026
Lula começou o dia com uma caminhada em Copacabana, no Rio, às 10h, antes de seguir para São Paulo, onde fará seu último ato na Avenida Paulista, às 16h. Flávio, por sua vez, participa do chamado “Bloco do 22” em Belo Horizonte, durante a manhã, e encerrará a campanha na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio, às 14h.
Reversões e convencimentos
Os dois apostam em reversão de votos e convencimento aos indecisos em três dos principais colégios eleitorais do país. São Paulo é o maior deles, com 34,1 milhões de eleitores, enquanto o Rio de Janeiro reúne 12,8 milhões. Juntos, os dois estados representam quase 30% do eleitorado brasileiro. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, soma outros 16,4 milhões de votantes.
Última oport...
O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) realizam, neste sábado (24/10) os seus últimos atos de campanha com agendas de rua em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Lula começou o dia com uma caminhada em Copacabana, no Rio, às 10h, antes de seguir para São Paulo, onde fará seu último ato na Avenida Paulista, às 16h. Flávio, por sua vez, participa do chamado “Bloco do 22” em Belo Horizonte, durante a manhã, e encerrará a campanha na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio, às 14h.
Reversões e convencimentos
Os dois apostam em reversão de votos e convencimento aos indecisos em três dos principais colégios eleitorais do país. São Paulo é o maior deles, com 34,1 milhões de eleitores, enquanto o Rio de Janeiro reúne 12,8 milhões. Juntos, os dois estados representam quase 30% do eleitorado brasileiro. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, soma outros 16,4 milhões de votantes.
Última oportunidade
A programação deste sábado será a última oportunidade para os candidatos participarem de caminhadas e carreatas antes da votação. Segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a distribuição de material gráfico e a realização de caminhadas, carreatas e passeatas estão permitidas até as 22h de hoje.
Onde votarão
Neste domingo, Lula votará em São Bernardo do Campo e acompanhará a apuração em São Paulo. Flávio votará na capital fluminense e seguirá para Brasília, onde pretende acompanhar a contagem dos votos ao lado de familiares e aliados.
Debate deu “empate técnico” e não ajudou a influenciar eleitores, avaliam jornalistas e analistas políticos — por Hylda Cavalcanti*
24/10/2026
Apesar de a maioria dos que se pronunciaram nesta reportagem terem citado pontos positivos e negativos observados nas falas de Lula e Flávio Bolsonaro ontem, a avaliação principal deles é de que ambos alternaram momentos de destaque com grandes tropeços. O que os levou à avaliação de que o debate pouco influiu no ambiente das eleições.
Diferença de postura
O jornalista Carlos Alexandre de Souza, do Correio Braziliense, destacou a diferença de postura dos adversários no estúdio. Segundo el...
A avaliação de vários jornalistas, analistas políticos e cientistas sociais sobre o último debate presidencial das eleições deste ano, transmitido pela TV Globo na noite desta sexta-feira (23/10), permitiu aos dois candidatos — presidente Lula e senador Flávio Bolsonaro — apresentarem com mais clareza suas visões de Brasil. Mas não contribuiu para mudar o cenário eleitoral observado hoje, no qual as pesquisas apontam “empate técnico”.
Apesar de a maioria dos que se pronunciaram nesta reportagem terem citado pontos positivos e negativos observados nas falas de Lula e Flávio Bolsonaro ontem, a avaliação principal deles é de que ambos alternaram momentos de destaque com grandes tropeços. O que os levou à avaliação de que o debate pouco influiu no ambiente das eleições.

Diferença de postura
O jornalista Carlos Alexandre de Souza, do Correio Braziliense, destacou a diferença de postura dos adversários no estúdio. Segundo ele, enquanto o presidente Lula usou o espaço para defender seu legado e propor a continuidade de políticas públicas, Flávio apostou na crítica à atual gestão e na apresentação de promessas para o futuro.
No campo econômico, de acordo com Carlos Alexandre, Flávio teve bons momentos ao focar no custo de vida e no endividamento das famílias, mas pecou ao acenar com garantias de reajustes que geraram ruídos com o mercado financeiro e ao ficar sem resposta quando questionado sobre o patamar do salário mínimo.
Já Lula, pecou ao explorar pouco determinados programas como o "Desenrola", mas foi bem-sucedido no embate direto, ao cobrar posições sobre temas sociais e ao relembrar falhas na gestão da pandemia. O bloco final e as trocas de acusações pessoais, classificadas pelo avaliador como um "futebol de várzea", segundo o jornalista, explicitaram o ambiente de profunda polarização que o país atravessa.
Promessas desfeitas e grosserias
Para a colunista política Denise Rothenburg, cuja coluna é publicada em vários veículos, dois pontos em especial chamaram a atenção. Em primeiro lugar, o fato de Flávio ter desfeito promessas anteriores e a grosseria ao mencionar Lula como “9 dedos”. Em segundo, o fato de o candidato do PL ter desfeito promessas repetidas no início da campanha.
“Foram tantas promessas feitas nesse debate que eu ouvi que houve ali um divórcio de Flávio em relação ao mercado. Porque ele desfez todas aquelas promessas que tinha feito, como ‘nós não vamos estourar a dívida pública, nós vamos controlar tudo’. E o mercado quer que se controle especialmente aumento de previdência, aumento de salário mínimo”, observou Denise.
“Nesses pontos, Flávio foi muito na linha do que o PT já faz, ou seja, ele fez essas promessas ao vivo e a cores para todo o país. E fica a dúvida: ele vai atender o mercado ou ele vai atender as pessoas? Eu acho que é alguma coisa que vai deixar o eleitor na dúvida até domingo”, acentuou a colunista.
Caso da menina Ana Clara
Sobre a questão do “9 dedos”, Denise citou o episódio como um dos dois pontos onde Lula se saiu muito bem. O primeiro deles foi quando Flávio foi obrigado a pedir desculpas pela forma como se pronunciou em relação ao presidente. Outro ponto foi em relação à morte da menina de 5 anos, Ana Clara. Ao se referir a ela em pergunta a Flávio, Lula fez seu adversário se confundir, chamando a mãe da menina de Ana Clara. Ao sair dos estúdios da Globo, a mãe deu uma entrevista dizendo que a versão apontada pelo senador não é verdadeira.
De acordo com Denise Rothenburg, os dois candidatos terminaram empatados. “Só por esse debate, fica difícil para quem está indeciso tomar uma decisão por um ou outro, porque os dois tiveram pontos altos e pontos baixos”, frisou.
“Ninguém saiu nocauteado”
O jornalista William Waack, colunista do Jornal Estado de São Paulo, afirmou que “ninguém saiu nocauteado, o que era exatamente a proposta da campanha de Flávio”. “Três perguntas deveriam ter sido respondidas ontem: Alguém conseguiu virar o voto de alguém? Alguém sentiu ter cometido um erro ao ter escolhido no primeiro turno o candidato que escolheu? Alguém se sentiu mais motivado a comparecer às urnas no domingo? A resposta às três perguntas é ‘não’”.
Waak ressaltou que, ao seu ver, a impressão produzida foi de que o debate não consistiu em um evento determinante do que sairá das urnas daqui a pouco mais de 24 horas. “É óbvio que cada lado dirá que seu candidato foi excelente, ótimo e massacrou o oponente. E somará pontinhos nesta resposta ou naquela pergunta. Ocorre que esse tipo de acontecimento político não é decidido por pontos, como numa luta de boxe. Ele é decidido pelas emoções ? ou impressões ? que acaba deixando nos dois lados”.
De acordo com ele, a aposta da campanha de Flávio foi cumprida à risca: falar para frente, falar de segurança e custo de vida. E ficou para Lula o papel do “ideológico”, do “rico” contra “pobre”, do enaltecimento de um passado.

Escorregão que pode fazer estragos
Ricardo Corrêa, também colunista político do Estadão, considerou que apesar de Flávio ter falado mais de futuro do que Lula, o candidato do PL escorregou ao debochar da deficiência do petista. “Em tese, ao tratar do que pretende fazer, Flávio teria mais elementos para convencer o eleitor. Mas o senador se viu em situação difícil ao ter que pedir desculpas por ter debochado do fato de o presidente ter um dedo a menos por conta de um acidente de trabalho. Foi um escorregão que pode provocar estragos”.
O analista destacou, também, que desde o início, Lula deixou clara a estratégia de focar nos eleitores mais pobres, enfatizando melhorias no salário mínimo, combate à fome, presença das parcelas de menor poder aquisitivo nas universidades e necessidade de reajuste da aposentadoria. Para isso, chegou a repetir uma frase de 1989, eleição dos tempos em que a campanha do PT era totalmente voltada à luta de classes.
Objetivo era superar má impressão
O analista político Fabiano Lana, por outro lado, viu vantagem para Flávio no debate. “Flávio tinha um objetivo claro. Superar a má-impressão, principalmente entre os eleitores indecisos, que deixou no debate do último domingo, em que praticamente boicotou o andamento do programa. Agora veio treinado e programado para recuperar o figurino de moderado, que por um triz deixou escapar”, destacou.
De acordo com ele, se esse esforço será suficiente para barrar uma suposta "onda Lula" que cresceu nas duas últimas semanas, só será possível saber na noite de domingo.
Demarcação de diferenças
O jornalista político Francisco Leali, que já passou por vários veículos do país, considerou que se o primeiro confronto entre Lula e Flávio, no primeiro debate, foi “de querer esquecer”, o segundo demarcou as diferenças entre os dois candidatos, expondo o que fizeram até aqui e o que ainda podem fazer, caso vençam a eleição no próximo domingo.
“O debate na TV Globo começou com um subtexto: a diferença de idade entre Lula e Flávio. O senador do PL disse que o petista não escutava direito, depois falou que não entendia o que o presidente falava. Já Lula chamou o senador de jovem como a indicar que pouco sabe”, analisou.
“Ato falho ou não, Flávio começou sua participação falando na gestão do pai Jair Bolsonaro e comentou: ‘nós pegamos o Brasil lá em 2019…’ Voltou a citar o governo do pai outras vezes. A gestão passada que o senador elogiou foi lembrada por Lula para que o eleitor não se esqueça de que os erros do pai não sejam repetidos pelo filho”.
Para Francisco Leali, o embate mais duro entre os dois veio justamente quando não havia tema pré-definido, ou seja, “quando as regras do debate permitem, ambos se esquecem de falar de projetos e propostas e jogam na mesa o que acham que há de podre contra o adversário”. “Ao final, os dois se apresentaram numa versão repaginada para tentar corrigir os erros cometidos no primeiro debate”.
* Hylda Cavalcanti é jornalista, editora de O Poder aos sábados

É Findi - Decifra-me ou te devoro - Crônica - Por Maria Inês Machado*
23/10/2026
Relações de benfeitorias grudam nos muros da cidade. Francisco, Joaquim, Palmira, Antônio... Até o Sr. Silva, sem conhecer as letras, curioso, quer saber.
Lá no fim da rua, comício. Fala bonita. Moço colorido fala bonito. Promessas!
Vixe! É noite. Cadê os aplausos?
Os morcegos foram avisados. Os ratos saem em corrida desenfreada. Aplaudem um velho cansado, sem novidades.
Exaustão...
No quintal da cidade, os cordeiros sem pele.
O que houve? Pergunta, inquieta, uma voz.
Falta resposta.
A resposta enigmática surge.
De quem?
Sei lá! Voou e parou aqui.
Não sei! Vi apenas os lobos num processo de tosquia, deixando-os neste estado.
Vixe! Mundo grandão!
Lobos espalhados.
Zé Maraco olhou desconfiado, mas tem resposta:
— Passaram por aqui. Abraços, gritos, gargalhadas. Eita, comício bo...
Radiadoras anunciam os números da sorte. Quais? Notícias turbulentas.
Relações de benfeitorias grudam nos muros da cidade. Francisco, Joaquim, Palmira, Antônio... Até o Sr. Silva, sem conhecer as letras, curioso, quer saber.
Lá no fim da rua, comício. Fala bonita. Moço colorido fala bonito. Promessas!
Vixe! É noite. Cadê os aplausos?
Os morcegos foram avisados. Os ratos saem em corrida desenfreada. Aplaudem um velho cansado, sem novidades.
Exaustão...
No quintal da cidade, os cordeiros sem pele.
O que houve? Pergunta, inquieta, uma voz.
Falta resposta.
A resposta enigmática surge.
De quem?
Sei lá! Voou e parou aqui.
Não sei! Vi apenas os lobos num processo de tosquia, deixando-os neste estado.
Vixe! Mundo grandão!
Lobos espalhados.
Zé Maraco olhou desconfiado, mas tem resposta:
— Passaram por aqui. Abraços, gritos, gargalhadas. Eita, comício bom! Até dona Josefina, banguela, foi abraçada.
— E a dentadura prometida?
— Sei lá! Deve ter se perdido no esgoto que ronda a sua casa.
— Conversa feia, Astrogildo! Rua de Calçamento, saneamento feito.
— Vixe! Tô vendo, não!
— Cadê os teus óculos de grau? Prometidos e recebidos!
— Sei lá!
— Fica quieto! Quero ouvir o comício.
*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'. @mariainesmachadopsi
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Eu e a psicóloga - Poema - Por Eduardo Albuquerque*
23/10/2026
Eu, filho do sertão,
da Serra dos Matões
e de Olinda por concessão.
Sinto-me honrado,
pelo poema ofertado,
da amiga psicóloga,
com quem bem dialogo:
Desvelo memórias,
descrevo histórias,
revejo as trajetórias.
Eis que saio do escuro,
e de cima do muro:
vejo quão belo é o futuro!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
Muita é a gratidão!
Eu, filho do sertão,
da Serra dos Matões
e de Olinda por concessão.
Sinto-me honrado,
pelo poema ofertado,
da amiga psicóloga,
com quem bem dialogo:
Desvelo memórias,
descrevo histórias,
revejo as trajetórias.
Eis que saio do escuro,
e de cima do muro:
vejo quão belo é o futuro!
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor. @eduardoalbuquerque99
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi – Bares do Recife de Ontem - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*
23/10/2026
“Muitos eventos e fatos importantes de uma cidade acontecem nos bares ou “pubs”, eles existem isoladamente ou agregados, às vezes fazendo parte de um hotel, de uma instituição, de um teatro, etc...”
No Recife, foram-se embora os bares mais tradicionais. Fazia gosto ir a eles, dizem os mais antigos, confundiam-se e identificavam-se com os lugares e seus tempos. Por isso marcaram época nesta cidade, influenciando na sai vida e na sua história. Entre eles o “The British Shipchandler” que fechou há pouco era o mais antigo, o pioneiro entre os bares do Recife, sua origem remonta aos anos de 1865, quando foi criado pelo...
Como se sabe ou é sabido, a palavra “bar” vem da língua inglesa onde significa um ponto de encontro obrigatório, assim como “pub”, que também é originado do idioma saxônico é uma forma sincopada de “public” (público), franqueado a todos. Da balaustrada ou da barra que existe entre o balcão e o cliente é que veio o nome bar propriamente dito.
“Muitos eventos e fatos importantes de uma cidade acontecem nos bares ou “pubs”, eles existem isoladamente ou agregados, às vezes fazendo parte de um hotel, de uma instituição, de um teatro, etc...”
No Recife, foram-se embora os bares mais tradicionais. Fazia gosto ir a eles, dizem os mais antigos, confundiam-se e identificavam-se com os lugares e seus tempos. Por isso marcaram época nesta cidade, influenciando na sai vida e na sua história. Entre eles o “The British Shipchandler” que fechou há pouco era o mais antigo, o pioneiro entre os bares do Recife, sua origem remonta aos anos de 1865, quando foi criado pelo sueco Herman Theodor Ludgren com o objeto de abastecer navios (como o próprio nome diz), depois ele passou a “abastecer,” também, os marujos da nossa “zona” portuária.
Saindo do domínio inglês, pois pertencera antes de fechar a Jack Ayres, estabelecido com a firma Jack Ayres Son Ltda, as instalações do “Shipchandler” foram adquiridas por Valdemar Marinheiro que, mostrando que – “raposa também cria galinha”, deu continuidade as atividades etílicas com um novo estilo brasileiro embora o estabelecimento passasse a se chamar “Bar Internacional”, num ambiente mais simples descrito como a “alma do Valdemar, mas a síntese original permaneceu: a de ser o lugar de Ponto de Encontro de velhos amigos num papo regado a uísque legítimo e mais barato, eleita a bebida oficial do lugar.
Ainda hoje o Bar de Valdemar conserva as mesmas cadeiras de cem anos atrás e o mesmo espírito inglês de reunir os amigos para uma boa conversa, sempre a mesma que povoou a vida de Valdemar Marinheiro. Segundo ele, não dá para viver sem o Bar.
“se eu vendo, um mês depois eu morro”. Acostumado à companhia dos fregueses e relembrando o passado, ele diz “só sentir saudade do tesão que já foi embora”.
Apesar do Bar estar localizado em uma das mais antigas zonas de prostituição do Recife, Valdemar garante que lá as prostitutas não entravam. “Nem na época em que funcionava nos moldes populares. As prostitutas faziam ponto no estabelecimento onde não era permitida a entrada de mulheres, desacompanhadas. Tanto elas quanto os estrangeiros, que costumavam frequentar bares como o “OK”, “Gambrinus”, “Adila´s Palace”, entre outros, situados nas avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco.
Seguindo a tradição de acomodar num mesmo espaço as figuras de renome da cidade, no passado se poderiam encontrar os poetas Carlos Pena Filho e Ascenso Ferreira. Silvio Caldas, ao vir ao Recife, não deixava de visitar o Bar.
Outro Bar que funcionou nas décadas de 1940/60 foi o Bar do Chileno que se localizava no início da Rua do Bom Jesus, quase em frente do prédio da Associação Comercial. Era frequentado, principalmente, por marujos e funcionários das Docas, que preferiam a orla portuária, ou seja, os bares e casas de “diversão” da Alfredo Lisboa e adjacências.
Entre as décadas de 1930 a 50 existiu o Cassino Imperial, freqüentado por figurões da cidade. Toalhas de linho, porcelana fina, comida e bebida de primeira. Nela apresentavam-se grandes orquestras e atrações do Sul do País que lotavam o dancing. Localizava-se no antigo prédio depois ocupado pelo Banco do Brasil e hoje, depois de completamente descaracterizado, abriga o Grupo João Santos.
Possuía várias roletas onde o jogo corria solto, aliás, no Recife de antanho os chamados jogos de azar (para a maioria) era muito praticado, no Pina, antes mesmo do Cassino Americano, existiu um outro conhecido como Cassino do Pina aquele local onde se jogava muito, era o Taco de Ouro.
Muitos bares recifenses, no entanto surgiram no período da II Guerra Mundial como foi ocaso do Bar OK, para suprir a demanda dos militares norte-americanos disputados pelos garçons e prostitutas. Esse estabelecimento funcionava no térreo de um prédio da Marques de Olinda sendo que, nos andares superiores, instalavam-se as pensões. Por falar em pensão, cada uma delas tinha a sua cafetina, que aliciavam as jovens vindas principalmente do interior ou de outros estados do Nordeste, quase sempre expulsas de casa por punição paterna. As mulheres mais velhas, com mais “tempo de serviço” iam se afastando da Marques de Olinda onde iniciavam sua “difícil vida fácil” indo para as pensões mais populares, normalmente na famigerada rua da Guia.
A Pensão de Alzira era a mais famosa e naquele tempo até a mais elegante das pensões, a mais fina. Ficava na Vigário Tenório. os quartos cheios de cortinas. As mulheres eram finas e a clientela de alta classe.
Mas voltemos aos Bares: nessa época existiam ainda, cada um com sua característica: o “Silver Star”, o “Texas Bar”, freqüentado por vários intelectuais, políticos e jornalistas, o “Escandinávia”, na Alfredo Lisboa, o “Vitória”, na Rua da Moeda, o “Cubano” que depois passou a ser o “Tropical”, o “Duas Américas”, o “Buraco da Onça”, o “Bar da Charque”, o ‘Flamengo”, o “Bar da Cuia”, o “Astória”, o “Lambreta”, o “Para Todos”, o “Califórnia”, o “Lanche Porto”, o “Ibiá”, o “Rosa Amarela”, na Cobertura do Jornal do Commercio, o “Phoeniz” , na Rua da Palma e, mais recentemente, o “Black Tie” e o “Tony´s Drinks”, ambos na Marques de Olinda.
Na Avenida Alfredo Lisboa, nas imediações do Armazém 11, dois bares seguem o mesmo estilo, um teve origem do outro, são: O Scoth Blar ll0e o Bar do 28 ambos l0servem uísque bom, de 0lgosto e de preço, porém o primeiro deles l0l0foi o “Schot Bar”, pouca gente sabe que 0l“28” era o número da plaqueta do carregador 0lde malas no cais do porto, Sr. Antônio 0lCandido que fundou o 0l0“Schot” no entanto , o pessoal quando resolvia 0l00ir ao estabelecimento costumava dizer: vamos l0ao bar do “28”. Atualmente o Sr. Cândido l0é o dono do Bar 28 e seu filho, José Antônio l0lCardoso é o 0l00proprietário do Schot l0Bar.
Os bares como vimos têm de "per si" as suas características e por elas são procurados, um de características bem peculiares era o “Bar do Espanhol” criado no início apenas para receber alguns amigos e convidados destes. Pertenceu ao Espanhol José Pontes e funcionava na Rua da Aurora, residência do proprietário, onde posteriormente funcionou o Restaurante “Buraco de Otília”, antiga cozinheira do espanhol que, por sua vez, fora garçom do Grande Hotel.
Posteriormente, motivado pelos dotes culinários de sua esposa e conterrânea, José Pontes abriu um Bar que servia não somente pratos espanhóis como da terra que o acolheu. O estabelecimento chamava-se então de Porta Larga e ficava na Camboa do Carmo, onde depois funcionou o Galo d´ouro. Tempos depois, já conhecido como “Bar do Espanhol”, passou a funcionar na Rua do Lima e aí, com a frequência costumeira de alguns artistas da Rádio Clube e depois do Jornal do Commercio localizadas nas proximidades, surgiram os violões, os cantores e as cantoras que ali se reuniam prolongando as tarde de sábado, com um almoço de comida típica regado a boas bebidas. Tempos depois o Bar foi para a av. Cruz Cabugá e aí viveu seus últimos dias, até o falecimento do Sr. Joel Pontes.
Outros Bares também marcaram época no Recife como aqueles dois do Parque Treze de Maio – O Torre de Londres e a Cabana. O primeiro era um misto de Bar e Restaurante que pertenceu a Júlio Jesun de Carvalho, o Julinho, ponta esquerda do América, na década de 1950 e que foi proprietário da Rádio Veneza.
A torre era excêntrica e dava um ar aristocrático ao Parque Treze de Maio, lembrava sua similar na Capital Inglesa. Funcionava com uma clientela um pouco diferente de sua vizinha, a “Cabana”, que foi fundada por Evanildo Coelho. Situava-se por trás da atual Câmara Municipal do Recife, depois pertenceu ao Sr. Mário Gouveia. Era frequentada, principalmente, por estudantes da vizinha Faculdade de Direito e viveu seus melhores dias na época da Festa da Mocidade.
Ainda no final dos anos 1950 e por toda a década de 60 existiram no Recife alguns bares que deixaram suas marcas como o “Brama Chopp”, localizado no térreo do edifício Seguradora, voltado para a Dantas Barreto, com suas cadeiras e mesas na calçada, no estilo do Savoy- esse – foi, sem dúvidas o mais famoso do Recife. Surgiu em 1º de Julho de 1944, em pleno movimento dos americanos aqui estabelecidos com a Quarta Frota, durante a Segunda Grande Guerra. A época, portanto era mais do que oportuna para a criação de um Bar de sua natureza, ali bem pertinho do Edifício dos Bancários, quartel General dos Ianques. Na época, as notícias de derrotas dos nazistas eram efusivamente festejadas pincipalmente pelos Estudantes Universitários.
No Dia da queda da Ditadura de Getúlio, o proprietário Manuel Álvares fez servir champanhe e vinho por conta da casa. “Mas frequentador do Savoy que se preza vais mesmo é de chope” sublinha o Jornalista Edilbertot Coutinho. Naquela ocasião, tudo de cambulhada (os mais velhos contam) valia qualquer coisa e se as mesas do bar contassem, teríamos então que se (sic) acrescentar muitas histórias à crônica do Savoy. Discursos e urras prolongados comemoravam o término de uma época repressiva...

Os grupos boêmios intelectualizados da calçada do Savoy já não mais existem (1977), porém a tradição cultural do bar, na medida do possível, continua a ser preservada por Joaquim Esteves Pereira, para isso, ele criou na sobreloja o canto do Poeta. Nas paredes, além dos versos de Pena, Mauro Mota e Eugênio Coimbra Júnior, belas fotos do Recife antigo, por Edmont Dansot”.
_ Esteves comprou o Bar Savoy, em 1970, aos irmãos Simões, que o mantiveram por algum tempo. Posteriormente eles se dividiram: um abriu o “Café Nicola”, que tinha grande frequência, principalmente às segundas-feiras, para os comentários e checagem das apostas dos jogos de futebol do domingo. O outro fundou o Bar Irapuru, no térreo do Hotel Guararapes.
Porém o Bar Savoy seguiu, indelével, sua trajetória no tempo, viajando na “Nau Boêmia”, sobre um mar de saudades.
De suas lembranças mais tangíveis, algumas podem ainda ser vistas em suas paredes registrando um passado presente, mas impossível de ser revivido, a mais famosa delas é, sem dívidas, a de Carlos Pena Filho:
Na Avenida Guararapes
O Recife vem marchando
O Bairro de Santo Antonio
Tanto se foi transformando
Que, agora, às cinco da tarde
Mais se assemelha a um festim
Nas mesas do Bar Savoy
O refrão tem sido assim
São trinta copos de chope
São trinta homens sentados
Trezentos desejos presos
Trinta mil sonhos frustrados.
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras e Sócio Benemérito do IAHGP.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.

É Findi - Série Prédios Ícones de Pernambuco - Câmara Municipal do Recife - Por Silvio Amorim*
23/10/2026
Inaugurado em 1920, o prédio foi construído para abrigar a Escola Normal Oficial de Pernambuco, instituição dedicada à formação de professores. Sua presença naquele trecho da cidade acompanha um período de expansão dos equipamentos públicos e de consolidação da Boa Vista como área de atividades educacionais, culturais e administrativas.
A Escola Normal contribuiu para a formação de gerações de educadores e para a organização do ensino em Pernambuco. A cons...
Um prédio com o DNA do Ensino. Na Rua Princesa Isabel, ao lado do Parque Treze de Maio, no bairro da Boa Vista, ergue-se um dos edifícios mais representativos da história política do Recife. De linhas arquitetônicas ecléticas e presença marcante na paisagem urbana, a construção que hoje abriga a Câmara Municipal do Recife possui uma trajetória anterior à sua destinação ao Poder Legislativo. Antes de receber vereadores e sediar debates sobre os rumos da capital pernambucana, o imóvel foi concebido para servir à educação.
Inaugurado em 1920, o prédio foi construído para abrigar a Escola Normal Oficial de Pernambuco, instituição dedicada à formação de professores. Sua presença naquele trecho da cidade acompanha um período de expansão dos equipamentos públicos e de consolidação da Boa Vista como área de atividades educacionais, culturais e administrativas.
A Escola Normal contribuiu para a formação de gerações de educadores e para a organização do ensino em Pernambuco. A construção também integrou o processo de urbanização do entorno do Parque Treze de Maio, cuja implantação acompanhou as transformações da área central do Recife na primeira metade do século XX.
Em 1962, começaram as providências para a transferência da Câmara Municipal para o local. O vereador Liberato Costa Junior participou ativamente da conquista desse espaço para a Câmara. No ano seguinte, as novas instalações do Legislativo foram oficialmente inauguradas, durante a Prefeitura de Arthur Lima Cavalcanti.
A origem da Câmara: o nascimento de uma vila
A história da Câmara Municipal do Recife é muito mais antiga do que a do edifício que atualmente a abriga. Suas origens remontam ao período colonial, quando a organização administrativa das povoações brasileiras seguia as instituições e as normas da Coroa portuguesa. Em 15 de fevereiro de 1710, por determinação régia, o Recife foi elevado à categoria de vila e instalou sua Câmara Municipal. A criação do governo local representava um passo importante na afirmação política do povoado, cuja atividade comercial e portuária já lhe conferia crescente relevância econômica. Na estrutura administrativa portuguesa, as câmaras exerciam atribuições que iam além das funções legislativas atuais. Participavam da administração cotidiana, cuidavam do abastecimento, das posturas, da organização dos espaços públicos e de outros interesses da comunidade, dentro dos limites do sistema colonial.
A instalação da Câmara ocorreu em meio a fortes disputas entre os recifenses e os grupos dominantes de Olinda. A elevação do Recife à condição de vila contrariava interesses estabelecidos e acirrou rivalidades que culminaram em episódios de violência.
Em 17 de novembro de 1710, adversários da nova vila invadiram o Recife, derrubaram o pelourinho e atacaram a sede do Legislativo, interrompendo suas atividades. Documentos e registros foram destruídos, e vereadores sofreram agressões.
A crise prolongou-se até 1711, quando a ordem foi restabelecida e a estrutura administrativa da vila começou a ser recomposta. Em novembro daquele ano, o pelourinho foi reconstituído nas proximidades da antiga Igreja do Corpo Santo, marco da área portuária. Desde o início, portanto, a trajetória da Câmara esteve ligada às disputas pelo poder, à autonomia local e ao reconhecimento político do Recife.
De instituição colonial a representação democrática
Ao longo dos séculos, a Câmara atravessou profundas mudanças políticas e institucionais. A Independência do Brasil, em 1822, a organização do Império, a Proclamação da República, em 1889, e as sucessivas alterações constitucionais modificaram as atribuições dos municípios e a composição de seus órgãos de governo. Com a República, as estruturas administrativas municipais foram reorganizadas, e a instituição recifense passou por mudanças de denominação, funcionamento e prerrogativas.
O século XX foi particularmente difícil para o Poder Legislativo municipal. Em períodos autoritários, a autonomia das câmaras foi restringida e suas atividades, interrompidas.
Período difícil para o Legislativo Municipal
Durante o governo de Getúlio Vargas, as câmaras municipais foram fechadas em 1937, no contexto da implantação do Estado Novo. No Recife, a instituição havia retomado suas atividades em 1936, mas voltou a ser atingida pela ruptura democrática de novembro daquele ano. Mas com a redemocratização e a Constituição de 1946, o Legislativo municipal voltou a funcionar. Entretanto, a recuperação das liberdades políticas não impediu novas perseguições. Em 1948, a Lei Federal nº 211 determinou a cassação dos mandatos de parlamentares acusados de ligações com o comunismo ou o socialismo. Entre os vereadores atingidos no Recife estavam Carlos Duarte e Júlia Santiago. Naquele período, a Câmara funcionava no Edifício Alfredo Fernandes, na Avenida Barbosa Lima, no Bairro do Recife. O local ficou conhecido como Câmara da Rua da Guia. A transferência para o prédio da antiga Escola Normal, em 1963, inaugurou uma nova etapa. Pouco depois, o golpe militar de 1964 voltou a impor restrições à vida política brasileira. A Câmara do Recife não foi fechada naquele momento, mas vereadores e representantes de correntes de oposição sofreram perseguições e cassações. Essa trajetória mostra que a existência do parlamento municipal depende de condições políticas capazes de assegurar liberdade de expressão, participação popular e autonomia institucional.
A Casa de José Mariano
A Câmara Municipal do Recife é tradicionalmente conhecida como Casa de José Mariano, em homenagem a José Mariano Carneiro da Cunha, importante abolicionista e figura da vida política pernambucana.
Seu nome remete ao período em que a luta contra a escravidão e a defesa de direitos mobilizavam diferentes setores da sociedade. A homenagem associa a instituição a um personagem ligado a transformações sociais decisivas para Pernambuco.
O edifício da Rua Princesa Isabel acrescenta outra dimensão a essa trajetória. Antes de receber os representantes eleitos, foi espaço de formação de professores. Sua história reúne, portanto, duas funções públicas fundamentais: educar e representar.
A Câmara e o desenvolvimento da cidade
Como Poder Legislativo municipal, a Câmara elabora e aprova leis de interesse local, discute e vota o orçamento, fiscaliza os atos do Executivo e acompanha a aplicação dos recursos públicos. Nesse espaço são debatidas questões diretamente relacionadas à vida da população, como mobilidade urbana, patrimônio histórico, educação, saúde, habitação, ordenamento urbano, proteção ambiental, acessibilidade e qualidade dos serviços públicos. Essas decisões influenciam a forma como o Recife cresce, enfrenta desigualdades e planeja seu futuro. A fiscalização exige que a administração pública preste contas, justifique suas escolhas e demonstre como os recursos arrecadados são utilizados. Já a representação depende do diálogo com bairros, comunidades e diferentes segmentos sociais, cujas demandas devem chegar às discussões legislativas.
Nossa participacão na Constituinte Municipal, na Lei Orgânica do Recife e no Plano Diretor da Cidade do Recife
A Constituição Federal de 1988 fortaleceu a autonomia municipal no sistema federativo brasileiro. Nesse contexto, a Lei Orgânica do Município do Recife, promulgada em 1990, tornou-se instrumento fundamental para a organização política e administrativa da capital. A Câmara participa desse sistema como espaço de debate, deliberação e controle, contribuindo para o equilíbrio entre os Poderes e para a defesa do interesse público. Nesse período tive a oportunidade de ser eleito pelo voto livre dos recifenses. Foi um período muito importante. Duas pecas importantes teriam de ser elaboradas e que definiriam o ordenamento, o planejamento e o futuro urbanístico do Recife, onde foram criados instrumentos que dariam segurança para um desenvolvimento ordenado e socialmente justo.
O Recife elegeu uma bancada que deu conta desse importante trabalho. Foi uma Câmara muito representativa. Todos setores da sociedade estavam presentes. Políticos importantes voltaram as urnas para participar daquele momento, como o ex-governador Gustavo Krause e dois ex prefeitos, Liberato Costa Junior e Augusto Lucena. Muitos desses participantes prosseguiram na política ocupando importantes espaços no Município, no Estado e Pais. Penso que vale a pena recordar esses participantes: José Neves, presidente da Comissão da Lei Orgânica do Recife e Gustavo Krause, relator; Silvio Amorim, relator do Plano Diretor da Cidade do Recife; André de Paula; André Campos; Fred Oliveira; Augusto Costa; Rafael de Menezes; Augusto Lucena; Byron Sarinho; Carlos Eduardo Cadoca; Homero Lacerda; João Braga; João Paulo; Liberato Costa Junior; Geralda Farias; Miguel Batista; Rivaldo Allain Teixeira; Romario Dias; Waldemar Borges; Otavio Augusto; Aristófanes de Andrade; Paulo Rubens Santiago; Renildo Calheiros; Romildo Gomes; Vicente André Gomes; Newton Carneiro Filho; Eclésio Meneses; Claudio Borba; Sergio Magalhaes; Alpheu Cesse; Jose Carolino; Antônio Santana; Mauro Godoy; Murilo Mendonca e Waldomiro Ferreira da Silva
Patrimônio histórico e responsabilidade com o futuro
O prédio que abriga a Câmara integra o patrimônio arquitetônico do Recife e reúne referências da história da educação e da política pernambucanas. A história da Câmara Municipal do Recife acompanha a trajetória da capital pernambucana. Nascida no período colonial, atingida por conflitos, submetida a interrupções autoritárias e reconstruída em momentos de abertura política, a instituição participou das mudanças que transformaram o Recife. Uma cidade que conhece sua história compreende melhor o presente e se prepara com mais consciência para construir o futuro.
*Silvio Amorim é advogado, foi Vereador e Secretário de Educação do Recife. É membro do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano - IAHGP.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder.

É Findi – Recordação - Por Poeta Pica-Pau*
23/10/2026
Pra recordar o tempo do passado
Escavaquei no fundo de um borná
Encontrei nele uma baladeira
Que costumava com ela passarinhar
Encontrei a pena de um Tiziu
Umas sementes de mamona que serviu
De munição na hora de ir caçar
Encontrei em um baú empoeirado
A minha cartilha do ABC
Aí lembrei da primeira professora
Aquela que me ensinou a ler
Entre castigos e palmatória
O ensino mostrou o meu destino
Naquele tempo eu menino
Hoje adulto recordando minha história
Vi uma foto tirada lá na escola
E a bandeira do Brasil nela estampada
Essa era a primeira identidade
Era amor de verdade
Pela nossa pátria amada
Revi uma foto desbotada
Que o tempo com o tempo maltratou
Nela meus pais e meus irmãos
Resultado de um fotógrafo que pa...
Composição do poeta Pica-pau, gravação Suno
Pra recordar o tempo do passado
Escavaquei no fundo de um borná
Encontrei nele uma baladeira
Que costumava com ela passarinhar
Encontrei a pena de um Tiziu
Umas sementes de mamona que serviu
De munição na hora de ir caçar
Encontrei em um baú empoeirado
A minha cartilha do ABC
Aí lembrei da primeira professora
Aquela que me ensinou a ler
Entre castigos e palmatória
O ensino mostrou o meu destino
Naquele tempo eu menino
Hoje adulto recordando minha história
Vi uma foto tirada lá na escola
E a bandeira do Brasil nela estampada
Essa era a primeira identidade
Era amor de verdade
Pela nossa pátria amada
Revi uma foto desbotada
Que o tempo com o tempo maltratou
Nela meus pais e meus irmãos
Resultado de um fotógrafo que passou
Essa foto é a única herança
Que ganhei ainda quando criança
Presente que no presente ficou
Essa foto é a única herança
Que ganhei ainda quando criança
Presente que no presente ficou
Presente que no presente ficou
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE. @poeta.picapau
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
É Findi – Estrelas: Milhões e Bilhões Delas - Croniqueta - Por Xico Bizerra*
23/10/2026
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder.
...
As estrelas, são milhões e bilhões, bilhões e milhões, as estrelas. Elas barroam umas nas outras até que se dão as mãos e dançam uma ciranda, alegres e felizes. E aí até a Lua entra na dança, bela e cintilante. Ainda cedo, aproveitando os últimos raios do sol, deixam-se refletir com sua luz e resplandecem junto às estrelinhas menores. Aí, é quando o céu se clareia de lua e a terra fica feliz com tanta beleza. Depois, finda a noite, as estrelinhas dormem, descansando para o recomeço do logo mais. É quando a estrela maior, dona do dia, mais uma vez surgirá no horizonte anunciando a manhã que se achega com todo o seu fulgor. É a dança dos astros, coreografia das estrelas num cenário de Deus. Logo mais meu chão será salpicado de milhões e bilhões de estrelas, bilhões e milhões delas. Serão benvindas.
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor. @bizerraxico
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder.

É Findi - Que Ela Nunca Saiba - Crônica - Por Romero Falcão*
23/10/2026
Frida, minha cadela, está no cio, mas, até agora, não deu sinais de latidos fascistas. Amém. Tem dado um trabalho danado. Solteira, sem namorido, se vira como pode. Pela brecha do portão, solta seus feromônios. A cachorrada faz ponto, agita-se na calçada. Frida tem sangue de pitbull e vira-lata, mas não dá para qualquer um, mesmo nesses dias de agonia.
O cio, porém, não abalou sua valentia nem a perseguição implacável a tudo que voa: mosca, pombo, passarinho, avião e pipa. É impressionante sua concentração para abocanhar uma mosca no ar. Fica imóvel, olhos no alto, acompanhando a trajetória do inseto. Aguarda a aproximação. A mosca pousa num móvel. Frida se prepara, arma-se feito onça. Avança num rastejar baixo. Para. A mosca levanta voo. Já era. A cadela vai buscá-la a um metro de altura.
Voltando à cachorrada, Frida tem seu preferido, uma paquera que batizei de Bra...
“A cadela do fascismo está sempre no cio.” — Bertolt Brecht.
Frida, minha cadela, está no cio, mas, até agora, não deu sinais de latidos fascistas. Amém. Tem dado um trabalho danado. Solteira, sem namorido, se vira como pode. Pela brecha do portão, solta seus feromônios. A cachorrada faz ponto, agita-se na calçada. Frida tem sangue de pitbull e vira-lata, mas não dá para qualquer um, mesmo nesses dias de agonia.
O cio, porém, não abalou sua valentia nem a perseguição implacável a tudo que voa: mosca, pombo, passarinho, avião e pipa. É impressionante sua concentração para abocanhar uma mosca no ar. Fica imóvel, olhos no alto, acompanhando a trajetória do inseto. Aguarda a aproximação. A mosca pousa num móvel. Frida se prepara, arma-se feito onça. Avança num rastejar baixo. Para. A mosca levanta voo. Já era. A cadela vai buscá-la a um metro de altura.
Voltando à cachorrada, Frida tem seu preferido, uma paquera que batizei de Branquinho. Cachorro de rua — perdão, cão de comunidade. Como é difícil papagaio velho aprender fala nova!
Já tentaram trancá-lo num apartamento, fazer dele um pet, mas Branquinho é arredio aos novos tempos. Não quer casa, motorista, roupa lavada. Só quer rua, liberdade.
Tem dias em que o encontro na frente da padaria, do supermercado. Outras vezes, caminha pela praia, solitário. Entra no mar, nada, sacode o pelo molhado. Gosta de tirar uma soneca debaixo de um carro. Perito na travessia por entre motos enlouquecidas. À noite, desaparece. Dizem que já o viram na porta de uma gafieira.
Frida está de castigo enquanto dura o cio. Passear, nem pensar. Não pode nem de longe namorar Branquinho. Ela se revolta, olha-me fundo, como se dissesse: "ou me solta para eu matar quem está me matando ou perco o juízo e levanto uma bandeira".
Que ela nunca saiba que tenho um Falcão no sobrenome.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores.
O É Findi é uma coluna semanal de cultura e lazer. Exclusiva de O Poder. Através de qualquer matéria, você acessa as demais. Boas leituras. Leia e compartilhe.
