Mano Medeiros : servidores do Jaboatão dos Guararapes terão aumento acima da inflação
09/05/2025
Esse percentual
Ficou bem acima da tabela do IPCA, que foi de 4,56%. O acordo foi fechado com o Sindicato dos Servidores Municipais de Jaboatão dos Guararapes - SINSMUJG. O reajuste será feito em duas parcelas. A partir de maio, será aplicado o percentual de 4,56%. E, em outubro deste ano, a diferença percentual será implementada na folha de pagamento.
O aumento
Vai repercutir financeiramente com uma despesa anual no valor de R$ 313.153.832,45. As 12 categorias beneficiadas abrangem um universo de 3.090 servidores lotados em todos os setores da Prefeitura do Jaboatão dos G...
Esse percentual
Ficou bem acima da tabela do IPCA, que foi de 4,56%. O acordo foi fechado com o Sindicato dos Servidores Municipais de Jaboatão dos Guararapes - SINSMUJG. O reajuste será feito em duas parcelas. A partir de maio, será aplicado o percentual de 4,56%. E, em outubro deste ano, a diferença percentual será implementada na folha de pagamento.
O aumento
Vai repercutir financeiramente com uma despesa anual no valor de R$ 313.153.832,45. As 12 categorias beneficiadas abrangem um universo de 3.090 servidores lotados em todos os setores da Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes.
O prefeito
Mano Medeiros assinou mais esse acordo e reafirmou o compromisso do Governo Municipal em valorizar todas as categorias de trabalhadores. "Essa semana já fechamos um acordo com o pessoal da Educação. Agora, mais uma etapa vencida, que vai beneficiar milhares de trabalhadores do Jaboatão. Como sempre, resultado de um esforço orçamentário e financeiro, garantindo melhorias salariais para todos", disse Mano.
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STF – André Mendonça afirma que salário do STF dá "condição média" de vida
26/08/2026
Declaração
“Não é uma vida nababesca. É uma vida na qual você pode ter uma condição média, eu diria até acima da média brasileira, mas ainda assim uma condição média de vida. A gente colocaria ali numa classe B. Não é uma classe A, que eu diria que já são pessoas muito ricas. É uma classe privilegiada, mas não é uma classe que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês", afirmou. De acordo com Mendonça, um ministro do STF ou um juiz em geral não pode ter a pretensão de ficar rico, já que a carreira, apesar de oferecer um bom salário, não permite com que profissional viva sem preocupações financeiras.
...
O ministro André Mendonça, do STF, afirmou que o salário de um ministro da Corte garante uma "condição média de vida" e não permite que o magistrado viva "sem preocupações financeiras". Segundo ele, apesar de a remuneração estar “muito acima” da média dos brasileiros, ela ainda assim exige controle das despesas do dia a dia.
Declaração
“Não é uma vida nababesca. É uma vida na qual você pode ter uma condição média, eu diria até acima da média brasileira, mas ainda assim uma condição média de vida. A gente colocaria ali numa classe B. Não é uma classe A, que eu diria que já são pessoas muito ricas. É uma classe privilegiada, mas não é uma classe que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês", afirmou. De acordo com Mendonça, um ministro do STF ou um juiz em geral não pode ter a pretensão de ficar rico, já que a carreira, apesar de oferecer um bom salário, não permite com que profissional viva sem preocupações financeiras.
Salário de um ministro do STF
O salário bruto mensal de um ministro do STF é R$ 46.366,19, valor usado como referência para o teto do serviço público. A remuneração líquida recebida pelos integrantes da Corte, no entanto, varia conforme deduções e descontos, como contribuição previdenciária e Imposto de Renda. De acordo com o Portal da Transparência do STF, Mendonça recebeu uma média de R$ 26 mil líquidos por mês entre janeiro e julho deste ano. O maior valor foi registrado em janeiro, quando recebeu R$ 43 mil líquidos. Já os menores pagamentos ocorreram em abril e maio, de R$ 18,8 mil líquidos.
Eleições 2026 – Campanha de Lula aciona TSE contra Renan e Caiado por ataques em debate
26/08/2026
Representação contra Renan
Na representação contra Renan, os advogados da campanha listam 6 declarações consideradas ofensivas. Entre ela...
A campanha do presidente Lula, PT, levou ao TSE duas representações contra os candidatos Renan Santos, Missão, e Ronaldo Caiado, PSD, por declarações feitas durante o debate no último domingo. As ações pedem a retirada de publicações nas redes sociais e a aplicação de multas aos adversários. Segundo a defesa de Lula, os dois candidatos usaram o debate, ao qual o petista não compareceu, para atingir a honra e a reputação do presidente e candidato à reeleição. A ofensiva jurídica mira especialmente Renan Santos, acusado de reproduzir ataques em perfis próprios e do partido Missão. Para a equipe jurídica do petista, as falas extrapolam o debate político e configuram ataques à imagem pessoal de Lula. Os advogados afirmam ser “inequívoco que essas imputações atingem a honra e a reputação” do presidente.

Representação contra Renan
Na representação contra Renan, os advogados da campanha listam 6 declarações consideradas ofensivas. Entre elas estão: “Lula tinha que vir aqui defender o legado dele. Eu tô aqui chamando ele de ladrão. Por que que não veio se defender?” e “A maior parte do tempo ou ele está bêbado ou tá com a Janja. É melhor ficar bêbado nessas horas, né, presidente?”. A campanha também argumenta que a repercussão dos trechos nas redes sociais ampliou o potencial de dano. “Em especial, a primeira ofensa à honra perpetrada pelo candidato, a saber, a peça de que seria Luiz Inácio Lula da Silva um ‘ladrão', já registra mais de 900 mil visualizações no TikTok e com quase 200 mil ‘curtidas’ no Instagram”, diz a peça. O documento sustenta ainda que se trata de “publicações caluniosas, difamatórias e injuriosas com altíssimo poder de alcance, sendo compartilhadas em uma diversidade de plataformas”. A defesa, comandada por Angelo Ferraro, pede a exclusão de 20 publicações em perfis de Renan Santos e do Missão, além da proibição de nova divulgação dos conteúdos nas plataformas digitais. A campanha de Lula também solicita que Renan Santos e o partido Missão sejam punidos com multa de R$ 30 mil por postagem.

Representação contra Caiado
No caso de Ronaldo Caiado, a ação foi apresentada e se concentra em uma declaração específica feita no mesmo debate. O governador de Goiás citou o caso 'Dark Horse', que envolve o senador Flávio Bolsonaro, PL, e tentou associar o tema a Lulinha, filho de Lula. “Você tem a característica de dois candidatos: o Dark Horse, esse vocês conhecem. E o Lula tem o Dark Lobby”, disse Caiado no debate. A declaração fazia referência às ligações de Fábio Luís com a lobista Roberta Luchsinger. A peça da campanha do PT também menciona uma montagem com imagem de Lula e a expressão “Dark Lobby”. Segundo os advogados, “o conteúdo emprega indevidamente a imagem do postulante ao cargo presidencial da coligação representante para associá-lo à prática de lobby, bem como a um escândalo do qual não possui qualquer tipo de vínculo, a produção audiovisual 'Dark Horse'”. “Dark Horse” é o nome de um filme sobre Jair Bolsonaro. No 1o semestre, veio a público um áudio em que Flávio Bolsonaro pedia dinheiro ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para concluir a produção do filme. A campanha de Lula sustenta que a publicação da fala nos perfis oficiais de Caiado agravou a conduta por ampliar “de forma expressiva o alcance do conteúdo perante o eleitorado”. A defesa pede a retirada de 2 postagens nas redes sociais do candidato e multa de R$ 30 mil por publicação. (Com a Folha de S.Paulo)
Eleições 2026 - Lula recebe apoio de Evangélicos Progressistas: "está alinhado aos valores cristãos"
26/08/2026
A carta aberta
“Não podemos normalizar forças políticas que atacam as instituições, questionam o resultado das urnas, estimulam a violência e ameaçam os direitos fundamentais. A Bíblia nos ensina que ‘Deus não é Deus de desordem, mas de paz’”, destaca a carta. O grupo também cita a atuação de Lu...
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento que reúne pastores e teólogos de diferentes regiões do país, declarou apoio à reeleição do presidente Lula, PT. Em carta aberta, o grupo afirma que a permanência de Lula na Presidência da República está alinhada a valores cristãos e faz críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro, PL. A Frente de Evangélicos associa a candidatura de Flávio a um projeto de “autoritarismo” e de “benefícios dos mais ricos”. O movimento também afirma que não é possível tratar como normais iniciativas políticas que, segundo os integrantes, representem ameaças às instituições democráticas e aos direitos fundamentais.
A carta aberta
“Não podemos normalizar forças políticas que atacam as instituições, questionam o resultado das urnas, estimulam a violência e ameaçam os direitos fundamentais. A Bíblia nos ensina que ‘Deus não é Deus de desordem, mas de paz’”, destaca a carta. O grupo também cita a atuação de Lula na defesa da soberania nacional diante do tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil. Para a Frente, a experiência recente reforçou a importância da liderança do presidente na defesa da democracia e na resistência a movimentos que poderiam ameaçar a ordem constitucional. “A experiência recente demonstrou a importância da liderança do presidente na articulação da consciência democrática e na resistência às forças que ameaçaram romper definitivamente a ordem constitucional. E isso não apenas no âmbito nacional, mas também na esfera global”, afirma o documento.

Ressalta independência
Apesar da declaração de apoio a Lula, a Frente ressalta que a decisão não representa abandono de sua independência. Segundo o movimento, o posicionamento eleitoral não retira sua “autonomia” nem sua “capacidade de diálogo”.

Apoio importante para Lula
O apoio anunciado ocorre em meio à tentativa de Lula de ampliar sua presença entre os eleitores evangélicos. A campanha de Lula iniciou uma estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico. A primeira-dama, Janja, lançou um comitê voltado aos evangélicos e um jingle de inspiração gospel para a campanha de reeleição do marido. Lula também pretende realizar um encontro com pastores evangélicos e se reunir com o deputado federal Otoni de Paula, PSD, que já declarou apoio ao presidente em uma eventual disputa de 2o turno contra Flávio Bolsonaro. A movimentação reforça a tentativa do candidato do PT de avançar sobre um segmento do eleitorado no qual enfrenta resistência e que se tornou um dos focos da estratégia eleitoral para a reeleição. Será mais um revés na candidatura de Flávio Bolsonaro?
Augusto Cury pode não ganhar, mas pode ser decisivo para a existência do segundo turno - Por Antônio Campos*
26/08/2026
O candidato do Avante ainda aparece com apenas 2% nas pesquisas mais recentes, tendo como vice Júlio Delgado, tanto no levantamento Quaest quanto no BTG/Nexus. À primeira vista, é um número pequeno. Mas seria um erro concluir que sua candidatura está condenada a permanecer pequena.
Cury tem uma vantagem que muitos candidatos tradicionais não possuem: é conhecido nacionalmente antes mesmo de entrar na política. Psiquiatra, professor e escritor, construiu uma carreira editorial com milhões de livros vendidos e uma presença pública que ultrapassa o universo político. Sabe manejar as redes sociais.
E há outro fator importante: Cury não chega à eleição tentando ser mais um personagem da guerra...
A eleição presidencial de 2026 começa a revelar uma característica que pode ser decisiva: o eleitor brasileiro ainda não está completamente acomodado nos dois polos que, até aqui, dominam a disputa. É justamente nesse espaço que Augusto Cury tenta entrar.
O candidato do Avante ainda aparece com apenas 2% nas pesquisas mais recentes, tendo como vice Júlio Delgado, tanto no levantamento Quaest quanto no BTG/Nexus. À primeira vista, é um número pequeno. Mas seria um erro concluir que sua candidatura está condenada a permanecer pequena.
Cury tem uma vantagem que muitos candidatos tradicionais não possuem: é conhecido nacionalmente antes mesmo de entrar na política. Psiquiatra, professor e escritor, construiu uma carreira editorial com milhões de livros vendidos e uma presença pública que ultrapassa o universo político. Sabe manejar as redes sociais.
E há outro fator importante: Cury não chega à eleição tentando ser mais um personagem da guerra entre Lula e Bolsonaro. Sua estratégia é apresentar-se como uma alternativa à polarização, apostando em educação, saúde emocional, segurança, mudança institucional e em um discurso de pacificação. No primeiro debate presidencial, realizado pela Band, essa foi uma das marcas de sua participação.
É aí que está o potencial de crescimento.
Augusto Cury provavelmente não será o próximo presidente da República. Hoje, os números não autorizam essa previsão. Mas uma candidatura não precisa chegar ao Planalto para ser decisiva. Em uma eleição fragmentada, poucos pontos percentuais podem determinar quem fica pelo caminho e quem continua na disputa.
A pergunta mais interessante, portanto, não é se Cury ganhará a eleição. É quanto ele poderá crescer.
Se conseguir transformar sua imagem de escritor e especialista em comportamento humano em uma candidatura política competitiva, Cury pode conquistar justamente aquele eleitor que está cansado da polarização, mas que também não se sente representado pelos candidatos tradicionais.
Esse eleitor existe. E pode ser maior do que as pesquisas atuais conseguem capturar.
A eleição começa com Lula e Flávio Bolsonaro concentrando a maior parte das intenções de voto. No BTG/Nexus divulgado nesta semana, Lula aparece com 41% e Flávio com 37%. Na simulação de segundo turno entre os dois, há empate técnico: 46% a 45%.
O dado mais importante, porém, está abaixo dos dois líderes. Caiado tem 5%, Renan Santos e Zema aparecem com 3%, e Cury registra 2%.
É justamente nessa faixa que uma candidatura pode crescer rapidamente.
Cury não precisa necessariamente ultrapassar Lula ou Flávio no primeiro turno. Precisa apenas conquistar uma fatia significativa dos eleitores que hoje estão distribuídos entre candidaturas menores, indecisos e aqueles que ainda não encontraram um nome capaz de convencê-los.
E existe uma consequência ainda mais relevante.
Quanto mais Cury crescer, mais difícil fica prever quem chegará ao segundo turno.
Uma candidatura de 5%, 6% ou 8% pode parecer pequena diante dos líderes, mas pode retirar votos suficientes de um dos favoritos para mudar completamente a matemática eleitoral. Em uma disputa apertada, o candidato que cresce não precisa necessariamente ser o vencedor. Pode ser o responsável por impedir que outro vença.
É nesse sentido que Augusto Cury pode se transformar em um personagem importante da eleição de 2026.
Seu slogan resume a estratégia: "O Brasil tem cura". A frase não é apenas uma peça de campanha. Ela tenta traduzir uma narrativa política: o país estaria cansado de conflitos permanentes e precisaria de uma espécie de tratamento para seus problemas institucionais, sociais e econômicos. A expressão vem sendo utilizada pelo próprio candidato em sua comunicação de campanha.
Cury tenta vender esperança onde a política brasileira vende conflito.
Esse pode ser seu maior trunfo.
Mas também está aí sua maior dificuldade. A Presidência da República não é um consultório, uma palestra ou uma livraria. Governar o Brasil exige capacidade política, articulação no Congresso, experiência administrativa, conhecimento de orçamento público e capacidade de enfrentar interesses organizados. Ele tenta neutralizar esse aspecto, com o discurso de gestor de suas empresas e empresário também do agronegócio.
Cury ainda precisa provar que consegue transformar seu discurso em projeto de governo viável.
Mesmo assim, sua candidatura merece atenção.
Porque, se a campanha conseguir ampliar sua presença nacional, ocupar espaço no horário eleitoral, crescer nas redes sociais e converter sua enorme popularidade como escritor em voto, Cury poderá deixar de ser apenas um candidato alternativo para se tornar o fiel da balança.
E aqui está a grande ironia da eleição: Augusto Cury pode não ter votos suficientes para ganhar a Presidência, mas pode ter votos suficientes para decidir quem terá a oportunidade de disputá-la no segundo turno.
Lula, por sua vez, não chega ao segundo turno com tranquilidade absoluta. As pesquisas mostram liderança no primeiro turno, mas também apontam uma disputa apertada contra o opositor do segundo turno.
Isso significa que qualquer candidatura capaz de retirar alguns pontos dos favoritos terá importância estratégica.
É por isso que Augusto Cury deve ser observado com atenção.
Ele pode não ser o presidente que o Brasil escolherá em outubro.
Mas pode ser o candidato que ajudará a escolher os dois nomes que chegarão à decisão final.
E, numa eleição tão polarizada, talvez essa seja uma das posições mais poderosas que um candidato possa ocupar.
O Brasil tem cura, diz Augusto Cury.
A política brasileira, entretanto, talvez ainda precise descobrir se a cura passa por ele.
E essa resposta não estará nas pesquisas de agosto. Estará nas urnas.
Recife/Olinda, 26 de agosto de 2026.
*Antônio Campos, Curador Geral da Fliporto, advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras e da ABI - Associação Brasileira de Imprensa. @antoniocampos.adv

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder respeita a diversidade de ideias e a liberdade de pensamento e publica textos mesmo discordando do seu conteúdo e da sua forma.
Antilançamento - Crônica - Por Romero Falcão*
26/08/2026
Não. Nada disso. Minha cambaleante crônica vai mal das pernas por outro motivo:
A artilharia de lançamento de livros todos os dias.
Todo mundo, todo o mundo, resolveu escrever um livro. Só na minha rua tem dois saindo da garagem. Se multiplicarmos isso pelo bairro, pela cidade, pelo estado, pelo país... Jesus!
Um dia desses, assisti a uma entrevista de um executivo responsável por uma respeitada editora nacional. Disse que não há mais condições de ler os originais que chegam em carretas.
Eu me pergunto: há leitores para essa enxurrada de...
Em época de eleição, o leitor já deve estar de saco cheio com o prefixo grego anti. Antissistema, anti-Brasília, anticomunista e por aí vai. Saltando essa pulha, o caríssimo leitor pode cogitar, pelo título, que o texto se trata de um protesto contra os lançamentos espaciais dos homens de Deus que atiram no espaço mares de dinheiro, enquanto o Sudão agoniza na fome e na doença.
Não. Nada disso. Minha cambaleante crônica vai mal das pernas por outro motivo:
A artilharia de lançamento de livros todos os dias.
Todo mundo, todo o mundo, resolveu escrever um livro. Só na minha rua tem dois saindo da garagem. Se multiplicarmos isso pelo bairro, pela cidade, pelo estado, pelo país... Jesus!
Um dia desses, assisti a uma entrevista de um executivo responsável por uma respeitada editora nacional. Disse que não há mais condições de ler os originais que chegam em carretas.
Eu me pergunto: há leitores para essa enxurrada de livros?
Um colega me intima a escrever outro livro de crônicas — esta meia-boca literária. Outro diz que já tenho musculatura para escrever um romance.
Tenho?
Quem sabe não só tenho músculo, como também votos para entrar para a ABLRS — Academia Brasileira de Letras das Redes Sociais.
Mas, num papo de responsa, estou passando por uma crise antilançamento. Quanto mais leio e escrevo, mais sinto entojo da noite de autógrafos. Não sei se é ranzinzice da idade ou coisa que o valha.
Uma amiga recomendou um analista. Por trás destas palavras pode haver fantasmas.
Lembrei de Millôr Fernandes: “A semântica é o ópio dos psicanalistas.”
Outra amiga — grande literata — me revelou uma ternura rodriguiana:
— Se você escrever um livro, eu até posso ir ao lançamento, comprar o volume, te dar parabéns, mas saiba: não lerei sequer uma página. Colocarei sobre a pilha para doações. Não tenho tempo a perder. Preciso reler os clássicos.

Hoje, ao abrir o Zap, recebi o convite para três lançamentos.
Pelo andar da carruagem, tô pensando em comprar uma Kombi.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

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Da Série Mistérios do Aquém: o milagre petrolífero da Bacia de Mogi/SP - Por Natanael Sarmento*
26/08/2026
Petróleo etéreo
Relatórios ultrassecretos do Alto-Comando da Imaginação Nacional revelam que a par dos grandes feitos tecnológicos e de lavagem e desvio de dinheiro público quais Ponte Rio-Niterói, Transamazônica, Itaipu, o do petróleo etéreo também merece registro. Afinal, a dinheirama sumiu nas prospecções, e do petróleo, ninguém sabe, ninguém viu.
O gênio do cofre
Cada povo tem seus gênios, os árabes com suas lâmpadas, os brasileiros com os cofres público. O plano “genial” da Paulipetro era simples: pegavam-se cente...
Na antologia da corrupção da Ditadura militar implantada em 1964 no Brasil, o escândalo da Paulipetro merece uma prospecção. Em 1979, o então governador biônico de São Paulo, Paulo Maluf, decidiu que do subsolo paulista jorrava petróleo, contradizendo todos os laudos técnicos da Petrobras. Maluf ratazana da ditadura cria o consórcio com estatais paulistas - CESP e IPT e assina “contratos de risco”.
Petróleo etéreo
Relatórios ultrassecretos do Alto-Comando da Imaginação Nacional revelam que a par dos grandes feitos tecnológicos e de lavagem e desvio de dinheiro público quais Ponte Rio-Niterói, Transamazônica, Itaipu, o do petróleo etéreo também merece registro. Afinal, a dinheirama sumiu nas prospecções, e do petróleo, ninguém sabe, ninguém viu.
O gênio do cofre
Cada povo tem seus gênios, os árabes com suas lâmpadas, os brasileiros com os cofres público. O plano “genial” da Paulipetro era simples: pegavam-se centenas de milhões de dólares das empresas públicas de energia - já endividadas até o pescoço - para cavar buracos fundíssimos no estado de SP.
Negacionista
Essa geologia do "cavar um pouquinho mais dinheiro” do típica da corrupção do período ditatorial no qual a decisão mais absurda era silenciada e restava impune, pela censura e repressão política, o senhor governador respondia qualquer crítica com o bordão dos canalhas do passado e do presente: “é o pessimismo dos subversivos, dos maus brasileiros sem patriotismo” e bazófias desta natureza.
Buracos fundos e custos nas alturas
Cataram-se brocas gigantescas das mais “prestativas” empreiteiras e perfuradoras de poço do país, preços astronômicos. A empreiteira cavava 2.000 metros. Nada. Mas o povo através do governo paulista pagava a fatura em dólares colhidos de empréstimos internacionais. Ganhavam os empreiteiros e os banqueiros. Ao todo, perfuraram-se mais de 70 poços e o resultado foi extraordinário: zero barril de petróleo. Muita poeira industrial. Mas em compensação, três poços de água quente de excelente qualidade.
E o dinheiro?
O petróleo não apareceu. Meio bilhão de dólares some na migração dos fluxos de caixas das grandes construtoras, intermediários e dos juros bancários que ficaram na conta da Viúva.
Quem paga a conta?
Esse cartel criminoso chamado de consórcio foi extinto no final da ditadura, no governo Franco Montoro. Mas a dívida herdada ficou para o contribuinte pagar durante décadas.
O refinamento dos gabinetes
Diz o popular que ladrão que rouba outro ladrão tem cem anos de perdão. Parece que esse juízo virou jurisprudência nos tribunais pátrios. Pois depois de anos, o Judiciário condenou os idealizadores a devolverem quantias pífias, simbólicas diante do rombo do prejuízo total. Fortes indícios de "petróleo refinado" nos gabinetes.
Poço de notas fiscais
Do subsolo de São Paulo, não se ouviu o borbulhar do petróleo, mas em compensação, o farfalhar das notas fiscais de milhões de dólares desta falcatrua alimenta o repertório infindável de mistérios do aquém. Sem anistia para golpistas e apologistas do AI-5. Ditadura, nunca mais!
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
Para ser coerente no caso 'Gabinete do Ódio', Raquel Teixeira Lyra deveria se demitir
26/08/2026
Coerência
Raquel agiu rápido, e ontem mesmo, após a 'bomba' veiculada à noite em rede nacional na televisão, resolveu demitir o auxiliar flagrado com a mão na massa. Só que nesse caso do 'gabinete do ódio' a principal responsável diretamente envolvida e citada na matéria é a própria Raquel Teixeira Lyra. Então, para manter a coerência a governadora deveria se demitir do governo.
Bomba veiculada
Na reportagem exibida pela TV Record, o servidor da Caixa Econômica Federal, CEF, Amisadai Andrade, que foi cedido ao Governo de Raquel Teixeira Lyra, relat...
A governadora de PE, Raquel Teixeira Lyra, RTL segue firme na sua estratégia de nunca apurar denúncias sobre o seu governo, se livrar dos acusados que são arquivos vivos, e seguir em frente como se nada estivesse acontecendo. A governadora, se livra dos responsáveis, tira a questão do noticiário e chama outras pautas para o problema não render na mídia.
Coerência
Raquel agiu rápido, e ontem mesmo, após a 'bomba' veiculada à noite em rede nacional na televisão, resolveu demitir o auxiliar flagrado com a mão na massa. Só que nesse caso do 'gabinete do ódio' a principal responsável diretamente envolvida e citada na matéria é a própria Raquel Teixeira Lyra. Então, para manter a coerência a governadora deveria se demitir do governo.

Bomba veiculada
Na reportagem exibida pela TV Record, o servidor da Caixa Econômica Federal, CEF, Amisadai Andrade, que foi cedido ao Governo de Raquel Teixeira Lyra, relata, em um vídeo, ter sido chamado pela própria governadora para promover uma campanha para ‘desidratar’ o ex-prefeito do Recife, João Campos, candidato ao Governo do Estado. De acordo com a matéria, a contrapartida viria por meio de contratos de publicidade formados entre o governo de Pernambuco e as páginas contrárias a Campos. O servidor, que atuava na Secretaria de Turismo e Lazer, foi exonerado por meio de uma portaria publicada na edição extra de hoje, quarta-feira, 26/08, do Diário Oficial do Estado.
Edson Vieira destina emenda para fortalecer empreendedorismo em Santa Cruz do Capibaribe
26/08/2026
Os recursos, referentes à Emenda nº 70132/2026, serão direcionados por meio da ação de Desenvolvimento das Cadeias Produtivas do Estado, sob coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco.
A iniciativa tem como objetivo fortalecer as cadeias produtivas do município e fomentar o empreendedorismo em Santa Cruz do Capibaribe, cidade que se destaca nacionalmente pela força do comércio e do Polo de Confecções.
“Santa Cruz do Capibaribe tem no empreendedorismo uma de suas maiores riquezas. Destinar recursos para a CDL é investir em quem gera emprego, movimenta a economia e ajuda a construir oportunidades para nossa gente”, destacou Edson Vieira.
O deputado estadual Edson Vieira (Podemos), representante do Polo de Confecções, destinou uma emenda parlamentar no valor de R$ 140 mil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Cruz do Capibaribe (CDL).
Os recursos, referentes à Emenda nº 70132/2026, serão direcionados por meio da ação de Desenvolvimento das Cadeias Produtivas do Estado, sob coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco.
A iniciativa tem como objetivo fortalecer as cadeias produtivas do município e fomentar o empreendedorismo em Santa Cruz do Capibaribe, cidade que se destaca nacionalmente pela força do comércio e do Polo de Confecções.
“Santa Cruz do Capibaribe tem no empreendedorismo uma de suas maiores riquezas. Destinar recursos para a CDL é investir em quem gera emprego, movimenta a economia e ajuda a construir oportunidades para nossa gente”, destacou Edson Vieira.
O Anjo Negro - Rafael e o Imperador Solitário, por Zé da Flauta*
26/08/2026
Ficou o menino órfão de pai vivo, cercado por mentores austeros que viam no garoto não uma criança, mas um rascunho de Estado. Foi aí que entrou em cena o velho veterano da Guerra da Cisplatina, um homem negro liberto cuja missão dada pelo monarca em fuga era simplesmente ser o que nenhum compêndio de direito constitucional conseguia produzir: o abraço, o refúgio e o abrigo na hora do medo noturno.
Sutil e impecável
Entre uma lição de latim e outra de francês, a infância daquele pequeno Pedro era um cativeiro de etiquetas, mas no quarto de Rafael o reino voltava a ter tamanho de brincadeira. Imagine o futuro gov...
A figura do Negro Rafael sempre me pareceu um desses interlúdios poéticos que a História oficial tenta soterrar sob o peso das coroas e dos decretos. Em 1831, quando Dom Pedro I pegou o rumo de Portugal e deixou para trás um imperador de apenas cinco anos no frio mármore do Paço de São Cristóvão, a diplomacia do Império ruiu.
Ficou o menino órfão de pai vivo, cercado por mentores austeros que viam no garoto não uma criança, mas um rascunho de Estado. Foi aí que entrou em cena o velho veterano da Guerra da Cisplatina, um homem negro liberto cuja missão dada pelo monarca em fuga era simplesmente ser o que nenhum compêndio de direito constitucional conseguia produzir: o abraço, o refúgio e o abrigo na hora do medo noturno.
Sutil e impecável
Entre uma lição de latim e outra de francês, a infância daquele pequeno Pedro era um cativeiro de etiquetas, mas no quarto de Rafael o reino voltava a ter tamanho de brincadeira. Imagine o futuro governante de uma nação continental se escondendo debaixo da cama do seu pajem para escapar dos tutores, ou ouvindo atento os causos de assombrações e pampas que o soldado contava antes de dormir.
A História é sutil e implacável: o Brasil impunha regras solenes para fabricar um monarca perfeito, mas quem moldava a alma e a doçura do soberano era um veterano popular que o ensinava a rir, a tomar banho sem chilique e a encarar os monstros da noite com a coragem de quem já viu a guerra de perto.
Lealdade
Tudo isso nos força a uma reflexão quase filosófica sobre o que realmente sustenta a vida quando o poder se revela uma ilusão de papel. Passaram-se as décadas, o menino virou um governante barbudo e a coroa rodou no chão com a Proclamação da República em 1889. Quando os militares decretaram o exílio da família imperial, de nada valeram os títulos, os gabinetes ou as juras da elite política que trocou de lado ao raiar do dia.
A lealdade verdadeira, aquela que não se compra em cartório nem se exige por decreto, continuava no peito de Rafael. Já velhinho, deixado no Rio de Janeiro enquanto o mar levava o seu "menino", o velho soldado não aguentou a dor do golpe e da despedida, partindo pouco tempo depois de puro desgosto.
Laço invisível
No fim das contas, a trajetória de Rafael e do pequeno Pedro nos ensina que o afeto é a única instituição genuinamente incorruptível. Impérios caem, leis caducam, tronos acumulam poeira e as disputas de poder acabam virando apenas notas de rodapé em livros esquecidos nas estantes. O que permanece atravessando os séculos é o laço invisível e indestrutível construído no silêncio de um quarto, onde um homem simples ensinou a um imperador que a maior grandeza de um ser humano não está no cetro que ele carrega nas mãos, mas no amor e na lealdade com que ele acolhe o outro.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

A Sereníssima Traição, Dos Don Juans e de outras fidelidades políticas, por Jorge Henrique de Freitas Pinho*
26/08/2026
Minha relação eleitoral com Luiz Inácio Lula da Silva começou em 1989 e, para não cometer agora o pecado muito humano de melhorar retrospectivamente a própria biografia, devo confessar que Karl Marx teve pouquíssima responsabilidade pelo episódio.
Eu tinha vinte e cinco anos, três namoradas ao mesmo tempo e duas delas eram petistas. No segundo turno contra Collor, Lula possuía dois terços da bancada feminina do meu pequeno colégio eleitoral sentimental, maioria qualificada suficiente para aprovar praticamente qualquer emenda à minha Constituição hormonal.
Fiz então uma dessas ponderações políticas que a juventude realiza com espantosa objetividade: ou votava em Lula, ou corria sério risco de ficar sem sexo.
...
Há traições que ferem o coração e outras que apenas confirmam o caráter. As primeiras ainda admitem perdão; as segundas exigem memória — sobretudo quando o traído insiste em chamar fidelidade àquilo que não passa de hábito.
Minha relação eleitoral com Luiz Inácio Lula da Silva começou em 1989 e, para não cometer agora o pecado muito humano de melhorar retrospectivamente a própria biografia, devo confessar que Karl Marx teve pouquíssima responsabilidade pelo episódio.
Eu tinha vinte e cinco anos, três namoradas ao mesmo tempo e duas delas eram petistas. No segundo turno contra Collor, Lula possuía dois terços da bancada feminina do meu pequeno colégio eleitoral sentimental, maioria qualificada suficiente para aprovar praticamente qualquer emenda à minha Constituição hormonal.
Fiz então uma dessas ponderações políticas que a juventude realiza com espantosa objetividade: ou votava em Lula, ou corria sério risco de ficar sem sexo.
Votei em Lula.
Há, olhando hoje para aquele rapaz, uma coerência que na época eu evidentemente não percebia: antes de formular qualquer teoria sobre o Don Juan Provedor, eu já apresentava fortes indícios de pertencer à espécie.
Foi talvez por ter conhecido razoavelmente bem o réu — e durante alguns anos ter sido ele — que formei uma pequena teoria sobre os homens mulherengos.
Há entre os Don Juans duas espécies que não convém confundir: o Provedor e o Explorador. O Provedor, tornado incapaz pela vaidade ou por aquilo que prefere atribuir à testosterona de passar incólume por todas as tentações, comete suas escapadas e procura escondê-las com empenho intelectualmente comovente; apanhado praticamente de cueca no motel, ainda tenta produzir uma explicação.
Mas é o mesmo homem que trabalha doze horas, protege a família e corre para o hospital quando todos desaparecem. Reconhece a falha como falha, e é por isso que a esconde.
A situação muda de natureza quando ele chega em casa e anuncia, com a serenidade de quem lê uma cláusula contratual: "Estou traindo, vou continuar traindo, e você terá de aceitar."
Nesse instante morreu o respeito: deixou de tratar o adultério como desvio e passou a tratá-lo como direito.
Já o Explorador é criatura inteiramente diferente. Também gosta de mulheres, mas gosta especialmente do que pode extrair delas — e costuma aparecer quando uma divorciada, magoada, quer provar que acertou ao recomeçar.
Tempo depois, descobre também a pensão: havendo apartamento, desenvolve vocação imobiliária; havendo aplicações, revela-se investidor nato.
O Provedor pode falhar contra aquilo que ama; o Explorador utiliza aquilo que diz amar. Um pode sacrificar-se pela família; o outro sacrifica a família em benefício de si mesmo.
E se o Provedor tiver a sorte de amadurecer, pode descobrir que a mulher mais importante de sua vida sempre esteve em casa. O Explorador não tem essa epifania, porque nunca procurou amor — procurava utilidade.
Foi pensando nisso que percebi que a analogia se tornava ainda melhor quando transportada para a política.
Partidos também pedem fidelidade e recebem, em troca, muito mais que um voto: confiança, tempo, militância, um pedaço da própria biografia do eleitor.
Construiu
O PT construiu, antes de chegar ao poder, uma narrativa que não se apresentava apenas como alternativa política, mas moral: os outros queriam poder, o PT dizia querer justiça social.
O problema de prometer superioridade moral é que o primeiro escândalo não produz apenas crise política. Produz crise teológica.
Então veio o mensalão. Foi o motel do PT. A Ação Penal 470 terminou com condenações de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares por corrupção ativa, e de Marcos Valério e outros por diversos crimes.
O partido que fizera da ética uma de suas maiores bandeiras aparecia envolvido precisamente no tipo de prática que apontava nos adversários — é como encontrar o pastor no prostíbulo: não surpreende só o pecado, mas a lembrança do sermão de domingo.
Vieram depois os cartões corporativos (o Brasil transformou uma tapioca de oito reais em personagem nacional), os aloprados presos num hotel com R$ 1,24 bilhão com prejuízo estimado em centenas de milhões pelo TCU.
Há amantes que levam joias; esta ficou com uma refinaria. Depois veio o petrolão, e a escala mudou: diretores da Petrobras, empreiteiras e operadores financeiros num sistema descrito pela Lava Jato, com a Odebrecht acrescentando um "Setor de Operações Estruturadas" dedicado a pagar propina com sistema eletrônico, planilhas e codinomes.
A função dessa enumeração não é dizer que tudo é juridicamente igual, mas restaurar a memória de uma época em que a vida pública foi sucessivamente ocupada por escândalos enquanto o eleitorado aprendia a fechar cada porta separadamente sem jamais olhar para o corredor inteiro.
O mensalão? Circunstância particular. Pasadena? Erro empresarial. O petrolão? Conduta de alguns diretores. Para cada fato existe explicação parcialmente verdadeira.
O problema
O problema surge quando alguém pergunta se a soma de todas continua explicando o conjunto.
Vieram o tríplex e o sítio de Atibaia.
Lula fora condenado, a sentença do tríplex confirmada pelo TRF4 e examinada pelo STJ, que também rejeitara a tese de incompetência de Curitiba.
Em 2021, porém, ao apreciar o HC 193.726, o relator declarou monocraticamente a incompetência da 13ª Vara e anulou os atos decisórios de quatro ações penais; o Plenário confirmou depois a decisão por oito votos a três.
A reviravolta tem uma curiosidade processual digna de Machado: a defesa opusera embargos contra a remessa do caso ao Plenário; os embargos não eram propriamente a chave da porta, mas foram a campainha — tocaram, e a casa inteira se abriu.
As condenações deixaram juridicamente de existir, e isso deve ser respeitado. O que não existiu foi novo julgamento do mérito declarando Lula inocente: anulados os atos que interrompiam os prazos, entrou em cena o mais antigo dos advogados, o tempo.
No tríplex, o próprio Ministério Público reconheceu a prescrição e pediu o arquivamento; no sítio de Atibaia, a Justiça de Brasília rejeitou a denúncia reapresentada e declarou extinta, quanto a Lula, a punibilidade pela prescrição.
Absolvição
Absolvição responde à acusação; prescrição impede que a Justiça continue a respondê-la. Descobrir que o juiz do divórcio era incompetente pode anular a sentença; não devolve virgindade ao casamento.
Foi então que a imagem da mulher do bicheiro me pareceu útil. Ela vive bem, ganha joias, viagens, carinho; a cidade comenta que o dinheiro não nasce de atividade ortodoxa, que a polícia recebe favores, que inimigos têm destinos desagradáveis — mas cada fato possui explicação, e o cadáver é sempre de alguém distante.
Um dia, porém, ela encontra batom na camisa. Nesse instante descobre que o marido é um canalha.
A resposta é simples e terrivelmente humana: todas aquelas coisas aconteciam com os outros; o batom aconteceu com ela.
Não posso, contudo, posar de homem superior a quem permaneceu fiel: comecei este artigo confessando que votei em Lula porque duas das três namoradas eram petistas.
Talvez eu também tenha tolerado sinais enquanto acreditava estar diante de um Provedor político imperfeito.
Foi, afinal, a grande defesa moral do petismo: podia haver mensalão, Pasadena, petrolão; quando a conversa apertava, havia sempre a carta capaz de interromper a partida — "e os pobres?".
A pergunta tem força porque os pobres existem e não podem esperar os economistas terminarem suas teses.
Mas o problema não é a ajuda; é saber se a política foi concebida como ponte ou como endereço.
Bolsa Família
Em junho de 2026, o Bolsa Família alcançava 19,34 milhões de famílias; vieram o Pé-de-Meia e o Gás do Povo. São benefícios para necessidades reais.
Mas um programa verdadeiramente emancipador deveria carregar vocação suicida: desejar tornar-se desnecessário.
Quando a grande vitória política passa a ser ampliar indefinidamente o número de dependentes, surge a dúvida: estamos diminuindo a dependência ou aperfeiçoando sua administração?
O Explorador também é generoso, mas sua generosidade tem uma condição oculta: nunca tornar a beneficiária forte o bastante para dispensá-lo.
Diante da alta dos alimentos, em fevereiro de 2025, Lula ofereceu solução de simplicidade quase monástica: se o produto está caro, não compre.
Décadas de leitura econômica não me haviam preparado para tamanho encontro entre macroeconomia e Quaresma.
Em agosto de 2026, a teoria evoluiu: talvez o brasileiro estivesse "comprando mais coisa" e precisasse de educação financeira.
Em pouco mais de um ano, o consumidor passou de vítima da carestia a suspeito do próprio carrinho — ironia curiosa para quem construiu a narrativa de ter colocado o pobre para consumir.
A explicação, ao que parece, tem mais de um autor. Dez dias antes de Lula recorrer à mesma tese, a comentarista Miriam Leitão já explicava ao país, na TV Globo, que a alta dos preços era apenas uma "sensação" — os índices desaceleram, mas o consumidor insiste em notar que o dinheiro não rende.
Não é exagero de quem nunca foi ao mercado: o pacote de café moído de 250 gramas, que rondava cinco reais em 2022, hoje passa de vinte; a carne bovina acumula alta superior a 40% em dois anos e bateu recorde histórico no atacado em 2026.
São números oficiais, não impressão nervosa — e, ainda assim, milhares de brasileiros de baixa renda documentam nas redes sociais, celular em punho, o mesmo carrinho de compras encolhendo a cada visita ao supermercado.
A fórmula, no entanto, tem futuro promissor. Se preço alto é sensação, é questão de tempo até que algum assaltante mais bem assessorado explique à vítima que não houve assalto, apenas uma sensação de assalto — a arma estava lá, é verdade, mas o revólver, tecnicamente, nunca chegou a disparar.
E o Brasil já possui
precedente institucional para a manobra: o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 registrou mais de quarenta mil mortes violentas intencionais no país — a menor taxa da série histórica, é verdade, mas ainda assim o equivalente a uma cidade de porte médio inteira assassinada em doze meses — e atribuiu a persistência do medo popular a "narrativas midiáticas" e à "falta de coesão social".
Não seria surpresa se, no próximo discurso, alguém explicasse que trancar a porta à noite é apenas uma sensação de insegurança, estatisticamente irrelevante e emocionalmente infundada.
Não é preciso um bilhete assinado por Lula dizendo "baixe a inflação antes da eleição" para considerar politicamente relevante o que ocorreu no IBGE.
Márcio Pochmann, escolha pessoal do presidente, presidira a Fundação Perseu Abramo e o Instituto Lula; sua indicação sofreu resistência interna e uma carta de cerca de cem servidores acusou a gestão de condução "autoritária, política e midiática" — o instituto rejeita as acusações, e as duas informações devem permanecer lado a lado.
Mudança
O que certamente ocorreu foi mudança de régua: a PNAD Contínua foi reponderada em 2025 com novos pesos populacionais, e a metodologia de transporte nos índices de preços mudou em 2026.
Pode até ter justificativa estatística; o que não pode é ser tratada como objeto imune a escolhas humanas.
E há a prestidigitação sem falsificar um único número: quem desistiu de procurar emprego não conta como desempregado. A estatística estará correta; o sujeito continuará em casa.
Há um componente brasileiro que torna esse casamento ideológico particularmente resistente: votamos como torcemos por futebol.
Não escolhemos a camisa examinando balanço e governança; alguém que amávamos nos deu aquela camisa quando éramos crianças, e o tecido passa a representar nossa própria história.
O presidente do clube pode ser incompetente ou corrupto; o torcedor xinga o presidente e continua amando a camisa.
Política
Na política, essa distinção desaparece: a estrela do PT não representa mais o diretório atual, mas o pai operário, a mãe que recebeu o primeiro benefício, Lula sendo carregado num comício antigo.
O mesmo vale para outros campos — há bolsonaristas que defendem Bolsonaro como vascaíno defende o Vasco depois de uma temporada que a prudência recomendaria esquecer.
A diferença é que, no futebol, o presidente incompetente perde apenas o campeonato; na política, mexe no imposto, na aposentadoria, no preço do jantar.
O placar chega dentro de casa.
Imagino aqui a objeção que, no Brasil, adquiriu a curiosa propriedade de encerrar qualquer conversa antes de respondê-la: "e Bolsonaro?"
Bolsonaro possui pecados suficientes para dispensar empréstimos — a recusa da vacina, a máscara transformada em fronteira metafísica da liberdade, o inquérito sobre a baleia jubarte, arquivado depois por falta de prova de intenção.
Mas não descobri em que medida uma baleia absolve Pasadena, ou a falta de máscara fecha o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.
Se uma mulher encontra recibo de motel no bolso do marido, não lhe restitui a tranquilidade descobrir que o marido da vizinha frequenta o mesmo estabelecimento; o recibo continuará no bolso.
Há joias sauditas, é verdade, e houve investigação sobre seu destino — mas isso não converte em ficção o fato de que, quando Lula deixou a Presidência em 2011, foram necessários onze caminhões para transportar cerca de 1,4 milhão de itens de seu acervo, entre cartas, fotografias, livros, condecorações e milhares de presentes reunidos durante oito anos de poder.
Não eram onze caminhões de Rolex, evidentemente; oito anos, porém, oferecem ao colecionador oportunidades que quatro dificilmente proporcionam.
Relógio
Aliás relógio não lava relógio, e joia saudita tem escassíssima capacidade química de dissolver uma refinaria no Texas.
Sobre a tentativa de ruptura institucional atribuída a Bolsonaro a partir de sua estada na Disney, que resultou em condenações no Supremo, não pretendo misturá-la à baleia ou às joias — pertence a categoria diferente e merece discussão própria.
Ainda assim, mesmo atribuindo a Bolsonaro todos os males políticos imagináveis, nenhum deles transfere retrospectivamente o mensalão para outro partido, transforma Pasadena em bom negócio ou converte prescrição em absolvição.
O torcedor precisa que o rival perca para sentir que seu clube venceu; o cidadão deveria descobrir que o adversário é péssimo sem concluir, por isso, que o próprio dirigente adquiriu caráter.
E é assim que ainda vejo a família do bicheiro reunida à mesa. Surge o mensalão e alguém lembra Bolsonaro; aparece Pasadena e outro fala das joias; a avó reclama do supermercado e recebe uma aula sobre inflação; alguém pergunta pelo INSS e imediatamente surge o ressarcimento; fala-se em Lulinha e um parente descobre a urgência de discutir Trump.
O velho bicheiro quase não precisa defender-se. Serve-se tranquilamente enquanto a família produz, de graça, as explicações necessárias à continuidade do casamento.
Talvez seja esse o triunfo definitivo do Explorador: não enganar eternamente quem o ama, mas ensiná-lo a fabricar sozinho as próprias desculpas.
Olho para essa mesa sem fingir que jamais me sentei nela. Em 1989, sentei com entusiasmo suficiente para perder o direito à pose de profeta.
O tempo
O tempo alterou a correlação de forças: a testosterona perdeu cadeiras, a experiência conquistou algumas, e fui aprendendo que amadurecer talvez consista em distinguir a fraqueza humana do defeito de caráter — o homem que ama apesar de seus vícios daquele que transforma o amor alheio em instrumento de exploração.
Na política, depois de tantos anos, a pergunta que me interessa não é quantos benefícios foram distribuídos ou quantas casas decimais favoreceram o palanque.
É outra: o governante deseja cidadãos fortes o bastante para um dia não precisar dele, ou eleitores dependentes o bastante para jamais ousar o divórcio?
Peço apenas ao leitor que considere minha circunstância atenuante: em 1989 eu tinha vinte e cinco anos, uma libido ainda pouco afeita à moderação, três namoradas, duas petistas e uma correlação de forças absolutamente adversa.
É verdade que o voto era secreto, mas eu ainda não aprendera com Brasília que uma coisa é o que se faz na cabine de votação e outra o que se declara à base aliada.
Era Lula ou não tinha sexo com duas delas.
(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências Jurídicas e Letras do Amazonas.
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