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Polêmica como antigamente -  E quando o “ponto final” vira reticência?, por Jorge Pinho

19/11/2025

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“Quando o crime se torna costume no topo do poder, a indignação seletiva deixa de ser virtude e passa a ser cumplicidade.”
 
I. Preâmbulo — Quem começa, quem encerra
 
Há articulistas que acreditam ser também árbitros do debate. Abrem a polêmica, lançam acusações, convocam adversários — e, quando a conversa não segue o roteiro previsto, decretam: “ponto final”. Foi o que fez Natanael Sarmento em “Ponto final na polêmica da chacina”.
 
 
Chamou
 
O mesmo Natanael que, semanas atrás, me chamou de “hegeliano místico”, “idealista nebuloso” e “liberal fascista”, agora decide que “tem mais o que fazer”. Faço um registro bem-humorado: desta vez, conseguiu enfim escrever corretamente o meu nome completo. Talvez esteja começando a me ler — o que já é um avanço dialético.
 
 
“Encerramento”
 
Quanto ao “encerramento”, não posso acompanhá-lo. Debate público não se...

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“Quando o crime se torna costume no topo do poder, a indignação seletiva deixa de ser virtude e passa a ser cumplicidade.”
 
I. Preâmbulo — Quem começa, quem encerra
 
Há articulistas que acreditam ser também árbitros do debate. Abrem a polêmica, lançam acusações, convocam adversários — e, quando a conversa não segue o roteiro previsto, decretam: “ponto final”. Foi o que fez Natanael Sarmento em “Ponto final na polêmica da chacina”.
 
 
Chamou
 
O mesmo Natanael que, semanas atrás, me chamou de “hegeliano místico”, “idealista nebuloso” e “liberal fascista”, agora decide que “tem mais o que fazer”. Faço um registro bem-humorado: desta vez, conseguiu enfim escrever corretamente o meu nome completo. Talvez esteja começando a me ler — o que já é um avanço dialético.
 
 
“Encerramento”
 
Quanto ao “encerramento”, não posso acompanhá-lo. Debate público não se fecha por decreto; fecha-se quando se esgotam os argumentos — e os dele, infelizmente, ficaram devendo.
 
II. A acusação de mentira — quando a palavra pesa mais que a prova
 
Natanael afirma que eu teria mentido ao dizer que ele mudou de tom quando confrontado pelos fatos. A acusação é grave. A prova, inexistente. Ele não mostra a frase, não aponta o trecho, não contrasta texto com realidade — apenas sentencia.
 
Examinou
 
Meu ensaio anterior examinou algo evidente: um primeiro texto em que a polícia era “chacina” e o Estado era “comitê da burguesia”; e um segundo, sobre Napoleão, Hegel e Marx, em que o tom se tornava abstrato, difuso, matizado. Isso é constatação, não fraude.
 
A palavra
 
Se a palavra “mentira” entra exatamente para evitar o confronto sereno entre textos, então não é a verdade que está sendo defendida — é a irritação.
 
III. O cavalo alheio e o espelho
 
Natanael diz que montei “no cavalo alheio” ao analisar seu artigo filosófico. Não procede. Ele mesmo me citou diversas vezes, atribuiu-me posições que não defendi e apresentou o texto como continuação da polêmica. Apenas segui a trilha que ele mesmo abriu.
 
Convida
 
Quando um articulista invoca Hegel, Marx e Napoleão em jornal de circulação, ele convida o leitor a examinar a direção da montaria. Se não gosta do que vê no espelho, o problema não é do espelho.
 
IV. O truque retórico: repetir o diagnóstico, fugir da crítica
 
O novo texto de Natanael repete a cartilha marxista — Estado burguês, violência estrutural, elites predatórias — mas foge da crítica central: chamar operações policiais de “chacina” sem analisar caso a caso é achatar realidades complexas; confundir facções armadas com “pobres oprimidos” é violência intelectual contra os próprios pobres dominados pelo crime.
 
Em vez de enfrentar essa crítica, espalha temas pela página para que o leitor esqueça a pergunta essencial:
o Estado pode, ou não, retomar territórios dominados por facções e milícias?
 
Quando se fala de tudo para não responder ao que importa, a dialética se retira em silêncio.
 
V. A dialética que se invoca e a dialética que se pratica
 
Para mim, dialética não é ornamento retórico; é disposição para reconhecer contradições. Sócrates e Hegel sabiam disso. A dialética exige coragem para enfrentar o real, não o conforto de uma teoria impermeável.
 
Vilão
 
No texto de Natanael, o Estado é sempre vilão; a polícia, sempre opressora; o pobre, sempre vítima; e o bandido, sempre produto da estrutura. O dogma precede o fato — e tudo o que não cabe na teoria é colocado entre parênteses.
 
Quando uma teoria deixa de ser confrontada pelo real, ela deixa de ser filosofia — vira religião civil.
 
VI. Entre o martelo e o espelho — o Brasil concreto
 
Minha divergência com Natanael não é moral, nem pessoal: é factual. No Brasil real, facções armadas exercem funções de soberania: controlam território, tributam moradores, impõem toques de recolher.
 
Reduzir tudo à luta de classes é um modo elegante de não olhar o agressor concreto. É escolher a narrativa em vez da vítima.
 
A ideologia é o martelo; a verdade é o espelho. O martelo de Natanael bate sempre na mesma direção. O espelho devolve outra imagem: complexa, imperfeita, real.
 
VII. A geografia seletiva da indignação — Rio exposto, Belém blindada, Bahia silenciada
 
Aqui a hipocrisia brasileira torna-se mapa.
 
Quando o Rio de Janeiro colapsou — explosões, ônibus queimados, bairros sitiados — o pedido de GLO não foi teatro: foi desespero administrativo. Lula recusou. Preferiu proteger a narrativa da militância à segurança do povo.
 
Vitrine
 
Pouco depois, quando Belém virou vitrine internacional da COP30, a GLO foi decretada sem hesitação. O mesmo instrumento que era “perigoso” no Rio virou prova de responsabilidade no Pará.
 
Violenta
 
E a Bahia — governada pelo PT há quase duas décadas, uma das mais violentas do país — permanece envolta em silêncio devocional. Não há manchetes de indignação. Não há grito de “chacina!”. A violência ali virou paisagem. Não por acaso: admitir o desastre seria corrosivo para a mitologia progressista.
 
É nesse contraste que nasce a verdadeira denúncia: a esquerda banaliza o crime quando o crime é seu vizinho político.
 
VIII. A verdadeira banalização do crime — quando o poder se acostuma com a própria sombra
 
 
Ignora
 
Enquanto Natanael denuncia a “violência do Estado”, ignora a banalização que ameaça a República: a do crime no topo do poder.
 
Nos últimos meses, o país voltou a assistir a cenas que deveriam ter ficado no passado:
 
Operações da PF às seis da manhã em endereços ligados à família presidencial;
 
A ex-nora de Lula como alvo direto da PF;
 
O filho de Lula presente no local durante a operação — algo que, em qualquer democracia madura, paralisaria o Congresso;
 
O escândalo do INSS, atingindo aposentados e viúvas;
 
Prefeituras, intermediários, empresas e velhos operadores ressurgindo com a familiaridade de um enredo conhecido.
 
 
Isso não é acaso; é padrão.
 
E onde há repetição, dizia Hegel, há verdade não enfrentada.
 
É aqui que a “banalização” ganha nome próprio:
 
Quando o escândalo se torna rotina, a rotina se torna normalidade — e a normalidade se torna método.
 
E porque sei como virão os mantras, antecipo:
 
1. “Sempre houve esquema no INSS.”
 
Talvez. Mas nunca houve tamanha normalização moral, jamais coincidiu com operações atingindo a própria família presidencial, nem apareceu tão sincronizado a outros escândalos simultâneos.
 
A diferença não é histórica; é ética.
 
2. “Lula deixa a PF investigar.”
 
Deixa porque sabe que o STF funciona como colchão político. É cálculo, não virtude.
 
O mesmo governo que recusa GLO para proteger o povo confia na blindagem institucional para proteger a própria narrativa.
 
No morro, a bala perdida mata.
 
No Planalto, o escândalo recorrente anestesia.
 
E quando o crime se naturaliza no topo, já não é episódio — é estrutura.
 
Essa é a banalização que Natanael não vê, que sua ideologia não admite, que sua narrativa não pode nomear.
 
IX. Epílogo — O ponto final que não se escreve sozinho
 
Natanael diz que “tem mais o que fazer”. Eu também — família, clientes, responsabilidades — como qualquer brasileiro que trabalha e paga contas.
 
Aliás, talvez haja aqui um detalhe sociológico que Montaigne apreciaria: ele parece acreditar não ser burguês porque talvez não tenha nascido burguês, como se burguesia fosse linhagem. Mas origem nunca foi mérito, tampouco culpa. Muitos dos maiores socialistas do mundo são bilionários — alguns herdeiros, como Walter Moreira Salles.
 
O que importa é outra coisa: o debate pertence ao leitor, não ao articulista.
 
Não reivindico a última palavra. Mas também não reconheço a ninguém o direito de decretar o fim de uma conversa que ainda está no meio do caminho.
 
Ponto final é pontuação, não privilégio.
 
Se Natanael voltar ao debate, serei o primeiro a recebê-lo.
Se não voltar, sigo aqui — com firmeza quando necessário, com ironia quando útil, com respeito sempre.
 
Porque, enquanto houver leitores dispostos a pensar, nenhuma narrativa conseguirá quebrar todos os espelhos.
 
 
(*) O autor é advogado e livre pensador.
 
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.

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É Findi - Código Fênetre, por Tony Antunes de Palmares*

11/04/2026

A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!

O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.

Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!

O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.

Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.


*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




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É Findi - O Poeta - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*

11/04/2026

Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite



E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente



O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes



Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


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Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite



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E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente



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O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes



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Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.


*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.


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É Findi - Diana*, poema, por Felipe Bezerra*

11/04/2026

Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.

Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.

Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.

Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.

*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.

Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.

Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.

Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.

*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis


*Felipe Bezerra, advogado e poeta.


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É Findi – Eutrópio – Croniqueta, por Xico Bizerra*

11/04/2026

Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!...

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Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!).

Em Tempo: apenas para que não existam dúvidas e repetindo o que já disse em crônicas anteriores: me incluo entre os indevidamente chamados de Poeta. Não sou nem tenho a menor pretensão de sê-lo. Apenas escrevo, de quando em vez, letras de música popular, versos quaisquer, coisa de quem não tem o que fazer. Poeta é uma coisa muito maior. Salve Louro do Pajeú, Pinto do Monteiro, Manoel Bandeira, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa ...


*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.


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É Findi – Cinema São Luiz - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*

11/04/2026

Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.

De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento...

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Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.

De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento da plateia representa o interior de uma tenda real; vastas tapeçarias suspensas, bordadas com três lírios de França, sobre os quais repousam dezesseis escudos de guerra em lembrança das cruzadas. O teto é como um imenso véu de rede que grossas cordas amarram.

Na frente do palco, os variados ornatos simbolizam as grandes virtudes de Dom Luiz que desceu do trono para subir a um altar; a palma (o prêmio da eterna boa aventurança); a concha (o brasão do peregrino); os besantes (os arautos do valor); a flor de lis (orgulho da Casa de França) e os dois ramos policromados, (o perfume de todas as virtudes), em cujo colorido, os nossos olhos descansam.

Finalmente, as duas colunas esguias e as marquises moldurando a tela cinematográfica indicam, na sua simplicidade técnica, a era arquitetônica moderna e constituem como que uma ligação entre o passado e o presente entre o longínquo século XIII, em que viveu o grande rei e o século XX, em que vivemos, representado, dignamente, pela imagem animada, colorida e sonora.”


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras


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É Findi - Malude Maciel* Em Dose Dupla

11/04/2026

Globo Terrestre - Poema

" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta

Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.



Viagens no tempo - Poema


Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.


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Globo Terrestre - Poema

" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta

Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.



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Viagens no tempo - Poema


Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.


*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.


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É Findi – Troca de Identidade - Por, Poeta Pica-Pau*

11/04/2026

Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la

Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito

A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.



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Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la

Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito

A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião


*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.


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É Findi - Levo, Não Levo? - Crônica - Por, Romero Falcão*

11/04/2026

Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.

Calcula o Salto

Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.

Não se Deve Vacilar

Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.



Solitário. Enrolado

Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os d...

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Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.

Calcula o Salto

Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.

Não se Deve Vacilar

Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.



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Solitário. Enrolado

Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os dois bancos vazios. Deus socorre? Ou o diabo testa?

Flores Discretas

Levanto desconfiado e me sento ao lado dele. Examino-o. Não é qualquer um desses pendurados nas ruas do comércio. É de qualidade. Cabo de madeira, trabalhado. Tecido encorpado, flores discretas. Hastes firmes.

Meu Mesmo ?

Bato três vezes — tok, tok, tok — com a ponta no piso do ônibus. Como quem diz: agora é meu.

É meu mesmo?

Achado não é furtado?



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O guarda-chuva me indaga:

— Isso vale para o silvícola, não para você, que conhece o Código Penal.

Me vem a lei dos homens:

“Apropriar-se alguém de coisa alheia, vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza.”



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Já deixei as digitais no produto do crime. Um passageiro me fita. Testemunha.

Lá fora, a natureza desaba. Aqui dentro, a natureza do guarda-chuva me inquieta:

— Melhor um molhado honesto que uma consciência ensopada.

Puxo a sineta.

Chuva, chuva, chuva.

O motorista para.

Levo, não levo?

Desço apressado.


*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.


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Voo Recife/Cabo Verde: Raquel Teixeira Lyra comemora como sua ação do Governo Federal

10/04/2026

O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.

Foi Silvinho

A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.

Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem ti...

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O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.

Foi Silvinho

A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.

Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem tinha negociado a rota, Recife-Cabo Verde. Em nenhum momento o Governo Federal foi citado.
Fica claro que a governadora se apropria de uma ação que não foi sua e ainda é reforçada pelo seu presidente da Empresa Pernambucana de Turismo. É mais um exemplo de tentativa da governadora de fazer limonada com a laranja alheia.








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Arraes, Jango, JK e a Operação Condor, por Antônio Campos*

10/04/2026

Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.



A narrativa

Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.



Jango

Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte comple...

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Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.



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A narrativa

Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.



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Jango

Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte completa 50 anos em 2026, reafirmou que seu pai foi assassinado pela Operação Condor, uma articulação entre ditaduras militares da América Latina responsável por perseguir e eliminar lideranças políticas durante o processo inicial de redemocratização do continente. Nesse contexto, destaco também o papel do ex-presidente norte americano Jimmy Carter como figura importante no processo de abertura democrática.

Cobrança

João Vicente cobrou do Estado brasileiro o cumprimento de seu dever institucional de investigar as circunstâncias reais da morte de seu pai. Ele relembrou a relação entre Jango e Miguel Arraes e destacou que Goulart faleceu 12 anos após o golpe militar, em Corrientes, na Argentina. Segundo relatos, ele teria sido vítima de dois assessores cooptados pela Operação Condor, que teriam substituído seus medicamentos por placebos. Pouco tempo depois, esses dois indivíduos apareceram em Paris com sinais evidentes de enriquecimento.

Testemunha importante

Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco, foi uma das principais testemunhas da Operação Condor e quase uma de suas vítimas. No próximo dia 13 de agosto, completam-se 20 anos de seu falecimento. Em depoimento à Comissão da Câmara dos Deputados sobre a Operação Condor, com áudio disponível no YouTube, Arraes respondeu a uma pergunta do então deputado federal Miro Teixeira, presidente da Comissão de Investigação da Operação Condor, afirmando: "Os três nomes mais importantes da Frente eram justamente os líderes mais destacados dos três maiores partidos políticos extintos pelo golpe de 64. Eram eles, respectivamente, além de Juscelino, pelo PSD, João Goulart pelo PTB e Carlos Lacerda pela UDN. Entre os fatos mais notáveis da história recente do Brasil está a morte desses três líderes, em curto lapso de tempo, quando começava a delinear-se a abertura política do regime. Desapareceram, muito convenientemente para o regime de arbítrios, as três maiores alternativas de poder, posto que, em caso de eleições diretas, com certeza um dos três teria sido eleito Presidente da República."



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Representação

Durante dez anos, presidi o Instituto Miguel Arraes, a pedido de minha avó, Magdalena Arraes. Um dos principais feitos desse período foi apresentar, tanto em nome do Instituto quanto em meu nome pessoal, uma representação ao Procurador Geral da República, com base no depoimento de Arraes. A peça relatava seu importante testemunho sobre a Operação Condor, entre outros documentos e fatos, com um capítulo específico dedicado à morte de João Goulart. O Ministério Público Federal acolheu essa representação, determinando sua juntada aos autos da investigação internacional conjunta sobre o caso, conduzida pelo Ministério Público Federal brasileiro e por promotores argentinos. Tal iniciativa permanece registrada nos arquivos oficiais da investigação binacional.

Impunidade

Ao contrário de outros países como Argentina, Chile e Espanha, o Brasil permanece como o único que não puniu nenhum dos envolvidos na Operação Condor, embora haja ampla comprovação da participação de agentes brasileiros. A Argentina prendeu o ex-presidente Rafael Videla. A Justiça chilena ordenou a prisão de 129 ex-militares e policiais participantes do esquema. Já a Justiça espanhola, por meio do juiz Baltasar Garzón, decretou a prisão de vários envolvidos, diante da execução também de cidadãos espanhóis durante a Operação Condor. O Chile, inclusive, reconheceu oficialmente que o poeta Pablo Neruda foi vítima dessa organização.
Uma das vítimas da Operação Condor foi o poeta Pablo Neruda, que Arraes chegou a conhecer pessoalmente.

Livro

Em 2016, publiquei o livro Operação Condor no Brasil, que reproduz a representação mencionada, com 128 páginas, além dos anexos e do despacho do Ministério Público Federal brasileiro.
A biografia que estou escrevendo sobre Miguel Arraes começa com a passagem sobre o encontro na Argélia relacionado à Operação Condor. No próximo dia 13 de agosto, estarei lançando um site internacional para receber sugestões, documentos e depoimentos sobre Arraes, que poderão ou não ser utilizados, em uma obra coletiva, por meio do domínio arraesbiografiacoletiva.com.br.

Assassinato de Jango

Segundo o testemunho de Miguel Arraes à Câmara e as informações recebidas durante o exílio, João Goulart foi de fato assassinado pela Operação Condor, sob o comando da ditadura militar brasileira. Arraes chegou a enviar alertas a Jango e a outros líderes perseguidos ao tomar conhecimento, na Argélia, por meio de um grupo chileno, do início de uma operação de extermínio. Esse grupo informou que havia uma lista inicial de lideranças a serem executadas, lista que incluía o próprio nome de Arraes.

Acervo

Durante minha presidência da Fundação Joaquim Nabuco, levei o acervo pessoal de Miguel Arraes para preservação nessa importante instituição, que leva o nome de outro gigante da história brasileira.

Impunidade gera repetições

Nesse ano, em 2026, completa 20 anos da primeira eleição de Eduardo Campos governador, eleito em 2006. Nunca desisti dele. Estou convicto de que sua morte, ocorrida em 2014, não foi um acidente aéreo comum, mas resultado de sabotagem. Eduardo era visto por adversários como um nome real para a Presidência da República, e a melhor maneira de ocultar um crime é fazê-lo parecer um acidente natural. Como se vê, a impunidade gera a repetição de episódios como o de Jango e de outros.

Produção de provas

Minha mãe, Ana Arraes, e eu movemos ação de produção antecipada de provas, sob o número 5001663 02.2017.4.03.6104, que tramita na 4ª Vara Federal de Santos. A perícia técnica já foi deferida. Contamos com parecer técnico de nosso assistente pericial, que indica falha provocada no disparo do compensador elétrico do profundor da aeronave, interferindo no estabilizador horizontal. Ao realizar uma manobra mais radical, a falha deu origem ao fenômeno conhecido como pitch down, colocando o avião em queda vertiginosa, sem controle pelos pilotos.

Coragem

Sei os riscos que corro, mas, como diz o provérbio, o covarde morre todos os dias, enquanto o corajoso morre uma só vez, e apenas quando necessário. Os nomes de Miguel Arraes e de Eduardo Campos estão inscritos no Livro dos Heróis da Pátria. O Brasil e o mundo precisam conhecer a verdade sobre a Operação Condor e sobre a morte de João Goulart e outras vítimas. É necessário saber a real causa e o contexto da morte de Eduardo Campos e punir os envolvidos.

A verdade

Como disse o bispo sul africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz: "A verdade cura. Às vezes ela arde, mas cura."

*Antônio Campos é advogado e escritor



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