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A Europa perdida de si mesma Por Jorge Henrique de Freitas Pinho*

29/09/2025

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Epígrafe


"Uma civilização que renuncia a si mesma não precisa de inimigos: torna-se sua própria ruína."


1. Preâmbulo - O esquecimento de si


A decadência de uma civilização raramente começa pela espada estrangeira. O fim de Roma não foi inaugurado pelos bárbaros às portas, mas pela corrosão interior que precedeu o colapso.

A história se repete sob outras formas: impérios caem não porque são vencidos, mas porque deixam de acreditar em si mesmos. Hoje, a Europa encontra-se nesse dilema.

A filosofia de Atenas

O continente que ofereceu ao mundo a filosofia de Atenas, o direito de Roma e a fé de Jerusalém parece envergonhar-se da própria herança.

Em nome de um multiculturalismo que confunde tolerância com indiferença e de um laicismo que degenerou em vazio, a Europa está perdendo o fio de sua identidade.

Orgulho civilizaci...

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Epígrafe


"Uma civilização que renuncia a si mesma não precisa de inimigos: torna-se sua própria ruína."


1. Preâmbulo - O esquecimento de si


A decadência de uma civilização raramente começa pela espada estrangeira. O fim de Roma não foi inaugurado pelos bárbaros às portas, mas pela corrosão interior que precedeu o colapso.

A história se repete sob outras formas: impérios caem não porque são vencidos, mas porque deixam de acreditar em si mesmos. Hoje, a Europa encontra-se nesse dilema.

A filosofia de Atenas

O continente que ofereceu ao mundo a filosofia de Atenas, o direito de Roma e a fé de Jerusalém parece envergonhar-se da própria herança.

Em nome de um multiculturalismo que confunde tolerância com indiferença e de um laicismo que degenerou em vazio, a Europa está perdendo o fio de sua identidade.

Orgulho civilizacional

O que antes era orgulho civilizacional transformou-se em constrangimento. Monumentos são reinterpretados como símbolos de opressão; tradições milenares são vistas como fardos coloniais; a própria raiz cristã é banida do vocabulário público.

A narrativa dominante não celebra o legado europeu, mas o questiona incessantemente, como se pedir desculpas pela própria história fosse o único gesto ético aceitável. Entretanto, ao renegar sua memória, a Europa cava a sepultura de sua própria continuidade.

2. A ilusão da neutralidade laica

A modernidade europeia consolidou o Estado laico como uma das maiores conquistas políticas. Separar religião e poder político foi essencial para conter guerras confessionais e permitir a convivência plural.

Contudo, nas últimas décadas, o laicismo degenerou em algo paradoxal: de guardião da neutralidade, tornou-se máscara da conivência.


“Ilhas normativas”

Diante da ascensão de comunidades muçulmanas com forte coesão interna, muitos Estados europeus têm permitido a criação de “ilhas normativas” onde princípios islâmicos são aplicados na prática social, ainda que não reconhecidos oficialmente.

Em Londres, Bruxelas, Marselha e Berlim, já se documentaram episódios de “patrulhas da sharia”: grupos de jovens que intimidam mulheres sem véu, proíbem consumo de álcool em espaços públicos ou exigem padrões de comportamento conforme a lei islâmica.


Omissão é gritante

Do ponto de vista jurídico, nada disso tem validade. Do ponto de vista político, entretanto, a omissão é gritante. O Estado, que deveria garantir a universalidade da lei comum, prefere fechar os olhos em nome do respeito à diversidade.


Fortalecer a liberdade

Essa omissão, longe de fortalecer a liberdade, enfraquece-a. Étienne de La Boétie descreveu isso como servidão voluntária: não é preciso conquistar um povo pela força quando ele mesmo abre mão da sua soberania por conveniência ou medo.

3. O oportunismo político

Não se pode compreender esse fenômeno sem considerar o cálculo eleitoral. Nas grandes metrópoles europeias, onde o voto das comunidades imigrantes se tornou decisivo, partidos de esquerda — e também setores oportunistas da centro-direita — preferem acomodar reivindicações identitárias a correr o risco de perder apoio.

Criticar práticas culturais incompatíveis com a lei ou com valores liberais universais é rotulado de islamofobia. Reprimir com firmeza ações de imposição social é visto como intolerância.

Silêncio

Esse silêncio oportunista mina a confiança do cidadão comum. O europeu que vê, no seu bairro, a pressão para adaptação a costumes que não são os seus percebe que o Estado, em vez de defendê-lo, o abandona. Surge, então, o sentimento de que a lei comum já não protege igualmente a todos. A lacuna é preenchida por discursos mais radicais, que ganham força justamente porque vocalizam a angústia que os partidos tradicionais se recusam a enfrentar.

4. Trump, a imprensa e o dilema da verdade

Quando líderes como Donald Trump denunciam que Londres ou outras cidades “querem implantar a sharia”, a imprensa progressista reage com o rótulo de fake news.

Tecnicamente, a acusação é correta: não há projeto legislativo algum no Reino Unido para substituir o sistema jurídico britânico pela lei islâmica.

Mas, ao apegar-se ao detalhe jurídico, a imprensa ignora o fundo político da crítica: a erosão cultural silenciosa que permite a criação de micro espaços onde a lei islâmica se impõe socialmente.

Enfraquecimento da identidade europeia

Esse é o jogo das palavras. Ao desmentir Trump na superfície, a mídia evita discutir o núcleo do problema: o enfraquecimento da identidade europeia.

É mais oportuno para a mídia enviesada caricaturar o denunciante como exagerado do que enfrentar o dilema de fundo, evitando-se com isso expor a chaga de uma invasão cultural que, antes de respeitar os valores do anfitrião, utiliza-o contra ele mesmo.

O resultado é perverso: enquanto os cidadãos percebem a perda concreta de espaço cultural, a narrativa oficial insiste em que tudo não passa de histeria ou preconceito.

Ressentimento e a polarização

Essa dissonância alimenta ainda mais o ressentimento e a polarização, validando as bandeiras conservadoras pois são as únicas a se contrapor a essa situação catastrófica.

5. As raízes esquecidas

O que está em jogo é mais profundo do que uma disputa entre laicismo e religião, entre esquerda e direita, ou entre europeus nativos e imigrantes. O verdadeiro risco é espiritual: a Europa está esquecendo suas raízes.

Da Grécia herdou-se a distinção entre aparência e essência, o amor ao logos, a busca da verdade como horizonte comum. De Roma, a universalidade do direito, a noção de cidadania, a ordem que transcende interesses tribais.

Dignidade intrínseca

De Jerusalém, a dignidade intrínseca da pessoa humana, a consciência de que cada vida é portadora de um valor inegociável. Essa tríplice herança — Atenas, Roma e Jerusalém — foi o alicerce sobre o qual se construiu o que chamamos de civilização ocidental.

Mas hoje, essas raízes são apresentadas como causa de opressão. A filosofia é reduzida a eurocentrismo; o direito romano, a instrumento de dominação; a fé cristã, a símbolo de intolerância.

O que foi fonte de grandeza torna-se objeto de vergonha. No lugar de um humanismo enraizado na transcendência, instala-se um relativismo que já não sabe distinguir entre virtude e vício. Uma árvore que rejeita suas raízes não floresce: seca de dentro para fora.

6. O paradoxo da tolerância

Karl Popper advertiu para o paradoxo da tolerância: se uma sociedade tolera ilimitadamente até mesmo os intolerantes, acaba destruída por eles. Esse paradoxo tornou-se realidade no solo europeu.

Em nome do respeito absoluto às culturas alheias, toleram-se práticas que, se normalizadas, aniquilariam os próprios princípios de liberdade que tornaram possível essa convivência.


Consumo de álcool

Proibir o consumo de álcool, restringir o vestuário feminino ou negar direitos iguais em tribunais religiosos não são meras expressões culturais: são imposições normativas.

Aceitá-las como manifestações legítimas de diversidade é confundir diferença com supremacia. A diversidade autêntica só é possível quando existe um fundamento comum inegociável. Sem isso, o pluralismo transforma-se em fragmentação.

7. Demografia e destino

Além do fator cultural, há o fator demográfico. Pesquisas indicam que, em diversas capitais europeias, a população muçulmana cresce em ritmo mais acelerado do que a população nativa.

Londres já não tem maioria “white British” desde 2011. Bruxelas segue o mesmo caminho. O fenômeno não é apenas estatístico: traduz-se em mudanças políticas, sociais e culturais irreversíveis.


Reconhecer uma lei da história

Não se trata de demonizar comunidades imigrantes, mas de reconhecer uma lei da história: povos que afirmam sua identidade com coesão substituem aqueles que a abandonam.

A colonização, que outrora foi da Europa sobre o Oriente, parece inverter-se: não por armas, mas por números, fé e disciplina cultural. A vingança que muitos temem não é militar, mas simbólica. Não é Lawrence da Arábia que será derrotado, mas a própria ideia de Europa.

8. Filosofia da perda

Aqui se revela a dimensão mais trágica: perder-se de si mesma é a forma mais cruel de derrota. Não é necessária invasão externa, porque a rendição já ocorreu no espírito.

A Europa vive um niilismo cultural semelhante ao que Nietzsche previu: ao matar Deus, matou também a fonte de valores.

Mas, ao contrário de Nietzsche, que buscava uma transvaloração, a Europa contemporânea não criou novos valores. Limitou-se a viver do consumo, do bem-estar material e da memória envergonhada de um passado que já não compreende.

Vida autêntica

Martin Buber ensinava que a vida autêntica nasce do encontro Eu-Tu, e não da relação Eu-Isso. A Europa, ao reduzir o outro a estatística ou ameaça, perde a capacidade de verdadeiro diálogo.

Mas, ao mesmo tempo, ao não se reconhecer como Tu — uma identidade viva — torna-se incapaz de dialogar de igual para igual. Só quem sabe quem é pode se abrir ao outro sem se dissolver.

9. O silêncio dos cidadãos

Grande parte da população percebe essa transformação, mas cala-se. O medo da acusação de racismo ou intolerância paralisa vozes críticas.

Esse silêncio não é apenas político, mas existencial. Muitos já não se sentem no direito de defender suas tradições, suas festas religiosas, seus símbolos históricos.

O resultado é um mal-estar profundo: viver numa terra que já não reconhece seus próprios filhos.

Esse silêncio é também uma forma de servidão voluntária. Ao abdicar do direito de afirmar-se, o cidadão europeu entrega ao Estado e às minorias mais organizadas o poder de definir o espaço público.

E assim, lentamente, a Europa se perde — não porque lhe roubaram algo, mas porque abriu mão de si mesma.

10. Conclusão — O destino de uma civilização

A Europa encontra-se diante de uma encruzilhada. Pode continuar a trilhar o caminho da renúncia, cultivando a vergonha do passado e a hesitação do presente, até dissolver-se em fragmentos culturais.

Ou pode reencontrar a coragem de afirmar sua identidade, sem medo de ser acusada de intolerância, porque sabe que sua herança é fonte de liberdade para todos.

Árvore seca

Se optar pela primeira via, não haverá necessidade de invasores. O continente morrerá de dentro para fora, como uma árvore seca, incapaz de dar frutos.

Se optar pela segunda, talvez reencontre a grandeza que, por séculos, ofereceu ao mundo: a ideia de que a dignidade humana é universal, que a razão pode guiar a vida política, que a lei comum é garantia da liberdade de todos.

O tempo é curto. A Europa não será derrotada de repente, mas lentamente, pelo esquecimento de si mesma. É o destino mais cruel: não ser vencido por forças externas, mas por sua própria hesitação em existir.

11. Epílogo — O preço do esquecimento

Uma civilização não morre quando perde batalhas, mas quando esquece o que a fez nascer. Se a Europa continuar a pedir desculpas por existir, em breve não terá mais por que existir. Sua ruína não será fruto de vingança alheia, mas de suicídio espiritual.

Ainda resta tempo de recordar que a liberdade não é ausência de identidade, mas sua expressão mais alta. Se esse chamado não for ouvido, o silêncio da Europa será definitivo — e dela restará apenas a memória de que um dia ousou dizer ao mundo quem era.

12. Pós-escrito — O preço da inércia

Sem uma mudança profunda de rota e de conduta, não há possibilidade de que as coisas melhorem na Europa. A história não perdoa civilizações que insistem em permanecer imóveis diante de sua própria dissolução.

Pressão de fora

O continente europeu se perde não apenas pela pressão de fora, mas pela recusa interna em afirmar o que é. O perigo não está no inimigo visível, mas na hesitação cúmplice dos seus próprios líderes.

Nesse ponto, o exemplo americano é contundente. A troca de governo e de políticas nacionais nos Estados Unidos está retirando o país do abismo de um colapso anunciado.

Protagonismo americano

Sob Biden, a América havia se encolhido, permitindo que até mesmo Lula — que só voltou à presidência graças à interferência direta de Washington — se levantasse contra o protagonismo americano, insuflando negociações internacionais que buscavam enfraquecer o dólar.

Esse quadro já não é o mesmo: a guinada política recolocou os Estados Unidos como eixo da ordem mundial, restaurando confiança, poder de dissuasão e autoridade estratégica.

Enquanto os EUA retomam o fio de sua própria grandeza, a Europa hesita. Hesita diante de si mesma, diante de suas raízes e diante do futuro.

O contraste é brutal: de um lado, uma nação que ousa corrigir seu rumo e reafirmar sua liderança; do outro, um continente que insiste em se perder de si mesmo, como se o suicídio cultural fosse o preço inevitável da tolerância.

A verdade é mais dura

Mas a verdade é mais dura: o suicídio das gerações futuras será o preço do oportunismo político de hoje, que se rende covardemente aos votos dos destruidores da cultura ocidental.

Sem coragem de mudar, a Europa não caminhará apenas para o esquecimento. Caminhará, sobretudo, para a traição de seus filhos e netos, condenados a herdar uma terra sem espírito, sem memória e sem voz.


(*) O autor é advogado, procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.
 
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder acolhe a diversidade de pensamentos e visões do mundo e estimula o contraditório democrático e respeitoso.

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É Findi - Código Fênetre, por Tony Antunes de Palmares*

11/04/2026

A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!

O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.

Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!

O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.

Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


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É Findi - O Poeta - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*

11/04/2026

Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite



E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente



O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes



Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


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Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite



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E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente



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O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes



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Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


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É Findi - Diana*, poema, por Felipe Bezerra*

11/04/2026

Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.

Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.

Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.

Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.

*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.

Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.

Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.

Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.

*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


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É Findi – Eutrópio – Croniqueta, por Xico Bizerra*

11/04/2026

Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!...

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Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!).

Em Tempo: apenas para que não existam dúvidas e repetindo o que já disse em crônicas anteriores: me incluo entre os indevidamente chamados de Poeta. Não sou nem tenho a menor pretensão de sê-lo. Apenas escrevo, de quando em vez, letras de música popular, versos quaisquer, coisa de quem não tem o que fazer. Poeta é uma coisa muito maior. Salve Louro do Pajeú, Pinto do Monteiro, Manoel Bandeira, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


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É Findi – Cinema São Luiz - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*

11/04/2026

Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.

De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento...

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Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.

De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento da plateia representa o interior de uma tenda real; vastas tapeçarias suspensas, bordadas com três lírios de França, sobre os quais repousam dezesseis escudos de guerra em lembrança das cruzadas. O teto é como um imenso véu de rede que grossas cordas amarram.

Na frente do palco, os variados ornatos simbolizam as grandes virtudes de Dom Luiz que desceu do trono para subir a um altar; a palma (o prêmio da eterna boa aventurança); a concha (o brasão do peregrino); os besantes (os arautos do valor); a flor de lis (orgulho da Casa de França) e os dois ramos policromados, (o perfume de todas as virtudes), em cujo colorido, os nossos olhos descansam.

Finalmente, as duas colunas esguias e as marquises moldurando a tela cinematográfica indicam, na sua simplicidade técnica, a era arquitetônica moderna e constituem como que uma ligação entre o passado e o presente entre o longínquo século XIII, em que viveu o grande rei e o século XX, em que vivemos, representado, dignamente, pela imagem animada, colorida e sonora.”


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


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É Findi - Malude Maciel* Em Dose Dupla

11/04/2026

Globo Terrestre - Poema

" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta

Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.



Viagens no tempo - Poema


Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.


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Globo Terrestre - Poema

" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta

Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.



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Viagens no tempo - Poema


Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


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É Findi – Troca de Identidade - Por, Poeta Pica-Pau*

11/04/2026

Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la

Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito

A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


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Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la

Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito

A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


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É Findi - Levo, Não Levo? - Crônica - Por, Romero Falcão*

11/04/2026

Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.

Calcula o Salto

Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.

Não se Deve Vacilar

Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.



Solitário. Enrolado

Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os d...

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Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.

Calcula o Salto

Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.

Não se Deve Vacilar

Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.



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Solitário. Enrolado

Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os dois bancos vazios. Deus socorre? Ou o diabo testa?

Flores Discretas

Levanto desconfiado e me sento ao lado dele. Examino-o. Não é qualquer um desses pendurados nas ruas do comércio. É de qualidade. Cabo de madeira, trabalhado. Tecido encorpado, flores discretas. Hastes firmes.

Meu Mesmo ?

Bato três vezes — tok, tok, tok — com a ponta no piso do ônibus. Como quem diz: agora é meu.

É meu mesmo?

Achado não é furtado?



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O guarda-chuva me indaga:

— Isso vale para o silvícola, não para você, que conhece o Código Penal.

Me vem a lei dos homens:

“Apropriar-se alguém de coisa alheia, vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza.”



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Já deixei as digitais no produto do crime. Um passageiro me fita. Testemunha.

Lá fora, a natureza desaba. Aqui dentro, a natureza do guarda-chuva me inquieta:

— Melhor um molhado honesto que uma consciência ensopada.

Puxo a sineta.

Chuva, chuva, chuva.

O motorista para.

Levo, não levo?

Desço apressado.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Voo Recife/Cabo Verde: Raquel Teixeira Lyra comemora como sua ação do Governo Federal

10/04/2026

O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.

Foi Silvinho

A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.

Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem ti...

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O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.

Foi Silvinho

A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.

Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem tinha negociado a rota, Recife-Cabo Verde. Em nenhum momento o Governo Federal foi citado.
Fica claro que a governadora se apropria de uma ação que não foi sua e ainda é reforçada pelo seu presidente da Empresa Pernambucana de Turismo. É mais um exemplo de tentativa da governadora de fazer limonada com a laranja alheia.








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Arraes, Jango, JK e a Operação Condor, por Antônio Campos*

10/04/2026

Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.



A narrativa

Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.



Jango

Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte comple...

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Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.



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A narrativa

Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.



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Jango

Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte completa 50 anos em 2026, reafirmou que seu pai foi assassinado pela Operação Condor, uma articulação entre ditaduras militares da América Latina responsável por perseguir e eliminar lideranças políticas durante o processo inicial de redemocratização do continente. Nesse contexto, destaco também o papel do ex-presidente norte americano Jimmy Carter como figura importante no processo de abertura democrática.

Cobrança

João Vicente cobrou do Estado brasileiro o cumprimento de seu dever institucional de investigar as circunstâncias reais da morte de seu pai. Ele relembrou a relação entre Jango e Miguel Arraes e destacou que Goulart faleceu 12 anos após o golpe militar, em Corrientes, na Argentina. Segundo relatos, ele teria sido vítima de dois assessores cooptados pela Operação Condor, que teriam substituído seus medicamentos por placebos. Pouco tempo depois, esses dois indivíduos apareceram em Paris com sinais evidentes de enriquecimento.

Testemunha importante

Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco, foi uma das principais testemunhas da Operação Condor e quase uma de suas vítimas. No próximo dia 13 de agosto, completam-se 20 anos de seu falecimento. Em depoimento à Comissão da Câmara dos Deputados sobre a Operação Condor, com áudio disponível no YouTube, Arraes respondeu a uma pergunta do então deputado federal Miro Teixeira, presidente da Comissão de Investigação da Operação Condor, afirmando: "Os três nomes mais importantes da Frente eram justamente os líderes mais destacados dos três maiores partidos políticos extintos pelo golpe de 64. Eram eles, respectivamente, além de Juscelino, pelo PSD, João Goulart pelo PTB e Carlos Lacerda pela UDN. Entre os fatos mais notáveis da história recente do Brasil está a morte desses três líderes, em curto lapso de tempo, quando começava a delinear-se a abertura política do regime. Desapareceram, muito convenientemente para o regime de arbítrios, as três maiores alternativas de poder, posto que, em caso de eleições diretas, com certeza um dos três teria sido eleito Presidente da República."



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Representação

Durante dez anos, presidi o Instituto Miguel Arraes, a pedido de minha avó, Magdalena Arraes. Um dos principais feitos desse período foi apresentar, tanto em nome do Instituto quanto em meu nome pessoal, uma representação ao Procurador Geral da República, com base no depoimento de Arraes. A peça relatava seu importante testemunho sobre a Operação Condor, entre outros documentos e fatos, com um capítulo específico dedicado à morte de João Goulart. O Ministério Público Federal acolheu essa representação, determinando sua juntada aos autos da investigação internacional conjunta sobre o caso, conduzida pelo Ministério Público Federal brasileiro e por promotores argentinos. Tal iniciativa permanece registrada nos arquivos oficiais da investigação binacional.

Impunidade

Ao contrário de outros países como Argentina, Chile e Espanha, o Brasil permanece como o único que não puniu nenhum dos envolvidos na Operação Condor, embora haja ampla comprovação da participação de agentes brasileiros. A Argentina prendeu o ex-presidente Rafael Videla. A Justiça chilena ordenou a prisão de 129 ex-militares e policiais participantes do esquema. Já a Justiça espanhola, por meio do juiz Baltasar Garzón, decretou a prisão de vários envolvidos, diante da execução também de cidadãos espanhóis durante a Operação Condor. O Chile, inclusive, reconheceu oficialmente que o poeta Pablo Neruda foi vítima dessa organização.
Uma das vítimas da Operação Condor foi o poeta Pablo Neruda, que Arraes chegou a conhecer pessoalmente.

Livro

Em 2016, publiquei o livro Operação Condor no Brasil, que reproduz a representação mencionada, com 128 páginas, além dos anexos e do despacho do Ministério Público Federal brasileiro.
A biografia que estou escrevendo sobre Miguel Arraes começa com a passagem sobre o encontro na Argélia relacionado à Operação Condor. No próximo dia 13 de agosto, estarei lançando um site internacional para receber sugestões, documentos e depoimentos sobre Arraes, que poderão ou não ser utilizados, em uma obra coletiva, por meio do domínio arraesbiografiacoletiva.com.br.

Assassinato de Jango

Segundo o testemunho de Miguel Arraes à Câmara e as informações recebidas durante o exílio, João Goulart foi de fato assassinado pela Operação Condor, sob o comando da ditadura militar brasileira. Arraes chegou a enviar alertas a Jango e a outros líderes perseguidos ao tomar conhecimento, na Argélia, por meio de um grupo chileno, do início de uma operação de extermínio. Esse grupo informou que havia uma lista inicial de lideranças a serem executadas, lista que incluía o próprio nome de Arraes.

Acervo

Durante minha presidência da Fundação Joaquim Nabuco, levei o acervo pessoal de Miguel Arraes para preservação nessa importante instituição, que leva o nome de outro gigante da história brasileira.

Impunidade gera repetições

Nesse ano, em 2026, completa 20 anos da primeira eleição de Eduardo Campos governador, eleito em 2006. Nunca desisti dele. Estou convicto de que sua morte, ocorrida em 2014, não foi um acidente aéreo comum, mas resultado de sabotagem. Eduardo era visto por adversários como um nome real para a Presidência da República, e a melhor maneira de ocultar um crime é fazê-lo parecer um acidente natural. Como se vê, a impunidade gera a repetição de episódios como o de Jango e de outros.

Produção de provas

Minha mãe, Ana Arraes, e eu movemos ação de produção antecipada de provas, sob o número 5001663 02.2017.4.03.6104, que tramita na 4ª Vara Federal de Santos. A perícia técnica já foi deferida. Contamos com parecer técnico de nosso assistente pericial, que indica falha provocada no disparo do compensador elétrico do profundor da aeronave, interferindo no estabilizador horizontal. Ao realizar uma manobra mais radical, a falha deu origem ao fenômeno conhecido como pitch down, colocando o avião em queda vertiginosa, sem controle pelos pilotos.

Coragem

Sei os riscos que corro, mas, como diz o provérbio, o covarde morre todos os dias, enquanto o corajoso morre uma só vez, e apenas quando necessário. Os nomes de Miguel Arraes e de Eduardo Campos estão inscritos no Livro dos Heróis da Pátria. O Brasil e o mundo precisam conhecer a verdade sobre a Operação Condor e sobre a morte de João Goulart e outras vítimas. É necessário saber a real causa e o contexto da morte de Eduardo Campos e punir os envolvidos.

A verdade

Como disse o bispo sul africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz: "A verdade cura. Às vezes ela arde, mas cura."

*Antônio Campos é advogado e escritor



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