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Ensaio - O sorriso como mordaça: Lima Barreto e a elite progressista do século XXI 29/08/2025

29/08/2025

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Por Jorge Henrique de Freitas Pinho*
 
 
1. Preâmbulo — o espelho de Lima Barreto
 
Lima Barreto não escrevia para agradar. Sua pena era como uma navalha que riscava a carne da República, expondo a ferida que a elite insistia em cobrir com ataduras de retórica. Mais de um século depois, sua voz ainda ecoa, não porque tenha sido plenamente ouvida, mas porque permanece incômoda.
 
Em agosto de 2025, um episódio político revelou que o Brasil continua a preferir o artifício à verdade. Um presidente, que se diz filho do povo, repreendeu publicamente seu ministro por mostrar a imagem de um homem negro e desdentado. Fê-lo em nome de um programa que se orgulha de “colocar um sorriso na boca dos brasileiros”, como se dentes novos pudessem apagar a miséria que o próprio sistema alimenta.
 
Se Lima Barreto vivesse hoje, veria nessa cena não uma novidade, mas a repetição farsesca de um enredo antigo: o país que rejeita o povo re...

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Por Jorge Henrique de Freitas Pinho*
 
 
1. Preâmbulo — o espelho de Lima Barreto
 
Lima Barreto não escrevia para agradar. Sua pena era como uma navalha que riscava a carne da República, expondo a ferida que a elite insistia em cobrir com ataduras de retórica. Mais de um século depois, sua voz ainda ecoa, não porque tenha sido plenamente ouvida, mas porque permanece incômoda.
 
Em agosto de 2025, um episódio político revelou que o Brasil continua a preferir o artifício à verdade. Um presidente, que se diz filho do povo, repreendeu publicamente seu ministro por mostrar a imagem de um homem negro e desdentado. Fê-lo em nome de um programa que se orgulha de “colocar um sorriso na boca dos brasileiros”, como se dentes novos pudessem apagar a miséria que o próprio sistema alimenta.
 
Se Lima Barreto vivesse hoje, veria nessa cena não uma novidade, mas a repetição farsesca de um enredo antigo: o país que rejeita o povo real e fabrica máscaras para poder se contemplar no espelho.
 
 
2. Cena e contradição: “o sorriso censurado”
 
Em 21 de agosto de 2025, durante evento em Sorocaba (SP), o presidente Lula criticou uma revista institucional produzida por um de seus ministros (na Agricultura ou Desenvolvimento Agrário) para um congresso na Alemanha.
 
A publicação mostrava, lado a lado, uma mulher branca sorrindo e ostentando bochechas coradas, enquanto um homem negro aparecia sorrindo sem nenhum dente. Lula reagiu com indignação, questionando: “Você não acha que isso é fotografia para representar o Brasil no exterior? Um cara sem dente e ainda negro.” Ele determinou: *“Jogue essa página fora”*  . Em seu discurso, vinculou ainda o episódio à criação do programa “Brasil Sorridente”  .
 
A fala gerou intensa repercussão. Especialistas em comunicação e direitos humanos apontaram que, mesmo que a intenção alegada pelos defensores fosse evitar estereótipos, o próprio enunciado de Lula carregava uma carga problemática que não deveria ser subestimada. Por outro lado, representantes do governo, como a ministra da Igualdade Racial, defenderam que a menção foi uma crítica ao estigma racial e à exclusão estrutural.
 
Esse episódio expõe com clareza a contradição entre a narrativa progressista do governo — que se diz sensível à questão racial — e o medo simbólico de exibir rostos que denunciam diretamente a miséria. O sorriso artificial, de dentes brancos, torna-se uma mordaça estética, erguida não para libertar, mas para calar e esconder.
 
3. O sorriso como metáfora política
 
Há séculos o poder aprendeu a fabricar símbolos para ocultar a realidade. Antigamente eram coroas, mantos e brasões. Hoje são slogans e programas com nomes sedutores. O “Brasil Sorridente” é um exemplo perfeito dessa lógica: promete devolver dentes ao povo, mas, em vez de libertar sua dignidade, converte o sorriso em espetáculo político.
 
Um sorriso pode ser expressão de alegria verdadeira ou mordaça estética. No caso brasileiro, ele se tornou a segunda coisa. Não importa se o pobre tem trabalho, moradia, escola ou justiça; importa que, na foto oficial, ele apareça com dentes alinhados, como se a ordem social fosse harmonia. Trata-se de um simulacro de prosperidade, construído para que a elite se orgulhe de si mesma diante do espelho.
 
A ironia é cruel: o povo não enxerga o próprio sorriso. Não há espelho na favela sem saneamento, não há consultório nas estradas de terra, não há futuro no barraco improvisado. O sorriso é dado mais para o governante que para o governado. É o poder que precisa ver dentes brancos para se convencer de que não falhou. O sorriso, nesse caso, é um antídoto contra a má consciência do dominador, não contra a miséria do dominado.
 
Aqui está o núcleo filosófico: quando a estética substitui a ética, quando o verniz vale mais que a madeira, o país se condena à mentira. Um sorriso pode iluminar um rosto; mas um sorriso imposto, fabricado e fotografado, apenas escurece a verdade.
 
4. A crítica de Lima Barreto hoje
 
Se Lima Barreto estivesse vivo em agosto de 2025, teria escrito com sua pena ferina algo mais ou menos assim:
 
“Inventaram agora que a felicidade nacional se mede pelo alinhamento dos dentes. O pobre, que continua sem teto, sem trabalho certo e sem escola para os filhos, ganha do governo uma arcada branca como senha de cidadania. Não lhe dão futuro, mas lhe dão prótese. Não lhe oferecem pão, mas um sorriso de vitrine. É uma espécie nova de mordaça: não cobre a boca, mas a obriga a rir.
 
E se algum funcionário, distraído ou honesto, ousa mostrar ao mundo um brasileiro tal como ele é — negro, alto, sem dentes e sem disfarces — logo vem o chefe de Estado corrigir a cena: ‘Apague essa página.
 
Esse Brasil não pode ser mostrado’. É curioso: o Brasil real nunca pode ser mostrado. Desde os tempos de quimeras imperiais até as repúblicas ilustradas, o que se esconde não é a corrupção dos poderosos, mas a pobreza dos fracos. É ela, e só ela, que ofende o olhar delicado da elite.”
 
Assim Lima desmontaria, em poucas linhas, a contradição: um país que transforma a estética em substituto da ética, a maquiagem em política pública, e que, sob o pretexto de dar dignidade, apenas mascara a humilhação.
 
Ele veria, também, que a elite progressista de hoje pouco difere da elite branca de seu tempo. Ambas querem o negro símbolo, mas não o negro real. Aceitam a imagem do herói, do atleta, do intelectual domesticado, mas rejeitam o pobre desdentado que expõe a verdade do país. Esse continua sendo censurado, tal como o operário bêbado ou a mulata de subúrbio que Lima Barreto ousou colocar no centro de seus romances.
 
Em suma, para Lima, nada mudou substancialmente: o Brasil ainda fabrica ilusões para se proteger de si mesmo. E quando alguém tenta mostrar o espelho — seja num livro em 1910 ou numa revista em 2025 — o reflexo é rasgado, em nome de um sorriso que nunca chega à alma.
 
5. Aparência e essência: chave filosófica
 
O episódio do “sorriso censurado” só pode ser compreendido plenamente se usarmos a distinção entre aparência e essência — chave que atravessa a filosofia desde Platão.
 
Aparência: O governo apresenta o programa “Brasil Sorridente” como política de inclusão. Os dentes alinhados viram símbolo de prosperidade. O discurso progressista se veste de preocupação estética, como se o sorriso fosse a epifania da dignidade humana.
 
Essência: A realidade, porém, permanece intocada: pobreza insteimentalizada, racismo velado, desigualdade profunda. A miséria é ocultada sob uma prótese, não enfrentada por reformas éticas, sociais e econômicas.
 
Hegel nos lembraria que a contradição é motor da história. Mas aqui a contradição não gera síntese: ela é abafada pela máscara. O sorriso fabricado não nega a miséria para superá-la; apenas a encobre para eternizá-la.
 
Sócrates, ao interrogar a cidade, perguntaria: “O que é felicidade? É mostrar dentes brancos ou ter a alma livre?” A resposta, óbvia para quem não teme a verdade, revelaria o vazio de um programa que troca justiça por estética.
 
Montaigne já dizia que nada é mais ridículo do que o homem fantasiar grandezas enquanto esconde a própria miséria. Para ele, a filosofia não serve para enfeitar discursos, mas para nos lembrar de nossa fragilidade. O episódio do ‘sorriso censurado’ confirma essa lição: preferimos fantasiar um povo feliz a encarar a dor nua do povo real.
 
Martin Buber, em sua ética do encontro, diria que só há dignidade quando o homem é tratado como Tu e não como Isso. Mas no episódio de agosto de 2025, o homem negro sem dentes foi reduzido a Isso — um objeto incômodo, um erro de marketing a ser rasgado, em vez de um ser humano portador de história, sofrimento e esperança.
 
E Viktor Frankl acrescentaria que o sentido da vida não se encontra em disfarces, mas na capacidade de suportar a dor com verdade. Uma sociedade que mascara a miséria com sorrisos não encontra sentido; apenas foge dele.
 
Assim, a chave filosófica nos mostra: o sorriso estampado não é emancipação, mas sim a estetização da exclusão. Uma espécie de niilismo prático, no qual se aceita a miséria desde que ela não manche as fotografias oficiais.
 
6. Síntese: A permanência da exclusão
 
Mais de um século separa Lima Barreto de nós. Mas, ao observarmos a cena de agosto de 2025, a impressão é de que o tempo brasileiro corre em círculo. Ontem, a República temia o povo real e o escondia sob o verniz de instituições pomposas; hoje, um governo que se diz do povo repete o gesto, temendo a imagem de um homem negro sem dentes.
 
O programa que promete devolver sorrisos não devolve o futuro. O silêncio da imprensa que deveria denunciar repete a cumplicidade de sempre. A elite progressista, assim como a conservadora de outrora, prefere a máscara ao espelho, o ícone domesticado ao rosto incômodo da miséria.
 
Se há algo que Lima Barreto nos ensina é que o Brasil nunca tolerou ser visto como realmente é. Prefere encenar grandezas, maquiar ruínas, pintar sorrisos. Mas uma nação não se redime com próteses; redime-se quando encara sua dor sem disfarces e decide transformá-la em justiça.
 
 
O episódio
 
Por isso, o episódio do “sorriso censurado” não é apenas uma gafe presidencial. É uma alegoria do país: uma boca forçada a rir enquanto o estômago continua vazio; uma fotografia editada para não ofender os olhos da elite, enquanto a verdade continua a gritar da sarjeta.
 
O verdadeiro tributo a Lima Barreto não é repetir sua imagem em campanhas educativas, mas ouvir sua denúncia ainda atual: enquanto o negro real for censurado, enquanto o pobre for escondido, enquanto o povo for reduzido a estética, continuaremos a viver num Brasil de aparências, onde o sorriso é mordaça e a miséria é silêncio.
 
7. Epílogo — O sorriso, a corrente e a toga
 
Aqui peço permissão para concluir este ensaio com um epílogo escrito como se fosse pela pena de Lima Barreto, emprestando-lhe minha voz e abraçando, tanto quanto possível, o seu estilo ferino e incômodo:
 
“O Brasil não muda. Ontem arrancavam-nos o nome, a alma e a esperança nos troncos da escravidão. Hoje pedimos que agradeçamos as correntes. Um presidente, que se diz filho do povo, tem a ousadia de transformar o cativeiro em herança benfazeja. É a velha zombaria da Casa Grande, agora repetida em palanque.
 
O mesmo presidente, ao ver num folheto a figura de um negro alto, desdentado e risonho, ordena que o apaguem. Não convém, diz ele, mostrar assim o Brasil. Inventaram que a felicidade do povo se mede pelos dentes. Criaram um programa para nos dar prótese em vez de justiça, fotografia em vez de dignidade. Querem o negro sorridente, mas nunca o negro real, com sua dor e sua humanidade.
 
Se Montaigne ria das vaidades humanas, eu rio hoje dessa mania brasileira de transformar dentes em bandeira de redenção. Ele zombava dos homens que se pintam de ouro para esconder a doença. Eu zombaria dos que pintam o sorriso para esconder a miséria.
 
E a academia, que se gaba de progressista, me convoca como ícone, mas não como crítico. Citam minha cor, falam dos hospícios onde fui trancado, mas não deixam que minhas palavras passem como navalha sobre seus próprios privilégios. Usam a imagem, enterram a voz.
 
Foi assim também com Joaquim Barbosa. Nomearam-no para a mais alta Corte como símbolo de virtude e prova de diversidade. Mas quando ousou ser sujeito, quando enfrentou poderosos sem pedir licença, a máquina se moveu contra ele. Pressionado até o limite do corpo e da alma, deixou a toga antes da hora. Não lhe faltaram aplausos de ocasião; faltou-lhe o ambiente para permanecer.
 
Não nos enganemos: eu não pediria pão. Pão é esmola que a mão paternal concede para calar o estômago. O que eu pediria, como sempre pedi, é a oportunidade de ganhar esse pão com meu trabalho, minha inteligência e meu esforço, sem que me roubassem a chance pelo preconceito ou pelo cinismo social.
 
O Brasil continuará fabricando sorrisos de porcelana e togas simbólicas. Continuará erguendo negros como estandartes para logo depois devolvê-los ao silêncio. Continuará nos pedindo gratidão pelas correntes. Mas enquanto essa farsa persistir, repito: um país que só admite o negro como mito é um país que ainda teme o negro como sujeito. E enquanto isso durar, todo sorriso será mordaça, toda toga será prisão, e todo agradecimento será apenas mais um insulto à nossa dignidade.”
 
(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.
 
NR - Os ensaios refletem a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre debate de ideias e tem orgulho de abrigar textos com essa qualidade, independente de concordar ou não com os conceitos emitidos.

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É Findi - Recordes do País de Caruaru - Artigo, por Valéria Barbalho*

03/04/2026

Dia desses fui a Caruaru e peguei um engarrafamento danado. Levei trinta minutos para percorrer menos de cem metros, até conseguir fazer um retorno e me livrar daquele trânsito. Motivo do transtorno: uma carreta transportando uma cuscuzeira gigante, seguida por um trio elétrico, cheio de forrozeiros, e um carro de som anunciando a festa do maior cuscuz do mundo. Ocorreu-me, então, relacionar os inúmeros recordes da minha terra.



Procurei me informar, com o meu conterrâneo Walmiré Dimeron, sobre esses e descobri que a tal cuscuzeira tem quatro metros de altura e capacidade para fazer um cuscuz com 600 quilos, só de flocos de milho. E que existe a variação: o maior “quarenta” do mundo (cuscuz nordestino que mistura fubá com charque, linguiça e outros ingredientes). Nosso recordista leva 300 quilos só de carne. Existem outros exageros culinários: canjica gigante (feita com três mil espigas de milho), maior pamonha (300kg), maior xerém (200kg), maior pé de mol...

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Dia desses fui a Caruaru e peguei um engarrafamento danado. Levei trinta minutos para percorrer menos de cem metros, até conseguir fazer um retorno e me livrar daquele trânsito. Motivo do transtorno: uma carreta transportando uma cuscuzeira gigante, seguida por um trio elétrico, cheio de forrozeiros, e um carro de som anunciando a festa do maior cuscuz do mundo. Ocorreu-me, então, relacionar os inúmeros recordes da minha terra.



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Procurei me informar, com o meu conterrâneo Walmiré Dimeron, sobre esses e descobri que a tal cuscuzeira tem quatro metros de altura e capacidade para fazer um cuscuz com 600 quilos, só de flocos de milho. E que existe a variação: o maior “quarenta” do mundo (cuscuz nordestino que mistura fubá com charque, linguiça e outros ingredientes). Nosso recordista leva 300 quilos só de carne. Existem outros exageros culinários: canjica gigante (feita com três mil espigas de milho), maior pamonha (300kg), maior xerém (200kg), maior pé de moleque (15 metros), maior bolo de milho (250kg), maior bolo de macaxeira (160kg), maior cozido de espigas de milho (2.200 unidades), maior quentão (300 litros), maior chocolate quente (450 litros de leite e 100 quilos de chocolate), maior pipoca (12.300 saquinhos), maior festival de tareco e mariola (100kg de biscoito e 2.000 docinhos), maior arroz doce (360kg) e a maior tapioca doce (100kg). Fora essas calorias, temos a maior fogueira do Nordeste (madeira de reflorestamento) e as maiores “drilhas” (grupos de danças juninas modernas), que, juntas, somam 20 mil componentes.

Em 2011, durante o Festival de Fogueteiros, os participantes, mostrando seus trabalhos, pipocaram, durante duas horas, a maior girândola do mundo. No dia 24 de junho, a maior concentração de bacamarteiros do mundo desfila pela cidade. Cerca de 700 homens, vestidos a caráter, portando seus bacamartes, festejam o seu dia. Dispomos, ainda, do maior número de bandas de pífanos, sendo, atualmente, a de maior evidência a do Mestre João do Pife, que já se apresentou em mais de 30 países.



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Todos esses recordes, junto com a multidão que lota nosso mega pátio de forró Luiz Gonzaga, fazem o maior São João do mundo. Além desses inusitados e divertidos recordes, lembrei de outros não juninos: a maior feira ao ar livre do mundo, a Feira de Caruaru, patrimônio imaterial do Brasil, famosa também pela música do compositor caruaruense Onildo Almeida, gravada pelo Rei do Baião. Somos a cidade do interior mais cantada do país, segundo pesquisa feita, em 2010, pelo Dr. Emanuel Leite, que identificou 1.020 músicas que citam Caruaru em suas letras. O Alto do Moura, lugar de Vitalino, o Mestre do Barro, é considerado o mais importante centro de arte figurativa do Brasil. Temos o jornal mais antigo do interior do Brasil, que circula, sem interrupção, desde 1º de maio de 1932: Vanguarda, fundado pelo jornalista caruaruense José Carlos Florêncio.



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Sem bairrismos, mas lembrando dos inúmeros filhos talentosos da Capital do Forró, conhecidos nacional e internacionalmente, acho que, como cidade do interior, também somos recorde. Mas, isso é assunto para outro artigo. Vixe! Em se tratando de bater recordes, o País de Caruaru parece até uma Olimpíada. Inté!


*Valéria Barbalho é filha do escritor e historiador Nelson Barbalho. É médica pediatra, cronista.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Viva O Meu País - Crônica, por AJ Fontes*

03/04/2026

Não foi a primeira vez, o povo brasileiro completou o hino depois do som ser cortado. Quem assistiu Brasil X Croácia na última terça-feira sabe.

Cá entre nós, pernambucanos, o calor sentido no peito nesse instante tem um cheirinho de coentro fresco no feijão e cuscuz com ovo no café da manhã.

Junto ao gosto de usar a bandeira estampada em tudo quanto é lugar, o de cantar nosso hino foi elevado aos pícaros lá pelos anos de 1970, com publicidades televisivas. Desde então, é bastante ouvir o primeiro verso que o segundo, o terceiro e o restante saltarão nas vozes dos tantos de nós presentes; independente do lugar onde estejamos. Os assuntos e atenções serão desviados, nesse momento, pelo hino de Pernambuco.

É gostoso pertencer a um grupo nacional fortalecido por seus símbolos. Os nossos estão presentes desde 1817. Chegou e ficou cravado no coração de cada pernambucano e transborda para os quatrocentos cantos do mundo cantado e explicado na pint...

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Não foi a primeira vez, o povo brasileiro completou o hino depois do som ser cortado. Quem assistiu Brasil X Croácia na última terça-feira sabe.

Cá entre nós, pernambucanos, o calor sentido no peito nesse instante tem um cheirinho de coentro fresco no feijão e cuscuz com ovo no café da manhã.

Junto ao gosto de usar a bandeira estampada em tudo quanto é lugar, o de cantar nosso hino foi elevado aos pícaros lá pelos anos de 1970, com publicidades televisivas. Desde então, é bastante ouvir o primeiro verso que o segundo, o terceiro e o restante saltarão nas vozes dos tantos de nós presentes; independente do lugar onde estejamos. Os assuntos e atenções serão desviados, nesse momento, pelo hino de Pernambuco.

É gostoso pertencer a um grupo nacional fortalecido por seus símbolos. Os nossos estão presentes desde 1817. Chegou e ficou cravado no coração de cada pernambucano e transborda para os quatrocentos cantos do mundo cantado e explicado na pintura que representa o meu Estado e foi a bandeira cravada no chão de uma nação.

Trouxemos o sentimento de pátria para todos, responsáveis pela formação desse povo: originários e europeus, africanos, asiáticos chegados nesse canto do novo mundo, nas mais distintas condições. Construímos uma gente nova, diferente, capaz de inventar palavras, habitações, comidas, músicas, danças e sentimentos. Há quem chame de brasilidade.

Somos brasileiros de várias estaturas, cores e sotaques. Amamos, sentimos e arengamos, cada qual com seu jeito. Somos pernambucanos: brancos, galegos, negros ou de olhos puxados, mas inseridos em nossa pátria e dispomos, aos irmãos, nossos altos coqueiros para defesa que se faça necessária ou para, tomando as palavras de um baiano famoso, o refrigério de nossas praias.

Isso tudo é nada, apenas alguns ditos de um sujeito do povo mais bairrista em linha reta do mundo.


*AJ Fontes, contista e cronista, engenheiro aposentado, e eterno estudante na arte da escrita, publicou o livro de contos: ‘Mantas e Lençóis’.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Chuvas no Sertão! - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*

03/04/2026

Chuvas torrenciais no sertão!
Bençãos que caem no chão
Ardente, ressequido do verão,
Aplacando a vil sede malsã
Do sertanejo, a sós, em seu afã.



A esperança se faz presente.
Agora tudo será diferente:
De manhã, já se vê toda gente
Que, talvez, se pense indolente,
Numa animação fremente!



Pouco antes do Sol nascente,
Se dirige qual inusitada corrente:
Filhos, noras, mãe e o pai à frente;
No caminho da roça, seu oásis,
Aquela que lhes trará a doce paz!



A comida no prato será abundante,
Roupa no corpo, sorriso exultante.
Antes de tudo um forte ... que gente!
Não importam eventuais senões:
Esquecem-nos ... chova no sertão!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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Chuvas torrenciais no sertão!
Bençãos que caem no chão
Ardente, ressequido do verão,
Aplacando a vil sede malsã
Do sertanejo, a sós, em seu afã.



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A esperança se faz presente.
Agora tudo será diferente:
De manhã, já se vê toda gente
Que, talvez, se pense indolente,
Numa animação fremente!



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Pouco antes do Sol nascente,
Se dirige qual inusitada corrente:
Filhos, noras, mãe e o pai à frente;
No caminho da roça, seu oásis,
Aquela que lhes trará a doce paz!



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A comida no prato será abundante,
Roupa no corpo, sorriso exultante.
Antes de tudo um forte ... que gente!
Não importam eventuais senões:
Esquecem-nos ... chova no sertão!


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Florescer - Poema, por Maria Inês Machado*

03/04/2026

A janela da sala entreaberta,
o clarão da noite envolve o aposento.
As lágrimas percorrem caminho
silencioso.
Saudade de um tempo pulsante,
quase tangível, que respira na alma.
Os pensamentos sussurram, ecoam,
mas algo dentro os silencia.
Uma voz firme, ergue alegria entre ruínas.

Não há cárcere.
Nem angústia.
Só alça voo
quem prepara as próprias asas.
O passado, às vezes, pesa.
Mas o presente chama.

Desperto. A vida acelera.
Conforme afirmação do poeta/cantor Gonzaguinha,
Fé na vida.
E no que virá.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.

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A janela da sala entreaberta,
o clarão da noite envolve o aposento.
As lágrimas percorrem caminho
silencioso.
Saudade de um tempo pulsante,
quase tangível, que respira na alma.
Os pensamentos sussurram, ecoam,
mas algo dentro os silencia.
Uma voz firme, ergue alegria entre ruínas.

Não há cárcere.
Nem angústia.
Só alça voo
quem prepara as próprias asas.
O passado, às vezes, pesa.
Mas o presente chama.

Desperto. A vida acelera.
Conforme afirmação do poeta/cantor Gonzaguinha,
Fé na vida.
E no que virá.


*Maria Inês Machado é psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Intervenção Psicossocial à família. Possui formação em contação de histórias pela FAFIRE e pelo Espaço Zumbaiar. Gosta de escrever contos que retratam os recortes da vida. Autora do livro infantojuvenil 'A Cidade das Flores'.


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É Findi - Ocaso - Crônica em Prosa Poética - Por, Ana Pottes*

03/04/2026

Há momentos em que o espírito se desliga e se deixa conduzir por entre poeiras do pensamento. O corpo fica estático, os olhos em pesquisa, enquanto um novo mundo explode. São cores, sons, texturas, sabores, tudo em sinestésicas percepções.

Um fogaréu se deita por entre portas, janelas, prédios e árvores, refletido nas vidraças dos edifícios mais altos e se adensa, despretensioso, por entre as nuvens.

Ainda é possível ver roupas brancas e multicoloridas, finas e esvoaçantes, dançando nos varais.
Lá de cima, um mundo em observação: ruas por onde vidas passam alheias, regressam rápidas, buzinas cantam ansiedades, correrias. Nos parques, por entre galhos frondosos, trinam canções; favelas, concretos, palafitas – concretude da existência esbarrando em tortas antenas das aldeias globais.

Há um inspirar e expirar ofegante em vidas condensadas. Os verdes teimam em se mostrar por entre os cinzas que, a cada segundo, crescem, e as chamas segu...

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Há momentos em que o espírito se desliga e se deixa conduzir por entre poeiras do pensamento. O corpo fica estático, os olhos em pesquisa, enquanto um novo mundo explode. São cores, sons, texturas, sabores, tudo em sinestésicas percepções.

Um fogaréu se deita por entre portas, janelas, prédios e árvores, refletido nas vidraças dos edifícios mais altos e se adensa, despretensioso, por entre as nuvens.

Ainda é possível ver roupas brancas e multicoloridas, finas e esvoaçantes, dançando nos varais.
Lá de cima, um mundo em observação: ruas por onde vidas passam alheias, regressam rápidas, buzinas cantam ansiedades, correrias. Nos parques, por entre galhos frondosos, trinam canções; favelas, concretos, palafitas – concretude da existência esbarrando em tortas antenas das aldeias globais.

Há um inspirar e expirar ofegante em vidas condensadas. Os verdes teimam em se mostrar por entre os cinzas que, a cada segundo, crescem, e as chamas seguem amainando: sombras despertam, se espreguiçam, resmungam em outros passos; aromas e essências envolventes emanam das janelas das casas. O belo e o encantado ocupam espaços comuns em lusco-fusco.

Um segue se esvaindo e o outro renasce em brilhos suaves, iluminando o ocaso.


*Ana Pottes, psicóloga, gosta de escrever crônicas, contos e poemas sobre as interações emocionais com a vida. Autora do livro de poemas: Nem tudo são flores, mas... elas existem!


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Casamento Matuto – Contículo, por Xico Bizerra*

03/04/2026

O fato aconteceu no Cartório de Registro Civil de uma cidadezinha chamada Crato, lá pras bandas do sul do Ceará, na beira da Serra do Araripe. Era semana pré-carnavalesca e o Anjo da Guarda de Bastião, ainda que de ressaca, nesse dia ‘tava' de prontidão vigiando os foliões retardatários. Foi ele quem segurou a mão de seu Bené de Dora, já se coçando em procura da lambe-suvaco amolada, um monte de polegadas nos cós, deixando à mostra só o cabo da bendita. O ‘bigodim de beiço de gato mijado' do caba fazedor da mal à filha de Seu Bené chega arrepiou-se todinho, imaginando aquela peixeira fina nas brenhas de seu intestino grosso. E Francisquim, ali quieto no útero de Ceiça, embuchado que fora já há cinco meses, só assistindo, de camarote, à solenidade.



O cabra do Cartório, já meio invocado com o lero-lero do vigário, falando da riqueza e da pobreza, da doença e da saúde, aquele papo que rola em todo casório, a tudo assistia por dever de ofício. Foi quando Padr...

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O fato aconteceu no Cartório de Registro Civil de uma cidadezinha chamada Crato, lá pras bandas do sul do Ceará, na beira da Serra do Araripe. Era semana pré-carnavalesca e o Anjo da Guarda de Bastião, ainda que de ressaca, nesse dia ‘tava' de prontidão vigiando os foliões retardatários. Foi ele quem segurou a mão de seu Bené de Dora, já se coçando em procura da lambe-suvaco amolada, um monte de polegadas nos cós, deixando à mostra só o cabo da bendita. O ‘bigodim de beiço de gato mijado' do caba fazedor da mal à filha de Seu Bené chega arrepiou-se todinho, imaginando aquela peixeira fina nas brenhas de seu intestino grosso. E Francisquim, ali quieto no útero de Ceiça, embuchado que fora já há cinco meses, só assistindo, de camarote, à solenidade.



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O cabra do Cartório, já meio invocado com o lero-lero do vigário, falando da riqueza e da pobreza, da doença e da saúde, aquele papo que rola em todo casório, a tudo assistia por dever de ofício. Foi quando Padre Luiz, afinal, perguntou se tinha alguém contra aquele casamento. Francisquim arretou-se, levantou a venta, e de dedo em riste dentro do bucho da buchuda, cutucou o umbigo de Ceiça, a mãe menininha do Crato, e gritou em alto e bom som pra todo o sertão do Araripe escutar: 'tem não, seu Pade, e se avexe, acabe logo esse babado' que eu ‘tô querendo descansar um tiquim'. Descansou por mais quatro meses, e, sonolento e preguiçoso, desembuchou. Faz quase 20 anos e hoje está aí, contando história, fazendo poesia bonita que só a gota serena e aumentando a prole. Benedito Neto que o diga. E até hoje Bigodim e Ceiça são felizes que só a mulesta! Seu Bené, bisavô igual nunca se viu!


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Lolita - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*

03/04/2026

Figura pitoresca da chamada Z B M - Zona do Baixo Meretrício, que costumava dizer – quem não conhece Lolita, não conhece o Recife! Fazia, rotineiramente, imitações bem humoradas de cantoras como Ângela Maria, na frente, principalmente, da estudantada - será que sou feia? - não é não senhor. - então eu sou linda? - você é um amor... Para o deleite dos estudantes. No entanto, quando estava “zangada”, costumava desafiar e brigar com uma guarnição inteira da Rádio Patrulha, sendo, logicamente massacrado. Conta-se que em determinada ocasião, nas costumeiras arruaças que provocava, principalmente depois de bêbado e drogado, gritou para o policial que o surrava: Bate! Bate neste corpo que já foi teu... Para o delírio dos transeuntes...

Seu apelido vem do clássico “Lolita”, que fez sucesso com a exibição cinematográfica, aqui no Recife
Na realidade, tratava-se de — Ivo Alves da Silva, de quem, através de reportagem do Jornal da Cidade, publicada em 6 de julho de 1975, tem...

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Figura pitoresca da chamada Z B M - Zona do Baixo Meretrício, que costumava dizer – quem não conhece Lolita, não conhece o Recife! Fazia, rotineiramente, imitações bem humoradas de cantoras como Ângela Maria, na frente, principalmente, da estudantada - será que sou feia? - não é não senhor. - então eu sou linda? - você é um amor... Para o deleite dos estudantes. No entanto, quando estava “zangada”, costumava desafiar e brigar com uma guarnição inteira da Rádio Patrulha, sendo, logicamente massacrado. Conta-se que em determinada ocasião, nas costumeiras arruaças que provocava, principalmente depois de bêbado e drogado, gritou para o policial que o surrava: Bate! Bate neste corpo que já foi teu... Para o delírio dos transeuntes...

Seu apelido vem do clássico “Lolita”, que fez sucesso com a exibição cinematográfica, aqui no Recife
Na realidade, tratava-se de — Ivo Alves da Silva, de quem, através de reportagem do Jornal da Cidade, publicada em 6 de julho de 1975, temos as seguintes informações:

Veio ainda adolescente para o Recife, onde passou a trabalhar como servente e cozinheiro. Por sua irreverência, e dotes, passou a participar de alguns programas de calouro na Rádio local, porém, adquiriu sua verdadeira popularidade quando caiu nas graças da estudantada.



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Homossexual assumido, era a estrela das meretrizes

Viveu vários anos cantando e dando pequenos shows pelas ruas do Recife, aglomerando curiosos e fãs, motivo normalmente da presença de truculentos policiais que subiam as escadas das pensões que funcionavam, geralmente, nos andares superiores aos bares, chamados para contê-lo.


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Fui Condenado a Comprar um Terno - Crônica - Por, Romero Falcão*

03/04/2026

Nunca me vi metido dentro de um terno, meu corpo reage como se estivesse preso a uma armadura de luxo. Peço encarecidamente a quem me jogar no buraco, por favor, não me vista com a mortalha de paletó e gravata que me apertará por toda a eternidade. Facilitem o apetite dos vermes: ponham-me uma calça jeans surrada e uma camisa de pano simples.


Subiu de Paletó

Nunca tive um terno, nunca me interessou a vestimenta dos homens da lei. Dizem que dá um ar de respeito, probidade, retidão. Nas poucas ocasiões em que meu pescoço foi laçado por uma gravata, contei com o auxílio de um amigo gentil, que me emprestava o casacudo vestuário. No entanto, um facínora mandou meu amigo para o céu. Certamente subiu de paletó.



Cheio de Pompa

Agora estou desamparado: sem amigo, sem terno. Resta partir para o aluguel ou juntar minhas economias e comprar um daqueles estilosos, com flor na lapela, cheio de pompa —...

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Nunca me vi metido dentro de um terno, meu corpo reage como se estivesse preso a uma armadura de luxo. Peço encarecidamente a quem me jogar no buraco, por favor, não me vista com a mortalha de paletó e gravata que me apertará por toda a eternidade. Facilitem o apetite dos vermes: ponham-me uma calça jeans surrada e uma camisa de pano simples.


Subiu de Paletó

Nunca tive um terno, nunca me interessou a vestimenta dos homens da lei. Dizem que dá um ar de respeito, probidade, retidão. Nas poucas ocasiões em que meu pescoço foi laçado por uma gravata, contei com o auxílio de um amigo gentil, que me emprestava o casacudo vestuário. No entanto, um facínora mandou meu amigo para o céu. Certamente subiu de paletó.



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Cheio de Pompa

Agora estou desamparado: sem amigo, sem terno. Resta partir para o aluguel ou juntar minhas economias e comprar um daqueles estilosos, com flor na lapela, cheio de pompa — como se fôssemos alguma coisa importante. “Uma gravata bem atada é o primeiro passo sério na vida”, disse Oscar Wilde.

High Society

Fui condenado a comprar um terno e entrar numa igreja para um casamento de família high society. Não posso recusar a solene encomenda. A noiva, grande amiga, contou-me a história dos pombinhos — como se conheceram, os altos e baixos do relacionamento e, por fim, as alturas, decidiram voar juntos, felizes.



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Sem Paletó

Daí me pediu que colocasse no papel uma síntese com doses de lirismo, romantismo e pitadas de irreverência — é aí que mora o perigo. Que Deus me ajude na empreitada e, um dia, me receba sem paletó.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Colheita de Esperança - Por, Poeta Pica-Pau*

03/04/2026

Quando eu vi florescer
A semente que plantei
O tempo que esperei
Fez o amor renascer
Se a chuva aparecer
Pra chover nosso roçado
O mundo é transformado
E entre lágrimas e sorriso
Forma-se um jardim de riso
Ao relembrar o passado

Quem planta com esperança
Sabe colher com amor
Se no peito tinha dor
Hoje só resta lembrança
Dentro da perseverança
A fé é quem ganha espaço
No viver não há fracasso
Pra quem vive pra amar
É só pra comemorar
E correr para o abraço

Delegando minha história
Seguindo a passo lento
Reguei com o pensamento
Para florir na memória
Festejando uma vitória
Que o coração conquistou
Pois a dor que já passou
Virou perfume pra vida
E a esperança florida
Foi o amor que ficou


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.



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Quando eu vi florescer
A semente que plantei
O tempo que esperei
Fez o amor renascer
Se a chuva aparecer
Pra chover nosso roçado
O mundo é transformado
E entre lágrimas e sorriso
Forma-se um jardim de riso
Ao relembrar o passado

Quem planta com esperança
Sabe colher com amor
Se no peito tinha dor
Hoje só resta lembrança
Dentro da perseverança
A fé é quem ganha espaço
No viver não há fracasso
Pra quem vive pra amar
É só pra comemorar
E correr para o abraço

Delegando minha história
Seguindo a passo lento
Reguei com o pensamento
Para florir na memória
Festejando uma vitória
Que o coração conquistou
Pois a dor que já passou
Virou perfume pra vida
E a esperança florida
Foi o amor que ficou


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.



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É Findi - Malude Maciel* Em Dose Dupla

03/04/2026

Afinidades - Poema


Cada um tem seu apego
Cada um tem seu xodó
Todos gostam de carinho
Ninguém pretende ser só

Não se sabe porque gosta
Nem de onde vem a atração
O sentimento existe
Preenchendo o coração

Alguém que traz alegria
Alguém que nos dá prazer
Sempre boa energia
Ajudando a viver

"Alma gêmea", como diz
O ditado popular
Sempre um encontro feliz
Quando junto se estar

De repente,
Seja como for,
Surge mútua simpatia
Nasce grande amizade,
Também cresce o amor.



Virar a página - Poemeto


Diante dos percalços
Da vida
Da injustiça
Sofrida
A gente chora
Mas, para recomeçar
A gente ri
Faz o sorriso acordar
Pois, o coração diz
Fundamental
É...

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Afinidades - Poema


Cada um tem seu apego
Cada um tem seu xodó
Todos gostam de carinho
Ninguém pretende ser só

Não se sabe porque gosta
Nem de onde vem a atração
O sentimento existe
Preenchendo o coração

Alguém que traz alegria
Alguém que nos dá prazer
Sempre boa energia
Ajudando a viver

"Alma gêmea", como diz
O ditado popular
Sempre um encontro feliz
Quando junto se estar

De repente,
Seja como for,
Surge mútua simpatia
Nasce grande amizade,
Também cresce o amor.



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Virar a página - Poemeto


Diante dos percalços
Da vida
Da injustiça
Sofrida
A gente chora
Mas, para recomeçar
A gente ri
Faz o sorriso acordar
Pois, o coração diz
Fundamental
É ser feliz.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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