Ética médica em tempos de trincheira, por Jorge Henrique de Freitas Pinho*
16/01/2026
A civilização começa quando o cuidado resiste à vingança.
1. Introdução — quando o cuidado deixa de ser silencioso
A ética médica sempre pertenceu a uma zona anterior à disputa. Antes do Estado, da ideologia e da linguagem política, o cuidado surgiu como resposta imediata ao sofrimento humano. O corpo ferido e a dor concreta impunham um silêncio ético que suspendia julgamentos, identidades e culpas. Cuidar não era concordar. Era reconhecer um limite civilizacional.
Esse silêncio, porém, vem sendo rompido.
A polarização esquerda-direita deixou de ser apenas um conflito de ideias para se tornar uma gramática moral totalizante. Ela já não organiza apenas o debate público ou a leitura da história, mas pretende colonizar campos que lhe eram estranhos, exigindo que tudo escolha lado, inclusive a ética. Nesse ambiente, a medicina começa a ser pressionada a justificar não a...
A civilização começa quando o cuidado resiste à vingança.
1. Introdução — quando o cuidado deixa de ser silencioso
A ética médica sempre pertenceu a uma zona anterior à disputa. Antes do Estado, da ideologia e da linguagem política, o cuidado surgiu como resposta imediata ao sofrimento humano. O corpo ferido e a dor concreta impunham um silêncio ético que suspendia julgamentos, identidades e culpas. Cuidar não era concordar. Era reconhecer um limite civilizacional.
Esse silêncio, porém, vem sendo rompido.
A polarização esquerda-direita deixou de ser apenas um conflito de ideias para se tornar uma gramática moral totalizante. Ela já não organiza apenas o debate público ou a leitura da história, mas pretende colonizar campos que lhe eram estranhos, exigindo que tudo escolha lado, inclusive a ética. Nesse ambiente, a medicina começa a ser pressionada a justificar não apenas como cuida, mas por que cuida, e a quem concede dignidade.
Quando isso ocorre, a ética deixa de ser fundamento e passa a ser instrumento.
A medicina, que deveria operar como espaço de suspensão da disputa, passa a ser observada por tribunais simbólicos que perguntam menos pela condição clínica do paciente e mais por sua identidade política, seu histórico público ou sua utilidade narrativa. O cuidado torna-se ruidoso, vigiado e moralmente administrado.
Esse deslocamento não é trivial. Ele sinaliza uma inflexão profunda: quando a ética médica precisa perguntar quem é o paciente antes de decidir como tratá-lo, algo essencial já foi perdido. Substitui-se a pergunta sobre o sofrimento pela pergunta sobre a filiação. E toda vez que isso acontece, a civilização se afasta um passo da ética e se aproxima, ainda que bem-intencionada, da barbárie.
2. A ética antes da política: o nascimento civilizacional do cuidado
A ética médica não nasce da política. Ela a antecede. Surge no ponto exato em que a vida humana se apresenta frágil demais para ser tratada como meio, argumento ou exemplo. Antes que existissem Estados, partidos ou programas ideológicos, já havia o gesto elementar de cuidar, não como ato de concordância moral, mas como reconhecimento de um limite que nenhuma causa pode atravessar sem se desfigurar.
Esse dado é frequentemente esquecido porque a política moderna se habituou a falar em nome de tudo. Mas há esferas que não lhe pertencem. O corpo doente é uma delas. Nele, a abstração cede lugar à urgência, e a biografia moral perde centralidade diante da evidência do sofrimento. A ética médica nasce exatamente dessa suspensão provisória do juízo, desse intervalo em que a pergunta não é quem o outro foi, mas o que a condição humana exige naquele instante.
Por isso, a tentativa de submeter o cuidado a critérios ideológicos representa uma inversão grave. Quando a política passa a determinar os contornos da compaixão, a ética deixa de ser princípio e se converte em extensão do poder. O cuidado deixa de ser resposta ao sofrimento e passa a funcionar como validação simbólica de pertencimento.
Não se trata de negar a existência do conflito político nem de idealizar a neutralidade. Trata-se de reconhecer que há um patamar anterior ao conflito, sem o qual nenhuma sociedade se sustenta. A ética médica ocupa esse patamar. Ela não absolve, não condena, não legitima nem combate. Ela cuida.
Quando essa ordem se inverte, quando a política reivindica precedência sobre a ética, o que se perde não é apenas a integridade da medicina, mas o próprio sentido de civilização. Pois toda civilização começa quando aceita que há limites que nem mesmo as causas mais justas estão autorizadas a ultrapassar.
3. Polarização e colonização moral: quando tudo vira identidade
A polarização contemporânea já não opera apenas como divergência política. Ela se tornou uma lógica de ocupação total do mundo. Tudo passa a ser interpretado como sinal de pertencimento ou traição, e nenhuma esfera permanece imune à exigência de alinhamento. Ideias, gestos, silêncios e até princípios passam a ser lidos não pelo que são, mas pelo lado que supostamente favorecem.
Nesse ambiente, a ética deixa de funcionar como critério e passa a operar como marcador identitário.
A política, quando absolutizada, não tolera zonas neutras. Ela transforma valores em bandeiras e virtudes em instrumentos de disputa. O que antes era princípio torna-se senha; o que era limite converte-se em arma simbólica. A moral já não orienta a ação, apenas legitima o grupo. E aquilo que não se deixa capturar por essa lógica é imediatamente suspeito.
É assim que o cuidado, por natureza silencioso e anterior à disputa, passa a ser interpretado como gesto político. Tratar alguém deixa de ser um dever ético para se tornar uma declaração ideológica. A compaixão é escrutinada, vigiada e, em certos casos, denunciada como cumplicidade. Não importa mais o sofrimento concreto, mas o lugar simbólico que o sofredor ocupa no tabuleiro moral do momento.
Esse processo é corrosivo porque dissolve a distinção entre princípios universais e estratégias de poder. Quando tudo vira identidade, nada mais é verdadeiramente ético. Há apenas escolhas tribais disfarçadas de virtude. A humanidade deixa de ser um dado comum e passa a ser um atributo concedido ou retirado conforme a narrativa dominante.
A colonização moral operada pela polarização não empobrece apenas o debate público. Ela rebaixa a própria ideia de ética, transformando-a em extensão da trincheira. E toda vez que isso ocorre, o humano deixa de ser o ponto de partida e passa a ser apenas mais um recurso disponível na disputa pelo sentido.
4. Quando o chicote muda de mão: o poder moral e a tentação da impiedade
A história ensina que a crueldade não pertence a uma ideologia específica, mas a uma disposição humana que emerge sempre que o poder se acredita moralmente absolvido. Ainda assim, há um traço recorrente nos movimentos que se apresentam como portadores do bem: quando deixam a condição de crítica e assumem posições de autoridade, tendem a ser mais severos, pois já não se veem apenas como governantes, mas como agentes de correção do mundo.
É nesse ponto que a polarização contemporânea revela sua face mais perigosa.
Parte significativa da esquerda atual não opera apenas como força política, mas como instância moral superior. Não se limita a disputar projetos ou ideias; pretende definir quem é digno de voz, de cuidado e, em certos casos, de humanidade. Quando esse campo passa a influenciar instituições, discursos e mecanismos de legitimação simbólica, a punição deixa de ser apenas jurídica ou política e assume caráter pedagógico: não se corrige a conduta, expurga-se o sujeito; não se julga o ato, neutraliza-se o símbolo.
Esse processo se agrava porque a impiedade se apresenta sob linguagem virtuosa. A perseguição é chamada de zelo democrático. A exclusão, de defesa da humanidade. A negação de direitos, de proteção do bem comum. O indivíduo concreto desaparece, substituído pela figura abstrata do inimigo moral que precisa ser contido para que a narrativa permaneça intacta.
Quando essa lógica invade a ética médica, o risco se multiplica. O cuidado passa a ser condicionado não apenas por critérios técnicos, mas por juízos morais totalizantes. O paciente deixa de ser alguém que sofre e passa a representar aquilo que deve ser combatido. O sofrimento perde seu poder de suspender o ódio. E a medicina, que deveria ser último reduto do humano, converte-se em extensão da disputa.
Reconhecer
Não se trata de absolver abusos cometidos por outros campos ideológicos nem de recorrer a simetrias fáceis. Trata-se de reconhecer um dado recorrente da experiência histórica: o poder que se acredita moralmente puro tende a ser mais impiedoso, porque não admite limites. Quando o chicote muda de mão acompanhado da convicção de superioridade ética, a violência já não se reconhece como tal. Ela se chama justiça.
E toda vez que isso ocorre, a ética deixa de proteger o humano para servir à causa. A barbárie, então, não se anuncia com brutalidade explícita, mas com intenções nobres, linguagem elevada e a certeza tranquila de que tudo o que se faz, por mais duro que seja, é feito em nome do bem.
5. A falácia da ética condicionada: quando a dignidade se torna prêmio
Há um ponto em que a ética deixa de ser ética sem que isso seja imediatamente percebido. Ocorre quando ela passa a depender de condições externas ao próprio princípio que afirma defender. Quando a dignidade humana já não é reconhecida como dado ontológico, mas concedida como recompensa simbólica, a ética se transforma em instrumento de gestão moral.
Essa é a falácia da ética condicionada.
Segundo essa lógica, não basta ser humano para merecer cuidado. É preciso antes preencher requisitos implícitos: aderir à narrativa correta, ocupar o lugar certo no mapa moral do tempo, não representar aquilo que a causa definiu como intolerável. O sofrimento deixa de ser critério suficiente. A dor passa a ser filtrada por juízos prévios. E a compaixão, antes de se manifestar, pede autorização à ideologia.
O problema dessa operação não está apenas em sua injustiça, mas em sua incoerência profunda. Uma ética que seleciona destinatários já não é ética; é estratégia. Direitos que dependem de alinhamento deixam de ser direitos e se convertem em favores revogáveis. O humano, então, perde sua centralidade e passa a valer apenas enquanto confirma a narrativa dominante.
Essa falácia costuma se apresentar sob linguagem elevada. Fala-se em responsabilidade histórica, em proteção da democracia, em defesa de valores maiores. Mas o mecanismo é sempre o mesmo: substituir o princípio pelo critério, o universal pelo circunstancial, a dignidade pelo merecimento. A ética deixa de limitar o poder e passa a justificá-lo.
Quando esse raciocínio alcança a ética médica, suas consequências são particularmente graves. O cuidado, que deveria ser resposta imediata ao sofrimento, passa a ser avaliado à luz de considerações morais externas à prática médica. O paciente já não é visto apenas como alguém que necessita de atenção, mas como alguém que precisa ser julgado antes de ser tratado. O silêncio ético que protegia o cuidado é rompido por uma triagem simbólica.
A dignidade humana, porém, não admite adjetivos nem condicionantes sem se autodestruir. Ou ela vale para todos, inclusive para aqueles que nos repugnam, ou não vale como princípio. Toda vez que se aceita relativizá-la em nome de uma causa, abre-se a porta para que outras causas façam o mesmo. E, nesse ponto, a ética já não protege o humano; apenas organiza a exclusão com aparência de virtude.
6. Entre o tribunal da opinião e o silêncio do cuidado: o último reduto do humano
O médico contemporâneo passou a atuar sob dupla pressão. De um lado, a exigência técnica, que permanece inegociável. De outro, um tribunal difuso, informal e implacável, formado pela opinião pública militante, pelas redes sociais e por narrativas morais que julgam não apenas o resultado do cuidado, mas a intenção atribuída a quem cuida. Nesse ambiente, tratar deixa de ser um gesto profissional e passa a ser interpretado como tomada de posição.
Essa mudança é profunda e perigosa.
A medicina sempre operou em um espaço de contenção simbólica. Ali, o juízo moral era suspenso em favor da urgência humana. O sofrimento funcionava como limite intransponível. Hoje, porém, esse limite vem sendo corroído. O cuidado é observado, vigiado e reinterpretado à luz de disputas que lhe são externas. Pergunta-se menos se o tratamento é adequado e mais se ele é moralmente aceitável dentro da narrativa dominante.
Quando isso acontece, o médico deixa de ser guardião do cuidado e passa a ser réu potencial. A ética, em vez de protegê-lo, é instrumentalizada para constrangê-lo. O silêncio necessário à prática médica cede lugar ao ruído do julgamento permanente. E o corpo do paciente, que deveria ser centro, transforma-se em campo simbólico de disputa.
É nesse ponto que a ética sem adjetivos se revela como último reduto do humano. Não uma ética neutra, mas uma ética consciente de seus limites. Não uma ética indiferente, mas uma ética que se recusa a servir como arma. O cuidado não absolve, não legitima, não endossa. Ele apenas cuida. E exatamente por isso sustenta a civilização.
Quando a medicina aceita ser colonizada pelo tribunal da opinião, ela abdica de sua função mais alta. Quando resiste, preserva algo que vai além da técnica: preserva a ideia de que há esferas da vida humana que não podem ser submetidas à lógica da vingança moral sem que tudo o mais se perca.
Essa tensão não é apenas médica. Ela é civilizacional. Pois a maneira como uma sociedade trata aqueles que considera indignos revela não sua força, mas seus limites. E é a partir desse ponto que se impõe a pergunta final: o que ainda estamos dispostos a preservar quando tudo exige alinhamento, julgamento e punição?
7. Conclusão — onde a ética ainda resiste
A ética médica permanece como um dos últimos espaços onde a civilização pode se reconhecer sem máscaras. Não porque seja perfeita, mas porque impõe limites. Ela lembra que há sofrimentos que não admitem juízo, dores que não pedem autorização ideológica e cuidados que não podem ser negociados em nome de causas, por mais nobres que se apresentem.
Quando a polarização tenta colonizar o cuidado, o que está em jogo não é apenas a prática médica, mas a própria ideia de humanidade compartilhada. Uma sociedade que pergunta quem o paciente é antes de decidir como tratá-lo já iniciou um processo silencioso de desumanização. Pode chamá-lo de zelo democrático, responsabilidade histórica ou justiça simbólica. O efeito, porém, é sempre o mesmo: a dignidade deixa de ser princípio e passa a ser exceção.
A ética, quando verdadeira, não escolhe lados. Escolhe limites. Não absolve nem condena. Suspende. Protege. Resiste. É precisamente essa resistência que a torna incômoda em tempos de trincheira, pois ela lembra que nem tudo pode ser reduzido a narrativa, identidade ou punição exemplar.
Defender uma ética médica sem adjetivos não é neutralidade covarde. É compromisso civilizacional. É afirmar que, mesmo quando o mundo exige alinhamento, ainda há espaços onde o humano deve permanecer anterior à política. Se esses espaços forem perdidos, não será a medicina a adoecer primeiro. Será a própria sociedade, que já não saberá distinguir justiça de vingança, nem cuidado de poder.
7. Pós-escrito — quando a narrativa substitui a humanidade
O ensaio que antecede trata de princípios. O Pós-escrito trata de fatos e de personagens.
Este Pós-escrito opta deliberadamente por nomear personagens públicos. Não por personalismo, nem por ajuste de contas, mas por uma razão histórica elementar: a ética se manifesta em fatos concretos, praticados por agentes reais, em contextos determinados. Textos que recusam os nomes em nome de uma abstração excessiva condenam o leitor futuro à arqueologia interpretativa e enfraquecem o próprio juízo moral que pretendem sustentar.
A história não se escreve apenas com estruturas. Escreve-se com homens.
Durante a pandemia, um recorte específico de um discurso do então presidente Jair Bolsonaro, retirado de seu contexto e repetido exaustivamente, foi convertido em prova moral definitiva de desumanidade. Esse fragmento passou a operar não como documento histórico, mas como sentença simbólica. A partir dele, construiu-se uma narrativa impermeável a fatos posteriores, revisões, nuances ou correções.
Pouco importou que vacinas tenham sido posteriormente disponibilizadas à população, que políticas públicas tenham sido implementadas ou que hoje esteja comprovado que parte da grande imprensa inflou, manipulou ou tratou números de mortos como instrumento político, como se a totalidade das consequências pudesse ser imputada pessoalmente ao governo. A narrativa já havia cumprido sua função central: desumanizar o personagem. E, uma vez desumanizado, tudo se torna permitido.
Esse método revela seus efeitos no presente.
Hoje, Jair Bolsonaro encontra-se preso, idoso e com histórico médico amplamente conhecido. A postergação de seu direito a tratamento médico adequado vem sendo tratada por parte significativa da opinião pública com indiferença, ironia ou aprovação explícita. Tal postura encontra respaldo institucional em decisões e condutas associadas ao ministro Alexandre de Moraes, que não esconde a lógica exemplar de sua atuação penal: não apenas punir, mas demonstrar poder, produzir temor e oferecer o corpo do réu como advertência simbólica.
Esse comportamento deveria causar indignação universal. Mas não causa.
O contraste moral torna-se ainda mais evidente quando se observa a assimetria de reações. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma queda recente e bateu a cabeça, não houve, salvo exceções marginais, ironia, escárnio ou desejo de morte por parte dos veículos e vozes associadas à direita. Houve silêncio respeitoso e reconhecimento da fragilidade humana. O corpo ferido voltou a ser limite.
O mesmo não ocorreu em sentido inverso.
Quando Jair Bolsonaro sofreu uma tentativa de assassinato em 2018, publicamente documentada, o próprio Lula afirmou tratar-se de fingimento. A violência física foi dissolvida em cinismo narrativo. A dor foi deslegitimada. O corpo deixou de ser limite e passou a ser instrumento retórico. O mesmo padrão reaparece quando quedas, enfermidades ou fragilidades do adversário são tratadas com sarcasmo por jornalistas, comentaristas e formadores de opinião alinhados ao campo moral dominante.
Aqui não se trata de santificar Bolsonaro nem de demonizar Lula. Trata-se de registrar uma diferença objetiva de postura diante do sofrimento físico do adversário político. Esse é um critério ético simples e implacável. Quem preserva o silêncio respeitoso diante da vulnerabilidade humana mantém fidelidade ao princípio. Quem responde com ironia revela que a ética já foi substituída pela narrativa.
O ponto central, contudo, não é nenhum desses nomes isoladamente. É o precedente histórico que eles ajudam a revelar.
Quando a humanidade deixa de ser princípio e passa a depender da posição política do indivíduo, ninguém está protegido. Hoje o método recai sobre Jair Bolsonaro. Amanhã, poderá recair sobre qualquer outro cidadão que ocupe o lugar errado no momento errado, diante de uma composição específica do Supremo Tribunal Federal que confunde justiça com pedagogia do medo.
A história
A história mostra que a desumanização não começa com a violência explícita. Ela começa com a suspensão seletiva da empatia, com a crença confortável de que “desta vez é diferente”, com a ideia de que o sofrimento do outro é exceção justificável.
Quando uma sociedade aceita que alguém seja tratado de forma desumana porque “merece”, ela já abriu mão do critério que a protegia. E quando percebe, tarde demais, descobre que a ética que deixou de defender não era um favor ao adversário político, mas a última garantia de si mesma.
(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.
NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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Energia livre
Dito de uma forma direta. Em 1988, o Brasil implantou o Ambiente Livre de Contratação (ACL), cujo conceito era o de permitir a redução dos preços aos grandes consumidores desde que precisassem recebê-la em alta tensão. Surgiram as comercializadoras que compram a energia das distribuidoras e vendem para as empresas.
Mercado livre
Em 2022, o Mercado Livre passou a atender 100% dos consumidores pessoa jurídica de alta e média tensão que passaram a poder escolher seu fornecedor de energia. O mercado explodiu, as comercializadoras passaram a oferecer a energia das fontes como solar e eólica até que, ano passado, a Lei 15.269/2025 determinou que as empresas com contratos firmes são obrigadas a comprar a energia de que precisam. Mas as geradoras não são obrigadas a vender.
Curtailment
O setor que já enfrentava a questão do curtailment (quando o ONS não recebe a energia dos parques solares e eólicos) entrou em parafuso com os preços no chamado PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que passou a ter valores de referência com amplas oscilações, levando várias empresas a pedir Recuperação Judicial.
Desde janeiro
As empresas Elétron, 2W Ecobank, Tradener, Electra Comercializadora, Gold Energia, America Energia e Máxima Energia, além da Raízen Comercializadora, controlada por Cosan e Shell, pediram RJ para acender a luz sobre uma nova crise dentro do setor elétrico.
Sem entregar
O problema para as empresas que compram energia de uma comercializadora é que, sem recebê-la, precisam encontrar outro fornecedor para não parar. Elas podem judicializar a questão. Mas precisam receber a energia de alguma forma.
Maior crise
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Rodrigo Ferreira, a crise de liquidez que atinge atualmente o mercado de comercialização de energia elétrica brasileira é “a maior em 20 anos”.
“Vivemos no setor uma crise física, financeira e que poderá ocasionar uma crise judicial”, disse, ao explicar que há muitos problemas estruturais no setor elétrico, como os derivados do curtailment na geração de energia renovável, o risco hidrológico e os impactos da micro e minigeração distribuídas.
O problema
É que houve uma enorme irresponsabilidade de alguns agentes, que deram “passo maior que a perna”. Houve imprudência com a instalação de centenas de parques autorizados pela Aneel que não raro conseguiram contratar 20% de sua capacidade e tentavam vender os 80% no Ambiente Livre de Contratação (ACL).
Eletrobras
Para completar, com a privatização da Eletrobras, em 2022, um total de 20,1% da capacidade instalada nacional está concentrada no principal gerador do setor, enquanto 35% da capacidade é distribuída entre os demais grandes geradores.
Ou seja
A disponibilidade real competitiva representada pelos outros produtores de energia caiu para 45%. Assim, se a atual Axia e os grandes produtores não colocarem sua energia na prateleira, o preço tende a subir, explodindo o chamado PLD.
Governo sabendo
A crise das comercializadoras já preocupa o governo, com o Ministério de Minas e Energia temendo a judicialização da questão, como já aconteceu com os produtores de renováveis donos de quase 42% com os prejuízos do curtailment. E mais ainda com a pressão das empresas consumidoras cada vez mais pressionadas pela falta de previsibilidade dos custos da energia elétrica de que precisam.
*Fernando Castilho é jornalisra e um dos mais credenciados analistas econômicos do Brasil. Assina a coluna econômica do Jornal do Commercio.
NR - Todos os citados, pessoas físicas ou jurídicas, nos textos que publicamos, têm espaço garantido para suas manifestações.
Veneziano participa da Festa do Bode Rei em Cabaceiras e diz que evento esta melhor a cada ano
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O Senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) participou ontem sábado (06/06) da 27ª edição da Festa do Bode Rei, em Cabaceiras, considerada o maior evento da caprino ovinocultura do Cariri paraibano. Ele circulou pela estrutura da festa, cumprimentou as pessoas e concedeu entrevistas, ressaltando o que considera uma superação do evento a cada edição. A Festa do Bode Rei reúne culinária, artesanato, shows, exposição de animais e outros elementos, aproveitando as potencialidades da região e se sobressaindo economicamente, numa região de visíveis dificuldades naturais.

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“Veneziano é um Senador que tem compromisso com Cabaceiras. Nestes 27 anos de realização da Festa do Bode Rei, acho que ele esteve presente conosco em todos os anos. Isso representa, também, uma consideração que Cabaceiras tem com ele, de muito tempo, uma pessoa que está sempre aberta às reivindicações do nosso povo, da sociedade cabaceirense, com a realização deste evento. São mais de R$ 500 mil encaminhados pelo Senador para o evento e é sempre muito bom recebe-lo. Você é o nosso Senador e será sempre, o Senador de Ricardo Aires, de Tiago Castro e de todos os cabaceirenses”, afirmou o prefeito.

Exclusivo - Flávio Bolsonaro e Raquel Lyra desenharam em Brasília voto "BolsoLyra"
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Direita com Raquel
A governadora, já conta com o apoio integral do campo bolsonarista em Pernambuco. Defendem o voto em Raquel os mais assumidos bolsonaristas do Estado, como o deputado federal Mendonça Filho, o ex-prefeito de Jaboatão Anderson Ferreira, o ex-ministro Gilson Machado e os deputados Coronel Meira e Clarissa Tércio. Raquel Lyra teria prometido não atrapalhar o desempenho de Flávio no estado onde o presidente Lula nasceu. Em 2022, a governadora adotou postura semelhante, deixando de declarar apoio ao seu conterrâneo e se dizendo “independente”.
Faltam detalhes
Ainda não há confirmação se ambos subiriam no mesmo palanque. Neste final de semana, a revista Veja divulgou reportagem citando que Raquel Lyra desafia a presença de Lula no Nordeste, se colocando como um nome não alinhado ao mesmo campo político do presidente. Nas redes sociais, nomes ligados à governadora começam a investir no “BolsoLyra” como uma alternativa de pré-campanha, em claro embate contra o ex-prefeito do Recife, João Campos.
Primeiro passo
Na pauta da conversa também teria constado a possível a presença de Flávio Bolsonaro no São João de Caruaru, festa comandada por aliado direto da governadora. Ainda não se sabe se Raquel Teixeira Lyra e Flávio Bolsonaro podem aparecer juntos na festa.
Boataria solta nas redes sociais - Fake-news sobre "Rolex" de João Azevedo teriam começado na tropa de Nabor
06/06/2026
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Relógio bonito
Nas postagens, o gestor foi acusado de ostentar um artigo de alto luxo. Para rebater as críticas e as acusações de ostentação, o ex-governador publicou um vídeo em seus perfis oficiais para esclarecer a situação. Ele apresentou o relógio, destacou que o modelo é da marca Pa...
O ex-governador da Paraíba e pré-candidato ao Senado, João Azevêdo, desmentiu informações que circulavam na internet afirmando que, na abertura do São João de Campina Grande, ele usava um relógio da marca Rolex. O adereço custa entre R$ 60 mil e R$ 600 mil. O modelo que João estaria usando foi avaliado em cerca de R$ 160 mil.

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O político esclareceu que o acessório era, na verdade, da marca Pagani Design, de valor muito inferior. A polêmica ganhou força quando publicações nas redes sociais começaram a circular durante a abertura do evento "O Maior São João do Mundo", em Campina Grande.

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Boato X Boato?
Monitoramento das redes sociais identificou diversas postagens atribuindo a origem do boato do relógio de João a pessoas ligadas a Nabor Wanderley, pré-candidato ao Senado na chapa de João. Pelo sim, pelo não, o espaço de O Poder continua aberto para as versões de todos os citados.
Médicos estudam internar Bolsonaro ainda hoje
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Soluços persistentes
De acordo com relatório médico encaminhado ao STF, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem enfrentado episódios de soluços com frequência "acima da média" desde o fim de maio. O quadro se agravou nos últimos quatro dias. Os médicos optaram por manter doses elevadas de medicação específica e uma dieta de baixa acidez para conter os sintomas, mas a receita deixou de fazer efeito. Bolsonaro tem um histórico recorrente de crises de soluço (singulto) prolongadas que já exigiram internações, exames e até mesmo procedim...
Jornais como o Globo e o Correio Braziliense já deram a notícia. O Poder apurou e conseguiu confirmar com fonte fidedigna. O fato é que Jair Bolsonaro está enfrentando mais uma crise séria e constante de soluços. Isso vem acontecendo há 4 dias seguidos. A equipe médica está avaliando o quadro em tempo integral. Caso não aconteça uma melhora substancial, provavelmente Bolsonaro deve voltar ainda hoje para o hospital.
Soluços persistentes
De acordo com relatório médico encaminhado ao STF, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem enfrentado episódios de soluços com frequência "acima da média" desde o fim de maio. O quadro se agravou nos últimos quatro dias. Os médicos optaram por manter doses elevadas de medicação específica e uma dieta de baixa acidez para conter os sintomas, mas a receita deixou de fazer efeito. Bolsonaro tem um histórico recorrente de crises de soluço (singulto) prolongadas que já exigiram internações, exames e até mesmo procedimentos de bloqueio do nervo frênico.
Origem dos soluços
A condição, que costuma estar ligada a irritações no diafragma, tem sido acompanhada de perto pela equipe médica durante seu período de prisão domiciliar. O agravamento do quadro, caso não ceda, deve levar Bolsonaro de volta ao hospital entre hoje, sábado 06/06 e amanhã, domingo 07/06.
As aventuras de Cacimba 44 — A academia do juazeiro, por Zé da Flauta*
06/06/2026
Não tinha lousa, nem giz, nem tese de doutorado. Havia apenas o chão de terra batida e a voz mansa do velho, que falava sobre a vida, o tempo e a liberdade como se estivesse conversando com os antigos filósofos da Grécia.
A cada semana, o círculo aumentava. O que começou com três ou quatro desocupados virou romaria: vinha o agricultor com as mãos calejadas, a dona de casa com o avental ainda sujo de farinha e até os jovens que antes só queriam saber de radiola.
Simão, com seus óculos redondos na ponta do focinho, sentava-se num galho baixo com sua pastinha de couro, como um secretário acadêmico anotando o crescimento daquela faculdade sem teto.
'Sebastião se encarregava de estender o chapéu de palha no chão, não para recolher moedas, mas para receber as perguntas que o povo escrevia em pedaços de papel de embrulho.
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O anfiteatro de Cacimba era a sombra generosa de um velho juazeiro, bem ali na margem da praça central.
Não tinha lousa, nem giz, nem tese de doutorado. Havia apenas o chão de terra batida e a voz mansa do velho, que falava sobre a vida, o tempo e a liberdade como se estivesse conversando com os antigos filósofos da Grécia.
A cada semana, o círculo aumentava. O que começou com três ou quatro desocupados virou romaria: vinha o agricultor com as mãos calejadas, a dona de casa com o avental ainda sujo de farinha e até os jovens que antes só queriam saber de radiola.
Simão, com seus óculos redondos na ponta do focinho, sentava-se num galho baixo com sua pastinha de couro, como um secretário acadêmico anotando o crescimento daquela faculdade sem teto.
'Sebastião se encarregava de estender o chapéu de palha no chão, não para recolher moedas, mas para receber as perguntas que o povo escrevia em pedaços de papel de embrulho.
O sucesso daquela filosofia de rastro de jumento, no entanto, azedou o estômago das autoridades.
No terceiro domingo de praça cheia, enquanto a igreja matriz amargava bancos vazios e o comércio da prefeitura parecia um deserto, o Prefeito Anselmo e o Padre Teodoro apareceram escoltados pelo Delegado Alceu.
O prefeito, com um lenço perfumado no nariz para aplacar o cheiro de suor do povo, estendeu um papel timbrado com fúria. "Acabou a palhaçada, Cacimba! O espaço é público, mas a ordem é privada. Cadê o alvará? Falta de autorização da municipalidade!
Quem quiser ouvir heresia e conversa fiada que vá pagar taxa ou se recolha!", esbravejou o político, enquanto o padre assentia com a cabeça, camuflando a inveja do juazeiro que lotava mais que as suas missas sob o pretexto de "zelar pela doutrina e pela ordem civil".
O povo ensaiou uma revolta, os jornalistas da capital, que ainda rondavam a cidade — levantaram os microfones, mas Cacimba apenas sorriu, aquele sorriso calmo de quem já viu o sol nascer e morrer milhares de vezes.
Ele se levantou devagar, espanou a poeira da calça remendada e olhou nos olhos do prefeito e do vigário.
"O homem bota preço na sombra, bota carimbo no vento e acha que é dono do pensamento", disse o Cacimba, com uma serenidade que doeu mais que uma chibatada.
"Se a lei do papel de vocês diz que a busca pela verdade precisa de licença do cartório, eu entrego a praça. A sabedoria não mora na madeira do juazeiro, meus irmãos. Ela mora na pergunta que vocês vão levar para casa hoje."

O desfecho, porém, foi o golpe mais profundo que a vaidade daquela cidade já levou.
Em vez de protestar, Cacimba caminhou até o chapéu de palha, pegou um punhado daqueles papéis com as dúvidas do povo e olhou para o prefeito e para o vigário.
"O senhor quer um alvará para a busca da verdade, Prefeito?
E o senhor, Padre, quer carimbar a fé que nasce fora da sua parede de cal?", questionou o filósofo, a voz mansa cortando o silêncio como navalha.
"Pois bem. Digam-me os senhores, que tudo legislam: qual é o imposto que se paga pelo arrependimento de um homem?
Qual é a autorização necessária para que a compaixão entre no peito de quem não tem o que comer?
Se os senhores tiverem essas licenças assinadas, eu pago a taxa agora." Diante do gaguejar confuso das duas autoridades, que se olharam com as bochechas vermelhas de vergonha, Cacimba soltou os papéis no vento, deixando que as dores do povo voassem livres sobre a praça.
Ele pegou seu pífano, entregou a Simão a pastinha vazia e começou a se afastar a passos lentos pela estrada de terra que saía de Carnaúba Seca, seguido apenas pelos seus dois macaquinhos.
O silêncio estarrecido da multidão foi quebrado pelo choro copioso de Dona Lurdes, a benzedeira, que caiu de joelhos na poeira ao perceber que a cidade tinha expulsado a única alma que escutava suas misérias sem cobrar dízimo ou prometer voto.
O prefeito e o padre ficaram estáticos, sós no meio da praça esvaziada, segurando um alvará inútil que parecia pesar uma tonelada, enquanto as notas dilacerantes e tristes do pífano de Cacimba iam sumindo na poeira do horizonte, deixando Carnaúba Seca rica de leis e decretos, mas completamente órfã de alma.
*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.

Forças russas interceptaram 25 drones na madrugada deste sábado (6)
06/06/2026
Drozdenko anunciou que as operações de combate continuam na região de Leningrado. Na quarta-feira (03/06), durante a abertura do Fórum de São Petersburgo, drones ucranianos atingiram uma instalação petrolífera e uma instalação militar próxima, recebendo convidados com fumaça preta.
Fórum acaba hoje
O prefeito Sergei Sobyanin informou, por meio de postagem na rede social Telegram, que mais oito drones ucranianos foram interceptados na madrugada de sábado enquanto se dirigiam a Moscou. A cúpula do fórum, que reúne altos funcionários russos e estrangeiros, se encerra hoje.
A Ucrânia intensificou recentemente os ataques com drones em territórios ocupados...
Forças russas interceptaram 25 drones na madrugada deste sábado (06/06) perto de São Petersburgo, cidade que sedia um fórum econômico. O governador regional Aleksandr Drozdenko confirmou o abate dos drones na região de Leningrado, enquanto a tensão militar persiste na área.
Drozdenko anunciou que as operações de combate continuam na região de Leningrado. Na quarta-feira (03/06), durante a abertura do Fórum de São Petersburgo, drones ucranianos atingiram uma instalação petrolífera e uma instalação militar próxima, recebendo convidados com fumaça preta.
Fórum acaba hoje
O prefeito Sergei Sobyanin informou, por meio de postagem na rede social Telegram, que mais oito drones ucranianos foram interceptados na madrugada de sábado enquanto se dirigiam a Moscou. A cúpula do fórum, que reúne altos funcionários russos e estrangeiros, se encerra hoje.
A Ucrânia intensificou recentemente os ataques com drones em territórios ocupados e contra a Rússia. Essa ação ocorre em retaliação aos bombardeios diários que atingem Moscou em território russo.
— Com Agências Internacionais de Notícias
Anatel prorroga até 2028 prazo para brasileiros bloquearem chamadas de telemarketing em seus telefones
06/06/2026
O objetivo da Anatel é diminuir o incômodo ao consumidor com essas constantes ligações. Os números da Agência apontam que a fiscalização impediu que cerca de 247 bilhões de chamadas indesejadas chegassem aos consumidores nos últimos quatros anos.
Impedimento para ligar
Pela regra, as empresas responsáveis por mais de 100 mil chamadas curtas por dia e que tenham mais de 85% das ligações encerradas em até seis segundos ficam impedidas de fazer novas c...
O fato acontece todos os dias com muitas pessoas: o consumidor atende o telefone e uma voz robótica anuncia algum produto surge do outro lado. Ou pior, a ligação fica simplesmente muda. Essa prática incômoda de empresas de telemarketing é um dos maiores transtornos enfrentados pelos consumidores de telefonia no Brasil. Por isso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou que foi prorrogado o prazo para os usuários bloquearem as chamadas indesejadas até 31 de outubro de 2028.
O objetivo da Anatel é diminuir o incômodo ao consumidor com essas constantes ligações. Os números da Agência apontam que a fiscalização impediu que cerca de 247 bilhões de chamadas indesejadas chegassem aos consumidores nos últimos quatros anos.
Impedimento para ligar
Pela regra, as empresas responsáveis por mais de 100 mil chamadas curtas por dia e que tenham mais de 85% das ligações encerradas em até seis segundos ficam impedidas de fazer novas chamadas por 15 dias.
A superintendente de Relações com Consumidores da Anatel, Cristiana Camarate, afirmou que a prorrogação do prazo — que iria se encerrar agora — permitirá uma melhor adaptação do mercado.
Mais de mil empresas bloqueadas
“Já bloqueamos mais de mil empresas que descumpriram esta regra. Mas o que a gente observa é que há também uma quantidade grande de empresas que têm buscado se adaptar e, quando elas têm a informação de que serão bloqueadas, elas podem inclusive procurar a Anatel e assinar conosco um termo de compromisso dizendo que adotarão melhores práticas”, ressaltou.
Em 2019, a Anatel lançou a plataforma intitulada ‘Não me Perturbe’. Com ela, é possível que o usuário se cadastre e informe o número de telefone que deseja realizar o bloqueio, além do anunciante para o qual não deseja receber mais chamadas.
De telecomunicações a bancos
A lista de empresas que podem ser bloqueadas inclui prestadoras de serviços de telecomunicações, como TV por assinatura e internet, além de instituições financeiras.
O bloqueio acontece após 30 dias a partir da solicitação. O cadastro é gratuito e pode ser feito através do site ‘não me perturbe’.
— Com informações de Agências de Notícias e da Anatel
APL promove, segunda (8), conferência do professor Rômulo Menezes sobre agricultura sustentável
06/06/2026
Perfil
O professor Rômulo Menezes possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1992), mestrado em Soil Fertility - University of Georgia (1995) e doutorado em Soil and Crop Sciences - Colorado State University (1999). Atualmente é Chefe e Professor Associado do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco. É docente do curso de Engenharia de Energia e do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Energéticas e Nucleares (Proten-UFPE), onde lidera o Grupo de Pesquisa em Energia da Biomassa e coordena a Biorrefinaria Experimental de Resíduos Sólidos Orgânicos (Berso). Desde 2018, atua como vice-...
A Academia Pernambucana de Letras (APL) promove, na próxima segunda-feira (08/06), uma conferência especial do professor Rômulo Menezes sobre a agricultura sustentável na caatinga. No evento, ele abordará a integração de saberes tradicionais e tecnologias digitais que ajudam a melhorar a vida do sertanejo.
Perfil
O professor Rômulo Menezes possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1992), mestrado em Soil Fertility - University of Georgia (1995) e doutorado em Soil and Crop Sciences - Colorado State University (1999). Atualmente é Chefe e Professor Associado do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco. É docente do curso de Engenharia de Energia e do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Energéticas e Nucleares (Proten-UFPE), onde lidera o Grupo de Pesquisa em Energia da Biomassa e coordena a Biorrefinaria Experimental de Resíduos Sólidos Orgânicos (Berso). Desde 2018, atua como vice-coordenador do Observatório Nacional da Dinâmica da Água e Carbono no Bioma Caatinga (ONDACBC). Além disso, tem experiência nas áreas de Agronomia e Ecologia de Ecossistemas e trabalha em pesquisas de longo prazo sobre ciclagem biogeoquímica na região Nordeste do Brasil, incluindo o uso de técnicas isotópicas, modelagem e sensoriamento remoto. Tem interesse no desenvolvimento de sistemas sustentáveis de produção agropecuária e na produção e aproveitamento de biomassa para fins energéticos.

Reflexão e conhecimento
O evento, conforme os coordenadores, é dedicado à reflexão, ao conhecimento e ao diálogo com o público interessado no tema, tão precioso para o estado de Pernambuco. Será realizado a partir das 15h, na sede da APL, localizada na Avenida Rui Barbosa, bairro das Graças. A entrada é gratuita.
UE oficializa exclusão do Brasil da lista de países que regulam antimicrobianos na pecuária a partir de setembro
06/06/2026
Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento. Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Agora, o país aparece excluído da lista de todos esses produtos. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados a exportar para a UE.
Falta de informações
Segundo o documento publicado ontem, o país não apresentou informações exigidas pela Comissão Europeia que garantem que a carne e outros prod...
A União Europeia (UE) publicou, nesta sexta-feira (05/06), um documento oficializando a sua decisão de excluir o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com isso, o Brasil fica proibido de exportar carne para o bloco a partir de 3 de setembro deste ano.
Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento. Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Agora, o país aparece excluído da lista de todos esses produtos. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados a exportar para a UE.
Falta de informações
Segundo o documento publicado ontem, o país não apresentou informações exigidas pela Comissão Europeia que garantem que a carne e outros produtos de origem animal do Brasil cumprem os requisitos da UE sobre antimicrobianos. Quando o bloco anunciou a sua decisão, no início de maio, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil pode voltar à lista assim que comprovar os requisitos exigidos.
O governo brasileiro, por sua vez, disse, na época, que estava surpreso com a decisão e que iria negociar. O Itamaraty e os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento não se posicionaram ainda sobre como estão as negociações sobre o tema para que o Brasil volte a ser incluído na lista.
Outros países removidos
Outros três países também foram removidos da lista da UE, mas por outro motivo. Afirmaram não terem mais interesse em exportar produtos para o bloco. É o caso da Austrália, para ovos; da Ucrânia, para coelhos; e das Ilhas Malvinas, para produtos de aquicultura.
Por outro lado, a UE inclui 21 países e territórios na lista. São eles, Armênia, Burkina Faso, Benin, Brunei, Belize, Guernsey, Índia, Indonésia, Irã, Quênia, República do Quirguistão, Sri Lanka, Ilhas Maurício, Nigéria, Sérvia, Essuatíni, Tunísia, Tanzânia, Uganda, Uzbequistão e Wallis e Futuna.
Caminhos para o Brasil
O Brasil foi o único país que saiu da lista por não apresentar informações exigidas pela UE. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho. Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso desses medicamentos ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.
Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro.
Possibilidade era aventada desde 2019
Apesar de pecuaristas e representantes do governo reiterarem que as negociações para mudar essa posição estão em curso, técnicos agropecuários do Ministério da Agricultura ressaltaram que já se sabia que a UE planejava essas restrições desde 2019.
A UE consiste no terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado, depois de China e Estados Unidos, segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Para carnes em geral, o bloco é o segundo maior mercado, atrás da China.
— Com Agências de Notícias