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O perdão e o poder: a confissão forçada das Forças Armadas, por Jorge Pinho*

29/10/2025

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“O perdão é nobre quando nasce da consciência; torna-se perverso quando é exigido como sinal de submissão.”

1. Preâmbulo — Quando a confissão é uma sentença

Há gestos que, sob o disfarce da humildade, escondem uma inversão de poder. Quando a presidente do Superior Tribunal Militar — uma civil, e não uma militar — pede perdão “em nome da Justiça Militar” pelas atrocidades cometidas durante o regime de 64, não está apenas evocando o passado: está redesenhando o presente.


Expressão livre

O perdão, que deveria ser expressão livre de arrependimento autêntico, converte-se, nesse caso, em ato político de confissão forçada. E como toda confissão imposta, serve menos à verdade e mais ao domínio moral de quem a exige.

Conciliador

O gesto parece, à primeira vista, nobre e conciliador. Mas sua simbologia é devastadora: o tribunal da farda ajoelha-se diante do tribunal das togas, e o que se apresenta...

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“O perdão é nobre quando nasce da consciência; torna-se perverso quando é exigido como sinal de submissão.”

1. Preâmbulo — Quando a confissão é uma sentença

Há gestos que, sob o disfarce da humildade, escondem uma inversão de poder. Quando a presidente do Superior Tribunal Militar — uma civil, e não uma militar — pede perdão “em nome da Justiça Militar” pelas atrocidades cometidas durante o regime de 64, não está apenas evocando o passado: está redesenhando o presente.


Expressão livre

O perdão, que deveria ser expressão livre de arrependimento autêntico, converte-se, nesse caso, em ato político de confissão forçada. E como toda confissão imposta, serve menos à verdade e mais ao domínio moral de quem a exige.

Conciliador

O gesto parece, à primeira vista, nobre e conciliador. Mas sua simbologia é devastadora: o tribunal da farda ajoelha-se diante do tribunal das togas, e o que se apresenta como reconciliação é, na realidade, a rendição ritual de uma instituição que ainda carrega o peso da soberania nacional.

Quando o perdão é encenado sem sujeito e sem limite, ele se transforma num instrumento de poder. É a liturgia da culpa substituindo o exame da consciência; é o teatro da penitência substituindo a justiça.

2. O contexto histórico e o revisionismo tardio

A ditadura militar de 1964 é, sem dúvida, um dos períodos mais complexos da história republicana. Houve abusos, censura, prisões e torturas — mas também houve ordem institucional, desenvolvimento econômico e, sobretudo, o temor real de uma guerra civil alimentada pela infiltração comunista.

A História não pode ser contada em preto e branco. O mesmo Estado que prendeu também alfabetizou; o mesmo governo que censurou também impediu que o país mergulhasse no caos revolucionário.

Justiça Militar

A Justiça Militar, por sua vez, exerceu um papel jurídico que pode e deve ser criticado, mas não pode ser tratado como um tribunal de exceção unívoco.

O que ocorre hoje é um revisionismo seletivo: condenam-se os excessos militares sem reconhecer os crimes de quem tentou subverter o país pela violência ideológica.
Enquanto uns são julgados à luz da moral moderna, outros permanecem protegidos pelo silêncio conveniente da história.

Ao pedir perdão “em nome da Justiça Militar”, a ministra não faz justiça às vítimas — apenas reescreve a narrativa em conformidade com o discurso dominante.

E pior, ela o faz num momento em que o poder civil, representado pelo Governo Lula e pelo STF, reconstrói o mito de que só a esquerda é moralmente legítima para falar em democracia.

3. A simbologia da rendição

A Justiça Militar foi criada para garantir a hierarquia, a disciplina e o equilíbrio entre o poder civil e o militar.

Ao colocar-se como penitente, ela abdica de seu papel ontológico: o de proteger a legalidade dentro da farda, não o de julgar a farda diante da ideologia.

Há, nesse ato, uma coreografia cuidadosamente ensaiada. O pedido de perdão ocorre no cinquentenário da morte de Vladimir Herzog, sob a presença de ministros de Estado e com ampla divulgação pela imprensa simpática ao governo.


Gesto

Não é um gesto de introspecção institucional — é uma performance pública de submissão moral.

A ministra não fala por um tribunal que errou, mas por um país que já não sabe distinguir culpa de propaganda.

Ao pedir perdão, ela coloca o STM na posição de réu histórico, abrindo caminho para que qualquer decisão judicial futura envolvendo militares seja interpretada sob o prisma da culpa coletiva.

Esse é o ponto crucial: o perdão, quando instrumentalizado, não liberta — fragiliza.
A Justiça Militar, que deveria ser o pilar da autonomia castrense, passa a ser tratada como departamento moral do Supremo Tribunal Federal.

4. O projeto de docilização institucional

A política moderna descobriu que é possível desarmar instituições sem disparar um tiro.
Basta desmoralizá-las moralmente.

Primeiro, constrói-se a narrativa de que a farda é símbolo de autoritarismo. Depois, exige-se que ela peça perdão por existir. Por fim, legitima-se sua neutralização em nome da “defesa da democracia”.

Processo

Esse é o processo que hoje se observa: a docilização das Forças Armadas, a redução do militar à condição de funcionário desarmado da consciência nacional.

Um STM que pede perdão é um STM que renuncia ao seu poder moral. Um Exército que aceita a culpa simbólica de um regime que não comandou é um Exército que aceita ser tratado como suspeito permanente.

Lucidez histórica

Não se trata de saudosismo, mas de lucidez histórica. Nenhum país que demoniza suas forças de defesa conserva sua liberdade por muito tempo.

O que Tocqueville chamaria de “servidão suave” começa exatamente assim: com instituições que se julgam livres enquanto obedecem à moral fabricada pelos que as dominam.

Hoje, o poder não está mais nos quartéis, mas nas cortes.

O STF — autoproclamado guardião da Constituição — exerce poder sem freios e, sob o pretexto da democracia, age como tutor da própria nação.

E um tribunal militar que pede perdão por atos de meio século atrás torna-se cúmplice involuntário dessa hegemonia togada.

5. A estética da culpa e o mercado das virtudes

Vivemos uma era em que o perdão é espetáculo e a virtude, moeda de troca.
Não se busca mais a justiça, mas o aplauso moral.


Confissão

A confissão pública da presidente do STM segue a estética contemporânea da culpa performática: pede-se perdão não para reparar, mas para sinalizar superioridade ética.

É a lógica das redes sociais infiltrando-se nas instituições. O gesto é planejado para gerar manchetes, aplausos, reconhecimento — não transformação.

Essa teatralização do arrependimento cumpre um duplo papel:

i. legitima o governo que se apresenta como “herdeiro da resistência”;

ii. enfraquece simbolicamente o poder militar, associando-o a um passado de sombras.

Enquanto isso, o mesmo governo que se diz guardião dos direitos humanos mantém relações diplomáticas com regimes que torturam e censuram.

A coerência moral não é o objetivo — trata-se de mero controle narrativo.

6. Filosofia do perdão: entre Cícero e Hegel

Cícero dizia que a clemência é virtude quando nasce da justiça, não do medo.
Hegel, por sua vez, advertia que toda dialética de senhor e escravo começa com a renúncia ao reconhecimento mútuo.

Aplicados ao caso presente, esses dois princípios mostram que o pedido de perdão da Justiça Militar não é ato de grandeza, mas de abdicação.

Equilíbrio

O perdão sem reciprocidade destrói o equilíbrio entre liberdade e responsabilidade.
Quem se ajoelha esperando absolvição sem culpa real não se redime — apenas muda de senhor.

A verdadeira dialética da reconciliação não é a submissão, mas o reconhecimento mútuo dos erros e acertos.

E esse é o ponto em que o gesto da ministra falha: não há diálogo histórico, apenas confissão unilateral.
É o perdão como instrumento de poder — a misericórdia que se transforma em estratégia.

7. A moral invertida do Estado

O Brasil vive, há anos, um processo de inversão moral.

A corrupção é relativizada em nome da governabilidade, a censura é rebatizada de regulação, e a justiça é transformada em espetáculo seletivo.
Nesse cenário, pedir perdão por um passado distante é conveniente: desvia o olhar do presente.

Enquanto o Estado se desculpa por “atrocidades de 50 anos atrás”, mantém-se cúmplice de atos de injustiça contemporânea — prisões políticas, perseguições ideológicas, censura de opinião e manipulação judicial.

A moral pública virou vitrine: lava-se o passado com lágrimas calculadas para justificar os abusos do presente.

O perdão institucional torna-se, assim, o álibi moral da corrupção sistêmica.

E o paradoxo é completo: a Justiça Militar pede perdão por “ter julgado demais”, enquanto o STF não pede perdão por julgar de menos — ou por julgar o que não lhe compete.

8. Epílogo — A farda e a farsa

Perdoar é reconhecer o humano em sua falibilidade, não humilhar instituições que garantiram a própria existência da nação.
O verdadeiro perdão exige contexto, verdade e proporcionalidade.
Reconhecer erros do passado é justo; transformá-los em ferramenta de poder é desonesto.

Reconciliação

O Brasil precisa de reconciliação, não de revisionismo moral.
E reconciliação não se faz com ajoelhamentos simbólicos, mas com responsabilidade compartilhada.

O que a ministra do STM ofereceu ao país não foi um pedido de perdão, mas um ato de catequese política: a farda confessando seus pecados diante do púlpito do poder civil.
Um gesto que, se lido com ingenuidade, parece nobre; mas, se lido com lucidez, revela o prenúncio de uma era em que os guardiões da soberania nacional serão apenas figurantes da liturgia democrática.

O perdão verdadeiro é luz; o perdão político é sombra.

E enquanto o Brasil confundir uma coisa com a outra, continuará trocando liberdade por absolvição — e soberania por silêncio.

9. Pós-escrito — A assimetria moral dos arrependimentos seletivos

Há uma pergunta que permanece sem resposta — e que o país, por covardia ou conveniência, evita formular:
onde estão os pedidos de perdão dos outros lados da história?

Nenhum ex-guerrilheiro, nenhum assaltante de banco, nenhum sequestrador de embaixador veio a público pedir perdão pelos crimes que cometeu “em nome da revolução”.
Nenhum pediu desculpas às famílias de militares e civis mortos em emboscadas, ou aos trabalhadores inocentes feridos em atentados.

Aos que queimaram ônibus, executaram reféns, sequestraram diplomatas e financiaram sua causa com o roubo de bancos — o tempo ofereceu não a penitência, mas o prêmio do poder.

E agora, meio século depois, o país assiste a militares que nada fizeram serem convidados a carregar, sozinhos, o fardo da culpa coletiva.

Não por terem pecado, mas por representarem uma instituição que ainda simboliza ordem, hierarquia e dever — três virtudes que o poder político contemporâneo teme mais do que a própria verdade.

Soldado moderno

Pede-se que o soldado moderno abaixe a cabeça não por aquilo que fez, mas por aquilo que o outro teme que ele ainda seja capaz de fazer: lembrar ao Estado que existe limite.
A penitência simbólica imposta às Forças Armadas tem a função de domesticar o que resta de coragem institucional.

Querem um Exército que peça desculpas por existir — e que, humilhado, aceite qualquer ordem, por mais absurda, de quem hoje ocupa o poder e talvez continue cometendo, em silêncio, novos crimes contra a nação.

Verdadeira conciliação

Não há verdadeira reconciliação quando o perdão é exigido apenas de um lado.
O perdão unilateral é máscara de dominação.
A justiça que pune um e absolve o outro não é justiça — é teatro.

Enquanto os que empunharam armas contra o país são celebrados como mártires, e os que o defenderam são reduzidos a réus simbólicos, a História brasileira continua sendo escrita não pela verdade, mas pela conveniência dos vencedores.

E talvez seja esse o crime mais grave: transformar o perdão — que deveria unir — em instrumento de humilhação nacional.



*Jorge Pinho é advogado, ex-PGE do Amazonas e pensador.
 
NR - Os textos assinados refletem a opinião dos seus autores. O Poder acolhe e estimula o livre e democrático confronto elevado de ideias.

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Raquel e André Teixeira produzem Fake News com novos ônibus para a RMR

31/03/2026

Vamos aos fatos. A Secretaria de Comunicação da governadora Raquel Teixeira Lyra distribuiu nota à imprensa informando que a governadora entregou, na manhã de ontem segunda-feira, 30/03, os primeiros 40 ônibus climatizados que vão alimentar a mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife (RMR). "A entrega faz parte do pacote de investimentos do Estado que, entre as novidades, ainda contou com o anúncio da linha TI Macaxeira/TI Xambá, que entrará em operação nas próximas semanas, atendendo a uma demanda histórica da população da RMR", diz o 'release'. E ainda afirma: "Estamos garantindo a entrega de mais 80 ônibus climatizados. São quase 300 entregues desde 2023, o maior investimento da história do transporte público. Investimos R$ 500 milhões.

Diz a nota do Palácio

Os novos veículos, que foram entregues às linhas da concessionária MobiBrasil para atender a população da Zona Oeste do Recife e cidades como Camaragibe e São Lourenço da Mata,...

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Vamos aos fatos. A Secretaria de Comunicação da governadora Raquel Teixeira Lyra distribuiu nota à imprensa informando que a governadora entregou, na manhã de ontem segunda-feira, 30/03, os primeiros 40 ônibus climatizados que vão alimentar a mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife (RMR). "A entrega faz parte do pacote de investimentos do Estado que, entre as novidades, ainda contou com o anúncio da linha TI Macaxeira/TI Xambá, que entrará em operação nas próximas semanas, atendendo a uma demanda histórica da população da RMR", diz o 'release'. E ainda afirma: "Estamos garantindo a entrega de mais 80 ônibus climatizados. São quase 300 entregues desde 2023, o maior investimento da história do transporte público. Investimos R$ 500 milhões.

Diz a nota do Palácio

Os novos veículos, que foram entregues às linhas da concessionária MobiBrasil para atender a população da Zona Oeste do Recife e cidades como Camaragibe e São Lourenço da Mata, contam com ar-condicionado, acessibilidade, carregadores USB, plataforma elevatória e tecnologia Euro 6, que reduz em 75% a emissão de poluentes.



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Fala o Teixeira Secretário

De acordo com o secretário de Mobilidade e Infraestrutura, André Teixeira Filho, os outros 40 veículos vão chegar até o meio do ano. "Estamos trabalhando muito forte na questão de mobilidade... agora, são 80 novos ônibus, 40 já vão entrar em circulação agora. Fora desses, mais 100 vão chegar, serão 100% elétricos”, explicou o titular da pasta.



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Fake news

Pois bem, para indignação geral não foi nada disso que aconteceu. Você, leitor, foi ludibriado mais uma vez pelo contorcionismo verbal da governadora e seus auxiliares. Os ônibus foram comprados pelas empresas concessionárias, sem um tostão de ajuda do governo. E Raquel Teixeira Lyra ainda tirou onde como motorista, para postar nas redes sociais.
Tire sua própria conclusão.
Nós já tiramos a nossa.

Assista

Ao comentário do nosso diretor, José Nivaldo Junior.








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Crise na Segurança: Policiais Civis protestam durante entrega de delegacia, com a presença de Raquel Teixeira Lyra

31/03/2026

O Simpol, Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco realizou um protesto durante entrega de requalificação da Delegacia da Mulher, hoje, terça-feira, 31/03, no bairro de Santo Amaro. De acordo com o diretor do sindicato, Tiago Batista, a mobilização tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de reforço no efetivo, valorização da categoria e melhorias estruturais na segurança pública.

Simpol

“O Simpol vem aqui tentar um diálogo com a governadora, Raquel Teixeira Lyra, que desde que assumiu o governo do estado não dialoga com nenhuma categoria. A segurança pública hoje é a grande preocupação do povo pernambucano e brasileiro”, afirmou. O diretor do sindicato destacou a preocupação com o aumento dos índices de violência, especialmente os casos de feminicídio e violência doméstica.

A realidade é preocupante

Segundo ele, apesar das campanhas institucionais do governo, a realidade enfrentada pela populaçã...

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O Simpol, Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco realizou um protesto durante entrega de requalificação da Delegacia da Mulher, hoje, terça-feira, 31/03, no bairro de Santo Amaro. De acordo com o diretor do sindicato, Tiago Batista, a mobilização tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de reforço no efetivo, valorização da categoria e melhorias estruturais na segurança pública.

Simpol

“O Simpol vem aqui tentar um diálogo com a governadora, Raquel Teixeira Lyra, que desde que assumiu o governo do estado não dialoga com nenhuma categoria. A segurança pública hoje é a grande preocupação do povo pernambucano e brasileiro”, afirmou. O diretor do sindicato destacou a preocupação com o aumento dos índices de violência, especialmente os casos de feminicídio e violência doméstica.

A realidade é preocupante

Segundo ele, apesar das campanhas institucionais do governo, a realidade enfrentada pela população e pelos policiais nas delegacias ainda é preocupante. “Hoje temos 15 delegacias da Mulher. Dessas, 7 funcionam 24 horas e 8 fecham à noite, nos fins de semana e feriados, justamente quando há grande procura por parte das mulheres para registrar ocorrências”, disse. O Simpol defende uma reestruturação das delegacias, a convocação de aprovados em concurso público e a valorização da carreira policial civil. “O que a gente está procurando junto à governadora é uma reestruturação nas delegacias, um novo concurso público, aproveitando aqueles que já passaram em todas as etapas, e também uma reestruturação na carreira”, pontuou.



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Cobrança de promessas feitas em 2022

O diretor do sindicato relembrou que a governadora, Raquel Teixeira Lyra, prometeu, ainda durante a campanha de 2022, medidas de valorização para a Polícia Civil, mas afirma que a categoria ainda aguarda avanços concretos. “A governadora prometeu em 2022 valorizar os policiais civis. Até agora, nenhuma nova delegacia foi entregue, apenas reformas nas que já existiam. Estamos buscando diálogo”, declarou. Tiago também citou episódios anteriores em que a categoria tentou abrir negociação com o Executivo estadual. “Passamos mais de 12 horas esperando a governadora nos receber, como ela tinha prometido publicamente, e não houve nenhuma satisfação. Fomos obrigados a acampar no Palácio e posteriormente ficamos na ponte para chamar a atenção da sociedade e do governo do Estado”, relembrou.



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Manifestação pacífica e busca de mesa de negociação

Segundo o diretor do Simpol, a manifestação realizada hoje tem caráter pacífico e pretende ampliar o debate sobre segurança pública para além das obras físicas. “A segurança pública não é apenas um prédio bonitinho. Precisa de efetivo, precisa desse efetivo valorizado, e os policiais e servidores não estão se sentindo valorizados”, afirmou. Além da questão estrutural, o Simpol também cobra o cumprimento de uma decisão judicial relacionada à jornada de trabalho da Polícia Civil. “Os policiais civis ganharam uma ação referente ao aumento da jornada de trabalho em 2010. Houve elevação da jornada, mas não houve aumento salarial na mesma proporção. Estamos buscando que a governadora cumpra essa decisão judicial”, explicou. O sindicato informou que busca uma mesa de negociação com a Casa Civil e a Secretaria de Administração, para discutir a pauta salarial e a valorização da categoria.




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Medicamentos podem ficar até 3,81% mais caros a partir de amanhã

31/03/2026

Os preços máximos dos medicamentos no país devem subir até 3,81% a partir de abril de 2026, segundo estimativa do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, Sindusfarma. Todos os anos, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, Cmed, define três percentuais para três categorias de produtos divididos segundo o nível de concorrência com os genéricos. O impacto no bolso do consumidor, no entanto, não deve ser imediato.



3 níveis de medicamentos no Mercado brasileiro

Atualmente, há cerca de 13 mil apresentações de medicamentos disponíveis no mercado brasileiro. O nível 1, equivalente a medicamentos com maior concorrência, é o que deve ter reajuste de 3,81% nos preços máximos, de acordo com a avaliação da indústria. A minoria (7,8%) dos medicamentos faz parte deste grupo. O nível intermediário deve ter 2,47% de reajuste. A categoria abrange 15% dos medicamentos. E os medicamentos com menor concorrência podem ter os preços máx...

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Os preços máximos dos medicamentos no país devem subir até 3,81% a partir de abril de 2026, segundo estimativa do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, Sindusfarma. Todos os anos, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, Cmed, define três percentuais para três categorias de produtos divididos segundo o nível de concorrência com os genéricos. O impacto no bolso do consumidor, no entanto, não deve ser imediato.



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3 níveis de medicamentos no Mercado brasileiro

Atualmente, há cerca de 13 mil apresentações de medicamentos disponíveis no mercado brasileiro. O nível 1, equivalente a medicamentos com maior concorrência, é o que deve ter reajuste de 3,81% nos preços máximos, de acordo com a avaliação da indústria. A minoria (7,8%) dos medicamentos faz parte deste grupo. O nível intermediário deve ter 2,47% de reajuste. A categoria abrange 15% dos medicamentos. E os medicamentos com menor concorrência podem ter os preços máximos aumentados em 1,13%. São quase oito em cada dez remédios (77,2%). É possível saber de qual grupo o seu medicamento faz parte no site da Anvisa.

Em vigor a partir de abril

O reajuste médio ponderado pelo faturamento deve ficar em 1,95%, para a Sindusfarma, sendo o menor reajuste dos últimos dez anos. Os índices oficiais precisam ser divulgados pela CMED até hoje, terça-feira, 31/03, por meio de publicação no Diário Oficial da União, para entrarem em vigor amanhã, quarta-feira, dia 1º de abril.




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Lula envia hoje ao Senado indicação de Jorge Messias como novo ministro do STF

31/03/2026

O presidente Lula envia hoje, terça-feira, 31/03, ao Senado mensagem com a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, STF. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto.

Sabatina na CCJ e aprovação no Plenário

Uma vez recebido no Senado, o documento com a mensagem presidencial deverá ser encaminhado à comissão competente para analisar, no caso, a Comissão de Constituição e Justiça, CCJ. Na CCJ, Messias deverá passar por uma sabatina e, na sequência, ter nome aprovado pelo plenário principal da Casa. O Senado aprecia a indicação em votação secreta. Para ser aprovada a indicação, é necessário o aval da maioria absoluta dos parlamentares (41 votos "sim"). Somente após a aprovação no Poder Legislativo, o novo magistrado pode tomar posse na Corte. Segundo interlocutores do Senado, o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, não esperava que o envio ocorresse agora, já que ele...

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O presidente Lula envia hoje, terça-feira, 31/03, ao Senado mensagem com a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, STF. A informação foi confirmada pelo Palácio do Planalto.

Sabatina na CCJ e aprovação no Plenário

Uma vez recebido no Senado, o documento com a mensagem presidencial deverá ser encaminhado à comissão competente para analisar, no caso, a Comissão de Constituição e Justiça, CCJ. Na CCJ, Messias deverá passar por uma sabatina e, na sequência, ter nome aprovado pelo plenário principal da Casa. O Senado aprecia a indicação em votação secreta. Para ser aprovada a indicação, é necessário o aval da maioria absoluta dos parlamentares (41 votos "sim"). Somente após a aprovação no Poder Legislativo, o novo magistrado pode tomar posse na Corte. Segundo interlocutores do Senado, o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, não esperava que o envio ocorresse agora, já que ele e Lula não se reuniram antes.



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Se aprovado

Se aprovado, o novo ministro vai ocupar a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que anunciou a aposentadoria da Corte no começo de outubro de 2025, depois de mais de 12 anos de atividade no tribunal. O novo ministro vai assumir o acervo de processos do ministro Barroso. Além disso, terá assento na Segunda Turma do tribunal.




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Presidente da FIFA afirma que Irã participará da Copa do Mundo 2026: “não há plano B, C ou D”

31/03/2026

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou hoje, terça-feira, 31/03, que o Irã estará na Copa do Mundo. A declaração foi feita em Antalya, durante um amistoso da seleção iraniana contra a Costa Rica.

Jogos acontecerão nos EUA

A equipe havia solicitado disputar a primeira fase no México, mas o pedido foi negado e a tabela será mantida. Com isso, os jogos acontecerão nos EUA, conforme definido no sorteio. Na fase de grupos, o Irã enfrentará Nova Zelândia e Bélgica em Los Angeles, e depois o Egito em Seattle. O centro de treinamento da seleção será em Tucson.



Falou Gianni Infantino

“Sabemos qual é a situação; é muito complicada. Estamos trabalhando para garantir que o Irã jogue nesta Copa do Mundo nas melhores condições possíveis. A seleção iraniana, assim como todas as outras, representa o povo. As pessoas podem ser a favor ou contra o governo de qualquer país, mas o Irã representa seu povo, e...

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O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou hoje, terça-feira, 31/03, que o Irã estará na Copa do Mundo. A declaração foi feita em Antalya, durante um amistoso da seleção iraniana contra a Costa Rica.

Jogos acontecerão nos EUA

A equipe havia solicitado disputar a primeira fase no México, mas o pedido foi negado e a tabela será mantida. Com isso, os jogos acontecerão nos EUA, conforme definido no sorteio. Na fase de grupos, o Irã enfrentará Nova Zelândia e Bélgica em Los Angeles, e depois o Egito em Seattle. O centro de treinamento da seleção será em Tucson.



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Falou Gianni Infantino

“Sabemos qual é a situação; é muito complicada. Estamos trabalhando para garantir que o Irã jogue nesta Copa do Mundo nas melhores condições possíveis. A seleção iraniana, assim como todas as outras, representa o povo. As pessoas podem ser a favor ou contra o governo de qualquer país, mas o Irã representa seu povo, e eles se classificaram em campo. É uma nação apaixonada por futebol, e queremos que eles joguem, e eles jogarão na Copa do Mundo. Não há planos B, C ou D. É o plano A”, afirmou.




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Dança das Cadeiras para as Eleições 2026: Lula anuncia a saída de 18 ministros

31/03/2026

O presidente Lula anunciou a saída de ao menos 18 ministros do governo a partir de hoje, terça-feira, 31/03, para disputar as eleições em outubro. O prazo para desincompatibilização eleitoral se encerra no próximo sábado, 04/04.



As saídas anunciadas hoje

Ministério dos Transportes
Sai: Renan Filho - Entra: George Santoro.

Ministério de Portos e Aeroportos
Sai: Silvio Costa Filho - Entra: Tomé Barros Monteiro da Franca.

Ministério do Planejamento e Orçamento
Sai: Simone Tebet - Entra: Bruno Moretti.

Ministério do Meio Ambiente
Sai: Marina Silva - Entra: João Paulo Ribeiro Capobianco.

Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania
Sai: Macaé Evaristo - Entra: Janine Mello dos Santos.

Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
Sai: Paulo Teixeira - Entra: Fernanda Machiaveli.

Casa Civil
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O presidente Lula anunciou a saída de ao menos 18 ministros do governo a partir de hoje, terça-feira, 31/03, para disputar as eleições em outubro. O prazo para desincompatibilização eleitoral se encerra no próximo sábado, 04/04.



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As saídas anunciadas hoje

Ministério dos Transportes
Sai: Renan Filho - Entra: George Santoro.

Ministério de Portos e Aeroportos
Sai: Silvio Costa Filho - Entra: Tomé Barros Monteiro da Franca.

Ministério do Planejamento e Orçamento
Sai: Simone Tebet - Entra: Bruno Moretti.

Ministério do Meio Ambiente
Sai: Marina Silva - Entra: João Paulo Ribeiro Capobianco.

Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania
Sai: Macaé Evaristo - Entra: Janine Mello dos Santos.

Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
Sai: Paulo Teixeira - Entra: Fernanda Machiaveli.

Casa Civil
Sai: Rui Costa - Entra: Miriam Belchior.

Ministério da Educação
Sai: Camilo Santana - Entra: Leonardo Barchini.

Ministério dos Esportes
Sai: André Fufuca - Entra: Paulo Henrique Cordeiro.

Ministério das Cidades
Sai: Jader Filho - Entra: Antônio Vladimir Lima.

Ministério da Igualdade Racial
Sai: Anielle Franco - Entra: Rachel Barros de Oliveira.

Ministério dos Povos Indígenas
Sai: Sonia Guajajara - Entra: Eloy Terena.

Ministério da Aquicultura e Pesca
Sai: André de Paula - Entra: Rivetla Edipo Araujo Cruz.

Ministério da Agricultura e Pecuária
Sai: Carlos Fávaro - Entra: André de Paula.




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Itália tem jogo decisivo para não ficar fora de terceira Copa seguida; confira jogos

31/03/2026

Chegou a hora da verdade para a Itália. Tentando evitar um fiasco histórico com uma terceira ausência consecutiva em Copas, a equipe faz o jogo de vida ou morte contra a Bósnia, fora de casa. Quem vencer retorna ao Mundial após 12 anos — a última presença das duas seleções foi na edição de 2014, no Brasil — e entra no Grupo B da Copa do Mundo, ao lado de Canadá, Suíça e Catar.


As últimas vagas

As últimas seis vagas disponíveis para a Copa do Mundo de 2026 serão definidas nesta terça-feira. Quatro jogos da repescagem europeia e duas partidas da repescagem mundial encerram as eliminatórias. 

Confira abaixo todas as partidas, chaveamentos, horários e transmissões dos confrontos decisivos.

Bósnia x Itália
Local: Estádio Bilino Polje, Zenica.
Horário: 15h45 (de Brasília).

Onde assistir: sportv | ge acompanha em Tempo Real.

Suécia x Polônia
Local: Strawberry Arena...

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Chegou a hora da verdade para a Itália. Tentando evitar um fiasco histórico com uma terceira ausência consecutiva em Copas, a equipe faz o jogo de vida ou morte contra a Bósnia, fora de casa. Quem vencer retorna ao Mundial após 12 anos — a última presença das duas seleções foi na edição de 2014, no Brasil — e entra no Grupo B da Copa do Mundo, ao lado de Canadá, Suíça e Catar.


As últimas vagas

As últimas seis vagas disponíveis para a Copa do Mundo de 2026 serão definidas nesta terça-feira. Quatro jogos da repescagem europeia e duas partidas da repescagem mundial encerram as eliminatórias. 

Confira abaixo todas as partidas, chaveamentos, horários e transmissões dos confrontos decisivos.

Bósnia x Itália
Local: Estádio Bilino Polje, Zenica.
Horário: 15h45 (de Brasília).

Onde assistir: sportv | ge acompanha em Tempo Real.

Suécia x Polônia
Local: Strawberry Arena, Solna.
Horário: 15h45 (de Brasília).
Onde assistir: ESPN e Disney+ | ge acompanha em Tempo Real.


Kosovo x Turquia

Local: Estádio Fadil Vokrri, Pristina.
Horário: 15h45 (de Brasília).
Onde assistir: ESPN e Disney+ | ge acompanha em Tempo Real.

República Tcheca x Dinamarca
Local: Estádio Letná, Praga.
Horário: 15h45 (de Brasília).
Onde assistir: Disney+ | ge acompanha em Tempo Real.

RD Congo x Jamaica
Local: Estádio Akron, Guadalajara.
Horário: 18h (de Brasília).
Onde assistir: sportv e CazéTV | ge acompanha em Tempo Real.

Iraque x Bolívia
Local: Gigante de Acero, Monterrey.
Horário: meia-noite de terça para quarta (de Brasília).
Onde assistir: sportv e CazéTV | ge acompanha em Tempo Real.


O Poder




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Entre a Consciência e a Estrutura: o ponto de partida esquecido de toda transformação, por Jorge Henrique de Freitas Pinho

31/03/2026

O mundo não muda quando as estruturas se reorganizam.
Muda quando o homem deixa de aceitar aquilo que antes tolerava.


I. Preâmbulo — o erro de começar pelo fim

Há uma inversão silenciosa no pensamento contemporâneo que, por sua aparência de sofisticação, passa despercebida.

Passou-se a acreditar que a transformação da sociedade precede a transformação do homem, como se a reorganização das estruturas externas pudesse, por si só, produzir um novo tipo humano.

Reformam-se leis, redefinem-se conceitos, alteram-se categorias e multiplicam-se discursos como se daí pudesse emergir, naturalmente, uma nova ordem.

A experiência, contudo, resiste — e não apenas no plano abstrato. No Brasil recente, por exemplo, sucessivas mudanças normativas e institucionais foram acompanhadas por expectativas de transformação imediata da realidade, sem que, no entanto, se verificasse alteração proporcional no comportamento...

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O mundo não muda quando as estruturas se reorganizam.
Muda quando o homem deixa de aceitar aquilo que antes tolerava.


I. Preâmbulo — o erro de começar pelo fim

Há uma inversão silenciosa no pensamento contemporâneo que, por sua aparência de sofisticação, passa despercebida.

Passou-se a acreditar que a transformação da sociedade precede a transformação do homem, como se a reorganização das estruturas externas pudesse, por si só, produzir um novo tipo humano.

Reformam-se leis, redefinem-se conceitos, alteram-se categorias e multiplicam-se discursos como se daí pudesse emergir, naturalmente, uma nova ordem.

A experiência, contudo, resiste — e não apenas no plano abstrato. No Brasil recente, por exemplo, sucessivas mudanças normativas e institucionais foram acompanhadas por expectativas de transformação imediata da realidade, sem que, no entanto, se verificasse alteração proporcional no comportamento concreto que essas estruturas pretendiam regular.

Quando o homem permanece o mesmo, as estruturas apenas se reorganizam para acomodar a sua permanência interior.

Muda-se a forma, preserva-se o conteúdo, e aquilo que se proclama como avanço revela-se, com frequência, mero deslocamento.

II. O fundamento esquecido — a consciência como origem

Nenhuma ação humana nasce no vazio. Toda ação é precedida por uma forma de ver o mundo, e é essa forma de ver que delimita aquilo que se aceita, aquilo que se recusa e aquilo que se transforma.

Antes da lei, há a percepção; antes da ruptura, há o incômodo; antes da mudança, há a recusa interior.

A escravidão não se tornou injusta por força da lei: foi reconhecida como tal antes que a lei a proibisse, sendo esta apenas a formalização de uma consciência que já não tolerava aquilo que antes aceitava — como se observou no movimento abolicionista britânico do século XIX, em que a pressão moral da sociedade tornou politicamente insustentável uma prática que, por muito tempo, fora economicamente conveniente.

O mesmo padrão se repete em toda transformação autêntica, pois o mundo exterior não inaugura a mudança; apenas acompanha aquilo que, previamente, se reorganizou no interior do homem.

III. A ilusão estrutural — quando se tenta mudar o mundo sem mudar o homem

Quando essa ordem é invertida, instala-se uma ilusão persistente, sustentada pela crença de que a modificação das estruturas externas basta.

Redefinem-se conceitos, reorganizam-se sistemas, criam-se novos códigos de linguagem, mas o resultado revela algo distinto do prometido, pois, sem alteração interior, a estrutura torna-se apenas um novo cenário para os mesmos comportamentos.

A dominação muda de linguagem, o abuso muda de justificativa, a desigualdade muda de forma, mas permanece, porque aquilo que a sustenta — o homem ainda não transformado — não foi tocado.

A história, quando observada sem ilusões, não descreve superações, mas recorrências que apenas trocam de vestes. No Brasil contemporâneo, por exemplo, a atuação do Supremo Tribunal Federal tem evidenciado como a alteração na composição de uma mesma estrutura pode produzir inflexões perceptíveis na orientação de decisões, revelando que a forma institucional, por si, não garante estabilidade de critérios quando não está ancorada em um ethos compartilhado.

IV. A teoria que se autonomiza — quando a crítica se afasta da realidade

Simone de Beauvoir percebeu, com acuidade, que diferenças naturais podem ser convertidas em desigualdades sociais, e sua crítica buscava desmontar os mecanismos que transformavam a condição feminina em destino imposto.

Contudo, parte desse pensamento foi progressivamente radicalizada em correntes que passaram a operar um deslocamento mais profundo, não apenas questionando a interpretação da diferença, mas colocando em dúvida a própria realidade da diferença.

É nesse ponto que emergem vertentes da chamada ideologia de gênero, nas quais o sexo deixa de ser compreendido como dado para ser tratado como construção integralmente maleável, e, ao fazê-lo, rompe-se não apenas com a tradição, mas com a própria experiência ordinária da realidade.

Essa ruptura não permanece no plano teórico. Em diversos contextos institucionais — como em diretrizes educacionais, normativas administrativas e decisões judiciais — passam a ser adotados critérios nos quais a autodeclaração identitária prevalece sobre referências biológicas, exigindo que linguagem, espaços e condutas sociais se reorganizem em torno dessa nova premissa.

A investigação permanece legítima; o problema surge quando a teoria se autonomiza e se afasta da realidade concreta — biológica, psicológica e existencial —, deixando de iluminar para passar a desorientar, substituindo a verdade pela coerência interna de narrativas que já não se submetem ao teste da experiência e que, ao se afastarem do real, passam a exigir adesão em lugar de compreensão.

V. O feminismo que perde seu fundamento

Há um feminismo histórico, enraizado em experiências concretas de injustiça, que desempenhou papel relevante na correção de assimetrias reais e na ampliação de direitos.

Esse feminismo partia de fatos verificáveis e se dirigia a problemas objetivos, preservando vínculo com a realidade que lhe conferia legitimidade.

Contudo, parte de sua evolução recente revela uma inflexão distinta, na qual a análise cede lugar ao slogan, a complexidade é substituída por antagonismos simplificados e a crítica se converte em identidade.

Essa inflexão torna-se visível no cotidiano, quando a linguagem passa a ser tratada como campo de disputa permanente, relações ordinárias são reinterpretadas a partir de categorias rígidas de conflito e a avaliação concreta das situações cede espaço a enquadramentos prévios, nos quais a posição do indivíduo já se encontra, de antemão, definida.

Quando isso ocorre, o movimento deixa de operar como instrumento de correção e passa a funcionar como instrumento de disputa simbólica, reduzindo o indivíduo à categoria que deveria ser apenas ponto de partida.

O resultado é paradoxal: em nome da libertação, produz-se nova forma de aprisionamento, agora sustentada por construções discursivas que reproduzem, sob outra forma, a mesma lógica de redução do humano que pretendiam superar.

VI. O ponto cego — a recusa da responsabilidade individual

O aspecto mais crítico desse deslocamento reside na recusa, ainda que implícita, da responsabilidade individual.

Ao atribuir a origem dos problemas quase exclusivamente a estruturas abstratas, enfraquece-se a noção de que o comportamento humano é o agente concreto da injustiça.

Essa diluição não se manifesta apenas no plano teórico, mas no cotidiano, quando falhas pessoais são sistematicamente reinterpretadas como produto exclusivo de circunstâncias, decisões são justificadas por contextos e não por escolhas, e o erro deixa de ser assumido para ser explicado.

Se tudo é produto do sistema, ninguém é plenamente responsável; se ninguém é responsável, a transformação deixa de ser exigência e passa a ser expectativa difusa.

A realidade, contudo, resiste a essa diluição: injustiças não são cometidas por estruturas, mas por pessoas que, inseridas em contextos específicos, escolhem agir de determinada forma.

Aquilo que não é assumido não pode ser corrigido, e nenhuma teoria que contorne essa evidência consegue produzir transformação real.

VII. O ponto de partida — a transformação interior como condição necessária

A tese se impõe com clareza: sem mudança interior, não há transformação real.

Pode haver adaptação, imposição ou aparência de progresso, mas não mudança efetiva, porque o homem permanece o mesmo e, sendo o mesmo, recria sob novas formas aquilo que não superou.

Essa permanência se revela no cotidiano, nos pequenos gestos em que se reconhece o erro, mas se opta por mantê-lo; no instante em que se percebe a injustiça, mas se escolhe o silêncio; ou ainda quando se identifica aquilo que deveria ser corrigido, mas se adia a decisão sob justificativas que apenas preservam o estado anterior.

A ruptura autêntica não ocorre quando se altera o mundo externo, mas quando o indivíduo deixa de aceitar, em si, aquilo que antes justificava ou tolerava.

É nesse ponto silencioso, anterior a qualquer manifestação visível, que a transformação verdadeiramente se inicia.

VIII. Consciência, coragem e ação — entre o palco e o ator

A consciência, por si só, não se basta. Entre perceber e agir existe um intervalo — e é nele que muitos permanecem.

Por isso, o movimento completo da transformação exige três momentos inseparáveis: perceber, assumir e agir. A consciência inaugura, a coragem sustenta e a ação realiza. Sem consciência, nada começa; sem coragem, tudo recua; sem ação, nada se realiza.

Essa dinâmica não se manifesta apenas em grandes decisões, mas no cotidiano, no instante em que alguém percebe que agiu de forma injusta e, ainda assim, precisa escolher entre justificar-se ou corrigir-se; entre preservar a própria imagem ou assumir o erro; entre permanecer como estava ou romper consigo mesmo.

É nesse intervalo — breve, silencioso e muitas vezes invisível — que a transformação se decide.

A oposição entre estrutura e indivíduo, nesse ponto, revela-se insuficiente. O palco influencia, mas o ator decide; o contexto condiciona, mas não determina; a estrutura inclina, mas não absolve.

Ignorar o ambiente é ingenuidade; ignorar a responsabilidade é fuga.

A análise que pretende ser fiel à realidade deve reconhecer essa tensão sem dissolvê-la, pois é nela — entre aquilo que nos influencia e aquilo que escolhemos fazer — que se constitui a experiência humana.

IX. Epílogo — o lugar onde tudo começa

O mundo não é um mecanismo autônomo, mas um reflexo ampliado das escolhas humanas.

Toda tentativa de transformação que ignore o interior está
condenada à superficialidade, assim como toda crítica que se limite à estrutura, sem exigir elevação moral, tende a substituir um erro por outro.

Reformas podem reorganizar o exterior, mas apenas a consciência sustenta aquilo que se pretende construir.

A verdadeira mudança não começa na lei, nem na linguagem, nem na teoria — nem se esgota na mera reorganização da consciência, pois há um nível mais profundo, no qual não se trata apenas de ver melhor, mas de ser diferente.

É naquele instante silencioso em que o homem percebe, assume e decide não ser mais o mesmo que a transformação se inicia. Mas é quando essa decisão se converte em permanência — quando resiste às pressões, às conveniências e às recaídas — que ela deixa de ser apenas intenção e passa a configurar uma nova forma de ser.

Essa permanência não se prova nos momentos fáceis, mas no ponto exato em que os instintos procuram emergir e, ainda assim, são contidos por uma força que não nega a sua existência, mas os ordena. É aí que se exerce aquilo que se poderia chamar de resistência espiritual: não a supressão do impulso, mas a sua transfiguração.

É nesse instante — breve, silencioso e decisivo — que algo se desloca no interior do homem. O que antes reagia, agora escolhe. O que antes cedia, agora sustenta. E, ao sustentar, permite que aquilo que não nasce do impulso, mas da consciência, se manifeste.

Pois é nesse ponto, invisível e decisivo, que o mundo, antes de mudar fora, já começou, em silêncio, a mudar dentro — e é aí que todo o resto se decide.

X. Pós-escrito — quando a crítica dissolve o critério

No debate público contemporâneo, tornou-se recorrente a acusação dirigida a posições conservadoras de que seriam expressão de “moralismo” ou de “hipocrisia”.

A crítica, à primeira vista, parece legítima, pois nenhuma moral se sustenta sem coerência. Contudo, o modo como essa acusação é frequentemente mobilizada revela um deslocamento mais profundo e decisivo: ela deixa de operar como exame de conduta para funcionar como estratégia de desqualificação.

O foco já não recai sobre o conteúdo do argumento, mas sobre a suposta falha de quem o formula, como se a imperfeição humana fosse suficiente para invalidar o princípio defendido. O resultado é uma inversão silenciosa. Ao invés de avaliar a validade do critério, expõe-se a fragilidade do indivíduo e, ao fazê-lo, evita-se enfrentar aquilo que foi afirmado.

Esse movimento produz um efeito mais amplo do que aparenta. Quando toda norma pode ser descartada em razão da incoerência de quem a enuncia, nenhuma norma permanece. O que se apresenta como denúncia de hipocrisia converte-se, assim, em mecanismo de dissolução da própria ideia de moral. Não se corrige o comportamento; neutraliza-se o critério que permitiria corrigi-lo.

É nesse ambiente que se torna visível outro deslocamento silencioso. A preocupação com o ter passa a orientar o ser. A necessidade, legítima em si, deixa de funcionar como limite e passa a operar como justificativa. E, a partir daí, a moral deixa de ser critério para tornar-se variável ajustável.

O processo não se impõe de forma abrupta. Ele se instala gradualmente, numa escala que vai de pequenos desvios tolerados a condutas cada vez mais graves, todas elas progressivamente normalizadas por narrativas que as tornam aceitáveis.

O problema, contudo, não reside apenas na pressão das circunstâncias, mas na disposição interior de reinterpretá-las de modo a acomodar aquilo que já se decidiu fazer. Quando o ser se submete ao ter, a consciência não desaparece. Ela se reorganiza para justificar.

Nesse ponto, a transgressão deixa de ser exceção e passa a ser método.

Retorna-se, assim, ao ponto de partida do ensaio. Sem critério, não há orientação; sem orientação, não há transformação. O mundo pode até mudar de linguagem, mas permanece prisioneiro da mesma ausência de medida, pois aquilo que não é reconhecido como válido não pode ser exigido, e aquilo que não pode ser exigido jamais se realiza.

(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.



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Natanael Sarmento* contesta Jarbas Beltrão: 1964 foi golpe, retrocesso, repressão e terror

31/03/2026

Para começo de conversa não foi revolução o golpe militar do dia da mentira, 1º de abril de 1964. Golpe pensado e patrocinado na geopolítica dos EUA na esteira da Guerra Fria, para manter o quintal submisso na vassalagem mais servil aos grandes monopólios capitalistas e interesses do Império Norte-Americano.



Retrocesso

O golpe antinacional e antipopular de 64 interrompeu o progresso da governança nacionalista-reformista do Presidente João Goulart. O não alinhamento automático aos ditames do Tio Sam não era tolerado pelo Império do Norte “dono do mundo”.



Fatos

O desenvolvimento nacional do Brasil, com preservação da soberania contrariava a Casa Branca. O Programa de Metas de Goulart expressava uma autonomia inaceitável para os americanos e a burguesia entreguista. A lei de limitação da remessa de lucros das empresas estrangeiras obrigando-as a aplicar parte dos dividendos no Brasil...

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Para começo de conversa não foi revolução o golpe militar do dia da mentira, 1º de abril de 1964. Golpe pensado e patrocinado na geopolítica dos EUA na esteira da Guerra Fria, para manter o quintal submisso na vassalagem mais servil aos grandes monopólios capitalistas e interesses do Império Norte-Americano.



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Retrocesso

O golpe antinacional e antipopular de 64 interrompeu o progresso da governança nacionalista-reformista do Presidente João Goulart. O não alinhamento automático aos ditames do Tio Sam não era tolerado pelo Império do Norte “dono do mundo”.



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Fatos

O desenvolvimento nacional do Brasil, com preservação da soberania contrariava a Casa Branca. O Programa de Metas de Goulart expressava uma autonomia inaceitável para os americanos e a burguesia entreguista. A lei de limitação da remessa de lucros das empresas estrangeiras obrigando-as a aplicar parte dos dividendos no Brasil, a Reforma Agrária e o projeto de erradicação do analfabetismo, da pedagogia cidadã de Paulo Freire contrariavam os imperialistas e também as oligarquias latifundiárias, industriais, bancárias associados e cúpula militares entreguistas.



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Pretexto

A Cia, a central de terrorismo, sabotagens mundo afora, com intervenção direta da embaixada dos Eua a central ou Alto Comando do Golpe açulava o clima de desconfiança, espalhava o pânico do “perigo comunista” forrando o caminho para o golpe traiçoeiro. Os militares, ideologicamente amerecanófilos e anticomunistas da lavagem cerebral na Esg criada a imagem e semelhança da Escola de Guerra dos EUA – com instrutores de lá, inclusive, nos primórdios - pretextaram o perigo comunista para usar as armas confiadas para defesa da nação no golpe antinacional e sanguinário de 1964.

Ditadura

A vassalagem dos traidores do povo brasileiro expressada na ação anticonstitucional e golpista de militares fascistas levou a mais de 20 anos de cruel regime ditatorial. Os militares se prestaram aos papéis mais desprezíveis e abjetos. Institucionalizam e banalizam delações, sequestros, torturas, exílios e assassinatos. Saquearam a Nação, dilapidavam e entregam riquezas nacionais. Aumentavam a dependência econômica aos centros capitalistas, inflando a dívida externa; alienam a preço de banana patrimônios nacionais, aviltam a nossa soberania.

Alienação e butim

Sob a propaganda do Brasil “grande potência” e de falso nacionalismo ocultavam os crimes contra a humanidade, o saque das riquezas naturais e crimes ecológicos, a corrupção.



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Obscuridade

Naqueles tempos obscuros de ataques à ciência, às artes e à culturas, o Brasil plantou a miséria social e cultural da qual hoje somes herdeiros e pagamos caro. Promoveram as interventores nos estados, municípios; colocaram espiões por toda parte, nas escolas, fábricas, sindicatos. Criminalizaram e perseguiram movimentos sociais.

Resistência

Contra a tirania dos ditadores, insurgiram-se o melhor do povo brasileiro. Os combatentes que tombaram na luta ou nos porões da ditadura fascista. Tempos de truculência. De bocas amordaçadas. De músicas, teatro, cinema, cultura censurados. De manipulações. De falsificações e desfalques. De trapaças e perseguições e abusos de métodos nazistas de repressão e propaganda.

Quem apoiou?

Grandes empresários nacionais e estrangeiros que se beneficiavam e por isso financiavam os aparatos repressivos das operações sujas. Do terrorismo de Estado e da OBAN, e outros apoiados ou permitidos pelas autoridades quais CCC, Esquadrão da Morte e outras súcias.



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Mortos e desaparecidos

Segundo relatório da Comissão Nacional da Verdade reconheceu oficialmente 434 mortos e desparecidos durante a Ditadura 1964-1985. A data fatídica deve ser lembrada para não esquecida. Ditadura nunca mais.

*Natanael Sarmento é professor e escritor. Do diretório nacional do partido Unidade Popular Pelo Socialismo - UP.

NR - Os textos assinados refletem a opinião dos seus autores. O Poder estimula e acolhe o debate e o livre confronto de ideias.



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