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O inimigo interno, da autoridade à decadência - Jorge Henrique de Freitas Pinho* rebate artigo de José Nivaldo Junior

02/11/2025

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1. O diálogo necessário com um querido amigo

Li o texto “Guerra ao crime muito bem organizado: de que lado você está?”, de meu querido editor José Nivaldo, com o respeito e a admiração que ele sempre inspirou. Ele tem o dom raro de unir lucidez e coragem, e seu diagnóstico do avanço do crime organizado é preciso e necessário.

Mas...

Permito-me, contudo, acrescentar um ponto de discordância. O que vivemos hoje não é apenas o resultado de anos de descuido institucional atribuídos à Ditadura de 1964. Essa leitura, embora sedutora, é uma simplificação conveniente, uma tentativa de reduzir uma tragédia nacional a um único bode expiatório, quando, na verdade, o que temos é um rebanho inteiro de responsabilidades compartilhadas.

Décadas de erosão

O colapso moral que nos trouxe até aqui é fruto de décadas de erosão ética, de permissividade travestida de compaixão e da lenta substituição da autoridade legítima pel...

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1. O diálogo necessário com um querido amigo

Li o texto “Guerra ao crime muito bem organizado: de que lado você está?”, de meu querido editor José Nivaldo, com o respeito e a admiração que ele sempre inspirou. Ele tem o dom raro de unir lucidez e coragem, e seu diagnóstico do avanço do crime organizado é preciso e necessário.

Mas...

Permito-me, contudo, acrescentar um ponto de discordância. O que vivemos hoje não é apenas o resultado de anos de descuido institucional atribuídos à Ditadura de 1964. Essa leitura, embora sedutora, é uma simplificação conveniente, uma tentativa de reduzir uma tragédia nacional a um único bode expiatório, quando, na verdade, o que temos é um rebanho inteiro de responsabilidades compartilhadas.

Décadas de erosão

O colapso moral que nos trouxe até aqui é fruto de décadas de erosão ética, de permissividade travestida de compaixão e da lenta substituição da autoridade legítima pela demagogia sentimental que confunde piedade com conivência.

2. As origens históricas do crime organizado

O crime organizado brasileiro não nasceu na ditadura militar, muito menos foi obra exclusiva de um único regime. Ele começou a tomar forma ainda no governo Getúlio Vargas, quando o Estado misturou nas prisões os comunistas revolucionários com criminosos comuns.

Ali, na Ilha Grande, essa convivência forçada gerou um cruzamento perverso: o método político da conspiração encontrou a logística da delinquência.

Dessa fusão nasceu a primeira célula do crime com estrutura ideológica, disciplina e hierarquia, a semente do que viria a se chamar Comando Vermelho.

3. Brizola e o ponto de mutação

Esse organismo criminoso cresceu aos poucos, ainda contido pelo aparelho repressor da ditadura militar. Tinha baixo poder bélico, pouca articulação e escassa capacidade de enfrentamento.

No entanto, a leniência posterior o fortaleceu. Décadas mais tarde, o ponto de mutação decisivo ocorreu com Leonel Brizola, que, em nome de uma suposta defesa dos direitos humanos, proibiu a polícia de subir o morro.

O gesto nobre, que pretendia proteger os pobres, acabou por abandoná-los. Ao impedir a presença da lei, Brizola institucionalizou o território sem Estado e o tráfico, pela primeira vez, consolidou-se como poder paralelo, sob diferentes facções criminosas que passaram a dominar e dividir territórios.

Foi o início da soberania do crime, a fundação do “Estado do Morro”. Convém registrar que os conflitos armados em larga escala, com tiroteios prolongados e domínio territorial, começaram justamente a partir da era Brizola.

Paradoxalmente, durante os chamados anos de chumbo — tão combatidos pela intelectualidade brasileira —, tais confrontos não existiam. Bastou que o império retórico dos “direitos humanos” se infiltrasse nos órgãos de persecução criminal para que o crime, antes contido, passasse a agir com crescente ousadia e violência.

Talvez daí tenha nascido a falsa impressão de que a repressão gera o desvio, quando, neste caso, ocorre o inverso: é a ausência de repressão que o multiplica.

A natureza humana, quando corrompida pela impunidade, perde o senso de limite e passa a testar até onde o Estado cederá antes de reagir. E quando o Estado hesita, o crime aprende a dominar.

Aristóteles ensinava que a virtude é o ponto médio entre dois vícios — o da omissão e o do excesso —, mas há situações em que o mal deixa de ser vício individual e se torna estrutura coletiva.

Diante do narcoterrorismo, a “justa medida” não é a contenção, mas o poder dissuasório superior que intimida o inimigo e restabelece a hierarquia moral entre o bem e o mal.

Porque, quando a guerra é declarada contra a sociedade, moderação não é virtude — é rendição.

A força legítima, usada com coragem e propósito, torna-se o único idioma que o terror compreende. Basta ver o que ocorreu em Gaza: a paz não nasce do diálogo com quem não reconhece a vida, mas da firmeza de quem a defende até o fim.

É por isso que a autoridade que hesita em punir o mal termina por punir os inocentes com o peso do medo, ao passo que aquela que o combate até o fim pode, enfim, estabelecer algum tipo de paz — ainda que a paz possível, e não a paz ideal.

A ditadura militar, por sua vez, repetiu o erro de Vargas ao prender criminosos comuns e políticos sob o mesmo teto, propiciando a troca de técnicas e o aprendizado mútuo.

O resultado foi a profissionalização do crime, que incorporou à sua estrutura as estratégias de guerrilha aprendidas nas celas e hoje as executa com precisão militar nas ruas do Rio de Janeiro.

A história, sempre irônica, registrou esse equívoco em forma de símbolo: “brizola” tornou-se nome de droga, um epitáfio involuntário da inversão moral de um país que confundiu autoridade com tirania e tolerância com covardia e permissividade.

4. Klinger Costa e a autoridade moral

No Amazonas, contudo, a história seguiu outro caminho. Sob a condução firme e austera de Klinger Costa, a criminalidade era mínima e o respeito à polícia, absoluto.

Grupos de bandidos não se criavam. Eram dissolvidos antes mesmo de se estruturar. Havia controvérsias, é verdade, mas havia também ordem, e a ordem é a espinha dorsal da civilização.

Quem viveu em Manaus nos anos 1990 sabe que a cidade respirava segurança e dignidade. Eu mesmo testemunhei esse tempo: ruas tranquilas, comércio pulsante, famílias em paz.

Havia um pacto silencioso entre o cidadão e a autoridade, o pacto da confiança. A lei não era inimiga, era presença.

O poder público, ainda que severo, tinha alma, e o crime, ainda que astuto, reconhecia limites. Era um tempo em que o medo não comandava as ruas e a coragem não precisava pedir licença.

O que surgiu depois de Klinger Costa foi um lento e progressivo império dos direitos humanos que deixou o Estado do Amazonas em situação semelhante à dos demais estados da federação, ao ponto de pelo menos seis dos mortos na operação Contenção, no Rio de Janeiro, serem líderes de Manaus.

5. A decadência do Rio e o contraste nacional

Lembro-me bem da minha primeira visita ao Rio de Janeiro, em 1996. A palavra que me veio à mente foi decadência, estética, humana, moral e econômica.

O mesmo país que um dia soube erguer uma capital grandiosa e de beleza exuberante agora exibia seus escombros: pontos fechados, muros pichados, rostos endurecidos, olhares desconfiados. A beleza sobrevivia, mas ferida. O esplendor de outrora, reduzido à mera lembrança.

Ainda assim, entre os destroços, havia lampejos de humanidade, o sorriso de um vendedor, o olhar solidário de um transeunte, a persistência de uma alma carioca que teimava em resistir.

Percebi ali o contraste que define o Brasil: a convivência entre a luz e a ruína, entre a esperança e o abandono, entre o que fomos e o que ainda poderíamos voltar a ser.

6. Do crime à insurgência

Hoje, contudo, o que enfrentamos já não é simples criminalidade. O estado da arte do mal é o terrorismo interno, ainda disfarçado sob o véu gasto do discurso dos direitos humanos.

São os mesmos direitos humanos que alguns tentam estender aos terroristas de Gaza, como se a barbárie merecesse amparo jurídico.

Tanto lá quanto cá, a estratégia é a mesma: despem os mortos, maquiam o horror e apresentam as vítimas como civis para que a comoção pública sirva à narrativa política.

A crueldade se traveste de inocência, e a mídia, muitas vezes sem perceber, torna-se cúmplice da encenação.

Aqui, o inimigo é de natureza idêntica: usa armas de guerra, derruba helicópteros, assassina autoridades, impõe sua própria lei e cobra pedágio da população apenas por viver e trabalhar.

Nenhum eufemismo pode suavizar essa realidade. Quando o crime desafia o Estado e este hesita em responder, não temos mais delinquência, temos insurgência.

7. O paradoxo da boa consciência

É justamente aqui que surge o ponto delicado — e, ao mesmo tempo, brilhante — do texto de José Nivaldo. Ele não compactua com o narcotráfico; ao contrário, propõe que o governo aproveite o próprio projeto de Lula para transformar o narcotráfico em terrorismo. Nisso, está certíssimo: o crime organizado brasileiro já atua como grupo terrorista e deve ser tratado como tal.

Mas, ao mesmo tempo, ele recorre ao velho argumento de que “a proibição não resolveu”, evocando a Lei Seca dos Estados Unidos, e sugere que a criminalização das drogas apenas alimentou o sistema criminoso.
Aí nasce o paradoxo: ou o tráfico é um negócio que deve ser tirado das sombras, ou é uma organização armada que precisa ser enfrentada com a força do Estado. As duas coisas, ao mesmo tempo, são logicamente inconciliáveis.

A diferença é simples e decisiva: nos EUA dos anos 1920, o álcool não derrubava helicópteros nem fuzilava policiais; no Brasil de 2025, o tráfico derruba. O potencial destrutivo do álcool era incomparavelmente menor, e sua legalização, à época, ajudou a reerguer a economia americana e a enfraquecer a Máfia, numa guerra que persiste até hoje, mas com o Estado sem jamais abdicar do enfrentamento.

As drogas, contudo, pertencem a outra categoria moral e estratégica: ampliam o consumo, degradam o tecido social e erguem poderes paralelos que dominam territórios, impõem “leis” próprias e cobram tributos sobre o medo. O narcotráfico já não é um comércio: é uma forma de poder armado.

Além disso, tornou-se instrumento de geopolítica internacional. A China, que sofreu duas Guerras do Ópio e suportou um século de humilhação, aprendeu a lição: hoje adota tolerância zero dentro de suas fronteiras, mas exporta os insumos químicos que devastam o Ocidente. É a vingança histórica pela decadência do século XIX — agora travada não com exércitos, mas com moléculas e fluxos financeiros. Alguns estudos estimam que o narcotráfico global movimenta quase um trilhão de dólares por ano.

Por isso, ninguém se iluda: a posição americana nessa guerra também é geopolítica. Há registros históricos de infiltração e financiamento de operações clandestinas por meio do comércio ilegal de drogas — algo que envolve interesses cruzados, espionagem e realpolitik. A complexidade do tema é indiscutível, mas complexidade não pode servir de desculpa para inação.

É preciso, sim, tomar um lado — o lado da luz e da razão — e empreender um combate intransigente e implacável contra as drogas, combinando repressão eficaz com campanhas permanentes de conscientização nas escolas, na mídia e em todos os espaços formadores de consciência coletiva.

A razão é simples: todo ser humano, quando dotado de um mínimo de discernimento, decide com base em uma lógica de custo e benefício — só se arrisca enquanto o custo é baixo.

E foi justamente essa relação que o Brasil inverteu. A criminalidade cresceu na exata proporção em que as penas diminuíram e em que o cumprimento efetivo da lei se tornou exceção. A impunidade converteu o crime em negócio, e o negócio em vocação.

Essa tendência precisa ser radicalmente revertida, sob pena de o país colapsar moral e institucionalmente. Nenhum Estado sobrevive quando o mal descobre que o risco compensa.

Nem mesmo a ditadura mais autoritária do mundo — a chinesa — conseguiu eliminar os efeitos do ópio que lhe foi imposto pela Inglaterra.

Mas a China nunca desistiu de combatê-lo.
Transformou o enfrentamento das drogas em meta de governo, questão de soberania e de identidade nacional, e hoje exibe um dos menores índices de consumo do planeta.

O contraste é revelador: o Ocidente, em nome da “liberdade individual”, legaliza o vício; o Oriente, em nome da sobrevivência coletiva, o combate como uma guerra — e, ao mesmo tempo, exporta os insumos químicos que o alimentam, auferindo lucros bilionários em um negócio de mais de um trilhão de dólares por ano, enquanto enfraquece gradualmente seus competidores globais, tal como fizeram com ele no passado.

É a vingança silenciosa das antigas guerras do ópio, agora travada com seringas, pílulas e moléculas em vez de canhões. Uma guerra sem tiros, mas com cadáveres.

Zé Nivaldo enxerga com grande clareza as consequências — o narcoestado, a captura de territórios, a ousadia das facções —, mas ainda as lê sob uma narrativa que explica o fenômeno pelo proibicionismo, quando, na verdade, o problema brasileiro não é a proibição: é a impunidade. O que nos trouxe até aqui não foi o fato de a droga ser crime, mas o fato de o crime não ser punido.

Em outras palavras: se o tráfico já se converteu em terrorismo, não cabe mais tratá-lo como política de saúde — cabe tratá-lo como guerra interna. Educação e prevenção são indispensáveis para reduzir a demanda; mas facção armada se enfrenta com polícia, não com cartilha.

8. A inversão moral e o desestímulo ao heroísmo

Tanto a grande mídia quanto a mais alta corte do país parecem ensaiar passos para criminalizar uma ação legítima e amplamente apoiada pela população, que já não suporta mais viver sob a exploração imposta pelo crime organizado.

A imprensa, apressada em sua ânsia por equivalências morais, compara o enfrentamento armado dos criminosos ao episódio do Carandiru, como se a guerra contra o narcoterrorismo pudesse ser tratada como mera abordagem policial.

E o Supremo, ao cobrar que um conflito interno dessa magnitude seja investigado como uma operação de rotina, parece ignorar que o Brasil já não enfrenta delinquentes, enfrenta exércitos.

Como assim? Quantas guerras no mundo são objeto de perícia criminal de todos os mortos? Será preciso montar uma nova operação militar apenas para realizar perícias em campo inimigo? E para quê, se todos os mortos estavam fortemente armados, empunhando fuzis de guerra?

A resposta se lê nas entrelinhas: a intenção não declarada é punir novamente os policiais heróis e desestimular aqueles que ainda ousam enfrentar o crime de frente. É a velha tática da inversão moral que pune quem defende a lei e protege quem a destrói.

9. O equívoco da “antifacção”

Por isso, concordo com meu amigo: é preciso agir com firmeza. Mas discordo do caminho. O projeto de lei “antifacção” apresentado por Lula não é uma solução — é mais uma manobra oportunista.

Aproveita-se do medo legítimo da população para tentar transformar uma tragédia nacional em capital político. Sob o pretexto de combater o crime, busca aprovar uma lei que lhe confira ainda mais poderes, para que possa decidir — politicamente — onde, quando e contra quem a força do Estado será usada.

Quem pretende “coordenar” a guerra contra o crime deseja, na verdade, controlar os instrumentos da força pública. Hoje se volta contra as facções; amanhã, contra os adversários. É a velha tentação autoritária de disfarçar o desejo de mando com a retórica da segurança.

O mesmo governo que envia blindados quando o governador é aliado, recusa-se a agir quando o governador é independente. Essa é a lógica do poder no Brasil contemporâneo: socorrer o comparsa e abandonar o justo.

Se Lula realmente quiser enfrentar o crime no Rio de Janeiro, precisa romper com a lógica do compadrio político que sempre orientou suas decisões.

A guerra contra o narcoterrorismo não pode ser travada com critérios partidários. É preciso escolher entre o país e o projeto de poder — entre a coragem de governar e a conveniência de administrar alianças. Nenhum Estado pode vencer o crime se for governado pelo medo de desagradar seus próprios cúmplices.

10. A autoridade justa e o dever da coragem

A guerra contra o narcoterrorismo exige, sim, integração entre União, Estados e Municípios, mas nunca subordinação. Deve ser uma guerra da República, não de um partido.

Uma cruzada em nome da lei, não um artifício para expandir o controle político sobre as forças de segurança. O combate ao crime precisa unir o país — não domesticá-lo.

Portanto, respondendo a Zé Nivaldo, eu sou, e sempre serei, contra o crime e a favor das pessoas de bem. A favor do cidadão que trabalha, que cria filhos, que paga impostos e que não deve nada a criminosos — muito menos pela própria vida.

O Estado que não protege o homem honesto perde o direito moral de existir. E o povo que se cala diante dessa inversão perde, pouco a pouco, o direito de chamar-se livre.

O Brasil só será maior que o crime quando reaprender a respeitar a autoridade justa — aquela que age com firmeza, mas também com propósito e decência; que entende que os verdadeiros direitos humanos começam pela defesa da vida dos inocentes, e não pela indulgência com os culpados.

O crime organizado transformou-se em terrorismo interno. Mas ainda há tempo de vencê-lo — desde que não entreguemos nossa liberdade àqueles que, em nome da segurança, sonham com o poder absoluto. Que o Brasil desperte antes que a covardia se transforme em doutrina e a omissão em sistema.

Pascal escreveu que “a justiça sem força é impotente, e a força sem justiça é tirania”. No Brasil, assistimos à perversão final dessa máxima: uma justiça que se tornou força, mas é uma força que perdeu toda justiça.

11. Epílogo — A amizade e o espelho

Digo tudo isso com o mais profundo respeito por José Nivaldo, cuja lucidez admiro e cuja coragem intelectual reconheço — mais ainda pela grandeza de espírito em me publicar, mesmo sendo contrário a muito do que penso.

Com esse gesto, ele reafirma algo que poucos compreendem: que a liberdade de expressão é o verdadeiro motor do avanço civilizacional, e que só o confronto de ideias preserva o que há de mais digno na alma humana — o direito de pensar. Nesse sentido, meu querido Zé Nivaldo é inigualável.

Entretanto, percebo em seu texto o eco de um vício de origem que acomete boa parte da inteligência brasileira: o de enxergar o presente à sombra das narrativas do passado, mantendo-se fiel a uma matriz ideológica que já não explica o que o país se tornou.

Zé Nivaldo percebe com clareza o avanço do crime, a falência moral das instituições e a apatia da sociedade, mas ainda o faz a partir de uma lente histórica que transforma a ditadura em causa universal e a esquerda em vítima perpétua. É um olhar sincero, porém prisioneiro de uma narrativa que explica as consequências, mas não justifica com exatidão as causas.

No confronto, os militares e as forças de segurança — quando investidos do poder legítimo do Estado — têm o dever e a obrigação de neutralizar o inimigo com os meios de que dispõem. Foi o que ocorreu no Rio de Janeiro: morreram aqueles que enfrentaram o poder militar; presos foram os que se renderam. Simples assim.

Quando uma organização criminosa dispõe de armamento de guerra, logística própria e domínio territorial, deixa de ser delinquência e passa a configurar insurgência interna.

Nesse cenário, o uso da força não é apenas legítimo: é um imperativo moral e jurídico, pois a primeira obrigação do Estado é proteger o cidadão inocente. A omissão, nesse contexto, não é prudência — é cumplicidade.

Infelizmente, por omissão do governo federal — que retardou o envio de blindados e apoio logístico — o território não pôde ser plenamente retomado pelo poder público.

Ainda assim, o Comando Vermelho sofreu sua maior derrota em duas décadas, com a neutralização de lideranças e o desmonte de estruturas operacionais.

É preciso que o governador Tarcísio mantenha a pressão sobre o PCC em São Paulo, para evitar um desequilíbrio ecológico na selva do crime organizado, já que ambas as facções disputam território em praticamente todos os estados da Federação.

A força legítima deve ser exercida com firmeza e continuidade, sob a égide da lei e do dever moral que sustenta toda civilização: a justiça que protege os justos e pune, sem hesitação, os que escolheram o caminho da guerra contra a sociedade.

O drama é que muitos, como ele, sabem o que está errado, mas não conseguem romper o pacto afetivo com a própria narrativa. E é por isso que, mesmo quando apontam na direção certa, hesitam em dar o passo seguinte.

Meu desejo é que este diálogo — travado entre amigos que se respeitam e que amam o Brasil — ajude a libertar o pensamento do medo de rever suas origens, pois pensar é, antes de tudo, um ato de fidelidade à verdade, não à tribo.

12. Pós-escrito — O karma de ser do contra

Essa é, afinal, a opinião de alguém que nasceu em 1964, educado sob o silêncio da ditadura militar e, portanto, naturalmente avesso a qualquer forma de censura. Sempre fui contrário aos excessos do regime e defensor intransigente da liberdade de expressão.

Mas o tempo tem seus paradoxos. Hoje, sou obrigado a me insurgir contra o próprio sistema que governa o Brasil, um sistema que fala em democracia enquanto flerta com o controle.

Ou talvez minha esposa tenha razão: sofro de um leve transtorno opositor desafiador.
Ou, quem sabe ainda, carrego apenas o karma de ser do contra, esse destino de quem, por amor à verdade, nunca se conforma com o absurdo.

*O autor é advogado e livre pensador.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre debate de ideias e acolhe o contraditório.

NR2 - O artigo de Zé Nivaldo que motivou o presente ensaio pode ser consultado através do link abaixo:

https://www.opoder.com.br/noticias/28081/guerra-ao-crime-muito-bem-organizado-de-que-lado-voce-esta

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É Findi - Código Fênetre, por Tony Antunes de Palmares*

11/04/2026

A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!

O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.

Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!

O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.

Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




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É Findi - O Poeta - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*

11/04/2026

Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite



E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente



O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes



Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite



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E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente



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O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes



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Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


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É Findi - Diana*, poema, por Felipe Bezerra*

11/04/2026

Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.

Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.

Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.

Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.

*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.

Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.

Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.

Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.

*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


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É Findi – Eutrópio – Croniqueta, por Xico Bizerra*

11/04/2026

Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!...

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Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!).

Em Tempo: apenas para que não existam dúvidas e repetindo o que já disse em crônicas anteriores: me incluo entre os indevidamente chamados de Poeta. Não sou nem tenho a menor pretensão de sê-lo. Apenas escrevo, de quando em vez, letras de música popular, versos quaisquer, coisa de quem não tem o que fazer. Poeta é uma coisa muito maior. Salve Louro do Pajeú, Pinto do Monteiro, Manoel Bandeira, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


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É Findi – Cinema São Luiz - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*

11/04/2026

Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.

De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento...

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Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.

De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento da plateia representa o interior de uma tenda real; vastas tapeçarias suspensas, bordadas com três lírios de França, sobre os quais repousam dezesseis escudos de guerra em lembrança das cruzadas. O teto é como um imenso véu de rede que grossas cordas amarram.

Na frente do palco, os variados ornatos simbolizam as grandes virtudes de Dom Luiz que desceu do trono para subir a um altar; a palma (o prêmio da eterna boa aventurança); a concha (o brasão do peregrino); os besantes (os arautos do valor); a flor de lis (orgulho da Casa de França) e os dois ramos policromados, (o perfume de todas as virtudes), em cujo colorido, os nossos olhos descansam.

Finalmente, as duas colunas esguias e as marquises moldurando a tela cinematográfica indicam, na sua simplicidade técnica, a era arquitetônica moderna e constituem como que uma ligação entre o passado e o presente entre o longínquo século XIII, em que viveu o grande rei e o século XX, em que vivemos, representado, dignamente, pela imagem animada, colorida e sonora.”


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Malude Maciel* Em Dose Dupla

11/04/2026

Globo Terrestre - Poema

" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta

Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.



Viagens no tempo - Poema


Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.


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Globo Terrestre - Poema

" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta

Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.



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Viagens no tempo - Poema


Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi – Troca de Identidade - Por, Poeta Pica-Pau*

11/04/2026

Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la

Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito

A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la

Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito

A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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É Findi - Levo, Não Levo? - Crônica - Por, Romero Falcão*

11/04/2026

Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.

Calcula o Salto

Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.

Não se Deve Vacilar

Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.



Solitário. Enrolado

Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os d...

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Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.

Calcula o Salto

Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.

Não se Deve Vacilar

Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.



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Solitário. Enrolado

Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os dois bancos vazios. Deus socorre? Ou o diabo testa?

Flores Discretas

Levanto desconfiado e me sento ao lado dele. Examino-o. Não é qualquer um desses pendurados nas ruas do comércio. É de qualidade. Cabo de madeira, trabalhado. Tecido encorpado, flores discretas. Hastes firmes.

Meu Mesmo ?

Bato três vezes — tok, tok, tok — com a ponta no piso do ônibus. Como quem diz: agora é meu.

É meu mesmo?

Achado não é furtado?



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O guarda-chuva me indaga:

— Isso vale para o silvícola, não para você, que conhece o Código Penal.

Me vem a lei dos homens:

“Apropriar-se alguém de coisa alheia, vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza.”



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Já deixei as digitais no produto do crime. Um passageiro me fita. Testemunha.

Lá fora, a natureza desaba. Aqui dentro, a natureza do guarda-chuva me inquieta:

— Melhor um molhado honesto que uma consciência ensopada.

Puxo a sineta.

Chuva, chuva, chuva.

O motorista para.

Levo, não levo?

Desço apressado.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Voo Recife/Cabo Verde: Raquel Teixeira Lyra comemora como sua ação do Governo Federal

10/04/2026

O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.

Foi Silvinho

A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.

Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem ti...

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O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.

Foi Silvinho

A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.

Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem tinha negociado a rota, Recife-Cabo Verde. Em nenhum momento o Governo Federal foi citado.
Fica claro que a governadora se apropria de uma ação que não foi sua e ainda é reforçada pelo seu presidente da Empresa Pernambucana de Turismo. É mais um exemplo de tentativa da governadora de fazer limonada com a laranja alheia.








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Arraes, Jango, JK e a Operação Condor, por Antônio Campos*

10/04/2026

Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.



A narrativa

Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.



Jango

Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte comple...

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Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.



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A narrativa

Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.



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Jango

Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte completa 50 anos em 2026, reafirmou que seu pai foi assassinado pela Operação Condor, uma articulação entre ditaduras militares da América Latina responsável por perseguir e eliminar lideranças políticas durante o processo inicial de redemocratização do continente. Nesse contexto, destaco também o papel do ex-presidente norte americano Jimmy Carter como figura importante no processo de abertura democrática.

Cobrança

João Vicente cobrou do Estado brasileiro o cumprimento de seu dever institucional de investigar as circunstâncias reais da morte de seu pai. Ele relembrou a relação entre Jango e Miguel Arraes e destacou que Goulart faleceu 12 anos após o golpe militar, em Corrientes, na Argentina. Segundo relatos, ele teria sido vítima de dois assessores cooptados pela Operação Condor, que teriam substituído seus medicamentos por placebos. Pouco tempo depois, esses dois indivíduos apareceram em Paris com sinais evidentes de enriquecimento.

Testemunha importante

Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco, foi uma das principais testemunhas da Operação Condor e quase uma de suas vítimas. No próximo dia 13 de agosto, completam-se 20 anos de seu falecimento. Em depoimento à Comissão da Câmara dos Deputados sobre a Operação Condor, com áudio disponível no YouTube, Arraes respondeu a uma pergunta do então deputado federal Miro Teixeira, presidente da Comissão de Investigação da Operação Condor, afirmando: "Os três nomes mais importantes da Frente eram justamente os líderes mais destacados dos três maiores partidos políticos extintos pelo golpe de 64. Eram eles, respectivamente, além de Juscelino, pelo PSD, João Goulart pelo PTB e Carlos Lacerda pela UDN. Entre os fatos mais notáveis da história recente do Brasil está a morte desses três líderes, em curto lapso de tempo, quando começava a delinear-se a abertura política do regime. Desapareceram, muito convenientemente para o regime de arbítrios, as três maiores alternativas de poder, posto que, em caso de eleições diretas, com certeza um dos três teria sido eleito Presidente da República."



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Representação

Durante dez anos, presidi o Instituto Miguel Arraes, a pedido de minha avó, Magdalena Arraes. Um dos principais feitos desse período foi apresentar, tanto em nome do Instituto quanto em meu nome pessoal, uma representação ao Procurador Geral da República, com base no depoimento de Arraes. A peça relatava seu importante testemunho sobre a Operação Condor, entre outros documentos e fatos, com um capítulo específico dedicado à morte de João Goulart. O Ministério Público Federal acolheu essa representação, determinando sua juntada aos autos da investigação internacional conjunta sobre o caso, conduzida pelo Ministério Público Federal brasileiro e por promotores argentinos. Tal iniciativa permanece registrada nos arquivos oficiais da investigação binacional.

Impunidade

Ao contrário de outros países como Argentina, Chile e Espanha, o Brasil permanece como o único que não puniu nenhum dos envolvidos na Operação Condor, embora haja ampla comprovação da participação de agentes brasileiros. A Argentina prendeu o ex-presidente Rafael Videla. A Justiça chilena ordenou a prisão de 129 ex-militares e policiais participantes do esquema. Já a Justiça espanhola, por meio do juiz Baltasar Garzón, decretou a prisão de vários envolvidos, diante da execução também de cidadãos espanhóis durante a Operação Condor. O Chile, inclusive, reconheceu oficialmente que o poeta Pablo Neruda foi vítima dessa organização.
Uma das vítimas da Operação Condor foi o poeta Pablo Neruda, que Arraes chegou a conhecer pessoalmente.

Livro

Em 2016, publiquei o livro Operação Condor no Brasil, que reproduz a representação mencionada, com 128 páginas, além dos anexos e do despacho do Ministério Público Federal brasileiro.
A biografia que estou escrevendo sobre Miguel Arraes começa com a passagem sobre o encontro na Argélia relacionado à Operação Condor. No próximo dia 13 de agosto, estarei lançando um site internacional para receber sugestões, documentos e depoimentos sobre Arraes, que poderão ou não ser utilizados, em uma obra coletiva, por meio do domínio arraesbiografiacoletiva.com.br.

Assassinato de Jango

Segundo o testemunho de Miguel Arraes à Câmara e as informações recebidas durante o exílio, João Goulart foi de fato assassinado pela Operação Condor, sob o comando da ditadura militar brasileira. Arraes chegou a enviar alertas a Jango e a outros líderes perseguidos ao tomar conhecimento, na Argélia, por meio de um grupo chileno, do início de uma operação de extermínio. Esse grupo informou que havia uma lista inicial de lideranças a serem executadas, lista que incluía o próprio nome de Arraes.

Acervo

Durante minha presidência da Fundação Joaquim Nabuco, levei o acervo pessoal de Miguel Arraes para preservação nessa importante instituição, que leva o nome de outro gigante da história brasileira.

Impunidade gera repetições

Nesse ano, em 2026, completa 20 anos da primeira eleição de Eduardo Campos governador, eleito em 2006. Nunca desisti dele. Estou convicto de que sua morte, ocorrida em 2014, não foi um acidente aéreo comum, mas resultado de sabotagem. Eduardo era visto por adversários como um nome real para a Presidência da República, e a melhor maneira de ocultar um crime é fazê-lo parecer um acidente natural. Como se vê, a impunidade gera a repetição de episódios como o de Jango e de outros.

Produção de provas

Minha mãe, Ana Arraes, e eu movemos ação de produção antecipada de provas, sob o número 5001663 02.2017.4.03.6104, que tramita na 4ª Vara Federal de Santos. A perícia técnica já foi deferida. Contamos com parecer técnico de nosso assistente pericial, que indica falha provocada no disparo do compensador elétrico do profundor da aeronave, interferindo no estabilizador horizontal. Ao realizar uma manobra mais radical, a falha deu origem ao fenômeno conhecido como pitch down, colocando o avião em queda vertiginosa, sem controle pelos pilotos.

Coragem

Sei os riscos que corro, mas, como diz o provérbio, o covarde morre todos os dias, enquanto o corajoso morre uma só vez, e apenas quando necessário. Os nomes de Miguel Arraes e de Eduardo Campos estão inscritos no Livro dos Heróis da Pátria. O Brasil e o mundo precisam conhecer a verdade sobre a Operação Condor e sobre a morte de João Goulart e outras vítimas. É necessário saber a real causa e o contexto da morte de Eduardo Campos e punir os envolvidos.

A verdade

Como disse o bispo sul africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz: "A verdade cura. Às vezes ela arde, mas cura."

*Antônio Campos é advogado e escritor



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