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Ética médica em tempos de trincheira, por Jorge Henrique de Freitas Pinho*

16/01/2026

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Quando a polarização tenta colonizar o cuidado

A civilização começa quando o cuidado resiste à vingança.

1. Introdução — quando o cuidado deixa de ser silencioso

A ética médica sempre pertenceu a uma zona anterior à disputa. Antes do Estado, da ideologia e da linguagem política, o cuidado surgiu como resposta imediata ao sofrimento humano. O corpo ferido e a dor concreta impunham um silêncio ético que suspendia julgamentos, identidades e culpas. Cuidar não era concordar. Era reconhecer um limite civilizacional.

Esse silêncio, porém, vem sendo rompido.

A polarização esquerda-direita deixou de ser apenas um conflito de ideias para se tornar uma gramática moral totalizante. Ela já não organiza apenas o debate público ou a leitura da história, mas pretende colonizar campos que lhe eram estranhos, exigindo que tudo escolha lado, inclusive a ética. Nesse ambiente, a medicina começa a ser pressionada a justificar não a...

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Quando a polarização tenta colonizar o cuidado

A civilização começa quando o cuidado resiste à vingança.

1. Introdução — quando o cuidado deixa de ser silencioso

A ética médica sempre pertenceu a uma zona anterior à disputa. Antes do Estado, da ideologia e da linguagem política, o cuidado surgiu como resposta imediata ao sofrimento humano. O corpo ferido e a dor concreta impunham um silêncio ético que suspendia julgamentos, identidades e culpas. Cuidar não era concordar. Era reconhecer um limite civilizacional.

Esse silêncio, porém, vem sendo rompido.

A polarização esquerda-direita deixou de ser apenas um conflito de ideias para se tornar uma gramática moral totalizante. Ela já não organiza apenas o debate público ou a leitura da história, mas pretende colonizar campos que lhe eram estranhos, exigindo que tudo escolha lado, inclusive a ética. Nesse ambiente, a medicina começa a ser pressionada a justificar não apenas como cuida, mas por que cuida, e a quem concede dignidade.

Quando isso ocorre, a ética deixa de ser fundamento e passa a ser instrumento.
A medicina, que deveria operar como espaço de suspensão da disputa, passa a ser observada por tribunais simbólicos que perguntam menos pela condição clínica do paciente e mais por sua identidade política, seu histórico público ou sua utilidade narrativa. O cuidado torna-se ruidoso, vigiado e moralmente administrado.

Esse deslocamento não é trivial. Ele sinaliza uma inflexão profunda: quando a ética médica precisa perguntar quem é o paciente antes de decidir como tratá-lo, algo essencial já foi perdido. Substitui-se a pergunta sobre o sofrimento pela pergunta sobre a filiação. E toda vez que isso acontece, a civilização se afasta um passo da ética e se aproxima, ainda que bem-intencionada, da barbárie.

2. A ética antes da política: o nascimento civilizacional do cuidado

A ética médica não nasce da política. Ela a antecede. Surge no ponto exato em que a vida humana se apresenta frágil demais para ser tratada como meio, argumento ou exemplo. Antes que existissem Estados, partidos ou programas ideológicos, já havia o gesto elementar de cuidar, não como ato de concordância moral, mas como reconhecimento de um limite que nenhuma causa pode atravessar sem se desfigurar.

Esse dado é frequentemente esquecido porque a política moderna se habituou a falar em nome de tudo. Mas há esferas que não lhe pertencem. O corpo doente é uma delas. Nele, a abstração cede lugar à urgência, e a biografia moral perde centralidade diante da evidência do sofrimento. A ética médica nasce exatamente dessa suspensão provisória do juízo, desse intervalo em que a pergunta não é quem o outro foi, mas o que a condição humana exige naquele instante.

Por isso, a tentativa de submeter o cuidado a critérios ideológicos representa uma inversão grave. Quando a política passa a determinar os contornos da compaixão, a ética deixa de ser princípio e se converte em extensão do poder. O cuidado deixa de ser resposta ao sofrimento e passa a funcionar como validação simbólica de pertencimento.
Não se trata de negar a existência do conflito político nem de idealizar a neutralidade. Trata-se de reconhecer que há um patamar anterior ao conflito, sem o qual nenhuma sociedade se sustenta. A ética médica ocupa esse patamar. Ela não absolve, não condena, não legitima nem combate. Ela cuida.

Quando essa ordem se inverte, quando a política reivindica precedência sobre a ética, o que se perde não é apenas a integridade da medicina, mas o próprio sentido de civilização. Pois toda civilização começa quando aceita que há limites que nem mesmo as causas mais justas estão autorizadas a ultrapassar.

3. Polarização e colonização moral: quando tudo vira identidade

A polarização contemporânea já não opera apenas como divergência política. Ela se tornou uma lógica de ocupação total do mundo. Tudo passa a ser interpretado como sinal de pertencimento ou traição, e nenhuma esfera permanece imune à exigência de alinhamento. Ideias, gestos, silêncios e até princípios passam a ser lidos não pelo que são, mas pelo lado que supostamente favorecem.

Nesse ambiente, a ética deixa de funcionar como critério e passa a operar como marcador identitário.

A política, quando absolutizada, não tolera zonas neutras. Ela transforma valores em bandeiras e virtudes em instrumentos de disputa. O que antes era princípio torna-se senha; o que era limite converte-se em arma simbólica. A moral já não orienta a ação, apenas legitima o grupo. E aquilo que não se deixa capturar por essa lógica é imediatamente suspeito.

É assim que o cuidado, por natureza silencioso e anterior à disputa, passa a ser interpretado como gesto político. Tratar alguém deixa de ser um dever ético para se tornar uma declaração ideológica. A compaixão é escrutinada, vigiada e, em certos casos, denunciada como cumplicidade. Não importa mais o sofrimento concreto, mas o lugar simbólico que o sofredor ocupa no tabuleiro moral do momento.

Esse processo é corrosivo porque dissolve a distinção entre princípios universais e estratégias de poder. Quando tudo vira identidade, nada mais é verdadeiramente ético. Há apenas escolhas tribais disfarçadas de virtude. A humanidade deixa de ser um dado comum e passa a ser um atributo concedido ou retirado conforme a narrativa dominante.

A colonização moral operada pela polarização não empobrece apenas o debate público. Ela rebaixa a própria ideia de ética, transformando-a em extensão da trincheira. E toda vez que isso ocorre, o humano deixa de ser o ponto de partida e passa a ser apenas mais um recurso disponível na disputa pelo sentido.

4. Quando o chicote muda de mão: o poder moral e a tentação da impiedade

A história ensina que a crueldade não pertence a uma ideologia específica, mas a uma disposição humana que emerge sempre que o poder se acredita moralmente absolvido. Ainda assim, há um traço recorrente nos movimentos que se apresentam como portadores do bem: quando deixam a condição de crítica e assumem posições de autoridade, tendem a ser mais severos, pois já não se veem apenas como governantes, mas como agentes de correção do mundo.

É nesse ponto que a polarização contemporânea revela sua face mais perigosa.

Parte significativa da esquerda atual não opera apenas como força política, mas como instância moral superior. Não se limita a disputar projetos ou ideias; pretende definir quem é digno de voz, de cuidado e, em certos casos, de humanidade. Quando esse campo passa a influenciar instituições, discursos e mecanismos de legitimação simbólica, a punição deixa de ser apenas jurídica ou política e assume caráter pedagógico: não se corrige a conduta, expurga-se o sujeito; não se julga o ato, neutraliza-se o símbolo.

Esse processo se agrava porque a impiedade se apresenta sob linguagem virtuosa. A perseguição é chamada de zelo democrático. A exclusão, de defesa da humanidade. A negação de direitos, de proteção do bem comum. O indivíduo concreto desaparece, substituído pela figura abstrata do inimigo moral que precisa ser contido para que a narrativa permaneça intacta.

Quando essa lógica invade a ética médica, o risco se multiplica. O cuidado passa a ser condicionado não apenas por critérios técnicos, mas por juízos morais totalizantes. O paciente deixa de ser alguém que sofre e passa a representar aquilo que deve ser combatido. O sofrimento perde seu poder de suspender o ódio. E a medicina, que deveria ser último reduto do humano, converte-se em extensão da disputa.

Reconhecer

Não se trata de absolver abusos cometidos por outros campos ideológicos nem de recorrer a simetrias fáceis. Trata-se de reconhecer um dado recorrente da experiência histórica: o poder que se acredita moralmente puro tende a ser mais impiedoso, porque não admite limites. Quando o chicote muda de mão acompanhado da convicção de superioridade ética, a violência já não se reconhece como tal. Ela se chama justiça.

E toda vez que isso ocorre, a ética deixa de proteger o humano para servir à causa. A barbárie, então, não se anuncia com brutalidade explícita, mas com intenções nobres, linguagem elevada e a certeza tranquila de que tudo o que se faz, por mais duro que seja, é feito em nome do bem.

5. A falácia da ética condicionada: quando a dignidade se torna prêmio

Há um ponto em que a ética deixa de ser ética sem que isso seja imediatamente percebido. Ocorre quando ela passa a depender de condições externas ao próprio princípio que afirma defender. Quando a dignidade humana já não é reconhecida como dado ontológico, mas concedida como recompensa simbólica, a ética se transforma em instrumento de gestão moral.

Essa é a falácia da ética condicionada.

Segundo essa lógica, não basta ser humano para merecer cuidado. É preciso antes preencher requisitos implícitos: aderir à narrativa correta, ocupar o lugar certo no mapa moral do tempo, não representar aquilo que a causa definiu como intolerável. O sofrimento deixa de ser critério suficiente. A dor passa a ser filtrada por juízos prévios. E a compaixão, antes de se manifestar, pede autorização à ideologia.

O problema dessa operação não está apenas em sua injustiça, mas em sua incoerência profunda. Uma ética que seleciona destinatários já não é ética; é estratégia. Direitos que dependem de alinhamento deixam de ser direitos e se convertem em favores revogáveis. O humano, então, perde sua centralidade e passa a valer apenas enquanto confirma a narrativa dominante.

Essa falácia costuma se apresentar sob linguagem elevada. Fala-se em responsabilidade histórica, em proteção da democracia, em defesa de valores maiores. Mas o mecanismo é sempre o mesmo: substituir o princípio pelo critério, o universal pelo circunstancial, a dignidade pelo merecimento. A ética deixa de limitar o poder e passa a justificá-lo.

Quando esse raciocínio alcança a ética médica, suas consequências são particularmente graves. O cuidado, que deveria ser resposta imediata ao sofrimento, passa a ser avaliado à luz de considerações morais externas à prática médica. O paciente já não é visto apenas como alguém que necessita de atenção, mas como alguém que precisa ser julgado antes de ser tratado. O silêncio ético que protegia o cuidado é rompido por uma triagem simbólica.

A dignidade humana, porém, não admite adjetivos nem condicionantes sem se autodestruir. Ou ela vale para todos, inclusive para aqueles que nos repugnam, ou não vale como princípio. Toda vez que se aceita relativizá-la em nome de uma causa, abre-se a porta para que outras causas façam o mesmo. E, nesse ponto, a ética já não protege o humano; apenas organiza a exclusão com aparência de virtude.

6. Entre o tribunal da opinião e o silêncio do cuidado: o último reduto do humano

O médico contemporâneo passou a atuar sob dupla pressão. De um lado, a exigência técnica, que permanece inegociável. De outro, um tribunal difuso, informal e implacável, formado pela opinião pública militante, pelas redes sociais e por narrativas morais que julgam não apenas o resultado do cuidado, mas a intenção atribuída a quem cuida. Nesse ambiente, tratar deixa de ser um gesto profissional e passa a ser interpretado como tomada de posição.

Essa mudança é profunda e perigosa.

A medicina sempre operou em um espaço de contenção simbólica. Ali, o juízo moral era suspenso em favor da urgência humana. O sofrimento funcionava como limite intransponível. Hoje, porém, esse limite vem sendo corroído. O cuidado é observado, vigiado e reinterpretado à luz de disputas que lhe são externas. Pergunta-se menos se o tratamento é adequado e mais se ele é moralmente aceitável dentro da narrativa dominante.

Quando isso acontece, o médico deixa de ser guardião do cuidado e passa a ser réu potencial. A ética, em vez de protegê-lo, é instrumentalizada para constrangê-lo. O silêncio necessário à prática médica cede lugar ao ruído do julgamento permanente. E o corpo do paciente, que deveria ser centro, transforma-se em campo simbólico de disputa.

É nesse ponto que a ética sem adjetivos se revela como último reduto do humano. Não uma ética neutra, mas uma ética consciente de seus limites. Não uma ética indiferente, mas uma ética que se recusa a servir como arma. O cuidado não absolve, não legitima, não endossa. Ele apenas cuida. E exatamente por isso sustenta a civilização.

Quando a medicina aceita ser colonizada pelo tribunal da opinião, ela abdica de sua função mais alta. Quando resiste, preserva algo que vai além da técnica: preserva a ideia de que há esferas da vida humana que não podem ser submetidas à lógica da vingança moral sem que tudo o mais se perca.

Essa tensão não é apenas médica. Ela é civilizacional. Pois a maneira como uma sociedade trata aqueles que considera indignos revela não sua força, mas seus limites. E é a partir desse ponto que se impõe a pergunta final: o que ainda estamos dispostos a preservar quando tudo exige alinhamento, julgamento e punição?

7. Conclusão — onde a ética ainda resiste

A ética médica permanece como um dos últimos espaços onde a civilização pode se reconhecer sem máscaras. Não porque seja perfeita, mas porque impõe limites. Ela lembra que há sofrimentos que não admitem juízo, dores que não pedem autorização ideológica e cuidados que não podem ser negociados em nome de causas, por mais nobres que se apresentem.

Quando a polarização tenta colonizar o cuidado, o que está em jogo não é apenas a prática médica, mas a própria ideia de humanidade compartilhada. Uma sociedade que pergunta quem o paciente é antes de decidir como tratá-lo já iniciou um processo silencioso de desumanização. Pode chamá-lo de zelo democrático, responsabilidade histórica ou justiça simbólica. O efeito, porém, é sempre o mesmo: a dignidade deixa de ser princípio e passa a ser exceção.

A ética, quando verdadeira, não escolhe lados. Escolhe limites. Não absolve nem condena. Suspende. Protege. Resiste. É precisamente essa resistência que a torna incômoda em tempos de trincheira, pois ela lembra que nem tudo pode ser reduzido a narrativa, identidade ou punição exemplar.

Defender uma ética médica sem adjetivos não é neutralidade covarde. É compromisso civilizacional. É afirmar que, mesmo quando o mundo exige alinhamento, ainda há espaços onde o humano deve permanecer anterior à política. Se esses espaços forem perdidos, não será a medicina a adoecer primeiro. Será a própria sociedade, que já não saberá distinguir justiça de vingança, nem cuidado de poder.

7. Pós-escrito — quando a narrativa substitui a humanidade

O ensaio que antecede trata de princípios. O Pós-escrito trata de fatos e de personagens.

Este Pós-escrito opta deliberadamente por nomear personagens públicos. Não por personalismo, nem por ajuste de contas, mas por uma razão histórica elementar: a ética se manifesta em fatos concretos, praticados por agentes reais, em contextos determinados. Textos que recusam os nomes em nome de uma abstração excessiva condenam o leitor futuro à arqueologia interpretativa e enfraquecem o próprio juízo moral que pretendem sustentar.

A história não se escreve apenas com estruturas. Escreve-se com homens.
Durante a pandemia, um recorte específico de um discurso do então presidente Jair Bolsonaro, retirado de seu contexto e repetido exaustivamente, foi convertido em prova moral definitiva de desumanidade. Esse fragmento passou a operar não como documento histórico, mas como sentença simbólica. A partir dele, construiu-se uma narrativa impermeável a fatos posteriores, revisões, nuances ou correções.

Pouco importou que vacinas tenham sido posteriormente disponibilizadas à população, que políticas públicas tenham sido implementadas ou que hoje esteja comprovado que parte da grande imprensa inflou, manipulou ou tratou números de mortos como instrumento político, como se a totalidade das consequências pudesse ser imputada pessoalmente ao governo. A narrativa já havia cumprido sua função central: desumanizar o personagem. E, uma vez desumanizado, tudo se torna permitido.
Esse método revela seus efeitos no presente.

Hoje, Jair Bolsonaro encontra-se preso, idoso e com histórico médico amplamente conhecido. A postergação de seu direito a tratamento médico adequado vem sendo tratada por parte significativa da opinião pública com indiferença, ironia ou aprovação explícita. Tal postura encontra respaldo institucional em decisões e condutas associadas ao ministro Alexandre de Moraes, que não esconde a lógica exemplar de sua atuação penal: não apenas punir, mas demonstrar poder, produzir temor e oferecer o corpo do réu como advertência simbólica.

Esse comportamento deveria causar indignação universal. Mas não causa.
O contraste moral torna-se ainda mais evidente quando se observa a assimetria de reações. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma queda recente e bateu a cabeça, não houve, salvo exceções marginais, ironia, escárnio ou desejo de morte por parte dos veículos e vozes associadas à direita. Houve silêncio respeitoso e reconhecimento da fragilidade humana. O corpo ferido voltou a ser limite.
O mesmo não ocorreu em sentido inverso.

Quando Jair Bolsonaro sofreu uma tentativa de assassinato em 2018, publicamente documentada, o próprio Lula afirmou tratar-se de fingimento. A violência física foi dissolvida em cinismo narrativo. A dor foi deslegitimada. O corpo deixou de ser limite e passou a ser instrumento retórico. O mesmo padrão reaparece quando quedas, enfermidades ou fragilidades do adversário são tratadas com sarcasmo por jornalistas, comentaristas e formadores de opinião alinhados ao campo moral dominante.

Aqui não se trata de santificar Bolsonaro nem de demonizar Lula. Trata-se de registrar uma diferença objetiva de postura diante do sofrimento físico do adversário político. Esse é um critério ético simples e implacável. Quem preserva o silêncio respeitoso diante da vulnerabilidade humana mantém fidelidade ao princípio. Quem responde com ironia revela que a ética já foi substituída pela narrativa.

O ponto central, contudo, não é nenhum desses nomes isoladamente. É o precedente histórico que eles ajudam a revelar.

Quando a humanidade deixa de ser princípio e passa a depender da posição política do indivíduo, ninguém está protegido. Hoje o método recai sobre Jair Bolsonaro. Amanhã, poderá recair sobre qualquer outro cidadão que ocupe o lugar errado no momento errado, diante de uma composição específica do Supremo Tribunal Federal que confunde justiça com pedagogia do medo.

A história

A história mostra que a desumanização não começa com a violência explícita. Ela começa com a suspensão seletiva da empatia, com a crença confortável de que “desta vez é diferente”, com a ideia de que o sofrimento do outro é exceção justificável.

Quando uma sociedade aceita que alguém seja tratado de forma desumana porque “merece”, ela já abriu mão do critério que a protegia. E quando percebe, tarde demais, descobre que a ética que deixou de defender não era um favor ao adversário político, mas a última garantia de si mesma.

(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

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Lula defende soberania do país e diz que convidará Trump para “fazer um pix e testar eficiência do sistema brasileiro”

05/09/2026

Durante ato político realizado neste sábado (05/09) em São José do Rio Preto (SP), o presidente Lula disse que o presidente norte-americano, Donald Trump, deveria fazer um pix, para ver como a ferramenta é eficiente. A ironia de Lula aconteceu enquanto ele reclamou dos constantes ataques dos EUA e fez uma defesa da importância da soberania do país.

Lula também afirmou que, se reeleito, vai querer que o Brasil tenha sua própria inteligência artificial (IA). “Agora nós vamos querer dominar essa história de Inteligência Artificial. Eu não quero ficar dependendo da China nem dos Estados Unidos. Nós queremos Inteligência Artificial em português”, frisou.

81ª Assembleia da ONU

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Lula, que cumpre agenda políti...

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Durante ato político realizado neste sábado (05/09) em São José do Rio Preto (SP), o presidente Lula disse que o presidente norte-americano, Donald Trump, deveria fazer um pix, para ver como a ferramenta é eficiente. A ironia de Lula aconteceu enquanto ele reclamou dos constantes ataques dos EUA e fez uma defesa da importância da soberania do país.

Lula também afirmou que, se reeleito, vai querer que o Brasil tenha sua própria inteligência artificial (IA). “Agora nós vamos querer dominar essa história de Inteligência Artificial. Eu não quero ficar dependendo da China nem dos Estados Unidos. Nós queremos Inteligência Artificial em português”, frisou.

81ª Assembleia da ONU

O petista discursará na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU em 22 de setembro., ocasião em que sua equipe se articula para que consiga ter um encontro a portas fechadas com o presidente norte-americano.

Lula, que cumpre agenda política em São Paulo ao longo do dia, também participou de vários atos ao lado do candidato petista ao governo do estado, seu ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.

Ele, porém, evitou mencionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também não falou na crise institucional que atinge a principal Corte do Judiciário brasileiro.

— Com Agências de Notícias




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Flávio visita ex-assessor e diz que não esquece dos “presos políticos do país”, numa referência ao pai e demais condenados por tentativa de golpe

05/09/2026

Em meio a uma chuva que cai sobre o Paraná desde a madrugada deste sábado (05/09), o candidato à presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, foi até o município de Ponta Grossa, no interior do estado para visitar o ex-assessor Filipe Martins, que está preso na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa (PR).

Flávio chegou acompanhado por apoiadores que ficaram do lado de fora da unidade prisional. A expectativa é de que a visita dure cerca de uma hora e meia. Embora a assessoria do candidato tenha classificado a agenda como “estritamente pessoal e sem caráter eleitoral”, ele viajou até Ponta Grossa acompanhado por vários aliados políticos.

Autorização de Moraes

A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena de Martins.
Acompanharam o senador o advogado Jeffrey Chiquini, que defende o ex-assessor; o senador e candidato ao...

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Em meio a uma chuva que cai sobre o Paraná desde a madrugada deste sábado (05/09), o candidato à presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, foi até o município de Ponta Grossa, no interior do estado para visitar o ex-assessor Filipe Martins, que está preso na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa (PR).

Flávio chegou acompanhado por apoiadores que ficaram do lado de fora da unidade prisional. A expectativa é de que a visita dure cerca de uma hora e meia. Embora a assessoria do candidato tenha classificado a agenda como “estritamente pessoal e sem caráter eleitoral”, ele viajou até Ponta Grossa acompanhado por vários aliados políticos.

Autorização de Moraes

A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena de Martins.
Acompanharam o senador o advogado Jeffrey Chiquini, que defende o ex-assessor; o senador e candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro; o candidato ao Senado Filipe Barros; a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt; os candidatos a deputado federal Ricardo Arruda e Rosângela Moro; e os candidatos a deputado estadual Ricardo Zampieri e Jessicão.

Ao final, o advogado de Martins, Jeffrey Chiquini, afirmou que a presença do candidato representou um gesto de defesa dos condenados no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo ele, a defesa dos chamados “presos políticos” será uma das prioridades de Flávio Bolsonaro caso ele seja eleito presidente.

O que representou a visita

“Os presos políticos não estão esquecidos. É isso que representa isso hoje”, frisou Chiquini. Para o advogado, a visita consistiu em “uma manifestação em defesa de pessoas que, em sua avaliação, foram submetidas a condenações injustas e a violações das garantias previstas na Constituição”.

Chiquini ainda citou o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que “o presidente Bolsonaro não está esquecido”, em referência ao processo que também resultou na condenação do ex-chefe do Executivo.

A visita a Martins é a única agenda pública de Flávio Bolsonaro prevista para este fim de semana. O candidato deve retomar compromissos políticos na segunda-feira (07/09), feriado da Independência do Brasil. Para a data, Flávio convocou uma mobilização com aliados na Avenida Paulista, em São Paulo.

— Com Agências de Notícias




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As aventuras de Cacimba 57 — Cacimba e a Justiça de Carnaúba Seca, por Zé da Flauta*

05/09/2026

O tempo em Carnaúba Seca andava quente, e não era só por causa do sol do meio-dia. A notícia correu feito rastro de pólvora na poeira da feira: o filho do prefeito e o gerente do Banco do Povo tinham sido pegos no pulo!

Queriam se pirar da cidade na calada da noite, com as malas recheadas de notas. Tinham metido a mão no cofre e roubado uma parte gorda do salário dos servidores municipais. A população estava numa revolta de dar medo, com o estômago vazio e o peito cheio de raiva.

O prefeito, raposa velha, não perdeu tempo. Usou o resto do dinheiro público para contratar uma junta de advogados engravatados da capital. Chegaram de carro preto, pasta de couro debaixo do braço e um linguajar bonito feito trava-língua, prontos para inventar mil desculpas e livrar a cara dos dois gatunos.

Sem dinheiro para pagar doutor de anel no dedo, o povo do sertão só tinha um nome na cabeça. Foram bater no rancho humilde de Cacimba:
— Mestre Cacimba,...

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O tempo em Carnaúba Seca andava quente, e não era só por causa do sol do meio-dia. A notícia correu feito rastro de pólvora na poeira da feira: o filho do prefeito e o gerente do Banco do Povo tinham sido pegos no pulo!

Queriam se pirar da cidade na calada da noite, com as malas recheadas de notas. Tinham metido a mão no cofre e roubado uma parte gorda do salário dos servidores municipais. A população estava numa revolta de dar medo, com o estômago vazio e o peito cheio de raiva.

O prefeito, raposa velha, não perdeu tempo. Usou o resto do dinheiro público para contratar uma junta de advogados engravatados da capital. Chegaram de carro preto, pasta de couro debaixo do braço e um linguajar bonito feito trava-língua, prontos para inventar mil desculpas e livrar a cara dos dois gatunos.

Sem dinheiro para pagar doutor de anel no dedo, o povo do sertão só tinha um nome na cabeça. Foram bater no rancho humilde de Cacimba:
— Mestre Cacimba, ajude a gente! Se esses doutores falarem bonito, a gente perde o ganho do mês e passa fome! — pediu um feirante, com o chapéu na mão.

Cacimba olhou para a tristeza daquela gente, ajeitou o chapéu de couro na cabeça e disse:
— Pois vamos. A verdade não precisa de palavra difícil, só precisa de clareza.

No dia do julgamento improvisado na delegacia, o clima azedou. Os advogados da capital começaram o show, soltando termos em latim, parágrafos e doutrinas para tentar provar que o dinheiro nas malas era "recurso sob custódia temporária".

Mas quando os doutores apontavam os dedos anelados, esbarravam nos dois companheiros de Cacimba.



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Os advogados, já bufando de raiva, tentavam bater boca com os bichos:
— Tirem esses macacos daqui! Isso é um insulto à Corte! Não há amparo jurídico na palhaçada desses animais! — gritava o chefe da banca, batendo a pasta na mesa.
Simão, de óculos na ponta do nariz, nem piscava. Folheava a caderneta, batia o dedinho exatamente no livro de caixa e mostrava a diferença de cada centavo roubado, fazendo o advogado se engasgar nas próprias palavras.
Sebastião, por sua vez, subiu na cadeira do doutor, pegou o código de leis, abriu na página do crime de peculato e deu uma batida seca com o triângulo na orelha do homem, desmascarando a mentira na frente de todo mundo.

Os advogados tentavam gritar, tentavam contra-argumentar, mas iam ficando vermelhos, desconcertados e gaguejando diante das provas escancaradas pelos macaquinhos.

Vendo os doutores sem chão, Mestre Cacimba deu um passo à frente. O silêncio na sala foi tão fundo que dava para ouvir o vento lá fora. Ele tirou o chapéu de couro, colocou sobre o peito e olhou nos olhos daqueles homens engomados:
— Os doutores estudaram anos nos livros grossos da capital para aprender a transformar a mentira em flor. Mas o saber de vocês esqueceu do principal: o pão que tá nessa mala não é número em papel, é o suor do gari que limpa a poeira da praça, é a marmita da professora que ensina as crianças a ler, é o remédio do velhinho da feira. Vocês usam o latim para cobrir a vergonha de quem rouba o fraco, mas a justiça não mora no anel de doutor. A justiça mora na verdade. E contra a verdade do trabalho desse povo, o livro de vocês é só folha seca que o vento do sertão carrega!

A fala de Cacimba bateu no peito dos advogados feito um golpe de machado. Os doutores da capital empalideceram, perderam o rumo da prosa e baixaram a cabeça, completamente fracos e sem ter o que responder diante de tamanha grandeza e emoção.

O juiz de paz bateu o martelo no mesmo instante. O Banco do Povo teve que abrir as portas de emergência e devolver, centavo por centavo, o salário roubado de cada trabalhador. Carnaúba Seca voltou a sorrir, e a noite na praça virou uma festa só!

*Zé da Flauta é músico, compositor, filósofo e escritor.



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ONU aprova resolução sobre novo mapa-múndi, para reduzir distorções surgidas ao longo do tempo

05/09/2026

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que incentiva a adoção de uma nova forma de representar o mapa-múndi. A proposta, aprovada por 164 votos, busca reduzir as distorções no tamanho dos continentes causadas por projeções cartográficas utilizadas há séculos.

A discussão envolve principalmente a projeção de Mercator, criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator para facilitar a navegação marítima. O modelo se tornou uma das representações mais conhecidas do planeta e ainda aparece em mapas, materiais educacionais e ferramentas digitais.

Um dos pontos a ser considerado é que não existe uma maneira de transformar perfeitamente uma superfície esférica, como a Terra, em uma superfície plana, como uma folha de papel ou uma tela. Toda projeção cartográfica precisa fazer algum tipo de distorção, que pode afetar o tamanho, a forma ou a localização das regiões.

Linha do Equador

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A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que incentiva a adoção de uma nova forma de representar o mapa-múndi. A proposta, aprovada por 164 votos, busca reduzir as distorções no tamanho dos continentes causadas por projeções cartográficas utilizadas há séculos.

A discussão envolve principalmente a projeção de Mercator, criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator para facilitar a navegação marítima. O modelo se tornou uma das representações mais conhecidas do planeta e ainda aparece em mapas, materiais educacionais e ferramentas digitais.

Um dos pontos a ser considerado é que não existe uma maneira de transformar perfeitamente uma superfície esférica, como a Terra, em uma superfície plana, como uma folha de papel ou uma tela. Toda projeção cartográfica precisa fazer algum tipo de distorção, que pode afetar o tamanho, a forma ou a localização das regiões.

Linha do Equador

Na projeção de Mercator, a distorção aumenta à medida que uma região se afasta da linha do Equador. Assim, áreas próximas aos pólos aparecem maiores do que realmente são, enquanto regiões próximas ao Equador parecem proporcionalmente menores.

É por isso que a África, por exemplo, pode parecer ter dimensões semelhantes às da Groenlândia, embora o continente africano seja cerca de 14 vezes maior. Até a aprovação do novo modelo pela ONU, haviam duas versões mais disseminadas de mapa-múndi: a projeção de Mercator (a mais comum e mais conhecida) e a projeção de Gall-Peters. Cada uma tinha escalas próprias.

Plano prático de navegação

Criada em 1569, a projeção de Mercator foi desenvolvida para resolver um problema prático da navegação. Ela permite que os navegadores mantenham determinadas direções no mapa de acordo com a bússola, o que ajudou a explicar sua ampla utilização ao longo dos séculos.

Para conseguir isso, porém, o modelo distorce progressivamente o tamanho das regiões conforme elas se afastam do Equador. Os meridianos, que na realidade se encontram nos polos, aparecem como linhas paralelas e igualmente espaçadas no mapa. Por isso, a projeção de Gall-Peters surgiu como uma alternativa que prioriza a representação proporcional do tamanho das áreas. Ela foi desenhada originalmente pelo escocês James Gall, em 1855, e difundida décadas depois pelo historiador alemão Arno Peters.

Proporções próximas das reais

Nesse modelo, os continentes aparecem com proporções de área mais próximas das reais. A principal diferença visual em relação à Mercator é que regiões que pareciam relativamente grandes no mapa tradicional, como a Europa, passam a ocupar uma área menor, enquanto a África aparece significativamente maior.

Isso não significa, porém, que Gall-Peters seja uma representação perfeita do planeta. Assim como qualquer projeção, ela é uma tentativa de representar uma superfície curva em uma superfície plana e, portanto, envolve outras distorções.

Conforme informaram cientistas, para além disso, a diferença entre os mapas não significa que haja um "certo" e o outro "errado". As projeções são maneiras diferentes de representar a superfície curva da Terra em um plano, e cada uma prioriza determinadas características.

Uso didático e para comunicação

A proposta também parte da ideia de que os mapas não servem apenas para localizar países e continentes. Eles são usados em escolas, materiais didáticos, meios de comunicação, documentos oficiais e ferramentas digitais e, por isso, ajudam a formar a imagem que as pessoas têm das dimensões e da posição das diferentes regiões do mundo.

Segundo a resolução, as distorções podem ter efeitos cognitivos, educacionais, culturais e até geopolíticos. A mudança defendida pela ONU busca, portanto, incentivar uma representação mais próxima das dimensões reais dos territórios.

A aprovação da ONU não significa que o mapa de Mercator deixará de ser usado imediatamente. A resolução funciona como um incentivo para que governos, organizações internacionais e outras instituições considerem projeções diferentes e mais adequadas para representar o tamanho das massas de terra.

Forma de representação das dimensões

Ou seja, a mudança nada tem a ver com uma mudança no tamanho real dos continentes — eles continuam exatamente como são. O que muda é a forma como suas dimensões são representadas em um mapa plano.

É justamente essa diferença que está no centro da discussão: não há um único mapa capaz de reproduzir perfeitamente uma Terra esférica em uma folha ou tela. A escolha de uma projeção determina quais características serão preservadas e quais serão distorcidas.

— Com Agências de Notícias




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Instituto Capiba integra evento do IAHGP no próximo sábado (12) com palestra sobre vida e obra do compositor pernambucano

05/09/2026

O Instituto Capiba, que completou um ano de fundação em julho passado e tem como lema a preservação e difusão do legado do compositor Capiba, participará do Ciclo de Palestras de uma das instituições mais respeitadas do Brasil, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), situado na Rua do Hospício, 130, Boa Vista, Recife.

O bate-papo será realizado no próximo sábado (12/09) a partir das 10h, com participação de Amaro Filho, diretor do Instituto Capiba (IC). Acesso Gratuito. O evento terá acesso gratuito.



Valor histórico e cultural

“Será uma honra conversar num local de tanto valor histórico e cultural como o IAHGP. Contribuir com um pouco do que venho pesquisando sobre a história de Capiba para o público do Instituto”, afirmou Amaro Filho.

“A primeira vez que entrei na instituição foi pra pesquisar sobre as heroínas de Tejucupapo - Goiana. Fui recebido pelo professor Antônio G...

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O Instituto Capiba, que completou um ano de fundação em julho passado e tem como lema a preservação e difusão do legado do compositor Capiba, participará do Ciclo de Palestras de uma das instituições mais respeitadas do Brasil, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), situado na Rua do Hospício, 130, Boa Vista, Recife.

O bate-papo será realizado no próximo sábado (12/09) a partir das 10h, com participação de Amaro Filho, diretor do Instituto Capiba (IC). Acesso Gratuito. O evento terá acesso gratuito.



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Valor histórico e cultural

“Será uma honra conversar num local de tanto valor histórico e cultural como o IAHGP. Contribuir com um pouco do que venho pesquisando sobre a história de Capiba para o público do Instituto”, afirmou Amaro Filho.

“A primeira vez que entrei na instituição foi pra pesquisar sobre as heroínas de Tejucupapo - Goiana. Fui recebido pelo professor Antônio Gonçalves de Melo, que, de cor, pegou uma revista do Instituto e me apontou o texto escrito pelo jornalista Mário Melo, contando a façanha daquelas corajosas mulheres. Evoé!”, acrescentou o palestrante.

Capiba menino, rapaz e homem

Conforme informações dos organizadores do evento, a proposta é de uma conversa sobre Lourenço da Fonseca Barbosa, nome original de Capiba, mostrando detalhes sobre o menino, o rapaz e o homem, para além do Capiba que deixou uma obra muito maior do que o frevo.

“Vamos falar sobre o Capiba filho, irmão, amigo e compositor de valsas, maracatus, choros, cirandas, foxtrotes, música erudita e sacra, além de suas parcerias com poetas como Carlos Pena Filho, Castro Alves, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Esther Sterenberg, entre outros”, explicou o diretor do IC.



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Músicas e partituras

Durante o encontro, será apresentada também a primeira intervenção realizada no Acervo de Capiba, voltada à preservação de suas partituras. Os trabalhos foram desenvolvidos em um laboratório adaptado para a conservação de mais de 100 músicas e 600 partituras, em parceria com o IAHGP.

Segundo Amaro Filho, a palestra pretende apresentar ao público pernambucano um lado pouco conhecido de Capiba, cuja obra ultrapassa as fronteiras de Pernambuco e alcança uma dimensão nacional. “Foi um compositor que se dedicou a ser um pernambucano conhecido e reconhecido em sua terra, mas que, pela força de seu legado, tornou-se uma referência da cultura brasileira”, informou.

Sobre o IAHGP

O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) foi fundado em 1862. É o instituto histórico estadual mais antigo do Brasil. Funciona ininterruptamente desde sua fundação e se constituiu em um referencial nacional e internacional.

Seus acervos — biblioteca, arquivo e museu — e sua revista representam uma fonte inesgotável para pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Autêntica casa de Pernambuco, o IAHGP é um baluarte na defesa da história e da cultura do povo pernambucano.

Serviço:

Palestra: Capiba – trajetória e patrimonialização do seu Acervo
Local: Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP)
Endereço: Rua do Hospício, 130, Boa Vista, Recife.
Acesso Gratuito

Contato:
Amaro Filho
Instituto Capiba
81 – 988719261 - amarofilho4@gmail.com




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Episódios entrelaçados - Transplantes de pontes e espíritos, por Gustavo Carvalho*

05/09/2026

Prólogo

As crianças cantavam antes de saber ler.
London Bridge is falling down. A ponte de Londres está caindo. Cantiga de roda, profecia disfarçada. Porque as pontes de Londres sempre caíram: levadas pelo fogo, pelo gelo, pelo peso dos séculos.
Até que uma delas se recusou a morrer.
Precisou apenas mudar de continente.

I. A ponte que afundava devagar

A primeira ponte de pedra sobre o Tâmisa começou a nascer em 1176, pelas mãos de um padre construtor chamado Peter de Colechurch. Ele morreu antes de vê-la pronta, em 1205, e foi sepultado na capela erguida sobre a própria obra. O construtor virou fundação. A ponte foi concluída em 1209 e viveu seiscentos anos, carregando casas, lojas e, no portão sul, cabeças de traidores espetadas em lanças. Uma ponte medieval não era travessia. Era cidade suspensa sobre a água.
Em 1831 veio a sucessora. John Rennie a desenhou e também morreu antes da inauguração. O filho,...

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Prólogo

As crianças cantavam antes de saber ler.
London Bridge is falling down. A ponte de Londres está caindo. Cantiga de roda, profecia disfarçada. Porque as pontes de Londres sempre caíram: levadas pelo fogo, pelo gelo, pelo peso dos séculos.
Até que uma delas se recusou a morrer.
Precisou apenas mudar de continente.

I. A ponte que afundava devagar

A primeira ponte de pedra sobre o Tâmisa começou a nascer em 1176, pelas mãos de um padre construtor chamado Peter de Colechurch. Ele morreu antes de vê-la pronta, em 1205, e foi sepultado na capela erguida sobre a própria obra. O construtor virou fundação. A ponte foi concluída em 1209 e viveu seiscentos anos, carregando casas, lojas e, no portão sul, cabeças de traidores espetadas em lanças. Uma ponte medieval não era travessia. Era cidade suspensa sobre a água.
Em 1831 veio a sucessora. John Rennie a desenhou e também morreu antes da inauguração. O filho, outro John, terminou a obra do pai. Cinco arcos elegantes de granito. No primeiro de agosto daquele ano, o rei William IV e a rainha Adelaide a atravessaram sob salvas e banquetes.

A ponte era perfeita para um mundo de cavalos.

O mundo, porém, trocou os cavalos por motores. Ônibus, caminhões, multidões. E o granito de Rennie, apoiado no leito macio do Tâmisa, começou a responder do único jeito que o granito sabe: cedendo em silêncio. Cerca de dois centímetros e meio a cada oito anos. O lado leste afundava mais que o oeste. A ponte não estava caindo. Estava se despedindo devagar, com a dignidade das coisas bem construídas.

Em 1967, a City de Londres assinou a sentença. A ponte seria demolida e substituída.

Foi então que Ivan Luckin, membro do conselho municipal, teve uma ideia de vendedor genial. Não venderia uma ponte condenada. Venderia dois mil anos de história, desde os romanos que cruzaram ali o Tâmisa pela primeira vez. Levou o catálogo a Nova York e esperou.

Do outro lado do oceano, Robert P. McCulloch tinha o problema inverso. Fizera fortuna com motosserras e petróleo. Em 1964, fundara Lake Havasu City, uma cidade planejada às margens de um lago artificial do rio Colorado, no deserto do Arizona. Havia ruas, lotes, sol e futuro.

Faltava alma.

Em abril de 1968, McCulloch pagou 2.460.000 dólares pela ponte. Conta-se que fez a conta assim: dobrou o custo estimado da desmontagem e somou mil dólares para cada um dos sessenta anos que teria ao fim da obra. Vaidade com aritmética.

Mais de dez mil blocos de granito foram numerados como peças de um quebra-cabeça transatlântico. Navegaram pelo Canal do Panamá, desembarcaram na Califórnia, cruzaram o deserto em caminhões. No Arizona, a ponte foi remontada sobre um núcleo de concreto, em terra seca. Só depois escavaram um canal por baixo dela.

Em Londres, a ponte atravessava o rio.
No Arizona, trouxeram o rio até a ponte.

Dez de outubro de 1971. O Lord Mayor de Londres cruzou o Atlântico para a reinauguração, e o granito de Rennie voltou a trabalhar, agora sob sol de deserto. Ficou também a lenda: a de que McCulloch pensava ter comprado a Tower Bridge, aquela das torres góticas dos cartões-postais. Ele negou até o fim.

O folclore, como o granito, resiste.

II. A igreja que ficou muda

A segunda história não tem cantiga. Tem silêncio.

Ela nasceu em 1898, no Condado de York, norte da Inglaterra, terra de charnecas, carvão e fé metódica. Seu nome não atravessou o mar. Os registros que chegaram ao Brasil guardaram apenas o essencial: York, 1898, gótico vitoriano. Altar-mor entalhado. Vitrais que transformavam a luz cinzenta do norte inglês em púrpura, âmbar e azul.

Por décadas, ela fez o que as igrejas fazem. Batizados, casamentos, funerais. Uma igreja mede o tempo assim: em água, arroz e flores.
Mas o século vinte esvaziou os bancos. As vilas industriais minguaram, os filhos partiram para as cidades grandes, os hinos foram ficando mais baixos a cada domingo. Um dia, não houve mais domingo. A igreja foi desconsagrada e condenada. Na Inglaterra do pós-guerra, isso tinha nome burocrático e destino previsível: demolição.

Foi quando um olho a viu do Recife.

Em 1939, o menino Ricardo Brennand ganhou um canivete do tio, irmão do pai, que levava o mesmo nome. Nunca mais parou de colecionar. Virou engenheiro, virou industrial, virou o homem que erguia um castelo no antigo Engenho São João, na Várzea, para abrigar armaduras, espadas e a maior coleção de Frans Post do planeta.

E havia a dívida de sangue. Em 1820, um inglês chamado Edward Brennand deixou a Inglaterra e desembarcou na Bahia. Passou pelo Rio de Janeiro. Seguiu para Alagoas. Foram os seus descendentes que fincaram raízes em Pernambuco. Cento e oitenta anos depois, um deles fez a mesma viagem. Não com o corpo. Com um contêiner.

Conta-se, entre os que viveram os bastidores do Instituto, que um dia chegou ao porto uma caixa de aço com praticamente uma igreja desmontada dentro. Altar-mor. Vitrais. Mobiliário gótico.

Pedra por pedra. Vitral por vitral. Memória por memória.

Hoje, quem percorre a Sala dos Cavaleiros do Castelo São João caminha por entre lâminas e elmos até a parede do fundo. E ali, sem aviso, encontra a Inglaterra de 1898. O altar remontado, os vitrais acesos pela luz dos trópicos, a madeira escura que um dia ouviu hinos em Yorkshire.

Diante do altar, Brennand posicionou seus tesouros mais raros: armaduras completas de cavalo e cavaleiro, forjadas por volta de 1515. Aço maximiliano em posição de reverência.

A igreja que perdeu seus paroquianos na Inglaterra ganhou, no Recife, os fiéis mais pontuais do mundo. Uma congregação de aço. Cavaleiros que não envelhecem, não faltam, não duvidam.

A missa nunca termina.

III. O enxerto pegou

Um cirurgião reconheceria o procedimento.

Chama-se transplante: retira-se o órgão de um corpo que morre, transporta-se sob cuidado obsessivo, implanta-se num corpo que precisa. E então se espera o momento decisivo, aquele em que o enxerto pega (quando o tecido transplantado cria raízes no novo corpo e volta a viver).

A ponte e a igreja foram transplantes de pedra.

A doadora foi a mesma: a Inglaterra, que condenou as duas por razões opostas. A ponte morria de excesso, esmagada pelo tráfego de um império. A igreja morria de falta, esvaziada pela partida dos seus.

Os receptores não podiam ser mais diferentes. Um deserto no Arizona, que precisava de alma. Uma mata no Recife, que guardava uma saudade de sangue.
McCulloch comprou por vaidade e visão: queria dar história a uma cidade sem passado. Brennand comprou por memória e pertencimento: queria devolver o passado à história da própria família.

Os dois enxertos pegaram.

A cantiga, afinal, estava errada. London Bridge is not falling down: ela atravessa, firme, um canal de águas azuis no deserto americano, e turistas a fotografam sem saber que pisam em 1831. E a igreja de York não emudeceu: canta em pedra, todos os dias, para cavaleiros de aço, sob o sol da Várzea.

Ricardo Brennand partiu em abril de 2020, levado pelo vírus que parou o mundo. As pedras que ele salvou continuam de pé.
É o que as pedras fazem pelos homens que as amam.
Ficam.


Agradecimento à Sra. Sônia Ribeiro, do Instituto Ricardo Brennand, que engrandeceu este relato com preciosos detalhes que de outra forma não estariam disponíveis.

*Gustavo Carvalho, MD, PhD, MSc, MBA
& Amigo Intelligence (Claude AI)
Cirurgião Geral. Professor Associado de Cirurgia Geral da Universidade de Pernambuco (UPE).
Pioneiro da minilaparoscopia sem clipes, SLS EXCELL Award (EUA, 2022).
Consultor de Inteligência Artificial da Amigo Tech.
Recife, setembro de 2026.




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Aprovação do PL dos combustíveis é visto como avanço no combate ao mercado ilegal e no fortalecimento da cadeia de abastecimento

05/09/2026

O Senado aprovou, esta semana, o Projeto de Lei (PL) 1.482/2019, que reforça a proteção à cadeia de abastecimento, ao mercado regular e aos consumidores. O próximo passo, para o projeto virar lei, é a sancão do presidente Lula.

Para o setor de distribuição

A aprovação representa um avanço no combate ao mercado ilegal e no fortalecimento da integridade da cadeia de abastecimento. O furto, o roubo e a posterior comercialização de combustíveis de origem ilícita prejudicam a concorrência, aumentam os riscos operacionais e de segurança e afetam empresas que atuam regularmente e cumprem as normas aplicáveis ao mercado.

O consumidor

Também é diretamente beneficiado pelo fortalecimento desse combate. Uma cadeia de combustíveis mais segura e protegida contra a atuação criminosa reduz riscos de acidentes e de desabastecimento e contribui para impedir que produtos de origem ilícita ingressem no mercado. Ao combater essas...

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O Senado aprovou, esta semana, o Projeto de Lei (PL) 1.482/2019, que reforça a proteção à cadeia de abastecimento, ao mercado regular e aos consumidores. O próximo passo, para o projeto virar lei, é a sancão do presidente Lula.

Para o setor de distribuição

A aprovação representa um avanço no combate ao mercado ilegal e no fortalecimento da integridade da cadeia de abastecimento. O furto, o roubo e a posterior comercialização de combustíveis de origem ilícita prejudicam a concorrência, aumentam os riscos operacionais e de segurança e afetam empresas que atuam regularmente e cumprem as normas aplicáveis ao mercado.

O consumidor

Também é diretamente beneficiado pelo fortalecimento desse combate. Uma cadeia de combustíveis mais segura e protegida contra a atuação criminosa reduz riscos de acidentes e de desabastecimento e contribui para impedir que produtos de origem ilícita ingressem no mercado. Ao combater essas práticas, a legislação reforça a segurança e a confiabilidade do abastecimento.

Preocupação antiga

O enfrentamento ao furto de combustíveis em instalações e dutos não é uma preocupação recente no Legislativo. Em 2017, a então senadora Simone Tebet apresentou o PLS 182/2017, que buscava tipificar os crimes de furto, roubo e receptação de combustíveis retirados de estabelecimentos de produção, instalações de armazenamento e dutos.



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A proposta

Foi aprovada pela CCJ do Senado naquele ano e encaminhada à Câmara dos Deputados, onde passou a tramitar como PL 8455/2017. Anos depois, o próprio PL 1482/2019 chegou a tramitar apensado à matéria, evidenciando a continuidade do debate no Congresso sobre a necessidade de uma resposta penal mais específica para esse tipo de crime.



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Autor

De autoria do deputado federal Juninho do Pneu (RJ), o PL 1482/2019 passou, no Senado, pelas comissões de Serviços de Infraestrutura (CI), Segurança Pública (CSP) e Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). No Plenário, foram aprovados o projeto e as emendas de redação apresentadas durante sua tramitação. Com a aprovação definitiva pelo Congresso Nacional, a matéria segue agora para sanção presidencial.




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Entrevista — “Não adianta dizer que a luz do Sol é o melhor desinfetante. Temos um poder acima de qualquer poder”, analisa Marcelo S. Tognozzi* sobre a crise no STF

05/09/2026

Para o jornalista e analista político Marcelo S. Tognozzi, profundo estudioso da política brasileira e responsável pela cobertura de alguns dos principais episódios do país, o Brasil nunca viveu uma situação semelhante à que tem sido observada nos últimos tempos, com o Poder Judiciário sendo analisado como “acima dos demais poderes da República”.

Segundo Tognozzi, “se Executivo e Legislativo abrem mão do poder, o Supremo Tribunal Federal [Cortre Suprema, considerada chefe do Judiciário brasileiro] ocupa". E é isso o que tem acontecido em sua avaliação. Nesta entrevista, além de analisar a crise institucional, o jornalista também avalia o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem considera “alguém que não apenas gosta e deseja o poder, mas sabe exercê-lo ocupando a pista toda”.

O Poder — A última semana foi de muita repercussão e crise em vários setores. em função das informações sobre ligações entre o ministro Alexandre de Moraes (do STF) e o ex-banq...

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Para o jornalista e analista político Marcelo S. Tognozzi, profundo estudioso da política brasileira e responsável pela cobertura de alguns dos principais episódios do país, o Brasil nunca viveu uma situação semelhante à que tem sido observada nos últimos tempos, com o Poder Judiciário sendo analisado como “acima dos demais poderes da República”.

Segundo Tognozzi, “se Executivo e Legislativo abrem mão do poder, o Supremo Tribunal Federal [Cortre Suprema, considerada chefe do Judiciário brasileiro] ocupa". E é isso o que tem acontecido em sua avaliação. Nesta entrevista, além de analisar a crise institucional, o jornalista também avalia o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem considera “alguém que não apenas gosta e deseja o poder, mas sabe exercê-lo ocupando a pista toda”.

O Poder — A última semana foi de muita repercussão e crise em vários setores. em função das informações sobre ligações entre o ministro Alexandre de Moraes (do STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Como o senhor avalia tudo o que está acontecendo?

Marcelo Tognozzi — O país nunca viveu situação semelhante e, por isso, a dificuldade de lidar com a realidade. Estamos mergulhados na pior crise institucional da nossa História de 526 anos. O poder mudou de mãos. A democracia representativa, tal como conhecemos, perdeu o efeito prático e o governo é exercido por aqueles que não têm, nunca tiveram e não precisam de votos.

A prática cotidiana do poder nos últimos anos tem sido submissão total ao Supremo Tribunal Federal pelo Executivo e Judiciário. A governabilidade de Lula tem como fonte primária de poder não o Congresso, mas as togas do Supremo. Quando o Congresso decide contra o governo, a judicialização é a solução. Ulysses Guimarães dizia não existir vazio de poder. Nele, todos os espaços são preenchidos por quem tem mais competência ou por estar no lugar certo e na hora certa. Se Executivo e Legislativo abrem mão do poder, o Supremo ocupa.

O Poder — Podemos compreender, então, por esse seu entendimento, que dentre as togas do STF, o principal poder está com Moraes?

Marcelo Tognozzi — O ministro Alexandre de Moraes manda muito, gostemos ou não, pelos seus méritos e capacidade ímpar de exercício de poder, diante da incapacidade ampla, geral e irrestrita dos seus adversários – e até aliados. O ministro Alexandre tem a virtude de Maquiavel, alguém que não apenas gosta e deseja o poder, mas sabe exercê-lo ocupando a pista toda. Não importa se isso é bom ou ruim. É real.

Ele é o símbolo desta troca de poder a que o país assistiu como se fosse a coisa mais normal do mundo. Quando o ministro André Mendonça fez o que deveria ser feito, dando ao respeitável público conhecimento das relações de Daniel Vorcaro com a nobliarquia judiciária, os barões da mídia espernearam, pediram a renúncia de Moraes, vocalizando o que boa parte da elite pensa sobre risco econômico e segurança jurídica. Os mesmos que, nos últimos anos, fizeram vista grossa para todo tipo de imprudência constitucional. Devem ter feito as contas e imaginado que, tirando Moraes, o ministro Nunes Marques, o próximo na linha sucessória, seria mais ameno e palatável. Mas Nunes Marques tem muito o que fazer no TSE. Não se meterá em conspirações contra Moraes.

O Poder — Como o senhor analisa essa intimidade que tem havido por parte de Moraes e outros ministros, de atuarem como interlocutores entre os chefes do Executivo Federal e do Legislativo?

Marcelo Tognozzi — Quando um ministro do Supremo manda o presidente do Senado se entender com o presidente da República convocando ambos para jantar na sua casa, é porque a democracia representativa faliu e o novo poder que aí está representa a si mesmo. Independente de quem vencer a eleição, isso dificilmente mudará. Este poder tem a força e a coerção. Castrou as Forças Armadas, que a ele se entregaram docilmente depois do 8 de janeiro. Os generais saíram do palco da política e entraram os juízes.

O Poder — O senhor acredita que esse poder do ministro Alexandre de Moraes pode estar próximo de acabar?

Marcelo Tognozzi — É incrível a ingenuidade de certos jornalistas e analistas políticos, imaginando que Alexandre de Moraes, o homem forte do novo poder, possa ser defenestrado do Supremo com voto de minerva da ministra Carmen Lúcia. Moraes é próximo da ministra, a ponto de ter prefaciado o livro ‘Princípio Constitucional da Solidariedade’, por ela lançado no ano passado. No dia 21 de agosto, Carmen e Moraes participaram de debate na Faculdade de Direito da USP sobre o último livro da ministra ‘Pela Mão do Povo: Voto e Democracia no Brasil’, escrito em parceria com a historiadora Heloisa Starling e Nayara Correa Henriques Pinto. Moraes é catedrático da cadeira de Direito Eleitoral da USP.

O ministro tem como característica sempre dobrar a aposta. Ele jamais recua e nunca perdeu um embate, desde que chegou ao palco nacional da política em 12 de maio de 2016, ao ser empossado ministro da Justiça pelo presidente Temer. Aos 57 anos, o sagitariano Moraes, nascido em 13 de dezembro de 1968, deve assumir a presidência do Supremo dentro de um ano. Basta olhar para o passado recente e entender o tamanho da hipertrofia do ministro. Ele não se intimidará com editoriais e esperneios. Como vem fazendo há dez anos, engolirá cada inimigo.

O Poder — Então, podemos ter a certeza de que seus gestos e personalidade já o fazem um dos nomes mais poderosos dos últimos tempos no país. O senhor acha isso também?

Marcelo Tognozzi — Faz tempo que o Brasil não assistia à chegada ao poder de alguém com tanto apetite para exercê-lo, como Getúlio Vargas depois do golpe de 1937 e o incontrolável Costa e Silva no governo militar. Nenhum deles usava toga. Esta é a grande novidade. Juízes como Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, além da sólida formação intelectual, o que os coloca há anos-luz da maioria dos políticos, foram cevados na luta política, aprenderam a ocupar seus espaços enfrentando os piores obstáculos.

Foi assim com Gilmar na Lava Jato, Dino na política maranhense e Moraes durante o governo Bolsonaro. Erra quem imagina poder intimidá-los com gritos, editoriais, denúncias ou pequenas multidões. De agora em diante, os ministros do Supremo serão indicados pelos próprios ministros do Supremo. Isso nada tem a ver com ideologia, mas puro pragmatismo de quem manda.

O Poder — E como fica a posição do ministro André Mendonça, do mesmo STF, nessa história, segundo sua avaliação?

Marcelo Tognozzi — O ministro André Mendonça tem vivido esta realidade na própria pele, como passou com Joaquim Barbosa. A pressão sobre ele é gigante. Viu Moraes liderar a rejeição ao seu amigo Jorge Messias e entrou para o inquérito das fake news, criado em 2019 e definido por Gilmar Mendes como instrumento usado pela Corte para se defender de críticas. Agora sabemos que este instrumento pode ser usado contra ministros rebeldes.

A reação do presidente [do STF] Edson Fachin foi no mínimo amena. O Senado de Davi Alcolumbre faz cara de paisagem e o presidente Lula escolheu discurso ensaboado, pura espuma. O vazio de poder produz vazio de estadistas, de gente capaz de contornar as crises. Esta ausência significa a ausência de solução. É o óbvio ululante de Nelson Rodrigues.

O Poder — Há esperanças de vermos essa crise institucional do Judiciário ser resolvida em pouco tempo?

Marcelo Tognozzi — Não adianta dizer que a luz do Sol é o melhor desinfetante e que tudo deve vir à tona. Já veio e nada aconteceu, porque vivemos um momento inédito, cuja superação depende de sabedoria, criatividade e ousadia. Moraes não devolverá o poder entregue a ele pela Faria Lima, a esquerda, centro e parte da direita. Irá exercê-lo com toda energia e todas as prerrogativas. Talvez o Brasil tenha de esperar sentado que cada um cumpra o seu dever. Esta é a realidade: temos um poder acima de qualquer poder.

*Marcelo S. Tognozzi é uma referência na imprensa brasileira contemporânea. Jornalista, consultor e profissional de Relações Inter-Governamentais - RIG. Entrevista feita a partir de texto dele publicado no Portal Poder 360.




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Silvio Costa Filho e Sileno Guedes cumprem agenda conjunta pela Mata Norte e recebem apoio da população rumo à reeleição

05/09/2026

O ex-ministro de Portos e Aeroportos de Lula e deputado federal candidato à reeleição, Silvio Costa Filho (Republicanos), juntamente com o candidato a reeleição como deputado estadual, Sileno Guedes (PSB), cumpriram agenda conjunta na Mata Norte do estado neste final de semana. Em visita a lideranças dos municípios de Macaparana, Nazaré da Mata e Condado, Costa Filho e Guedes receberam o carinho e apoio da população.

A passagem da dupla pela região reforçou a força política de Silvio Costa Filho e Sileno Guedes na Mata Norte e mostrou a capacidade de articulação dos dois parlamentares junto às lideranças políticas e à população. Nos três municípios, a agenda foi marcada por manifestações de apoio, demonstrações de carinho e uma forte presença popular, sinalizando a consolidação de uma base política cada vez mais ampla na região.



Lideranças e apoiadores

Em Macaparana, Silvio Costa Filho esteve com o ex-candidato a prefe...

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O ex-ministro de Portos e Aeroportos de Lula e deputado federal candidato à reeleição, Silvio Costa Filho (Republicanos), juntamente com o candidato a reeleição como deputado estadual, Sileno Guedes (PSB), cumpriram agenda conjunta na Mata Norte do estado neste final de semana. Em visita a lideranças dos municípios de Macaparana, Nazaré da Mata e Condado, Costa Filho e Guedes receberam o carinho e apoio da população.

A passagem da dupla pela região reforçou a força política de Silvio Costa Filho e Sileno Guedes na Mata Norte e mostrou a capacidade de articulação dos dois parlamentares junto às lideranças políticas e à população. Nos três municípios, a agenda foi marcada por manifestações de apoio, demonstrações de carinho e uma forte presença popular, sinalizando a consolidação de uma base política cada vez mais ampla na região.



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Lideranças e apoiadores

Em Macaparana, Silvio Costa Filho esteve com o ex-candidato a prefeito e ex-vereador Abidoral e o ex-vereador Fillipe, além de integrantes do seu grupo político. O encontro reuniu lideranças locais e apoiadores, em uma demonstração de força do grupo que vem construindo uma atuação conjunta em defesa de investimentos e ações para o município e toda a Mata Norte.

Já em Nazaré da Mata, Silvio esteve no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, entidade liderada pelo ex-candidato a prefeito Pereira. O encontro contou com a participação de lideranças e trabalhadores rurais, que destacaram a importância da atuação de Silvio Costa Filho e Sileno Guedes em pautas voltadas para a agricultura familiar e desenvolvimento econômico e social da região.

Confiança nos parlamentares

A agenda foi encerrada em Condado, onde Silvio e Sileno estiveram com o ex-prefeito Cassiano e seu grupo político. Mais uma vez, a recepção popular chamou atenção, com apoiadores demonstrando confiança no trabalho dos dois parlamentares e disposição para caminhar junto no projeto de reeleição.

A presença de Silvio Costa Filho e Sileno Guedes nos três municípios também reforçou uma estratégia política de ampliação da presença dos dois mandatos na Mata Norte. Ao agradecer as manifestações de apoio recebidas durante a passagem pela região, Silvio Costa Filho destacou que pretende continuar trabalhando para garantir novos investimentos e oportunidades para os municípios da Mata Norte.



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“Investimentos e obras”

“Quero agradecer de coração todo o carinho e o apoio que recebemos durante essa agenda pela Mata Norte. Tenho um compromisso muito grande com essa região e vou continuar trabalhando, ao lado das nossas lideranças, para trazer investimentos, obras e ações que contribuam para o desenvolvimento de toda a Mata Norte”, enfatizou o ex-ministro.

“Nosso trabalho não vai parar. Vamos seguir buscando recursos e fazendo a ponte com o Governo Federal para transformar as demandas da população em realizações”, acrescentou Silvio Costa Filho.

Com uma agenda que reuniu lideranças tradicionais, representantes de grupos políticos e a população, Silvio Costa Filho e Sileno Guedes deixaram a Mata Norte com uma demonstração clara de força política e de apoio ao projeto de reeleição. A movimentação nos três municípios reforça o peso da região na estratégia eleitoral dos dois parlamentares e evidencia a construção de uma frente política cada vez mais robusta em torno de seus nomes.

*Fotos: Wesley D'Almeida




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Começou a contagem regressiva: TSE lacra e põe na sua sala cofre todos os sistemas responsáveis pelas eleições 2026

05/09/2026

Agora o tempo é de contagem regressiva. A Justiça eleitoral lacrou e assinou digitalmente, nesta sexta-feira (04/09), todos os sistemas responsáveis pelas eleições gerais de 2026. Significa dizer que os programas a serem utilizados no pleito, bem como os mecanismos de segurança do sistema eletrônico de votação foram todos examinados, reexaminados, concluídos e lacrados.

A assinatura digital marca uma nova etapa do processo eleitoral: a partir desse momento, os sistemas não podem mais ser alterados, e mecanismos de segurança passam a assegurar a autenticidade e a integridade das versões lacradas.

Data importante

A formalização foi feita durante solenidade realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e marca uma data importante rumo ao pleito. Durante o evento, conforme explicou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foram realizadas tanto as assinaturas digitais do arquivo que reúne os resumos digitais dos sistemas el...

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Agora o tempo é de contagem regressiva. A Justiça eleitoral lacrou e assinou digitalmente, nesta sexta-feira (04/09), todos os sistemas responsáveis pelas eleições gerais de 2026. Significa dizer que os programas a serem utilizados no pleito, bem como os mecanismos de segurança do sistema eletrônico de votação foram todos examinados, reexaminados, concluídos e lacrados.

A assinatura digital marca uma nova etapa do processo eleitoral: a partir desse momento, os sistemas não podem mais ser alterados, e mecanismos de segurança passam a assegurar a autenticidade e a integridade das versões lacradas.

Data importante

A formalização foi feita durante solenidade realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e marca uma data importante rumo ao pleito. Durante o evento, conforme explicou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foram realizadas tanto as assinaturas digitais do arquivo que reúne os resumos digitais dos sistemas eleitorais, como as identificações únicas que permitem atestar a autenticidade dos programas desenvolvidos pela Justiça Eleitoral.

Em seguida, as mídias contendo os sistemas foram acondicionadas em envelopes lacrados e armazenadas na Sala Cofre do TSE. Ao destacar a importância do procedimento, Nunes Marques afirmou que a segurança das eleições é “resultado da combinação de diferentes mecanismos de proteção, controles independentes e ampla possibilidade de fiscalização”.

“Este ato assegura que a tecnologia empregada para a manifestação da vontade popular permaneça transparente, segura e auditável durante todo o processo eleitoral”, ressaltou ele.

Acompanhamento continua

“A Justiça Eleitoral mantém portas abertas para o acompanhamento de todas as etapas do voto eletrônico, em razão da plena confiança de que o escrutínio público e das instituições é pressuposto válido do próprio sistema eletrônico de votação”, frisou o magistrado, ao ressaltar que “a Justiça eleitoral não escolhe vencedores”.

“No dia 4 de outubro deste ano, quando a urna for ligada, registraremos de forma fidedigna e segura as aspirações de um país inteiro. Esse é o sentido maior do nosso trabalho. A Justiça Eleitoral não escolhe vencedores, não interfere na escolha popular e não possui preferência por candidaturas. Nossa paixão é a democracia, nossa missão é cumprir a Constituição e o nosso dever é garantir a vontade soberana do povo brasileiro”, disse o presidente da Corte.

40 oportunidades de auditoria

Conforme informações do Tribunal, o ciclo eleitoral brasileiro, realizado a cada dois anos, prevê 40 oportunidades de auditoria e fiscalização, que permitem às entidades fiscalizadoras e à sociedade acompanhar diferentes etapas do processo eleitoral. Os códigos-fonte permaneceram disponíveis para inspeção pelas entidades fiscalizadoras ao longo do ciclo eleitoral e que os sistemas assinados são exatamente aqueles que estiveram abertos à análise.

Ao todo, oito entidades inspecionaram os códigos-fonte: União Brasil, Senado Federal, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Sociedade Brasileira de Computação (SBC), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Partido Verde (PV), Ministério Público Federal (MPF) e Controladoria-Geral da União (CGU).

A partir da lacração, as versões assinadas passam a servir de referência para as próximas etapas de fiscalização. As identificações únicas dos sistemas também são publicadas no Portal do TSE, permitindo verificar se os programas utilizados durante o processo eleitoral correspondem aos que foram inspecionados e lacrados.

— Com informações do TSE




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