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É Findi - Pega! Crônica, por AJ Fontes*

10/05/2025

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Dinheiro na mão é vendaval.

Ressoava uma das tantas músicas que ouvimos no show de Paulinho da Viola no Classic hall, ao chegarmos em um bar participante do Comida de Buteco, próximo ao Mercado da Encruzilhada.
Meio aos nacos do salgado principal da casa, goles de caipirinha, cerveja e rum com coca-cola, o prezado compositor e cantor Nuca Sarmento percebeu que estávamos no Antiquário. Era esse o nome do bar, nos idos de 1970, onde o amante da boa música cantava acompanhado de seu violão.
Ele recordou uma das muitas noites que tocou e cantou lá. Tomava os últimos goles de rum misturado, depois da apresentação, enquanto o amigo e proprietário tentava convencê-lo de dormir no sofá do escritório. Nuca agradeceu, mas queria mesmo era encostar a cabeça no seu travesseiro. Guardou o instrumento, colocou nas costas e disse até logo.

Cabeça baixa, seguiu pela calçada do mercado, alheio ao vazio da noite, contando de cabeça os cruzeiros guardado...

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Dinheiro na mão é vendaval.

Ressoava uma das tantas músicas que ouvimos no show de Paulinho da Viola no Classic hall, ao chegarmos em um bar participante do Comida de Buteco, próximo ao Mercado da Encruzilhada.
Meio aos nacos do salgado principal da casa, goles de caipirinha, cerveja e rum com coca-cola, o prezado compositor e cantor Nuca Sarmento percebeu que estávamos no Antiquário. Era esse o nome do bar, nos idos de 1970, onde o amante da boa música cantava acompanhado de seu violão.
Ele recordou uma das muitas noites que tocou e cantou lá. Tomava os últimos goles de rum misturado, depois da apresentação, enquanto o amigo e proprietário tentava convencê-lo de dormir no sofá do escritório. Nuca agradeceu, mas queria mesmo era encostar a cabeça no seu travesseiro. Guardou o instrumento, colocou nas costas e disse até logo.

Cabeça baixa, seguiu pela calçada do mercado, alheio ao vazio da noite, contando de cabeça os cruzeiros guardados no bolso e se dava por satisfeito ter o suficiente para a passagem e meia carteira de minister.
Espantou-se quando sentiu um peso sobre os ombros. Quis se afastar, mas não conseguiu. Um sujeito segurou com firmeza, encostou a boca no ouvido dele.

— Se aperrei não. Só quero o dinheiro.
— Bicho, sobrou o da passagem de ônibus.
— Faça isso não com seu irmão. Preciso levar algum pra casa.

No meio da conversa do que parecia ser de dois amigos no fim de uma farra, o sujeito passou a mão no couro às suas costas e fez nosso amigo se encolher, fechar os olhos. Rápido buscou desviar a atenção.

- Cara, tem gente em algum lugar com dinheiro.

Não teve jeito. Com os olhos fixos e um sorriso se abrindo.

— É um violão, né?
— É com ele que faturo algum. Faz isso não.
— Então...

O sorriso se completou e ele esfregou os dedos na altura dos olhos.
Choroso, olhando as pedras da calçada, entregou o dinheiro amassado, continuou andando. O silêncio fez Nuca voltar a cabeça para o lado e não viu mais o sujeito. Parou, deu meia volta para o bar. Três passos adiante e percebeu alguém caminhando ao lado.

— Passa o dinheiro, senão leva.

O cantor abriu os braços.

— Porra! Acabei de ser assaltado.
— Foi mesmo. Eu vi. Parados no meio da rua, sob o facho da luz do poste, o novato escaneia Nuca.
— O quê é isso aí no bolso?

Desalentado, Nuca retira uma carteira amassada com o último cigarro.

— Aí, velho, te manda que é perigoso andar por aqui.

Em um passe de mágica, as sombras o engoliram.
O autor do frevo Pernambucana, estático, parecia contar as folhas caídas das árvores quando viu chegar um par de pés descalços.

— Moço, tem um dinheiro aí?
— Você tá brincando, né?
— Tá certo, eu vi tudo. Aperrei não que eu levo o senhor no bar.

À maneira dos anteriores, também se escafedeu.

Nuca resolveu encarar as risadas do amigo, no Antiquário. Encostou o pinho em uma cadeira e embarcou no sofá de onde acordou com o sol na cara, saindo de um sonho e gritando.

— Pega ladrão!

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*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.

Leia outras informações

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Nenhum Passo Atrás – por Virgínia Pignot*

15/10/2026

Boas Notícias para o Campo Progressista


Manifestações em defesa da candidatura Lula se equiparam àquelas pelas Diretas Já.

Depois da ressaca ou da tristeza do resultado do primeiro turno, o país se surpreendeu com a espontaneidade e a grandeza das manifestações populares nas ruas, em defesa da candidatura Lula e do campo progressista, parecidas com as manifestações no final da ditadura pelas Diretas Já. Nas ruas repletas de estudantes, e nas redes sociais encontram-se relatos e apelos de pessoas ilustres, de todas as classes sociais, de idades e espectro político variado, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Professor de economia Luiz Gonzaga Belluzo, Agora as pesquisas de opinião mostram uma redução da diferença entre os dois candidatos a dois pontos percentuais.
Nesta matéria, vamos fazer um pequeno resumo das informações que podem trazer esperança ao time do Lula, em contraponto à ambiguidade e às vezes falsidade de ma...

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Boas Notícias para o Campo Progressista


Manifestações em defesa da candidatura Lula se equiparam àquelas pelas Diretas Já.

Depois da ressaca ou da tristeza do resultado do primeiro turno, o país se surpreendeu com a espontaneidade e a grandeza das manifestações populares nas ruas, em defesa da candidatura Lula e do campo progressista, parecidas com as manifestações no final da ditadura pelas Diretas Já. Nas ruas repletas de estudantes, e nas redes sociais encontram-se relatos e apelos de pessoas ilustres, de todas as classes sociais, de idades e espectro político variado, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Professor de economia Luiz Gonzaga Belluzo, Agora as pesquisas de opinião mostram uma redução da diferença entre os dois candidatos a dois pontos percentuais.
Nesta matéria, vamos fazer um pequeno resumo das informações que podem trazer esperança ao time do Lula, em contraponto à ambiguidade e às vezes falsidade de manchetes da mídia que representa os seus interesses e do mercado financeiro.

Nenhum Passo Atrás

L.G. Belluzzo fala da tensão sempre presente nas sociedades capitalistas entre as necessidades e aspirações coletivas de boa vida dos cidadãos, e os interesses dos senhores que realizam o valor da sua riqueza por meio do mercado. Segundo ele, o jogo da extrema-direita bolsonarista no poder trouxe “o avanço no atraso”, como provam: - os ataques às vacinas que produziu a volta do sarampo em S. Paulo; - a fila do osso, a volta do Brasil ao mapa da fome nos governos Temer e Bolsonaro; o incentivo ao ódio, à violência e à polarização politica: as pautas do Centrão aliado à extrema direita, no terceiro governo Lula, que só agora, na iminência de uma virada no segundo turno, aceita a proposta da escala de 5 dias de trabalho, para 2 de repouso para o trabalhador, sem perda de salário.

Flávio botou as unhas pra fora

Animado com o resultado do primeiro turno, Flávio Bolsonaro começou a falar de seus planos, entre eles, o de modificar a Constituição. A Constituição de 88 trouxe benefícios e o estabelecimento de direitos que haviam sido espezinhados durante a ditadura militar. Direito à moradia, à escola, à merenda escolar, a investimentos em material agrícola, em ferrovias, em portos e em estradas para facilitar o escoamento e comercialização de produtos, sejam eles industriais, artesanais, do agro negocio, da agricultura familiar. Investimentos que trazem recursos, melhoram o nível de vida das pessoas, e aumentam o PIB brasileiro, mas que são atacados pela extrema direita, parte do Centrão, e do mercado financeiro. A Candidatura de Flávio Bolsonaro é apoiada pelos grandes capitalistas e imperialistas aliados à Trump. por rentistas e bilionários que vivem mamando nas tetas do dinheiro publico com a absurda e injustificável taxa de juros brasileira, pelo mercado financeiro que lava dinheiro do crime organizado, assim como pela parte do povo insatisfeito, que pensa que a mudança do sistema lhe sera favorável. No entanto, a modificação da Constituição sugerida por Flávio Bolsonaro, se eleito, traria provável redução de direitos para a maioria do povo brasileiro.

Apoios e ataques

FHC, outrora adversário de Lula, mas do campo democrático, convida a votar por ele.

Os estudantes produzem cartazes e soltam a voz, por exemplo: “Se o povo se unir, Bolsonaro vai cair. Ditadura nunca mais. Em Terra de Lula Bolsonaro não se cria. Pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro. Em defesa da vida da juventude. Nós vamos enterrar o fascismo. Não voltaremos a ser colônia. O Brasil não é quintal de ninguém. Pela nossa periferia, contra o racismo, contra o machismo”.

Concluindo com Belluzzo

Convidamos os indecisos a não dar um passo para trás, e não colocar milicianos de tendência autoritária no poder. O jogo de interesses opostos exige um exercício de mediação dos governos comprometidos com a soberania popular, com o bem-estar e a liberdade dos cidadãos.

Belluzzo: “Sugeri a um amigo amante do futebol, que, frente a perspectiva do cadeado armado pelos adversários da civilização, colocar Lula, excelente driblador e mediador no poder é a solução.”

*Virgínia Pignot é médica e articulista. Mora em Toulouse, França, desde os anos 1980.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Debate - Crônica Poética - Por Romero Falcão*

15/10/2026

Máquina
máquina de fazer imbecis
quem pode debater?

Debater, debater, pra quê?
se a frase de efeito
é o jeito do vazio crescer

Fazer do debate um abate
pra ninar minha rede?

Máquina de fazer imbecis

Ideias claras já não clareiam
argumento é canto de sereia

Pensar um Brasil profundo, maduro
num mundo de meme?
É como distrair o rato
num pacto de ratoeira

Máquina de fazer imbecis
e outras coisitas mais

Máquina que reduz problemas complexos
a dancinhas sensuais

Máquina de fazer imbecis
com ritmo encantador
cachorro discute com o rabo
panela detrata o calor

Máquina de fazer imbecis

Eu, feito imbecil garboso
me sinto uma linda casca
casca que zomba do ovo


*Romero Falcão é cronista e poe...

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Máquina
máquina de fazer imbecis
quem pode debater?

Debater, debater, pra quê?
se a frase de efeito
é o jeito do vazio crescer

Fazer do debate um abate
pra ninar minha rede?

Máquina de fazer imbecis

Ideias claras já não clareiam
argumento é canto de sereia

Pensar um Brasil profundo, maduro
num mundo de meme?
É como distrair o rato
num pacto de ratoeira

Máquina de fazer imbecis
e outras coisitas mais

Máquina que reduz problemas complexos
a dancinhas sensuais

Máquina de fazer imbecis
com ritmo encantador
cachorro discute com o rabo
panela detrata o calor

Máquina de fazer imbecis

Eu, feito imbecil garboso
me sinto uma linda casca
casca que zomba do ovo


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda


NR - Os textos assinados refletem a opinião e inspiração dos seus autores. O Poder evita publicar textos militantes e estimula o livre confronto de ideias.



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Avibras e a Soberania Tecnológica: O Futuro de uma das Principais Capacidades Estratégicas da Defesa Brasileira - Por Amadeu Robalinho*

15/10/2026

A Aquisição do controle acionário da Avibras Indústria Aeroespacial pela Globe Investimentos, family office pertencente aos empresários Joesley e Wesley Batista, tornou-se definitiva no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade, após o encerramento do prazo regulamentar para apresentação de recursos e contestações à decisão da Superintendência-Geral do órgão.

Com o aval antitruste irrestrito, consolida-se a transferência do controle de um dos mais relevantes ativos tecnológicos da Base Industrial de Defesa, BID, brasileira. Mais do que uma operação societária, trata-se de uma movimentação que envolve capacidades industriais, conhecimento tecnológico, propriedade intelectual e competências diretamente relacionadas à autonomia estratégica do Estado brasileiro.

Conforme anunciado anteriormente pela Avibras Aeroco, a operação prevê a aquisição da totalidade das ações da Nova AVB, atualmente sob controle do fundo Brasil Crédito. O valor da tra...

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A Aquisição do controle acionário da Avibras Indústria Aeroespacial pela Globe Investimentos, family office pertencente aos empresários Joesley e Wesley Batista, tornou-se definitiva no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade, após o encerramento do prazo regulamentar para apresentação de recursos e contestações à decisão da Superintendência-Geral do órgão.

Com o aval antitruste irrestrito, consolida-se a transferência do controle de um dos mais relevantes ativos tecnológicos da Base Industrial de Defesa, BID, brasileira. Mais do que uma operação societária, trata-se de uma movimentação que envolve capacidades industriais, conhecimento tecnológico, propriedade intelectual e competências diretamente relacionadas à autonomia estratégica do Estado brasileiro.

Conforme anunciado anteriormente pela Avibras Aeroco, a operação prevê a aquisição da totalidade das ações da Nova AVB, atualmente sob controle do fundo Brasil Crédito. O valor da transação não foi divulgado.

O ponto central, entretanto, não está apenas na composição societária da empresa, mas na capacidade de o novo controlador assegurar a continuidade e a recuperação das competências estratégicas acumuladas pela Avibras ao longo de décadas.

Entre essas capacidades encontram-se programas diretamente relacionados às necessidades das Forças Armadas brasileiras e ao mercado internacional de defesa.

No campo do Sistema ASTROS II e do ASTROS 2020, a expectativa é de retomada e continuidade do suporte logístico integrado, da modernização das viaturas lançadoras e de suprimento, além do fornecimento das munições da família de foguetes SS-30, SS-40, SS-60 e SS-80.

Outro componente de elevada relevância estratégica é o Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300, cuja continuidade representa não apenas a preservação de uma capacidade de defesa de longo alcance, mas também a manutenção, no território nacional, de conhecimento especializado associado ao desenvolvimento de sistemas complexos de armas.

A preservação da propriedade intelectual e das competências industriais relacionadas ao programa possui dimensão que ultrapassa os limites de um produto específico. O domínio de tecnologias de propulsão, motores-foguete e compostos de combustível sólido constitui capacidade dual, com aplicações que alcançam tanto projetos de defesa quanto iniciativas estratégicas do Programa Espacial Brasileiro.

É justamente nesse ponto que a operação deve ser observada sob a perspectiva da soberania tecnológica.

A soberania de uma nação não se limita à posse formal de empresas ou à existência de equipamentos produzidos em seu território. Ela depende da capacidade de desenvolver, produzir, manter, modernizar e, quando necessário, empregar tecnologias críticas sem depender integralmente de decisões tomadas fora de suas fronteiras.

Nesse sentido, a manutenção da Avibras em território brasileiro pode representar, ao menos neste primeiro momento, uma barreira à desnacionalização de competências consideradas estratégicas. A permanência do parque industrial de Jacareí, no Vale do Paraíba, preserva uma concentração de conhecimento, infraestrutura produtiva, recursos humanos especializados e propriedade intelectual que dificilmente poderia ser reconstruída rapidamente caso fosse perdida.

Mas soberania tecnológica não se sustenta apenas com a preservação de fábricas.

É necessário existir demanda.

Uma Base Industrial de Defesa não sobrevive exclusivamente de capacidade instalada. Ela necessita de contratos, previsibilidade, encomendas de longo prazo, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e uma política de Estado capaz de transformar necessidades estratégicas das Forças Armadas em demanda industrial sustentável.

Por isso, o futuro da Avibras dependerá não apenas da capacidade financeira de seu novo controlador, mas também da disposição do Estado brasileiro em estabelecer previsibilidade orçamentária e transformar intenções estratégicas em contratos efetivos.

Essa é uma questão fundamental.

Quando o Estado brasileiro deixa de contratar suas próprias tecnologias estratégicas, não está simplesmente reduzindo uma despesa. Pode estar contribuindo para a perda de competências industriais, para a dispersão de recursos humanos especializados e para a dependência tecnológica futura.

Defesa, indústria e soberania formam, portanto, um sistema integrado.

A recuperação da Avibras deve ser compreendida dentro dessa equação. O objetivo estratégico não deveria ser apenas salvar uma empresa, mas preservar e ampliar uma capacidade nacional de engenharia, produção e inovação em sistemas de defesa e tecnologias de elevado conteúdo estratégico.

A verdadeira soberania começa quando uma nação possui capacidade para decidir, desenvolver e produzir aquilo que considera essencial à sua própria segurança.

No caso da Avibras, a questão que se coloca ao Brasil é direta: queremos apenas possuir empresas de defesa ou queremos possuir capacidade nacional de produzir poder estratégico?

A resposta determinará se o país será apenas consumidor de tecnologias críticas ou se permanecerá capaz de projetar, fabricar e sustentar os instrumentos necessários à defesa de sua soberania.


*Amadeu Robalinho, é Pesquisador independente e autor interdisciplinar, associado à Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




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Operários do like - A servidão voluntária do século XXI, por Zé da Flauta*

15/10/2026

Antigamente, para o sujeito se sentir alguém no mundo, o sarrafo era outro. O caboclo precisava plantar uma árvore, escrever um livro, criar os filhos com dignidade ou, no mínimo, levantar uma parede no prumo.

Havia um suor tangível, um tempo de maturação, uma poeira da vida que grudava na pele e dava o peso da conquista. Hoje, a realização pessoal foi transferida para um retângulo de vidro de cinco polegadas. Trocou-se a pedra de Sísifo pelo scroll infinito, e o resultado é uma transformação avassaladora, onde a nossa própria humanidade virou moeda de troca numa liquidação em massa.

Solidão

Do ponto de vista afetivo e social, viramos mascotes do nosso próprio ego. O afeto, que costumava ser o olho no olho num balcão de botequim ou o silêncio compartilhado no alpendre, virou métrica de desempenho. Ninguém mais se apaixona por uma pessoa de carne e osso, com chulé e contradições; apaixona-se pelo perfil curado, pela foto no ângulo cer...

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Antigamente, para o sujeito se sentir alguém no mundo, o sarrafo era outro. O caboclo precisava plantar uma árvore, escrever um livro, criar os filhos com dignidade ou, no mínimo, levantar uma parede no prumo.

Havia um suor tangível, um tempo de maturação, uma poeira da vida que grudava na pele e dava o peso da conquista. Hoje, a realização pessoal foi transferida para um retângulo de vidro de cinco polegadas. Trocou-se a pedra de Sísifo pelo scroll infinito, e o resultado é uma transformação avassaladora, onde a nossa própria humanidade virou moeda de troca numa liquidação em massa.

Solidão

Do ponto de vista afetivo e social, viramos mascotes do nosso próprio ego. O afeto, que costumava ser o olho no olho num balcão de botequim ou o silêncio compartilhado no alpendre, virou métrica de desempenho. Ninguém mais se apaixona por uma pessoa de carne e osso, com chulé e contradições; apaixona-se pelo perfil curado, pela foto no ângulo certo com filtro de praia.
Nosso cérebro, moldado ao longo de milênios para buscar pertencimento em tribos de trinta pessoas, hoje surta ao tentar processar a validação de dez mil desconhecidos. O resultado psicológico é trágico: uma epidemia de solidão acompanhada, onde todo mundo fala para uma plateia invisível, mas ninguém tem para quem ligar quando a luz apaga e o vazio bate no peito.

Expressão x conteúdo

Na arte e na cultura, a tragédia é ainda mais gritante. O algoritmo virou o grande curador da alma humana. Aquele som cru de percussão e pífano que rasgava o peito na feira de Caruaru, feito para estorvar e fazer dançar no chão batido, hoje precisa caber nos primeiros três segundos de um vídeo curto para não ser descartado com um toque de polegar.

A arte deixou de ser a expressão dolorosa e visceral do artista para virar "conteúdo". O valor de uma obra não é mais a sua profundidade, o seu peso ou a sua capacidade de fazer o sujeito encarar as próprias ruínas; é a sua capacidade de virar trend, de ser replicada por milhares de pessoas fazendo a mesma dancinha genérica diante da câmera. Matou-se a matriz em nome do molde industrial.

Ápice

E onde o calo aperta de verdade é no bolso e na própria ideia de trabalho. A economia digital vendeu o conto de fadas da libertação financeira: "Seja seu próprio chefe, trabalhe na praia, monetize o seu estilo de vida!". O que não avisaram na entrelinha do contrato é que, quando você monetiza o seu estilo de vida, o seu próprio descanso vira trabalho.

O sujeito não toma mais um café pensando no gosto do grão; toma pensando no story que vai gerar. Viramos todos operários de uma fábrica invisível, onde nós fornecemos a matéria-prima (nossa atenção, nossa intimidade, nossa raiva) e os donos das redes cobram o pedágio. É o ápice do capitalismo de espetáculo: o trabalhador se esfola de trabalhar para o algoritmo, não ganha direitos trabalhistas, paga a conta da internet do próprio bolso e ainda comemora porque ganhou quinhentos likes no final do dia. A gente ri da bizarrice, posta o meme da semana para não chorar, mas o nó na garganta continua lá.

Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista



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Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano promove palestra sobre Surubim e lança livro de Fernando Guerra

15/10/2026

O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) promove, neste sábado (17/10), às 10h, a palestra “Histórias de Surubim”, ministrada pelo escritor, historiador, artista plástico e sócio correspondente da instituição, Fernando Farias Guerra. O evento ocorre no auditório da entidade, localizado na Rua do Hospício, nº 130, no bairro da Boa Vista, no Recife.

Lançamento

Na ocasião, haverá o lançamento de duas obras do autor. A primeira é “O boi Surubim: a história do boi que deu nome ao município de Surubim”, uma pesquisa sobre a origem do animal associado à denominação da cidade e às raízes do gado da época.



“Faca de ponta afiada & outras estórias”

A segunda, é “Faca de ponta afiada & outras estórias”, uma coletânea de contos ficcionais, reconhecida com menção honrosa no III Prêmio Literário (2015), a mais importante premiação do setor no Estado. O escritor também assina os títu...

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O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) promove, neste sábado (17/10), às 10h, a palestra “Histórias de Surubim”, ministrada pelo escritor, historiador, artista plástico e sócio correspondente da instituição, Fernando Farias Guerra. O evento ocorre no auditório da entidade, localizado na Rua do Hospício, nº 130, no bairro da Boa Vista, no Recife.

Lançamento

Na ocasião, haverá o lançamento de duas obras do autor. A primeira é “O boi Surubim: a história do boi que deu nome ao município de Surubim”, uma pesquisa sobre a origem do animal associado à denominação da cidade e às raízes do gado da época.



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“Faca de ponta afiada & outras estórias”

A segunda, é “Faca de ponta afiada & outras estórias”, uma coletânea de contos ficcionais, reconhecida com menção honrosa no III Prêmio Literário (2015), a mais importante premiação do setor no Estado. O escritor também assina os títulos “A confissão da pedra e outros poemas”, lançado em 2011, e “Memória das Vaquejadas de Surubim publicado em 2017”.

A programação

A programação tem entrada gratuita e confere certificado de participação. Após a exposição e a sessão de autógrafos, o encerramento contará com uma apresentação de choro e Música Popular Brasileira (MPB), executada pelos músicos Lucas Guerra no violão, Guiga Rocha no bandolim e Anderson Botelho no pandeiro.



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Torneio de Vôlei deve reunir cerca de 100 atletas em Arena de Jaboatão dos Guararapes

15/10/2026

O vôlei que começou para muitos ainda na juventude continua vivo na areia, agora com novas histórias, reencontros e a mesma vontade de competir. No dia 17 de outubro, a Arena Azure, em Piedade, no Jaboatão dos Guararapes, recebe mais uma edição do Verão na Rede, único torneio de vôlei de praia exclusivamente master de Pernambuco. A competição, que realiza seu segundo torneio em 2026, deve reunir cerca de 100 atletas nas categorias master.



O evento

Realizado pela AC Eventos, o Verão na Rede nasceu da iniciativa da empresária, jornalista e atleta master amadora Andréa de Carvalho, que decidiu investir em um segmento que vem conquistando cada vez mais espaço: homens e mulheres que mantêm uma rotina ativa, treinam, competem e encontram no esporte uma importante ferramenta de saúde física, bem-estar mental e convivência social.


Propósito

Mais do que disputar medalhas, o torneio tem como propósi...

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O vôlei que começou para muitos ainda na juventude continua vivo na areia, agora com novas histórias, reencontros e a mesma vontade de competir. No dia 17 de outubro, a Arena Azure, em Piedade, no Jaboatão dos Guararapes, recebe mais uma edição do Verão na Rede, único torneio de vôlei de praia exclusivamente master de Pernambuco. A competição, que realiza seu segundo torneio em 2026, deve reunir cerca de 100 atletas nas categorias master.



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O evento

Realizado pela AC Eventos, o Verão na Rede nasceu da iniciativa da empresária, jornalista e atleta master amadora Andréa de Carvalho, que decidiu investir em um segmento que vem conquistando cada vez mais espaço: homens e mulheres que mantêm uma rotina ativa, treinam, competem e encontram no esporte uma importante ferramenta de saúde física, bem-estar mental e convivência social.


Propósito

Mais do que disputar medalhas, o torneio tem como propósito proporcionar aos atletas master um espaço pensado especialmente para eles, respeitando as faixas etárias e valorizando a competitividade de maneira equilibrada.



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Encontros

Para Giovanni Amadeu Paiva dos Santos, professor universitário e atleta amador, uma das características mais especiais que o evento adquiriu desde sua criação foi a capacidade de promover reencontros.

“Desde a primeira vez que participei do Verão na Rede, percebi que ele era muito mais do que um torneio. Por ser exclusivamente master, é também um espaço de reencontros com amigos de tantos anos, que continuam ativos e fazendo o que amam: jogar vôlei! No fim, o Verão na Rede é isso: uma grande confraternização de atletas amadores masters apaixonados pelo voleibol!”, destaca o professor.


Uma geração que continua em movimento

O crescimento do esporte master acompanha uma geração que não enxerga a idade como motivo para abandonar a prática esportiva. São atletas amadores que conciliam trabalho, família e outras responsabilidades com uma rotina de treinos e competições.

Busca valorizar


É justamente esse público que o Verão na Rede busca valorizar. Em cada edição, cerca de 100 atletas passam pelo torneio, mostrando que existe espaço — e demanda — para eventos esportivos direcionados especificamente à categoria master.

Nesta edição, as disputas serão realizadas em duplas e quartetos, envolvendo categorias femininas, masculinas e mistas, com destaque para as faixas 40+ e 50+, de acordo com a programação oficial da competição.

Além dos jogos, o Verão na Rede aposta na experiência proporcionada aos participantes. A proposta é criar um ambiente de acolhimento e integração, no qual o atleta possa competir, encontrar amigos, confraternizar e aproveitar toda a estrutura preparada para o evento.



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Empresas também entram nessa rede

O torneio conta ainda com parcerias e apoios de empresas que identificam o potencial do público master e acreditam na associação de suas marcas a valores como esporte, longevidade, saúde, qualidade de vida e bem-estar.


Fundamental

Para a organização, essa aproximação é fundamental não apenas para o crescimento do Verão na Rede, mas também para ampliar a visibilidade de um público consumidor ativo e cada vez mais presente no esporte.

“O nosso propósito é fortalecer o vôlei master e mostrar que existe uma geração que quer continuar competindo, convivendo e vivendo novas experiências. Quando uma empresa acredita no Verão na Rede, ela também passa a fazer parte desse movimento”, reforça Andréa.


Espaço no calendário

Em sua segunda realização no ano, o Verão na Rede segue construindo seu espaço no calendário esportivo pernambucano com uma identidade própria: competição para quem ainda tem muito jogo pela frente e encontros que vão muito além da rede.


O Poder



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Pesquisa - Quase 80% dos olindenses desaprovam Mirella

15/10/2026

Levantamento realizado com 1.500 entrevistados revela que quase oito em cada dez participantes desaprovam a administração municipal, de Mirella Almeida. A prefeita foi eleita com o apoio do ex-prefeito Lupércio, que não se elegeu deputado estadual. E da governadora Raquel Teixeira Lyra que saiu vencedora, por pouco mas saiu, na Marim dos Caetés.

A Pesquisa

Foi realizada pela XB3 Soluções e Pesquisas, entre os dias 13 e 15 de outubro de 2026, em Olinda, revela um elevado índice de desaprovação da administração da prefeita Mirella Almeida.

Segundo o levantamento

78,81% dos entrevistados desaprovam a gestão municipal, enquanto 21,19% declaram aprová-la.

Em números absolutos

Dos 1.500 participantes da pesquisa, 1.182 manifestaram desaprovação à administração da prefeita, contra 318 que expressaram aprovação.

A diferença entre os dois indicadores
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Levantamento realizado com 1.500 entrevistados revela que quase oito em cada dez participantes desaprovam a administração municipal, de Mirella Almeida. A prefeita foi eleita com o apoio do ex-prefeito Lupércio, que não se elegeu deputado estadual. E da governadora Raquel Teixeira Lyra que saiu vencedora, por pouco mas saiu, na Marim dos Caetés.

A Pesquisa

Foi realizada pela XB3 Soluções e Pesquisas, entre os dias 13 e 15 de outubro de 2026, em Olinda, revela um elevado índice de desaprovação da administração da prefeita Mirella Almeida.

Segundo o levantamento

78,81% dos entrevistados desaprovam a gestão municipal, enquanto 21,19% declaram aprová-la.

Em números absolutos

Dos 1.500 participantes da pesquisa, 1.182 manifestaram desaprovação à administração da prefeita, contra 318 que expressaram aprovação.

A diferença entre os dois indicadores

Chega a 57,62 pontos percentuais, demonstrando uma expressiva predominância de avaliações desfavoráveis entre os entrevistados.

Outro dado relevante

O percentual de desaprovação representa aproximadamente 3,7 vezes o índice de aprovação. Isso significa que, para cada entrevistado que aprova a administração municipal, há cerca de quatro que a desaprovam.

Metodologia

O levantamento ouviu 802 mulheres e 698 homens, correspondentes a 53,44% e 46,56% dos participantes, respectivamente. Quanto à faixa etária, a maior concentração dos entrevistados está entre 41 e 60 anos, seguida pelo grupo de 21 a 40 anos.




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Lula recebe Veneziano e senadores do MDB para agradecer apoio

15/10/2026

O presidente e candidato à reeleição Luís Inácio Lula da Silva (PT) recebeu hoje, quarta-feira (14/10) parte da bancada do MDB no Senado. Ele agradeceu o apoio dos parlamentares em votações importantes, como a PEC do fim da jornada de trabalho 6x1, sem redução salarial; à PEC da Segurança Pública; e à sua reeleição.

Veneziano

Dentre os senadores presentes estava o paraibano Veneziano Vital do Rêgo, que na qualidade de Líder da Maioria, orientou a bancada para votar SIM, pelo fim da escala 6x1. Veneziano também é presidente do Diretório Estadual do MFB na Paraíba. Esta semana, presidentes de 10 diretórios do partido emitiram nota de apoio à reeleição do petista.

“O presidente Lula nos recebeu e agradeceu o apoio da bancada do MDB no Senado, que renovou seu compromisso com a candidatura à reeleição neste segundo turno. Durante o encontro, também reafirmamos o compromisso com o fim da escala 6x1, a adoção da jornada 5x2 e o avanço da P...

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O presidente e candidato à reeleição Luís Inácio Lula da Silva (PT) recebeu hoje, quarta-feira (14/10) parte da bancada do MDB no Senado. Ele agradeceu o apoio dos parlamentares em votações importantes, como a PEC do fim da jornada de trabalho 6x1, sem redução salarial; à PEC da Segurança Pública; e à sua reeleição.

Veneziano

Dentre os senadores presentes estava o paraibano Veneziano Vital do Rêgo, que na qualidade de Líder da Maioria, orientou a bancada para votar SIM, pelo fim da escala 6x1. Veneziano também é presidente do Diretório Estadual do MFB na Paraíba. Esta semana, presidentes de 10 diretórios do partido emitiram nota de apoio à reeleição do petista.

“O presidente Lula nos recebeu e agradeceu o apoio da bancada do MDB no Senado, que renovou seu compromisso com a candidatura à reeleição neste segundo turno. Durante o encontro, também reafirmamos o compromisso com o fim da escala 6x1, a adoção da jornada 5x2 e o avanço da PEC da Segurança Pública”, disse Veneziano.



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Carta para Marília Arraes, por Everardo Norões*

15/10/2026

Querida Marília,

Sinto estranheza pelo fato de algumas pessoas, que vivenciaram experiências de tanta riqueza política e discernimento, mesclarem-se a questões subalternas utilizando o argumento Arraes como pretexto a discursos de ocasião. Certamente nunca leram 'Brasil, o poder e o povo', escrito por ele no exílio. Nem assimilaram as lições que nos deixou.

O oportunismo e a ausência de caráter

Permeiam a sociedade inteira, inclusive os partidos. O percurso até a sua candidatura comprovou isso.
O livro 'Tempo de Arraes', do escritor Antônio Callado, continua a ser o testemunho mais objetivo e tocante dos poucos meses que Miguel Arraes governou Pernambuco antes de 1964. O Brasil era outro. Pernambuco também. Mas nada muda na essência do pensamento de homens movidos pelo sentimento do dever cidadão.

O conceito de Política

No sentido original, o de cuidar do que é coletivo, permanece.

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Querida Marília,

Sinto estranheza pelo fato de algumas pessoas, que vivenciaram experiências de tanta riqueza política e discernimento, mesclarem-se a questões subalternas utilizando o argumento Arraes como pretexto a discursos de ocasião. Certamente nunca leram 'Brasil, o poder e o povo', escrito por ele no exílio. Nem assimilaram as lições que nos deixou.

O oportunismo e a ausência de caráter

Permeiam a sociedade inteira, inclusive os partidos. O percurso até a sua candidatura comprovou isso.
O livro 'Tempo de Arraes', do escritor Antônio Callado, continua a ser o testemunho mais objetivo e tocante dos poucos meses que Miguel Arraes governou Pernambuco antes de 1964. O Brasil era outro. Pernambuco também. Mas nada muda na essência do pensamento de homens movidos pelo sentimento do dever cidadão.

O conceito de Política

No sentido original, o de cuidar do que é coletivo, permanece.
Hoje, há tecnologias para difusão de fake news e astronômicos fundos eleitorais alimentados pelo povo que mal se alimenta. No tempo dele também havia recursos ilícitos de campanhas e redes de calúnia. Sobrevive, porém, o conteúdo do fazer uma política mais alta que define as pessoas.

Arraes Taí

Observando o que acontece agora com você, lembro o quanto foi importante para consolidar a reconquista da democracia o retorno dele, Arraes, ao governo de Pernambuco. O PMDB não o acolheu como candidato. Alguns de seus dirigentes temiam que mudanças na lógica da política em curso abalassem as engrenagens do poder que dominavam. Mas o discurso deles deixara de ser algo credível. As alianças se apoiavam em bases questionáveis. Arraes, o político preocupado com o coletivo, tornara-se um problema. Teriam preferido que ele ficasse mais tempo no exílio. Até que em 1986, após ter sido eleito deputado federal, foi reconduzido ao governo de Pernambuco com vitória singular.

Diferenciais marcantes

Penso nessas coisas e observo: Não conheço discurso de Arraes contendo promessas de obras. O mais importante para ele não era o anúncio de grandes empreendimentos, nem fórmulas para aperfeiçoamento de engrenagens burocráticas. Nele, havia, isto sim, um núcleo de pensamento, uma visão clara. Tanto que usou como lema um verso de Drummond: “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do Mundo”.
Em seu quase ‘silêncio’ havia uma mensagem que as pessoas conseguiam desvendar. Era a política como vocação. Que não vem do sangue, nem se herda. É uma energia e uma sensibilidade para intuir o que para o outro é mais importante. E o outro sente que você se emociona sonhando o Futuro. Algo que se revela pela emoção.

Valores são inegociáveis

Quando Arraes estava exposto no Palácio das Princesas, morto, olhei suas mãos, finalmente cruzadas. E, à vista delas, chegaram-me lembranças de um exilado solitário e firme.
Tive a sorte de, muito jovem, ter sido testemunha do momento em que ele, cercado pelos militares, declarou preferir a prisão ou a morte a negociar um mandato que lhe fora outorgado pelo povo.
Tive a sorte, também, de ter convivido com ele no exílio. Tempo em que tínhamos o hábito de jogar xadrez e eu admirava a destreza com que fazia avançar os peões e a serenidade com que anunciava o xeque-mate. Ensinava-nos que tanto na política como no xadrez o bom jogador deve ter uma visão larga e penetrante do tabuleiro. Uma percepção global e dialética. Além disso, é preciso ter como premissa o respeito ao adversário. Vencer com honra e sabedoria.
Uma espécie de síntese da política perfeita.

Querida Marília,

O discurso e o gesto dão forma a um jeito de sentir.
Você traz ao Recife esperança e alegria.
Forte abraço,

*José Everardo Arraes de Alencar Norões nasceu no Crato, CE. Economista, radicado em Pernambuco ha mais de 60 anos, trabalhou com Miguel Arraes, antes, durante e depois do exílio. Atua na literatura, poesia, ensaios, artigos.

NR - Texto escrito em 2022, republicado por sua atualidade.



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Lula concede entrevista no Rio de Janeiro e Flávio Bolsonaro tem atividades de campanha em Minas Gerais; confira agenda desta quinta-feira

15/10/2026

Na reta final do 2º turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumprem, hoje, quinta-feira (15/10), compromissos de campanhas em Minas Gerais e Rio de Janeiro.


Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
21h15: participa, ao vivo, de sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo, nos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro (PL)
Gravações e reuniões internas
Capelinha (MG)
18h – Tradicional Live de Quinta
19h: Bloquinho do 22
Local: Praça do Povo, Centro de Capelinha

O Poder

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Na reta final do 2º turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumprem, hoje, quinta-feira (15/10), compromissos de campanhas em Minas Gerais e Rio de Janeiro.


Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
21h15: participa, ao vivo, de sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo, nos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro (PL)
Gravações e reuniões internas
Capelinha (MG)
18h – Tradicional Live de Quinta
19h: Bloquinho do 22
Local: Praça do Povo, Centro de Capelinha

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