Clarice, o espelho partido: a cidade que esquece sua alma, por Jorge Pinho*
11/12/2025
1. Introdução: os 105 anos de Clarice Lispector e a crônica de Roberto Vieira
Há acontecimentos que deveriam despertar numa comunidade não apenas celebração, mas um sentimento de responsabilidade.
O aniversário de 105 anos de Clarice Lispector é um desses marcos. Recife deveria festejar a menina que ali cresceu, que ali sonhou, que ali encontrou, ainda na infância, um horizonte de pertencimento.
Em vez disso, o que encontramos é uma casa em ruínas, entregue à poeira, ao acaso e à lentidão burocrática — como se a memória pudesse esperar eternamente.
Perigo moral
Quando Roberto Vieira expõe essa ferida, ele não denuncia apenas o descaso material; ele aponta para algo mais profundo: um perigo moral.
Porque o abandono da casa de Clarice não é apenas desatenção — é uma forma de rup...
1. Introdução: os 105 anos de Clarice Lispector e a crônica de Roberto Vieira
Há acontecimentos que deveriam despertar numa comunidade não apenas celebração, mas um sentimento de responsabilidade.
O aniversário de 105 anos de Clarice Lispector é um desses marcos. Recife deveria festejar a menina que ali cresceu, que ali sonhou, que ali encontrou, ainda na infância, um horizonte de pertencimento.
Em vez disso, o que encontramos é uma casa em ruínas, entregue à poeira, ao acaso e à lentidão burocrática — como se a memória pudesse esperar eternamente.
Perigo moral
Quando Roberto Vieira expõe essa ferida, ele não denuncia apenas o descaso material; ele aponta para algo mais profundo: um perigo moral.
Porque o abandono da casa de Clarice não é apenas desatenção — é uma forma de ruptura com aquilo que Recife tem de mais belo em sua história: a capacidade de acolher.
2. A cidade que acolheu a menina estrangeira
Clarice era, antes de tudo, uma criança refugiada. Uma menina judia que trazia no corpo e no silêncio a herança de um trauma familiar. Chegou ao Recife com quase nada — como tantas famílias que aportaram na cidade buscando recomeço.
E Recife, fiel à sua melhor vocação, não lhe ofereceu apenas abrigo; ofereceu vida, linguagem, luz, rua, amizade, sol. A casa onde viveu não é apenas um endereço: é o primeiro continente afetivo que a poesia encontrou.
É impossível não enxergar nesse encontro algo que ultrapassa o mero acaso geográfico. Há cidades que recebem; há cidades que acolhem; há cidades que adotam. Recife foi a terceira. E quem já sentiu esse acolhimento — como eu próprio, sempre que ali volto — sabe que ele não é gesto superficial: é característica civilizacional, forjada ao longo de séculos.
3. Um time judeu correndo atrás de uma bola: a cidade que permitia recomeços
A cena lembrada por Clarice — o Israelita Sport Club, “onze judeus correndo atrás de uma bola” — revela mais que nostalgia. É um retrato vivo de como esta terra soube integrar diferenças, recuperar vidas quebradas e transformar exílio em cotidiano. Não era simples futebol: era vida que insistia, era pertencimento construído passo a passo, era esperança respirando no meio da simplicidade.
História judaica
Para quem conhece a história judaica - e para quem carrega respeito profundo por esse povo capaz de renascer em todas as eras - essa imagem possui um brilho particular. Ela não mostra apenas um time; mostra uma comunidade reencontrando sua dignidade.
Acolher judeus num mundo ainda marcado pelo antissemitismo não era trivial. Mas Recife nunca foi trivial. A cidade parecia intuir que a grandeza de um povo se mede também pela forma como ele recebe aqueles que chegam sem nada — e lhes devolve horizonte.
Lugar de abrigo
E esta não foi a primeira vez que Recife se levantou como lugar de abrigo. Séculos antes desses jogadores estrangeiros cruzarem o campo de terra, a cidade já abrigava a Sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira das Américas — símbolo luminoso de tolerância e convivência num mundo que raramente oferecia tal amparo ao povo judeu. Essa raiz profunda de acolhimento fez de Recife uma exceção histórica: uma cidade capaz de proteger vidas e memórias quando tantas outras as apagavam.
Por isso, para quem nutre sincero respeito pelo povo judeu — e eu o nutro — é impossível não enxergar nessa história um fio de continuidade: Recife que um dia acolheu; Recife que um dia protegeu; Recife que um dia ofereceu futuro. E é justamente essa tradição que torna mais dolorosa a visão da casa de Clarice caindo aos pedaços.
O solo que um dia amparou os vulneráveis agora permite que a memória de uma de suas filhas mais ilustres se torne, ela própria, vulnerável.
4. A ruína que não combina com a alma da cidade
Há ruínas que carregam beleza — as que pertencem ao tempo. E há ruínas que carregam culpa — as que pertencem ao descaso.
A casa de Clarice pertence à segunda categoria. Ela não caiu porque o tempo passou; caiu porque o cuidado falhou.
E esse tipo de falha não condiz com a verdadeira identidade de Recife.
Valor da memória
Recife é uma cidade que sabe o valor da memória. Que preserva tradições seculares. Que mantém viva uma cultura forjada na mistura de povos, no cruzamento entre o engenho da terra e o engenho humano.
Uma cidade assim não pode naturalizar a perda de um símbolo tão essencial quanto a casa onde uma das maiores escritoras da língua portuguesa descobriu a própria voz.

5. Memória, hospitalidade e permanência
Há um elo profundo entre a maneira como uma cidade acolhe e a maneira como ela preserva. Ambas são expressões da mesma virtude: a capacidade de reconhecer valor no que é humano, no que é vivo, no que é frágil e, ao mesmo tempo, irrenunciável.
Conviver
Cidades que aprenderam a conviver com a abundância da natureza — seja na pujança dos canaviais ou na generosidade das águas — tendem a desenvolver uma sensibilidade especial para a permanência. Não basta prosperar; é preciso honrar. Não basta receber; é preciso lembrar.
A cultura pernambucana acolheu Clarice e lhe deu linguagem; Clarice devolveu ao Recife parte de sua alma em literatura. Agora é a cidade que deve estar à altura dessa dívida de memória.
6. Clarice permanece — mas nós permanecemos?
Clarice não precisa do Recife para existir; sua obra já é parte do patrimônio espiritual do mundo. Mas Recife precisa de Clarice para reconhecer a si própria. Não como mito, não como marca turística, mas como espelho ético.
O que se perde, quando a casa cai, não é apenas a madeira ou o estuque; é o vínculo. É a ponte. É a prova material de que esta cidade, um dia, deu à menina estrangeira o espaço que ela precisava para florescer.
Quando abandonamos um símbolo, não é o símbolo que cai — somos nós que ficamos menores.
7. Conclusão — Somo minha voz ao clamor de Vieira
É por tudo isso — pelo amor que tenho por Recife, pelo respeito profundo que carrego pelos judeus, pelo encanto duradouro que essa cidade me provoca — que somo minha voz ao clamor de Roberto Vieira.
A restauração da casa de Clarice não é um capricho estético, nem um favor à literatura. É um gesto de coerência histórica, de fidelidade cultural, de maturidade moral. É um ato de gratidão à menina que ali viveu, à mulher que dali saiu para iluminar a língua portuguesa, ao povo judeu que encontrou na cidade um lar, e à própria memória recifense, que não merece ser condenada às sombras.
Clarice permanece. Resta saber se permaneceremos à altura dela.
A resposta está, silenciosa, esperando na praça Maciel Pinheiro — no instante exato em que alguém decidir que é indigno de Recife deixar cair a casa de uma de suas filhas mais luminosas.
E porque não desejo que estas palavras sejam apenas mais um lamento entre tantos, permita-me propor algo concreto.
Vida cultural
Proponho que o Jornal O Poder de Pernambuco, sempre atento à vida cultural do Estado, possa deflagrar uma campanha voluntária de arrecadação de recursos a serem encaminhados — com total transparência — à Academia Pernambucana de Letras, instituição cuja reverência pela literatura pernambucana é conhecida e admirada.
Seria um gesto coletivo, belo e necessário: permitir que a própria comunidade, guiada pelo amor à cultura, auxilie na restauração da casa de Clarice.
Primeiros contribuintes
Da minha parte, coloco-me desde já entre os primeiros contribuintes — não por mérito, mas por coerência com o que aqui defendo.
Se a memória é tarefa de todos, que a ação também seja. Recife sempre soube acolher; agora é a hora de retribuirmos ao Recife aquilo que ele nos ensinou sobre hospitalidade, permanência e gratidão.
(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder estimula o livre confronto de ideias e acolhe o contraditório. Todas as pessoas e instituições citadas têm assegurado espaço para suas manifestações.

Leia outras informações
É Findi - Código Fênetre, por Tony Antunes de Palmares*
11/04/2026
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!
O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.
Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.
*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
A língua é um caracol de fósforos,
Queimando as sílabas no viscoral
[das urtigas
Alguém sussurrou:
- Fremir o nó é nada!
O espelho suga a pele em xeroxúmidos
Enquanto o céu lambeija os dentes
[de Dante.
Nenhum verbo cabe em saco de ossos,
O significante é o rei dos axiomas,
O sobejo das sobras caem por sombras,
Tudo não passa de geografia sonora,
Que desencalha o abacaxi das névoas.
*Poeta Tony Antunes, é natural de Recife, mas palmarino há quarenta anos. É Professor de Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no Curso de Letras. É membro da Academia Palmarense de Letras.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
É Findi - O Poeta - Poema - Por, Eduardo Albuquerque*
11/04/2026
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite
E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente
O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes
Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Na boquinha da noite
Devagar o Sol declina
Cumpriu sua sina
Nos deseja boa noite

E a Lua devagarinho
Vem cumprir seu destino
Traz-nos suavemente
Sua doçura adolescente

O poeta se faz presente
Olha o horizonte contente
Sonha o sonho das gentes

Se sofre, disfarça sua dor
Transforma-a numa flor
Deveras, acredites, é ator.
*Eduardo Albuquerque, poeta, cronista, escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Diana*, poema, por Felipe Bezerra*
11/04/2026
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.
Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.
Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.
Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.
*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis
*Felipe Bezerra, advogado e poeta.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Décadas viajando
ao redor da estrela,
na órbita da Terra,
cerca d'outros planetas.
Nada se assemelha
à divina figura tua,
nem sequer a centelha
da face oculta da lua.
Muito menos o etéreo
pálido ponto azul
é minimamente páreo
ao espetáculo que és tu.
Feita da mais delicada
matéria-prima estelar,
sei que nada se iguala
à tua beleza solar.
*Diana, nome romano da deusa grega Ártemis
*Felipe Bezerra, advogado e poeta.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Eutrópio – Croniqueta, por Xico Bizerra*
11/04/2026
Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!...
Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.
Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!).
Em Tempo: apenas para que não existam dúvidas e repetindo o que já disse em crônicas anteriores: me incluo entre os indevidamente chamados de Poeta. Não sou nem tenho a menor pretensão de sê-lo. Apenas escrevo, de quando em vez, letras de música popular, versos quaisquer, coisa de quem não tem o que fazer. Poeta é uma coisa muito maior. Salve Louro do Pajeú, Pinto do Monteiro, Manoel Bandeira, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa ...
*Xico Bizerra, é compositor, poeta e escritor.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Cinema São Luiz - Por, Carlos Bezerra Cavalcanti*
11/04/2026
De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento...
Essa importante casa de espetáculos funcionou até o ano de 2007, após 55 anos ininterruptos, proporcionando alegria à sociedade recifense. Inaugurada, precisamente, em 6 de setembro de 1952, com o filme “O Falcão dos Mares”, com Gregory Peck, ocupou o térreo do edifício Duarte Coelho, no local onde anteriormente, existiu o “Templo” ou Igrejinha dos Ingleses, de que tratamos há pouco. Possuía a maior sala de projeções da cidade, com mil duzentas e sessenta poltronas, distribuídas em dois pavimentos. Mostrando a influência europeia nos costumes da época, até a década de sessenta, era obrigatório o uso de roupa formal pelos seus frequentadores, os homens não podiam entrar sem paletó.
De acordo com o trabalho de pesquisa realizado em 18 de fevereiro de 1999, por Kleber Mendonça Filho, a decoração desse cinema, como destaca o próprio convite da solenidade de inauguração, era a sua parte mais marcante: “ na sala de espera Lula Cardoso Ayres pintou um lindo painel. O ornamento da plateia representa o interior de uma tenda real; vastas tapeçarias suspensas, bordadas com três lírios de França, sobre os quais repousam dezesseis escudos de guerra em lembrança das cruzadas. O teto é como um imenso véu de rede que grossas cordas amarram.
Na frente do palco, os variados ornatos simbolizam as grandes virtudes de Dom Luiz que desceu do trono para subir a um altar; a palma (o prêmio da eterna boa aventurança); a concha (o brasão do peregrino); os besantes (os arautos do valor); a flor de lis (orgulho da Casa de França) e os dois ramos policromados, (o perfume de todas as virtudes), em cujo colorido, os nossos olhos descansam.
Finalmente, as duas colunas esguias e as marquises moldurando a tela cinematográfica indicam, na sua simplicidade técnica, a era arquitetônica moderna e constituem como que uma ligação entre o passado e o presente entre o longínquo século XIII, em que viveu o grande rei e o século XX, em que vivemos, representado, dignamente, pela imagem animada, colorida e sonora.”
*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
É Findi - Malude Maciel* Em Dose Dupla
11/04/2026
" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta
Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.
Viagens no tempo - Poema
Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.
Globo Terrestre - Poema
" A Terra, vista do espaço, não tem fronteiras". (astronauta)
Isto é um princípio universal
Não há linhas separando os povos
Há apenas um planeta azul
Somos todos habitantes da mesma casa
As diversidades existem dentro do que nos conecta
Respiramos o mesmo ar
Caminhamos no mesmo chão
Temos a mesma condição humana
Apesar de incontáveis diferenças
A Terra continua sendo uma só.
Apollo 1972
Artemis II 2026.

Viagens no tempo - Poema
Uns dizem:
"O tempo tudo destrói",
E outros:
"O tempo dá jeito pra tudo",
E nós,
Driblando o tempo,
Vamos vivendo,
Um dia de cada vez,
Porque o passado
Olha nos olhos do futuro
A cada manhã
Sabendo que o tempo
É implacável
Com tudo e com todos.
*Malude Maciel, Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, ACACCIL, cadeira 15 pertencente à professora Sinhazina.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi – Troca de Identidade - Por, Poeta Pica-Pau*
11/04/2026
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la
Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito
A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.
Era só pra ser um boa noite
Quando avistei a morena.
Mas a noite foi passando
Pra uma conversa serena
E no clarão do luar
Admirando as estrelas
Mas a beleza da morena
Me deixou louco em vê-la
Coração a palpitar
Querendo sair do peito
Testosterona em alta
O resto daquele jeito
Eu quiz dá um passo a mais
Ela me disse rapaz
Devagar e mais respeito
A noite foi se passando
E eu naquela agonia
Só beijo e pega na mão
E avanço não surgia
Lembrei perguntei seu nome
Ela disse, pela noite é Sofia
Mas pelo dia , é bastião
*Pica-Pau é poeta. Vive em Palmares, PE.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

É Findi - Levo, Não Levo? - Crônica - Por, Romero Falcão*
11/04/2026
Calcula o Salto
Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.
Não se Deve Vacilar
Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.
Solitário. Enrolado
Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os d...
Céu escuro, pesado, triste. Mesmo assim, esqueço o guarda-chuva em casa. No ponto de ônibus, os primeiros pingos. Encolhido, tento em vão me abrigar. A cobertura é moderna, bonitinha, entretanto, mal protege do sol, muito menos da chuva.
Calcula o Salto
Braço estendido, peço parada. Trovão. A chuva desce com força. Num banco, uma mulher sacode a sombrinha, retira o excesso de água. Na rua, um homem, embrulhado numa capa, pende o corpo pra lá e pra cá, calcula o salto diante de uma poça imensa.
Não se Deve Vacilar
Meu destino se aproxima. Enfrentarei o temporal de peito aberto? Ora, isso é desafiar a imunidade gasta. Para completar, solto quatro espirros violentos. Embora vacinado contra a gripe, nesta idade não se deve vacilar.

Solitário. Enrolado
Foi quando olhei para o lado: um guarda-chuva solitário, enrolado, encostado no canto do banco junto à janela. Os dois bancos vazios. Deus socorre? Ou o diabo testa?
Flores Discretas
Levanto desconfiado e me sento ao lado dele. Examino-o. Não é qualquer um desses pendurados nas ruas do comércio. É de qualidade. Cabo de madeira, trabalhado. Tecido encorpado, flores discretas. Hastes firmes.
Meu Mesmo ?
Bato três vezes — tok, tok, tok — com a ponta no piso do ônibus. Como quem diz: agora é meu.
É meu mesmo?
Achado não é furtado?

O guarda-chuva me indaga:
— Isso vale para o silvícola, não para você, que conhece o Código Penal.
Me vem a lei dos homens:
“Apropriar-se alguém de coisa alheia, vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza.”

Já deixei as digitais no produto do crime. Um passageiro me fita. Testemunha.
Lá fora, a natureza desaba. Aqui dentro, a natureza do guarda-chuva me inquieta:
— Melhor um molhado honesto que uma consciência ensopada.
Puxo a sineta.
Chuva, chuva, chuva.
O motorista para.
Levo, não levo?
Desço apressado.
*Romero Falcão é cronista e poeta. Articulista de O Poder.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

Voo Recife/Cabo Verde: Raquel Teixeira Lyra comemora como sua ação do Governo Federal
10/04/2026
Foi Silvinho
A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.
Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem ti...
O Governo Federal oficializou a retomada da rota aérea entre o Recife e a cidade de Praia, em Cabo Verde. A operação, que será realizada pela companhia Cabo Verde Airlines, marca o restabelecimento de um importante corredor aéreo entre o Nordeste brasileiro e a África Ocidental, suspenso desde o início da pandemia em 2020.
Foi Silvinho
A articulação para o retorno do voo foi uma das últimas grandes marcas da gestão de Silvio Costa Filho à frente da pasta de Portos e Aeroportos, em conjunto com o atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano e ainda pelo atual ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.
A nova conexão é vista como estratégica para fortalecer o papel do Nordeste como principal porta de entrada para investimentos e turismo vindo do continente africano.
Mas vejam neste vídeo o que a Governadora de PE diz sobre a negociação da rota.
Em seguida, o presidente da Empetur reforça a nossa pergunta. Sobre quem tinha negociado a rota, Recife-Cabo Verde. Em nenhum momento o Governo Federal foi citado.
Fica claro que a governadora se apropria de uma ação que não foi sua e ainda é reforçada pelo seu presidente da Empresa Pernambucana de Turismo. É mais um exemplo de tentativa da governadora de fazer limonada com a laranja alheia.
Arraes, Jango, JK e a Operação Condor, por Antônio Campos*
10/04/2026
A narrativa
Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.
Jango
Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte comple...
Entrou em veiculação nos cinemas o filme “A Conspiração Condor.” Um filme brasileiro de 2026, pertencente ao gênero de drama político, dirigido por André Sturm, que também assina o roteiro em parceria com Victor Bonini. O longa é protagonizado por Mel Lisboa e conta ainda com a participação de Dan Stulbach no elenco.

A narrativa
Acompanha a investigação de uma jornalista sobre as mortes suspeitas dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e João Goulart, ocorridas em 1976, levantando a possibilidade de uma conspiração relacionada à Operação Condor.
O filme teve sua première nacional na mostra Hors Concours do 27º Festival do Rio, em outubro de 2025, e chegou aos cinemas brasileiros em lançamento comercial no dia 9 de abril de 2026.

Jango
Em entrevista, João Vicente Goulart, presidente da Fundação João Goulart e filho do ex-presidente João Goulart, cuja morte completa 50 anos em 2026, reafirmou que seu pai foi assassinado pela Operação Condor, uma articulação entre ditaduras militares da América Latina responsável por perseguir e eliminar lideranças políticas durante o processo inicial de redemocratização do continente. Nesse contexto, destaco também o papel do ex-presidente norte americano Jimmy Carter como figura importante no processo de abertura democrática.
Cobrança
João Vicente cobrou do Estado brasileiro o cumprimento de seu dever institucional de investigar as circunstâncias reais da morte de seu pai. Ele relembrou a relação entre Jango e Miguel Arraes e destacou que Goulart faleceu 12 anos após o golpe militar, em Corrientes, na Argentina. Segundo relatos, ele teria sido vítima de dois assessores cooptados pela Operação Condor, que teriam substituído seus medicamentos por placebos. Pouco tempo depois, esses dois indivíduos apareceram em Paris com sinais evidentes de enriquecimento.
Testemunha importante
Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco, foi uma das principais testemunhas da Operação Condor e quase uma de suas vítimas. No próximo dia 13 de agosto, completam-se 20 anos de seu falecimento. Em depoimento à Comissão da Câmara dos Deputados sobre a Operação Condor, com áudio disponível no YouTube, Arraes respondeu a uma pergunta do então deputado federal Miro Teixeira, presidente da Comissão de Investigação da Operação Condor, afirmando: "Os três nomes mais importantes da Frente eram justamente os líderes mais destacados dos três maiores partidos políticos extintos pelo golpe de 64. Eram eles, respectivamente, além de Juscelino, pelo PSD, João Goulart pelo PTB e Carlos Lacerda pela UDN. Entre os fatos mais notáveis da história recente do Brasil está a morte desses três líderes, em curto lapso de tempo, quando começava a delinear-se a abertura política do regime. Desapareceram, muito convenientemente para o regime de arbítrios, as três maiores alternativas de poder, posto que, em caso de eleições diretas, com certeza um dos três teria sido eleito Presidente da República."

Representação
Durante dez anos, presidi o Instituto Miguel Arraes, a pedido de minha avó, Magdalena Arraes. Um dos principais feitos desse período foi apresentar, tanto em nome do Instituto quanto em meu nome pessoal, uma representação ao Procurador Geral da República, com base no depoimento de Arraes. A peça relatava seu importante testemunho sobre a Operação Condor, entre outros documentos e fatos, com um capítulo específico dedicado à morte de João Goulart. O Ministério Público Federal acolheu essa representação, determinando sua juntada aos autos da investigação internacional conjunta sobre o caso, conduzida pelo Ministério Público Federal brasileiro e por promotores argentinos. Tal iniciativa permanece registrada nos arquivos oficiais da investigação binacional.
Impunidade
Ao contrário de outros países como Argentina, Chile e Espanha, o Brasil permanece como o único que não puniu nenhum dos envolvidos na Operação Condor, embora haja ampla comprovação da participação de agentes brasileiros. A Argentina prendeu o ex-presidente Rafael Videla. A Justiça chilena ordenou a prisão de 129 ex-militares e policiais participantes do esquema. Já a Justiça espanhola, por meio do juiz Baltasar Garzón, decretou a prisão de vários envolvidos, diante da execução também de cidadãos espanhóis durante a Operação Condor. O Chile, inclusive, reconheceu oficialmente que o poeta Pablo Neruda foi vítima dessa organização.
Uma das vítimas da Operação Condor foi o poeta Pablo Neruda, que Arraes chegou a conhecer pessoalmente.
Livro
Em 2016, publiquei o livro Operação Condor no Brasil, que reproduz a representação mencionada, com 128 páginas, além dos anexos e do despacho do Ministério Público Federal brasileiro.
A biografia que estou escrevendo sobre Miguel Arraes começa com a passagem sobre o encontro na Argélia relacionado à Operação Condor. No próximo dia 13 de agosto, estarei lançando um site internacional para receber sugestões, documentos e depoimentos sobre Arraes, que poderão ou não ser utilizados, em uma obra coletiva, por meio do domínio arraesbiografiacoletiva.com.br.
Assassinato de Jango
Segundo o testemunho de Miguel Arraes à Câmara e as informações recebidas durante o exílio, João Goulart foi de fato assassinado pela Operação Condor, sob o comando da ditadura militar brasileira. Arraes chegou a enviar alertas a Jango e a outros líderes perseguidos ao tomar conhecimento, na Argélia, por meio de um grupo chileno, do início de uma operação de extermínio. Esse grupo informou que havia uma lista inicial de lideranças a serem executadas, lista que incluía o próprio nome de Arraes.
Acervo
Durante minha presidência da Fundação Joaquim Nabuco, levei o acervo pessoal de Miguel Arraes para preservação nessa importante instituição, que leva o nome de outro gigante da história brasileira.
Impunidade gera repetições
Nesse ano, em 2026, completa 20 anos da primeira eleição de Eduardo Campos governador, eleito em 2006. Nunca desisti dele. Estou convicto de que sua morte, ocorrida em 2014, não foi um acidente aéreo comum, mas resultado de sabotagem. Eduardo era visto por adversários como um nome real para a Presidência da República, e a melhor maneira de ocultar um crime é fazê-lo parecer um acidente natural. Como se vê, a impunidade gera a repetição de episódios como o de Jango e de outros.
Produção de provas
Minha mãe, Ana Arraes, e eu movemos ação de produção antecipada de provas, sob o número 5001663 02.2017.4.03.6104, que tramita na 4ª Vara Federal de Santos. A perícia técnica já foi deferida. Contamos com parecer técnico de nosso assistente pericial, que indica falha provocada no disparo do compensador elétrico do profundor da aeronave, interferindo no estabilizador horizontal. Ao realizar uma manobra mais radical, a falha deu origem ao fenômeno conhecido como pitch down, colocando o avião em queda vertiginosa, sem controle pelos pilotos.
Coragem
Sei os riscos que corro, mas, como diz o provérbio, o covarde morre todos os dias, enquanto o corajoso morre uma só vez, e apenas quando necessário. Os nomes de Miguel Arraes e de Eduardo Campos estão inscritos no Livro dos Heróis da Pátria. O Brasil e o mundo precisam conhecer a verdade sobre a Operação Condor e sobre a morte de João Goulart e outras vítimas. É necessário saber a real causa e o contexto da morte de Eduardo Campos e punir os envolvidos.
A verdade
Como disse o bispo sul africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz: "A verdade cura. Às vezes ela arde, mas cura."
*Antônio Campos é advogado e escritor
