É Findi - Pega! Crônica, por AJ Fontes*
10/05/2025
Ressoava uma das tantas músicas que ouvimos no show de Paulinho da Viola no Classic hall, ao chegarmos em um bar participante do Comida de Buteco, próximo ao Mercado da Encruzilhada.
Meio aos nacos do salgado principal da casa, goles de caipirinha, cerveja e rum com coca-cola, o prezado compositor e cantor Nuca Sarmento percebeu que estávamos no Antiquário. Era esse o nome do bar, nos idos de 1970, onde o amante da boa música cantava acompanhado de seu violão.
Ele recordou uma das muitas noites que tocou e cantou lá. Tomava os últimos goles de rum misturado, depois da apresentação, enquanto o amigo e proprietário tentava convencê-lo de dormir no sofá do escritório. Nuca agradeceu, mas queria mesmo era encostar a cabeça no seu travesseiro. Guardou o instrumento, colocou nas costas e disse até logo.
Cabeça baixa, seguiu pela calçada do mercado, alheio ao vazio da noite, contando de cabeça os cruzeiros guardado...
Ressoava uma das tantas músicas que ouvimos no show de Paulinho da Viola no Classic hall, ao chegarmos em um bar participante do Comida de Buteco, próximo ao Mercado da Encruzilhada.
Meio aos nacos do salgado principal da casa, goles de caipirinha, cerveja e rum com coca-cola, o prezado compositor e cantor Nuca Sarmento percebeu que estávamos no Antiquário. Era esse o nome do bar, nos idos de 1970, onde o amante da boa música cantava acompanhado de seu violão.
Ele recordou uma das muitas noites que tocou e cantou lá. Tomava os últimos goles de rum misturado, depois da apresentação, enquanto o amigo e proprietário tentava convencê-lo de dormir no sofá do escritório. Nuca agradeceu, mas queria mesmo era encostar a cabeça no seu travesseiro. Guardou o instrumento, colocou nas costas e disse até logo.
Cabeça baixa, seguiu pela calçada do mercado, alheio ao vazio da noite, contando de cabeça os cruzeiros guardados no bolso e se dava por satisfeito ter o suficiente para a passagem e meia carteira de minister.
Espantou-se quando sentiu um peso sobre os ombros. Quis se afastar, mas não conseguiu. Um sujeito segurou com firmeza, encostou a boca no ouvido dele.
— Se aperrei não. Só quero o dinheiro.
— Bicho, sobrou o da passagem de ônibus.
— Faça isso não com seu irmão. Preciso levar algum pra casa.
No meio da conversa do que parecia ser de dois amigos no fim de uma farra, o sujeito passou a mão no couro às suas costas e fez nosso amigo se encolher, fechar os olhos. Rápido buscou desviar a atenção.
- Cara, tem gente em algum lugar com dinheiro.
Não teve jeito. Com os olhos fixos e um sorriso se abrindo.
— É um violão, né?
— É com ele que faturo algum. Faz isso não.
— Então...
O sorriso se completou e ele esfregou os dedos na altura dos olhos.
Choroso, olhando as pedras da calçada, entregou o dinheiro amassado, continuou andando. O silêncio fez Nuca voltar a cabeça para o lado e não viu mais o sujeito. Parou, deu meia volta para o bar. Três passos adiante e percebeu alguém caminhando ao lado.
— Passa o dinheiro, senão leva.
O cantor abriu os braços.
— Porra! Acabei de ser assaltado.
— Foi mesmo. Eu vi. Parados no meio da rua, sob o facho da luz do poste, o novato escaneia Nuca.
— O quê é isso aí no bolso?
Desalentado, Nuca retira uma carteira amassada com o último cigarro.
— Aí, velho, te manda que é perigoso andar por aqui.
Em um passe de mágica, as sombras o engoliram.
O autor do frevo Pernambucana, estático, parecia contar as folhas caídas das árvores quando viu chegar um par de pés descalços.
— Moço, tem um dinheiro aí?
— Você tá brincando, né?
— Tá certo, eu vi tudo. Aperrei não que eu levo o senhor no bar.
À maneira dos anteriores, também se escafedeu.
Nuca resolveu encarar as risadas do amigo, no Antiquário. Encostou o pinho em uma cadeira e embarcou no sofá de onde acordou com o sol na cara, saindo de um sonho e gritando.
— Pega ladrão!

*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.
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Municípios Pernambucanos: Nelson Barbalho - Por Luciano Carvalho Júnior*
20/07/2026
A publicação deste livro é mais um esforço de sua filha Valeria, que após a sua aposentadoria como médica, tem dedicado a divulgação das obras de seu pai. Neste livro Nelson traz pequenos textos com notícias de fatos, personalidades e questões administrativas dos lugares do interior de Pernambuco, no período de 1901 a 1930, em especiais os do Agreste.
Os escritos de Nelson Barbalho são resultados de suas leituras de livros, jornais, periódicos, bem como, da legislação da época. Assuntos interessantes com...
Mais um livro de Nelson Barbalho chegou à praça, para enriquecer a historiografia local. Na última reunião do Centro de Estudos de História Municipal – CEHM, vinculado a Agência CONDEPE/FIDEM, foi lançado o livro: Municípios Pernambucanos, subsídios para sua história, com apresentação de Ígor Cardoso e prefácio do professor José Aragão Bezerra Cavalcanti, dois pesquisadores da história de seus respectivos lugares natal, Garanhuns e Vitória de Santo Antão.
A publicação deste livro é mais um esforço de sua filha Valeria, que após a sua aposentadoria como médica, tem dedicado a divulgação das obras de seu pai. Neste livro Nelson traz pequenos textos com notícias de fatos, personalidades e questões administrativas dos lugares do interior de Pernambuco, no período de 1901 a 1930, em especiais os do Agreste.
Os escritos de Nelson Barbalho são resultados de suas leituras de livros, jornais, periódicos, bem como, da legislação da época. Assuntos interessantes como leis determinando a abertura de estradas de rodagem, ligando as sedes dos vários municípios (hoje não há necessidades para isso), indicações de leis de criação, questões de limites de municípios, trocas de sede, criação e extinção de comarca, com destaque a reforma administrativa do estado criando novos municípios, liderada pelo então governador Estácio de Albuquerque Coimbra. Ficando Pernambuco com oitenta e cinco municípios, no final da década de vinte do século passado. Destaco ainda, vários verbetes sobre as intrigas políticas ocorridas em Canhotinho, quando tudo era resolvido na bala – violência. Nada de diferente do que ocorria no resto do Brasil.
Destas anotações podem sair vários estudos, inclusive, artigos científicos. Pois nada acontece isoladamente. Nelson Barbalho foi um pesquisador social, produziu diversas obras. A sua produção literária decorrente de suas constantes pesquisas é enorme. Deixou publicados cinquenta e um livros, teve mais dezesseis obras publicadas após sua morte. São textos sobre história de cidades, biografias, genealogia e folclore. Ainda tem mais ou menos trinta e cinco livros para serem publicados. Destaco os oitos volumes restantes da Coleção Cronologia Pernambucana (já tem vinte e dois volumes editado pelo CEHM – Agência CONDEPE/FIDEM). Esta é uma obra monumental, juntamente com Nobiliarquia Pernambucana de Borges da Fonseca, Anais Pernambucanos de Pereira da Costa, Dicionário Corográfico, Histórico e Estático de Pernambuco de Sebastião de Vasconcelos Galvão e História da Imprensa Pernambucana de Luiz do Nascimento. Todos importantes para os pesquisadores dos nossos municípios. Pois, constituem fontes indispensáveis aos estudos sobre o período colonial, imperial e republicano da história social, política e administrativa local.
*Luciano Caldas Pereira de Carvalho Júnior, é Advogado. @carvalhojuniorluciano

Da Série – Os Mistérios do Aquém: o sumiço de U$S 1 bilhão da Coroa-Brastel – Por Natanael Sarmento*
20/07/2026
Problema
Problema foi a farra do boi da corrupção, a dilapidar o Erário no final do baile, em 1983. Escândalo conhecido como “Coroa-Brastel”, emblemático, do ciclo militar.
Cartel
O conluio criminal envolvia grandes: empresa de rede de lojas de eletrodoméstico (Brastel), agente financeiro (Coroa), corretora (Laureano) falida e favorecida pela Caixa Econômica Federal (CEF) e o empurrãozinho do alto escalão do Governo Federal.
Eles sabiam
A insolvência e as fraudes eram conhecidas. O mal cheiro do peculato contaminava o ar de Brasília desde 1979. Mas o Banco Central (BC) colocava capim seco por cima para abafar. Lobby de parentes, segundo relatório da CPI. Carlos Langoni do BC...
O General João Baptista Figueiredo, último cavalariço da estrabaria militar de 1964, ufanava-se de preferir o cheiro de cavalo ao do povo. Nada de mais, cada qual com suas preferências e identificações...
Problema
Problema foi a farra do boi da corrupção, a dilapidar o Erário no final do baile, em 1983. Escândalo conhecido como “Coroa-Brastel”, emblemático, do ciclo militar.
Cartel
O conluio criminal envolvia grandes: empresa de rede de lojas de eletrodoméstico (Brastel), agente financeiro (Coroa), corretora (Laureano) falida e favorecida pela Caixa Econômica Federal (CEF) e o empurrãozinho do alto escalão do Governo Federal.
Eles sabiam
A insolvência e as fraudes eram conhecidas. O mal cheiro do peculato contaminava o ar de Brasília desde 1979. Mas o Banco Central (BC) colocava capim seco por cima para abafar. Lobby de parentes, segundo relatório da CPI. Carlos Langoni do BC foi acusado e obviamente, inocentado, não era o mordomo.
Liberação
Mesmo ciente das falcatruas, o Presidente da CEF Gil Gouveia Macieira liberou 2,5 milhões de dinheiro público para o grupo fraudulento, sob condições suspeitíssimas. Também foi declarado inocente, é claro.
Czares da economia
A chave do cofre ficava com o Ministro Antonio Delfim Netto Ministro do Planejamento e chefe da SEPLAN e o Ministro da Fazenda Ernane Galvêas. Se o poeta Manuel Bandeira que sabia bem o valor das amizades com os reis fosse vivo, trocaria Pasárgada por Brasília.
Acima de todos
No topo o ditador João Figueiredo. Com poderes de Cônsul romano para “prender e arrebentar”, dizia. Foi chefe do SNI. Presidente, indica esse time de honestos cidadãos de bem, Ministros e presidentes do BC e da CEF.
Sumiço de US$ 1 bilhão
Enquanto o Banco Central deixava a boiada passar o rombo chegava a US$ 1 bilhão (valores da época). O coice da mula não afastou o cavalo. “Tudo ficou como dantes, no Quartel de Abrantes”.
A engenharia do "Milagre Econômico":
O “holding” fraudulento foi liderado pelos empresários (donos)Ruy Paim Cunha e Abraham Zylbersztajn. O grupo quebra. Para salvar a lavoura, emite títulos, sem valor, com bênçãos do BC. O governo federal não apenas fecha os olhos, abre os cofres da CEF. Milhares de investidores de boa-fé são lesados. A pirâmide pipoca. A vaca vai pro brejo. O prejuízo cai nas costas dos contribuintes brasileiros. Pagarem os débitos e as ações judiciais indenizatórias. É moleza?
Pizza
O cardápio da impunidade da pizza verde oliva fez sucesso. Ernane Galvêas teve a denúncia rejeitada pelo Judiciário, é inocente. Delfim Netto comprou mandato de deputado federal e a Câmara dos Deputados representantes de “nós, o povo” disse "não" à autorização para julgamento. Muito ético. João Figueiredo deixou as baias pedindo que o esquecessem.
O Estado “neutro”?
No Brasil os ricos “condenados” cumprem prisões domiciliar, nos em condomínios de luxo, Nenê Constantino, Collor de Melo, Bolsonaro... O mentor do esquema Coroa-Brastel Assis Paim Cunha foi “condenado” a 8 anos e não cumpriu um dia. Recorreu em liberdade, os crimes prescreverem.
É o bicho
Consta que o Paim Cunha acabou seus dias sob favores da família do bicheiro Castor de Andrade. Saudosista da Oban, do Delegado Fleury, do Brilhante Ustra, Esquadrão da Morte e do Jogo do Bicho cantando e sambando na Marquês de Sapucaí.
Banalização
A ditadura empresarial militar normatizou e banalizou muita corrupção sob brutal repressão, censura e violência. Lembramos para nunca esquecer. Ditadura, nunca mais!
Natanael Sarmento é professor e escritor, integrante do diretório nacional do Partido Unidade Popular Pelo Socialismo.
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
Para o Dia do Amigo – 20 de Julho - Poema - Por Romero Falcão*
20/07/2026
Vai de táxi, de bike, a pé.
Vai de ônibus, mas vai como puder,
sem pudor, com ardor e fé.
Amigo, amanhã é muito longe.
Pode não haver tempo nem para o cônjuge.
Amigo, a infecção, a bala, o pulmão,
o vírus, o desastre, o derrame, o coração
podem levar o nosso amigo
para o abrigo da recordação.
Amigo, larga essa amizade virtual.
Faz dos teus amigos um show ao vivo,
uma turnê nacional.
Celebra o canto, decanta o encontro,
evapora o gás da desavença,
refaz a química da presença,
como a doce cana do canavial.
Amigo é construção artesanal.
Amigo, guarda o meu poema:
uma taça trêmula,
um brinde espiritual.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
Amigo, vai visitar o teu amigo.
Vai de táxi, de bike, a pé.
Vai de ônibus, mas vai como puder,
sem pudor, com ardor e fé.
Amigo, amanhã é muito longe.
Pode não haver tempo nem para o cônjuge.
Amigo, a infecção, a bala, o pulmão,
o vírus, o desastre, o derrame, o coração
podem levar o nosso amigo
para o abrigo da recordação.
Amigo, larga essa amizade virtual.
Faz dos teus amigos um show ao vivo,
uma turnê nacional.
Celebra o canto, decanta o encontro,
evapora o gás da desavença,
refaz a química da presença,
como a doce cana do canavial.
Amigo é construção artesanal.
Amigo, guarda o meu poema:
uma taça trêmula,
um brinde espiritual.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

O Instituto Cervantes, instituição oficial do Governo da Espanha no Brasil, firma parceria com a Fliporto Brasil 2026 - Por Antônio Campos*
20/07/2026
A Fliporto Brasil segue reunindo importantes instituições, escritores e leitores em uma celebração da cultura, do conhecimento e da diversidade.
Nos encontramos na Fliporto Brasil 2026!
*Antônio Campos, Curador Geral da Fliporto, advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras e da ABI - Associação Brasileira de Imprensa. @antoniocampos.adv
A parceria reforça o caráter internacional da Festa Literária, promovendo o encontro entre culturas, a valorização da língua espanhola e o intercâmbio de ideias por meio da literatura.
A Fliporto Brasil segue reunindo importantes instituições, escritores e leitores em uma celebração da cultura, do conhecimento e da diversidade.
Nos encontramos na Fliporto Brasil 2026!
*Antônio Campos, Curador Geral da Fliporto, advogado, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras e da ABI - Associação Brasileira de Imprensa. @antoniocampos.adv
Opinião - Sobre o andamento das obras no Cine-teatro Paulo Freire - Por Ricardo Andrade*
20/07/2026
A obra continua andando, menos lenta que antes, mas sem cronograma de execução e sem orçamento previsto. Não ficou claro o quanto foi gasto até agora, quanto ainda restou do empréstimo, e quando a obra será entregue. As informações continuam sem a mínima transparência. Estão literalmente "empurrando com a barr...
Mais de dois anos se passaram, desde o anúncio do projeto do Complexo Multicultural Ariano Suassuna, pela Prefeitura do Paulista. O FINISA(Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento) é uma linha de crédito da Caixa Econômica Federal voltada para o setor público. Ele permite que estados e municípios realizem obras e investimentos essenciais de forma ágil. O valor dos recursos, expisto na placa das obras do Cine-teatro Paulo Freire, não expressa a verdade dos fatos, pois o FINISA é um financiamento de multiuso. A maior parte do investimento foi empregado na pavimentação e drenagem de ruas, e a menor parte foi investido na reconstrução do Cine-teatro Paulo Freire.
A obra continua andando, menos lenta que antes, mas sem cronograma de execução e sem orçamento previsto. Não ficou claro o quanto foi gasto até agora, quanto ainda restou do empréstimo, e quando a obra será entregue. As informações continuam sem a mínima transparência. Estão literalmente "empurrando com a barriga". A empresa contratatou novos funcionários pra trabalhar na obra, pra parecer que tudo está bem, mas não confere com a realidade. Grande parte dos Blog's(do tipo "chapa-branca") continuam com suas narrativas governistas, mas o governo parece ter abandonado a essência do projeto do Complexo Multicultural Ariano Suassuna, que foi questionado por setores do MP e da magistratura.
A ideia era, a de se ressignificar o espaço da antiga Escola Dantas Barreto(tombado pela Lei dos IEP), num memorial, e fazer uma requalificação no Colégio Firmino da Veiga. Lugares de memória precisam da salvaguarda por parte do poder público, a parte de trás da Escola Dantas Barreto foi demolida, sem nenhuma segurança jurídica, em relação a continuidade do projeto. Aos poucos, a máscara vai caindo, e os fatos aparecendo, com a ausência, tanto de planejamento Urbano, quanto de uma política cultural estruturadora. Vamos continuar cobrando mais eficiência, transparência e resolutividade, na captação e aplicação dos recursos.
*Ricardo Andrade, é Historiador, Mestre em Gestão Pública (Fundaj) e Presidente do IHGAAP (Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico do Paulista). @ricardo060370

Do sangue dos Guararapes à soberania de papelão, por Zé da Flauta*
20/07/2026
O sentido exato é a autodeterminação, o brio de um povo que é dono do próprio nariz. O problema é que, no Brasil, essa palavra foi confiscada pela retórica política e transformada em um biombo de fumaça.
Burocrata
Assistir hoje a um burocrata de Brasília encher o peito em um palanque para defender a "nossa soberania" contra ameaças externas imaginárias, enquanto o cidadão comum não pode cruzar uma rua da periferia sem pedir licença para um fuzil clandestino, é o ápice do nosso humor involuntário.
É a comédia trágica de um país que finge zelar pela coroa enquanto as traças já jantaram o manto real.
Governo de turno
Se...
No dicionário de capa dura, a palavra soberania carrega uma imponência quase sagrada: significa o poder supremo de uma nação governar a si mesma, sem dar satisfações a senhores estrangeiros, mantendo o controle absoluto sobre suas fronteiras, suas leis e seu destino.
O sentido exato é a autodeterminação, o brio de um povo que é dono do próprio nariz. O problema é que, no Brasil, essa palavra foi confiscada pela retórica política e transformada em um biombo de fumaça.
Burocrata
Assistir hoje a um burocrata de Brasília encher o peito em um palanque para defender a "nossa soberania" contra ameaças externas imaginárias, enquanto o cidadão comum não pode cruzar uma rua da periferia sem pedir licença para um fuzil clandestino, é o ápice do nosso humor involuntário.
É a comédia trágica de um país que finge zelar pela coroa enquanto as traças já jantaram o manto real.
Governo de turno
Se formos puxar o fio da história, o divórcio entre a soberania teórica e a prática começou no exato momento em que chutamos a estabilidade da Monarquia para abraçar uma República proclamada na base do golpe militar e do arranjo de oligarquias.
Ali, a soberania deixou de ser um projeto de nação de longo prazo para virar propriedade privada do governo de turno. Nos últimos anos, sob as frentes de esquerda, o conceito foi de vez para o beleléu, mastigado por uma ideologia que confunde altivez nacional com isolacionismo econômico e alinhamento com ditaduras decadentes.
A soberania passou a ser usada como uma desculpa esfarrapada para nos enganar: serve para taxar a bugiganga que o cidadão compra na internet, sob o pretexto de "proteger a indústria nacional", e para proibir o livre pensamento nas redes sob a justificativa de salvaguardar as instituições.
É o Estado sequestrando o direito de escolha do indivíduo e colando no cativeiro uma etiqueta com as cores da bandeira.
Fronteira
A grande farsa desaba quando confrontamos o discurso oficial com o mapa da criminalidade. Um país que assiste, de braços cruzados ou com cumplicidade velada, a quase um terço do seu território ser tomado de assalto pelo crime organizado, pelas milícias e pelas facções que ditam o toque de recolher, tem moral para falar de soberania?
Onde o Estado não consegue garantir o direito de ir e vir, a cobrança de impostos legítima ou a aplicação da própria lei, a soberania nacional não passa de uma ficção jurídica de mau gosto.
Quem manda de fato na favela, na fronteira e na rota do contrabando não são as canetadas dos tribunais superiores, mas o tribunal do crime. A verdadeira soberania não se mede pelos discursos inflamados na ONU, mas pela capacidade elementar de um governo exercer o monopólio da força e da justiça dentro de sua própria casa.
Resgate
Para entender o que é soberania com todas as letras, não precisamos consultar os manuais burocráticos de Brasília, mas olhar para o chão histórico dos Guararapes.
Em 1648, quando nem exército formal tínhamos, homens negros sob o comando de Henrique Dias, indígenas liderados por Filipe Camarão e colonos brancos conduzidos por João Fernandes Vieira uniram-se, patrões e empregados, para expulsar a maior potência econômica e militar da época do solo pernambucano.
O nascimento
Aquilo foi o nascimento da nossa soberania: um ato espontâneo de brio, onde a força nasceu da disposição de um povo livre de defender o seu próprio destino e o seu território. Resgatar a soberania real significa trocar a submissão ao crime organizado e a dependência das amarras estatais pelo espírito altivo daquela união histórica.
Enquanto a pátria for governada pelo medo e pela retórica vazia, continuaremos longe da lição dos nossos próprios heróis, que provaram que o verdadeiro poder de uma nação se consolida na coragem de quem não aceita o cabresto de senhor nenhum.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

Leônidas e Lionel, por Roberto Vieira*
20/07/2026
Leónidas
O menino carioca, negro, superdotado e semiadotado na infância, era inteligente e ambidestro. Em 1932, desbumbrou os uruguaios, campeões do mundo, em plena Montevidéu, com gols e bicicletas. Em 1934, marcou o tento solitário na derrota brasileira para a Espanha, na Copa do Mundo.
1938
Porém, foi na Copa de 1938, que Leónidas explodiu para o mundo marcando sete gols em quatro jogos disputados, aniquilando a Polônia por 6x5, derrubando Tchecoslováquia e Suécia. E Leónidas se tornou mais famoso na Europa do que Greta Garbo.
Leónidas e Lionel
As duas guerras mundi...
Muito se falou nos últimos dias sobre Pelé e Lionel Messi. Messi seria maior do que o Rei do Futebol; mais gols em Copas, mais títulos, mais isso e aquilo. Com a derrota da Argentina contra a Espanha, o extraordinário Messi volta a ser GOAT e Pelé volta a ser Rei. Até porque, Messi está muito mais para Leónidas.
Leónidas
O menino carioca, negro, superdotado e semiadotado na infância, era inteligente e ambidestro. Em 1932, desbumbrou os uruguaios, campeões do mundo, em plena Montevidéu, com gols e bicicletas. Em 1934, marcou o tento solitário na derrota brasileira para a Espanha, na Copa do Mundo.
1938
Porém, foi na Copa de 1938, que Leónidas explodiu para o mundo marcando sete gols em quatro jogos disputados, aniquilando a Polônia por 6x5, derrubando Tchecoslováquia e Suécia. E Leónidas se tornou mais famoso na Europa do que Greta Garbo.
Leónidas e Lionel
As duas guerras mundiais impediram o possível título mundial a Leónidas em 1942 e 46. – não houve Copas, lógico. Em 1950, ele estava velho, mas ainda podia ser convocado e não foi – personalidade muito forte. Com média de mais de 1 gol/jogo pela seleção, Leónidas foi o Pelé antes do Pelé, só que sem televisão e instagram.
Zizinho
Assim como Leónidas, Friedenreich e Zizinho também foram gênios da bola, ao nível de Messi. Como foram Pedernera, Sastre, Labruna, Moreno e tantos outros argentinos na história. Messi é o herdeiro de craques imortais, o que não é pouca coisa. Quanto a não ser Pelé? Faz parte do jogo. Porque ninguém foi Pelé. Nem mesmo LEÓNIDAS.
*Roberto Vieira é médico e cronista

Em largada das convenções, Centrão segue disposto a ficar neutro sobre corrida presidencial
20/07/2026
O Centrão
Partidos do Centrão que não possuem candidaturas próprias ao Palácio do Planalto, como o União Brasil, o PP e o Republicanos, tendem a ficar neutros na corrida presidencial, sem se alinhar a nenhuma das postulações.
Liberados
Com isso, seus filiados estarão liberados a compor com qualquer uma das candidaturas.
Até meses, havia a expectativa de que o bloco de partidos apoiasse a candidatura de Flávio Bolsonaro, do PL, à presidência da República.
Flávio corre para definir palanques
O senador Flávio Bolsonaro (PL) intensifica as articulações políticas para a construção dos principais palanques estaduais de sua pré-campanh...
A corrida eleitoral entra em nova fase hoje, segunda-feira (20/07), com o início das convenções partidárias, quando as legendas escolherão os candidatos que vão disputar cada cargo e deliberarão sobre a formação de alianças com outras siglas.
O Centrão
Partidos do Centrão que não possuem candidaturas próprias ao Palácio do Planalto, como o União Brasil, o PP e o Republicanos, tendem a ficar neutros na corrida presidencial, sem se alinhar a nenhuma das postulações.
Liberados
Com isso, seus filiados estarão liberados a compor com qualquer uma das candidaturas.
Até meses, havia a expectativa de que o bloco de partidos apoiasse a candidatura de Flávio Bolsonaro, do PL, à presidência da República.
Flávio corre para definir palanques
O senador Flávio Bolsonaro (PL) intensifica as articulações políticas para a construção dos principais palanques estaduais de sua pré-campanha à Presidência da República, em um esforço para mitigar o impacto das recentes crises políticas que passaram a rondar sua candidatura.
Avaliação
A avaliação de aliados próximos indica que a consolidação dessas alianças nos maiores colégios eleitorais do país tornou-se uma prioridade estratégica, visando evitar que disputas internas e desgastes regionais comprometam a estratégia nacional do PL.
Lula definiu
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) praticamente define seus principais palanques para a campanha à reeleição em 2026. A escolha do deputado federal e ex-ministro Patrus Ananias (PT) como candidato ao governo de Minas Gerais foi sacramentada, encerrando o maior impasse eleitoral enfrentado pelo Palácio do Planalto na montagem das alianças estaduais.
Os partidos
Os partidos terão até o dia 5 de agosto para realizarem suas convenções e enviarem as informações dos candidatos e seus respectivos números para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Esse envio é feito através do Módulo Externo do Sistema de Candidaturas (CANDex), pela internet.
O Poder

Andy Burnham se torna premiê do Reino Unido após encontro com rei Charles
20/07/2026
Sétimo
O líder do Partido Trabalhista é o sétimo primeiro-ministro do país em dez anos.
Burnham, que ganhou o apelido de "rei do Norte" devido à sua determinação em defender os interesses da região enquanto prefeito da Grande Manchester, declarou em uma coletiva na sexta-feira (17/07) que estava pronto para assumir o poder e que trabalharia para oferecer esperança às pessoas em "lugares esquecidos por toda parte".
O grande "reequilíbrio de poder" de Burnham
Apesar de repetir a sua oferta de entregar o poder às regiões e de ser decididamente pró-negócios, ainda há muito a saber sobre as prioridades políticas de Burnham.
Andy Burnham tornou-se oficialmente primeiro-ministro do Reino Unido após uma reunião com o rei Charles III no Palácio de Buckingham, hoje, segunda-feira (20/07).
Sétimo
O líder do Partido Trabalhista é o sétimo primeiro-ministro do país em dez anos.
Burnham, que ganhou o apelido de "rei do Norte" devido à sua determinação em defender os interesses da região enquanto prefeito da Grande Manchester, declarou em uma coletiva na sexta-feira (17/07) que estava pronto para assumir o poder e que trabalharia para oferecer esperança às pessoas em "lugares esquecidos por toda parte".
O grande "reequilíbrio de poder" de Burnham
Apesar de repetir a sua oferta de entregar o poder às regiões e de ser decididamente pró-negócios, ainda há muito a saber sobre as prioridades políticas de Burnham.
Espanha desembarca em Madri com a taça de campeã do mundo
20/07/2026
O capitão
O capitão Rodri foi quem apareceu com a taça da Copa em mãos. O melhor jogador da Copa de 2026 estava ao lado do técnico Luis de la Fuente e do presidente da federação espanhola de futebol, Rafael Louzán.
A programação
A programação de jogadores e comissão técnica será de festejos pela capital espanhola. Eles terão compromissos oficiais e serão recebidos pelos torcedores pelas ruas de Madri.
O time bicampeão será recebido pela família real no Palácio de Zarzuela. Depois, seguirá para o Palácio da Moncloa, sede do governo.
A campeã do mundo já está em casa. A delegação da Espanha desembarcou no Aeroporto de Barajas, em Madri, hoje, segunda-feira (20/07), por volta de 9h30 (horário de Brasília).
O capitão
O capitão Rodri foi quem apareceu com a taça da Copa em mãos. O melhor jogador da Copa de 2026 estava ao lado do técnico Luis de la Fuente e do presidente da federação espanhola de futebol, Rafael Louzán.
A programação
A programação de jogadores e comissão técnica será de festejos pela capital espanhola. Eles terão compromissos oficiais e serão recebidos pelos torcedores pelas ruas de Madri.
O time bicampeão será recebido pela família real no Palácio de Zarzuela. Depois, seguirá para o Palácio da Moncloa, sede do governo.