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Escola de Sargentos é um crime ambiental segundo ambientalista

18/06/2025

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O Poder tem uma posicão clara de apoio à instalação da Escola de Sargentos em Paudalho, conforme o projeto original, com replantio de área equivalente ao que será devastado. No entanto, fiel ao seu princípio de estimular o contraditório, dá voz à todas as correntes. Nesse sentido, fomos ouvir uma voz enfaticamente contraria ao projeto. Milton Tenório,
Profissional liberal, ativista ambiental e morador de Aldeia. Eis a nossa conversa.






O Poder : Quais os argumentos para ser contrário à instalação da Escola de Sargentos do Exército no local previsto ?

Milton Tenório : Não é só uma Escola de Sargentos do Exército ,é um complexo militar ,com duas vilas militares, campo de tiro e outros equipamentos.
A construção da Escola de Sargentos do Exército dentro da APA Aldeia-Beberibe, no Grande Recife, é um escândalo anunciado. Trata-se de um crime ambiental em plena Mata Atlântica, que prevê a des...

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O Poder tem uma posicão clara de apoio à instalação da Escola de Sargentos em Paudalho, conforme o projeto original, com replantio de área equivalente ao que será devastado. No entanto, fiel ao seu princípio de estimular o contraditório, dá voz à todas as correntes. Nesse sentido, fomos ouvir uma voz enfaticamente contraria ao projeto. Milton Tenório,
Profissional liberal, ativista ambiental e morador de Aldeia. Eis a nossa conversa.

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O Poder : Quais os argumentos para ser contrário à instalação da Escola de Sargentos do Exército no local previsto ?

Milton Tenório : Não é só uma Escola de Sargentos do Exército ,é um complexo militar ,com duas vilas militares, campo de tiro e outros equipamentos.
A construção da Escola de Sargentos do Exército dentro da APA Aldeia-Beberibe, no Grande Recife, é um escândalo anunciado. Trata-se de um crime ambiental em plena Mata Atlântica, que prevê a destruição de cerca de 200 mil árvores em uma das regiões mais estratégicas para a preservação ambiental e comprometer o abastecimento de água para cerca de um milhão de pernambucanos. É um ataque direto à biodiversidade, aos mananciais e à inteligência da população.

Mais do que devastar a flora, o projeto ameaça a fauna já fragilizada, onde das 38 espécies de mamíferos da Mata Atlântica com algum grau de ameaça de extinção (ICMBIO, 2018), 6 ocorrem na APA Aldeia-Beberibe, dentre elas o Gato do Mato e o Gato Maracajá , correspondendo a 16% dos mamíferos ameaçados para o bioma, além de comprometer as nascentes do Rio Catucá, único rio que alimenta a Barragem de Botafogo . Em vez de zelar pela segurança hídrica, o Exército avança com uma obra megalomaníaca, orçada em R$ 1,8 bilhão.
Não há justificativa plausível para instalar uma escola militar em cima de nascentes ,desrespeitando decretos estaduais que protegem os mananciais e os corredores ecológicos .O que deveria ser um espaço de formação cidadã se converte em um exemplo desastroso de desprezo pelo meio ambiente .Que lição se pretende dar aos jovens ? Que destruir florestas e comprometer o futuro do planeta é aceitável ?

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O Poder - A área de Mata Atlântica a ser efetada é original ou resultado de replantios ?

Milton Tenório - A área onde o Exército Brasileiro quer desmatar ,é uma área da União e sob o domínio dessa instituição.
Outrora Engenho Aldeia, hoje CIMNC e que foi desapropriado para treinamento de militares na 2° Guerra Mundial .
A Mata da Miritiba, como é seu nome , se regenerou com o passar dos anos e lembrando, que essa Mata está inserida nos corredores ecológicos da APA Aldeia Beberibe, criado em 05/06/2019 pelo então Governador Paulo Câmara .
Do KM 20 ao KM 30 da PE 027 Estrada de Aldeia, dentro do CIMNC tem a maior faixa continua de Mata Atlântica acima do Rio São Francisco.
Segundo estudos apresentados por docentes das Universidades UFPE, UFRPE, UFAL e o Fórum Socioambiental de Aldeia, o estudo da referida área e os impactos ambientais desse projeto foram apresentados para a Sociedade Civil e Governamental no auditório da UFRPE e ainda publicado em revista científica internacional .Os números desse impactos são assustadores e preocupantes .
Nessa área as árvores tem uma altura média de 30 metros e levaram anos para se regenerar.
Uma árvore grande com uma copa de 20 metros de diâmetro, chega a botar na atmosfera 1000 litros de água por dia. São verdadeiras máquinas de produzir água, para o consumo humano, para a agricultura, para as empresas de cervejaria e as fontes de água mineral da região.

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O Poder - Um replantio das espécies da Mata Atlântica em área similar ou maior, na mesma região que será afetada, não mantém o equilíbrio ecológico atual na Zona da Mata de Pernambuco ?

Milton Tenório - Não existe compensação ambiental para mananciais, para nascentes de rios ou de um bioma já consolidado e não se mantém equilíbrio ecológico devastando uma área equivalente a cem campos de futebol, procurar outra área e ainda gastando mais do erário público para tais fins.
Insistir nessa área o Exército terá que abrir licitação, contratar empresa e fazer inventário de árvore por árvore, resgate de animais silvestres, levando mais tempo e correndo risco de judicialização.
O Exercito Brasileiro precisa atender as alternativas locacionais, seria menos desgastante para a instituição que já não anda com sua imagem muito boa e para a sociedade civil que já sente os efeitos da crise climática e não tolera sequer ver a derrubada de uma árvore, imagine de 200 mil.
Isso vai cair mal para o Exército , Governo Federal e Estadual em pleno ano da COP30! Certamente esse crime ambiental vai cair na conta da pressão não só nacional como internacional.

O Poder - Como você viu a escolha da Escola de Sargentos do Exército em Pernambuco?

Milton Tenório - Vejo com muita preocupação, tanto economicamente quanto politicamente.
Embora tenha sido propagado que será um grande empreendimento que vai gerar emprego e renda ao Estado, esses números nunca foram apresentados.
Para se ter uma ideia dos exageros, um deles foi numa audiência pública na Alepe o Secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, comparou esse complexo militar que só chamam de Escola de Sargentos com o Complexo de Suape, no qual eu rebati tal comparação quando tive direito a fala, mesmo não sendo economista. Comparação esdrúxula, absurda.
Politicamente, discordei desde o princípio com alguns Coletivos que seguiram o Slogan "Escola de Sargentos Sim, desmatamento Não! Pessoalmente não concordo com essa leitura, porque deveria sim perguntar lá atrás qual a finalidade de sargentos na nossa sociedade? Quanto vai custar a formação de um sargento do exército nessa escola?
Para formar tecnólogos é preciso gastar tanto? Tecnólogos é um curso ofertado em várias Universidades públicas e privadas desse País, até mesmo em AD.
São essas perguntas que movimentos sociais e a Sociedade Civil começaram a se fazer e se antes o Exército anunciasse esse projeto num local sem atentar contra o meio ambiente talvez não teria despertado tais indagações.
Um bilhão e oitocentos milhões para implantação desse Complexo Militar num País onde faltam verbas para as Universidades Públicas é o que podemos chamar no mínimo de uso inadequado de recursos públicos.

Também vejo como estratégia , palavra inclusive usada pela alta cúpula do exército, a escolha de duas escolas militares no Nordeste. Com toda essa movimentação, formações "escolares" em Pernambuco com a Escola de Sargentos do Exército e o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em Fortaleza no Ceará, não tenho duvida em afirmar que foram de cunho ideológico.

O Poder - Como vê a participação do Ministro da Defesa José Múcio Monteiro nessa pauta ?

Milton Tenório - É inadmissível que o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro - pernambucano - esteja à frente de uma ação tão desastrosa para seu próprio estado. Enquanto seu primo, o empresário Eduardo Queiroz Monteiro, do Grupo EQM, mantém mais de 11 mil hectares de Mata Atlântica preservados. Múcio se torna um símbolo do negacionismo climático, patrocinando a destruição de uma das áreas mais sensíveis do território pernambucano.
Fiquei feliz ao saber recentemente que o Ministro José Múcio Monteiro de fato tem aberto um diálogo concreto com os ambientalistas .
Acredito que o Ministro, o Exército e o Governo do Estado subestimaram a capacidade de mobilização da sociedade civil e dos movimentos sociais. Espero que esse diálogo leve as alternativas locacionais e parem com esse negacionismo climático .
Os vídeos produzidos por vários artistas locais e nacionais, dentre eles Maciel Melo, Antônio Nóbrega, o médico e poeta Wilson Freire, Jessier Quirino, Xangai , Silvério Pessoa, Helder Vasconcelos, Geraldo Maia, Cannibal, Flaira Ferro, Lucinha Guerra, Fabiana Pirro, Otto, Evandro Mesquita, o Campeão Mundial de ondas gigantes Carlos Burle, a cineasta Kátia Mesel, a influencer e empresária Maria do Céu e tantos outros nomes mostraram a indignação com tal projeto e até políticos do Estado como a Presidente do Meio Ambiente da Alepe a deputada estadual Rosa Amorim, a deputada estadual Dani Portela, a vereadora de Olinda Eugênia Lima, as Vereadoras do Recife Jô Cavalcanti e Liana Cirne. Tendo repercutido bastante nas redes sociais.
Quem tem contribuído na esfera Federal, o único por sinal é o Deputado Federal Túlio Gadelha, sempre sensível as causas ambientais.
Nossa luta continua, estamos organizando outros atos e o Movimento Gato Maracajá junto com outros companheiros estamos preparando um grande ato cultural em defesa da APA Aldeia Beberibe.




O Poder - Como os ambientalistas avaliam a governadora Raquel Lyra no caso?

Milton Tenório - A governadora nunca recebeu os ambientalistas e fez pior. A omissão ou conivência do Governo de Pernambuco merece repúdio. A governadora Raquel Lyra utilizou a máquina pública e o CRPH para pedir a derrubada da decisão da juíza da Comarca de São Lourenço da Mata, que proibia obras públicas e privadas nos corredores ecológicos. E o presidente do TJPE, desembargador Ricardo Paes Barreto, atendeu ao pedido em decisão monocrática, escancarando o caminho para o desmatamento em larga escala. A Governadora nunca recebeu os ambientalistas. O que é lamentável .
Ainda assistimos alguns órgãos governamentais do Estado cometendo greenwashing , termo em inglês para maquiagem verde.
Esperamos que a Governadora abra sua agenda para nos receber como fez o Ministro de Estado José Múcio Monteiro.

Leia outras informações

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É Findi - Código Fênetre, por Tony Antunes de Palmares*

11/04/2026

A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!

O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.

Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!

O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.

Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




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É Findi - O Poeta - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*

11/04/2026

Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite



E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente



O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes



Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite



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E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente



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O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes



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Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Diana*, poema, por Felipe Bezerra*

11/04/2026

Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.

Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.

Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.

Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.

*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.

Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.

Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.

Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.

*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Eutrópio – Croniqueta, por Xico Bizerra*

11/04/2026

Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!...

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Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!).

Em Tempo: apenas para que não existam dúvidas e repetindo o que já disse em crônicas anteriores: me incluo entre os indevidamente chamados de Poeta. Não sou nem tenho a menor pretensão de sê-lo. Apenas escrevo, de quando em vez, letras de música popular, versos quaisquer, coisa de quem não tem o que fazer. Poeta é uma coisa muito maior. Salve Louro do Pajeú, Pinto do Monteiro, Manoel Bandeira, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


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É Findi – Cinema São Luiz - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*

11/04/2026

Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.

De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento...

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Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.

De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento da plateia representa o interior de uma tenda real; vastas tapeçarias suspensas, bordadas com três lírios de França, sobre os quais repousam dezesseis escudos de guerra em lembrança das cruzadas. O teto é como um imenso véu de rede que grossas cordas amarram.

Na frente do palco, os variados ornatos simbolizam as grandes virtudes de Dom Luiz que desceu do trono para subir a um altar; a palma (o prêmio da eterna boa aventurança); a concha (o brasão do peregrino); os besantes (os arautos do valor); a flor de lis (orgulho da Casa de França) e os dois ramos policromados, (o perfume de todas as virtudes), em cujo colorido, os nossos olhos descansam.

Finalmente, as duas colunas esguias e as marquises moldurando a tela cinematográfica indicam, na sua simplicidade técnica, a era arquitetônica moderna e constituem como que uma ligação entre o passado e o presente entre o longínquo século XIII, em que viveu o grande rei e o século XX, em que vivemos, representado, dignamente, pela imagem animada, colorida e sonora.”


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Malude Maciel* Em Dose Dupla

11/04/2026

Globo Terrestre - Poema

" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta

Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.



Viagens no tempo - Poema


Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.


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Globo Terrestre - Poema

" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta

Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.



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Viagens no tempo - Poema


Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Troca de Identidade - Por, Poeta Pica-Pau*

11/04/2026

Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la

Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito

A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la

Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito

A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


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É Findi - Levo, Não Levo? - Crônica - Por, Romero Falcão*

11/04/2026

Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.

Calcula o Salto

Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.

Não se Deve Vacilar

Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.



Solitário. Enrolado

Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os d...

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Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.

Calcula o Salto

Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.

Não se Deve Vacilar

Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.



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Solitário. Enrolado

Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os dois bancos vazios. Deus socorre? Ou o diabo testa?

Flores Discretas

Levanto desconfiado e me sento ao lado dele. Examino-o. Não é qualquer um desses pendurados nas ruas do comércio. É de qualidade. Cabo de madeira, trabalhado. Tecido encorpado, flores discretas. Hastes firmes.

Meu Mesmo ?

Bato três vezes — tok, tok, tok — com a ponta no piso do ônibus. Como quem diz: agora é meu.

É meu mesmo?

Achado não é furtado?



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O guarda-chuva me indaga:

— Isso vale para o silvícola, não para você, que conhece o Código Penal.

Me vem a lei dos homens:

“Apropriar-se alguém de coisa alheia, vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza.”



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Já deixei as digitais no produto do crime. Um passageiro me fita. Testemunha.

Lá fora, a natureza desaba. Aqui dentro, a natureza do guarda-chuva me inquieta:

— Melhor um molhado honesto que uma consciência ensopada.

Puxo a sineta.

Chuva, chuva, chuva.

O motorista para.

Levo, não levo?

Desço apressado.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


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Voo Recife/Cabo Verde: Raquel Teixeira Lyra comemora como sua ação do Governo Federal

10/04/2026

O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.

Foi Silvinho

A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.

Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem ti...

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O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.

Foi Silvinho

A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.

Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem tinha negociado a rota, Recife-Cabo Verde. Em nenhum momento o Governo Federal foi citado.
Fica claro que a governadora se apropria de uma ação que não foi sua e ainda é reforçada pelo seu presidente da Empresa Pernambucana de Turismo. É mais um exemplo de tentativa da governadora de fazer limonada com a laranja alheia.








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Arraes, Jango, JK e a Operação Condor, por Antônio Campos*

10/04/2026

Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.



A narrativa

Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.



Jango

Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte comple...

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Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.



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A narrativa

Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.



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Jango

Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte completa 50 anos em 2026, reafirmou que seu pai foi assassinado pela Operação Condor, uma articulação entre ditaduras militares da América Latina responsável por perseguir e eliminar lideranças políticas durante o processo inicial de redemocratização do continente. Nesse contexto, destaco também o papel do ex-presidente norte americano Jimmy Carter como figura importante no processo de abertura democrática.

Cobrança

João Vicente cobrou do Estado brasileiro o cumprimento de seu dever institucional de investigar as circunstâncias reais da morte de seu pai. Ele relembrou a relação entre Jango e Miguel Arraes e destacou que Goulart faleceu 12 anos após o golpe militar, em Corrientes, na Argentina. Segundo relatos, ele teria sido vítima de dois assessores cooptados pela Operação Condor, que teriam substituído seus medicamentos por placebos. Pouco tempo depois, esses dois indivíduos apareceram em Paris com sinais evidentes de enriquecimento.

Testemunha importante

Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco, foi uma das principais testemunhas da Operação Condor e quase uma de suas vítimas. No próximo dia 13 de agosto, completam-se 20 anos de seu falecimento. Em depoimento à Comissão da Câmara dos Deputados sobre a Operação Condor, com áudio disponível no YouTube, Arraes respondeu a uma pergunta do então deputado federal Miro Teixeira, presidente da Comissão de Investigação da Operação Condor, afirmando: "Os três nomes mais importantes da Frente eram justamente os líderes mais destacados dos três maiores partidos políticos extintos pelo golpe de 64. Eram eles, respectivamente, além de Juscelino, pelo PSD, João Goulart pelo PTB e Carlos Lacerda pela UDN. Entre os fatos mais notáveis da história recente do Brasil está a morte desses três líderes, em curto lapso de tempo, quando começava a delinear-se a abertura política do regime. Desapareceram, muito convenientemente para o regime de arbítrios, as três maiores alternativas de poder, posto que, em caso de eleições diretas, com certeza um dos três teria sido eleito Presidente da República."



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Representação

Durante dez anos, presidi o Instituto Miguel Arraes, a pedido de minha avó, Magdalena Arraes. Um dos principais feitos desse período foi apresentar, tanto em nome do Instituto quanto em meu nome pessoal, uma representação ao Procurador Geral da República, com base no depoimento de Arraes. A peça relatava seu importante testemunho sobre a Operação Condor, entre outros documentos e fatos, com um capítulo específico dedicado à morte de João Goulart. O Ministério Público Federal acolheu essa representação, determinando sua juntada aos autos da investigação internacional conjunta sobre o caso, conduzida pelo Ministério Público Federal brasileiro e por promotores argentinos. Tal iniciativa permanece registrada nos arquivos oficiais da investigação binacional.

Impunidade

Ao contrário de outros países como Argentina, Chile e Espanha, o Brasil permanece como o único que não puniu nenhum dos envolvidos na Operação Condor, embora haja ampla comprovação da participação de agentes brasileiros. A Argentina prendeu o ex-presidente Rafael Videla. A Justiça chilena ordenou a prisão de 129 ex-militares e policiais participantes do esquema. Já a Justiça espanhola, por meio do juiz Baltasar Garzón, decretou a prisão de vários envolvidos, diante da execução também de cidadãos espanhóis durante a Operação Condor. O Chile, inclusive, reconheceu oficialmente que o poeta Pablo Neruda foi vítima dessa organização.
Uma das vítimas da Operação Condor foi o poeta Pablo Neruda, que Arraes chegou a conhecer pessoalmente.

Livro

Em 2016, publiquei o livro Operação Condor no Brasil, que reproduz a representação mencionada, com 128 páginas, além dos anexos e do despacho do Ministério Público Federal brasileiro.
A biografia que estou escrevendo sobre Miguel Arraes começa com a passagem sobre o encontro na Argélia relacionado à Operação Condor. No próximo dia 13 de agosto, estarei lançando um site internacional para receber sugestões, documentos e depoimentos sobre Arraes, que poderão ou não ser utilizados, em uma obra coletiva, por meio do domínio arraesbiografiacoletiva.com.br.

Assassinato de Jango

Segundo o testemunho de Miguel Arraes à Câmara e as informações recebidas durante o exílio, João Goulart foi de fato assassinado pela Operação Condor, sob o comando da ditadura militar brasileira. Arraes chegou a enviar alertas a Jango e a outros líderes perseguidos ao tomar conhecimento, na Argélia, por meio de um grupo chileno, do início de uma operação de extermínio. Esse grupo informou que havia uma lista inicial de lideranças a serem executadas, lista que incluía o próprio nome de Arraes.

Acervo

Durante minha presidência da Fundação Joaquim Nabuco, levei o acervo pessoal de Miguel Arraes para preservação nessa importante instituição, que leva o nome de outro gigante da história brasileira.

Impunidade gera repetições

Nesse ano, em 2026, completa 20 anos da primeira eleição de Eduardo Campos governador, eleito em 2006. Nunca desisti dele. Estou convicto de que sua morte, ocorrida em 2014, não foi um acidente aéreo comum, mas resultado de sabotagem. Eduardo era visto por adversários como um nome real para a Presidência da República, e a melhor maneira de ocultar um crime é fazê-lo parecer um acidente natural. Como se vê, a impunidade gera a repetição de episódios como o de Jango e de outros.

Produção de provas

Minha mãe, Ana Arraes, e eu movemos ação de produção antecipada de provas, sob o número 5001663 02.2017.4.03.6104, que tramita na 4ª Vara Federal de Santos. A perícia técnica já foi deferida. Contamos com parecer técnico de nosso assistente pericial, que indica falha provocada no disparo do compensador elétrico do profundor da aeronave, interferindo no estabilizador horizontal. Ao realizar uma manobra mais radical, a falha deu origem ao fenômeno conhecido como pitch down, colocando o avião em queda vertiginosa, sem controle pelos pilotos.

Coragem

Sei os riscos que corro, mas, como diz o provérbio, o covarde morre todos os dias, enquanto o corajoso morre uma só vez, e apenas quando necessário. Os nomes de Miguel Arraes e de Eduardo Campos estão inscritos no Livro dos Heróis da Pátria. O Brasil e o mundo precisam conhecer a verdade sobre a Operação Condor e sobre a morte de João Goulart e outras vítimas. É necessário saber a real causa e o contexto da morte de Eduardo Campos e punir os envolvidos.

A verdade

Como disse o bispo sul africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz: "A verdade cura. Às vezes ela arde, mas cura."

*Antônio Campos é advogado e escritor



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