É Findi - Malude Maciel* em Dose Dupla
14/06/2025
Na minha época de juventude, namorados não ficavam sozinhos, havia sempre um acompanhante que recebia a alcunha de: "segurador de vela" ou simplesmente: " vela". Essa expressão vem do século XIX, quando as casas grandes das fazendas, onde o senhor de engenho não era apenas o dono das terras, mas administrador de toda a família. O poderio era absoluto, interferindo nos destinos e nas paixões (coisas do coração). Tudo tinha que ter o aval daquela figura dominadora.
Engenho Massangana
Foi encontrada no referido engenho, que é o único de Pernambuco ligado à abolição (1888), devido à presença do célebre Joaquim Nabuco naquelas plagas, uma peça feita de madeira, denominada de: " a namoradeira", que é muito interessante; e olhando para aquele móvel dá pra se ter ideia de como eram conduzidos os namoros daquele tempo. São duas cadeiras trabalhadas em jacarandá, com encostos de palhinha e decorações nas pernas e b...
Na minha época de juventude, namorados não ficavam sozinhos, havia sempre um acompanhante que recebia a alcunha de: "segurador de vela" ou simplesmente: " vela". Essa expressão vem do século XIX, quando as casas grandes das fazendas, onde o senhor de engenho não era apenas o dono das terras, mas administrador de toda a família. O poderio era absoluto, interferindo nos destinos e nas paixões (coisas do coração). Tudo tinha que ter o aval daquela figura dominadora.
Engenho Massangana
Foi encontrada no referido engenho, que é o único de Pernambuco ligado à abolição (1888), devido à presença do célebre Joaquim Nabuco naquelas plagas, uma peça feita de madeira, denominada de: " a namoradeira", que é muito interessante; e olhando para aquele móvel dá pra se ter ideia de como eram conduzidos os namoros daquele tempo. São duas cadeiras trabalhadas em jacarandá, com encostos de palhinha e decorações nas pernas e braços. Sendo que uma delas se posicionava para um lado e a outra cadeira ficava para o lado oposto. Aclopado, tinha um tipo de castiçal, também feito de madeira, com a finalidade de colocar velas, desde que não havia energia elétrica. De plantão, ficava uma pessoa da família ou uma mucama a fim de mudar as velas, quando precisasse, além de vigiar o comportamento do casal. Daí, essa pessoa tinha a missão de: " segurar velas", ou seja, tomar conta em clarear o ambiente e não permitir intimidade. Interessante é que até hoje se fala essa expressão, por brincadeira.
Joaquim Nabuco
Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, nasceu no Recife em 19/8/1849, filho do juiz criminal José Tomás Nabuco de Araújo e de Ana Benigna de Sá Barreto. Ele foi político, diplomata, historiador, jurista, orador e jornalista; um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras - ABL e na data do seu nascimento comemora-se o Dia Nacional do Historiador. Faleceu em Washington D. C. EUA em 17/1/1910.
Padrinhos
Curiosamente, até os dias atuais, se sabe que os padrinhos de uma criança são os responsáveis pelo afilhado, na falta dos pais, por quaisquer motivos. Assim, depois do batismo de Nabuco, em dezembro de 1849, seu pai partiu com a família para a corte imperial no Rio de Janeiro, deixando-o aos cuidados de sua madrinha, Ana Rosa Falcão de Carvalho no engenho Massangana, município do Cabo de Santo Agostinho-PE. Daí a História registra muitos fatos interessantes. Por exemplo: o que era ser ama de leite ou ama-seca?
Ama de leite era a denominada da escravizada que tinha sobre si a tarefa de cuidar totalmente das crianças recém-nascidas, inclusive amamentá-las. Já a ama-seca tomava conta das crianças maiores, sem necessidade de amamentação. Consta que elas eram carinhosas, doces, apesar da crueldade dos brancos(as). Nabuco se apegou de tão forma às suas amas negras que dedicou-se ao abolicionismo.
História
Aprecio muitíssimo a História, especialmente a local, do nosso povo, da nossa gente. Onde descobrimos detalhes curiosos que nos enriquecem.
Descobri o programa: "Fazendas antigas", na internet, e tenho assistido com frequência, documentários sobre inúmeros engenhos pelo Brasil afora, inclusive daqui, do nosso estado, onde são mostrados e explicados momentos históricos de grande importância para todos nós, a quem recomendo o acesso.
O conhecimento do nosso passado é fundamental para o futuro de nossas vidas.

Exame de rotina - Poema
Eis que houve um momento
que fiquei sozinha
somente eu e Deus
a melhor companhia
mesmo com alguém monitorando
tudo escuro
senti muito frio
não podia falar
nem me mexer
tive vontade de correr
de chorar
mas, nada fiz
obedeci às ordens
escutei um barulho
estranho e ritmado
coisa desagradável
meus sentidos perturbados
não sei quanto tempo
durou a agonia
dentro do túnel
eu estava realizando
uma ressonância.
Dizem que o poeta encontra a poesia mesmo nos lugares mais improváveis para tal...
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazinha.

Leia outras informações
Motta encaminhou hoje proposta que acaba com a escala 6x1 para CCJ. Novidades para o seu Papo da Noite
09/02/2026
- Escala 6x1: "O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás", disse Motta
- Escala 6x1 na CCJ demonstra compromisso de Hugo com o tema, diz Gleisi, SRI
- Militares condenados por tentativa de golpe: Exército pede ao STF aval para visitar militares em prisão domiciliar. Pedido foi enviado a Moraes
- Laudo da PF diminui chance de Moraes conceder domiciliar a Bolsonaro
A PF...
O presidente da Câmara, Hugo Motta, encaminhou hoje, segunda-feira, 09/02, a proposta de fim da escala 6x1 para a CCJ. “Decidi colocar em pauta a discussão sobre a PEC 6x1, uma demanda antiga da classe trabalhadora que almeja a redução da jornada de trabalho. Nós sabemos que essa é uma matéria que impacta diretamente a nossa economia, por isso a necessidade de ouvir todos os setores na busca da elaboração de uma proposta o mais justa possível”, afirmou Motta.
- Escala 6x1: "O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás", disse Motta
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- Militares condenados por tentativa de golpe: Exército pede ao STF aval para visitar militares em prisão domiciliar. Pedido foi enviado a Moraes

- Laudo da PF diminui chance de Moraes conceder domiciliar a Bolsonaro
A PF atestou em laudo médico que o ex-presidente Jair Bolsonaro tem recebido tratamento médico adequado Papudinha. Destacou que isso reduz significativamente as chances de concessão do regime domiciliar solicitado pela defesa. De acordo com a perícia realizada, embora o ex-presidente apresente problemas de saúde, estes podem ser adequadamente tratados dentro da própria Papudinha, onde há uma equipe médica multidisciplinar disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. Agora, com o laudo em mãos, caberá ao ministro Alexandre de Moraes tomar uma decisão após ouvir a PGR. (Com CNN)
- Se Trump conhecesse a “sanguinidade de lampião em um presidente”, ele não provocaria o Brasil, afirmou. Lula brincou sobre o seu encontro com o presidente Trump

A Prefeitura do Recife anuncia hoje, no Dia do Frevo, 09/02: ao longo de todo o dia, orquestras e passistas irão percorrer a cidade para levar alegria a munícipes e turistas

- Prefeitura do Recife inaugura Centro Arrecifes de Cidadania e amplia rede de proteção social
Foi inaugurado hoje, segunda-feira, 09/02, o segundo Centro Arrecifes de Cidadania, localizado no bairro de Afogados. O novo equipamento amplia a rede socioassistencial do município e consolida uma política pública voltada à promoção da inclusão social, produtiva e digital. O espaço garante à população acesso a serviços típicos do CRAS, como atendimento psicossocial individual e familiar e inclusão em benefícios vinculados ao Cadastro Único. Também serão ofertados cursos de qualificação profissional e inclusão digital, assessoria profissional e de carreira, orientação jurídica, além de atividades culturais e educativas. (Foto: PCR)
- A Prefeitura do Recife anuncia: Cortejo de Caboclinhos e Tribos Indígenas será realizado no Bairro do Recife amanhã, terça-feira, 10/02
- A Prefeitura do Recife anuncia: ‘Drilha de São João Gomes’, com trio puxado por João Gomes, dia 22/02
- Futebol de PE: Santa Cruz x Náutico será no Arruda, quarta-feira, 11/02, às 19h00. Sport x Retrô será quinta-feira, 12/02, às 17h00, nos Aflitos
- Dólar hoje cai a R$ 5,18, em sessão de forte fluxo para países emergentes
- Diplomacia: Lula parabeniza vitória de António Seguro em Portugal. "Brasil seguirá trabalhando para fortalecer relações bilaterais"

- Maior usina nuclear do mundo será reativada após quase 15 anos no Japão. Empresa Tokyo Electric Power planeja retomar operação comercial em 18/03
- EUA x Irã: Irã está pronto para abrir mão de urânio enriquecido pelo fim das sanções, diz Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã
- Caso Epstein e a Realeza: o Palácio de Buckingham afirmou em comunicado que "está pronto" para apoiar investigações sobre Andrew e Epstein caso seja solicitado pela polícia
- Desabamento de prédios no Líbano deixa 15 mortos, diz agência estatal. Cidade de Trípoli enfrenta situação crítica, deterioração da infraestrutura e anos de negligência
- Conferência de Segurança de Munique: Brasil é um dos países que mais acham Trump bom para o mundo. Pesquisa saiu hoje, 09/02
- A Ultraconservadora, Primeira-ministra do Japão promete "mudança importante de política" após vitória

A primeira-ministra do Japão, a ultraconservadora Sanae Takaichi, afirmou hoje, 09/02, que os eleitores querem uma "mudança importante de política" após conquistar vitória nas eleições legislativas de ontem, 08/02. Se os resultados oficiais forem confirmados, a primeira mulher a governar o Japão, que tem o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, obterá um mandato sólido para administrar o destino do país de 123 milhões de habitantes pelos próximos 4 anos. "A população demonstrou compreensão e simpatia pelos nossos apelos sobre a urgência de uma mudança importante de política", declarou Takaichi hoje, durante entrevista coletiva em Tóquio, na qual afirmou que está ciente da "grande responsabilidade de tornar o Japão mais forte e mais próspero".
Brasil No Espelho - Por Elimar Pinheiro do Nascimento*
09/02/2026
O Brasil é um país de transições. Sofremos profundas mudanças nos últimos 50 anos. Deixamos de ser um pais rural, assistimos a desaceleração do crescimento populacional e um acentuado envelhecimento. Nos industrializamos e já adentramos uma economia digital. As mulheres ganharam autonomia e protagonismo, hoje a maioria no sistema escolar, que era para poucos. A família tradicional, monogâmica e patriarcal, conhece novos formatos. Nossas ruas transformaram-se em áreas de perigo, quando antes eram espaços de socialização. De um país sob regime ditatorial, nos transformamos em um país democrático, embora precário. Somos uma potência alimentar, energética, com a modernização de nossa agricultura, da infraestrutura e dos transportes. Adotamos um sistema único de saúde de uma dimensão inexistente no mundo. Na digitalização financeira, inventamos o PIX e na ampliação democrática, a urna eletrônica.
Nossa imagem no mundo ta...
Resenha do livro de Felipe Nunes
O Brasil é um país de transições. Sofremos profundas mudanças nos últimos 50 anos. Deixamos de ser um pais rural, assistimos a desaceleração do crescimento populacional e um acentuado envelhecimento. Nos industrializamos e já adentramos uma economia digital. As mulheres ganharam autonomia e protagonismo, hoje a maioria no sistema escolar, que era para poucos. A família tradicional, monogâmica e patriarcal, conhece novos formatos. Nossas ruas transformaram-se em áreas de perigo, quando antes eram espaços de socialização. De um país sob regime ditatorial, nos transformamos em um país democrático, embora precário. Somos uma potência alimentar, energética, com a modernização de nossa agricultura, da infraestrutura e dos transportes. Adotamos um sistema único de saúde de uma dimensão inexistente no mundo. Na digitalização financeira, inventamos o PIX e na ampliação democrática, a urna eletrônica.
Nossa imagem no mundo também mudou: não somos mais o país do carnaval ou do futebol; somos o país do PIX e do vídeo (novela, publicidade, filmes). A imagem de um povo preguiçoso, indolente e ignorante é, aos poucos, substituída pela imagem de um povo consumidor de novidades e ansioso por aprendizagem. Um Brasil de cultura e valores contraditórios por excelência; um país ambíguo, como dizia Roberto DaMatta em seus escritos das décadas de 1970/1980.
Em face dessas mudanças nada mais natural que nos perguntemos o que somos, quais as nossas especificidades e os valores que nos guiam. Enfim, o que nos define? É a essas questões que tenta responder o livro Brasil no Espelho.
Publicado em novembro de 2025, o livro de Felipe Nunes, socio fundador da Quaest, ocupou, na lista geral do Nielsen-PublishNews de 14 de dezembro de 2025, o 17º lugar, e, na lista de não ficção especialista, o quinto. Neste caso, perde ainda para o incansável Byung-Chul Han com seu livro A Sociedade do Cansaço — autor que já publicou no Brasil cerca de 30 livros nos últimos 10 anos. No ranking da Veja de 19/12/2025, no segmento de não ficção, o livro do sócio fundador da Quaest (3º lugar) ganha do livro do filósofo sul-coreano (7º lugar).
Como tudo no livro, o lançamento em novembro, às vésperas da Black Friday e perto do Natal, foi planejado. Contudo, a pressa é inimiga da perfeição, o que propiciou "cochilos" dos revisores. Por algumas poucas vezes, o texto e a tabela comentada não são condizentes. Na apresentação dos nove segmentos sociais em que o autor descreve o Brasil, o número 9 não aparece na listagem, em troca da repetição do 8.
Nada disso, no entanto, retira a qualidade do livro financiado e publicado pela Globo, que analisa um survey de 9.994 questionários aplicados em 340 municípios nas 27 entidades subnacionais. Contudo, um survey, por maior que seja, não consegue produzir um "imagem de alta definição" do Brasil — um país continental, diverso e complexo. Nenhuma boa imagem do Brasil pode esquecer os povos originários e as comunidades tradicionais com suas múltiplas facetas, dos pescadores artesanais aos quilombos. Infelizmente, ausentes no livro. Apesar destes representarem um percentual populacional maior do que o segmento de extrema-direita (3%).
O sucesso do livro deve-se não apenas a uma das maiores investigações sociológicas recentes do país — inédita por sua amostra e vastidão de questões abordadas —, mas também ao prestígio de seus promotores (Globo/Quaest) e de seu autor, cujo livro anterior, escrito com o jornalista Thomas Traumann, Biografia do Abismo, teve boa repercussão. Acrescente-se a equipe de bons profissionais participantes na condução e análise da pesquisa.
Os achados principais da investigação são resumidos na conclusão em 12 traços da sociedade brasileira que podem ser adensados em 10:
1. Fé e apego familiar: Deus acima de tudo (96%), fé acima da ciência (86%) e família em primeiro lugar, sendo reconhecida gradativamente em seus múltiplos formatos.
2. Pluralização evangélica: que substitui serviços estatais e influencia agendas morais, sobretudo nas periferias urbanas.
3. Ordem estatal e punitivismo: o desejo de ordem é estatal, mas o punitivismo generalizado baseia-se no medo e na desconfiança na Justiça e no próximo — a falta de confiança entre os brasileiros é um obstáculo ao desenvolvimento.
4. O "jeitinho brasileiro": é uma instituição nacional com diversas interpretações, visto em geral como negativo, mas valorizado como criatividade em determinadas circunstâncias.
5. Autoidentificação ideológica: é geral (96%), mas sem compromissos programáticos.
6. Moral do merecimento: apoia as políticas sociais — ajudar quem merece é visto como um dever da sociedade e do Estado.
7. Racismo: o Brasil é hoje reconhecido como um país racista, e os mais jovens abominam este racismo, defendendo políticas de ações afirmativas.
8. Insegurança e cansaço: a insegurança pública, o medo e o cansaço são traços marcantes do cotidiano dos brasileiros, diz o autor.
9. Ambiente digital: os brasileiros anseiam por informações e buscam aprender, mas são levados a enganos em ambientes digitais confusos, alimentados pela intensa polarização política.
10. Nova moldura analítica: é preciso uma nova tipologia que combine valores, crenças e experiências singulares, por vezes contraditórias, para entender o País.
Para melhor aproveitar a leitura do livro o leitor deve desconfiar de afirmações genéricas e singulares como "a sociedade", "o povo" ou "os jovens são isso e aquilo", que são sempre alavancas para uma visão simplista e falsa da realidade, comum no jornalismo e no livro. Como deve se prevenir dos modismos de dividir as gerações em segmentos de valores comuns. Se um indivíduo nasceu em 1963 é da geração Bossa Nova, mas se nasceu em 1965 é da geração Ordem e Progresso, segundo o livro. O que tem de comum alguém que nasceu em 1963 com alguém que nasceu em 1946 para serem agrupados? Afinal, gerações não são grupos sociais mas categorias sociais. Diferença essencial.
Os modelos são instrumentos que auxiliam a pensar o real, complexo e contraditório. Facilitam, mas deformam. Como as estatísticas que revelam por vezes coisas que não conhecemos, mas que podem esconder o essencial ou dizer coisas que não têm muito sentido. Se a margem de erro de uma pesquisa dessa magnitude é boa, o mesmo não ocorre quando a fragmento. Por exemplo, em afirmações peremptórias sobre cada uma das 27 unidades da Federação brasileira. Convido o leitor a fazer o cálculo para saber quantos questionários foram feitos no Amapá.
O livro contém uma síntese interessante de nossas percepções sobre o nosso País, mas está repleto de falsos ineditismos. Muitos dos achados, apresentados como inéditos, são há muito conhecidos e objetos de estudos das ciências sociais (aqui ausentes). Por exemplo: o sentimento de insegurança urbana, o crescimento das correntes evangélicas, a ambiguidade do jeitinho, a ajuda estatal meritocrática, o racismo estrutural, o aumento do empreendedorismo, a desconfiança social, a desigualdade (esta tida como "natural"), a adesão política sem cunho programático, a hegemonia do conservadorismo e a precarização do trabalho, entre outros.
Vide, por exemplo, a questão do modo de vida denominado pelo autor como "sobrevivência" como se fosse uma novidade, quando a literatura dos anos 1980 está repleta de estudos sobre "estratégias de sobrevivência". Literatura aqui ausente. Ou então, a afirmação de que o brasileiro ama o seu país e desconfia de seu povo. Achado inédito? Um “chiste” dos anos 50 já dizia isso: quando Deus concluiu a construção do mundo, os anjos reclamaram do país que não tinha ciclones, terremotos ou desertos, mas sim natureza abundante e água a rodo. "Uma injustiça", diziam os anjos. E Deus respondeu: "Esperem para ver o povinho que vou colocar lá". Outra falsa novidade é a apresentação do País dividido em dois tipos que podem ser relacionados a países. No caso o conservador e autoritário Zimbábue, e a liberal e democrática Suécia. Nenhuma novidade: Edmar Bacha já havia utilizado esse recurso metafórico na famosa "Belíndia" (Bélgica + Índia) na década de 1970.
O livro confirma, enfatiza e sintetiza noções que temos do Brasil. Porém, é aconselhável que o leitor não abdique da desconfiança natural em face das afirmações advindas de um questionário. É sabido que inquiridos respondem o que imaginam ser de "bom tom" ou evitam afirmações de contracorrente. A mais clássica dessas situações é aquela em que o/a entrevistado/a afirma que a sociedade brasileira é racista, mas eles, individualmente, não. Com um detalhe: a imensa maioria diz isso. Algo deve estar errado.
Não se pode esquecer que a ambiguidade, o contraditório e a desconfiança perpassam de maneira persistente muitas de nossas relações sociais, inclusive nas respostas a questionários. Lembro de um sociólogo que, estudando garotas de programa, decidiu fazer três entrevistas com cada uma, em três sucessivos meses, e comparar os resultados. Nas primeiras entrevistas tinham risos, nas últimas, choros.
Sinto falta da nova literatura historiográfica do Brasil, objeto de artigos acadêmicos e bons livros, como os de Jorge Caldeira (História da Riqueza do Brasil, 2017) ou de Rubem Barbosa Filho (Sinfonia Barroca: O Brasil que o povo inventou, 2025). Assim como, os inúmeros estudos sociológicos e antropológicos sobre o crescimento e a pluralidade dos evangélicos ou da criminalidade organizada que controla territórios e penetra nossas instituições, do parlamento ao judiciário. Aliás, crime organizado e crime superorganizado nas letras do professor Cristovam Buarque.
Mas, há uma verdadeira novidade — e, segundo o autor, sua maior contribuição: a segmentação do Brasil em nove categorias sociais, construídas a partir da análise de 197 variáveis: militante de esquerda (7%), progressista (11%), dependente do Estado (23%), liberal social (5%), conservador cristão (27%), empreendedor individual (5%), agro (13%), empresário (6%) e extrema-direita (3%). Proposta que merece ser analisada.
Contudo, não fica evidente por que o autor coloca na categoria "agro" tanto grandes proprietários modernos quanto trabalhadores rurais, nem por que os primeiros não estão com os "empresários". Não fica nítida também a distinção entre "empreendedor individual" e "liberal social", apesar das explicações. Assim como resta a dúvida sobre a função desta nova tipologia: substituir as clássicas divisões das categorias de idade, região, gênero e renda, ou apenas complementá-las? E, neste caso, o que se ganha?
Enfim, um livro que, apesar da abundância de marketing e escassez de literatura especializada, merece ser lido e discutido pelo volume de informações que contém. É uma bela síntese de muitas percepções conhecidas. Mas, com estatísticas novas, que retificam o que sabíamos ou amplia este conhecimento. Afinal, segundo o autor, a maioria dos brasileiros não conhece seu país. Embora sua base argumentativa (em 4 perguntas que não se sabe porque foram as escolhidas) seja frágil. Testei-o com 12 pessoas (jornalistas, acadêmicos e políticos), apenas uma acertou as 4 (uma jornalista). Muitos usaram a alternativa: Não sei.
*Elimar Pinheiro do Nascimento, é Sociólogo político e socioambiental. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília e do Programa de Pós-Graduação Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas.

O Centro Histórico do Recife Ainda Respira - Por Ricardo Andrade*
09/02/2026
Centro Histórico do Recife
Apesar disso, o Centro Histórico do Recife vive o dilema da privatização, com sua descaracterização constante, e o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco finge que não vê. Nem o Porto Digital, com 25 anos no local, nem iniciativas louváveis, como o Recentro (Gabinete do Centro do Recife) foram capazes de reverter a decadência, o quadro de abandono e o esvaziamento, com moradores, que se mudaram pra outros bairros da cidade. Muito embora seja audaciosa, a presente lei não é algo mágico e acabado, e precisa ser objeto constante de mais debate na esfera públi...
A nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, LPUOS, do Recife (Lei 19.426/2025), aprovada em outubro de 2025, procura modernizar as regras urbanas para promover moradia no centro, adensamento ordenado e sustentabilidade. A norma prioriza calçadas mais largas, fachadas ativas, uso de retrofits, e aumenta áreas de preservação histórica e ZEIS.
Centro Histórico do Recife
Apesar disso, o Centro Histórico do Recife vive o dilema da privatização, com sua descaracterização constante, e o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco finge que não vê. Nem o Porto Digital, com 25 anos no local, nem iniciativas louváveis, como o Recentro (Gabinete do Centro do Recife) foram capazes de reverter a decadência, o quadro de abandono e o esvaziamento, com moradores, que se mudaram pra outros bairros da cidade. Muito embora seja audaciosa, a presente lei não é algo mágico e acabado, e precisa ser objeto constante de mais debate na esfera pública, coisa que não houve até agora, com a participação dos vários atores socioeconômicos, até para não ficar refém, exclusivamente da Prefeitura e da especulação imobiliária.

A requalificação e todas as demandas
A Prefeitura não possue recursos suficientes para arcar com a requalificação e todas as demandas dessa área, mas seja qual for o instrumento utilizado (PPP, concessão, privatização etc) não deve perder de vista a função social da propriedade, já que, vislumbra a perspectiva da sustentabilidade. Esse é um debate e uma agenda, que não se encerra simplesmente, com uma nova legislação. Esse conjunto das várias políticas públicas (patrimônio cultural, turismo, planejamento urbano, habitação, trânsito e mobilidade, segurança pública, etc) merece e deve ser tratado de forma intersetorial, na direção da transversalidade.
*Ricardo Andrade, é Historiador, Mestre em Gestão Pública (Fundaj) e Presidente do IHGAAP (Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico do Paulista).

Entrevista com Tadeu Alencar: “O PSB é um partido que tem presença na vida política brasileira”, diz
09/02/2026
A Força do PSB
Na entrevista Tadeu Alencar falou sobre a força do PSB. “O PSB é um partido que tem presença na vida política brasileira. Somos uma legenda de centro-esquerda, focada no equilíbrio social, na justiça social, mas principalmente em ideias inovadoras. Quando governamos Pernambuco tivemos projetos muito importantes que modificaram a face econômica, social e cultural do nosso estado”, disse.
Tadeu: O PSB é um símbolo respeitado na política brasileira
O ex-deputado citou ainda exemplos de estados onde o PSB governa e nos quais existem experiências de gestores exitosas. “Na Paraíba, no Maranhão e Espírito Santo o partido tem papel fundamental no progresso desses estados. O PSB é u...
Em entrevista, o ex-deputado federal Tadeu Alencar. Um dos principais nomes do PSB pernambucano e atualmente ocupa o posto de secretário executivo do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
A Força do PSB
Na entrevista Tadeu Alencar falou sobre a força do PSB. “O PSB é um partido que tem presença na vida política brasileira. Somos uma legenda de centro-esquerda, focada no equilíbrio social, na justiça social, mas principalmente em ideias inovadoras. Quando governamos Pernambuco tivemos projetos muito importantes que modificaram a face econômica, social e cultural do nosso estado”, disse.
Tadeu: O PSB é um símbolo respeitado na política brasileira
O ex-deputado citou ainda exemplos de estados onde o PSB governa e nos quais existem experiências de gestores exitosas. “Na Paraíba, no Maranhão e Espírito Santo o partido tem papel fundamental no progresso desses estados. O PSB é um símbolo respeitado na política brasileira, é composto por políticos que têm integridade pessoal e uma luta em defesa da emancipação do seu povo, mas principalmente é um partido de gestões que correspondem aos anseios da população”. (Entrevista foi com o Blog do Alberes Xavier)
Lília Gondim, querida articulista de O Poder, convida para o Lançamento do seu primeiro livro - 'Dez Contos Fiados e Doze Tostões de Lembranças'
09/02/2026
A autora estreia com uma obra que mescla ficção e memória. A primeira parte traz 10 histórias de ficção e a segunda, 12 crônicas afetivas da sua vida. Prefácio por Lourdes Rodrigues e capa com foto do Ginásio Pernambucano registrada por Carol Gondim.
Falou Lília
Lilia conta: “Gosto de escrever desde criança. Participei da Oficina Clarice Lispector e, a partir daí, organizei meus textos para publicação”.
Serviço:
Local: Olegária Cozinha Informal – Rua Joaquim Xavier de Andrade, 72, Poço da Panela– Recife/PE
Próximo à Praça de Poço da Panela e à Igreja de Nossa Senhora da Saúde.
Quando: Terça-feira, 10/02/2026
Hora: A partir das 17h00
*Lília Gondim, é economista, funcionária pública estadual aposentada, escreve contos, crônicas e poemas.
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Sobre a Obra
A autora estreia com uma obra que mescla ficção e memória. A primeira parte traz 10 histórias de ficção e a segunda, 12 crônicas afetivas da sua vida. Prefácio por Lourdes Rodrigues e capa com foto do Ginásio Pernambucano registrada por Carol Gondim.
Falou Lília
Lilia conta: “Gosto de escrever desde criança. Participei da Oficina Clarice Lispector e, a partir daí, organizei meus textos para publicação”.
Serviço:
Local: Olegária Cozinha Informal – Rua Joaquim Xavier de Andrade, 72, Poço da Panela– Recife/PE
Próximo à Praça de Poço da Panela e à Igreja de Nossa Senhora da Saúde.
Quando: Terça-feira, 10/02/2026
Hora: A partir das 17h00
*Lília Gondim, é economista, funcionária pública estadual aposentada, escreve contos, crônicas e poemas.
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"Como Tornar As Democracias Impossíveis" - Por Jarbas Beltrão*
09/02/2026
A morte da Democracia é geralmente entendida como caminho ou passos de natureza ideológica, em contraposição a legalidade ou legitimidade de uma ordem politica vigente já confirmada e transformada em aparato de leis.
As leis seguem por aprovação nos fóruns que existem para tais fins, regula a vida da sociedade sob o guarda-chuva de tal estrutura legal.
As leis construídas numa sociedade democrática devem se aproximar da vontade de uma maioria; muitas vezes é espírito de um grupo, classe ou categoria, mas que consegue por um tempo satisfazer a vontade da grande maioria.
Desta forma, equilibra, as relações entre os cidadãos que na maioria das vezes possuem interesses diversos, mas conciliáveis. Com ganhos e perdas para quaisquer dos lados em confrontos de interesses.
'Da Democracia Liberal'
A democracia liberal é construída por classes e conduzida por uma classe dirigente....
'A democracia e as Leis'
A morte da Democracia é geralmente entendida como caminho ou passos de natureza ideológica, em contraposição a legalidade ou legitimidade de uma ordem politica vigente já confirmada e transformada em aparato de leis.
As leis seguem por aprovação nos fóruns que existem para tais fins, regula a vida da sociedade sob o guarda-chuva de tal estrutura legal.
As leis construídas numa sociedade democrática devem se aproximar da vontade de uma maioria; muitas vezes é espírito de um grupo, classe ou categoria, mas que consegue por um tempo satisfazer a vontade da grande maioria.
Desta forma, equilibra, as relações entre os cidadãos que na maioria das vezes possuem interesses diversos, mas conciliáveis. Com ganhos e perdas para quaisquer dos lados em confrontos de interesses.
'Da Democracia Liberal'
A democracia liberal é construída por classes e conduzida por uma classe dirigente.
Ela deve ser um território político de fronteiras abertas para vários interesses, mas não deve ser um território onde facilmente possa ser penetrado e ate sofrer alterações em seu arcabouço legal.
Enfim deve sempre está aberta para inovações sem se afastar muito das tradições e comprometida como espírito cada vez mais amplo de liberdade.
A Democracia burguesa liberal surgiu historicamente com o propósito de substituir o que se considerava a sociedade de privilégios das nobrezas.
'Da Democracia anti-colonialista norte americana'
A maior das Democracias liberais é a "Democracia norte-americana". Surgida dos interesses de uma elite colonial que já
não conseguia conviver com as exigências da metrópole inglesa.
A elite colonial ao declarar separação em relação à metrópole torna-se-á dirigente da construção da jovem República, seguidora naquele momento de um modelo democrático, que atendia variadas demandas. Thomas Jefferson e George Wasshington, são algumas das mentes influentes da construção daquele Estado Liberal.
O modelo democrático liberal consegue a aprovação de outros segmentos sociais - nem todos claro - mas permite a consolidação de uma "pax social".
A democracia liberal daquela elite dirigente colonial será a coluna vertebral que será guia da maioria, para apontar o caminho a ser percorrido por todo corpo nacional.
'Democracia é o regime de regras'
Regras, princípios, condutas que são gerados dentro de uma sociedade democrática liberal devem ser conduzidas desprovidas - o máximo possível - de espírito de privilégios.
Na Democracia liberal deve caber sempre
espaço para aperfeiçoamentos, que não é concessão dos dirigentes, mas fruto de pressões dos diversos grupos sociais existentes, que faz avançar conquistas demandadas momentâneamente do corpo social.
A estrutura de leis e regulamentos é a resposta materializada das aprovações ocorridas dentro de instituições reguladoras e define princípios que acreditam ser democráticos, isto é, contratos com aprovação dos agentes sociais.
'As Ditaduras'
Nas ditaduras, aos que não reza a cartilha dos donos do poder recebem a acusação de "antidemocráticos", às vezes chamados até de "antipatrióticos".
As ditaduras modernas do século XX, sempre se declararam democráticas.
Os discordantes não são só considerados adversários, opositores, mas inimigos. O que é um confronto com um entendimento de democracia liberal. E a vontade de quem tem o poder é imposta.
A História está repleta de exemplos de grupos que sequestram o Estado e colocam suas instituições à serviço dos controladores, isto é, tiranos tornados donos do Estado e/ou governo.

Um dos muitos caminhos seguidos para a morte da Democracia. Caso dos chamados totaitarismos, como Nazismo, fascismo, socialismo, comunismo.
Nas ditaduras que me refiro, o Estado é um mero instrumento que através de governos fazem atuação usando meios para proveito de um indivíduo ou grupo de poder que constroem a engenharia das ditaduras.
Hitler usou o seu III Reich para executar seu plano diabólico de poder pessoal. Lenin, Stalin e Mao sequestraram o Estado, e através de partidos únicos construíram seus "governos, ditos populares".
Controlaram a economia, a política e a cultura e passaram/passam por cima dos interesses de quem é a fonte da sustentação do Estado - o povo.

A mente do ditador é a mente de quem acredita que sendo o governante, age como sua personalidade autoritária recomenda.
Ditaduras se denominam "Democracia de classe" é discurso de extremistas de "direita" ou "esquerda", e seus conteúdos trazem o vírus da contaminação da Democracia Liberal.
Stalin, Lenin, Mao, Fidel, Mussolini, empregaram o rótulo de " Democracia Popular" para denominarem seus governos que surgiram da ação do sequestro do Estado.
Propagaram que suas "democracias" eram democracia de classe e existiam para destruir as "classes inimigas", que estavam em confronto dentro de um ringue chamado " luta de classes.
'A morte da Democracia num lugar chamado Arquipélago das Ilhas da Fantasia'
O "Arquipelago da Ilhas da Fantasia (que recebe a sigla BR), é um lugar imaginário em que, permanentemente faço visitas.
Nesse lugar, que se diz democrático, eventos acontecem que faz arrepiar cabelos, e os principios democráticos de regras são deixados de lado, literalmente quebrados, pisados como um indesejável barata.
O "Arquipélago" (BR) vive, no momento, dias proximidades do embate eleitoral; numa das Ilhas, duas forças políticas se digladiam, no confronto acusam-se mutuamente; por práticas tipicas de ditaduras - e são realmente. Sem meu perdão prá nenhum dos lados . Não dá prá perdoar mentes totalitárias.

Numa das "Ilhas deste Arquipelago", na mais importante cidade - a capital da Ilha - o "alcáide" da mesma é candidato a governar a Ilha, usa de seu cargo, e golpeia mortalmente a Democracia.
A partir de um concurso público - nada mais democrático, com regras estabelecidas democraticamente - resolve furar fila de classificação dos aprovados e tira alguém lá na rabeira, mas seu apadrianhado e o alça para primeira colocação. No "Governo quem manda sou eu". Aí beneficia um fulano do seu grupo. Assassina sonhos de cidadãos, muitas vezes jovens, que enxergam a seleção como a grande oportunidade de sua vida.
Pois é, para o "alcáide" segue o aviso", "A circunstância faz o homem". Quem assim age o fará em outras oportunidades.
A outra candidatura é a governante que almeja a reeleição.
Trata-se de candidata, usa a máquina da "Ilha" e gera um desvio de funções, torna um equipamento do governo da "Ilha" , à serviço de seus interesses pessoais. Monta uma engenharia de espionagem, contra o adversário - o Alcáide e seus auxiliares- Usa a máquina Estatal para fazer as vezes de um corpo de espionagem à seu serviço.
'O governo geral do Arquipélago'
Também o Governo geral do "Arquipélago" (BR), acontecerá escolha eleitoral do gestor geral. Também duas forças políticas se confrontam.
A primeira força almeja a reeleição, representa uma candidato que entende a Democracia, como uma regime de classe social; é um regime relativo, daí estimula a morte do adversário - no fim, pensa o outro lado em disputa como um inimigo de classe.
Planeja, esse que quer a reeleição, desapropriação de riqueza e propriedade e tornar todos iguais, é o caminho da "solução perfeita e definitiva",é a arquitetura da felicidade.
O grupo contrário apoiando-se numa liderança que já governou o Arquipélago (BR) desconhecendo e ultrapassando regulamento partidário , indica seu filho pra candidatar-se a Presidência do Arquipélago Pois é, trata-se do caminho para a construção de uma Dinastia Familiar.
'Conclusão'
No "Arquipélago das Ilhas" tivemos quatro situações, que na verdade é onde encontramos os "vírus" da ultrapassagem dos limites de quem tem o poder, eles provocam a morte da Democracia, morte que antecede sofrimentos.
Numa sociedade de massas, poder do governante, ou candidato à tal, para se aproximar das massas, não pode dispensar uso instrumentos que os mistura com o povão.
O político ou candidato deve sempre ensaiar alguns passinhos de danças nas
festas populares.
Deve, em outras situações infiltrar-se na multidão.
presentar um sorriso largo e se fazendo identificar com aquelas figuras das massas; tudo junto e misturado deve prometer infinitas ajudas e vales para os desprovidos sociais ou vitimizando-se como um perseguido político - às vezes é - perseguição promovida pelos donos temporários do "poder".
As massas e suas demandas -nem sempre coerentes - são as atrações e fontes de um poder escalonado, onde as mesmas jamais alcançam a cúpula, são apenas usadas para cimentar o poder, como teoriza Ortega y Gasset no seu estudo:
"A Rebelião das Massas". A disfunção cognitiva dessa galera é de fundamental importância.
Tenho Dito desde à Serra das Russas - Gravatá.
*Jarbas Beltrão é Historiador, professor de História da UPE. Mestre em Educação pela UFPB. MBA em Política Estratégia Defesa e Segurança pela Adesg e Faculdade Metropolitana São Carlos/SP. Vinculado ao MBA em Geopolítica e Novas Fronteiras, Cibernética e Inteligência Artificial pela Adesg (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra) e Instituto Venturo. Membro associado Academy Ventury de Política e Estratégia.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

A Noite dos Tambores Silenciosos em Olinda. É Hoje. - Crônica, por Romero Falcão*
09/02/2026
“Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
saberá lhe dar valor,
vale quanto pesa
pra quem preza o louco bumbum do tambor.”
Coisa do Demônio
No momento atual em que vivemos, no qual o preconceito e a ignorância fazem a festa, e os terreiros de Candomblé são apedrejados, com as religiões de matriz africana demonizadas, quem quer saber onde é Luanda?
Por que não estudamos, no ensino fundamental, a cultura da mãe África — mãe que gerou todos nós? Só assim, talvez, a luz do conhecimento sepultasse a escuridão da estupidez — coisa do Demônio.
No Pátio do Terço
Toda segunda-feira antes do Carnaval há o ritual dos Tambores Silenciosos, em Olinda Antiga. Eu já conhecia a celebração que acontece no domingo de Carnaval, no Pátio do Terço, no Recife, a qual me causou uma espécie de epifania.
Mãos...
Diz o grande poeta da música popular brasileira, Gilberto Gil:
“Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
saberá lhe dar valor,
vale quanto pesa
pra quem preza o louco bumbum do tambor.”
Coisa do Demônio
No momento atual em que vivemos, no qual o preconceito e a ignorância fazem a festa, e os terreiros de Candomblé são apedrejados, com as religiões de matriz africana demonizadas, quem quer saber onde é Luanda?
Por que não estudamos, no ensino fundamental, a cultura da mãe África — mãe que gerou todos nós? Só assim, talvez, a luz do conhecimento sepultasse a escuridão da estupidez — coisa do Demônio.
No Pátio do Terço
Toda segunda-feira antes do Carnaval há o ritual dos Tambores Silenciosos, em Olinda Antiga. Eu já conhecia a celebração que acontece no domingo de Carnaval, no Pátio do Terço, no Recife, a qual me causou uma espécie de epifania.
Mãos e Bênçãos
Então, em 2019, fui conhecer os tambores que rufam nas ladeiras de Olinda. Fui “prezar o louco bumbum do tambor”.
Segunda-feira à noite, sigo para os Quatro Cantos, Olinda Alta. É lá que os maracatus se encontrarão e seguirão para o Bom Sucesso. À meia-noite, na Igreja do Rosário dos Pretos, os tambores silenciam em reverência aos orixás. Santos africanos e do catolicismo dão as mãos e as bênçãos.
Ouvidos e Almas
Uma espécie de passarela se forma na ladeira que dá nos Quatro Cantos, onde o povo assiste à passagem dos maracatus. Fico ali, segurando um gradil de ferro, observando tudo. Homens, mulheres e crianças tocam suas alfaias, ganzás, gonguês, taróis. Todos trazem o ritmo africano para os nossos ouvidos e para a nossa alma.
Mística Noite
O transe das mãos no tambor, as cores das roupas, saias rodadas, sedas brancas, rosas e azuis, colares, olhares, gestos, dança e suor se espalham na mística noite. Os integrantes do maracatu estão descalços; pisam, com a carne do pé, a ladeira de Olinda e, com as mãos, extraem do instrumento a batida da África. Fiz um trocadilho com a letra de Alceu Valença: “Olinda, tens a paz dos mosteiros da Índia”. Olinda, tens a magia dos terreiros da África.
Energia dos Orixás
O último maracatu passa pelos Quatro Cantos perto da meia-noite. Eu e uma ruma de gente seguimos atrás, em direção à Igreja do Rosário dos Pretos, localizada no bairro do Bom Sucesso. Subimos e descemos ladeiras com cheiro de povo e energia dos orixás.

Nem Briga, Nem Confusão
Não vi sequer um empurrão. Apesar da multidão, a paz seguiu conosco, juntamente com uma rede invisível de proteção. Muitos turistas, gringos, tiravam fotos, filmavam com suas câmeras caras, ficavam à vontade. Até a mão habilidosa do mais perigoso ladrão resolveu se aquietar em respeito a Exu, Ogum, Oxum, Xangô. Nem sinal de roubo, nem briga, nem confusão.
Alegria e Força Interior
Chegamos à Igreja do Rosário dos Pretos, que fica num pequeno monte. O mestre de cerimônia, provavelmente um pai de santo, inicia o ritual. Os tambores mudam de ritmo, e uma inexplicável sensação percorre o meu corpo: um misto de amor, alegria e força interior.
Nobel de Literatura
O prêmio Nobel de Literatura, Albert Camus, quando esteve no Rio de Janeiro, participou de um ritual de Candomblé. No final, disse: “Amo a noite e o céu mais do que os deuses dos homens.”

Após o silêncio dos tambores, meu silêncio diz: hoje, mais do que a noite e as estrelas de Olinda, contemplo os Deuses africanos. À meia-noite, todos os tambores se calam. As luzes se apagam. Orações em Iorubá evocam os irmãos - ancestrais- escravizados.
*Romero Falcão é um cronista que se arrisca a fazer poema torto.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Moreira Alves — sábio ou profeta? - Por, Emanuel Silva*
09/02/2026
Existem figuras públicas cuja principal qualidade é algo raro: a capacidade de perceber, com serenidade, as consequências institucionais das regras que ajudam a construir.
Não se trata de adivinhar o futuro, mas de compreender os desdobramentos dos incentivos. E aqueles que compreendem profundamente os incentivos institucionais conseguem antecipar comportamentos políticos antes que eles se tornem rotina histórica.
José Carlos Moreira Alves (1933–2023) pertence a essa categoria incomum.
Magistrado de formação clássica, professor de direito romano e civil, Moreira Alves atravessou — de dentro do próprio Estado — a transição entre o regime autoritário e a ordem constitucional inaugurada em 5 de outubro de 1988. Um feito e tanto.
Sua marca não foi o protagonismo público, muito presente na cultura da atual Suprema Corte, mas a sobriedade técnica. E é precisamente essa sobriedade...
Ou a lição esquecida de um magistrado.
Existem figuras públicas cuja principal qualidade é algo raro: a capacidade de perceber, com serenidade, as consequências institucionais das regras que ajudam a construir.
Não se trata de adivinhar o futuro, mas de compreender os desdobramentos dos incentivos. E aqueles que compreendem profundamente os incentivos institucionais conseguem antecipar comportamentos políticos antes que eles se tornem rotina histórica.
José Carlos Moreira Alves (1933–2023) pertence a essa categoria incomum.
Magistrado de formação clássica, professor de direito romano e civil, Moreira Alves atravessou — de dentro do próprio Estado — a transição entre o regime autoritário e a ordem constitucional inaugurada em 5 de outubro de 1988. Um feito e tanto.
Sua marca não foi o protagonismo público, muito presente na cultura da atual Suprema Corte, mas a sobriedade técnica. E é precisamente essa sobriedade que permite formular a pergunta central:
Moreira Alves foi apenas prudente — ou enxergou, cedo demais, o risco de um poder sem freios no Brasil?
O desenho constitucional que deslocou silenciosamente o poder em trinta anos
A Constituição de 1988 ampliou legitimamente o controle de constitucionalidade e fortaleceu o Supremo Tribunal Federal como guardião dos direitos fundamentais.
Esse avanço é inegável e foi essencial para estabilizar a democracia após duas décadas de exceção. Mas toda arquitetura institucional produz efeitos colaterais.
Ao expandir o controle abstrato e permitir acesso direto ao STF, o texto constitucional criou um atalho estrutural: conflitos políticos passaram a poder ser resolvidos fora da política representativa.
A lógica é conhecida pela teoria constitucional:
• perder no Parlamento tem alto custo político;
• judicializar tem custo menor e efeito potencialmente nacional;
• assim, atores políticos — inclusive os de menor protagonismo — aprendem a migrar da arena legislativa para a judicial.
Esse fenômeno, posteriormente descrito como judicialização da política ou juristocracia, não surgiu por acidente. Já estava potencialmente inscrito no próprio desenho institucional. E Moreira Alves parecia perceber, desde cedo, essa consequência estrutural. Em termos extremos, bastaria que um único parlamentar, representante de minoria ínfima, ajuizasse ação de inconstitucionalidade contra decisão aprovada por todo o Congresso para suspender seus efeitos. Seria, em tese, um contra centenas — não pela força do voto, mas pela via processual.
Da supremacia constitucional à percepção de estratificação institucional
O constitucionalismo democrático admite um poder contramajoritário. Mas exige, como contrapartida, responsabilização proporcional ao poder exercido. Porém, quando essa simetria se enfraquece, surge fenômeno descrito pela teoria política como estratificação institucional — desigualdade não de renda, mas de acesso efetivo ao poder decisório.
Nesse ponto, a antiga metáfora de Belíndia, formulada por Edmar Bacha em 1974 para explicar a desigualdade econômica extrema, ganha nova leitura: a desigualdade no Brasil de hoje deixou de ser apenas econômica e passou a ser também institucional.
O Brasil atual tem uma pirâmide percebida socialmente:
• no topo, esferas altamente protegidas de decisão, a exemplo dos integrantes do supremo;
• no meio, poderes eleitos submetidos a desgaste permanente;
• na base, cidadãos que financiam todo o sistema sem influência proporcional.
A sociologia descreve o fenômeno. A antropologia também o examina.
A linguagem política brasileira contemporânea o traduz em termo mais duro: uma sociedade de castas.
O Brasil tem castas, não no sentido jurídico formal, como na antiga Índia, mas como sensação pública de intocabilidade daqueles situados no topo institucional.
O ponto que Moreira talvez não tenha previsto: a erosão ética do poder sem limite
O alerta de Moreira Alves era estrutural: o risco do excesso de poder jurisdicional. E a experiência brasileira posterior acrescentou dimensão mais delicada: o impacto ético-reputacional do poder quando não submetido ao mesmo escrutínio público que exige dos demais.
Em democracias consolidadas, a simples proximidade entre autoridade decisória e interesses econômicos relevantes — ainda que formalmente lícita — costuma produzir: transparência ampliada; autocontenção institucional; constrangimento público legítimo.
Quando isso não ocorre, instala-se fenômeno mais corrosivo que a própria ilegalidade: a normalização do privilégio percebido.
O dano deixa de ser apenas jurídico. Torna-se civilizatório, porque a confiança pública começa a se dissolver antes mesmo de qualquer sentença.
Aqui reside o limite histórico do próprio Moreira: ele anteviu a hipertrofia institucional do controle constitucional, mas não necessariamente o grau de desgaste moral percebido que o poder sem freios da Suprema Corte poderia produzir. Atualmente, integrantes da mais alta corte do Brasil são arrastados para um furacão de relações milionárias, muito mal explicadas, com personagens que promoveram desfalques. Para Morais, os milhões de dólares do contrato da sua esposa (convertendo em dólar, temos milhões de dólares) não merece muita explicação. E se alguém das castas inferiores ousar pedir informação, sofre uma coação descomunal e risco de entrar no inquérito mais brutal que a Inquisição. O mesmo se aplica nas relação de Tofolli e de outros pares.
A casta superior não admite sequer ser indagada. Se acham perfeitos, puros e intocáveis, mesmo diante de algumas coisas nada republicanas.
Sábio, profeta… ou apenas juiz?
A pergunta inicial exige precisão conceitual.
Moreira Alves foi sábio? Foi profeta?
Os profetas anunciam destinos. Os sábios proclamam verdades universais. Contudo, Moreira Alves, fez algo mais raro na vida pública brasileira: limitou-se a ser magistrado.
Moreira Alves foi um juiz que:
• reconhecia fronteiras institucionais;
• não confundia visibilidade com autoridade;
• não tratava crítica como ofensa;
• não transformava o cargo em espetáculo.
Não foi herói. Não foi vilão. Não foi mito.
Foi aquilo que a tradição republicana considera indispensável: um magistrado consciente de que poder legítimo é poder limitado.
E talvez essa seja a crítica mais dura ao presente: quando juízes da Suprema Corte passam a agir como protagonistas políticos, a República começa a perder silenciosamente o seu eixo.
Para relembrar
José Carlos Moreira Alves nasceu em 19 de abril de 1933, em Taubaté (SP), e faleceu em 6 de outubro de 2023, em Brasília. Formou-se em Direito em 1955 e concluiu o doutorado em 1957, dedicando-se ao magistério em direito civil e romano em instituições como USP, UFRJ, UnB, FGV e Universidade Gama Filho. Exerceu a advocacia entre 1956 e 1975, integrou comissões legislativas do Ministério da Justiça e participou da elaboração do anteprojeto do Código Civil brasileiro. Foi Procurador-Geral da República (1972–1975) e ministro do Supremo Tribunal Federal de 1975 até a aposentadoria em 2003. Presidiu o STF entre 1985 e 1987 e, por força normativa da época, presidiu a sessão de instalação da Assembleia Nacional Constituinte em 1º de fevereiro de 1987, vinculando-se institucionalmente ao nascimento da Constituição de 1988. Sua obra concentrou-se sobretudo em: direito romano; direito civil; teoria jurídica clássica.
Mais do que decisões específicas, Moreira Alves deixou como legado um estilo de magistratura discreto, técnico e avesso ao personalismo.
E que Deus o abençoe !
E para concluir...
Talvez a maior lição de Moreira Alves seja também a mais simples: a grandeza de um juiz não está no quanto ele pode, mas no quanto ele escolhe não poder.
*Emanuel Silva, é Professor e Cronista
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Quando o Frevo não se dança — Se faz o Passo, por Zé da Flauta
09/02/2026
Influências
A capoeira foi uma influência decisiva. Capoeiras acompanhavam as bandas, protegiam os músicos, abriam caminho, exibiam destreza e intimidação ao mesmo tempo. Muitos movimentos do passo vêm diretamente desse vocabulário corporal: a rasteira que vira acrobacia, o agachamento que vira salto, o desequilíbrio controlado. Soma-se a isso o chamado “passo do bêbado”, a...
O passo nasceu antes de ser dança. Nasceu como estratégia de sobrevivência corporal num ambiente onde a música era veloz, a rua era apertada e o corpo precisava responder rápido. No Recife do fim do século XIX e começo do XX, as bandas militares desciam tocando dobrados cada vez mais acelerados, disputando espaço, som e território. No meio disso, o povo acompanhava. Para não ser atropelado pela multidão, o corpo começou a inventar desvios, saltos, agachamentos e giros repentinos. O passo não foi coreografado, foi improvisado. Não nasceu em salão, nasceu no empurra-empurra da rua.
Influências
A capoeira foi uma influência decisiva. Capoeiras acompanhavam as bandas, protegiam os músicos, abriam caminho, exibiam destreza e intimidação ao mesmo tempo. Muitos movimentos do passo vêm diretamente desse vocabulário corporal: a rasteira que vira acrobacia, o agachamento que vira salto, o desequilíbrio controlado. Soma-se a isso o chamado “passo do bêbado”, aquele andar torto, cambaleante, irônico, quase debochado, que engana o olhar e confunde o adversário. O corpo parecia perder o controle, mas estava mais atento do que nunca. O passo nasce dessa contradição: parecer caos, ser preciso.
Símbolo
E então surge a sombrinha. Pequena, colorida, hoje símbolo, ontem ferramenta. Primeiro para se proteger do sol, depois para substituir a navalha quando a repressão apertou. A sombrinha virou extensão do corpo, ponto de equilíbrio, arma simbólica, assinatura estética. Com ela, o passo ganhou teatralidade, desenho no espaço, identidade visual. Mas é importante lembrar: a sombrinha não cria o passo, ela acompanha. O passo já existia antes, no corpo que se esquivava, saltava, sobrevivia.
Liberdade
Talvez a maior singularidade esteja aí: o frevo é a única música cuja dança não leva seu nome. Não se dança frevo. Faz-se o passo. Isso diz muito. O passo não é gênero musical, é ação. É verbo. É a resposta do corpo ao som. Enquanto outras danças se organizam como forma, o passo se organiza como atitude. Quem dança frevo não reproduz, resolve. Resolve o ritmo, a rua, o espaço, o desafio. Coisa do pioneirismo pernambucano, da originalidade do seu povo: não há outro caso igual. Porque o passo não nasceu para ser dança. Nasceu para ser liberdade em movimento.
Até a próxima!
Zé da Flauta é compositor e cronista

Quando nasceu o Frevo, por Roberto Vieira
09/02/2026
Diário
Em uma pesquisa minuciosa no Arquivo Público encontrei que o jornal mais antigo em circulação na América Latina já trazia o termo um ano antes da data celebrada. No dia 11 de janeiro de 1906 a capa do Diario anunciava um ensaio da Troça Carnavalesca Mirim Tome Farofa na Rua dos Ossos onde seria executada a marcha intitulada O frevo.
1906
O registro histórico encontrado no Diario de Pernambuco antecipa em exatamente treze meses a primeira menção conhecida até então. Enquanto o mundo celebra o frevo com base em 1907 os documentos provam que o ritmo já possuía nome e identidade nas ruas do Recife em janeiro de 1906.
Leonardo
A história oficial do frevo sempre apontou para o dia 9 de fevereiro de 1907 como o marco zero do ritmo nas páginas de um jornal. A data foi imortalizada com base em uma publicação do Jornal Pequeno que menciona o Clube de Empalhadores do Feitosa.

Diário
Em uma pesquisa minuciosa no Arquivo Público encontrei que o jornal mais antigo em circulação na América Latina já trazia o termo um ano antes da data celebrada. No dia 11 de janeiro de 1906 a capa do Diario anunciava um ensaio da Troça Carnavalesca Mirim Tome Farofa na Rua dos Ossos onde seria executada a marcha intitulada O frevo.
1906
O registro histórico encontrado no Diario de Pernambuco antecipa em exatamente treze meses a primeira menção conhecida até então. Enquanto o mundo celebra o frevo com base em 1907 os documentos provam que o ritmo já possuía nome e identidade nas ruas do Recife em janeiro de 1906.
Leonardo
Indo mais a fundo no caso, descori que o pesquisador Leonardo Dantas Silva já havia citado a edição de 1906 em sua obra Carnaval do Recife. A descoberta ficou no limbo sem merecer o devido destaque para corrigir uma lacuna na memória cronológica da festa. Ressuscitar essa revelação reforça o papel do Diario de Pernambuco como o primeiro grande palco impresso da cultura popular pernambucana.

Legado
O objetivo da descoberta não era propor a mudança do feriado ou desmerecer o trabalho de pioneiros como Evandro Rabelo que lutou pela criação do dia do ritmo. O legado dessa pesquisa residiu no reconhecimento da primazia jornalística e na riqueza documental do estado. Ao trazer à luz a publicação do Diario de Pernambuco de 11 de janeiro de 1906 a história do frevo ganhou mais profundidade e simbolismo.
Presente
Trata-se de um presente para o povo pernambucano que agora sabe que sua maior expressão artística estava registrada e viva muito antes do que os livros escolares costumam narrar. A gente não perde nada com a verdade histórica só ganha mais um dia para frevar.
Fotos
Tive a honra de ser convidado até a sede do Diário de Pernambuco para tirar fotos com a edição histórica de 1906. Estar conectado com a memória material do meu estado foi um daqueles momentos mágicos da vida.
Ivan
Porém, nada disso seria possível sem o saudoso Mestre Ivan Maurício que ao saber do que eu havia encontrado contou a história para os colegas do Diario de Pernambuco. Serei eternamente grato ao Ivan. Deve estar frevando nas redações da eternidade.
Roberto Vieira é médico e cronista
