imagem noticia

Ética médica em tempos de trincheira, por Jorge Henrique de Freitas Pinho*

16/01/2026

imagem noticia
Quando a polarização tenta colonizar o cuidado

A civilização começa quando o cuidado resiste à vingança.

1. Introdução — quando o cuidado deixa de ser silencioso

A ética médica sempre pertenceu a uma zona anterior à disputa. Antes do Estado, da ideologia e da linguagem política, o cuidado surgiu como resposta imediata ao sofrimento humano. O corpo ferido e a dor concreta impunham um silêncio ético que suspendia julgamentos, identidades e culpas. Cuidar não era concordar. Era reconhecer um limite civilizacional.

Esse silêncio, porém, vem sendo rompido.

A polarização esquerda-direita deixou de ser apenas um conflito de ideias para se tornar uma gramática moral totalizante. Ela já não organiza apenas o debate público ou a leitura da história, mas pretende colonizar campos que lhe eram estranhos, exigindo que tudo escolha lado, inclusive a ética. Nesse ambiente, a medicina começa a ser pressionada a justificar não a...

imagem noticia
Quando a polarização tenta colonizar o cuidado

A civilização começa quando o cuidado resiste à vingança.

1. Introdução — quando o cuidado deixa de ser silencioso

A ética médica sempre pertenceu a uma zona anterior à disputa. Antes do Estado, da ideologia e da linguagem política, o cuidado surgiu como resposta imediata ao sofrimento humano. O corpo ferido e a dor concreta impunham um silêncio ético que suspendia julgamentos, identidades e culpas. Cuidar não era concordar. Era reconhecer um limite civilizacional.

Esse silêncio, porém, vem sendo rompido.

A polarização esquerda-direita deixou de ser apenas um conflito de ideias para se tornar uma gramática moral totalizante. Ela já não organiza apenas o debate público ou a leitura da história, mas pretende colonizar campos que lhe eram estranhos, exigindo que tudo escolha lado, inclusive a ética. Nesse ambiente, a medicina começa a ser pressionada a justificar não apenas como cuida, mas por que cuida, e a quem concede dignidade.

Quando isso ocorre, a ética deixa de ser fundamento e passa a ser instrumento.
A medicina, que deveria operar como espaço de suspensão da disputa, passa a ser observada por tribunais simbólicos que perguntam menos pela condição clínica do paciente e mais por sua identidade política, seu histórico público ou sua utilidade narrativa. O cuidado torna-se ruidoso, vigiado e moralmente administrado.

Esse deslocamento não é trivial. Ele sinaliza uma inflexão profunda: quando a ética médica precisa perguntar quem é o paciente antes de decidir como tratá-lo, algo essencial já foi perdido. Substitui-se a pergunta sobre o sofrimento pela pergunta sobre a filiação. E toda vez que isso acontece, a civilização se afasta um passo da ética e se aproxima, ainda que bem-intencionada, da barbárie.

2. A ética antes da política: o nascimento civilizacional do cuidado

A ética médica não nasce da política. Ela a antecede. Surge no ponto exato em que a vida humana se apresenta frágil demais para ser tratada como meio, argumento ou exemplo. Antes que existissem Estados, partidos ou programas ideológicos, já havia o gesto elementar de cuidar, não como ato de concordância moral, mas como reconhecimento de um limite que nenhuma causa pode atravessar sem se desfigurar.

Esse dado é frequentemente esquecido porque a política moderna se habituou a falar em nome de tudo. Mas há esferas que não lhe pertencem. O corpo doente é uma delas. Nele, a abstração cede lugar à urgência, e a biografia moral perde centralidade diante da evidência do sofrimento. A ética médica nasce exatamente dessa suspensão provisória do juízo, desse intervalo em que a pergunta não é quem o outro foi, mas o que a condição humana exige naquele instante.

Por isso, a tentativa de submeter o cuidado a critérios ideológicos representa uma inversão grave. Quando a política passa a determinar os contornos da compaixão, a ética deixa de ser princípio e se converte em extensão do poder. O cuidado deixa de ser resposta ao sofrimento e passa a funcionar como validação simbólica de pertencimento.
Não se trata de negar a existência do conflito político nem de idealizar a neutralidade. Trata-se de reconhecer que há um patamar anterior ao conflito, sem o qual nenhuma sociedade se sustenta. A ética médica ocupa esse patamar. Ela não absolve, não condena, não legitima nem combate. Ela cuida.

Quando essa ordem se inverte, quando a política reivindica precedência sobre a ética, o que se perde não é apenas a integridade da medicina, mas o próprio sentido de civilização. Pois toda civilização começa quando aceita que há limites que nem mesmo as causas mais justas estão autorizadas a ultrapassar.

3. Polarização e colonização moral: quando tudo vira identidade

A polarização contemporânea já não opera apenas como divergência política. Ela se tornou uma lógica de ocupação total do mundo. Tudo passa a ser interpretado como sinal de pertencimento ou traição, e nenhuma esfera permanece imune à exigência de alinhamento. Ideias, gestos, silêncios e até princípios passam a ser lidos não pelo que são, mas pelo lado que supostamente favorecem.

Nesse ambiente, a ética deixa de funcionar como critério e passa a operar como marcador identitário.

A política, quando absolutizada, não tolera zonas neutras. Ela transforma valores em bandeiras e virtudes em instrumentos de disputa. O que antes era princípio torna-se senha; o que era limite converte-se em arma simbólica. A moral já não orienta a ação, apenas legitima o grupo. E aquilo que não se deixa capturar por essa lógica é imediatamente suspeito.

É assim que o cuidado, por natureza silencioso e anterior à disputa, passa a ser interpretado como gesto político. Tratar alguém deixa de ser um dever ético para se tornar uma declaração ideológica. A compaixão é escrutinada, vigiada e, em certos casos, denunciada como cumplicidade. Não importa mais o sofrimento concreto, mas o lugar simbólico que o sofredor ocupa no tabuleiro moral do momento.

Esse processo é corrosivo porque dissolve a distinção entre princípios universais e estratégias de poder. Quando tudo vira identidade, nada mais é verdadeiramente ético. Há apenas escolhas tribais disfarçadas de virtude. A humanidade deixa de ser um dado comum e passa a ser um atributo concedido ou retirado conforme a narrativa dominante.

A colonização moral operada pela polarização não empobrece apenas o debate público. Ela rebaixa a própria ideia de ética, transformando-a em extensão da trincheira. E toda vez que isso ocorre, o humano deixa de ser o ponto de partida e passa a ser apenas mais um recurso disponível na disputa pelo sentido.

4. Quando o chicote muda de mão: o poder moral e a tentação da impiedade

A história ensina que a crueldade não pertence a uma ideologia específica, mas a uma disposição humana que emerge sempre que o poder se acredita moralmente absolvido. Ainda assim, há um traço recorrente nos movimentos que se apresentam como portadores do bem: quando deixam a condição de crítica e assumem posições de autoridade, tendem a ser mais severos, pois já não se veem apenas como governantes, mas como agentes de correção do mundo.

É nesse ponto que a polarização contemporânea revela sua face mais perigosa.

Parte significativa da esquerda atual não opera apenas como força política, mas como instância moral superior. Não se limita a disputar projetos ou ideias; pretende definir quem é digno de voz, de cuidado e, em certos casos, de humanidade. Quando esse campo passa a influenciar instituições, discursos e mecanismos de legitimação simbólica, a punição deixa de ser apenas jurídica ou política e assume caráter pedagógico: não se corrige a conduta, expurga-se o sujeito; não se julga o ato, neutraliza-se o símbolo.

Esse processo se agrava porque a impiedade se apresenta sob linguagem virtuosa. A perseguição é chamada de zelo democrático. A exclusão, de defesa da humanidade. A negação de direitos, de proteção do bem comum. O indivíduo concreto desaparece, substituído pela figura abstrata do inimigo moral que precisa ser contido para que a narrativa permaneça intacta.

Quando essa lógica invade a ética médica, o risco se multiplica. O cuidado passa a ser condicionado não apenas por critérios técnicos, mas por juízos morais totalizantes. O paciente deixa de ser alguém que sofre e passa a representar aquilo que deve ser combatido. O sofrimento perde seu poder de suspender o ódio. E a medicina, que deveria ser último reduto do humano, converte-se em extensão da disputa.

Reconhecer

Não se trata de absolver abusos cometidos por outros campos ideológicos nem de recorrer a simetrias fáceis. Trata-se de reconhecer um dado recorrente da experiência histórica: o poder que se acredita moralmente puro tende a ser mais impiedoso, porque não admite limites. Quando o chicote muda de mão acompanhado da convicção de superioridade ética, a violência já não se reconhece como tal. Ela se chama justiça.

E toda vez que isso ocorre, a ética deixa de proteger o humano para servir à causa. A barbárie, então, não se anuncia com brutalidade explícita, mas com intenções nobres, linguagem elevada e a certeza tranquila de que tudo o que se faz, por mais duro que seja, é feito em nome do bem.

5. A falácia da ética condicionada: quando a dignidade se torna prêmio

Há um ponto em que a ética deixa de ser ética sem que isso seja imediatamente percebido. Ocorre quando ela passa a depender de condições externas ao próprio princípio que afirma defender. Quando a dignidade humana já não é reconhecida como dado ontológico, mas concedida como recompensa simbólica, a ética se transforma em instrumento de gestão moral.

Essa é a falácia da ética condicionada.

Segundo essa lógica, não basta ser humano para merecer cuidado. É preciso antes preencher requisitos implícitos: aderir à narrativa correta, ocupar o lugar certo no mapa moral do tempo, não representar aquilo que a causa definiu como intolerável. O sofrimento deixa de ser critério suficiente. A dor passa a ser filtrada por juízos prévios. E a compaixão, antes de se manifestar, pede autorização à ideologia.

O problema dessa operação não está apenas em sua injustiça, mas em sua incoerência profunda. Uma ética que seleciona destinatários já não é ética; é estratégia. Direitos que dependem de alinhamento deixam de ser direitos e se convertem em favores revogáveis. O humano, então, perde sua centralidade e passa a valer apenas enquanto confirma a narrativa dominante.

Essa falácia costuma se apresentar sob linguagem elevada. Fala-se em responsabilidade histórica, em proteção da democracia, em defesa de valores maiores. Mas o mecanismo é sempre o mesmo: substituir o princípio pelo critério, o universal pelo circunstancial, a dignidade pelo merecimento. A ética deixa de limitar o poder e passa a justificá-lo.

Quando esse raciocínio alcança a ética médica, suas consequências são particularmente graves. O cuidado, que deveria ser resposta imediata ao sofrimento, passa a ser avaliado à luz de considerações morais externas à prática médica. O paciente já não é visto apenas como alguém que necessita de atenção, mas como alguém que precisa ser julgado antes de ser tratado. O silêncio ético que protegia o cuidado é rompido por uma triagem simbólica.

A dignidade humana, porém, não admite adjetivos nem condicionantes sem se autodestruir. Ou ela vale para todos, inclusive para aqueles que nos repugnam, ou não vale como princípio. Toda vez que se aceita relativizá-la em nome de uma causa, abre-se a porta para que outras causas façam o mesmo. E, nesse ponto, a ética já não protege o humano; apenas organiza a exclusão com aparência de virtude.

6. Entre o tribunal da opinião e o silêncio do cuidado: o último reduto do humano

O médico contemporâneo passou a atuar sob dupla pressão. De um lado, a exigência técnica, que permanece inegociável. De outro, um tribunal difuso, informal e implacável, formado pela opinião pública militante, pelas redes sociais e por narrativas morais que julgam não apenas o resultado do cuidado, mas a intenção atribuída a quem cuida. Nesse ambiente, tratar deixa de ser um gesto profissional e passa a ser interpretado como tomada de posição.

Essa mudança é profunda e perigosa.

A medicina sempre operou em um espaço de contenção simbólica. Ali, o juízo moral era suspenso em favor da urgência humana. O sofrimento funcionava como limite intransponível. Hoje, porém, esse limite vem sendo corroído. O cuidado é observado, vigiado e reinterpretado à luz de disputas que lhe são externas. Pergunta-se menos se o tratamento é adequado e mais se ele é moralmente aceitável dentro da narrativa dominante.

Quando isso acontece, o médico deixa de ser guardião do cuidado e passa a ser réu potencial. A ética, em vez de protegê-lo, é instrumentalizada para constrangê-lo. O silêncio necessário à prática médica cede lugar ao ruído do julgamento permanente. E o corpo do paciente, que deveria ser centro, transforma-se em campo simbólico de disputa.

É nesse ponto que a ética sem adjetivos se revela como último reduto do humano. Não uma ética neutra, mas uma ética consciente de seus limites. Não uma ética indiferente, mas uma ética que se recusa a servir como arma. O cuidado não absolve, não legitima, não endossa. Ele apenas cuida. E exatamente por isso sustenta a civilização.

Quando a medicina aceita ser colonizada pelo tribunal da opinião, ela abdica de sua função mais alta. Quando resiste, preserva algo que vai além da técnica: preserva a ideia de que há esferas da vida humana que não podem ser submetidas à lógica da vingança moral sem que tudo o mais se perca.

Essa tensão não é apenas médica. Ela é civilizacional. Pois a maneira como uma sociedade trata aqueles que considera indignos revela não sua força, mas seus limites. E é a partir desse ponto que se impõe a pergunta final: o que ainda estamos dispostos a preservar quando tudo exige alinhamento, julgamento e punição?

7. Conclusão — onde a ética ainda resiste

A ética médica permanece como um dos últimos espaços onde a civilização pode se reconhecer sem máscaras. Não porque seja perfeita, mas porque impõe limites. Ela lembra que há sofrimentos que não admitem juízo, dores que não pedem autorização ideológica e cuidados que não podem ser negociados em nome de causas, por mais nobres que se apresentem.

Quando a polarização tenta colonizar o cuidado, o que está em jogo não é apenas a prática médica, mas a própria ideia de humanidade compartilhada. Uma sociedade que pergunta quem o paciente é antes de decidir como tratá-lo já iniciou um processo silencioso de desumanização. Pode chamá-lo de zelo democrático, responsabilidade histórica ou justiça simbólica. O efeito, porém, é sempre o mesmo: a dignidade deixa de ser princípio e passa a ser exceção.

A ética, quando verdadeira, não escolhe lados. Escolhe limites. Não absolve nem condena. Suspende. Protege. Resiste. É precisamente essa resistência que a torna incômoda em tempos de trincheira, pois ela lembra que nem tudo pode ser reduzido a narrativa, identidade ou punição exemplar.

Defender uma ética médica sem adjetivos não é neutralidade covarde. É compromisso civilizacional. É afirmar que, mesmo quando o mundo exige alinhamento, ainda há espaços onde o humano deve permanecer anterior à política. Se esses espaços forem perdidos, não será a medicina a adoecer primeiro. Será a própria sociedade, que já não saberá distinguir justiça de vingança, nem cuidado de poder.

7. Pós-escrito — quando a narrativa substitui a humanidade

O ensaio que antecede trata de princípios. O Pós-escrito trata de fatos e de personagens.

Este Pós-escrito opta deliberadamente por nomear personagens públicos. Não por personalismo, nem por ajuste de contas, mas por uma razão histórica elementar: a ética se manifesta em fatos concretos, praticados por agentes reais, em contextos determinados. Textos que recusam os nomes em nome de uma abstração excessiva condenam o leitor futuro à arqueologia interpretativa e enfraquecem o próprio juízo moral que pretendem sustentar.

A história não se escreve apenas com estruturas. Escreve-se com homens.
Durante a pandemia, um recorte específico de um discurso do então presidente Jair Bolsonaro, retirado de seu contexto e repetido exaustivamente, foi convertido em prova moral definitiva de desumanidade. Esse fragmento passou a operar não como documento histórico, mas como sentença simbólica. A partir dele, construiu-se uma narrativa impermeável a fatos posteriores, revisões, nuances ou correções.

Pouco importou que vacinas tenham sido posteriormente disponibilizadas à população, que políticas públicas tenham sido implementadas ou que hoje esteja comprovado que parte da grande imprensa inflou, manipulou ou tratou números de mortos como instrumento político, como se a totalidade das consequências pudesse ser imputada pessoalmente ao governo. A narrativa já havia cumprido sua função central: desumanizar o personagem. E, uma vez desumanizado, tudo se torna permitido.
Esse método revela seus efeitos no presente.

Hoje, Jair Bolsonaro encontra-se preso, idoso e com histórico médico amplamente conhecido. A postergação de seu direito a tratamento médico adequado vem sendo tratada por parte significativa da opinião pública com indiferença, ironia ou aprovação explícita. Tal postura encontra respaldo institucional em decisões e condutas associadas ao ministro Alexandre de Moraes, que não esconde a lógica exemplar de sua atuação penal: não apenas punir, mas demonstrar poder, produzir temor e oferecer o corpo do réu como advertência simbólica.

Esse comportamento deveria causar indignação universal. Mas não causa.
O contraste moral torna-se ainda mais evidente quando se observa a assimetria de reações. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma queda recente e bateu a cabeça, não houve, salvo exceções marginais, ironia, escárnio ou desejo de morte por parte dos veículos e vozes associadas à direita. Houve silêncio respeitoso e reconhecimento da fragilidade humana. O corpo ferido voltou a ser limite.
O mesmo não ocorreu em sentido inverso.

Quando Jair Bolsonaro sofreu uma tentativa de assassinato em 2018, publicamente documentada, o próprio Lula afirmou tratar-se de fingimento. A violência física foi dissolvida em cinismo narrativo. A dor foi deslegitimada. O corpo deixou de ser limite e passou a ser instrumento retórico. O mesmo padrão reaparece quando quedas, enfermidades ou fragilidades do adversário são tratadas com sarcasmo por jornalistas, comentaristas e formadores de opinião alinhados ao campo moral dominante.

Aqui não se trata de santificar Bolsonaro nem de demonizar Lula. Trata-se de registrar uma diferença objetiva de postura diante do sofrimento físico do adversário político. Esse é um critério ético simples e implacável. Quem preserva o silêncio respeitoso diante da vulnerabilidade humana mantém fidelidade ao princípio. Quem responde com ironia revela que a ética já foi substituída pela narrativa.

O ponto central, contudo, não é nenhum desses nomes isoladamente. É o precedente histórico que eles ajudam a revelar.

Quando a humanidade deixa de ser princípio e passa a depender da posição política do indivíduo, ninguém está protegido. Hoje o método recai sobre Jair Bolsonaro. Amanhã, poderá recair sobre qualquer outro cidadão que ocupe o lugar errado no momento errado, diante de uma composição específica do Supremo Tribunal Federal que confunde justiça com pedagogia do medo.

A história

A história mostra que a desumanização não começa com a violência explícita. Ela começa com a suspensão seletiva da empatia, com a crença confortável de que “desta vez é diferente”, com a ideia de que o sofrimento do outro é exceção justificável.

Quando uma sociedade aceita que alguém seja tratado de forma desumana porque “merece”, ela já abriu mão do critério que a protegia. E quando percebe, tarde demais, descobre que a ética que deixou de defender não era um favor ao adversário político, mas a última garantia de si mesma.

(*) O autor é advogado, Procurador do Estado aposentado, ex-Procurador-Geral do Estado do Amazonas e membro da Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas.

NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.

imagem2

Leia outras informações

imagem noticia

Urgente, exclusivo. Rolando agora - Raquel tenta tirar o controle da federação de Eduardo da Fonte

22/07/2026 - Jornal O Poder

Neste momento, noite de quarta-feira, 22/07/26, o deputado Eduardo da Fonte está reunido com a bancada do PP na Assembleia Legislativa. O presidente da federação União Progressista soube da suposta tentativa da governadora Raquel Lyra de “retirar” o controle do grupo do progressista e favorecer o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, que disputa com Dudu da Fonte a presença na condição de candidato ao Senado na chapa de Raquel Teixeira Lyra.

imagem noticia

Neste momento, noite de quarta-feira, 22/07/26, o deputado Eduardo da Fonte está reunido com a bancada do PP na Assembleia Legislativa. O presidente da federação União Progressista soube da suposta tentativa da governadora Raquel Lyra de “retirar” o controle do grupo do progressista e favorecer o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, que disputa com Dudu da Fonte a presença na condição de candidato ao Senado na chapa de Raquel Teixeira Lyra.




imagem noticia

"Há males que vêm para o bem", diz Lula ao anunciar medidas após 'Tarifaço' dos EUA. Confira as novidades para o seu Papo da Noite

22/07/2026

O presidente Lula anunciou hoje, quarta-feira, 22/07, a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas a produtos brasileiros vendidos no mercado americano e também aquelas impactadas pela guerra no Oriente Médio. A medida é chamada de "Brasil Soberano 3" pelo governo. Segundo o governo, R$ 13,5 bilhões virão de recursos não utilizados no "Brasil Soberano 1" e das renegociações de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões virão do BNDES. O financiamento será destinado às empresas que: são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como setores de aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, entre outros; são de setores industriais estratégicos, por exemplo: fertilizantes, farmacêutico, têxtil, minerais críticos, entre outros; setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetadas. O governo coloca algumas regras para as empresas que aderirem ao programa como, por exemplo, a manutenção de pelo menos parte dos empregos. (Com G1)

imagem noticia

O presidente Lula anunciou hoje, quarta-feira, 22/07, a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas a produtos brasileiros vendidos no mercado americano e também aquelas impactadas pela guerra no Oriente Médio. A medida é chamada de "Brasil Soberano 3" pelo governo. Segundo o governo, R$ 13,5 bilhões virão de recursos não utilizados no "Brasil Soberano 1" e das renegociações de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões virão do BNDES. O financiamento será destinado às empresas que: são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como setores de aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, entre outros; são de setores industriais estratégicos, por exemplo: fertilizantes, farmacêutico, têxtil, minerais críticos, entre outros; setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetadas. O governo coloca algumas regras para as empresas que aderirem ao programa como, por exemplo, a manutenção de pelo menos parte dos empregos. (Com G1)

- Lula disse que "há males que vêm para o bem" durante cerimônia para anunciar medidas do governo brasileiro em resposta ao recente 'tarifaço' imposto pelos EUA.

- Ainda sobre 'Tarifaço': Outras medidas continuam em estudo e podem ser colocadas em prática na medida em que as empresas perceberem dificuldades na vazão dos produtos tarifados.

- 'Tarifaço' dos EUA: Lula diz que nunca houve reciprocidade em diálogos com os EUA. Presidente ainda disse que Brasil "não vai ficar chorando" por exportações de produtos brasileiros que não serão vendidos ao governo norte-americano: "Nós vamos procurar outros compradores".



imagem 2




- Luto no cinema: Um dos expoentes do Cinema Novo, Luiz Carlos Barreto morre aos 98 anos. Barretão fotografou Marilyn Monroe e quase defendeu Brasil na Olimpíada. Lula lamenta e decreta luto de três dias.

- PT e o 'tarifaço': A sobretaxa de 25% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor hoje, quarta-feira, 22/07, e o PT lança a campanha "O Brasil Não Se Entrega". Numa tentativa de se posicionar como legenda que defende a soberania nacional, a economia brasileira, os empregos e o direito do povo de decidir o próprio destino.

- Eleições 2026: Kassio orienta tribunais a buscar especialistas em IA para agilizar identificação de conteúdo adulterado. Presidente do TSE enviou ofício aos Estados recomendando parcerias com universidades e entidades.



imagem 3




- Eleições 2026: BB simplifica abertura de contas eleitorais por candidatos

Os candidatos aos cargos federais e estaduais poderão abrir, de forma totalmente digital, no Banco do Brasil, BB, as contas bancárias obrigatórias para movimentação dos recursos de campanha, sem necessidade de comparecer a uma agência. A instituição financeira anunciou a simplificação das funcionalidades da Conta Eleitoral Digital BB para as eleições de 2026. A principal novidade é a integração do sistema do banco com a Justiça Eleitoral para validação automática das informações e do Requerimento de Abertura de Conta, RAC. A conta eleitoral é obrigatória para a movimentação financeira das campanhas e tem como objetivo garantir maior transparência e rastreabilidade dos recursos utilizados pelos candidatos durante o processo eleitoral. (Com Agência Brasil)

- Ministros do STF veem como 'graves' e 'absurdas' falas de Flávio sobre urnas.

- Green Card de Eduardo: a obtenção do green card pelo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, PL, não tem influência nas condenações que o ex-parlamentar enfrenta no Brasil e nem o blinda de um possível pedido de extradição, de acordo com especialistas.

- Caso Marielle: Flávio Dino, STF, mantém perda do mandato de Chiquinho Brazão.

- Eleições 2026: Lula reforça estrutura de campanha com chefe de gabinete e número 2 da Secom. Marcola e homem de confiança de Sidônio Palmeira deixaram postos no Palácio do Planalto.



imagem 4




- Última: Flávio e Vorcaro: Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas usadas em esquema de Vorcaro

O escritório de advocacia do presidenciável Flávio Bolsonaro, PL, emitiu 3 notas e cancelou duas notas fiscais no valor total de R$ 1 milhão em favor de uma empresa de fachada usada por Daniel Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões do Banco Master. As notas indicam que as conexões entre Flávio e Vorcaro vão além das reveladas até agora na crise do 'Dark Horse'. O que se sabia é que o presidenciável conseguiu dinheiro com o dono do Master para financiar o filme do pai. (Com Metrópoles)

- Teatro no Recife: Marco Nanini retorna ao Recife com "Fim de Partida", clássico de Samuel Beckett, ao lado de Guilherme Weber em quatro sessões a partir de amanhã, quinta-feira, 23/07.



imagem 5




- Missa do Vaqueiro PE: Falta de acordo entre Governo de PE e Prefeitura de Serrita ameaça organização da Missa do Vaqueiro. Situação virou alvo de um procedimento administrativo do MPPE. Segundo a Prefeitura de Serrita, o Estado de Pernambuco atrasou o repasse da grade de shows e estrutura, o que travou os processos licitatórios da gestão municipal.

- Saúde: Pernambuco vai receber mais de 20 mil tubetes de insulina glargina para aplicação pelo SUS. Medicamento, mais moderno e usado no cuidado de diabetes, será ofertado a crianças, adolescentes e idosos em substituição à insulina NPH.



imagem 6




- Ministro Jorge Messias, Pernambucano, é o homenageado na abertura dos 200 anos da FDR. Solenidade reunirá autoridades e marcará os 200 anos da Faculdade de Direito do Recife. Marcada para o dia 11 de agosto, às 18h30, promete ser um dos acontecimentos mais prestigiados do ano.

- Parceria Inédita: A Prefeitura do Recife e o Real Hospital Português, RHP, assinaram um acordo que passa a permitir o compartilhamento de dados entre os sistemas das duas instituições. Na prática, profissionais de saúde da rede municipal e do hospital poderão acessar o histórico clínico de pacientes atendidos pelas duas redes, reduzindo a repetição de exames e agilizando diagnósticos.

- Eleições 2026, PE: João Campos encerra ciclo do 'Chega Junto Pernambuco' no Recife

O pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, PSB, encerrou, nesta ontem, 21/07, o ciclo de plenárias do 'Chega Junto Pernambuco' no Recife. Realizado na Av. Norte, o encontro reuniu lideranças políticas, lideranças sindicais e moradores das RPAs 1 e 3 e concluiu a série de escutas públicas promovidas em todas as Regiões Político-Administrativas da capital para construir, de forma participativa, o programa de governo da chapa da Frente Popular para as eleições de 2026. Ao longo das últimas semanas, o Chega Junto Pernambuco percorreu todas as regiões da cidade, promovendo encontros com moradores, lideranças comunitárias e representantes de diversos segmentos da sociedade. O evento desta terça-feira marcou o encerramento da etapa de participação popular realizada no Recife, que antecede o lançamento oficial da candidatura.

- Dólar cai a R$ 5,05, e Bolsa sobe com nova alta do petróleo

- Sem brasileiros, Fifa anuncia seleção da Copa de 2026 com Messi, Mbappé e Haaland. Equipe ideal do torneio conta trio ofensivo formado por Messi, Mbappé e Haaland. Além do meia Rodri, que foi eleito o melhor jogador do torneio, outros dois atletas da campeã Espanha aparecem entre os 11 titulares: os laterais Pedro Porro e Marc Cucurella.



imagem 7




- New York Post: Trump quer que Infantino se candidate a secretário-geral da ONU. Não está claro se o presidente da Fifa estaria interessado em ocupar o cargo ou se o assunto chegou a ser discutido entre ele e Trump.



imagem 8




- Tensão no Mar Vermelho: UE alerta navios ligados aos EUA, Israel e Sauditas a evitarem Mar Vermelho

Navios mercantes ligados a Israel, aos EUA ou à Arábia Saudita devem evitar transitar pelo Mar Vermelho e pelo Golfo de Aden, nas proximidades do Iêmen, afirmou a Aspides, missão naval defensiva da UE, União Europeia. O grupo militante Houthis, do Iémen e aliado ao Irã, declarou nesta semana que irá impor um bloqueio ao transporte marítimo saudita que transita por Bab al-Mandeb, um ponto de estrangulamento marítimo crucial localizado entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden. A missão naval da UE informou que o nível de risco para quaisquer navios ou empresas de navegação associados à Arábia Saudita, a Israel e aos EUA é "alto". "Isso inclui navios de qualquer nacionalidade que tenham feito escala, carregado ou descarregado carga recentemente em portos da Arábia Saudita, uma vez que tais embarcações podem ser vistas como associadas a interesses sauditas e, portanto, consideradas alvos em potencial", declarou a missão hoje, quarta-feira, 22/07.

- EUA investigam se Rússia ajudou o Irã a atacar alvos da inteligência americana. Analistas apuram se Moscou forneceu informações de mira, tecnologia para drones ou ajudou a escolher alvos. Ataques atingiram instalações da CIA na Arábia Saudita e no Iraque.

- Governo Trump: Nomeação de novo embaixador dos EUA no Brasil avança no Congresso americano. Nome de Daniel Perez foi aprovado pelo comitê de Relação Exteriores e agora avança para plenário.

- Argentina: Cristina Kirchner contrata advogado brasileiro para reverter condenação. Ex-presidente argentina foi condenada a 6 anos de prisão e à inelegibilidade perpétua. Rafael Valim atuará com jurista espanhol Javier Borrego.

- Caso Epstein: Olheiro de modelos ligado a Epstein é encontrado morto na França. Daniel Siad, 69, era investigado por estupro após denúncias de mulheres. Ele negava as acusações.



imagem 9




- Julgamento de Nicolás Maduro nos EUA está marcado: 1º de junho de 2027

O juiz Alvin Hellerstein definiu hoje, quarta-feira, 22/07, a data de início do julgamento do ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro: 1º de junho de 2027. A audiência de hoje durou apenas alguns minutos e foi realizada em Nova York, onde Maduro e a esposa, Cilia Flores, estão presos.

Forças Especiais dos Estados Unidos capturaram os venezuelanos em Caracas durante uma operação noturna em janeiro. Os EUA classificam Maduro como um ditador corrupto, cuja má gestão levou ao colapso da economia da Venezuela. Além disso, o acusam de fraudar as eleições de 2018 e 2024. No processo atual, ele é acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração. O ditador e a esposa se declararam inocentes. O governo americano deixou de reconhecê-lo como presidente legítimo do país em 2019.

Maduro descreveu-se como "prisioneiro de guerra" durante audiência em 05/01. Ele acusa há muito tempo os EUA de buscarem sua deposição para obter maior controle sobre as vastas reservas de petróleo do país.




imagem noticia

Hoje - TSE afirma que é falsa a declaração de Flávio Bolsonaro sobre Sistema Eleitoral Brasileiro

22/07/2026

O TSE rebateu hoje, quarta-feira, 22/07, informações que associam as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic. Após declarações do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, PL, a diplomatas estrangeiros, a corte eleitoral decidiu divulgar novamente um comunicado publicado em 2022, no qual afirma que a companhia não fornece urnas nem softwares utilizados nas eleições do país. A medida foi autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques. Em vez de emitir uma manifestação específica sobre o episódio, o magistrado permitiu a republicação do esclarecimento divulgado há quatro anos, quando alegações semelhantes foram feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma reunião com embaixadores. O caso acabou servindo de base para a ação que resultou na condenação de Bolsonaro a inelegibilidade até 2030. Ao republicar o comunicado, o TSE reiterou que a informação sobre uma suposta participação da Smartmatic nas urnas brasileiras é falsa.

Declaração Fl...

imagem noticia

O TSE rebateu hoje, quarta-feira, 22/07, informações que associam as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic. Após declarações do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, PL, a diplomatas estrangeiros, a corte eleitoral decidiu divulgar novamente um comunicado publicado em 2022, no qual afirma que a companhia não fornece urnas nem softwares utilizados nas eleições do país. A medida foi autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques. Em vez de emitir uma manifestação específica sobre o episódio, o magistrado permitiu a republicação do esclarecimento divulgado há quatro anos, quando alegações semelhantes foram feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma reunião com embaixadores. O caso acabou servindo de base para a ação que resultou na condenação de Bolsonaro a inelegibilidade até 2030. Ao republicar o comunicado, o TSE reiterou que a informação sobre uma suposta participação da Smartmatic nas urnas brasileiras é falsa.

Declaração Flávio a diplomatas estrangeiros ontem, 21/07

Em encontro com representantes de outros países realizado na ontem, terça-feira, 21/07, Flávio citou um relatório divulgado pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, CIA, sobre suspeitas de fraude nas eleições venezuelanas de 2012. Ao comentar o assunto, o senador afirmou que equipamentos utilizados no Brasil teriam origem ligada à mesma empresa mencionada no documento. “Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, declarou. Na sequência, o pré-candidato pediu maior participação internacional no acompanhamento do pleito de 2026. “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições”, enfatizou. A reunião contou representantes das embaixadas no Brasil dos Estados Unidos, China, Israel, Alemanha e Reino Unido estavam presentes, além de 35 outros países e enviados de dois blocos: a União Europeia e a Liga dos Estados Árabes.

Comunicado de Flávio hoje, 22/07

O pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro, PL, emitiu um comunicado hoje, quarta-feira, 22/07, em que afirma não ter questionado a integridade do sistema de votações no Brasil através das urnas eletrônicas. Nota: nota na íntegra: "Não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala, o pré-candidato se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) O fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) Um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições Venezuelanas."




imagem noticia

Guerra Híbrida, Competição Estratégica e os Seis Vetores de Pressão sobre o Brasil - Por Amadeu Robalinho*

22/07/2026

As disputas entre grandes potências no século XXI dificilmente se desenvolvem por meio de invasões militares convencionais. A experiência internacional demonstra que Estados buscam, cada vez mais, ampliar sua influência por meio de instrumentos econômicos, tecnológicos, diplomáticos, cibernéticos, informacionais e de alianças estratégicas. Essa lógica, amplamente estudada na literatura de Defesa e Relações Internacionais, caracteriza a chamada guerra híbrida.

No caso de uma eventual deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos, o emprego desses instrumentos ocorreria, em tese, dentro de uma estratégia integrada de pressão, cujo objetivo seria influenciar decisões estratégicas sem recorrer ao emprego direto de forças terrestres.

O primeiro vetor seria a pressão econômica. Tarifas comerciais, restrições ao acesso a mercados, sanções direcionadas, limitações financeiras e barreiras ao fornecimento de bens estratégicos podem produzir efeitos relevan...

imagem noticia

As disputas entre grandes potências no século XXI dificilmente se desenvolvem por meio de invasões militares convencionais. A experiência internacional demonstra que Estados buscam, cada vez mais, ampliar sua influência por meio de instrumentos econômicos, tecnológicos, diplomáticos, cibernéticos, informacionais e de alianças estratégicas. Essa lógica, amplamente estudada na literatura de Defesa e Relações Internacionais, caracteriza a chamada guerra híbrida.

No caso de uma eventual deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos, o emprego desses instrumentos ocorreria, em tese, dentro de uma estratégia integrada de pressão, cujo objetivo seria influenciar decisões estratégicas sem recorrer ao emprego direto de forças terrestres.

O primeiro vetor seria a pressão econômica. Tarifas comerciais, restrições ao acesso a mercados, sanções direcionadas, limitações financeiras e barreiras ao fornecimento de bens estratégicos podem produzir efeitos relevantes sobre cadeias produtivas, investimentos e crescimento econômico. Na prática, a economia passa a ser utilizada como instrumento de poder nacional.

O segundo vetor seria o domínio cibernético. Infraestruturas críticas, como sistemas de energia, telecomunicações, transportes, portos, sistema financeiro e redes governamentais, tornam-se alvos potenciais de espionagem, sabotagem digital ou operações de coleta de inteligência. A proteção desses ativos deixou de ser exclusivamente um problema tecnológico para tornar-se questão central de Defesa Nacional.

O terceiro vetor corresponde ao ambiente informacional. Redes sociais, plataformas digitais, campanhas de influência e operações psicológicas podem moldar percepções públicas, ampliar polarizações e influenciar processos decisórios. O objetivo não seria apenas convencer, mas alterar o ambiente político e estratégico de forma favorável aos interesses de quem exerce a influência.

O quarto vetor consiste na pressão diplomática e jurídica internacional. Organismos multilaterais, acordos internacionais, mecanismos de cooperação, regimes de sanções e articulações entre aliados podem aumentar os custos políticos de determinadas decisões nacionais. O emprego do direito internacional, de mecanismos regulatórios e de medidas diplomáticas integra, atualmente, o repertório da competição estratégica entre Estados.

O quinto vetor envolve a competição tecnológica e industrial. O controle sobre semicondutores, inteligência artificial, sistemas espaciais, softwares críticos, tecnologias militares, minerais estratégicos e cadeias globais de suprimentos tornou-se elemento central da geopolítica contemporânea. Países dependentes de tecnologias externas possuem menor autonomia para formular políticas de longo prazo.

O sexto vetor corresponde à construção de alianças estratégicas e à projeção de influência regional. O fortalecimento da cooperação militar, de inteligência, de segurança e de defesa com países vizinhos amplia a capacidade de projeção de poder sem necessidade de emprego direto de tropas. Exercícios conjuntos, acordos de interoperabilidade, compartilhamento de inteligência e cooperação logística são instrumentos legítimos de política externa utilizados por diversas potências.

Sob a perspectiva jurídica, qualquer emprego da força contra o Brasil encontraria limitações impostas pela Carta das Nações Unidas, especialmente pelo princípio da proibição do uso da força previsto no artigo 2º, bem como pelos princípios constitucionais brasileiros da soberania, da independência nacional, da não intervenção e da solução pacífica das controvérsias, previstos nos artigos 1º e 4º da Constituição Federal.

A realidade estratégica demonstra, entretanto, que a competição entre potências ocorre predominantemente abaixo do limiar do conflito armado. O poder nacional passou a ser exercido de forma multidimensional, integrando instrumentos econômicos, tecnológicos, diplomáticos, informacionais, jurídicos e cibernéticos.

Nesse contexto, a principal resposta brasileira não reside na expectativa de uma guerra convencional, mas no fortalecimento permanente da Base Industrial de Defesa, da segurança cibernética, da inteligência estratégica, da proteção das infraestruturas críticas, da autonomia tecnológica, da indústria nacional e da capacidade diplomática do Estado.

A soberania contemporânea não depende apenas da proteção das fronteiras físicas. Ela se sustenta, sobretudo, na capacidade de um país preservar sua liberdade de decisão diante das múltiplas formas de competição geopolítica que caracterizam o século XXI.


*Amadeu Robalinho, é Comissário Especial da Polícia Civil de PE, pós-graduado em Engenharia Naval e especialista em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública. Atua como Conselheiro de Assuntos de Defesa Nacional e Segurança Pública da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-PE), desenvolvendo estudos e artigos sobre soberania, geopolítica, indústria de defesa e desenvolvimento estratégico do Brasil. @amadeurobalinho



imagem 2




NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores.




imagem noticia

TSE e Pesquisas Eleitorais - Kassio prepara novo modelo de registro de pesquisas

22/07/2026

O presidente do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, prepara um novo modelo de registro para pesquisas eleitorais, em que os institutos terão de preencher um formulário para detalhar, entre outras informações, o perfil dos eleitores que pretendem entrevistar. Um dos itens em avaliação é a exigência de que as empresas informem previamente os bairros em que a pesquisa ocorrerá — uma iniciativa que, de acordo com especialistas, pode dar margem para interferências indevidas e manipulação de resultados. Nas discussões com sua equipe, o presidente do TSE tem dito que o formulário que será disponibilizado aos institutos é uma iniciativa simples de aperfeiçoamento e que não haverá nenhuma interferência do tribunal no mérito das pesquisas, exceto em casos de judicialização.

Regras para pesquisas eleitorais

A medida é mais um capítulo de uma investida de Kassio para determinar regras para pesquisas eleitorais, após uma decisão que...

imagem noticia

O presidente do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, prepara um novo modelo de registro para pesquisas eleitorais, em que os institutos terão de preencher um formulário para detalhar, entre outras informações, o perfil dos eleitores que pretendem entrevistar. Um dos itens em avaliação é a exigência de que as empresas informem previamente os bairros em que a pesquisa ocorrerá — uma iniciativa que, de acordo com especialistas, pode dar margem para interferências indevidas e manipulação de resultados. Nas discussões com sua equipe, o presidente do TSE tem dito que o formulário que será disponibilizado aos institutos é uma iniciativa simples de aperfeiçoamento e que não haverá nenhuma interferência do tribunal no mérito das pesquisas, exceto em casos de judicialização.

Regras para pesquisas eleitorais

A medida é mais um capítulo de uma investida de Kassio para determinar regras para pesquisas eleitorais, após uma decisão que censurou um levantamento da Atlas/Bloomberg e a proposta de um "selo de acurácia" para os institutos que publicarem pesquisas com resultados próximos ao apurado nas urnas. As duas iniciativas foram alvos de críticas de empresas e especialistas. A ideia do ministro é apresentar as principais informações de cada pesquisa em uma plataforma no site do TSE, com um "layout" que evidencie cada uma delas, facilitando a consulta pelos candidatos e pelo eleitorado. O ministro tem afirmado a pessoas próximas que os institutos precisam justificar, por exemplo, eventuais casos em que a amostra de eleitores será entrevistada em uma determinada área geográfica, e não em outra. Se a pesquisa for realizada apenas numa região específica de um estado, essa informação precisa ser tornada pública, ele argumenta. Outra indagação que pode ser feita no questionário é se o instituto tomou as devidas precauções para evitar que robôs participem de pesquisas feitas pela internet.



imagem 2




Nunes Marques

O presidente do TSE tem sinalizado a interlocutores que considera o protocolo atual de registro de pesquisas genérico, pois, embora os institutos sejam obrigados a prestar uma série de dados sobre a metodologia da pesquisa e o perfil das amostras, não há uma sistematização dessas informações. Nessas conversas, Kassio avalia que o processo poderia ser mais transparente, para oferecer acesso a esses dados à população, aos partidos políticos e às campanhas que eventualmente desejem questionar na Justiça um determinado levantamento. Uma outra possibilidade é questionar o instituto sobre a intenção de mostrar aos entrevistados fotos, áudios ou vídeos relacionados a algum candidato — controvérsia que será discutida pelo plenário do TSE em agosto, quando for retomado o julgamento sobre o caso Atlas/Bloomberg. A pesquisa, que mostrou queda de 6 pontos percentuais nas intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro, PL, foi censurada por Kassio em junho. O ministro entendeu que houve "indução grave de percepção negativa" sobre o pré-candidato. O instituto mostrou aos entrevistados o áudio em que Flávio pede dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", que conta a história de seu pai, Jair Bolsonaro. (Com a Folha de S.Paulo)




imagem noticia

Caso Master - Polícia Federal planeja concluir inquérito sobre Banco Master nas próximas semanas

22/07/2026

A Polícia Federal pretende concluir nas próximas semanas o inquérito sobre as fraudes do Banco Master. A previsão é encerrar a investigação até o final de agosto, com a apresentação de indiciamentos. Na lista devem figurar os nomes de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, que faziam parte da cúpula da instituição financeira, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, o Banco de Brasília. A força policial não descarta que, pela extensão da investigação, novos inquéritos sejam abertos posteriormente com base nas informações colhidas até agora.



Vorcaro e Costa

Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa já sinalizaram disposição em fechar um acordo de delação premiada. Os indícios apresentados até agora, porém, foram considerados insuficientes. Com o indiciamento, caberá à PGR analisar as provas e decidir pelo pedido de ação criminal ou arquivamento. Um julgamento na Suprema Corte, porém, só deve ocorrer no ano que vem, devido ao calendário ap...

imagem noticia

A Polícia Federal pretende concluir nas próximas semanas o inquérito sobre as fraudes do Banco Master. A previsão é encerrar a investigação até o final de agosto, com a apresentação de indiciamentos. Na lista devem figurar os nomes de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, que faziam parte da cúpula da instituição financeira, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, o Banco de Brasília. A força policial não descarta que, pela extensão da investigação, novos inquéritos sejam abertos posteriormente com base nas informações colhidas até agora.



imagem 2




Vorcaro e Costa

Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa já sinalizaram disposição em fechar um acordo de delação premiada. Os indícios apresentados até agora, porém, foram considerados insuficientes. Com o indiciamento, caberá à PGR analisar as provas e decidir pelo pedido de ação criminal ou arquivamento. Um julgamento na Suprema Corte, porém, só deve ocorrer no ano que vem, devido ao calendário apertado deste ano.




imagem noticia

Eleições 2026 - PP e União decidem ficar de fora do palanque de Flávio Bolsonaro

22/07/2026

A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, decidiu pela neutralidade na disputa presidencial, portanto, não embarcará na campanha do pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro, PL. A definição saiu após uma reunião realizada na noite de ontem, 21/07, pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, com dirigentes da legenda. A decisão deve ser formalizada pela federação nos próximos dias. No encontro, integrantes do partido avaliaram que a maioria da federação defende neutralidade para preservar as escolhas individuais dos estados. Na prática, a orientação do PP e do União Brasil será para que cada estado tenha autonomia para definir seus palanques na eleição presidencial, ou seja: para decidir se vão apoiar Flávio, Lula ou qualquer outro candidato.



Flávio e Valdemar

A decisão representa um revés para a estratégia de Flávio Bolsonaro de consolidar o apoio de partidos do centrão antes do início das conve...

imagem noticia

A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, decidiu pela neutralidade na disputa presidencial, portanto, não embarcará na campanha do pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro, PL. A definição saiu após uma reunião realizada na noite de ontem, 21/07, pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, com dirigentes da legenda. A decisão deve ser formalizada pela federação nos próximos dias. No encontro, integrantes do partido avaliaram que a maioria da federação defende neutralidade para preservar as escolhas individuais dos estados. Na prática, a orientação do PP e do União Brasil será para que cada estado tenha autonomia para definir seus palanques na eleição presidencial, ou seja: para decidir se vão apoiar Flávio, Lula ou qualquer outro candidato.



imagem 2




Flávio e Valdemar

A decisão representa um revés para a estratégia de Flávio Bolsonaro de consolidar o apoio de partidos do centrão antes do início das convenções partidárias. O apoio dado pela federação em São Paulo não se refletiu em um acordo nacional. Apesar de Valdemar Costa Neto e do próprio Flávio Bolsonaro se movimentaram para convencer a direção da União Progressista a integrar sua coalizão. Para o PL, ainda há chances de negociação. Inclusive, por isso, o partido deixou a definição da vaga de vice para um segundo momento. O PL também negocia com o Republicanos, que sinaliza para uma posição imparcial na disputa. (Com a CNN)




imagem noticia

Da Série – Os Mistérios do Aquém: Maracutaia Atômica – Por Natanael Sarmento*

22/07/2026

O Programa Nuclear Brasileiro é fruto da megalomania do regime militar. Monumentos de desperdício e corrupção. Vendido como salto tecnológico e da soberania, tornou-se enorme buraco negro da Fazenda Pública. O setor elétrico suga bilhões para alimentar o rico ecossistema das empreiteiras, generais e políticos corruptos.

Sonho atômico

O “Acordo Nuclear Brasil-Alemanha” foi assinado no auge da ditadura, 1975. Sob o pretexto de busca da independência energética e desenvolvimento da tecnologia cobiçada da "bomba atômica" brasileira.

Jabá atômico

A ditadura militar pagou a preço de ouro para importar reatores de água leve (PWR), tecnologia cara, complexa, obsoleta, desnecessária à realidade geofísica brasileira.

No patroti abençoado por Deus

Da maior bacia hidrográfica do mundo, propícias às hidrelétricas de reservatório, dimensões continentais de mais 8,6 km² de incidência de raio...

imagem noticia

O Programa Nuclear Brasileiro é fruto da megalomania do regime militar. Monumentos de desperdício e corrupção. Vendido como salto tecnológico e da soberania, tornou-se enorme buraco negro da Fazenda Pública. O setor elétrico suga bilhões para alimentar o rico ecossistema das empreiteiras, generais e políticos corruptos.

Sonho atômico

O “Acordo Nuclear Brasil-Alemanha” foi assinado no auge da ditadura, 1975. Sob o pretexto de busca da independência energética e desenvolvimento da tecnologia cobiçada da "bomba atômica" brasileira.

Jabá atômico

A ditadura militar pagou a preço de ouro para importar reatores de água leve (PWR), tecnologia cara, complexa, obsoleta, desnecessária à realidade geofísica brasileira.

No patroti abençoado por Deus

Da maior bacia hidrográfica do mundo, propícias às hidrelétricas de reservatório, dimensões continentais de mais 8,6 km² de incidência de raios solares, ademais da costa marítima de quase 11 mil Km onde a brisa abunda com perfeição para usinas eólicas, a cavalaria militar optou pelo caminho mais caro e perigoso.

Cálculos

Décadas depois, não teria o julgamento de Nuremberg com Hitler no poder, o Tribunal de Contas da União calculou que os custos da energia produzidos pelos dinossauro nucleares são R$ 43 bilhões mais caros do que os das fontes de energias limpas alternativas.

Na conta da Viúva

Só à mantença da obra de Angra 3 sem funcionar, o contribuinte desembolsava R$ 1 bilhão por ano diretamente para juros de dívidas com BNDES/Caixa e e preservar equipamentos enferrujando na praia de Itaorna.

"Cartel do Concreto"

Angra não foi erro de cálculo energético. Foi regalo para empreiteiros e banqueiros. O setor nuclear rubricava o "cheque em branco" sem transparência, ou satisfação, da ditadura militar.
Rouba, mas faz

O bordão ou lema da política burguesa celebrizada pelo governador de São Paulo Ademar de Barros tem antecedentes e consequentes históricos, é escola. A Operação Lava Jato revelou a energia da corrupção por trás dos reatores nucleares dos contratos de Angra 3. No cartel das grandes construtoras, a força atômica da “vantagem indevida” (propina) chegava a 1% do total de contratos bilionários.

Protagonistas

Corrupção ativa e passiva é caminho em via dupla: corruptor e do corrompido. Sejam agentes públicos e/ou privados.

Setor público

O grande inspirador e heróis do programa nuclear brasileiro é oAlmirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. Foi presidente da Eletronuclear e virou símbolo.Foi condenado pelo STF por receber milhões em propina através da consultoria (Aratec).

Zona do agrião

A Eletronuclear tornou-se feudo rentável loteado nas indicações políticas dos partidos da burguesia, todos eles, inclusive os ditos trabalhistas ou dos trabalhadores, terreno fértil dos caixas 2 das campanhas eleitorais, dos enriquecimentos ilícitos.

Empreiteiras

Na ditadura ou no estado “democrático de direito” a parte do leão fica com os mesmos, com as empresas empreiteiras, grandes construtoras que lavam às burras. O consórcio Angramon de gigantes quais Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, UTC, Odebrecht e Queiroz Galvão. O Executivos Dalton Avancini (Camargo Corrêa) confessou propinas pagas de forma sistemática nos aditivos contratuais de superfaturamentos da obra de Angra.

Dívida atômica

Os números de Angra 3 são bombásticos, desde o início das obras até o PAC de 2009. Entre gastos acumulados e dissipados, são mais de 10 bilhões. Estima-se 23,9 bilhões adicionais. Custos do abandono e desmonte em torno de 21 a 25 bilhões. (custo de afundamento – sunk-cost”) é quase a mesma fábula bilionária.

Contramão

Os países desenvolvidos redirecionam investimentos para matrizes descentralizadas e seguras, limpas. O Brasil varonil continua no modelo caro e temerário. A população paga as tarifas de energia mais caras do mundo, recebe os piores serviços, com quedas de energia, faltas alternadas, apagões. As carpideiras da ditadura choram muito, afinal todas elas foram bem pagas. Ditadura, nunca mais.


*Natanael Sarmento é professor e escritor, e integrante do Diretório Nacional da UP. @sarmentonatanael



imagem 2




NR - Os textos assinados expressam a opinião dos autores.




imagem noticia

Honestamente! ... - Por Carlos Bezerra Cavalcanti*

22/07/2026

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da verdade, a rir-se da honra e de ter vergonha de ser honesto.”

Essas palavras proferidas por Rui Barbosa, há um século, poderiam constar de uma placa no Congresso Federal pois serviriam de exemplo perene aos nossos legisladores.

Mais de quinhentos anos se passaram da chegada, nestas plagas auriverdes, dos primeiros exploradores e, desde então, a desonestidade e as falcatruas sempre estiveram na “ordem do dia”.

As naus dos piratas franceses e ingleses, as Expedições Exploradoras de Portugal e Espanha, os navios holandeses a serviço da Cia das Índias Ocidentais e, mais recentemente, os cofres dos Bancos Suíços, das ilhas Cayman e de outros Paraísos Fiscais configuram-se, através dos tempos, em verdadeiros vertedouros de nossas riquezas, tendo como “in...

imagem noticia

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da verdade, a rir-se da honra e de ter vergonha de ser honesto.”

Essas palavras proferidas por Rui Barbosa, há um século, poderiam constar de uma placa no Congresso Federal pois serviriam de exemplo perene aos nossos legisladores.

Mais de quinhentos anos se passaram da chegada, nestas plagas auriverdes, dos primeiros exploradores e, desde então, a desonestidade e as falcatruas sempre estiveram na “ordem do dia”.

As naus dos piratas franceses e ingleses, as Expedições Exploradoras de Portugal e Espanha, os navios holandeses a serviço da Cia das Índias Ocidentais e, mais recentemente, os cofres dos Bancos Suíços, das ilhas Cayman e de outros Paraísos Fiscais configuram-se, através dos tempos, em verdadeiros vertedouros de nossas riquezas, tendo como “infiéis” depositários os governantes em várias épocas de nossa história, tanto na Colônia, como no Império e principalmente na República.

Executivo, Legislativo e Judiciário

Não é novidade para ninguém que alguns integrantes dos nossos três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, num verdadeiro jogo de escravos de jó, “tiram e botam” a culpa dos erros governamentais, uns nos outros. As leis, neste país, são “compridas” mas não “cumpridas”. O Executivo só executa, mesmo, as dívidas dos cidadãos, asfixiados com tantos impostos definitivos e provisórios (para sempre). O Judiciário, onde alguns juízes, sem mau juízo, fazem, literalmente, seu “jogo”, figa guarnecido dentro de uma redoma, vestindo a toga mas sem vestir a camisa, isso tudo sem contar com alguns integrantes do Parlamento, ou seria (para lamento), que dão exemplo de fazer inveja à “Cosa Nostra”.

Euclides da Cunha

Parafraseando Euclides da Cunha, eu diria que o povo brasileiro, a exemplo do sertanejo, “é, antes de tudo, um forte”, mas, por certo, não suporta mais tanta vigarice, tanto mau exemplo e, em contra partida, tanto descaso e tanta impunidade.

'Pátria da anarquia e da impunidade'

Uma Terra tão rica e tão bela (como nossa acácia amarela), justamente por atos praticados por essa nefasta minoria é conhecida, de forma revoltante, no exterior, como a 'Pátria da anarquia e da impunidade', chocando, dessa maneira, o grande contingente de cidadãs e cidadãos honestos deste País, que mesmo sem serem assistidos, condignamente, por uma política de saúde, de segurança, de educação e sem formação profissional, (uma vez que os recursos destinados para essas áreas são desviados antes, durante e depois), continuam acreditando ser este um país do futuro, futuro que jamais chegará, enquanto esta situação prevalecer e se não seguirmos os passos de outras Nações como o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia, nossas irmãs caçulas.

Medidas contundentes

Companheiros, o amargor de nossos dias demanda, em curtíssimo prazo, que a comunidade, como um todo e a Maçonaria, em particular, tome medidas contundentes. Não podemos fechar os olhos e cruzar os braços diante de tão alarmante situação, cada vez mais agravada justamente por causa dessa letargia social. É preciso uma reação urgente e devemos evocar, como espelho para cumprirmos essa difícil tarefa, o exemplo de nossos ancestrais, muitos deles forjados nas sociedades secretas de então, como Frei Caneca, Bernardo Vieira de Melo, Vigário Tenório, Nunes Machado e muitos outros que deram suas vidas em prol de um Brasil mais digno e justo e, por tudo isso, conclamamos a Maçonaria, porta voz multicentenária dos ideais iluministas de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, trinômio da Revolução Francesa e que, ainda hoje lhe serve de lema, a reverter à plenitude das intenções de Montesquieu, ou seja, a valorização dos três Poderes Constitucionais livres, fortes e independentes, e para atingirmos nosso objetivo devemos nos unir, não como protagonistas, mas como coadjuvantes, a todos os seguimentos de nossa sociedade, ou seja: à grande maioria dos componentes dos três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, à Igreja, aos Quartéis, aos Estudantes e Professores, aos Clubes de Serviços e às Entidades de Classe para se não reverter, pelo menos, atenuar os efeitos dessa doença endêmica antes que ela se torne epidêmica, afinal, temos certeza, somos a maioria, somos, por assim dizer, a voz popular e como bem frisou o nosso Monteiro Lobato: “Um governo deve sair do Povo, como a fumaça do fogo.” Devemos condenar qualquer feito ou fato, por menor que ele seja, que prejudique a comunidade, pois “quem não evita as faltas pequenas, pouco a pouco, cai nas grandes”. É costume alguns brasileiros que não têm o menor compromisso com o seu país e que visam tão somente a famosa vantagem individual, pensarem em ludibriar o Imposto de Renda, mesmo sem terem nada a declarar.

Os brasileiros

Meus irmãos! felizmente sabemos que o grande contingente de brasileiros é composto de cidadãos de bem, de trabalhadores honestos, com plena convicção de que o homem público deve servir ao seu país, e não de sugá-lo como um parasita. E, assim, ombreados, todos os que compõem a sociedade, sob a égide do Grande Arquiteto do Universo, marcharemos para a luta contra essa maldade e, por certo, conseguiremos conquistar com braço forte, pois “se os que se unem para o mal, tornam-se poderosos... os que se congregam para o bem, tornam-se invencíveis”.

Ao concluir essas palavras, gostaria de fazer minhas, com pequenas adaptações, as mensagens de nosso “Águia de Haia”, exemplo para todos, no Brasil e no Mundo, de retidão e honestidade e do grande democrata republicano Charles Louis de Montesquieu:

“Medo, venalidade, paixão partidária, espírito de corpo, interesses recíprocos, lei de São Francisco (é dando que se recebe), omissão, como quer que te chames: prevaricação, covardia; não escaparás ao ferrete de Pilatos. O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para um político covarde” e “a pior forma de covardia é testar o poder na fraqueza."


*Carlos Bezerra Cavalcanti, Presidente Emérito da Academia Recifense de Letras.



imagem 2




NR - Os textos assinados expressam a opinião dos seus autores. O Poder respeita a diversidade de ideias e a liberdade de pensamento e publica textos mesmo discordando do seu conteúdo e da sua forma.




imagem noticia

Palmeiras e Flamengo retomam briga pelo topo do Brasileirão nesta quarta; confira os jogos

22/07/2026

A pausa para a Copa do Mundo chegou ao fim. A partir de hoje, quarta-feira (22/07), o Flamengo volta as atenções para o Campeonato Brasileiro com um objetivo claro de iniciar a perseguição ao líder Palmeiras. Com pouca margem de erro, o Flamengo retoma a caça ao líder Palmeiras no Brasileirão diante da Chapecoense. O jogo contra a Chapecoense, pela 19ª rodada, marca o retorno do Rubro na competição.

Outros jogos

Além de Flamengo e Chapecoense, Coritiba e Palmeiras, São Paulo x Athletico Paranaense e Internacional e Cruzeiro entram em campo.

Coritiba x Palmeiras
O Coritiba recebe o líder Palmeiras às 19h30, no Estádio Couto Pereira. O Coxa vem de uma derrota e duas vitórias nas últimas três partidas. Perdeu para o Flamengo por 3 x 0, venceu o Bahia por 3 x 2 e derrotou o Santos por 3 x 0. Todos os jogos pelo Brasileirão.

Três vitórias

O Verdão, por sua vez, vem de três vitórias consecut...

imagem noticia

A pausa para a Copa do Mundo chegou ao fim. A partir de hoje, quarta-feira (22/07), o Flamengo volta as atenções para o Campeonato Brasileiro com um objetivo claro de iniciar a perseguição ao líder Palmeiras. Com pouca margem de erro, o Flamengo retoma a caça ao líder Palmeiras no Brasileirão diante da Chapecoense. O jogo contra a Chapecoense, pela 19ª rodada, marca o retorno do Rubro na competição.

Outros jogos

Além de Flamengo e Chapecoense, Coritiba e Palmeiras, São Paulo x Athletico Paranaense e Internacional e Cruzeiro entram em campo.

Coritiba x Palmeiras
O Coritiba recebe o líder Palmeiras às 19h30, no Estádio Couto Pereira. O Coxa vem de uma derrota e duas vitórias nas últimas três partidas. Perdeu para o Flamengo por 3 x 0, venceu o Bahia por 3 x 2 e derrotou o Santos por 3 x 0. Todos os jogos pelo Brasileirão.

Três vitórias

O Verdão, por sua vez, vem de três vitórias consecutivas. O Palmeiras bateu a Chapecoense por 1 x 0 pelo Brasileirão, o Junior Barranquilla por 4 x 1 pela Copa Libertadores e o Flamengo por 3 x 0 pelo Campeonato Brasileiro.
Rodada movimentada

Hoje, quarta-feira (22/07), será de rodada cheia no futebol sul-americano e brasileiro. O Campeonato Brasileiro e a Série B movimentam a noite, enquanto a Copa Sul-Americana define os confrontos de ida dos playoffs das oitavas de final. No futebol feminino, a Copa do Brasil também entra em cena com partidas das oitavas.

O destaque

O destaque fica para os brasileiros na Sul-Americana, com Vasco e RB Bragantino buscando vantagem fora de casa diante de Independiente Medellín e Sporting Cristal, respectivamente.


Veja os jogos desta quarta-feira, 22

Campeonato Brasileiro
19h30 — Coritiba x Palmeiras
21h30 — Internacional x Cruzeiro
21h30 — Chapecoense x Flamengo
21h30 — São Paulo x Athletico-PR

Campeonato Brasileiro (segunda divisão)
19h30 — Ceará x CRB
19h30 — Operário-PR x Ponte Preta
20h30 — Goiás x Sport
21h30 — Náutico x Londrina

Copa Sul-Americana (playoffs das oitavas)
19h — Independiente Medellín x Vasco
21h30 — Sporting Cristal x RB Bragantino
21h30 — Lanús x Cienciano

Copa do Brasil Feminina (oitavas de final)
19h — Botafogo (F) x RB Bragantino (F)
19h30 — Atlético-MG (F) x Atlético-PI (F)

O Poder



imagem 2





Confira mais

a

Telefone/Whatsapp

Brasília

(61) 99667-4410

Recife

(81) 99967-9957

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nosso site.
Ao utilizar nosso site e suas ferramentas, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Jornal O Poder - Política de Privacidade

Esta política estabelece como ocorre o tratamento dos dados pessoais dos visitantes dos sites dos projetos gerenciados pela Jornal O Poder.

As informações coletadas de usuários ao preencher formulários inclusos neste site serão utilizadas apenas para fins de comunicação de nossas ações.

O presente site utiliza a tecnologia de cookies, através dos quais não é possível identificar diretamente o usuário. Entretanto, a partir deles é possível saber informações mais generalizadas, como geolocalização, navegador utilizado e se o acesso é por desktop ou mobile, além de identificar outras informações sobre hábitos de navegação.

O usuário tem direito a obter, em relação aos dados tratados pelo nosso site, a qualquer momento, a confirmação do armazenamento desses dados.

O consentimento do usuário titular dos dados será fornecido através do próprio site e seus formulários preenchidos.

De acordo com os termos estabelecidos nesta política, a Jornal O Poder não divulgará dados pessoais.

Com o objetivo de garantir maior proteção das informações pessoais que estão no banco de dados, a Jornal O Poder implementa medidas contra ameaças físicas e técnicas, a fim de proteger todas as informações pessoais para evitar uso e divulgação não autorizados.

fechar