Baixa altitude causou morte de Marília
06/11/2021 - Exclusivo da equipe de O PODER
Inclusive é dos poucos homologados para transportar o presidente norte americano.
A grande questão é a provável ausência de intimidade do piloto com a rota. Sem perfeito conhecimento da pista, baixou demasiadamente a altura na aproximação para o pouso e consequentemente diminuiu a velocidade.
PALAVRA ABALIZADA
A reportagem de O PODER ouviu um piloto acostumado a pilotar aeronave do modelo acidentado. Ele não falou em "falha humana" mas com sua experiência e mais a avaliação das fotos da aeronave acidentada, deu o seu parecer que, com 99% de probabilidade, será confirmado daqui a muitos meses pela perícia.
" É certo que a aeranave vinha com baixa velocidade. Quando engatou o trem de pouso na rede de alta tensão, a aeronave 'estolou', o que em linguagem aeron...
Inclusive é dos poucos homologados para transportar o presidente norte americano.
A grande questão é a provável ausência de intimidade do piloto com a rota. Sem perfeito conhecimento da pista, baixou demasiadamente a altura na aproximação para o pouso e consequentemente diminuiu a velocidade.
PALAVRA ABALIZADA
A reportagem de O PODER ouviu um piloto acostumado a pilotar aeronave do modelo acidentado. Ele não falou em "falha humana" mas com sua experiência e mais a avaliação das fotos da aeronave acidentada, deu o seu parecer que, com 99% de probabilidade, será confirmado daqui a muitos meses pela perícia.
" É certo que a aeranave vinha com baixa velocidade. Quando engatou o trem de pouso na rede de alta tensão, a aeronave 'estolou', o que em linguagem aeronáutica significa atingir o limite mínimo de velocidade, abaixo da qual perde altitude e corre o risco imediato de cair.
ACONTECEU
Foi o que aconteceu, segundo especialistas ouvidos por O PODER. O avião caiu 'estolado', ou seja, de barriga. Por isso, a aeronave permaneceu relativamente composta, partida em poucos pedaços. Ao contrário do que acontece normalmente quando nas quedas os aviões muitas vezes se pulverizam.
CONHECER A ROTA
Os pilotos mais antigos têm um axioma padrão: quanto mais o piloto repete a rota, em pequenas aeronaves, mais seguro é o voo.
O contrário também se aplica.
A equipe de O PODER se solidariza com as vítimas, não seria capaz de levantar acusações levianas de "falha humana" para quem já não pode se defender, porém, mais uma vez, se depara com acidentes fatais com pilotos pouco habituados com os percursos. Foi o que ocorreu, por exemplo, no trágico acidente que vitimou Eduardo Campos. Que, mais uma vez, o acidente sirva de alerta para evitar outras tragédias.
Leia outras informações
Histórico complicado dos ‘Bolsonaros’ x CNBB - Bispo rebate Flávio Bolsonaro após críticas à CNBB
28/09/2026
O bispo Dom Vicente Ferreira, da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, criticou a família Bolsonaro hoje, 28/09. Sem citar os nomes diretamente, o bispo fez referência a conflitos entre a família e a CNBB. A declaração veio depois de o senador e candidato Flávio Bolsonaro, PL, afirmar, ontem, que a CNBB ajudou a disseminar uma notícia falsa sobre um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A tensão entre o clã Bolsonaro e a CNBB não é recente. Em 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, 152 bispos assinaram uma carta com críticas à condução do governo federal em áreas como educação e saúde durante a pandemia de covid-19. Depois da publicação da carta, o Gabinete de Segurança Institucional, órgão da Presidência da República, solicitou a elaboração de um perfil individual de cada um dos 152 signatários. A informação consta em relatório da PF produzido durante as investigações sobre a chamada “Abin Paralela”.

Bispo Dom Vicente Ferreira
Dom Vicente é integrante da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB e foi nomeado para o cargo pelo então papa Francisco em fevereiro de 2023. “O pai disse que a CNBB é a parte podre da Igreja Católica. Inclusive, vigiou bispos. Agora, o filho declara que ajudamos a divulgar fake news. Valei-nos, Mãe Aparecida! Nossa rainha e padroeira. Que ninguém roube de nós a vontade de lutar sempre pela justiça e paz. Rogai por nós!”, escreveu Dom Vicente Ferreira em seu perfil oficial no X.

Flávio acusou o PT e a CNBB
Ontem, Flávio negou qualquer intenção de remover o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. Em evento de campanha realizado em Goiânia, o senador atribuiu a autoria da notícia falsa ao PT, com suposta participação de integrantes da entidade católica. “O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu, com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente. O que aconteceu ali foi, quase que automaticamente, uma disseminação dessa fake news”, afirmou o senador. “Só que rapidamente se reverteu, porque a verdade está do nosso lado”, acrescentou.
A CNBB rebateu
A CNBB rebateu as acusações do senador com uma nota oficial. “A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral. A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”, diz o comunicado da entidade.
Caso Nossa Senhora Aparecida - Dino envia ao plenário decisão que liberou postagem sobre Santa
28/09/2026
Dino
O ministro também afirmou que também é importante o Supremo analisar o tema sob a ótica da atuação individual de integrantes do TSE. “Torna imperativa a análise sobre o princípio da colegialidade no TSE, abrangendo decisões monocráticas de juízes da propaganda e sua submissão a re...
O ministro Flávio Dino submeteu à análise do plenário do STF sua ordem judicial que derrubou decisão do ministro André Mendonça de mandar retirar do ar publicações sobre a Nossa Senhora Aparecida. Agora, cabe ao presidente da Corte, Edson Fachin, marcar uma data para apreciação da matéria. Esta foi a segunda vez em menos de um mês que Dino derruba uma decisão de Mendonça. A primeira havia sido em setembro, quando o magistrado suspendeu uma ordem do colega pelo afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Desta vez, ao submeter o caso ao plenário, Dino frisou que a decisão do colega foi tomada pelo TSE e que o STF está acima da Corte Eleitoral.

Dino
O ministro também afirmou que também é importante o Supremo analisar o tema sob a ótica da atuação individual de integrantes do TSE. “Torna imperativa a análise sobre o princípio da colegialidade no TSE, abrangendo decisões monocráticas de juízes da propaganda e sua submissão a referendo pelo Plenário do citado TSE”, escreveu. Dino também reforça o argumento de que a decisão de Mendonça pode configurar censura ao debate sobre Nossa Senhora Aparecida ser a Padroeira do Brasil. “Essa situação é ainda mais grave considerando que 12 de outubro é a data prevista em lei para as homenagens de centenas de milhões de fiéis à Nossa Senhora, o que pode levar à censura em massa, caso persista a insegurança jurídica gerada pela decisão monocrática no âmbito do Egrégio TSE, que delegou largos poderes censórios às empresas de internet”, afirma.
Lula diz que acabar com bets não traz "prejuízo para o futebol", amanhã terá reunião com clubes
28/09/2026
Reunião com clubes de futebol
O governo marcou para amanhã, terça-feira, 29/09, uma reunião com representantes de clubes de futebol para discutir os impactos da proibição das bets no país. O encontro foi confirmado pelo Ministério do Esporte e ocorre após a reação negativa dos clubes à medida provisória, M...
O presidente Lula, PT, afirmou hoje, segunda-feira, 28/09, durante evento de sanção de novas medidas para fortalecer o futebol feminino no Palácio do Planalto, que a medida que pôs fim às bets no Brasil "não traz prejuízo" para o esporte. "Esse negócio de acabar com bets não traz prejuízo para o futebol. Nos melhores momentos da história do futebol não existia bets. O Brasil foi campeão do mundo e não existia bet", afirmou. Lula fez a sanção da nova lei, com foco a profissionalização do futebol feminino, na Base Aérea de Brasília, antes de embarcar para Belém, onde cumpre agenda presidencial no período da tarde, e faz campanha no período da noite.
Reunião com clubes de futebol
O governo marcou para amanhã, terça-feira, 29/09, uma reunião com representantes de clubes de futebol para discutir os impactos da proibição das bets no país. O encontro foi confirmado pelo Ministério do Esporte e ocorre após a reação negativa dos clubes à medida provisória, MP, que determinou o fim das plataformas de apostas de quota fixa. A MP que proíbe sites e aplicativos de bets foi publicada na sexta-feira, 25/09. Pelas regras, as empresas terão até 06/10 para sair do ar. Os apostadores, por sua vez, têm até 05/10 para resgatar os valores que ainda estiverem disponíveis nas plataformas. "E os clubes que se virem. Já aprovamos a lei que os clubes podem virar empresa, agora é preciso colocar gente de competência para fazer empresa", afirmou Lula na ocasião.

"É uma máquina de matar o povo pobre"
Lula afirmou ainda que as empresas de jogos online devem "ganhar dinheiro fazendo outra coisa, gerando emprego de qualidade" e que as bets representam menos de 7% da arrecadação dos times de futebol. "É uma máquina de matar o povo pobre, e eu, sinceramente, acabei para dizer o seguinte: ninguém vai tirar mais o dinheiro do leite, do pão, do feijão, da carne, da comida das crianças pra apostar em bets", declarou.
Independente - Poema - Por Romero Falcão*
28/09/2026
olha debaixo da cama
antes de deitar.
Mesmo que a serpente se disfarce
num manto branco da paz.
É assim o eleitor independente,
num ponto equidistante da militância:
nem santa, nem satã têm relevância.
É assim o eleitor independente:
nem pátria, nem Bolsa Família,
bandeira recolhida na distante ilha.
Na reta final,
todos disputam seu voto:
um copo no deserto,
incerto de um gole d’água.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Desconfiado,
olha debaixo da cama
antes de deitar.
Mesmo que a serpente se disfarce
num manto branco da paz.
É assim o eleitor independente,
num ponto equidistante da militância:
nem santa, nem satã têm relevância.
É assim o eleitor independente:
nem pátria, nem Bolsa Família,
bandeira recolhida na distante ilha.
Na reta final,
todos disputam seu voto:
um copo no deserto,
incerto de um gole d’água.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder. @romerocoutinhodearruda

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Lula reafirma: o meu senador na PB é Veneziano
28/09/2026
A declaração
Ganha ainda mais força no momento em que centenas de milhões de reais, oriundos da corrupção do Banco Master, via Hugo Motta, são despejados na campanha eleitoral, comprando apoios e tentando comprar consciências na tentativa de derrotar o mais emblemático aliado de Lula no Senado.
Confira.
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O presidente Lula diz que nenhum outro senador ajudou tanto o seu governo como Veneziano. Nenhum tão leal e guerreiro. Diz que o seu voto na Paraíba é Veneziano para o Senado. E pede com enfase o apoio das paraibanas e paraibanos que lhe apoiam para a reeleição do seu maior aliado.
A declaração
Ganha ainda mais força no momento em que centenas de milhões de reais, oriundos da corrupção do Banco Master, via Hugo Motta, são despejados na campanha eleitoral, comprando apoios e tentando comprar consciências na tentativa de derrotar o mais emblemático aliado de Lula no Senado.
Confira.
Da Série Mistérios do Aquém: A carapuça fascista da Mula- Sem-Cabeça e a defesa da democracia. – Por Natanael Sarmento*
28/09/2026
Comédia
Na comédia de costumes tipos sociais estapafúrdios, insanos, degradados e desqualificados, facções de milicianos, golpeiam a democracia diante de uma plateia anistiada numa cegueira ou fulminada numa amnésia epidêmica que faz o Ensaio Sobre a Cegueira” de Saramago um vaticínio de profeta.
Hipocrisia
Tartufo simbolizava a hipocrisia religiosa do século XVII, na sátira de Molière. Pastores milicianos hoje, envolvidos no poder, dissimulam e enganam mais que o espertalhão hipócrita do tetro francês. A esperteza da arte de lud...
O ditado popular diz que “se a carapuça serviu, vista”. Os antigos registradores dos acontecimentos misturavam os fatos reais com mitos e lendas. Seguindo os passos, mas sem o talento de Heródoto, colocamos na história dos nossos dias, de avanço do fascismo da extrema direita a Mula- Sem-Cabeça e Hidra de Lerna, o monstro das cabeças cortadas por Hércules e que renasciam em duplicidade.
Comédia
Na comédia de costumes tipos sociais estapafúrdios, insanos, degradados e desqualificados, facções de milicianos, golpeiam a democracia diante de uma plateia anistiada numa cegueira ou fulminada numa amnésia epidêmica que faz o Ensaio Sobre a Cegueira” de Saramago um vaticínio de profeta.
Hipocrisia
Tartufo simbolizava a hipocrisia religiosa do século XVII, na sátira de Molière. Pastores milicianos hoje, envolvidos no poder, dissimulam e enganam mais que o espertalhão hipócrita do tetro francês. A esperteza da arte de ludibriar hoje arregimenta multidões de fiéis e seguidores políticos, fanáticos irracionais, para os quais, nem os fatos, nem qualquer evidência ou pensamento lógico, servem para nada, nem dizer que a Terra não é plana.
Vulgaridade e esperteza
Panungio, personagem de Rabelais (Gargantua e Pantagruel) representa o tipo popular esteriotipado da pior da espécie: vulgar, grosseiro, espertalhão, enganador, infiel e aproveitador.
Quem diria?
Quem diária, que a Hidra do fascismo renascesse com força nos EUA, Brasil e Bahia lutaram contra ele e o derrotaram, na 2ª Guerra finda em 1945? Que tipos grosseirões, vulgares, que ostentam, orgulhosamente, machismo, misoginia, que destilam preconceito contra étnicos contra imigrantes, gays, lésbicas e fazem pouco da cultura e da ciência, negam a alteridade, zombam da democracia, agridem normas de civilidade, enfim, bestiais Mulas Sem Cabeça exibissem abertamente tais máculas como se fossem virtudes e tais deformidades encontrassem seguidores da mesma laia?
Confusão
No truque ilusionista desta sociedade do espetáculo (Guy Debord) a imagem – mais ainda na era virtual - se confunde com real, a aparência com a essência. Não se distingue claramente o Canto de Liberdade do Canto das Serias. Nas plataformas digitais das chupetas virtuais, nas arapucas atrativas de multidões em escala global e instantânea. Nas rolagens de robôs e Fake-News que levam as mariposas à morte na confusão da luz artificial com o sistema da natureza.
Moralista de horas vagas
Nos púlpitos e parlamentos, protagonizam cruzadas na defesa da família, da "moral, dos bons costumes". Na intimidade protagonizam promovem orgias dignas de Herodes. Ligados a financiamentos indevidos, orçamentos secretos, amigos de milicianos, traficantes, defraudadores dos sistema financeiro, apologistas da “segurança pública” para inglês ver pois facilitam o armamentismo e a vida dos bandidos que fazem a festa em suas desgovernanças.
Populismo
Diante da câmaras bebem em copo americano, quebram protocolos de etiqueta para falsa e supostamente se identificar com o "povo", nesse elitismo hipócrita e enganador, que na vida privada enriquecem e vivem como nababos com dezenas de mansões, marinas de iates e lanches nas praias exclusivas, fortunas acumuladas sem explicação senão em décadas de desfalque do patrimônio público. Esses vagabundos atacam o fim da escala 6/1 para o trabalhador escravizado sem tempo para cuidar da família e da saúde, votam contra qualquer aumento para Salário Mínimo, revogam direitos trabalhistas e sociais e concedem anistia fiscal, incentivos, empréstimos especiais para grandes empresários.
Paz Armada
Na pauta da segurança pública, a narrativa do "cidadão de bem armado" prometem ordem e proteção com armamento de policiamento ostensivo (aparência). Mas aumentam apenas os índices de crimes violentos, pois mais armas só abastecem melhor as organizações criminosas - PCC e CV e outras com as quais há indícios claros de ligações perigosas.
Patriotismo traiçoeiro
A retórica do nacionalismo de fachada tipo " Brasil acima de tudo", de exibir bandeira e cores verde e amarela é cortina de fumaça da posição antinacional de traição do Brasil, do entreguismo das riquezas nacionais e da vassalagem mais sórdidas, da subserviência às potências estrangeiras, vide as ações contra a economia brasileira e a grotesca continência à bandeira dos Estados Unidos, pedidos de intervenção estrangeira, o ridículo da bandeira dos EUA no desfile do 7 de Setembro dia da Independência do Brasil, na Avenida Paulista.
Duas caras
A extrema direita cadela sempre no cio, sob a ditadura é valente e defende torturas, bandidos mortos, prisões, censura, banimento, persegue defensores de direitos humanos, elimina opositores, sem piedade. Mas se são apanhados depois de golpes frustrados e são processados, julgados e condenados, começam a soluçar e pedir piedade cristã, avocar direitos humanos, galo de briga se transforma em galinha choca.
Salvar a democracia
Derrotar o fascismo nas próximas eleições é imperativo da sobrevida dessa democracia frágil e limitada – porque instável e incapaz de apresentar soluções rápidas para as os problemas e demandas que afligem a maioria – e todavia deve ser defendida, pois muito pior é uma ditadura fascista dos monopólios capitalistas e banqueiros com o governo de milicianos fascistas, que pode fazer a ditadura sanguinária de 1964 parecer passeio nos Campos Elísios.
*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
Comandos: da guerra irregular à engenharia da soberania - Por Amadeu Robalinho*
28/09/2026
A palavra “commando” não surgiu em 1940. O registro histórico do termo em inglês remonta ao final do século XVIII, associado às forças montadas bôeres da África do Sul. O Dictionary of South African English registra, já em 1790, o emprego de commando para designar uma força armada, normalmente montada, reunida para operações de incursão, represália ou recuperação de gado. A origem linguística é atribuída ao africâner commando/kommando, relacionado ao português comando. A associação direta com uma suposta palavra significando “invasão”, entretanto, é simplificação. Historicamente, o conceito estava muito ma...
A história dos Comandos começa antes que o nome fosse incorporado definitivamente ao vocabulário militar britânico. Ela nasce de uma experiência de guerra assimétrica, mobilidade, iniciativa e conhecimento do terreno, amadurecida nas guerras da África Austral e posteriormente reinterpretada pela Grã-Bretanha em um dos momentos mais críticos de sua história estratégica.
A palavra “commando” não surgiu em 1940. O registro histórico do termo em inglês remonta ao final do século XVIII, associado às forças montadas bôeres da África do Sul. O Dictionary of South African English registra, já em 1790, o emprego de commando para designar uma força armada, normalmente montada, reunida para operações de incursão, represália ou recuperação de gado. A origem linguística é atribuída ao africâner commando/kommando, relacionado ao português comando. A associação direta com uma suposta palavra significando “invasão”, entretanto, é simplificação. Historicamente, o conceito estava muito mais ligado a uma força convocada sob determinado comando e à autorização para realizar uma expedição armada.
Essa distinção é importante porque revela algo maior do que a simples etimologia. O commando original não era, necessariamente, uma “tropa de elite” no sentido contemporâneo. Era uma forma de organização militar adaptada a um ambiente em que mobilidade, autonomia, iniciativa individual, conhecimento do terreno e capacidade de concentração e dispersão podiam produzir efeitos desproporcionais à massa de forças empregada.
Nas Guerras dos Bôeres, particularmente na Segunda Guerra Anglo-Boer, entre 1899 e 1902, os britânicos encontraram exatamente esse problema. Depois das grandes operações convencionais, as forças bôeres passaram a operar em grupos móveis, explorando a vastidão do território sul-africano, a superioridade na mobilidade montada e a capacidade de atacar linhas de comunicação, colunas e posições vulneráveis. O próprio National Army Museum registra que as forças bôeres eram altamente móveis, habilidosas no emprego do terreno e capazes de evitar confrontos convencionais, obrigando o Exército britânico a modificar suas próprias estruturas e métodos de campanha.
Há, entretanto, uma dimensão histórica que não deve ser apagada pela romantização posterior do termo. Os commandos também participaram de campanhas coloniais contra populações africanas, e as fontes históricas registram o emprego dessas forças em expedições de represália e conquista. A evolução posterior do conceito militar não transforma automaticamente toda a história dos commandos em um modelo exclusivamente virtuoso. O que interessa estrategicamente é compreender quais características operacionais foram posteriormente identificadas, estudadas e reaproveitadas por outras forças armadas.
E foi justamente essa experiência que atravessou o tempo e voltou à superfície em 1940.
A queda da França e a evacuação de Dunquerque produziram uma ruptura na lógica estratégica britânica. A Grã-Bretanha encontrava-se diante da possibilidade de invasão e, ao mesmo tempo, precisava encontrar uma maneira de recuperar a iniciativa contra uma Alemanha que havia conquistado grande parte da Europa Ocidental.
Nesse ambiente surgiu o Tenente-Coronel Dudley Clarke, oficial britânico nascido na África do Sul e então integrante do Estado-Maior do General Sir John Dill, Chefe do Estado-Maior Imperial. Clarke conhecia a experiência dos Boer Commandos e havia acumulado também experiência com guerra irregular durante a Revolta Árabe na Palestina. Em junho de 1940, apresentou a Dill a proposta de criação de uma força pequena, móvel e especialmente treinada para operações ofensivas e incursões contra o território ocupado pelo inimigo.
A concepção de Clarke encontrou terreno fértil porque coincidia com uma preocupação que Winston Churchill já manifestava naquele momento. Nas conclusões do War Cabinet de 17 de junho de 1940, documento oficial britânico catalogado como CAB 65/7, o governo discutiu a necessidade de introduzir um elemento de Storm Troops no Exército, inspirado na capacidade ofensiva demonstrada pelas tropas alemãs.
No dia seguinte, 18 de junho de 1940, Churchill encaminhou a Hastings Ismay uma minuta perguntando sobre a possibilidade de criação de tropas de choque. O documento histórico registra sua defesa de pelo menos 20 mil homens especialmente preparados, extraídos das unidades existentes, equipados com armamento moderno e dotados de elevada mobilidade. Churchill escreveu que deveriam estar preparados para “spring at the throat” de pequenos desembarques ou incursões inimigas.
A convergência entre a necessidade estratégica identificada por Churchill e a solução operacional proposta por Clarke produziu algo que ultrapassaria a Segunda Guerra Mundial.
O objetivo não era simplesmente criar soldados mais agressivos. Era criar uma capacidade estratégica diferente.
Essa diferença aparece com clareza no memorando do Major-General R. H. Dewing, de 13 de junho de 1940, que estabelecia a concepção inicial dos Commandos. A ideia era reunir homens capazes de combater de maneira independente e irregular, sem depender da estrutura rígida de uma unidade convencional. Armamento, equipamento e composição poderiam variar conforme a missão. A força deveria ser organizada em função do problema operacional, e não o problema obrigado a se adaptar a uma estrutura permanente.
Aqui está, talvez, a principal lição estratégica da origem dos Comandos.
A força deveria nascer da missão, e não a missão nascer das limitações da força.
Essa inversão parece simples, mas possui enorme significado para a engenharia da Defesa. Em ambientes de elevada incerteza, soberania não depende apenas da quantidade de meios disponíveis. Depende também da capacidade de transformar meios em opções estratégicas.
Uma força convencional pode possuir massa, fogo e permanência. Uma força de operações especiais acrescenta outras dimensões: surpresa, velocidade, precisão, autonomia, infiltração, reconhecimento, ação direta e capacidade de produzir efeitos em profundidade.
É a combinação dessas capacidades que transforma uma pequena unidade em instrumento estratégico.
Em 1940, essa lógica era particularmente importante para uma Grã-Bretanha que precisava demonstrar ao adversário que a perda da iniciativa continental não significava perda da capacidade de reação. Os primeiros ataques foram modestos e nem sempre bem-sucedidos. O primeiro ataque através do Canal, a Operação Collar, ocorreu em junho de 1940 e demonstrou que transformar conceito em capacidade operacional exigiria treinamento, equipamentos, comando e integração entre Exército, Marinha e Força Aérea.
Com o tempo, porém, os Comandos deixaram de ser apenas uma resposta emergencial à crise de 1940 e passaram a constituir uma ferramenta permanente da estratégia britânica. O National Army Museum registra que essas forças foram concebidas inicialmente como unidades de incursão e reconhecimento, mas evoluíram para tropas de assalto empregadas em operações cada vez mais complexas ao longo da Segunda Guerra Mundial.
É nesse ponto que a história dos Comandos deixa de ser apenas história militar e passa a interessar diretamente à discussão sobre Soberania Nacional.
Uma nação soberana precisa possuir capacidade de negar ao adversário a liberdade de ação sobre seus interesses vitais. Isso não significa possuir apenas grandes Exércitos, grandes Marinhas ou grandes Forças Aéreas. Significa possuir diferentes instrumentos para diferentes níveis de ameaça.
A experiência britânica demonstrou que uma estrutura de Defesa robusta precisa combinar massa e especialização, dissuasão e ação, capacidade convencional e capacidade de operações especiais.
No caso brasileiro, essa lógica encontra correspondência em estruturas próprias das três Forças. O Exército Brasileiro possui o 1º Batalhão de Ações de Comandos, inserido no sistema de Operações Especiais; a Marinha mantém a formação de seus Comandos Anfíbios; e a Força Aérea Brasileira possui o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, o PARA-SAR, cuja história combina busca e salvamento, operações especiais e capacidades aeroterrestres.
A própria doutrina brasileira evidencia essa diferenciação. Publicação profissional do Exército descreve o 1º BAC como unidade especializada em ações diretas, enquanto as Forças Especiais possuem atribuições distintas dentro do espectro das Operações Especiais. Não se trata, portanto, simplesmente de “tropa de elite”, mas de capacidades diferentes dentro de uma arquitetura maior de emprego militar.
O mesmo princípio aparece na formação contemporânea dos Comandos Anfíbios. Em 2026, o Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo descreveu o Curso Especial de Comandos Anfíbios como uma formação destinada a capacitar oficiais e praças para o planejamento e execução de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, envolvendo combate, natação, armamento, comunicações, primeiros socorros e técnicas de patrulha.
E o PARA-SAR demonstra outra dimensão da mesma arquitetura, combinando busca e salvamento em combate, infiltração, exfiltração e operações especiais. Sua própria história oficial remonta à criação da primeira Esquadrilha Aeroterrestre de Salvamento, em 1963.
Portanto, quando se observa a trajetória que vai dos Boer Commandos aos Comandos britânicos de 1940 e destes às modernas forças de operações especiais, não se está diante apenas da evolução de uma palavra.
Estamos diante da evolução de uma ideia estratégica.
A ideia de que uma força militar não precisa ser grande para produzir efeitos estratégicos, mas precisa ser capaz de chegar onde o adversário não espera, agir sobre aquilo que ele considera protegido, produzir efeitos desproporcionais aos recursos empregados e, principalmente, devolver ao Estado a iniciativa perdida.
Essa é uma das grandes lições de 1940.
Dudley Clarke não inventou a guerra irregular. Churchill não inventou as tropas de choque. Os britânicos não inventaram a mobilidade militar. O que fizeram foi algo mais importante: transformaram experiências históricas dispersas em capacidade institucional organizada.
E é justamente aí que reside a dimensão contemporânea da soberania.
Países soberanos não são aqueles que simplesmente possuem armas. São aqueles capazes de organizar conhecimento, tecnologia, doutrina, indústria, inteligência, infraestrutura, recursos humanos e capacidade operacional em um sistema coerente de Defesa.
O Commando nasceu como resposta a uma assimetria.
Transformou-se em doutrina.
A doutrina tornou-se capacidade.
E a capacidade tornou-se instrumento de estratégia.
Essa trajetória demonstra uma verdade que permanece atual no século XXI: quando a guerra muda, a soberania exige que o Estado também seja capaz de mudar a forma pela qual emprega seu poder.
A história dos Comandos, portanto, não é apenas a história de homens treinados para combater atrás das linhas inimigas.
É a história de como uma nação, diante da perda da iniciativa estratégica, procurou reconstruí-la por meio da inovação organizacional.
E, na guerra como na soberania, muitas vezes a diferença entre possuir poder e exercer poder está exatamente aí: na capacidade de transformar recursos em efeitos estratégicos.
*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Ipespe: Pau a pau com João na frente
28/09/2026
Confira
O noticiário da TV Tribuna publicou primeiro os números do Ipespe. Confira.
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A mais diaputada corrida eleitoral de todos os tempos, em Pernambuco, entra na última semana, cheia de emoções. Depois da divulgação, logo cedo, nesta segunda-feira, 28/09/26 da pesquisa Real Time Big Data foi a vez do Ipespe divulgar a sua. Um quesito em comum: nos dois institutos, João Campos virou o jogo, numericamente, para cima de Raquel Teixeira Lyra. A diferença em ambos o Instituto está dentro da margem de erro. João na frente, nos dois turnos.
Confira
O noticiário da TV Tribuna publicou primeiro os números do Ipespe. Confira.
Um convite à consciência, à razão e à lógica, por Zé da Flauta*
28/09/2026
É o império da paixão cega, onde o sujeito prefere morrer abraçado a uma mentira bonita a ter o trabalho de afinar o instrumento do próprio pensamento. É por isso que faço aqui esse convite, quase um pedido de socorro, tá na hora da gente voltar para a consciência, para a razão e para a lógica antes que a orquestra desmorone de vez.
Bucha de canhão
A consciência, meu caro, é aquela luzinha que acende lá no fundo do peito quando a poeira baixa. É a coragem de olhar no espelho e admitir que a gente também desafina, que nossos preconceitos às vezes falam mais alto do que a verdade e que nem tudo o que reluz no zap é ouro de lei.
...
Nesta feira das vaidades em que o mundo se transformou, onde todo mundo grita para ver quem tem mais razão e ninguém pára pra escutar a melodia inteira, pensar virou ato de coragem. A gente foi se acostumando a reagir pelo fígado, na pancada do zabumba, sem se dar ao trabalho de ouvir o timbre da flauta.
É o império da paixão cega, onde o sujeito prefere morrer abraçado a uma mentira bonita a ter o trabalho de afinar o instrumento do próprio pensamento. É por isso que faço aqui esse convite, quase um pedido de socorro, tá na hora da gente voltar para a consciência, para a razão e para a lógica antes que a orquestra desmorone de vez.
Bucha de canhão
A consciência, meu caro, é aquela luzinha que acende lá no fundo do peito quando a poeira baixa. É a coragem de olhar no espelho e admitir que a gente também desafina, que nossos preconceitos às vezes falam mais alto do que a verdade e que nem tudo o que reluz no zap é ouro de lei.
Viver sem consciência é como tocar de ouvido sem conhecer a nota, você vai no chute, se empolga com o barulho da plateia, mas na hora do solo principal não sabe onde colocar os dedos. Ter consciência é assumir o leme da própria cabeça, parando de ser bucha de canhão para discurso de ocasião.
Razão e lógica
Aí é que entram a razão e a lógica para botar ordem no terreiro. A razão é a régua moral, aquele diapasão que não deixa a gente confundir desejo com realidade. Ela exige fato, pé no chão, pé de cimento e prova concreta antes de sair apontando o dedo. Já a lógica... ah, a lógica é o arranjo perfeito! É ela que impede que a gente aceite duas coisas contraditórias ao mesmo tempo só porque convém ao nosso lado da torcida. Se a lógica vai embora, a música vira uma cacofonia insuportável, o debate vira briga de botequim no fim da feira e qualquer absurdo ganha ar de verdade.
Humildade
No fundo, resgatar essa trinca não é para ficar bonito em livro nem para pousar de sábio em praça pública; é para não deixar a alma virar marionete. Quem cultiva a lógica e pauta a vida na razão não se deixa enrolar por conversa mole, por vendedor de ilusão nem por profeta de gabinete.
O verdadeiro progresso, da arte, da política e do coração, nasce da humildade de quem sabe que a verdade não pertence a nenhum partido ou facção, mas sim a quem tem a paciência de procurar por ela com lucidez, emoção e pé no chão. Fica feito o convite: menos dogma, menos chilique e mais respeito pelo compasso da inteligência.
Até a próxima!
*Zé da Flauta é compositor e cronista

O dia em que proibiram o jogo no Brasil, por Roberto Vieira*
28/09/2026
Cassinos
Os cassinos brasileiros tinham roleta, vinte e um e carteado. Também possuíam shows musicais, comediantes e muitas mulheres bonitas, não necessariamente nessa ordem. O Rio de Janeiro ostentava a Urca e o Quitandinha. Recife inaugurou o seu cassino no Grande Hotel.
Dutra
O presidente Dutra governava com sua farda, porém quem mandava em casa era a esposa Santinha. Ela era muito religiosa e achava o jogo coisa do diabo. Tanto fez, que Dutra proibiu o jogo no território nacional no dia 30 de abril de 1946. De um dia para o outro, cassinos fecharam, artistas acordaram desempregados. Infelizmente, não existe notícia de nenh...
Todo mundo fala da proibição das BETS pelo governo Lula. Numa canetada só, o dirigente máximo do país acabou com o jogo no Brasil. Pelo menos, até a medida se tornar provisória. Independente da motivação de Lula, real ou eleitoral, ele não foi o primeiro brasileiro a proibir nossa jogatina.
Cassinos
Os cassinos brasileiros tinham roleta, vinte e um e carteado. Também possuíam shows musicais, comediantes e muitas mulheres bonitas, não necessariamente nessa ordem. O Rio de Janeiro ostentava a Urca e o Quitandinha. Recife inaugurou o seu cassino no Grande Hotel.
Dutra
O presidente Dutra governava com sua farda, porém quem mandava em casa era a esposa Santinha. Ela era muito religiosa e achava o jogo coisa do diabo. Tanto fez, que Dutra proibiu o jogo no território nacional no dia 30 de abril de 1946. De um dia para o outro, cassinos fecharam, artistas acordaram desempregados. Infelizmente, não existe notícia de nenhum viciado na jogatina regenerado.
Bicho
O jogo do bicho existe desde o século XIX. Em 1993, a corajosa juíza carioca, Denise Frossard, decidiu proibir o jogo do bicho. Levaram presos bicheiros e passadores do jogo do bicho. Foi notícia na TV. O jogo continua até hoje. Escolas de samba, narcotraficantes, emissoras de TV, políticos e times de futebol surfaram no bicho. On the rocks.
Vício
O ato de jogar é vício como a bebida, o cigarro, a prostituição, a pornografia e o uso de drogas. Seus efeitos nocivos nas famílias e sociedades são conhecidos, no mínimo, desde o Império Romano, especialista em todos eles — menos no cigarro, oriundo do Novo Mundo. O mesmo Estado, ao proibir a bebida na Lei Seca norte-americana e o jogo no governo Dutra, legaliza o uso de drogas porque se acha incapaz de vencer a guerra. São os mesmos governos ansiosos para combater um vício escondendo outro vício: o da corrupção. Então. Quer apostar que o vício vence no final?
Roberto Vieira é médico e cronista
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.
